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segunda-feira, 8 de junho de 2026

ZÉ GATÃO - SIROCO EDIÇÃO DE COLECIONADOR

 A arte é para todos mas poucos apreciam, desses poucos, uma fração ínfima tem dinheiro para usufruir disso que é o que torna a vida terrena mais suportável.

Estou assistindo no streaming um spin off da cultuada série La Casa De Papel com o personagem Berlin (na verdade esse é o segundo spin off, o primeiro eu comecei a ver mas achei chato e não quis perder tempo). O que me chamou a atenção nesta série foi o sub-título: "A Dama Com Arminho", alusão ao quadro do Leonardo Da Vinci. Um dos episódios faz uns comentários muito pertinentes sobre a arte da pintura.

Pintar telas a óleo e expor em galerias mundo afora sempre foi o meu grande sonho, mas é uma aspiração que precisa ser alimentada dia a dia, que necessita de dinheiro, não só para materiais - que são caros - mas para poder mesmo se dedicar aos estudos. Tive que abortar essa quimera em prol da sobrevivência e como gosto de contar histórias, os quadrinhos (outra grande paixão, mas aqui falo como consumidor, não autor) serviram de substituto. Porém, as dificuldades enfrentadas por quadrinistas num país regido por ladrões e canalhas da pior espécie, onde não existe mercado e nem tradição, o que se tem é uma muralha quase intransponível. Sem contar que boa parte dos materiais que vem a público é ruim. Ganhei de presente um álbum de antologias do que se produz atualmente e a coisa é triste. Narrativas toscas e com desenhos fracos!

Eu e o Renato Tavares (um herói anônimo que quer deixar toda a minha obra em catálogo) cometemos uma nova edição do ZÉ GATÃO-SIROCO e o interesse por parte do público foi zero. Só consegui vender o meu exemplar (o que é mostrado no vídeo) para um amigo médico e colecionador de quadrinhos lá em Brasília, embora ele já tivesse a edição da Atomic. Umas duas pessoas me passaram mensagens pelo Facebook mas  devem ter se assustado com o preço.

Essa nova edição do SIROCO tem capa dura, papel offset de gramatura 120 (papel grosso), 288 páginas, contendo esboços, sketches e uma galeria de arte, o preço é 175 reais.

Num país cada dia mais miserável, dar 175 reais num álbum de quadrinhos que não é do Batman e nem do Homem-Aranha não é para fracos, então nem posso me queixar.

Repetindo o que eu disse no início do texto, a arte é para todos, mas nem todos tem a sorte de entender, apreciar ou dinheiro para tal. 

Como dito por alguém, quem gosta de arte é milionário, o artista gosta é de dinheiro.

Mas a sorte está lançada. Vamos ver se tudo isso vai render frutos um dia


 

        

sábado, 16 de maio de 2026

AH, QUE VONTADE DE COMER ALGUMA COISA DIFERENTE!

 A frase que dá título ao post de hoje foi proferida por Francis, minha mãe, algumas noites do ano de 1972 ou 73, acho.

A vida sempre foi extremamente difícil para nós (a minha é até hoje), mas na primeira metade dos anos 70, antes de nossa mudança para Brasília, foi cruel! Sempre tinha o básico para a alimentação, mas geralmente aquelas guloseimas que encantam os petizes, eu só via pela tv com água na boca, tipo, chantily ou Leite Moça, como era conhecido o leite condensado. E nós (eu, ela, minha avó e os bebês, Gil e André) deitados na cama olhando para o teto conversando e ela vinha com a frase: Poxa, deu uma vontade de comer alguma coisa diferente!

Algumas vezes contávamos as moedinhas para ver se dava pra comprar uma fatia de um doce de leite numa mercearia que tinha numa galeria que dava acesso à Avenida Ipiranga. Havia uma barra de doce de leite da marca Zebu, muito conhecida na época, que eles dividiam em várias fatias e vendiam na tal mercearia. Quando dava, lá ia o pequeno Dudu comprar o almejado doce, que era dividido em pequenos pedaços para todos nós. Geralmente meu pai não estava em casa, na presença dele tais minúsculos prazeres não seria possível, ele era austero demais. Foram tempos duros, duros mesmo!

