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terça-feira, 31 de agosto de 2010

DOM CASMURRO ( 07 )

Queridos, boa tarde.
Mais uma vez sou obrigado a ser breve neste nosso espaço. Apesar da ressaca da gripe, hoje eu e minha esposa tivemos que amargar quase duas horas de espera num laboratório aguardando atendimento (isto porque pagamos plano de saúde). Arre, será que o SUS tá mais rápido? Eu não duvidaria. Uma pausa pro almoço e daqui a pouco saio de novo pra pagar contas. Ontem eu trabalhei quase nada, e pelo visto hoje será a mesma coisa. Desta forma esta biografia do Edgar Allan Poe só fica pronta no próximo milenio.
Preciso ir, mas antes fica aí a ultima imagem do livro Dom Casmurro. Ela fecha o mês.
Se Deus quiser volto em setembro. Até lá.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

X - WOMAN ( STORM )

Eu tinha planejado um outro tema para a postagem de hoje, mas qual o quê, o resfriado que me pegou pelas bolas no último sábado não esmoreceu o aperto, de forma que não me encontro em condições de demorar diante do computador - cara, odeio ficar inativo!
Então, sendo objetivo, a arte de hoje é mais uma das "mulheres X".
Tempestade.
Aquarela sobre papel fabriano.
Fotograda com câmera digital.
É a última desta série.
Rapaz, acabou os pedaços de tela, heróis da infância, x-woman... assim fico sem séries pra contentar vocês, e o mês nem acabou. Mas tudo bem, criamos outras.  Breve, querendo Deus, farei umas matérias a respeito dos artistas que influenciaram meus traços.
Por hoje é só.
Hasta tomorrow se Dios permitir.

domingo, 29 de agosto de 2010

SUPER-HERÓIS ( CURSO DE DESENHO 03 )

Dia destes vi o exemplar do curso de desenho da Editora Minuano numa banca de revistas. Dei uma folheada e constatei que está bem impressa e o papel é satisfatório. Não deu pra observar se as dicas que dei estavam intactas (as vezes, mudam - ou erram - alguma coisa). Nela divido espaço com um outro autor que ensina como desenhar no estilo mangá, não deu pra reparar quem era, pois nestas publicações o nome de autores não vem destacado.
A edição está bacana, mas lamentavelmente não é nem de longe o projeto que eu tinha concebido. Como há muita coisa faltando, inclusive um módulo todo dedicado à anatomia, não sei se haverá um segundo número.
Pensei em comprar a dita cuja, mas não o fiz, acho o fim da picada eu ter que comprar uma publicação em que sou responsável por 50% de seu conteúdo. Talvez um dia a editora me mande esta e as edições anteriores das quais participei.
A peça que acompanha esta postagem está impressa lá. É uma pose típica de herói mascarado ianque pintada com lápis de cor. Tentei ser didático na execução de um movimento dinâmico.
Ah sim, o personagem eu criei.
Bem, deixa eu voltar pra prancheta, se a gripe que me acometeu ontem permitir, é claro.
Coriza, forte dor de cabeça... nem queiram saber. Oxalá não seja dengue. 


sábado, 28 de agosto de 2010

ALGUNS PENSAMENTOS.

Se alguém fizer uma análise detalhada do meu trabalho, vai constatar que desenhos infantis e/ou humorísticos, não é exatamente a minha praia. Eu me esforço, as vezes consigo até resultados satisfatórios, mas não sai de forma espontânea.
Acontece também o contrário, como já pude constatar, caricaturistas, chargistas e especialistas em traços infantis, sofrem pra conseguir um traço mais acadêmico/realista.
Deve ser, talvez, a forma como abraçamos a arte no berço ou o que nos leva inconscientemente fazer a escolha por tal movimento. Eu gosto de pensar que nestes casos, não somos nós que escolhemos, mas que fomos escolhidos.
Lógico, há profissionais como o Arthur Garcia ou Nestablo Ramos que transitam bem em todas as áreas. Mas mesmo estes dois fantásticos artistas se formos esmiuçar seus traços, veremos que cada um pende mais pra um lado da questão. Por exemplo, o Nestablo tem um traço mais marcante no cartoon, já o Arthtur penso que fica mais a vontade no traço super-herói. (Pelo menos é o que eu acho).
Nesta arte datada do ano de 1986, eu tentava dar minhas rabiscadas também nesta área. Com o tempo fui melhorando, mas ainda suo muito a camisa quando tenho que fazer algo neste contexto.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

DOM CASMURRO ( 06 )

Realmente a idade está me afetando, que incrível isso, sentir assim a passagem do tempo, o desgaste físico meio que de uma hora pra outra! No meu caso, sinto que o envelhecimento não veio assim, gradual. Parece ter chegado de sopetão. Digo isto, por ter tido poucas horas pra dormir esta noite, e hoje sinto-me acabado,
 aéreo, sonolento. Também pode ser o acúmulo de atividades nos últimos tempos somado a pressão do dia a dia, quem sabe? 
Me lembro de uma época (1986) em Brasilia, que saía de casa às 6 da manhã, ia ao Clube do Congresso malhar, lá mesmo tomava banho e ia trabalhar numa pequena agência de publicidade que ficava na Asa Norte. Ao meio-dia eu corria pro Senac bater meu ponto, ia pra cantina almoçar e depois trampava 7 horas corridas. De lá, voava pra a faculdade. Chegava em casa por volta de meia noite. Mais um banho e cama.
Relaxar mesmo, só no fim de semana vendo televisão com meus irmãos. Este rítmo durou perto de oito meses; depois, aqueles sucessivos planos do Sarney fizeram a tal agência ir à bancarrota. Mas o caso é que eu aguentava a correria numa boa. Isto, inclusive quando eu ainda não tinha namorada. Não demorou muito arrumei uma e aí nem nos fins de semana eu respirava tranquilo. A gente acampava, ia a clubes, parques, festas, coisas que normalmente sózinho eu não faria.
Hoje... bem, hoje não é mais assim. A vida segue seu curso.
E já que o momento é para reminicências, vamos emendar os assuntos.
As artes de hoje são duas cenas importantes da obra máxima do Machadão. Numa, Bentinho pensa em envenenar seu filho, ou o filho que ele pensa que é do rival. Na outra, durante o velório de Escobar ele pensa que lê a paixão escritos nos olhos (de ressaca) de sua esposa pelo defunto.
Cenas de velório me causam má impressão, aliás, a todos imagino eu, mas o engraçado é que sou conhecido por criar nas minhas hqs, cenas de violência extrema, e no entanto me sinto incomodado com um funeral.
Acho que é porque, malgrado a crueza das cenas que desenho para minhas estórias, eu sei que aquilo não passa de fantasia - doentia, pode ser - mas ainda assim, uma forma de exorcizar certos males, como que passando pro papel, aquilo que vai no interior, como regurgitar um alimento mal digerido. Agora, velório não, ali é diferente. Real, pálpavel.
A Bíblia nos diz em Eclesiastes, que melhor é estar na casa do luto que na casa da alegria, pois ali o homem se dá conta da sua efemeridade.
Pode ser também que isto se dê comigo por ter um certo trauma. Minha avó materna me levou muito a velórios quando eu era gurizinho. Brrrrr, é verdade, ela tinha esta mania, ia até em enterro de desconhecidos (e pior, chorava como se os conhecesse), e como eu ficava junto dela durante a semana, lá ia eu naquelas casas do interior, me impressionar com os cheiros de cravos, as cores roxas, os presuntos inchados dentro dos caixões e as pessoas se lamuriando. Nem sei se meus irmãos tem conhecimento disso, mas lembro que minha mãe tinha discussões homéricas com minha avó por causa destes fatos.
Bem, um papo mórbido como este não deve estar interessando a vocês, e.... bem, nem sei por que abordei este assunto hoje. Seria catarse ou foi por causa da ilustração? De qualquer forma este espaço, creio, também serve pra isto.
Forte abraço a todos.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O INCRÍVEL GUSTAVO DUARTE.



Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre o trabalho de um artista que me impressiona desde o ano passado: GUSTAVO DUARTE.
Mas antes, deixa eu fazer uma digressão; Não sei se é apenas eu que sinto, mas parece que hoje mais que nunca, malgrado toda a tecnologia, vivemos num mundo mais oco, mais ausente de calor e de inteligência. Como não podia deixar de ser, isto se reflete nas artes. Hoje, fala muito quem não tem nada a dizer. Vejo trabalhos primorosos com excelente acabamento gráfico e totalmente vazios de conteúdo.
Esta é uma das razões pela qual eu tenho procurado consolo no passado recente ( artísticamente falando, é claro ).
E lá, encontro criadores fantásticos que através de suas penas e pincéis expressavam um mundo de ideais, de conquistas, de esperança que pra muitos soaria retrógrado e piegas:  Howard Pyle, N. C. Wyeth, J. C. Lyendecker, Maxfield Parrish, Angelo Agostini, Joseph Clement Coll, Franklin Booth, Alex Raymond, Roy Krenkel.....ih, melhor parar, a lista vai longe.  
Encontro  pouco disto hoje em dia, não só aquela qualidade artística como do período que retratavam.
Claro, eram outros tempos, agora o mundo gira mais rápido e não  temos mais tempo pra ver um amigo, cumprimentar alguém, fazer uma visita, namorar ao por do sol.
Certo, entendi onde quer chegar, diria você, mas o que isto tem a ver com o Gustavo Duarte?
Tudo. E já explico o porque.
Pelo tempo que ando nesta terra dominada pelo diabo, tenho visto e apreciado os traços de uma infinidade de artistas. Uns fracos, outros bons, alguns excelentes.

Não conheço o Gustavo Duarte pessoalmente. Trocamos apenas alguns e-mails, mas tenho uma convicção de que tudo que é bom tem que ser divulgado a larga. A primeira vez que ouvi falar dele foi através do Blog do jornalista Paulo Ramos, era o anúncio da revista Có. Pelas imagens que vi, notei tratar-se de algo fino; e também foi bem recomendado por uma amigo de Brasilia. Logo entrei em contato  e encomendei meu exemplar. Enquanto não chegava, fui devorando o que podia do seu blog ( há um link à esquerda desta página, alguns desenhos desta postagem são de lá ).  Sabem, a maioria das caricaturas tendem a ser grosseiras, e é pra ser mesmo, mas o Gustavo consegue distorcer as formas com uma elegância, que o diferencia dos seus pares. O traço é limpo e meticulosamente elaborado. Fica algo belo, gostoso de apreciar. Logo me dei conta : um chargista inimitável.


A Có finalmente chegou e comprovei o que suspeitava, ele não domina somente a charge, também doma a dificil tarefa de narrar em quadrinhos uma situação com começo, meio e fim. Bem objetivo na proposta e sempre com um traço limpo e bem humorado. Quadrinho imperdível. É uma revista independente e ainda não entendi porque uma editora de peso não capitalizou em cima. Além disso, há muito capricho no que ele faz, as letras, o design gráfico, enfim tudo cuidadosamente elaborado.  


Bem, artistas bons - com tantas referências - é o que não faltam hoje em dia, o Gustavo ainda tem a decência de responder as mensagens que lhe são enviadas, sempre com muita atenção e educação. Isto faz uma grande diferença.  
Ele diz que tem uma nova hq programada pra breve. Estou aguardando ansiosamente.


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

GAROTO INFERNAL.


Dias atrás eu comentei sobre o prazer de fazer desenhos próprios pra dar uma arejada na cabeça, não foi?
Pois sim, neste último fim de semana dei um "breakezinho" na hq do Edgar Allan Poe pra aquarelar a criaçãodo Mike Mignola. Foi como carregar pedra enquanto descansava.
Mas por que o Hellboy?
Sei lá, é um personagem simpático, enigmático, engraçado, e que dá pra fazer um bocado de histórias legais como as que temos visto. É também um dos únicos personagens alheios que quadrinizaria se pudesse escolher. O outros seriam o Conan e o cowboy Tex; mas no alto da minha arrogância, os dois últimos eu gostaria de criar também a história. Inclusive, tenho um roteiro pra uma aventura do Conan que escrevi faz um par de anos. Nunca arrumei tempo para desenha-la porque seria um projeto que daria um enorme trabalho e no final das contas teria que ficar engavetado se fosse recusado pela Dark Horse. Mas o que estou fazendo?!? Esse papo era pra ser abordado numa postagem sobre o bárbaro, a conversa aqui é o Hellboy !
O Guilhermo Del Toro é um puta diretor, Ron Perlman personificou o personagem direito, os filmes até que divertem, mas não dá pra comparar com as hqs. Diretas, sem firulas e algumas realmente perturbadoras como "O Vigarista", desenhada pelo mestre Richard Corben.
Yeah baby, Hellboy é o cara !

terça-feira, 24 de agosto de 2010

MEREÇO TER ADMIRADORES ?

