A BUSCA – Capítulo 4:
Durante a noite, o Gatão parou uma vez, apenas para
alimentar-se. Pegou uma lata comprida de ração. Esta, em
particular, era composta de uma mistura láctea, de alto teor
nutritivo! O felino apertou o botão no topo da lata!
Automaticamente, o produto foi preparado! Já pronto, a lata se
abriu e o Grande Gato deliciou-se com seu conteúdo! Satisfeito
com o belo lanche, continuou seu caminho. A madrugada estava
adiantada! Parou umas duas horas depois para realizar outra
refeição! Comeu rapidamente, do conteúdo de uma lata de ração
salgada hiperproteica! Descansou um pouco para fazer a digestão
e logo estava marchando pela imensidão desolada, mais de acordo
com seu instinto, sem mais usar a bússola, novamente.
Aos primeiros albores da manhã, avistou uma espécie de cidadela
fortificada, erguendo-se ameaçadoramente, a contrastar com o
céu de um azul desmaiado, decorado com os sinais da
vermelhidão do sol nascente, que ainda não despontara no
firmamento. A precaução felina, avisava claramente ao Gatão que
seria de bom alvitre passar ao largo daquela estranha estrutura e
de quem a habitasse! No entanto…! Um grito de agonia vindo lá de
dentro, o fez parar! Era a voz de uma fêmea! Assim, contra todo o
bom senso e toda a lógica, o felino acinzentado se aproximou da
fortaleza, como uma sombra, entre as sombras! Percebeu um
sentinela no alto da grossa muralha, a qual escalou sem nenhuma
dificuldade, agarrando-se nas fendas existentes na pedra bruta! Na
cintura, o alfanje! Pendurado nas costas, o rifle de repetição!
Cuidadosamente, alçou o corpo, até se colocar bem atrás do
sentinela! Um feneco – um tipo de raposa do deserto – magricela,
entretido com algo, acontecendo no meio do pátio daquela
construção, meio que grotescamente erigida! O sentinela, portanto,
não estava preparado para receber na garganta, o aperto
brutalíssimo, daquele braço musculoso que o cingiu! Morreu rápido
e sem emitir um mísero som! A feia língua rosada projetada para
fora da boca! A saliva a gotejar um pouco e os olhos revirados que
nada mais viam! O Gatão depositou o morto suavemente no chão
frio! Firmou a vista detidamente, na direção em que o chacal estava
olhando! Seus dentes rilharam de raiva, ao ver uma leitoinha sendo
devagar e criteriosamente estripada, ainda com vida! A assar nas
brasas viu diversos corpos de suínos! O odor forte de carne já
pronta, enchia os ares! Um grupo de porcos enormes dançava e
cantava diante de um trono gigantesco, onde uma suína disforme e
de tamanho desmesurado se sentava! O rosto inchado, com um ar
entre dominador e complacente! Zé Gatão a reconheceu de jornais
que lera há anos! Era Balôfula Apresunntada! Líder inconteste da
famosa Seita, conhecida como Canibalenses! Uma mistura de
religião, política e crenças variadas que tentou desencadear
uma Revolução Reformadora! Falharam! As forças repressivas
do Governo destruíram a Seita e queimaram até os alicerces,
suas Sedes nas diversas cidades, onde floresciam! Pensou-se que
Balôfula tinha sido morta, em algum destes confrontos!
A Organização foi literalmente esmagada! Só que a suína e vários
de seus cerdos haviam escapado! E ali estavam, realizando as
mesmas práticas, em especial, o canibalismo! O Gatão, agachado
e protegido por uma mureta, olhou em torno! Havia outros fenecos
sentinelas em pontos estratégicos! Mas como aquele que o felino
matara, estavam absortos na bizarra cena que se desenrolava
naquele pátio de horrores e pecados sem fim!
O Gatão, apoiou o rifle na mureta, apontando-o diretamente
para o coração da líder suína. Em seguida, em voz clara gritou: -
Hey, vocês aí embaixo e os guardas fenecos em suas posições!
Tenho meu rifle apontado para o coração de sua líder! Um
movimento em falso e Balôfula vai pro espaço! - A porca
estremeceu em seu trono! Seu urro estrondou: - Façam o que foi
dito! Não se movam, nenhum de vocês, idiotas! Por minha vida,
estranho! Não atire! O que é que você quer?!
– Soltem essa leitoa! Já! - os grandes e feiosos porcos que
ladeavam a líder, obedeceram, cortando as amarras que prendiam
a supliciada! A pobre leitoinha, tombou no chão! Infelizmente,
morta! O Gatão deu de imediato, voz à sua arma! Disparou um tiro
certeiro, bem no coração da Apresunntada! Sem se deter,
despejou chumbo grosso nos demais porcos, e nos suídeos
dançarinos que tentaram se dispersar atabalhoadamente! Parecia
uma máquina precisa de morte! Antes que os ditos sentinelas
conseguissem revidar, os tiros do Gatão os fuzilaram! Cada qual
teve o cérebro arrebentado por balaços destrutivos! Estava por fim,
aniquilada definitivamente a Seita maldita dos Canibalenses!
Zé Gatão desceu da muralha, dentro do pátio. Após este
movimento saiu pelo enorme portal da fortaleza vencida! Antes, ele
enterrou a pobre leitoinha que deveria ter quando muito, uns quinze
anos de idade! Quanto aos demais mortos, deixou-os onde haviam
tombado! Que apodrecessem sem sepultura, expostos aos rigores
do deserto! Estava decidido em prosseguir sua caminhada. No
entanto, resolveu não partir tão já! Acampou junto à muralha. O sol
já havia se erguido no horizonte. Além de descansar, resolveu
aproveitar para realizar uma exploração nas dependências daquele
baluarte.
Após um breve período de repouso e de uma boa refeição
enlatada, o felino casmurro adentrou no vasto pátio. Ignorou
solenemente, a presença de um bando de abutres que descera do
céu para se empanzinar com a carne dos mortos! Tinham uma
certa utilidade, aqueles pássaros feios e carecas, de penas negras
como a noite! Seus hábitos tétricos, de alimentação evitavam que a
podridão dos mortos se espalhasse, na forma de doenças, além do
mau cheiro! Quando terminassem de comer, só restariam ossos e
nem um resquício de carne, a cobrir os despojos! Entretidos em
sua descontrolada glutonaria, as aves, não deram atenção, ao
vivente que passava perto delas. E nem o Gatão tinha razão para
hostilizar aqueles bichos! Ou seja, ficou cada um na sua! O felino
entrou fácil e tranquilamente na área interna do bastião. Estavam
portas e portais escancarados! Explorou o andar térreo, mas não
se interessou em examinar o andar superior. Imaginou que lá em
cima, nos quartos, haveria suídeos machos e fêmeas, com certeza,
mortos em suas camas! De acordo com o modus operandi da
Seita, pelo que o Gatão já tinha lido, nos jornais e assistido no
noticiário da época, em caso de perigo extremo, a ordem era o
suicídio! Desta forma, os principais segredos da dita “ordem”, não
cairiam nas mãos profanas, dos infiéis!