Pra falar a verdade isso não mudou muito nos anos posteriores, melhorou um pouco na capital federal mas sempre foi complicado, só no final da vida do meu pai, com alguns benefícios que o cargo dele no ministério da fazenda foram finalmente conquistados - depois de lutas na justiça - é que ele, minha mãe e meu irmão caçula tiveram vida mais confortável. Gil conseguiu um emprego bem razoável na Anvisa e o André, como médico em São Paulo, teve suas conquistas. 

Já eu nunca consegui respirar aliviado.

A tal vontade de comer algo diferente bateu forte uma noite dessas e em casa só tinha o básico. Nada tem faltado, tenho lutado muito para não ficar sem teto, alimento, luz, água e internet, mas aquelas coisas que meu paladar infantil as vezes ainda deseja, ah, isso ainda me transporta para aqueles doridos anos de 72 e 73, com a diferença que ao invés de 9 ou 10 anos, agora tenho 63.  

FIQUEM COM DEUS e até a próxima!   

PS - Não tenho mais feito desenhos particulares, então fiquem com uma imagem dos Rastreadores de Algures, HQ que venho produzindo há alguns anos em parceria com o roteirista e amigo Elton Borges.


 

 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

QUADRINHOS QUE RECOMENDO (A SOLIDÃO DE UM QUADRINHO SEM FIM)

 Boa noite a todos!

Vocês estão bem? Rogo a DEUS que sim.

Eu por cá, estou ok, e ok não quer dizer bem, mas que continuo vivo, respirando, caminhando e trabalhando (não tanto quanto deveria e gostaria, mas vá lá).

Sabem, acho que no atual panorama global é difícil uma pessoa estar bem, feliz, realizada e coisas tais, talvez aqueles ricos poderosos inconsequentes que não creem ou não temem o regresso do Salvador. O mundo já sofre as dores de parto e creio que não dá pra ser otimista quanto ao futuro, principalmente neste país ainda comandado por gente sórdida, pessoas cujas almas já estão nas mãos do inimigo. 

Mas vamos lá, não quero falar sobre isso, não adianta, só comecei citando essas coisas a título de desabafo. Hoje meu barco começou singrando em águas tranquilas e tudo apontava para um dia promissor, de bom trabalho, mas vocês sabem, basta uma gota de leite azedo para talhar todo o resto, assim como bastam algumas palavras com certa dose de veneno para tirar o brilho. Ventos contrários começaram a soprar; não obstante, não passou disso, apenas um vento, não foi suficiente para causar uma tormenta, mas já ouviram aquele ditado que diz que "cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça"? Pois é. O dia ficou improdutivo e aquela velha depressão me agarrou num mata-leão e orei a Jesus para não sufocar. Estou melhor agora. Salmo 46, amados e amadas, quando a angústia chegar, leiam o salmo 46 com os olhos da alma.

 Bueno, vamos ao assunto de hoje que é falar abreviadamente sobre um quadrinho que comprei em 2020 (tempos em que eu ainda comprava gibis), A Solidão De Um Quadrinho Sem Fim, do Adrian Tomine, edição da Nemo.


 

 A primeira vez vez que li algo desse autor foi lá pelo ano de 1998 (quando eu comprava muitos comics) e adquiri uma HQ da Conrad intitulada Comic Book, O novo Quadrinho Norte Americano, uma antologia de histórias, digamos, alternativas, índies, undergrounds ou como queiram chamar. O texto do editor afirmava que esse tipo de narrativa ia muito bem das pernas enquanto os super-herois davam sinais de cansaço - sim, já naquela época - e que avançavam como rolo compressor sobre a indústria. Dava pra ver que era exagero, até porque o conteúdo do livro deixava muito a desejar, pra mim só salvavam algumas poucas histórias, até os irmãos Hernandez (que gosto muito) pisaram no tomate, mas Daniel Clowes e Adrian Tomine valeram por todo o tomo. "Dylan e Donovam" era uma hq do Tomine que muito me chamou a atenção, sensível sem viadagem, traço limpo, muito bem executada. Procurei, na ocasião, por outras coisas deste autor sem sucesso, mas ele não me saiu da cabeça. 

