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sábado, 14 de setembro de 2019

MAIS UMA FEIRA ASGARDIANA!!!!!




A correria que está a minha vida (bastante trabalho, graças a Deus), não permitiu que eu anunciasse a segunda Feira Asgardiana do ano de 2019. Mas estive lá e foi um evento gostoso apesar do calor (que é muito comum em Recife, vocês sabem). As edições anteriores eu não me sentia muito bem, achava o espaço tumultuado, desconfortável (o que teve no primeiro semestre deste ano eu fiquei perto de umas caixas de som que tocavam músicas que remetiam à cultura pop (tema do Spiderman, do Batman, Iron Man do Black Sabbath e coisas tais) no último volume. Em outras ocasiões a chuva atrapalhou e numa outra ainda minha mesa ficou no sol. Este foi o mais legal de todos. Sempre sou bem prestigiado e tratado com muito carinho; apesar de caros, meus livros tem boa saída.

Pra não dizer que tudo foi perfeito, notem o banheiro químico logo atrás da minha mesa. Toda vez que akguém entrava e saía vinha aquele aroma de...bem, vocês sabem do que, mas não incomodou tanto assim.

O mais legal, no entanto foi rever alguns amigos, gente batalhadora que não desiste dos quadrinhos apesar de toda maré contrária.

O grande Milson Marins, responsável pela PADA e Prismarte, confeccionou algumas camisetas do Zé Gatão e também uma bela caneca. 

Fica aí o registro de mais este encontro (ainda que pequeno) de criadores e fãs da nona arte.

Marcos Lopes e seu cangaceiro antropomorfo (infantil, vale dizer) Zé Coruja. Estão querendo fazer um crossover com Zé Gatão. vamos ver o que eles vão aprontar.

Achei fofa essas estatuetas.

Até a próxima, folks!

Eba!!! Zé Gatão finalmente ganhou uma caneca!!!!! 

Esta é para bebidas fortes (não álcool, que fique bem claro, abomino pinga, vodka, saquê, tequila e todas estas merdas!) pode ser chá, café ou uma boa vitamina.

sábado, 7 de setembro de 2019

NOITE TENEBROSA ( Um conto sobre o universo Zé Gatão, escrito por Luca Fiuza e ilustrado por Eduardo Schloesser )

Zé Gatão – O jovem felino.

Noite tenebrosa.
Por Luiz Fiuza – 27/08/19.

       Noite quente e enluarada, emoldurada pelo frio piscar das estrelas no firmamento escuro. Uma aragem suave vinda do mar amenizava o calor, apesar do sol inclemente daquele dia de verão ter se deitado há muito. Era uma bela praia conhecida como Praia do Enlevo, lugar frequentado por casais interessados em dar uns amassos, em um ambiente para muitos pra lá de afrodisíaco!
          Naquela noite em particular, só um casal estava desfrutando das belezas daquele local. Bem, não somente o casal! Havia um terceiro elemento que o acompanhava! Sem mais rodeios, o casal era formado por um jovem Zé Gatão e sua namorada Soraia. O tal terceiro elemento era o irmão mais novo dela. Estavam ali para passar momentos românticos, ou quase já que a presença do rapazola meio que cortava o barato, pelo menos assim pensava o felino cinzento, bastante contrariado, mas com bom senso suficiente para não mostrar abertamente seus sentimentos! Afinal, só havia tido permissão de sair com a garota se levasse o irmão desta a tiracolo!