Hoje tirei o dia pra ir ao centro de Recife resolver umas coisas. Fico tanto tempo trancado no meu modesto estudio que quando saio pra um lugar mais distante é como se tirasse umas férias. Férias de algumas horas.
Aproveitei para visitar uns amigos no estúdio de animação "Quadro-a-Quadro" e lá falamos um pouco sobre arte, artistas, storyboards e essas coisas. Sabem, precisamos disto as vezes. A vida, como diz a música, não é só comida e trabalho. E é muito bom reservar um tempo pra falar com quem entende a respeito destas coisas que fazem parte integrante de nossas existências. Combinei um possível free-lance. Vamos ver se vai rolar.
De lá fui a Elemental, uma comic shop conhecida da comunidade local que curte e faz quadrinhos, fanzines e afins.
 Estava procurando umas hqs do Justiceiro quando, pra minha surpresa, alguém entregou que eu era o cara que fazia as histórias do Zé Gatão. Pronto. Aquela rapaziada que frequenta o lugar me cercou dizendo serem fãs do gato, que era uma honra me conhecer e tal.
Quiseram tirar fotos.
Tiramos.
"Quando vai sair um volume novo ? Tá demorando." 
Eles todos deviam ter entre 16 e 20 anos.
Quando eu disse, "para minha surpresa", eu estava falando sério, pois tal, ainda não tinha me acontecido. Claro,sempre calha de estar num local propício, tipo Livraria Cultura e aparecer alguém dizendo que conhece o meu trabalho ou que já me viu em uma palestra no FIQ de PE, mas nunca com a efusão de hoje.
Fiquei envaidecido, agradecido e constrangido. Não estou habituado com estas demonstrações de admiração. Foi bom, mas trago comigo esta dicotomia; é legal saber que sua criação possui fãs, mas na verdade quantos ali compraram os álbuns?
Todos?
Ou ninguém?
Me disseram: Zé Gatão é leitura obrigatória neste lugar. Mas eles lêem o que está lá na prateleira, como se lê numa biblioteca? 
Certa vez, faz tempo, um garota disse que era louca pelo felino, cada um dos livros ela já tinha lido umas cinco vezes cada um. Por curiosidade perguntei aonde ela tinha comprado, "em lugar nenhum, eu li os exemplares do namorado de uma amiga".
Vocês que me lêem neste momento não me tomem por um mercenário, é muito lisongeiro todo este élan, mas um novo álbum, como me cobram, só virá à baila se os que estão na praça tiverem boas vendas.
É assim que funciona.
Por outro lado, reconheço que este tipo de hq não é barato. Infelizmente não está ao alcance de todo mundo.
Mas quem diria, após todos estes anos Zé Gatão ainda tem admiradores!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

APROVEITANDO PEDAÇOS DE TELA ( SUPERMAN )

Este é o último desta série onde eu aproveito um pedaço de material que normalmente iria para o lixo.
Pena. A gente acaba se acostumando com coisas assim. Haviam mais alguns, mas infelizmente na era pré-scaner acabei perdendo nas gavetas de algumas redações de revistas e editoras. Paciência, havendo oportunidade farei outros.
Espero num futuro próximo ver um filme decente do Super. Tecnologia e gente capacitada pra isto deve ter, não é possível. Estão devendo um filme que faça justiça a este incrível personagem desde aquele primeirão que imortalizou o saudoso Christopher Reeve. O resto é bom nem lembrar.
Falando em super-homem, hoje fui assistir "Mercenários". Quem curtia filmes de ação nos anos 80, deve se esbaldar com este. Esplosões, muito tiro, muita facada, muito murro na cara, muita mentira, muita canastrice, muitos clichês. Enfim, filme pra se divertir. Roteiro e verossimilhança?  E precisa disto num filme que consegue reunir tanta testosterona? Só a cena do Schwarza, Sly e Willis já merece o ingresso. Eu achei legal.
Ok, por hoje é isso. Boa noite procêis.
 

domingo, 22 de agosto de 2010

ÁLBUNS DE ANATOMIA

Hoje gostaria de comentar a respeito de três obras que muito me orgulho de ter feito. Trata-se dos livros de anatomia da finada Opera Graphica. ( Um quarto álbum estava sendo planejado com o tema "Cabeça e Tronco" mas infelizmente a editora encerrou suas atividades antes que a idéia fosse pro papel ).
O mais legal na execução deste projeto foi que o editor Franco de Rosa me deu total liberdade de criação. Assim pude trabalhar do meu jeito sem ninguém dando pitacos. Autocratismo da minha parte? Ni-na-não,  na maioria das vezes, editores, diretores de arte, gerentes de produção e outros tais, nunca me ajudaram muito, aliás na maioria das vezes só me atrapalharam. Claro, sugestões inteligentes com abertura pra discussão sadia tá valendo, mas boa parte do tempo é neguinho querendo me mostrar que é o "sabe tudo" e o resultado no final quase sempre é aquele trabalho que não difere nada daquela merda que insiste em não descer privada abaixo. Felizmente não foi assim com essas edições da Opera. Ali tive tempo e espaço.

DESENHANDO ANATOMIA - Figura Humana -  Criei este álbum durante as Olimpíadas da Grécia, fiz algumas pesquisas só pra constatar que os modelos vigentes até então, tratavam o tema da mesma forma, ou seja, mostravam ossos, músculos e tal, mas não a execução do movimento quando tal músculo era usado. Partindo daí associei o fisiculturismo com lições de anatomia, numa linguagem bem acessível e deu no que deu. Sucesso. O Gualberto Costa brincou que no livro eu também ensino a malhar. Foi muito elogiado. Agora uma resalva, e aí eu tiro o meu da reta, o álbum contém alguns erros de texto (  não estavam na minha escrita original ). Pena.


DESENHANDO ANATOMIA - Figura Feminina - Aprendi com os "erros" do anterior e pude aperfeiçoar a técnica narrativa. Foi tão bem recebido que durante um bom tempo figurou como o livro de arte mais vendido na Comix, segundo o site da própria livraria. Hoje ele está esgotado. Quem comprou, comprou. Quem não comprou... 
Pude fazer uns desenhos bem interessantes neste volume. Malgrado alguns erros de digitação ( de novo! ) é um livro bonito, com um excelente acabamento. Com excessão das orelhas este é o único volume em que todos os textos são meus, inclusive a chamada da quarta capa. 


