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sábado, 7 de fevereiro de 2026

ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 3 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A BUSCA – Capítulo 3:

Por vários dias consecutivos, o Gatão vagou pelo deserto
inóspito, na direção indicada pela Grande Serpente de outras eras!
Certa noite, remexendo em sua mochila, o felino casmurro
encontrou um pacotinho, do qual até já havia se esquecido. Abriu-o
com vagar. Era uma bússola! Havia junto, um bilhetinho com estes
dizeres:
– “Para guiar seus caminhos”.
Lena.
Zé Gatão sorriu, dos seus cada vez mais raros sorrisos e
pensou: Ah, Lena! Eu deveria ter trazido você comigo! Seria sua
chance! Uma alternativa ao caos…mas naquela hora em que nos
despedimos, eu não sabia o que sei agora! - Reavivou o fogo,
mastigou um pouco de ração de uma das latas e de sobremesa,
comeu umas três flores adocicadas de um pequeno cacto que
encontrou, nas proximidades. O Gatão passou a noite
tranquilamente. Relaxado, mas alerta – tipo: um olho na missa e
outro no padre – como antigamente se dizia!
O felino levantou acampamento, antes do amanhecer! Era melhor
caminhar nas primeiras horas do dia, pois o calor ainda não era tão

causticante! No meio da tarde aproximou-se de pequenas
elevações, localizadas a uns cem metros, mais adiante. Firmando a
vista, percebeu que estas elevações tinha cavidades, as quais
sugeriam em entradas e mais no alto, um arremedo de janelas!
Portanto, eram usadas como moradias! Tal constatação, fez o
Gatão chegar cautelosamente, encoberto por pedras e dunas,
espalhadas pelas cercanias. Sua apurada audição, ouviu vozes
roufenhas e sentiu no ar, o desagradável cheiro de
répteis! Para ser mais preciso, lagartos verdes da amplidão!
As elevações residenciais faziam um semicírculo. No centro
destes, alguns lagartos, armados de espadas, lanças curtas e
escudos metálicos, se achavam entretidos amarrando um pequeno
jumento a uma espécie de biga, de aparência antiquada! O pobre
jumento, se achava solidamente preso à biga e arreios de couro
cingiam seu focinho e a testa! A ponta dos arreios estava nas mãos
de um dos répteis, em pé, dentro da biga! O jumentinho envergava
um traje que lembrava aquelas vestimentas que Zé Gatão viu em
certos livros escolares, há muito tempo! Era como se o infeliz muar
fosse o escudeiro de algum tipo de cavaleiro andante! Os
lagartões usavam suas típicas e escassas roupas que os faziam
parecer uma edição requentada de velhos povos bárbaros! Os
olhos do Gatão se estreitaram, enquanto fazia mira com o rifle. O
lagarto que ia conduzir a biga, ergueu o chicote, pronto para ferir,
sem dó, o lombo do asinino indefeso! Nisso, uma voz ameaçadora,
paralisou os répteis, ensandecidos pela expectativa de fazer sofrer
mais o jumentinho!

– Largue este chicote, cabeça de merda! E vocês aí, não se
mexam, ou faço um estrago à bala, inesquecível, na carcaça de
vocês! Assim que eu gosto! Meninos bonzinhos!
O Gatão saiu de trás das pedras, ainda apontando o rifle para os
antes algozes daquele burrico. Foi se chegando, lentamente e
ficando à vista! Um dos quatro répteis, parecendo ser o manda
chuva, gritou para o Gatão:

– Hey, felino! De que parte deste deserto infernal te vomitaram?
Baixa o trabuco, cara! Aqui nós somo de paz! Saca! Só tamo aqui
lembrando a este jumento que seus antepassados eram animais de
tração pra alguns mamíferos, há uma pá de tempo! Sei lá, quando,
porra! Negó é o seguin! Cê parece bem fodástico! Por que não se
junta a nós?! Um animal como tu e desse tamanho que você é,
pode muito bem liderá nós, nuns trampo, aí! Tem um resto de
cidadezinha, mais a leste que nós podia saqueá! Tomei umas
informação que…! - Zé Gatão interrompeu o falastrão
bruscamente!
– Não estou interessado nos seus trampos e muito menos em
liderar um bando de bafo de répteis escamosos que nem você e
esta súcia de imbecis! Só quero uma coisa! Desatrelem o burrico e
mandem ele pra cá! Aí, eu deixo vocês com as peles intactas para
irem fazer suas cagadas em qualquer outra parte! - O lagartão
soltou uma gargalhada borbulhante, acrescentado: - Num credito!
Cê tá preocupado com este pequeno asno? Pra que? Deixa disso e
vamos todos nos divertir com o burrinho de cara assustada! O que