Pelo que sei a produção dele é pequena, ele atua mais como ilustrador para publicações como a New Yorker. 

Adquiri uns anos atrás Intrusos (também pela Nemo) e gostei bastante, aliás, nem lembro do que se trata, preciso reler, só não sei onde ela se encontra, como vocês sabem, meu estúdio é uma espécie de pântano.

A Solidão De Um Quadrinho Sem Fim pretende ser uma autobiografia, um hobby de infância se torna uma carreira de autos e baixos. Situações constrangedoras, mostrando que o autor é sensível, sonhador e como todos os artistas, se veem mais do que realmente são e isto produz muitas vezes vergonha alheia. No vídeo que eu fiz acima para mostrar um pouco do conteúdo, notem o meu polegar destacando um quadro em particular, aquele é o Frank Miller, a cena que envolve esse superestimado autor (minha opinião) é algo muito comum a nós, desenhistas de HQs, que sonham com o sucesso.

Adrian Tomine fala de sua relação com o público, comparações inevitáveis com outros artistas independentes, entrevistas que foram fiascos, medos, inseguranças, relações pessoais, casamento, paternidade e as dificuldades para se estabelecer como profissional. Não foi fácil, mas se ele tivesse nascido no Brasil, seguramente (penso eu) não seria publicado lá fora. Aliás, ouso dizer que se ele tivesse passado 20% do que passei na vida, ele não teria sobrevivido, ou teria optado por outra profissão, mas claro, posso estar enganado.

Conclusão, uma ótima HQ provando que coisas do cotidiano, se bem narradas e ilustradas faz você esquecer de outros gêneros já consagrados.

Que vocês todos fiquem bem e breve pretendo voltar com mais uma HQ da minha biblioteca.

Abraços! 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

QUADRINHOS QUE RECOMENDO ( KAFKA de CRUMB )

 Boa noite a todos!

Amados e amadas, eu tenho tentado nos últimos meses, sem muito sucesso, reclamar menos e agradecer mais. Agradecer a Deus, é claro, pela minha vida, pelo que tenho e pelas minhas realizações. Meu ego e fraqueza quase sempre me tornam um murmurador, mas estou me esforçando por mudar. Se venho aqui é sempre com alguma queixa, geralmente pelas injustiças que sofro e principalmente pela eterna dificuldade financeira causada pela minha incompetência em ganhar dinheiro. Minha arte, elogiada por muitos, não me permite viver sem matar dragões diariamente para pagar os boletos que teimam em chegar. Mas vocês já estão com o saco cheio de ler as lamentações deste velho, então só venho aqui reclamar se a coisa ficar preta além do limite, certo?

Vamos voltar a uma série que eu iniciei lá nos início deste blog e por motivos que nem sei dizer, interrompi em algum momento, que é OBRAS ou QUADRINHOS QUE RECOMENDO. Já escrevi sobre Estórias Gerais, Monster, Eu Sou A Lenda e etc. 

Hoje eu quero comentar brevemente sobre Kafka De Crumb. 

Pra começo de conversa o título me soa injusto, a editora quis aproveitar a fama do desenhista para vender a obra, o título original é INTRODUCING KAFKA e é da autoria do escritor David Zane Mairowitz, o Robert Crumb brilhantemente, como sempre, ilustrou. 

Gosto muito de biografias, não tem que necessariamente ser de alguém que gosto, li as bios de Adolf Hitler e Fidel Castro, personas que detesto, mas se for de quem admiro, melhor.

Esta obra em questão não chega a ser exatamente uma biografia, mas uma análise, quase uma dissecação da obra do escritor tcheco.

Também é "quase" uma história  em quadrinhos, mas uma tese ilustrada por um dos mais famosos quadrinistas mundiais. Mas calma, lá, tem as obras mais famosas do Kafka quadrinizada sim, tipo a Metamorfose, Na Colônia Penal e outras.