         Zé Gatão, Soraia e o rapaz estavam acomodados sobre uma toalha ampla, ao pé de uma pequena fogueira. Perto do rapazinho que se chamava Saulo estava uma grande cesta, contendo gostosas iguarias e um garrafão de suco de uvas bem gelado. Os três eram figuras inusitadas se parássemos para observá-los mais detidamente. Zé Gatão um jovem felino na força de sua juventude! Alto, musculoso, pele acinzentada, longas suíças brancas e orelhas pontudas eretas com tufos brancos em suas extremidades, denotando ser ele um mestiço de gato e lince. Os cabelos de um cinza intenso, amarrados no indefectível rabo de cavalo que seria sua marca! Olhos de um amarelado penetrante! Usava roupas leves que consistiam em uma camiseta branca sem mangas, calças também brancas folgadas e um par de sapatilhas cinza claro bem leves de estilo oriental Embora descontraído, já tinha as marcas de expressão que aumentariam com os sofrimentos que grassariam em seu futuro ainda para ele desconhecido. Soraia era uma gata esguia, riponga com seus cabelos soltos em desalinho de cor abricó, tal qual sua tez aveludada. Rosado narizinho delicado que se empinava ao sabor de seu temperamento impulsivo! Envergava uma camiseta leve, esverdeada que deixava antever boa parte de sua barriguinha sem nenhum sinal de adiposidade, cuja tonalidade esbranquiçada fazia um contraponto com a cor mais intensa do resto do corpo! Pequenos óculos de lentes azuladas e armação redonda, compunham seu rosto inteligente. Usava uma calça comprida azul, boca de sino. Das orelhas de ponta preta, pendiam uns brincões prateados de formato circular. Em torno da cabeça uma faixa florida e no pescoço aquele colar com o símbolo Paz e Amor em voga naquela época. Ah! Havia o irmão menor! O tal de Saulo! Mancebo longilíneo, das mesmas cores da irmã. Cabeleira basta amarrada em um rabo de cavalo feito às pressas. Temperamento agitado! Mais impulsivo que o de Soraia! Trajava uma camisa vermelha muito larga, bermudão preto folgado e calçava uns chinelões de couro cru também um pouco acima de seu número. Era meio sem noção e o número de encrencas em que havia se metido dava para escrever um livro! Não fosse a intervenção da família já teria sido preso, ou se acharia esticado na mesa do necrotério! Falava muito e ouvia pouco! A custo, Zé Gatão escondia seu mau humor ao escutar as besteiras que o mocinho vomitava a cada segundo! Portanto, a noite que seria para o amor, na verdade ia ser das mais sacais! O felino cinza precisava dar um jeito de despachar aquele bucéfalo dali para ter uns momentos a sós com Soraia. Podia mandar o moleque procurar mais lenha para a fogueira, sei lá! Estava a matutar esta ideia quando um ruído forte para além das dunas, entre as quais se encontravam, chamou a atenção dos felinos!
      Todos ergueram as cabeças cautelosamente, sem se mostrar totalmente e estupefatos viram uma aterradora figura emergir das águas prateadas do mar noturno! A coisa envergava uma roupa pesada de tom escuro que lembrava a de um astronauta. Sob um enorme capacete transparente cheio d’água viram distintamente a cabeça cônica de um enorme tubarão! A passos lentos, mas firmes aquele ser de pesadelo caminhou da arrebentação até a areia da praia. A sinistra barbatana dorsal podia ser vista, coberta pelo grosso tecido daquela fantástica vestimenta que protegia dos perigos do ambiente externo, o monstruoso peixe vindo das profundezas sombrias do oceano imutável!