DESENHANDO ANATOMIA - Animais - Esta edição foi a mais prazeirosa pois para elabora-lo eu tive que sair em campo, fui ao Horto Florestal aqui de Recife, ao Zoológico e à Faculdade Rural de Pernambuco, pesquisar e desenhar. Na minha opinião este foi o mais técnico de todos. Tentei ser bem didático, mas confesso que tive um pouco de dificuldade na hora de passar a mensagem. O tema é abrangente demais e tive que rebolar para explicar o essencial em 48 páginas. Há dois poréns, tenho uma escrita um tanto coloquial, penso, e eles limaram muitos textos, resumiram uns e deixaram outros um tanto formais. O segundo entretanto foi que algumas ilustrações feitas a lápis ficaram muito escuras. Mas no geral, creio que a missão foi cumprida.


Foi uma época positiva, eu não tinha tantos trabalhos e pude me dedicar integralmente a estes álbuns. Infelizmente os sites especializados em quadrinhos ignoraram totalmente estes volumes. É lamentável pois são voltados também para este público.
Segundo eu soube, este material vai ser reimpresso por um novo selo editorial no formato livro (21 x 14).
Será mesmo? Vamos aguardar.

sábado, 21 de agosto de 2010

MAIS UM DAS ANTIGAS.

O sabadão hoje aqui está um marasmo total. Dia chuvoso, porém, não convida a ficar encostado num cantinho ouvindo boa música ou vendo um bom filme. Não, não posso me dar esse luxo. A fila anda e o clima daqui de Jaboatão, diferente de São Paulo por exemplo, não se mostra acolhedor neste sentido - pelo menos não para mim. Me sinto exilado, ou melhor dizendo, como um soldado em campanha. Por isto, apesar do tédio, eu continuo trabalhando sem parar.
Estou aguardando um chamado da editora Multimarcas para um novo projeto, e enquanto isto não acontece, as páginas da bio do Edgar Allan Poe seguem sendo desenhadas, paralelo a isto vou fazendo minhas ilustrações particulares (por etapas). Estes trabalhos próprios por sinal é que fazem "a coisa" valer a pena, afinal nem tudo é dinheiro. Nem pode ser.
No mais, eu ainda não encontrei a nota como se diz; ainda não subi nem o primeiro degrau nesta imensa escadaria que leva a auto-satisfação como profissional. Não só tenho muito ainda a aprender, como também vencer certos obstáculos que surgem cada vez que executo uma arte. As vezes calho de acertar, outras não. Só nos desenhos que faço pra minha satisfação ou nas hqs do Zé Gatão é que me atrevo ousar e experimentar. E assim espero estar crescendo.
A arte de hoje é um simplório desenho que fiz anos atrás. Umas das tantas experimentações do período.
Educando o olho, aprimorando minha técnica com bico de pena.
É... faz muito tempo, o papel está até amarelado.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

DOM CASMURRO ( 05 )

Meus queridos, boa tarde.
Minha intenção hoje era fazer uma postagem comentando o trabalho de um artista e profissional que admiro bastante. Contudo, o tempo não permitirá. Fica pra semana, se Deus quiser.
Deixo com vocês mais duas artes de Dom Casmurro. 
Engraçado isto, né? Quando não tenho tempo de escrever muito eu posto as ilustrações destes clássicos. Mas explica-se, quem me acompanha desde o início do blog sabe do que se trata, e não há muito o que comentar, é bico de pena sobre papel opaline.
Abraços a todos.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

NA CAMA COM ZÉ GATÃO.

"A coisa que mais amo fazer é quadrinhos e ainda me pagam pra isso." Um cara que não conheço disse esta frase. Aliás, tem um bocado de artista fodão que já afirmou algo parecido. Eu jogo no time do cartunista Joe Sacco ( na reserva, é claro ): "Fazer quadrinhos é muito sofrido". Acho que o genial, porém rabugento do Crumb, disse algo do gênero. Dá pra entender as duas posturas, independente do temperamento dos artistas e suas formas de ver - e viver - a arte.
Existem trabalhos que fazemos porque precisamos fazer, porque são eles que pagam as contas, gostemos do estilo, gênero, técnica, forma ou não. E tem obras que executamos porque elas nos dão prazer independente de tudo.
Seria o máximo se pudéssemos sempre aliar as duas situações, ou seja, ganhar grana só fazendo desenhos que nos empolgassem,  mas nem sempre é possivel. Comigo, na maioria das vezes, é uma tarefa árdua.
Mas só acontece quando não tenho total controle sobre a coisa. Por exemplo, certa vez fui contratado pra fazer o design de um boneco articulado de um ator de tv. Pareceu-me divertido criar algo do tipo. Mas o que pensei ser uma tarefinha desafiadora tomou proporções ciclópicas de um pesadelo lovecraftiano. Ao invés de me deixar criar, os clientes que não sabiam a diferença entre Picasso e Long Dong Silver, davam pitaco a todo instante, eu fiz e refiz os desenhos por mais de duas semanas e nunca chegavam a uma conclusão. Na boa, não é porque estão pagando que eles tem direitos sobre a sua liberdade criativa, e na maiorias das vezes nos submetemos porque precisamos do dinheiro.  Gosto muito do que faço, não me vejo trabalhando como caixa de banco ou soldador, mas as vezes é um saco!
Mas só as vezes. Eu me permito interromper, quando sinto necessidade, um seviço sacal, para elaborar coisas que me relaxem, como a arte que vemos abaixo. Ela refletia o meu desejo numa época de bastante pressão. Fiz só pra desopilar. Como a pausa pro cigarro. Depois voltamos a carga.
Dito isto, eu reitero as palavras do cara:
Eu amo fazer arte, e ainda me pagam pra isto.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

X - WOMAN ( ROGUE)