me diz? Cê não parece ser um nutela! Vimos logo que tu é dos
fodões! Ou será que apesar de grandalhão, não é também um
piegas? Aqui é terra de macho, mano! Aqui os fraco não tem vez!
E…! - O Gatão encheu-se até as medidas daquele energúmeno!
Respondeu dando um tiro, que atingiu seu interlocutor bem no
meio da testa! Ato contínuo! Engatilhou a arma várias vezes e
liquidou a tiros os três lagartos restantes! Um caiu estendido, de
costas com um balaço certeiro no coração, outro teve a área
genital arrebentada pelo balázio do rifle! Tombou ao chão dando
bramidos roucos, a todo volume! Nem teve tempo de escabujar!
Sua cabeçorra explodiu, ao ser atingido na têmpora direita pelo
disparo infalível daquele terrível felino! O último tentou suplicar pela
vida, mas o Gatão, já junto dele, no sentido de poupar munição,
estourou impiedosamente, a pequena cabecinha do reptiliano mais
magro que seus companheiros, a base de coronhadas!
Horrorizado, o burrico chorava, esperando sua vez de ser morto! O
Grande Gato olhou para aquela frágil criatura e sentiu pena! Que
fazia um coitado daqueles no deserto? Para o tranquilizar, o felino
lhe falou:
– Pode parar de tremer, burrico! Você está salvo. Como veio parar
aqui? - O pequeno muar agradeceu a seu salvador, com a voz
trêmula e contou:
– Eu e meu senhor, o intrépido Cavaleiro Andante, de reluzente
armadura, viemos para estas imensidões desoladas para meditar
sobre as razões das desditas que se abateram sobre este mundo
pecaminoso! E o mais importante! Tentar encontrar a adorada de

meu amo e redentora desta terra maldita! Ninguém mais, ninguém
menos do que A VERDADEIRA expressão da VERDADE,
encarnada! Meu amo e protetor, além de cavaleiro do Rei de
Alhures, era um grande filósofo existencialista…embora ele
falasse, falasse e eu nunca entendesse nada do que ele dizia! Mas
minha obrigação era diligentemente, o servir! - O Gatão encarou o
animalzinho com muita pena! Não havia dúvida que ele e seu
suposto amo eram loucos! O entezinho prosseguiu:
– Palmilhamos esta amplidão sem ver ninguém, apenas abutres,
no alto do céu límpido! Então um dia, eu não sei quando, os
lagartos vieram e nos atacaram! Meu senhor lutou com coragem e
galhardia, mas o derrotaram! Depois, o mataram! O mataram sob
torturas horríveis! O sepultaram neste solo agreste! Deste modo,
no deserto jaz um verdadeiro herói do povo, a ser esquecido pelas
próximas gerações! Aí, me levaram embora! Todo dia, me batiam
forte! Não sei dizer, quanto tempo se passou! Mal me alimentavam,
mal me davam água! E então, o “senhor” apareceu, como um anjo
vingador!
Extenuado, o burrico calou-se, por fim! O Gatão cuidou dele!
Mesmo após a chegada da noite! Porém, devido às provações que
sofreu, o felino viu, no fim da madrugada, o burrinho falecer
mansamente, da mesma maneira calma e inexpressiva que foi a
vida dele! O último lampejo no olhar do asinino foi de profunda
gratidão! Zé Gatão quedou-se, inconformado! Neste mundo atual,
mais brutal e selvagem, como jamais o fora antes, os bons morrem
e os perversos florescem! O bichinho foi enterrado no dia seguinte