Como não havia mais eletricidade no mundo, o interior dos
aposentos era iluminado fracamente por enormes tochas,
alimentadas por gordura de porco – dá para imaginar que tal
combustível era fornecido pelos próprios súditos da
Apresunntada, imolados brutalmente durante os rituais arcanos
da Seita! - Naquele ambiente quase crepuscular, a visão aguçada
do Gatão não tinha
dificuldade nenhuma em devassar aquela penumbra e caminhar
por entre a mobília, sem esbarrar em nada!
No fim de um longo corredor atapetado, o felino se deparou
com um maciço portal de madeira que felizmente estava
entreaberto. Ao adentrar ali, percebeu que se encontrava em uma
espécie de sala imensa cheia de armas variadas! Espadas,
punhais, adagas, lanças, escudos de vários formatos e machados
de todo tipo! Escolheu dentre elas, uma adaga de lâmina
encurvada, algumas pequenas facas, um punhal, um arco, uma
aljava cheia de flechas, uma boleadeira, uma submetralhadora e
caixas de munição da referida arma de fogo! Notou que as armas
de fogo, granadas, pistolas automáticas e semiautomáticas tinham
o selo das Forças especiais do Exército e da Marinha! Como
teriam caído nas mãos da Seita? Casualmente, tocando em uma
das paredes daquele cômodo, o Gatão encontrou uma passagem e
galgou uma escada que o conduziu até os aposentos luxuosos e
privados de Balôfula Apresunntada! Sobre uma penteadeira
ricamente trabalhada, encontrou uma espécie de diário pessoal da
porca! Folheando-o, o felino gris tomou ciência de uma série de
fatos inquietantes! Segundo o tal diário, a suína conseguira fugir,
auxiliada por um militar corrupto e uns políticos do mesmo naipe!
Se mandaram para o deserto, antes da Guerra e se fixaram
naquela cidadela fortificada, construída pelos sequazes de
Apresunntada que com ela também escaparam do cerco das
autoridades governamentais! Refletindo sobre estas informações
impactantes, o Gatão pegou e arrumou as peças do armamento
escolhidas por ele, colocando-as em uma grande bolsa de lona
preta. Feito isto, retirou-se. Saiu do reduto de luxo da suídea, por
uma porta lateral, com a bolsa no ombro. Mais a frente, entrou em
outro aposento maior ainda! Lá dentro, surpreendeu-se como
nunca antes em sua existência! O local, parecia uma espécie de
museu de horrores! O felídeo havia se perguntado sobre o destino
do milico e políticos, aliados!
Agora o sabia! Estavam ali! Empalhados! Postos sobre pedestais
com o nome e o cargo de cada um, em letras garrafais! Cada face,
expressando o último instante de suas vidas: surpresa, terror, dor e
a fixidez permanente, do olhar derradeiro, antes do fim! Todos
conhecidos e famosos! O General Farbindes, um enorme
canzarrão de raça desconhecida! Trajando um belo e pomposo
uniforme de combate, o quepe vermelho sombreando os olhos muito
abertos, a língua de fora! Corpanzil empertigado, o forte braço direito
estendido! O indicador apontando firmemente para adiante! As
orelhas em pé, como que ouvindo algo, ao longe! Os políticos, dois
porcos agigantados de pele rosada, em seus próprios pedestais,
denotavam imponência e transpiravam Poder de mando e domínio!
Ternos bem cortados e devidamente ajustados a seus perfis
adiposos! O profissional em taxidermia que preparou aquelas
figuras era de alto nível! Pareciam estar vivas, quando na verdade
estavam mortas, há muito! Zé Gatão havia trazido consigo, o
nefando diário de Balôfula! O texto que ainda lia, descrevia
minuciosamente que na noite do assassinato do General e dos
políticos, todos os órgãos internos dos cadáveres foram extirpados e
transformados em iguarias, servidas em um banquete suntuoso que
Apresunntada promoveu para si e seus seguidores! Ela mesma,
consumiu com prazer o coração do General, seu fígado e seus rins!
Já, os congressistas foram repartidos entre a suinária faminta! Foi
uma voracidade, uma gula desmedida que tomou a todos os
presentes! Se lambuzando, entre arrotos, peidos e grunhidos! Além
de muito vinho tirado de uma vinícola especialmente desenvolvida
naquela área desértica! A festança só terminou no meio da
madrugada! O Taxidermista, um porquinho pequeno e balofo de ar
bastante distinto foi convidado para o amor, na alcova da grande
líder! Ao final do prazer, Balôfula, premeditadamente, se deitou
sobre o porquinho! Sem dó, esmagou-o sob seu peso colossal! O
infeliz encontrou a morte, por sufocação! Sem nada enxergar,
debaixo daquela montanha de carne quente que fremia de puro
gosto, ao eliminar aquele ser minúsculo que se achara alguém, por
ter tido o privilégio de ter se deitado com a Senhora de todos os
Canibalenses! Pobre tolo! Foi devorado assado, no café da manhã,
do dia seguinte! O Gatão fechou bruscamente o diário! Com um
movimento de mão, queimou-o em uma das tochas penduradas na
parede! Balançou a cabeça, tentando esquecer o que vira e o que
lera! Saiu para o pátio, em busca da luz do sol, a descer mais uma
vez, no firmamento!
Do lado de fora, observou que os abutres já haviam comido
fartamente. Já próximo do grande portão, ouviu uma voz roufenha e
meio esganiçada, chamá-lo!
– Felino…! - O Gatão virou-se. O abutre que o chamara parecia ser
o chefe do bando de carniceiros. O abutre líder perguntou se ele e
os seus poderiam adentrar na fortaleza! Havia corpos ainda lá, e o
apetite dos lixeiros do céu ainda não havia passado! O cinzento
falou que podiam entrar, desde que trouxessem os defuntos para o
pátio, e depois os comessem, no mesmo lugar onde já tinham feito
seu odioso rega-bofe! Eles concordaram! O felino acinzentado
percebeu que a ave careca queria dizer mais alguma coisa. O abutre
não se fez de rogado: - Sou Áticos…! Sei o que você fez por uma
de nós e seu filhote! É…! As notícias voam, gato grande! A palavra
já foi passada! Nenhum mal há de lhe advir, enquanto você estiver
passando por minha jurisdição! E meu território é amplo! Se precisar,
estaremos todos e todas à sua disposição! Nada posso garantir dos
bandos fora de minha área! Falo por mim e pelos meus! Do meu
povo, quem desobedecer esta ordem, por certo, há de morrer! - o
felino tristonho quedou-se pensativo! Quem diria? Naquele mundo
caótico e destruído, ainda existiam certos
princípios básicos! Algo inédito vindo de seres dos mais
improváveis em ter este tipo de postura, como os abutres! O Gatão
agradeceu com um breve aceno de cabeça! Despediu-se das aves
abjetas e partiu! Talvez nem tudo estivesse perdido…! Ahh! A quem
queria enganar? A grande serpente de seu passado e dos sonhos
recentes foi categórica! - NÃO HÁ SALVAÇÃO PARA ESTE
MUNDO!
Dentro da noite gelada do deserto, marcha o Grande Gato!