Pessoal, hoje amanheci sem internet. Como acontece em casos assim, tenho que me valer do favor dos amigos pra acessar meus e-mails e fazer envio de trabalhos para as editoras, isto porque sou pao duro e nao estou afim de gastar com lan-houses. Nah, brincadeirinha, na casa de um chegado me sinto mais a vontade, e nao preciso aturar aqueles moleques chatos que ficam jogando em rede. No caso, o chato aqui sou eu.
Direto ao ponto? A arte de hoje e´uma aquarela da famosa Vampira, fotografada com camera digital.
Vampira. Cara, que nome grosseiro! Rogue e´menos pior, embora tambem nao seja dos mais elegantes.
A mocinha e´uma graça e e´espirituosa, bem diferente da interpretaçao nos filmes daquela menina que fez "O Piano."
Vamos ver se amanha o pessoal da net consegue resolver o problema.
Ah, este texto saiu sem pontuaçao por que este teclado ta com defeito.
Hasta tomorrow, querendo Dios.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ZÉ GATÃO NA SCI-FI NEWS

Este é o último post referente ao primeiro álbum do Zé Gatão. Pelo menos enquanto não aparecer qualquer novidade em relação a ele.
O assunto de hoje, é uma matéria que saiu na revista Sci-Fi News. 
Embora não creditada, ela foi feita pelo Mauricio Muniz, hoje editor da Gal e uma das pessoas  mais competentes ligadas aos quadrinhos no Brasil.
Para um álbum independente que mais parecia um corpo estranho no cenário quadrinístico daquela época, ter uma resenha numa revista direcionada como a Sci-Fi, foi para mim um deleite. Se tivesse lançado o álbum um tempo antes, é bem provável que ele tivesse também matéria na Wizard.
Soube que o Mauricio teve que brigar para que este texto pudesse ser publicado. Os maiorais da revista ao tomarem conhecimento do teor da obra supracitada não queriam permitir. Tanto que era pra ser uma sinópse de duas páginas e reduziram pra uma.
Apesar de tudo, Zé Gatão não rendeu mais por conta disto. Como vendi o livro quase mão a mão, posso afirmar que ele foi muito bem recebido. Vendeu razoávelmente bem. O problema é que nada disto alavancou o personagem. Creio que faltou uma continuidade que permitisse a ele caminhar por si só. As editoras que publicam materiais neste estilo, estavam engatinhando naquele período e a situação das hqs por aqui sempre foi muito instável.  Bem, só posso formular teorias que não vão modificar o quadro. O que pude fazer eu fiz. Na verdade estou tão cansado desta história toda que nem aguento mais. 
Só queria acrescentar que os originais deste livro, não se encontram mais comigo faz alguns anos.
Eu doei ao Museu de Artes Gráficas criado pelo Gualberto Costa ( não tenho notícias daquelas páginas faz tempo ). De resto, só tenho a agradecer ao Mauricio Muniz mais uma vez pela matéria. Ficou muito boa. 

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

DOM CASMURRO ( 04 )

Hoje fui assistir A Origem, filme do Christopher Nolan. Gostei? Não sei dizer bem, pra mim existem filmes que é necessário  um tempo pra digerir. Há fitas que funcionam melhor depois de uma segunda assistida, mas acho que esta eu não verei de novo no cinema. Desta película no momento, só posso dizer três coisas:
1- Hoje em dia num filme,  tudo é possível, visualmente falando.
2- Chris Nolan, realmente é um grande diretor, e o Leonardo Di Caprio aos poucos vai abandonando aquela carinha de moleque topetudo. Ele manda bem como ator.
3-  Mas fora estas virtudes, achei tudo muito pretencioso.
A idéia como sabemos não é nova, mas acho que se fosse possível invadir os sonhos de alguém seria uma experiência muito bizarra, afinal eles não são exatos como mostra o filme, ou melhor dizendo, não há nos sonhos, situações concatenadas umas com as outras, como uma história com começo meio e fim, por mais que alguém tentasse induzir ou controlar.
Mas entendo que é um filme, por isto mesmo eu diria que como idéia ele até pode ser brilhante, como entretenimento, deixa a desejar. Pelo menos pra mim. A guria que era a arquiteta no filme foi aquela que fez Juno, não foi ? Taí, gostei mais de Juno.
Quanto as artes de hoje, mais duas imagens que criei para o livro Dom Casmurro.


domingo, 15 de agosto de 2010

SUPER-HERÓIS ( CURSO DE DESENHO 02 )

Minha idéia para o curso de desenho sobre super-heróis era BEM diferente do que acabou saindo no final.
Como já disse aqui, eu tenho a mania de dar às coisas que faço uma dimensão muito maior do que elas realmente são. Talvez seja isso o que chamam de megalomania. O fato é que dediquei um bom tempo desenvolvendo um método de como desenhar super-seres, inclusive com um atlas de anatomia, algo imprecindível pra qualquer aspirante a desenhista. Eu imaginava um álbum de lombada quadrada nos moldes daqueles que fiz para a extinta Opera Graphica. O material cozinhou nas mãos de editores por mais de dois anos e nada. Me falaram que acharam meu estilo tradicional demais.
Finalmente parte daquele projeto saiu em uma revista pra bancas de jornais dividindo seu conteúdo com um método de como desenhar mangás criado por outro profissional.
As ilustrações vistas abaixo, são parte daquilo que eu tinha imaginado para o curso. Seria um módulo dedicado aos três tipos físicos distintos, a saber, o Ectomorfo, Mesomorfo e Endomorfo. Pra quem não sabe o que vem a ser isto, a explicação está no próprio desenho ( espero que entendam minha letra ).
Não quis usar ( nem sei se podia ) heróis conhecidos, então criei alguns, claro, inspirados nos que já conhecemos.




sábado, 14 de agosto de 2010

ZÉ GATÃO NUM PERIÓDICO DE ARARAQUARA E NO ORKUT.

Hello folks, como estou numas de nostalgia esta semana, aproveito para partilhar com vocês, que curtem as violentas hqs do Zé Gatão, uns comentários em jornais que surgiram no período do seu lançamento há 13 anos. ( 13 anos ?!? Cara, como o tempo voa!!!)
Esta resenha foi feita pelo Sebastião Seabra, segundo o Valter Silva, proprietário da saudosa Livraria Muito Prazer. Não conheço o Seabra, somente seu trabalho, que aliás é de altíssima qualidade, nem preciso falar muito dele aqui, o cara é um dos expoentes máximos dos quadrinhos brasileiros que não tiveram a mesma propaganda que teve o Deodato - outro fera - por exemplo. É so pesquisar no google e vocês poderão constatar por si mesmos. Pelas palavras dele parece que ele estava bem revoltado com os editores brasileiros.
LEVEI 13 ANOS PRA TE AGRADECER SEABRA, MUITO OBRIGADO.
Mais uma vez acho curioso que as poucas resenhas que este álbum teve, vieram de pessoas pras quais eu não o enviei e sequer conhecia. Nenhuma novidade.
Aproveitando, Zé Gatão tem uma comunidade no Orkut sabiam? Foi criada por "J N R Wrestling". Soube disto a uns dois anos, eu creio. Eu não tinha computador, então sequer visitava, também não fazia parte dela por não querer advogar em causa própria. Pura babaquice minha, aprendi com meu amigo Nestablo que se você não fizer propaganda do seu próprio trabalho, ninguém mais o fará. Daí o porquê deste blog.
Então quem tiver Orkut, e curte este gato cinzento escaldado, dê uma procurada por lá e faça parte da comunidade, comente, opine, critique, faça perguntas.  Meu ego agradece.
Nem conheço pessoalmente o criador da comunidade, já nos falamos por e-mail, e é um cara muito legal e que entende muito de quadrinhos.
Bom, por hoje basta.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