na areia imutável do deserto. Se o burrico tivesse vivido, o Gatão o
levaria junto para o “Paraíso Perdido”, onde ele teria a merecida
paz, em vida e não na morte!
Pouco antes do amanhecer, o felino partiu dali, sem olhar para
trás. Consultou a bússola, na pausa para a refeição vespertina e
constatou que ia no rumo certo. Fez isto, só daquela vez! Afinal, a
rota certa, já estava implantada profundamente, em sua mente.
Portanto, não haveria como se perder! Lá pelo meio da tarde,
encontrou um povoado que um dia tinha sido uma cidade de porte
médio. Não havia ninguém por ali. O vento uivava de modo
lúgubre, ao atravessar as ruas, esquinas e ruelas arruinadas! Ao
chegar a um antigo hotel, meio intacto, foi atraído a adentrar no seu
interior pelo odor pungente de podridão! Dito e feito! No saguão,
vários cadáveres de animais…em adiantado estado de
decomposição, espalhados em posições grotescas formando uma
visão para dizer o mínimo, bastante funérea! Repentinamente, um
outro odor mais intenso, foi captado pelo olfato ultrassensível do
felino tristonho! Um fedor, muito bem conhecido pelo Grande Gato.
Posto isto, ele não precisou colocar em palavras, a origem de tal
futum! Quem o emitia, surgiu das sombras, em um pequeno e
barulhento bando!
Era formado por enormes baratas, cujas carapaças lustrosas de
cor marrom metálica, as tornavam parte integrante, daquele
ambiente mal iluminado do saguão daquele arremedo de hotel, o
qual havia sido muito luxuoso, ainda que já decadente, em seus
melhores dias! As nojentas criaturas começaram a tentar cercar o

felino gris. Este segurou firmemente, o cabo do alfanje e o retirou
da bainha, em um movimento repentino! Brandindo a arma branca
com decisão, o felino se precipitou sobre os artrópodes! Surpresos,
os seres que estavam mais à frente, não tiveram como impedir a
própria decapitação, em razão dos golpes mortais da lâmina afiada!
O Gatão aproveitou a desorganização daquelas baratas e foi
ceifando cabeças, membros, seccionando carapaças, pisando forte
nos corpos tombados, enquanto os líquidos internos dos insetos
espirravam! Substância gosmenta e esbranquiçada, sujando tudo
em volta, inclusive o Gatão! Mas ele não se importava! Como uma
máquina de destruição imparável, o felídeo, como uma fera
selvagem, ia sistematicamente, aniquilando seus adversários!
Morriam, lançando aos ares, chiados fortíssimos, que denotavam
dor, sofrimento e incompreensão de como aquilo era possível de
acontecer! Suas carcaças, sem vida uniam-se aos cadáveres dos
mamíferos que já enchiam o local! Enquanto isto, o braço
incansável do cinzento continuava a “limpeza” letal! Até sobrar
apenas um exemplar daqueles artrópodes, o qual conseguira
abreviar seu fim, saltando desesperadamente, para trás! Os dois
contendores ficaram parados, se estudando! O felino acinzentado,
notou que o inseto estava usando um estranho capacete,
encaixado em sua bizarra cabeça! Antes que o cinzento avançasse
para dar o golpe final, de alfanje erguido, uma voz se fez ouvir! Era
a barata, falando por um tradutor embutido no capacete!
O impossível acontece! Os dois seres que falavam línguas
diferentes, poderiam se entender, após tantos anos!

– Mamífero! Você matou cruelmente, os de minha espécie! Maldito
seja você! Que espécie de monstro é você?
– E estes animais mortos e decompostos? Como os explica?
Foram vocês que os mataram?
– Foi! Eles invadiram nosso território! Viemos para cá, há muito,
para sobreviver, ao deserto e ficaríamos aqui em paz, se os
mamíferos não tivessem tentado tomar o que é nosso! Há fêmeas
aqui! Há nossos ovos! Só queríamos tranquilidade! Estamos
cansados de tanto ódio e tantas mortes, sem sentido! Isto tem que
acabar! Um dia tem que acabar! Não vê? O mundo de vocês,
mamíferos está morto! Destruído por vocês e suas loucas Guerras!
E agora, ele pertence aos insetos! Nós só vivemos! Não
espoliamos, não destruímos…como vocês fazem! Não, em
condições normais!
– Barata…! O ódio entre nossas espécies têm sua origem perdida
no tempo! Ninguém sabe mais, o porquê! Temos nos matado por
anos a fio! Até acredito no que você está me dizendo, agora! Se
fosse antes da Grande Guerra e suas consequências, esteja
ciente, de que te cortaria ao meio, sem pensar duas vezes! Está
certo! Vivam! Para todos os efeitos, nunca nos vimos! Adeus! - O
Gatão guardou sua arma, depois de bem limpar a lâmina, em um
dos empoeirados restos de um sofá! O artrópode ficou olhando,
meio incomodado pelas últimas luzes do sol poente, o seu quase
assassino desaparecer à distância, em uma daquelas ruas
poeirentas! A barata, voltou para os subterrâneos do hotel, sem se
voltar!