Ele vai sempre em frente atrás de uma quimera! Ele, que há muito
tempo não tem mais sonhos…!Isto, até agora…! O felino
acinzentado avançou por muitos quilômetros, sem se deter, a não
ser nas horas claras! Por duas noites consecutivas, não encontrou
nenhum ser vivo em seu caminho! No fim da terceira noite, ele parou
para descansar e comer algo, detendo-se sobre uma elevação que
não chegava a ser uma colina. Enquanto mastigava o conteúdo seco
de uma das latas de ração, ouviu um som! Um chiado agudo! De
repente, surgiu à sua frente, um lagartão atarracado e multicolorido,
conhecido como Monstrengo! Feio como o pecado! Uma bocarra
cheia de dentes serrilhados e saliva altamente venenosa! Membros
curtos e musculosos! Garras aduncas de cor preta! Cauda comprida
e grossa que se afilava no final! Seus olhinhos malévolos faiscavam
intensamente! O Gatão mexeu-se! Em suas mãos surgiram, dois
punhais agudos! Sem pensar duas vezes arremessou-os contra a
figura escamada! Um deles foi cravar-se na garganta do réptil! O
outro foi enterrar-se no ventre do lagarto, pouco acima da cinta que
segurava seu saio curto, feito do couro de alguma vítima, sua! O
bicho deu um urro titânico de agonia! Não chegou a cair
imediatamente ao solo, pois antes disto foi seccionado pelo golpe
devastador do alfanje do Gatão! A carcaça partida ao meio, terminou
por separar-se, um pedaço para cada lado, em nada lembrando a
forma que fora, em vida! O felino limpou o sangue negro do
pecilotermo das lâminas de suas armas. Enterrou-o sob um monte
de pedras, para que ficasse inacessível a outras criaturas do
deserto! Sua carne era tão letal, quanto a sua saliva! O felino
afastou-se dali, buscando outro lugar para passar o dia que já
estava raiando. Montou sua tenda e internou-se em seu interior!
Para não dizer que não houve mais nada, foi perturbado, lá dentro,
pela invasão de um grande escaravelho pardacento! O enxerido
inseto atacou logo, cheio de fome! Porém, enganou-se, ao imaginar
que o Gatão seria presa fácil! O felino, enfurecido pela presença do
coleóptero, liquidou-o a pancadas, esmagando a carapaça e todo
ele, com uma pesada maça que havia trazido, da fortaleza, até
reduzi-lo a pó! Depois, o felino virou-se de lado e dormiu o sono dos
justos!
sexta-feira, 13 de março de 2026
ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 4 (Um conto escrito por Luca Fiuza)
domingo, 1 de março de 2026
DOIS VÍDEOS DO MESMO CANAL COMENTANDO SOBRE ZÉ GATÃO.
Boa madrugada a todos!
Talvez, num futuro distante, meu trabalho chegue a um número maior de pessoas e seja - quem sabe - melhor compreendido e até mais bem aceito. O que me faz pensar assim são esses dois modestos vídeos do canal do Renato Nazario.
Há alguns anos atrás, uns vinte anos, eu acho, alguns amigos, entre eles dois editores, me disseram que meu traço e modo de contar histórias com os quadrinhos tinha evoluído bastante com o passar dos anos (ainda bem!!!) mas que o álbum branco, o primeirão, era o preferido deles. Que bom! Geralmente o primeiro trabalho costuma ser o mais fraco na produção de um autor, por motivos óbvios. Dois exemplos, na minha opinião, são Clarissa, do Érico Veríssimo e Tintim No País Dos Sovietes, do Hergé.
Fiquem todos com DEUS e até a próxima!
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
O VASO QUE DEUS INSISTE EM RECONSTRUIR
Extraí essa sentença do Google 👆👆👆 .
Eu nunca me senti adequado a este mundo, meus fundamentos para tal, no princípio, não eram exatamente pelos motivos expostos na sentença que abre este post, mas vem de um imensa insegurança que senti desde que, literalmente, me dei conta que existia. A distância da minha mãe nos primeiros anos e a rigorosidade sempre presente do meu pai podem ter contribuído para isto.
Os tempos tem sido pesados e as tempestades mais rigorosas a medida que envelheço. Sim, se eu estivesse bem estabelecido como artista, remunerado o suficiente para não me sentir humilhado em ter que pegar dinheiro emprestado aqui e ali sem ter como pagar de volta, e houvesse serenidade debaixo do lugar que pago para morar, não haveriam esses queixumes da minha parte.
Minha esposa é muito discreta e nunca fala nada sobre o que a oprime a não ser comigo. Eu já sou diferente, acho que herdei da minha mãe, ela dizia, se está doendo eu digo a quem quiser ouvir, está doendo! se alguém puder ajudar, ótimo, senão, ok, ninguém é obrigado, mas não vou fingir que está tudo certo quando na verdade está tudo errado.
Boa parte dos meus desabafos se concentram em meus quadrinhos, ali eu escancaro de forma franca toda mágoa, dor e fúria que sinto a respeito de tudo e creio que sou esperto o suficiente para não ser tão óbvio.
Não vou me delongar neste texto, eu repetiria uma ladainha que já encheu o saco sobre minhas dificuldades financeiras, de saúde e, principalmente, convívio direto com pessoas que se deixam usar pelo diabo para tirar o resquício de paz que eu poderia ter num mundo tão tenebroso, pouparei vocês disso. Mas vou dizer aqui que me sinto como um vaso estilhaçado. Poderia-se pegar todos os cacos e jogá-los no lixo, mas ao invés disso me sinto remontado com cola, não ficou um vaso perfeito, mas um recipiente atado com goma, depois o vaso se quebra de novo e novamente é colado, da beleza inicial o que temos agora é algo que ainda serve para alguma coisa, mas totalmente diferente do que era no começo. E assim prossegue, o receptáculo se estilhaça e todas as vezes é suturado, talvez o que se veja seja algo feio, estranho, que tenha alguma serventia, mas que deva ser guardado discretamente longe dos olhos. É assim como me sinto, mas sei que não é assim que Jesus me vê. Ele tem função para este vaso estranho e desairoso e eu não consigo descobrir o motivo, mas existe um, é a única explicação para eu continuar a existir num mundo onde eu não me encaixo.
sábado, 7 de fevereiro de 2026
ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 3 (Um conto escrito por Luca Fiuza)
A BUSCA – Capítulo 3:
Por vários dias consecutivos, o Gatão vagou pelo deserto
inóspito, na direção indicada pela Grande Serpente de outras eras!
Certa noite, remexendo em sua mochila, o felino casmurro
encontrou um pacotinho, do qual até já havia se esquecido. Abriu-o
com vagar. Era uma bússola! Havia junto, um bilhetinho com estes
dizeres:
– “Para guiar seus caminhos”.
Lena.
Zé Gatão sorriu, dos seus cada vez mais raros sorrisos e
pensou: Ah, Lena! Eu deveria ter trazido você comigo! Seria sua
chance! Uma alternativa ao caos…mas naquela hora em que nos
despedimos, eu não sabia o que sei agora! - Reavivou o fogo,
mastigou um pouco de ração de uma das latas e de sobremesa,
comeu umas três flores adocicadas de um pequeno cacto que
encontrou, nas proximidades. O Gatão passou a noite
tranquilamente. Relaxado, mas alerta – tipo: um olho na missa e
outro no padre – como antigamente se dizia!