O legal deste livro é que ele aborda a vida, o tempo e o estilo literário do autor de O Processo de maneira que combina bem prosa com desenho. O autor faz isso de maneira fluída, prazeirosa e as ilustrações do Crumb, com suas achuras nervosas dão aquele toque especial, um tanto claustrofóbicas, trazendo um certo desconforto, como pede qualquer coisa relativa a Kafka que se preze.

Desde que li o Processo, a narrativa de Kafka nunca mais me saiu da cabeça; no meu caso, a identificação foi completa, principalmente depois de conhecer certos  aspectos de sua vida.

Teria muito mais para falar sobre este livro, mas a série Quadrinhos Que Recomendo não pretende ser uma investigação detalhada, mas um breve comentário sobre.

Espero que o vídeo  que eu gravei mostre bem a potência da obra, pretendo adotar esse processo doravante. 

Não sei se ainda existe em catálogo, na verdade eu queria uma edição posterior lançada pela Desiderata, em formato grande para trocar pelo meu formatinho (a arte do Crumb merece um modelo maior), mas o preço deles estava muito salgado. Fico mesmo com essa edição da Relume Dumará que sei que está esgotada há anos. Uma obra que releio sempre que posso. Mergulha bem fundo na alma do escritor de O Castelo.

Deus abençoe todos vocês!


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

sábado, 18 de abril de 2026

PHOBOS E DEIMOS MAIS UMA VEZ À DISPOSIÇÃO.

 


 Quebraram minhas pernas logo na tenra infância e me obrigaram a correr, como era impossível, comecei a me arrastar e tem sido assim desde então. Dependendo do que se entende por sucesso, não dá para eu dizer com certeza se obtive êxito ou não. Se triunfo é ter uma meta e for lá e fazer independente se vão gostar ou não, então acho que sou um artista vitorioso. Para mim realização é obter recompensa pelo serviço bem feito e isso, ah, meus amigos, com toda certeza, não tive.

PHOBOS e DEIMOS, meu livro de contos em quadrinhos realizado entre 2003 e 2005 trata basicamente disso em todas as histórias e com resultados funestos para os protagonistas. É um livro pesado, com temas indigestos onde eu procuro, também, homenagear artistas que direta ou indiretamente contribuíram para minha formação como contador de histórias e como na época eu queria provocar um choque no leitor (sem a certeza de que teria algum) eu introduzi cenas de sexo explicito (algo que sabia, poderia limitar muito o público e mesmo assim mergulhei de cabeça).

Ficou guardado por 15 anos até que um editor teve colhões para publicar e saiu pela Editora Atomic. Graficamente ficou um material excelente, embora até hoje eu ache que na impressão algo se perdeu em relação às artes originais feitas a lápis. Pena que na campanha só tivemos 40 apoios, ou seja, só existem 40 livros por aí. Recebi feedbacks muito positivos por parte dos leitores, creio que agradou ao seleto público que abraçou o projeto.

Visando trazer este material para novos leitores, o Renato Tavares, meu novo parceiro na arte de perder dinheiro, queremos que este tomo esteja de novo a disposição de possíveis interessados, agora que é factível publicar por demanda.

Agora temos na versão original, formato 23x15, capa cartonada e também capa dura formato A4. Neste não tem uma editora por trás, apenas a coragem de dois caras em insistir no improvável, botar na praça um álbum de HQ amargoso como bile. O primeiro vídeo que eu fiz, postei num grupo de quadrinhos criado pelo saudoso Barata, no Facebook e no Instagram. Ninguém se interessou. Talvez eu precise divulgar mais, mas confesso que não estou com a menor paciência para participar de lives.

Vamos lembrando as pessoas aqui e ali de vez em quando para ver o que rola.  

PHOBOS e DEIMOS sempre será atual, é só ver o mundo como está para constatar isso.

Interessados podem me passar um email (eduardoschloesser@gmail.com) ou deixar uma comentário aqui, eu explico como fazer para ter esse ótimo livro na sua estante de graphic novels.

BOA NOITE A TODOS e até a próxima postagem, se DEUS quiser! 