O Gatão achou melhor prosseguir viagem! Era mais fácil de se
deslocar nas horas noturnas, quando o clima se tornava mais
suportável! Na verdade, o frio e o calor extremos daquelas plagas,
pouco o incomodavam! Sua incomum resistência física, residia no
fato de possuir em seu DNA, as características de um lince! Tipo
de felino mais afeito a viver em regiões inóspitas, com mais
escassez do que fartura! Quanto aos perigos do deserto, eram para
o Grande Gato, de somenos importância, acostumado que sempre
esteve, em encarar, o que quer que aparecesse! Dito e feito! Uma
hora de caminhada depois, o felino gris teve a sensação de que
não se achava só! Alguma coisa o espreitava, em meio às dunas!
O cinzento parou por um instante! Todos os sentidos alerta! Ao
máximo! Seu olhar treinado, percebeu um movimento à sua
esquerda! Portanto, imediatamente, jogou-se para o lado oposto,
erguendo-se velozmente, de alfanje na mão! Então, o felino viu
diante de si, uma figura de pesadelo! Era um tipo de aracnídeo,
monstruoso! Cor de areia! Lembrava vagamente uma aranha! O
Gatão recordou rapidamente, que uma vez lera um livro científico,
a respeito de tal criatura! Era um Solífugo! Animal não
peçonhento, mas absurdamente forte! Se o colhesse em suas
garras, o Gatão estaria perdido! Após morrer de brutal modo, teria
o corpo dissolvido por um ácido biológico expelido por aquele ser,
sendo depois deglutido, lentamente como um mingau nojento e
incrivelmente, fedido! O felino gris, atacou rápido! A arma branca
funcionando como uma extensão de seu musculoso braço! Porém,
atingiu o vazio! Seu adversário, apesar de grande, se movia com

uma rapidez impressionante! O Grande Gato recuou, enquanto
brandia a lâmina do alfange em movimentos ritmados, formando
uma espécie de barreira entre ele e seu feroz êmulo!
A partir daí, iniciou-se uma espécie de dança macabra, orquestrada
pelo som do vento gelado e funéreo, da noite do deserto!
Movimentos de avanço e recuo! Um acompanhando atentamente,
a cinesia do outro! Em um círculo concêntrico, iam se
achegando…! De repente, o Solífugo deu um salto inesperado para
frente, na tentativa de fisgar o Gatão em suas quelíceras mortais!
Com a uma velocidade estonteante, o Grande Gato saltou por cima
de seu oponente, indo cair de pé, às suas costas! Ato contínuo!
Aplicou um golpe violentíssimo, rasgando a s costas do aracnídeo,
como se ela fosse feita de manteiga! Em seguida em um
movimento circular, com a lâmina afiada do alfanje arrancou a
cabeça da criatura, a qual foi precipitar-se ao solo, bem mais
adiante! O corpanzil desgovernado, tombou para frente,
espalhando-se desarticulado, naquele terreno pedrento e arenoso,
ao mesmo tempo! Do feio talho em seu dorso, escapava suas
entranhas, imensamente, mal cheirosas! Um último restinho de
vida provocou um breve estremecimento em sua carcaça, a qual
logo se imobilizou na quietude eterna dos falecidos! Zé Gatão
olhou sem emoção, a sua obra! Não se lamentou e nem se
horrorizou com a visão daquele destroço caído que fora um dia
uma criatura vivente! Aquilo era apenas, parte da luta pela
sobrevivência que cedo na vida, ele aprendeu a travar! Agora,
naquela nova realidade era assim! Tinha que ser assim! Por causa