O felino levantou acampamento, antes do amanhecer! Era melhor
caminhar nas primeiras horas do dia, pois o calor ainda não era tão
causticante! No meio da tarde aproximou-se de pequenas
elevações, localizadas a uns cem metros, mais adiante. Firmando a
vista, percebeu que estas elevações tinha cavidades, as quais
sugeriam em entradas e mais no alto, um arremedo de janelas!
Portanto, eram usadas como moradias! Tal constatação, fez o
Gatão chegar cautelosamente, encoberto por pedras e dunas,
espalhadas pelas cercanias. Sua apurada audição, ouviu vozes
roufenhas e sentiu no ar, o desagradável cheiro de
répteis! Para ser mais preciso, lagartos verdes da amplidão!
As elevações residenciais faziam um semicírculo. No centro
destes, alguns lagartos, armados de espadas, lanças curtas e
escudos metálicos, se achavam entretidos amarrando um pequeno
jumento a uma espécie de biga, de aparência antiquada! O pobre
jumento, se achava solidamente preso à biga e arreios de couro
cingiam seu focinho e a testa! A ponta dos arreios estava nas mãos
de um dos répteis, em pé, dentro da biga! O jumentinho envergava
um traje que lembrava aquelas vestimentas que Zé Gatão viu em
certos livros escolares, há muito tempo! Era como se o infeliz muar
fosse o escudeiro de algum tipo de cavaleiro andante! Os
lagartões usavam suas típicas e escassas roupas que os faziam
parecer uma edição requentada de velhos povos bárbaros! Os
olhos do Gatão se estreitaram, enquanto fazia mira com o rifle. O
lagarto que ia conduzir a biga, ergueu o chicote, pronto para ferir,
sem dó, o lombo do asinino indefeso! Nisso, uma voz ameaçadora,
paralisou os répteis, ensandecidos pela expectativa de fazer sofrer
mais o jumentinho!
– Largue este chicote, cabeça de merda! E vocês aí, não se
mexam, ou faço um estrago à bala, inesquecível, na carcaça de
vocês! Assim que eu gosto! Meninos bonzinhos!
O Gatão saiu de trás das pedras, ainda apontando o rifle para os
antes algozes daquele burrico. Foi se chegando, lentamente e
ficando à vista! Um dos quatro répteis, parecendo ser o manda
chuva, gritou para o Gatão:
– Hey, felino! De que parte deste deserto infernal te vomitaram?
Baixa o trabuco, cara! Aqui nós somo de paz! Saca! Só tamo aqui
lembrando a este jumento que seus antepassados eram animais de
tração pra alguns mamíferos, há uma pá de tempo! Sei lá, quando,
porra! Negó é o seguin! Cê parece bem fodástico! Por que não se
junta a nós?! Um animal como tu e desse tamanho que você é,
pode muito bem liderá nós, nuns trampo, aí! Tem um resto de
cidadezinha, mais a leste que nós podia saqueá! Tomei umas
informação que…! - Zé Gatão interrompeu o falastrão
bruscamente!
– Não estou interessado nos seus trampos e muito menos em
liderar um bando de bafo de répteis escamosos que nem você e
esta súcia de imbecis! Só quero uma coisa! Desatrelem o burrico e
mandem ele pra cá! Aí, eu deixo vocês com as peles intactas para
irem fazer suas cagadas em qualquer outra parte! - O lagartão
soltou uma gargalhada borbulhante, acrescentado: - Num credito!
Cê tá preocupado com este pequeno asno? Pra que? Deixa disso e
vamos todos nos divertir com o burrinho de cara assustada! O que
me diz? Cê não parece ser um nutela! Vimos logo que tu é dos
fodões! Ou será que apesar de grandalhão, não é também um
piegas? Aqui é terra de macho, mano! Aqui os fraco não tem vez!
E…! - O Gatão encheu-se até as medidas daquele energúmeno!
Respondeu dando um tiro, que atingiu seu interlocutor bem no
meio da testa! Ato contínuo! Engatilhou a arma várias vezes e
liquidou a tiros os três lagartos restantes! Um caiu estendido, de
costas com um balaço certeiro no coração, outro teve a área
genital arrebentada pelo balázio do rifle! Tombou ao chão dando
bramidos roucos, a todo volume! Nem teve tempo de escabujar!
Sua cabeçorra explodiu, ao ser atingido na têmpora direita pelo
disparo infalível daquele terrível felino! O último tentou suplicar pela
vida, mas o Gatão, já junto dele, no sentido de poupar munição,
estourou impiedosamente, a pequena cabecinha do reptiliano mais
magro que seus companheiros, a base de coronhadas!
Horrorizado, o burrico chorava, esperando sua vez de ser morto! O
Grande Gato olhou para aquela frágil criatura e sentiu pena! Que
fazia um coitado daqueles no deserto? Para o tranquilizar, o felino
lhe falou:
– Pode parar de tremer, burrico! Você está salvo. Como veio parar
aqui? - O pequeno muar agradeceu a seu salvador, com a voz
trêmula e contou:
– Eu e meu senhor, o intrépido Cavaleiro Andante, de reluzente
armadura, viemos para estas imensidões desoladas para meditar
sobre as razões das desditas que se abateram sobre este mundo
pecaminoso! E o mais importante! Tentar encontrar a adorada de
meu amo e redentora desta terra maldita! Ninguém mais, ninguém
menos do que A VERDADEIRA expressão da VERDADE,
encarnada! Meu amo e protetor, além de cavaleiro do Rei de
Alhures, era um grande filósofo existencialista…embora ele
falasse, falasse e eu nunca entendesse nada do que ele dizia! Mas
minha obrigação era diligentemente, o servir! - O Gatão encarou o
animalzinho com muita pena! Não havia dúvida que ele e seu
suposto amo eram loucos! O entezinho prosseguiu:
– Palmilhamos esta amplidão sem ver ninguém, apenas abutres,
no alto do céu límpido! Então um dia, eu não sei quando, os
lagartos vieram e nos atacaram! Meu senhor lutou com coragem e
galhardia, mas o derrotaram! Depois, o mataram! O mataram sob
torturas horríveis! O sepultaram neste solo agreste! Deste modo,
no deserto jaz um verdadeiro herói do povo, a ser esquecido pelas
próximas gerações! Aí, me levaram embora! Todo dia, me batiam
forte! Não sei dizer, quanto tempo se passou! Mal me alimentavam,
mal me davam água! E então, o “senhor” apareceu, como um anjo
vingador!
Extenuado, o burrico calou-se, por fim! O Gatão cuidou dele!
Mesmo após a chegada da noite! Porém, devido às provações que
sofreu, o felino viu, no fim da madrugada, o burrinho falecer
mansamente, da mesma maneira calma e inexpressiva que foi a
vida dele! O último lampejo no olhar do asinino foi de profunda
gratidão! Zé Gatão quedou-se, inconformado! Neste mundo atual,
mais brutal e selvagem, como jamais o fora antes, os bons morrem
e os perversos florescem! O bichinho foi enterrado no dia seguinte
na areia imutável do deserto. Se o burrico tivesse vivido, o Gatão o
levaria junto para o “Paraíso Perdido”, onde ele teria a merecida
paz, em vida e não na morte!