DOM CASMURRO (03).

Queridos, boa tarde.
Como vou estar ocupado a noite, passei aqui pra deixar uns desenhos pra vocês e voltar para a prancheta. O tempo voa, e ainda há muito o que fazer.
Estas são mais duas pranchas para Dom Casmurro.



Um forte abraço.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

EDGAR ALLAN POE.

Boa noite a todos.
A boa notícia é que finalmente conclui ontem as ilustrações dos clássicos brasileiros. Depois de bastante pressionado pelo tempo é um alívio chegar ao fim. Tirei hoje o dia de folga depois de trabalhar de domingo a domingo. Agora é administrar o dinheiro recebido até o próximo "job" remunerado. Vida de desenhista.
Aproveito o momento pra revelar aqui um projeto que pretendo retomar amanhã e no qual eu vinha trabalhando a quase um ano, ele foi interrompido várias vezes pra pegar os serviços que colocam comida na mesa. Trata-se de uma biografia em quadrinhos do lendário poeta americano Edgar Allan Poe. Foi uma obra encomendada. O roteiro ficou a cargo do renomado roteirista R. F. Lucchetti.
Como fã dos contos góticos do Poe, pra mim é uma honra e imensa responsabilidade quadrinizar sua vida.
Contudo, não fui remunerado ainda pelo que fiz até agora - a hq deverá ter por volta de 180 páginas e já fiz 34 - acho que o agente literário quer ver tudo pronto primeiro ante de levar a obra pra alguma editora. Como não sou o desenhista mais veloz do mundo, deve levar ainda um bom tempo até a conclusão.
Se tenho alguma dúvida quanto a publicação? Lógico. Meu histórico com relação às editoras me deixa desconfiado. Mas não creio que após tudo pronto eles irão roer a corda. Digo isto não tanto por mim mas pelo Lucchetti.  E depois, Edgar Allan Poe vale o risco.
Deixo com vocês algumas cenas deste projeto. Com o tempo vou mostrando mais imagens.
Até amanhã se Deus quiser.



quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ZÉ GATÃO NA TRIBUNA DE SANTOS.

Nunca tinha ouvido falar da Tribuna de Santos, até que o caderno de cultura deste jornal me chegou às mãos por um amigo do meu pai. Nele, a primeira das poucas resenhas que Zé Gatão teve na mídia impressa.
O curioso é que mandei o álbum para várias pessoas que não deram a mínima. E logo um jornal de Santos que eu não conhecia, me brinda com o primeiro comentário positivo.
O colunista não assinou a matéria, não sei quem é ele até hoje. Nunca pude emitir o meu obrigado.
Se você, autor da nota estiver lendo, ou ler algum dia, saiba que agradeço muito.


Tenho mais duas matérias sobre o livro branco pra postar mas fica para o futuro.

Vou aproveitar o ensejo e comunicar a quem ainda não tomou conhecimento, que o Zôo do meu brother Nestablo Ramos Neto foi selecionado para o PNBE 2011. É uma vitória de todos nós que torcemos para que esse grande artista tenha o devido reconhecimento. O cara é um batalhador incansável. Virão mais álbuns por aí (oba!).
Logo, logo o meu amigão vai estar calvo e barrigudo atrás de uma mesa enorme, cheia de mirabilias, fumando cubanos e delegando ordens. Eu vou ligar e ele vai dizer pra secretária que é pra eu marcar um horário na sua agenda super lotada. Será? Pensando bem acho que não. Acho que ele nunca vai parar de desenhar ele mesmo suas histórias.
Parabéns pela conquista irmão.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

HERÓIS DA INFÂNCIA ( BATMAN ) .


Ano de 1969. Morávamos eu, meus pais e minha avó neste período, na casa de uma alemã,  Dona Bárbara, uma amiga do velho Schloesser, meu avô, que tinha falecido não havia muito tempo. Ficava em Cumbica (SP) próximo à base aérea. Foi neste ano que meu irmão Gil nasceu, lembro da noite em que ele veio pra casa envolto num imaculado cobertor amarelo. Ele chegou primeiro, eu fiquei tomando conta dele, enquanto meu pai e meu tio improvisavam uma forma de subir minha mãe que tinha feito cesariana, pelos íngremes degraus que davam acesso à casa. Eles a trouxeram escada acima sentada numa cadeira. Devo enfatizar que não consultei meus pais para relatar isto aqui, valendo-me tão somente das minhas memórias de infante. Portanto, talvez um detalhe ou outro possa ter me escapado. Mas o cobertor amarelo e minha mãe chegando na cadeira, eu não poderia esquecer.
Como não posso ouvidar a primeira vez que vi o homem-morcego estampado na capa de uma revista da Ebal. Como sei que era da Ebal? Porque só podia ser.
Não conseguia tirar os olhos daquela imagem. Pelo que lembro, o Batman, não era o personagem central,
haviam outros heróis na cena, mas não me pergunte quem eram, não dava pra tirar os olhos do morcegão. Sua imagem enigmática não é facilmente esquecível.
 Meu segundo contato com ele foi através do famoso seriado de tv com o Adan West e Burt Ward. Eu ficava eletrizado a cada episódio.
Depois disso tive o prazer de ter em mãos a fantástica série do Neal Adams, um dos maiores quadrinistas de todos os tempos.
É claro que "O Cavaleiro das Trevas" do Frank Miller merece destaque.
Os desenhos animados com traço do Bruce Timm são incríveis.
No cinema, o Tim Burton foi o que melhor caracterizou a figura do herói. O visual era negro e sem todas essas firulas que inventam filme após filme, transformando o vigilante num tipo saido de um baile de carnaval. Os filmes do Chris Nolan, embora ótimos, também pecam por este detalhe.
A pintura que ilustra este post, foi feita a óleo sobre uma chapa de papelão e integra o meu portfólio de heróis. Considero um dos meus melhores trabalhos. Devo dizer sem modéstia que ela tem todo um clima e imponência típicos inerentes ao protagonista.
Lógicamente, hoje eu faria algo bem diferente, alguma coisa mais perto do real, com dobras de roupas, fivelas e todas essas coisas que enfeiam um visual já alegórico. Quem sabe eu faça? Se me pagarem...
Postei duas imagens da mesma pintura, a de cima, tem mais brilho, foi fotografada com câmera digital, esta abaixo, escaneei do original. Enjoy.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