        O que fazia ele ali? Que desígnios inconfessáveis trouxeram aquela fera marinha para o mundo da superfície? Sem aviso e de chofre, Saulo se ergueu e acintosamente gritou para o sinistro ente, exigindo que desse o fora rapidinho, pois estava atrapalhando e não era nada bem-vindo! O monstrengo se voltou de brusco. Saulo ainda vociferando, caminhou em meio às dunas na direção do alvo de seus impropérios! Soraia também se ergueu gritando pelo irmão! Zé Gatão agindo contra seus instintos, seguiu o exemplo da gata, pensando – Maldito idiota! - Mas já era tarde! O tubarão lançou-se para frente de forma repentina, ao mesmo tempo em que seu poderoso punho atingia brutalmente a face do desavisado louco que ousara desafiá-lo! Como se nada pesasse, Saulo foi arrancado do solo. Sua boca explodiu em sangue e sua carcaça foi projetada sobre uma duna arenosa, o que impediu que os ossos de seu corpo se quebrassem em mil pedaços! Semiconsciente, sentiu a força titânica do tubarão levantá-lo do chão e cingi-lo em um abraço fatal! Nada pode ser feito para o salvar! O estalo da espinha de Saulo se partindo soou como uma chicotada funérea no silêncio daquelas plagas distantes, interrompido apenas pelo fragor inalterado das ondas batendo na arrebentação! O grito alucinado de Soraia tirou Zé Gatão do choque que momentaneamente o paralisara! Sem pensar em si, o felino taciturno arremeteu contra o assassino de Saulo com o ímpeto de uma fúria insana! Como que por encanto, um estranho objeto surgiu na mão do pisciforme! Em meio à corrida, Zé Gatão foi atingido por um disparo ultrassônico que o derrubou, jogando-o no abismo da inconsciência!

       Por causa disto, não viu Soraia cair de borco, atingida por outra rajada ultrassônica de baixa intensidade. Não presenciou o tubarão se inclinando sobre ela com um sorriso malfazejo em seus lábios, descobrindo as presas agudas. Soraia ululava tomada por um terror cego, totalmente a mercê da fera do mar! O capacete do desapiedado peixe se recolheu para trás com um chiado agudo. Um aparelho especialmente projetado, conectou-se às suas guelras frementes, mantendo a circulação de água entre estas e o precioso líquido existente no interior de seu incrível traje. O monstro escancarou a goela e se aproximou da face da pobre Soraia que tentava inutilmente se desvencilhar daquele ser que corporificava a própria Morte! A felina sentiu o odor apodrecido daquela boca e ouviu um som inarticulado que denotava extrema satisfação. Sem comiseração, o tubarão feroz enterrou os dentes na carne macia da jovem felina. O corpo da besta tremia em êxtase, enquanto a gata sentia o sangue quente escorrer da ferida e entre o mais atroz dos sofrimentos morreu como pasto para aquela anomalia das profundas!

        Foi curto o desmaio de Zé Gatão. Despertou sacudindo a cabeça, sentindo os músculos doloridos e uma intensa languidez física. No entanto, ao ver o corpo destroçado de Soraia e mais adiante o de Saulo tombado tal qual um boneco quebrado, um forte jato de adrenalina e uma ira sem precedentes como que o arrancaram violentamente daquele marasmo inicial! O tubarão estava de costas para ele se preparando para abandonar o local da chacina que perpetrara! O grito rouco do felino cinzento fez a cria do oceano voltar-se. Seus olhos escuros e inexpressivos encararam a figura impressionante do gato! Musculatura retesada! Os olhos chispando, dentes trincados. O peixe sorriu e disse algo em uma língua totalmente desconhecida e incompreensível para Zé Gatão. O som daquela voz parecia vir de um rádio transistorizado daqueles bem antigos, onde às vezes as estações se misturavam. A resposta do jovem felino sorumbático foi um urro que partiu do âmago, reverberando pelas cercanias! Avançou contra seu odiado adversário, mas desta vez de maneira refletida, disposto a moê-lo de pancada!


        A contenda foi seca! Brutal! Zé Gatão dirigiu seus pesados murros contra o estômago do monstro, cuja vestimenta não o protegeu dar dor profunda dos impactos daqueles punhos explosivos! O peixe nunca sentira tanta dor em sua vida! Parecia que suas entranhas estavam sendo pulverizadas! Uma joelhada fortíssima no ventre fez o esqualo se curvar. Se pudesse verter lágrimas, sua face estaria banhada pelas mesmas. De sua garganta projetou-se um gorgolejar semelhante ao de uma infecta pia de cozinha sendo desentupida! Os olhos negros se arregalaram naquela face sem expressividade, tornando-a uma máscara abjeta e caricata de sofrimento! Um chute no capacete completou a obra, jogando o tubarão com rudeza na areia branca da praia.