Pouco antes do amanhecer, o felino partiu dali, sem olhar para
trás. Consultou a bússola, na pausa para a refeição vespertina e
constatou que ia no rumo certo. Fez isto, só daquela vez! Afinal, a
rota certa, já estava implantada profundamente, em sua mente.
Portanto, não haveria como se perder! Lá pelo meio da tarde,
encontrou um povoado que um dia tinha sido uma cidade de porte
médio. Não havia ninguém por ali. O vento uivava de modo
lúgubre, ao atravessar as ruas, esquinas e ruelas arruinadas! Ao
chegar a um antigo hotel, meio intacto, foi atraído a adentrar no seu
interior pelo odor pungente de podridão! Dito e feito! No saguão,
vários cadáveres de animais…em adiantado estado de
decomposição, espalhados em posições grotescas formando uma
visão para dizer o mínimo, bastante funérea! Repentinamente, um
outro odor mais intenso, foi captado pelo olfato ultrassensível do
felino tristonho! Um fedor, muito bem conhecido pelo Grande Gato.
Posto isto, ele não precisou colocar em palavras, a origem de tal
futum! Quem o emitia, surgiu das sombras, em um pequeno e
barulhento bando!
Era formado por enormes baratas, cujas carapaças lustrosas de
cor marrom metálica, as tornavam parte integrante, daquele
ambiente mal iluminado do saguão daquele arremedo de hotel, o
qual havia sido muito luxuoso, ainda que já decadente, em seus
melhores dias! As nojentas criaturas começaram a tentar cercar o
felino gris. Este segurou firmemente, o cabo do alfanje e o retirou
da bainha, em um movimento repentino! Brandindo a arma branca
com decisão, o felino se precipitou sobre os artrópodes! Surpresos,
os seres que estavam mais à frente, não tiveram como impedir a
própria decapitação, em razão dos golpes mortais da lâmina afiada!
O Gatão aproveitou a desorganização daquelas baratas e foi
ceifando cabeças, membros, seccionando carapaças, pisando forte
nos corpos tombados, enquanto os líquidos internos dos insetos
espirravam! Substância gosmenta e esbranquiçada, sujando tudo
em volta, inclusive o Gatão! Mas ele não se importava! Como uma
máquina de destruição imparável, o felídeo, como uma fera
selvagem, ia sistematicamente, aniquilando seus adversários!
Morriam, lançando aos ares, chiados fortíssimos, que denotavam
dor, sofrimento e incompreensão de como aquilo era possível de
acontecer! Suas carcaças, sem vida uniam-se aos cadáveres dos
mamíferos que já enchiam o local! Enquanto isto, o braço
incansável do cinzento continuava a “limpeza” letal! Até sobrar
apenas um exemplar daqueles artrópodes, o qual conseguira
abreviar seu fim, saltando desesperadamente, para trás! Os dois
contendores ficaram parados, se estudando! O felino acinzentado,
notou que o inseto estava usando um estranho capacete,
encaixado em sua bizarra cabeça! Antes que o cinzento avançasse
para dar o golpe final, de alfanje erguido, uma voz se fez ouvir! Era
a barata, falando por um tradutor embutido no capacete!
O impossível acontece! Os dois seres que falavam línguas
diferentes, poderiam se entender, após tantos anos!
– Mamífero! Você matou cruelmente, os de minha espécie! Maldito
seja você! Que espécie de monstro é você?
– E estes animais mortos e decompostos? Como os explica?
Foram vocês que os mataram?
– Foi! Eles invadiram nosso território! Viemos para cá, há muito,
para sobreviver, ao deserto e ficaríamos aqui em paz, se os
mamíferos não tivessem tentado tomar o que é nosso! Há fêmeas
aqui! Há nossos ovos! Só queríamos tranquilidade! Estamos
cansados de tanto ódio e tantas mortes, sem sentido! Isto tem que
acabar! Um dia tem que acabar! Não vê? O mundo de vocês,
mamíferos está morto! Destruído por vocês e suas loucas Guerras!
E agora, ele pertence aos insetos! Nós só vivemos! Não
espoliamos, não destruímos…como vocês fazem! Não, em
condições normais!
– Barata…! O ódio entre nossas espécies têm sua origem perdida
no tempo! Ninguém sabe mais, o porquê! Temos nos matado por
anos a fio! Até acredito no que você está me dizendo, agora! Se
fosse antes da Grande Guerra e suas consequências, esteja
ciente, de que te cortaria ao meio, sem pensar duas vezes! Está
certo! Vivam! Para todos os efeitos, nunca nos vimos! Adeus! - O
Gatão guardou sua arma, depois de bem limpar a lâmina, em um
dos empoeirados restos de um sofá! O artrópode ficou olhando,
meio incomodado pelas últimas luzes do sol poente, o seu quase
assassino desaparecer à distância, em uma daquelas ruas
poeirentas! A barata, voltou para os subterrâneos do hotel, sem se
voltar!
O Gatão achou melhor prosseguir viagem! Era mais fácil de se
deslocar nas horas noturnas, quando o clima se tornava mais
suportável! Na verdade, o frio e o calor extremos daquelas plagas,
pouco o incomodavam! Sua incomum resistência física, residia no
fato de possuir em seu DNA, as características de um lince! Tipo
de felino mais afeito a viver em regiões inóspitas, com mais
escassez do que fartura! Quanto aos perigos do deserto, eram para
o Grande Gato, de somenos importância, acostumado que sempre
esteve, em encarar, o que quer que aparecesse! Dito e feito! Uma
hora de caminhada depois, o felino gris teve a sensação de que
não se achava só! Alguma coisa o espreitava, em meio às dunas!
O cinzento parou por um instante! Todos os sentidos alerta! Ao
máximo! Seu olhar treinado, percebeu um movimento à sua
esquerda! Portanto, imediatamente, jogou-se para o lado oposto,
erguendo-se velozmente, de alfanje na mão! Então, o felino viu
diante de si, uma figura de pesadelo! Era um tipo de aracnídeo,
monstruoso! Cor de areia! Lembrava vagamente uma aranha! O
Gatão recordou rapidamente, que uma vez lera um livro científico,
a respeito de tal criatura! Era um Solífugo! Animal não
peçonhento, mas absurdamente forte! Se o colhesse em suas
garras, o Gatão estaria perdido! Após morrer de brutal modo, teria
o corpo dissolvido por um ácido biológico expelido por aquele ser,
sendo depois deglutido, lentamente como um mingau nojento e
incrivelmente, fedido! O felino gris, atacou rápido! A arma branca
funcionando como uma extensão de seu musculoso braço! Porém,
atingiu o vazio! Seu adversário, apesar de grande, se movia com
uma rapidez impressionante! O Grande Gato recuou, enquanto
brandia a lâmina do alfange em movimentos ritmados, formando
uma espécie de barreira entre ele e seu feroz êmulo!