X - WOMAN ( PSILOCKE )

A matéria de hoje era para ser com o Batman, mas como estarei ocupado até tarde da noite, ela fica para um futuro próximo se Deus quiser; assim, antecipo minha postagem com a srta. Psilocke, feita com uma aquarela mais solta e fotografada com câmera digital.
Tirando o período em que fiquei sem net, até agora tenho conseguido manter a minha promessa de atualizar este blog diariamente. Não sei até quando será possível, mas por enquanto, vamo que vamo.
Tenham todos uma ótima noite.

domingo, 8 de agosto de 2010

ZÉ GATÃO ( O PRIMEIRO LIVRO )

Tenho refletido muito esses dias sobre Zé Gatão. Se o personagem tem alguma relevância no atual cenário de quadrinhos nacionais e essas coisas. Olhando no horizonte, parece-me que o panorama pra nona arte no Brasil tem melhorado. Não dá pra dizer se o que vejo é apenas uma miragem. Temos visto uma garotada extremamente talentosa publicando - e não só de forma independente - excelentes trabalhos. Entretanto não noto um mercado ganhando corpo. Me desculpem os mais otimistas, mas não dá pra confiar. As hqs hoje (como a muito tempo já vem acontecendo), tem que disputar no braço o espaço a que pensa ter direito com outras mídias mais poderosas. E por incrível que possa parecer, foi a única forma de expressão que evoluiu, tanto que o cinema tem bebido muito da fonte que ela tem jorrado.
Quando idealizei meu personagem, o quadro de então era bem diferente; Marcelo Campos, Octavio Cariello, artistas fenomenais, começavam suas carreiras trabalhando para as editoras americanas, outros como Mutarelli, ganhavam notoriedade por aqui mesmo, mas eu acho que na prática pouca coisa mudou, pois um tempo antes ainda, o Marcatti já ganhava destaque imprimindo e distribuindo ele mesmo suas próprias revistinhas. Hoje, vemos vários quadrinhos legais feitos por uma rapaziada notável, mas elas continuam independentes. Ou seja, publica-se um número limitado de revistas para serem lidos pelos amigos e fãs desta mesma rapaziada ( na maioria dos casos), e a coisa se torna um círculo vicioso apesar da divulgação que a internet possibilita.
O que me traz de volta ao ponto : teria Zé Gatão algo a dizer hoje em dia?
Parece pedante da minha parte fazer esta indagação, uma vez que este gato nunca teve sucesso comercial, né?
Os artistas mais novos já me perguntaram se eu me inspirei em Blacksad, vejam só. Pelo que sei o gato preto dos espanhóis só veio a público em 2000 e o meu em 1997. Isto sem contar que o criei em 1992, o ano em que eu e minha família voltamos pra São Paulo depois de morar quase 20 anos em Brasília. A selva de pedra praticamente nos engoliu. Eu não conhecia ninguém e vinha de um relacionamento conturbado que ao final quebrou minha alma em mil pedaços. É incrível o que uma mulher pode fazer com um cara quando ele é jovem. Todo este cenário culminou com a necessidade de me desabafar através dos quadrinhos, e as hqs do felino tiveram aí a sua gênese. Explico parte deste processo na introdução do álbum.
O que ninguém sabe é que o Marcatti teve algo a ver com isto tudo (nem mesmo ele), e eu nunca pude agradecer. Fui certa vez a uma palestra na gibiteca Henfil e conversei com o Marcatti. O conselho dele foi este: vá fazendo suas histórias sem a preocupação em publicar, quando tiver um número de páginas razoável, reúna em um álbum e publique você mesmo. Pensei um bocado nestas palavras.
Folheei o livro recentemente após muitos anos, e me parece uma boa hq de ação, embora num traço bem amador. Houve uma época em que ficava constrangido com minha inabilidade em narrar certas passagens. Como aquela em que a gatinha Alice esnoba Zé Gatão por exemplo. Já tinha sido vítima de adolecentes que desdenham de você quando na verdade estão afim. Eu não soube transmitir esta idéia e me pareceu algo idiota e desnecessário no contexto. Na verdade eu não tinha um método prático de como criar uma história em quadrinhos. Eu tinha uma idéia e fui desenhando a medida que elas iam fluindo, geralmente no final da noite após chegar do trabalho. O início, meio, e fim já estavam concebidos antes de me lançar na tarefa, mas eu não tinha exatamente um roteiro traçado.
Sabem, não me arrependo de nada, mas confesso que pensei que nós (brasileiros) estivéssemos preparados pras coisas que o álbum mostra de forma explícita, como as consequências de uma guerra (violência exacerbada, estupro e coisas do tipo), cenas de nú frontal masculino, algo comum nos comics do Corben, Liberatore e Magnus, causaram choque em muitas pessoas e o resultado disso é que fui tachado de indecente, abrutalhado  e outros adjetivos pouco simpáticos.
Algo que sempre insisto em afirmar é que toda obra artística reflete o que o artista sente naquele momento em que ela foi realizada, e também ela é o espelho de como este artista vê a sociedade que o circunvizinha.
Daí, vocês que leram o livro, podem imaginar a teia de angústias em que minha mente estava envolvida.
Tendo o trabalho pronto, me dei conta de que não havia onde publica-lo. A ótima revista Animal seria uma excelente casa para Zé Gatão, mas ela já tinha ido pras picas havia tempos, agora não me recordo se tinha alguma editora naquela época que bancasse a empreitada, mas lembrando do conselho do Francisco Marcatti, aguardei até que se apresentasse a oportunidade de edita-la eu mesmo.
A ocasião surgiu em meados de 97. Eu e meu pai pegamos um empréstimo num banco e botamos pra rodar numa gráfica na Santa Cecília. Como eu ia divulgar? Não sabia. Como eu ia distribuir? Tampouco.
Eu ia quase diáriamente à gráfica acompanhar o processo de impressão. Sempre fui arredio e ensimesmado, mas lembro que minha mãe e minha filha diziam que eu estava alegre e eufórico naqueles dias.
Finalmente os 2000 exemplares ficaram prontos e atulharam o quarto onde eu, André, Rodrigo e Samanta, respectivamente meus irmãos e minha filha, dormíamos.
Lembro que durante dois dias eu relutei em levar aos locais de venda. Pensava: quando as pessoas lerem, aí não terá mais volta. Amarão ou odiarão, ou pior, ninguém vai dar a mínima.
O primeiro local que levei foi a Livraria Muito Prazer.  Sempre fui amigo dos donos que me deram a maior força. Depois na Comix, Devir, e outros locais menores. Eu tinha que fazer o trajeto de ônibus ou metrô com aqueles pacotes pesados. Em muitos destes locais, com o meu misantropismo típico, eu me sentia um verdadeiro idiota, tentando explicar o que era o produto.
Dei um jeito de que chegasse às mãos das certas pessoas que pudessem escrever em jornais e revistas (a internet engatinhava naqueles tempos).
Uns amaram, outros odiaram, mas creio que ninguém ficou indiferente.
Muita gente torceu o nariz pelos personagens serem animais antropomorfos. Eu digo: OS ANIMAIS SÃO EXCELENTES ATORES PARA INTERPRETAR OS DRAMAS HUMANOS.
Muitos criticaram o formato álbum. Eu era um artísta da fome, desconhecido, era muita pretenção minha, tinha que ser uma revista de banca pra estar mais acessível, etc.
Outros quiseram saber se me inspirei em "Maus", do Art Spiegelman. Nada disso, queria algo entre "Animal Farm", do Orwell e "Edmundo o porco", do Rochette e Veiron que era publicado na Animal. 
Levei muito calote. Muitas comic shops, como a Merlin, fecharam e não recebi, Os Invasores (acho que o nome era esse) de Santos também fechou e não pude ir lá receber. Em alguns lugares onde fui cobrar pelas vendas, que foram boas, eu era tratado como se estivesse pedindo dinheiro emprestado. Mas tudo bem, faz parte do processo.
Não foi bem divulgado, apesar de algumas ótimas resenhas ( se der, postarei algumas aqui ). Ainda tenho exemplares deste livro. Não tenho intenção de republica-lo um dia. Fez parte da minha história por isto deixo mais este registro aqui.
Tenho orgulho do livro branco. Como não ter? Através dele conheci muita gente legal e meio que ingressei no "metier"de quadrinhos brasileiros. Um exemplar acabou chegando às mãos do lendário Jotapê Martins, mas esta já é uma outra história. 