          Porém, o filho das profundezas era forte e resistente. Rolou de lado e ergueu-se dando um salto acrobático que pegou Zé Gatão de surpresa. O felino caiu de costas com o tubarão por cima! Como tinha ocorrido com Soraia, o capacete da besta-fera deslizou para trás e a cabeçorra do cartilaginoso ficou descoberta. As guelras imediatamente ligadas ao suporte de vida da roupa! A bocarra se projetou sedenta de carne e sangue! O miasma expelido daquela fauce aberta era nauseabundo! Lutando contra a ânsia de vômito, o felino cinza esmurrou com o punho direito aquela caraça aterrorizante, arrancando sangue, enquanto que com o braço esquerdo impedia o avanço das mandíbulas destruidoras! Nunca tendo levado um soco tão potente em sua existência, o tubarão ficou desnorteado, cérebro bombardeado por mensagens sensoriais conflitantes. Aproveitando-se desta situação, onde a força do oponente se reduziu, aplicou mais um murro no focinho do esqualo, fendendo ainda mais a fina pele do peixe, de onde manava sangue em profusão. Em desespero, o felino agarrou com a mão direita um dos conectores do suporte de vida do grande esqualo e o arrancou! O tubarão soltou um silvo premente! Em vez de soltar Zé Gatão, agarrou-o com mais força, tentando puxar a cabeça do gato para sua malcheirosa goela timpânica! Morreria, mas levaria o maldito mamífero consigo!

         Por segundos intermináveis, os dois ficaram imobilizados em um impressionante equilíbrio de forças! Zé Gatão gritava! Não de medo, mas de ódio! O tubarão já não conseguia respirar! Do sistema de suporte de vida arruinado, a água se derramava! A água que era sua vida, caindo se perdendo sobre a areia de um mundo desconhecido que ousara arrostar! A pressão do tubarão sobre Zé Gatão foi se enfraquecendo. Seu enorme corpo moleou! Estava morto! Em um arranco, o felino cinza empurrou o cadáver para o lado e ficou no solo arenoso, esgotado, arfando penosamente. Nunca se sentira tão cansado e fraco. Após recuperar-se um pouco, afastou-se da carcaça morta do tubarão. Que apodrecesse ali mesmo sob as intemperes! Quanto aos desafortunados Soraia e seu irmão, enterrou-os juntos em uma cova rasa que cavou na areia com as mãos, longe do alcance das águas do mar!
Ao romper da aurora, partiu em sua moto, ainda ligada ao side car onde viera o pobre Saulo. Era o começo de sua vida de andarilho! Desde criança ouvira que os seres do mar eram inimigos mortais de todos os habitantes da superfície! A presença daquele tubarão naquela praia isolada talvez não fosse um acaso. Só o tempo poderia dizer.

sábado, 31 de agosto de 2019

FRANCO COLUMBO É O NOME DA FERA!



É possível se sentir de luto por alguém que não conhecemos, alguém que sequer sabia que existíamos? Penso que sim; é como me sinto desde ontem. Francesco Columbo nos deixou aos 78 anos, ontem, dia 30.


O baixinho italiano - tinha 1,65 m - era o melhor amigo do Arnold Schwarzenegger, também sócio em nogócios, padrinho de casamento e parceiro de treinos (58 anos de amizade). Foi Mister Mundo e duas vezes Mister Olympia, tinha a fama de ser um dos homens mais fortes do mundo. Foi também personal trainer do Stallone quando ele voltou com o físico definido em Rocky 3 (shape que o eterno Rambo nunca perdeu).