A partir daí, iniciou-se uma espécie de dança macabra, orquestrada
pelo som do vento gelado e funéreo, da noite do deserto!
Movimentos de avanço e recuo! Um acompanhando atentamente,
a cinesia do outro! Em um círculo concêntrico, iam se
achegando…! De repente, o Solífugo deu um salto inesperado para
frente, na tentativa de fisgar o Gatão em suas quelíceras mortais!
Com a uma velocidade estonteante, o Grande Gato saltou por cima
de seu oponente, indo cair de pé, às suas costas! Ato contínuo!
Aplicou um golpe violentíssimo, rasgando a s costas do aracnídeo,
como se ela fosse feita de manteiga! Em seguida em um
movimento circular, com a lâmina afiada do alfanje arrancou a
cabeça da criatura, a qual foi precipitar-se ao solo, bem mais
adiante! O corpanzil desgovernado, tombou para frente,
espalhando-se desarticulado, naquele terreno pedrento e arenoso,
ao mesmo tempo! Do feio talho em seu dorso, escapava suas
entranhas, imensamente, mal cheirosas! Um último restinho de
vida provocou um breve estremecimento em sua carcaça, a qual
logo se imobilizou na quietude eterna dos falecidos! Zé Gatão
olhou sem emoção, a sua obra! Não se lamentou e nem se
horrorizou com a visão daquele destroço caído que fora um dia
uma criatura vivente! Aquilo era apenas, parte da luta pela
sobrevivência que cedo na vida, ele aprendeu a travar! Agora,
naquela nova realidade era assim! Tinha que ser assim! Por causa
disto, precisava encontrar aquela Terra Prometida, onde talvez,
este círculo infinito de dor, morte e destruição findasse! Afastou-
se, deixando o cadáver de seu adversário a seu destino! Ou seja,
ser pasto de outros entes daquele sertão impiedoso! O felino
tristonho, andou mais alguns quilômetros, até alcançar, ao nascer
do sol uma conformação rochosa com uma cavidade bem no alto!
Com a presteza dos felídeos, escalou aquela formação granítica e
se acomodou em seu espaçoso interior! Ali estava fresco e
penumbroso! Resolveu tirar um bom sono e voltar a jornadear
quando o sol se deitasse, reduzindo, portanto, o abrasivo calor
diurno! Dormiu. Como de costume, seu ressonar sempre leve, o
mantinha pronto para qualquer ameaça que surgisse! Devido a
este fato, ele sempre despertaria a tempo de se defender! E ai, de
quem perturbasse seu descanso!
Pouco depois, do cair da noite, um ruído, tipo um arrastar
pesado veio a acordar o felino casmurro! Era um som sutil! Alguma
criatura se aproximava de maneira sorrateira! Pelo odor que
chegava às suas narinas sensíveis, só podia ser um réptil! Com
certeza, uma cobra! Naquelas desoladas paragens havia vários
tipos de ofídios! Pelo cheiro, o Gatão identificou-a como sendo uma
víbora da areia! Seu veneno não é necessariamente fatal, mas
sua picada requereria assistência hospitalar imediata e hospitais
eram instituições não mais existentes naquele mundo destroçado,
da atualidade! O Gatão sabia que aquele tipo de serpente, não
costumava predar animais grandes! Era muito possível que não
estivesse de fato, atrás dele! Contudo, um confronto seria perigoso,
pelo motivo já descrito! Sem mover um músculo, ele esperou…!
Olhos semicerrados que enxergavam perfeitamente na cova
escura! A cobra vinha vindo cautamente! Sua língua bifurcada
experimentando os olores da criatura de sangue quente estendida
diante do réptil faminto! Parecia ser algo bem maior do que suas
presas usuais. No entanto, aguilhoada por uma fome de vários
dias, a serpente deu-se por satisfeita de encontrar tal enorme
quantidade de alimento! Atacou, pois, rápida, em seu bote mortal!
Então, uma mão com a força de um torno agarrou-a, cortando
brutalmente, a passagem de ar, para seu único pulmão!
Debatendo-se alucinadamente, a cobra tentou escapar daquele
aperto titânico! Sem sucesso! Cuidadosamente, mantendo a
cabeça reptiliana imobilizada como fizera com a outra cobra que
eliminara em uma luta anterior, o felino aproximou-a de si para a
examinar mais de perto! A cobra, com voz chiada, em um esforço
supremo, expeliu o seguinte e desesperado apelo:
– M-mamífeross! P-por favor…sss, me soltess! N-nãoss
consigoss…nãoss c-consigoss..respirar..sss! - um esgar cruel,
surgiu no rosto do felino gris e ele replicou, simplesmente:
– Então, morra…! - O Gatão apertou energicamente! A cobra
coleava violentamente, enquanto tentava se libertar! A boca
escancarada, revelando seus dentes mortais, mas inúteis! A língua
negra, a corcovear loucamente! Os olhos amarelentos, transmitindo
o louco medo da morte iminente! Procurou ainda, envolver o braço
de seu executor e o apertar, mas com que energia, se estava fraca
demais para fazê-lo? Ainda conseguiu emitir um som derradeiro de
sua goela avermelhada: - N-não! - o estalo de ossos quebrados
encerrou a contenda desigual! O corpo da cobra moleou! Estava
morta! O Gatão lançou-a para longe! Não podia permanecer ali,
sem proteção! Aquele cadáver, com certeza atrairia insetos que o
felino sabia se esconderem nas frestas e reentrâncias daquela
espécie de caverna, elevada! De todo modo, já era noite e
descansado, o felino acinzentado poderia prosseguir sua marcha!
Teve que admitir que sentiu prazer em matar aquela serpente!
Tinha um temor atávico delas, com uma única exceção – ler
Inferno Verde – e era por causa desta exceção que se lançara a
empreender a busca! A última esperança de encontrar o seu
Horizonte Perdido!
domingo, 25 de janeiro de 2026
RÉQUIEM PARA O POETA DO CAOS
Não tenho escrito muito neste blog, falta-me força, falta-me vontade. Achei que a idade me faria escrever melhor, mas a insistência de certas situações em me sufocar, principalmente dentro de casa, no dia-a-dia, a eterna luta para matar os gigantes da semana, drenam toda a inspiração para a escrita e para o desenho (o que para mim é quase a mesma coisa). A fonte está prestes a secar, o que brota dela é uma água barrenta, salobra. E esse produto - tóxico, eu diria - é de que me sirvo para comentar sobre meu amigo e sócio Luis Carlos Girassol Cichetto, mais conhecido como Barata.
As dezenas de lives que fizemos durante o ano de 2025, conhecida como Lanchonete do Barata poderiam falar por mim muito melhor que minhas pobres palavras, lá estão descritos pelo próprio Barata como nos conhecemos, nos tornamos chegados, como criamos a Lanchonete e editamos alguns dos meus títulos pelo seu selo, mas convinha que eu desse um depoimento sobre essa ligação que durou tão pouco e ao mesmo tempo valeram por uma longa vida.