sábado, 7 de agosto de 2010

MITOLOGIA E PONTILISMO.

Essa é dos primórdios. É um dos meus desenhos mais antigos, quer dizer, antigo da minha fase, digamos... profissional.
Eu tenho, inclusive, uma pasta com desenhos da época da adolecência, gostaria de postar alguns aqui, ela deve estar como tantas outras coisas do período, na casa da minha mãe. Engraçado isto, certas coisas deixamos em poder das mães, fotos antigas, cartas, diários, brinquedos velhos, gibis, etc. Como se elas fossem as perfeitas guardiãs do nosso tesouro.Tesouro esse que muitas vezes nem nos interessa mais. Mas há uma explicação lógica para deixar nossas genitoras cheias das nossas tranqueiras. Coisas que fazem parte do nosso passado, como as citadas acima, são parte de nossa história, relutamos em deixar para trás. Saimos de casa para morar sózinhos, nos casamos e tal, e na possiblidade da aventura dar errado, sempre há a alternativa de voltar para o nosso mundinho. Tenho vários amigos que se casaram, mas suas coleções de gibis ficaram na casa dos pais, pois a maioria deles já foram ameaçados pelas esposas : "Livre-se dessas revistinhas ou ponho tudo no lixo."
Felizmente não sofro deste mal, minha companheira entende meu vício, inclusive compartilha.
O problema de ter tanta coisa antiga, como pinturas e desenhos na casa da madre, é que comigo não há espaço pra tudo.
O desenho de hoje, foi o único que fiz com a técnica do pontilismo. Fora os espaços preenchidos com preto, todo o resto foi finalizado com pontinhos. Dá pra perceber que eu era influênciado por mitologia e surrealismo. Usei caneta esferográfica e uma outra de ponta porosa.
Eu trabalhava nesta época num porão de uma loja onde funcionava uma assistência técnica de imagem e som. Situava-se na 505 norte. As vezes os técnicos se esqueciam de mim e eu aproveitava pra desenhar, aprimorar meu traço, pois estava decidido a fazer algo de útil com o talento natural que Deus me deu. Este desenho é fruto de uma daquelas tardes tediosas.
Tenho boas recordações deste tempo, não do trabalho que era escravo e mal remunerado, mas lembro bem que foi naqueles dias que comecei a valorizar minha vocação. 

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

TATOO 02

Meus queridos, hoje foi um dia de trabalho intenso, estou morto de fadiga. Tudo o que quero agora é repousar fazendo companhia para minha esposa diante da TV.  Espero que ela não esteja assistindo nenhum programa cretino. Então, como ontem, serei breve nas palavras.
A arte que vocês conferem hoje, é uma das tantas criadas para uma revista de tatuagens e que não foi usada na publicação. Usei lápis de cor.
Aos que dão um tempo do computador no sábado e domingo, desejo um bom final de semana, aos que ficam ligados, amanhã tem mais, querendo Deus.
É isso, a gente se vê.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

DOM CASMURRO ( 02 )

Boa noite pessoal. minha intenção hoje era postar algo referente a meus quadrinhos, algo que não abordo já faz algum tempo, mas vou adiar; há coisas que temos que proceder com um carinho todo especial , e simplismente não me sinto inspirado nestes últimos tempos para tal tarefa. Amanhã é outro dia, se o Todo Poderoso permitir.
Vão aí duas artes de Dom Casmurro. O rosto de Capitu quando menina e Bentinho argumentando com o agregado José Dias. Fiquem em paz.