Fez algumas aparições no cinema mas nada que lhe desse destaque, para os que o conheciam bem é possível vê-lo em pontas nos filmes do amigo mais famoso, como Conan e Terminator.


Columbo sempre me pareceu alegre, engraçado e me inspirava certa pureza. Acho que não me engano, tem que ter certa alma de criança para passar a vida discreto, apoiando e mesmo vivendo à sombra de alguém como Arnold, uma pessoa irreverente que se destacou em tudo o que se propôs a fazer. Seja nos bastidores dos filmes ou no backstage dos certames de fisiculturismo, lá estava o velho Franco apoiando o parceiro.


Eu gostava muito do Columbo, seu esforço por vencer na vida mesmo com toda a maré contrária é estimulante e inspirador. Sendo de baixa estatura, todos riam dele, segundo Arnold em sua biografia, quando ele dizia que queria ser Mister Olympia, título que ele conquistou por duas vezes.

Minha tristeza vem do fato de viver num mundo onde tenho notado cada vez mais (e até experimentado na carne) a crueldade das pessoas. Caras como Franco Columbo fazem falta. Muita falta.

Os anos passam muito depressa, parece que foi ontem que eu, nos fins dos anos 70, comprava revistas de fisiculturismo para aprender como aumentar minha massa muscular e também, claro, desenhar aqueles modelos. Nestas publicações sempre estava lá, o Franco.


Grande Franco! Creio que posso dizer, não adeus, mas até breve.


domingo, 25 de agosto de 2019

ZÉ GATÃO - O CÍRCULO VERMELHO


Estou relendo algumas HQs da Cripta do Terror, uma publicação da Record que saiu por aqui nos anos 90 e que infelizmente só teve 7 edições. Mais uma vez constato que a única coisa que faz algum sucesso por aqui é Turma da Mônica, heróis e alguns mangás.
Os quadrinhos da EC Comics, que originou a Cripta do Terror aqui no Brasil, será o próximo tema do meu "As Melhores HQs de Todos os Tempos".
Mas voltando ao foco desta postagem, entre as muito brilhantes histórias, destaco aquelas desenhadas pelo Bernie Kringstein; pra quem não sabe, este artista é o ilustrador favorito de muitos grandes da industria americana como Frank Miller e Art Spielgman. Ele se sobressaiu pelo modo ímpar como narrava a ação. Detalhes de movimento e soluções de passagens de tempo eram esmiuçadas por ele de maneira febril. Era um artista culto que sonhou viver da pintura, mas por força das circunstâncias teve que entrar para o mercado de comics para sobreviver. Desprezava esta mídia, mas ao perceber as inúmeras possibilidades que ela oferecia em termos de comunicação com o público, se apaixonou por ela. No entanto, se frustrava por se ver sempre limitado pelo número de páginas que lhe eram oferecidas (oito, para ser exato), o que lhe impedia de exercer sua imensa criatividade, ele queria explorar mais as capacidades que os quadrinhos ofereciam através do desenho. Com o código de ética em vigor nos anos 50, tudo piorou para Kringstein e ele terminou seus dias magoado e frustrado, dando aulas de desenho.
Me identifiquei com ele em muitos aspectos. As vezes olho a arte mais do que uma profissão que pague minhas contas, envolve criação, formas de confabular com quem se identifica, entre outras coisas.
O álbum ZÉ GATÃO - CRÔNICA DO TEMPO PERDIDO foi o livro que mais se aproximou do, podemos dizer, ideal de Kringstein, ali experimentei diferentes tipos de narrativa, materiais diversos e técnicas onde cada uma pudesse despertar uma emoção peculiar no leitor. Claro, essas coisas não são percebidas conscientemente, e eu meio que tateava no escuro, mas pensava estar no caminho certo.
Houvesse um mercado promissor no Brasil eu poderia ter contado muitas outras histórias, o que não foi possível.