disto, precisava encontrar aquela Terra Prometida, onde talvez,
este círculo infinito de dor, morte e destruição findasse! Afastou-
se, deixando o cadáver de seu adversário a seu destino! Ou seja,
ser pasto de outros entes daquele sertão impiedoso! O felino
tristonho, andou mais alguns quilômetros, até alcançar, ao nascer
do sol uma conformação rochosa com uma cavidade bem no alto!
Com a presteza dos felídeos, escalou aquela formação granítica e
se acomodou em seu espaçoso interior! Ali estava fresco e
penumbroso! Resolveu tirar um bom sono e voltar a jornadear
quando o sol se deitasse, reduzindo, portanto, o abrasivo calor
diurno! Dormiu. Como de costume, seu ressonar sempre leve, o
mantinha pronto para qualquer ameaça que surgisse! Devido a
este fato, ele sempre despertaria a tempo de se defender! E ai, de
quem perturbasse seu descanso!
Pouco depois, do cair da noite, um ruído, tipo um arrastar
pesado veio a acordar o felino casmurro! Era um som sutil! Alguma
criatura se aproximava de maneira sorrateira! Pelo odor que
chegava às suas narinas sensíveis, só podia ser um réptil! Com
certeza, uma cobra! Naquelas desoladas paragens havia vários
tipos de ofídios! Pelo cheiro, o Gatão identificou-a como sendo uma
víbora da areia! Seu veneno não é necessariamente fatal, mas
sua picada requereria assistência hospitalar imediata e hospitais
eram instituições não mais existentes naquele mundo destroçado,
da atualidade! O Gatão sabia que aquele tipo de serpente, não
costumava predar animais grandes! Era muito possível que não
estivesse de fato, atrás dele! Contudo, um confronto seria perigoso,

pelo motivo já descrito! Sem mover um músculo, ele esperou…!
Olhos semicerrados que enxergavam perfeitamente na cova
escura! A cobra vinha vindo cautamente! Sua língua bifurcada
experimentando os olores da criatura de sangue quente estendida
diante do réptil faminto! Parecia ser algo bem maior do que suas
presas usuais. No entanto, aguilhoada por uma fome de vários
dias, a serpente deu-se por satisfeita de encontrar tal enorme
quantidade de alimento! Atacou, pois, rápida, em seu bote mortal!
Então, uma mão com a força de um torno agarrou-a, cortando
brutalmente, a passagem de ar, para seu único pulmão!
Debatendo-se alucinadamente, a cobra tentou escapar daquele
aperto titânico! Sem sucesso! Cuidadosamente, mantendo a
cabeça reptiliana imobilizada como fizera com a outra cobra que
eliminara em uma luta anterior, o felino aproximou-a de si para a
examinar mais de perto! A cobra, com voz chiada, em um esforço
supremo, expeliu o seguinte e desesperado apelo:
– M-mamífeross! P-por favor…sss, me soltess! N-nãoss
consigoss…nãoss c-consigoss..respirar..sss! - um esgar cruel,
surgiu no rosto do felino gris e ele replicou, simplesmente:
– Então, morra…! - O Gatão apertou energicamente! A cobra
coleava violentamente, enquanto tentava se libertar! A boca
escancarada, revelando seus dentes mortais, mas inúteis! A língua
negra, a corcovear loucamente! Os olhos amarelentos, transmitindo
o louco medo da morte iminente! Procurou ainda, envolver o braço
de seu executor e o apertar, mas com que energia, se estava fraca
demais para fazê-lo? Ainda conseguiu emitir um som derradeiro de

sua goela avermelhada: - N-não! - o estalo de ossos quebrados
encerrou a contenda desigual! O corpo da cobra moleou! Estava
morta! O Gatão lançou-a para longe! Não podia permanecer ali,
sem proteção! Aquele cadáver, com certeza atrairia insetos que o
felino sabia se esconderem nas frestas e reentrâncias daquela
espécie de caverna, elevada! De todo modo, já era noite e
descansado, o felino acinzentado poderia prosseguir sua marcha!
Teve que admitir que sentiu prazer em matar aquela serpente!
Tinha um temor atávico delas, com uma única exceção – ler
Inferno Verde – e era por causa desta exceção que se lançara a
empreender a busca! A última esperança de encontrar o seu
Horizonte Perdido!

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ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 3 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A BUSCA – Capítulo 3: Por vários dias consecutivos, o Gatão vagou pelo deserto inóspito, na direção indicada pela Grande Serpente de outras...