Sou amigo de uma pessoa que foi próximo do Barata por muito tempo, esse parceiro tinha uns canais sensacionais no YouTube e eu sempre deixava um comentário nas postagens. Junto a mim, as opiniões de um certo Barata Cichetto. A alcunha já me chamou a atenção e também as análises dos vídeos que batiam com as minhas.
Pois bem, esse camarada em comum falou ao Barata sobre uma obra minha em parceria com o lendário escritor de pulps, Rubens Francisco Lucchetti, "A VIDA E OS AMORES DE EDGAR ALLAN POE"; bem, os que foram próximos ao poeta já o ouviram falar sobre isso inúmeras vezes, ele comprou o livro, se indagou como nunca tinha ouvido falar de mim antes e etc. Ele solicitou minha amizade no Facebook (fato do qual não me recordo até hoje, mas isso é normal, alguém fala comigo e no dia seguinte já não lembro). Me escapa agora como ficamos mais próximos, mas creio que ele encontrou o meu blog e começou a ler algumas postagens e chamou a atenção dele os contos que o Luca Fiuza escreveu sobre o universo antropozoomorfo que criei e pediu permissão para reproduzir em seu site, o Barata Verso. Eu disse que me sentiria honrado e ele assim o fez, sempre divulgando como podia.
Ele era sócio do poeta e escritor lusitano Luis Roxo num projeto - se podemos chamar assim - intitulado POETURA, onde uma revista eletrônica do mesmo nome trazia diversos escritores e poetas contemporâneos com artigos do Barata. Em uma das edições o Zé Gatão foi capa e nela fui entrevistado.
Vale ressaltar que neste período (2024) ele trocava muitas ideias com o Luca. Até que no fim do ano, num estalo, ele resolveu publicar de forma impressa todos os contos do Zé Gatão num belo livro intitulado ZÉGATÃOVERSO, primeiro em preto e branco e depois uma versão colorida. Só mesmo uma pessoa como o Barata com coragem para cometer tal loucura, por na praça um tomo de um personagem incompreendido em sua mídia de origem, os quadrinhos. Não foi surpresa constatar que o ZéGatãoVerso vendeu pouquíssimas unidades.
A ideia da Lanchonete do Barata veio através de uma conversa que tivemos certa noite (sim, conversávamos por horas, tarde da noite, sobre os mais diversos assuntos) e eu disse a ele que me frustrei ao ver uma entrevista que o Luis Roxo fez com ele numa live que durou menos de duas horas pois percebi que ele tinha muito mais a dizer. Somado a isso comentamos sobre os tempos em que uma galera ia ao cinema e depois se sentava numa hamburgueria e batia papo sobre o filme e aleatoriedades. E se fizéssemos algumas lives com convidados ligados às mais diversas atividades artísticas para falar sobre suas produções, mercados e tutti quanti? Ele curtiu a ideia e batizou a coisa de Lanchonete do Barata e assim foi, entre muitos erros e alguns acertos a nossa trajetória nessa coisa de youtuber, minha conexão com a internet sempre era precária e eu vivia caindo, as vezes, por problemas pessoais, eu não podia participar e embora ninguém soubesse, isso muito o irritava. Acho que 80% dos convidados foram artistas ligados aos quadrinhos, pois eram os meus chegados, pessoas que eu admiro, ele queria chamar outros artífices mas só um ou outro do conhecimento dele aceitou participar. Mas foi um período bom, que trazia a ele uma certa ansiedade e muita alegria por mais um convidado que se tornava amigo.
Eu não sei dizer bem como era a vida do Barata antes da nossa parceria, mas me parecia que ele estava um pouco isolado, ele reclamava muito que ninguém mais lia poesia nos dias de hoje, o site que ele se orgulhava tanto, rico em artigos, matérias de convidados, gente muito capacitada e talentosa, não era visitado, não era comentado; eu compartilhava essa frustração pois também lutava duramente para ter meu trabalho reconhecido e eu sentia que estava limpando carvão.
O que sei dizer, e sinto orgulho disso, é que eu o introduzi no mundo das artes gráficas e isso o encheu de ânimo, ele ficou conhecido pela galera dos quadrinhos, frequentou lives, participou de grupos ligados ao tema, fez amigos, alguns ele fazia questão de dizer que eram os "novos melhores companheiros de infância", virou editor e roteirista de HQs, era reconhecido nos podcasts pelo seu jeitão de poeta/roqueiro desbocado e ele curtia muito isso, tanto que não levava em conta os muitos percauços que este meio tem para oferecer. Por fim ele acabou virando personagem de aventuras quadrinísticas nos contos do Baratex criado pelo talentoso escritor Vinícius Pereira.
Se tive participação nessa nova vida do Barata eu ganhei muito com isso, por conta da sua intrepidez eu pude realizar alguns sonhos como ver chegando ao público, ainda que muito limitado, o já citado ZéGatãoVerso, o CRAZY SKETCHBOOK, meu livro de rascunhos e o DESENHANDO PALAVRAS, meu tomo de contos numa fabulosa edição impressa que não despertou a atenção de ninguém (acho que não sou tão bom quanto ele pensava que eu era). E o livros do Zé Gatão lançados pela Devir ganharam novas edições com novos formatos para um novo público. Projeto que, embora cansativo, o encheu de orgulho, cada mimo criado para os apoiadores foi feito por ele com muito carinho. Essas coisas todas não tenho palavras para expressar minha gratidão.
Não pude conhecer (ainda) em toda extensão a obra do meu amigo, os únicos livros dele que possuo são NEVERMORE: UM GATO CHAMADO NUNCAMAIS e O POETA XINGOU MINHA MÃE DE PUTA E EU LHE DEI UMA PORRADA. São fortes, incomodos, não próprios para qualquer público. É a mais pura arte, pois te tira da zona de conforto e te põe a refletir.
Todo ser é único, eu sei, mas alguns, são mais únicos que outros, o Barata é destes que surgem um a cada século, não só pelo seu visual ou jeito de ser, mas pelo inegável talento para a escrita.
Haviam muitos projetos meus com o selo que ele criou chamado LÂMINA 44, para 2026: VENUS E VENENUS, republicação de ZÉ GATÃO-CRÔNICA DO TEMPO PERDIDO e PHOBOS E DEIMOS, além de um livro contendo minhas crônicas e reminiscências e se desse tempo, este ano ainda, o álbum de HQs curtas e inéditas do Zé Gatão. Não teremos essas obras, infelizmente.
Sim, eu já tinha dois convidados para a Lanchonetes já neste mês de janeiro.
Zé Gatão-Siroco no limbo, talvez abortado, não sei ainda.
Falei com ele no dia 30 de dezembro, exortei para cuidar da saúde, ele disse que estava bem, desejei um feliz ano novo, ele retribuiu.
O ano de 2026 para mim começou com fúria demoníaca, talvez o pior dos meus 63 anos, um acontecimento nefando durante a queima de fogos na praia...... noite sem dormir, passei o dia primeiro como um zumbi e só visitei as redes sociais no começo da madrugada do dia dois quando vi mais de 60 comentários no grupo do Zé Gatão que ele criou no WhatSapp, pensei: o que é isso tudo? Entrei e veio a pancada.
Fica aqui, na alma, como um selo, essa imensa saudade.
OBRIGADO POR TUDO, BARATA!