A ilustração acima intitula-se O CÍRCULO VERMELHO, foi minha primeira ideia para introduzir o Felino no horror e nunca plenamente desenvolvida. Sempre pensei em como eu poderia usar os morcegos em meu universo antropomorfo. Teríamos um culto demoníaco, sacrifícios e conjurações. Assim como muitas outras concepções, ficou no limbo e utilizada de outra forma no conto DIA DOS MORTOS e na saga MEMENTO MORI. Mas ela ainda pede para sair, não com as mesmas fabulações de dias pregressos mas somando-se a novas concepções onde, acho, os morcegos nem estarão presentes. Estou maturando aqui para uma futura HQ curta; veremos. Ela entra na fila, ainda há histórias mais urgentes a serem desenvolvidas. O tempo dirá se terei condições de por tudo isto no plano físico.
Bernie Kringstein tinha muitos planos, a voragem, a maré contrária foi mais poderosa que ele. A diferença é que hoje a publicação independente é mais fácil se não almejo um público astronômico.

Fica claro que eu ainda quero contar minhas histórias. Veremos o que nos diz o amanhã.

domingo, 18 de agosto de 2019

ENFADADO E EMPEDRADO.



Esses últimos dez dias até que tem sido legais...bem, se comparados aos vinte anteriores e, talvez até os trinta antes dos vinte, que foram de pesadelo e tensão quase ininterrupta. Dá pra pesar positivamente na balança? Eu tenho que pensar que sim, quero pensar que sim. Tenho tentado viver o momento, me desligar um pouco do passado amargo pra não somar à bile do tempo atual, então, como diz uma máxima chinesa, saboreie o morango que você encontrou entre os tigres que te acossam. Na verdade a tal máxima chinesa dizia isso em outras palavras, mas acho que vocês entenderam.
Tenho saído muito de casa para resolver problemas na rua. Sim, problemas. Na vida parece não haver outra coisa. Felizmente estou envolvido com um novo trabalho, mas para poder seguir adiante com ele precisei abrir uma firma. Esta firma me dá um CNPJ e com ele vem certas obrigações. Visitar sites, memorizar senhas, registrar em cartório, ir na prefeitura, ser enviado a um local específico para validar uma senha, novamente imprimir documentos e reconhecer firma, tudo isso pra poder emitir nota fiscal quando efetuarem o primeiro pagamento. É a primeira vez que faço esse tipo de coisa então desconhecia que a burocracia chegava a tanto. De certa forma foi bom sair do meu estúdio um pouco para uma atividade fora da minha rotina. Nos últimos tempos só ia ao mercado, padaria e casa lotérica pagar boleto. Andar pelas ruas esburacadas e infestadas de cagalhões de cachorro a cada metro já não me motiva comentar sobre.

No passado eu faria uma crônica das coisas que observo fora da minha concha, os absurdos do cotidiano, os sons e cores das situações que compõem a vida comezinha do cidadão médio. Mas não sinto vontade. Estou me esvaziando, me empedrando, não porque queira, mas sinto que é algo que não consigo evitar.
E, pensando bem, pra quem falo? Quantos leem o que escrevo aqui? Já fiz esta pergunta no passado quando verifiquei que o número de visualizações deste blog caem day by day e a indagação ainda é pertinente. Esta semana teve um dia que só 6 pessoas acessaram este espaço. As postagens geralmente são aquelas que tem imagens de algum livro clássico como Dom Casmurro ou Iracema. Daí , suponho que estes pesquisem sobre essas obras no Google e acabam vindo parar aqui por acaso. Mas ok, vamos escrever para quem quiser ler, como o cão que ladra para a caravana que passa.

Está dentro dos meus planos mas ainda não consegui fechar a série Famous Monster, nem consegui ir à frente com a série "As Maiores HQs de Todos os Tempos", entre outras coisas que criei para o blog.
A fonte seca rápido. Enfado? Velhice? Talvez.