 

  

sexta-feira, 10 de abril de 2026

CRAZY SKETCHBOOK SEGUNDA EDIÇÃO.


 BOA NOITE!

Meu Crazy Sketchbook ganha uma nova edição por editora nenhuma, apenas pela vontade e camaradagem de um grande amigo que curte meu trabalho e se propõe me ajudar, com a intenção de ter todos meu projetos em catálogo.

Esta nova empreitada, como podem notar no vídeo, tem algumas mudanças em relação ao tomo anterior lançado pela Barata Verso, a que mais se destaca é a mudança de capa. 

Então é isso, meu livro de esboços, meu trabalho mais honesto, voltou em uma edição mais simples e de capas novas (tem a detrás também).

Impresso por demanda, interessados podem me enviar uma mensagem no ema-il eduardoschloesser@gmail.com

DEUS ABENÇOE A TODOS!.       

domingo, 22 de março de 2026

SKETCH NOS FRONTSPÍCIOS DOS MEU LIVROS (1)

 


 Pois sim, não sei o que escrever aqui.

Faz tempo que não desenvolvo neste espaço como antes. Outrora havia assunto, uma história a contar, um registro a deixar para a posteridade. Mas que posteridade? Quem se interessa? Continuo hoje como a trinta e cinco anos atrás, um artista (ouso me intitular artista? Não seria uma ofensa a caras como Poe, Kirby, Dali ou Bernie Wrightson?), ou um autor de quadrinhos meia boca morto de fome, portanto, inexistente para 90% da população leitora de HQs neste país de merda.

É bem verdade que boa parte do que eu deixava escriturado aqui antes do ano de 2021 fazia sentido para mim, havia família, cor, alguma esperança, ainda que eu não soubesse em que exatamente, mas havia. Hoje tudo secou, virou a droga de um deserto onde a fonte que jorra é salobra, barrenta.

Ano passado foi o ano de vária publicações que venderam nada, uma republicação de dois álbuns em formato de luxo onde com muito custo tive quarenta apoios. Quarenta! E o pior, não vi um centavo disso tudo. 

2025 foi também o ano das lives, não só para divulgar os livros que mal venderam mas também para papear com outros artistas. Amados, eu não sirvo para este tipo de coisa, falar em público, opinar sobre o que quer  que seja, nunca revi ou reverei algumas daquelas lives, só aturei em consideração ao saudoso Barata, afinal era patente que ele estava gostando de se expressar através daquele veículo. Eu sou o cara da prancheta na madrugada silenciosa (sem romantismo), não o fulano entendedor de arte que vem com ares de sabedoria sobre o assunto. Claro, não vou negar que alguns convidados da Lanchonete foram legais, artistas pelos quais nutro grande admiração, mas o ar de apresentador de talk show não é a minha praia.

Digo isso tudo para afirmar que se eu me submeti à coisa foi também no intuito de divulgar uma vez mais meus trabalhos e não funcionou, nada mudou. Ainda sou uma sombra na escuridão do "mercado" de HQs neste Brasil pilotado por ladrões, corruptos, canalhas e juízes que pensam que são deuses feitos daquilo que o gato enterra.

Desde o ano passado vivo numa crise financeira como há muito eu não via, passei por situações humilhantes como pedir ajuda na igreja onde eu frequento para não cortarem minha luz e constranger amigos a realizar doações para fazer o mercado semanal. Estou devendo a um bocado de gente e ainda não sei como vou pagar.

Este último mês o Senhor atendeu meu pedido de socorro e recebi convite para elaborar capa para dois livros. Espero que isso seja um sinal de que pelo menos financeiramente as coisas vão melhorar.

Continuo trabalhando em Rastreadores de Algures e naquele ainda secreto quadrinho baseado num roteiro de um filme de terror. 

Ainda estou vivo.

Abraços a todos! 

ZÉ GATÃO - SIROCO EDIÇÃO DE COLECIONADOR

 A arte é para todos mas poucos apreciam, desses poucos, uma fração ínfima tem dinheiro para usufruir disso que é o que torna a vida terrena...