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| Arte através de IA criada pelo cartunista Du Oliveira |
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
DESABAFO E DESESPERO.
ATÉ O PRESENTE MOMENTO O ANO DE 2026 TEM SIDO PÉSSIMO PARA MIM, MAS CALMA, AINDA ESTAMOS NA PRIMEIRA QUINZENA, AS COISAS PODEM MUDAR.
NÃO SOU O MAIS OTIMISTA DOS HOMENS, MAS PENSAR EM REVIRAVOLTAS PARA O MELHOR AJUDA NA DURA CAMINHADA.
EU ACHO QUE JÁ ESTAMOS VIVENDO O QUE JESUS FALOU EM MATHEUS 24.
SENHOR, TENHA MISERICÓRDIA DE NÓS!
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
ADEUS 2025!
Vocês já perceberam que há muito tempo eu não exibo uma arte particular neste blog?
Tenho trabalhado muito e não tenho tirado momentos para mim, para os desenhos pessoais, aquelas coisas que reunidas viraram o Crazy Sketchbook editado pelo Barata Cichetto, por exemplo. A questão de tempo é muito forte, mas tempo sempre foi algo que arrumei quando a necessidade de desabafo se tornava insuportável. Hoje, a demanda por gritar por meio de traços e palavras é mais sólida que nunca, mas cheguei a um ponto que joguei a toalha e julgo que não vale a pena mais, aquele velho cansaço que sempre expressei em meus textos chegou a tal ponto que lancei os dados esperando o que o acaso me trará. O blog continua porque acredito em ressurreição, vai que aconteça algo que mude todo o quadro da minha vida e eu vou querer transmitir aqui.
O sketch do Zé Gatão exposto acima para coroar a despedida deste ano tão cheia de altos e baixos foi uma encomenda, só para deixar claro.
Como dito, 2025 foi aquele ano complicado (como todos, né?) mas que me trouxeram breves momentos de alegrias, como aquele oásis num deserto vasto, inclemente. Não sei claramente se esses momentos pesaram positivamente na libra, tenho a tendência a recordar mais os pontos negativos, ou pelo menos, senti-los com mais intensidade, pois a violência psicológica de certos acontecimentos foram (e ainda estão sendo) truculentos como nunca. É certo que não é coisa nova, mas a medida que envelheço sinto as desditas com mais vigor. Mas deixemos, por um instante, os queixumes, e vamos ao balanço desse ano.
Como ponto positivo tenho que destacar o lançamento da Bíblia em Quadrinhos pela Editora Ciranda Cultural. Material que trabalhei febrilmente e demorou para chegar ao público.
O já citado CRAZY SKETCHBOOK, veio em seguida, um livro sensacional - falo sem a mínima modéstia - incrivelmente editado pelo poeta Barata Cichetto. Tenho orgulho deste tomo; como sempre afirmo, nele contém os meus mais honestos traços.
Não citei o ZÉGATÃOVERSO porque este foi lançado no finzinho de 2024.
DESENHANDO PALAVRAS, livro que reúne todos os contos que cometi ao longo desses mais de 15 anos, também sob a batuta do Barata, foi outro sonho realizado, ter impresso minhas impressões sobre a vida em forma de letras era algo ansiado mas sem perspectivas para fazer acontecer.
Verdade que esses livros venderam quase nada, nada mesmo! mas isso não tira o brilho da coisa.
O ponto negativo neste raciocínio é que os planos que eu tinha de reunir em alguns volumes, muitos dos meus textos deste blog - crônicas, memórias do passado e coisas tais - ficam sepultados, é muito claro que ninguém está interessado no que eu escrevo, então, melhor economizar energia, expectativa, papel e tinta.
Outro acontecimento que merece destaque, que saiu pelo Barata Verso foi o Retorno do Guerreiro, republicação de MEMENTO MORI e DAQUI PARA A ETERNIDADE, os dois livros lançados pela Devir anos e anos antes. Uma campanha de financiamento coletivo que foi um tour de force tanto para o editor quanto para mim, que tive que criar mais de 40 artes novas para brindar os apoiadores. Mas valeu a pena, álbuns no formato A4, capa dura envoltos numa luva feita artesanalmente pelo Barata.
A campanha foi vencedora, mas não nos trouxe lucro algum, contudo, concordamos que se não deu prejuízo, já foi vitória certa. Esses dois livros há muito esgotados na Devir, chegaram a mais uns 40 leitores.
E chegamos ao final do ano com a republicação de SIROCO, também capa dura, 80 páginas a mais e nova arte na embalagem para atender leitores que cobravam essa edição que, em sua primeira prensagem, não passou de umas 40 unidades. Tivemos poucos pedidos até o momento.
Quero ressaltar que todos esses produtos podem ser comprados no site do Barata: https://barataverso.com.br/?s=eduardo+schloesser
Como bônus de final de ano, saiu também o Baratex - Lendas de um Velho Cowboy Filosófico, livro de contos concebido pelo jovem escritor carioca Vinícius Pereira, onde o personagem José Cat é uma clara homenagem à minha criação. Fiz a capa (com cores do artista Louis Mello), como forma de mostrar gratidão.
Indo para o lado negativo do ano, além das tempestades que há uns vinte anos assolam a minha existência, o dinheiro começou a ficar curto depois de abril, mas tão curto que eu tive (tenho) que sobreviver de ofertas de pessoas de coração generoso, uns pedem encomendas de desenhos, outros simplesmente fazem algum depósito na minha conta.
Pra não dizer que não fiz atividade formal, criei a capa de um livro de memórias de um autor mineiro para uma editora de Brasília, e quadrinizei 8 páginas do roteiro do Barata para o gibi Mestre Makabro.
E nos últimos tempos tenho sido acometido de dores nos dentes, um fraturou, outro amoleceu. Vá ao dentista, oras! Sim, e cadê grana para ao menos pegar os três ônibus até o centro onde existe pronto socorro público?
Esse foi o primeiro Natal que não tivemos ceia mas muita pressão dentro de casa.
E assim, falido, insultado, mastigando com dificuldade e dor, mas contente por ter tido livros publicados, fecho o ano de 2025.
Alguns podem perguntar: onde está esse Jesus que você insiste tanto em falar que é a solução para todas as coisas? Respondo: eu estou vivo, não? Creiam, não era mais para eu existir; este não é lugar de descanso, é um planeta comandado pelo malígno, nesta terra farta de injustiça e iniquidade ainda tenho as ferramentas para lutar e tentar reverter o quadro. O apóstolo Paulo não teve vida fácil após se tornar cristão.
Não sei o que nos espera no ano que chega, certamente não coisa boa pelos prognósticos de especialistas em geopolítica, mas quero pensar que as pequenas alegrias que hão de acontecer, equilibrarão o embalo. Lutemos para que assim seja sem nos corromper.
Fé, saúde, trabalho e perdão, sempre!
FELIZ 2026 A TODOS VOCÊS!
ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 4 (Um conto escrito por Luca Fiuza)
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Hoje amanheceu ensolarado, um dia bonito, feriado, no entanto considero que foi um tempo horrível. Nada aconteceu demais fora da minha roti...


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