Estou devendo uma encomenda para meu querido Elton Borges, uma amigo precioso que só existe um em um milhão. Vou caprichar, caro Elton, apenas tenha a paciência de esperar.


No meio das atividades remuneradas, ZÉ GATÃO-SIROCO floresce devagar. Hoje eu mostro detalhes de alguns quadrinhos.

Apesar de tudo, Deus continua abençoando este mundo com sol, chuva e algumas pessoas de bem. É motivo de sobra para agradecer, sorrir, perdoar e amar.

Beijos a todos.




segunda-feira, 12 de agosto de 2019

MINHAS BOAS LEMBRANÇAS DE ALVARADO E MEMÓRIAS AMARGAS DO DEPUTADO ( Parte 2 de 2 )

Como um alimento de tempero estranho, difícil de descrever, algo entre o ácido e o amargo, foram aqueles primeiros anos da década de 90 em São Paulo. Minha cidade natal sempre teve esse efeito sobre mim, um passeio de algumas semanas ela me parece aprazível, mas se vou residir, meu espírito começa se debater dentro de mim como se esmurrasse as paredes de uma cela para lunáticos. Não havia emprego ou amigos frequentes, minha arte não estava perfeitamente calibrada, eu ainda me descobria, além do mais fervilhavam as paixões em meu interior, uma esperança absurda de encontrar a felicidade quimérica nos braços de uma mulher idealizada. Acima de tudo uma grande saudade dos horizontes de Brasília.
Meus cabelos longos chegavam pelo meio das minhas costas.
Uma pessoa que muito se integrou à minha família foi o Alvarado, sempre eu ia a casa dele e ele na nossa. Minha mãe preparava os alimentos que ele podia comer pois era diabético. Ele tinha certa cultura, mas os casos que ele contava soavam bastante fantásticos para serem verdadeiros, eu sempre fui um crédulo total, se alguém me aparecesse dizendo que tinha visto uma vaca voando sobre os céus da cidade eu acreditava, afinal, que motivos alguém teria para mentir? No entanto era do meu conhecimento que a pessoas mentem por dois motivos (no meu entender, é claro):
1 - para prejudicar outrem.
2 - para se defender.
No segundo caso, conheci uma infinidade de pessoas que diziam grandes absurdos para se sentirem admirados, integrados, com informações que só eles possuíam, como um cara que dizia que o pai dele tinha assistido a um show dos Beatles no Maracanã na década de 70, ou aquele que afirmava que o Arnold Schwarzenegger além de campeão Mister Olympia foi também ídolo do volei pela liga americana. 
Minha filha tinha uma amiga de 15 anos que narrava absurdos na primeira pessoa, como da vez que saltou de paraquedas e pousou dentro de um caminhão do exército. Essas bobeiras nos fazem rir e são inofensivas, elas querem se sentir admiradas. Meu pai tinha um primo que se dizia empresário de grandes estrelas da música nordestina, como Luiz Gonzaga e contava muitos causos. No que diz respeito ao Alvarado eu estava inclinado a dar crédito embora muita coisa me soasse impossível.
Certa noite ele recebeu em casa vários conhecidos e preparou um lanche para exibir uma cópia de sua animação sobre lendas amazônicas num velho projetor que a todo instante mastigava o celuloide. O desenho todo em preto e branco era bom e ele se gabava de ser o primeiro artista a realizar sozinho a empreitada. Mais de cinco anos na animação. Como disse na parte 1 desta postagem, não há referencia sobre isto na web. O que consta é a Sinfonia Amazônica da autoria do Anélio Latini Filho. O que temos aqui? Uma  grande injustiça? Ou um desvario de Alvarado?
Minha avó contava que um grande sucesso sertanejo na voz de uma dupla famosa foi roubado de um conhecido dela. Não dei crédito até saber que muitos sucessos mundo afora foram comprados de autores desconhecidos, isso quando o plágio não era na cara dura, como fez o Led Zeppelin roubando bluesman obscuro de décadas passadas.
Certa vez, Alvarado inventou de fazer uma viagem ao Rio de Janeiro com seus dois filhos adolescentes e me me convenceu a ir junto. Eu topei pois queria ver minha filha. Aqueles eram os anos MTV e as rádios tocavam a exaustão Guns n Roses, Red Hot Chilly Peppers e For Non Blonds. Cito isso pelo que era ouvido no carro. O percurso de Sampa à Cidade Maravilhosa foi agradável. O filho mais velho de Alvarado se chamava Paulo e era bastante vivaz e simpático. Não sei se ele queria fazer média comigo mas ele dizia que as mulheres me observavam de forma discreta. Nunca notei isso e duvidava lá no meu íntimo. Eu? Chamando a atenção de alguém? Nah! Mas talvez fosse verdade pois passei a prestar um pouco atenção e via meninas olhando para ele de esguelha. Talvez ocorresse o mesmo comigo.
O motivo da tal viagem era um almoço que ocorreria no Clube Militar para angariar fundos para alguma coisa a ver com a preservação da floresta amazônica. O almoço foi legal. Eu fui anunciado no evento como sendo um artista importante. Fui até aplaudido. Era pra rir. Quando me apresentaram aos convivas disseram que eu era "decorador", hahahahahhahahah! Uma coisa que não dá pra esquecer era uma bela mulher que estava lá, saia colada num senhor corpo de curvas perigosas e imensa bunda, chamou a minha atenção não só pelo físico mas por seus hábitos pouco educados como passar a língua pelas gengivas depois da refeição e puxar a calcinha do traseiro como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Estava um clima bom no Rio, nada daquele calor típico. Na mesma tarde fomos visitar uma prima do Alvarado que fora casada com um grande pintor amazonense. Eu julguei que fosse ver paisagens típicas exibidas em feiras de artesanato, mas me deparei com verdadeiras maravilhas dos melhores museus. O falecido artista era um mestre das tintas. A casa era inteiramente adornada de quadros de todas as dimensões. Boa parte dos motivos eram naturezas mortas e paisagens do norte do país.
Fomos ainda a uma reunião com militares e outros artistas. Não sei o que foi tratado, ou não lembro mais, mas me recordo de um casal idoso que foi com a minha cara e me convidou à casa deles, ali eu me despedia do Alvarado e seus filhos, naquele fim de tarde eu iria ver a Samanta.
Assim que Alvarado voltou para São Paulo o tal casal me perguntou: Afinal o que um jovem como você faz ao lado de um canalha como o Alvarado? Não soube o que responder. Lembre-se, dizia o velho, se você fica muito tempo perto da bosta vai ficar cheirando a merda. Eu falei que não tinha nada contra o cara e que ele sempre foi um bom amigo. Amigo? Riram eles, o tempo vai te dizer o tipo de amigo que ele é. Ele te disse que é verbete de enciclopédia? Meu pai também é. E me mostraram um volume da Barsa onde havia um nome escrito e as obras de pintura primitiva que alguém tinha feito. Isto é o meu pai, um grande pintor, não uma farsa como esse Alvarado. O velho era amargo como a bile de um peixe, falava mal de tudo e todos. Se dizia quiroprático treinado pelos lamas do Tibete e premiado em Milão. Me constrangeu a deitar numa maca e apertou minhas costas fazendo estalar minhas vértebras. Ô sensação boa! Me despedi deles e me direcionei ao subúrbio da cidade.
Tempos depois estava eu de volta a São Paulo.
Não lembro bem como se deu, mas o Osmário voltou de sua jornada pelo Rio Amazonas em uma caravela. Nessa época eu trabalhava com meus irmãos em uma banca de jornal na Avenida São João. A filha bonita dele sempre a tiracolo. A primeira coisa que ele perguntou foi sobre o manuscrito que ele havia deixado comigo (ver a primeira parte desta postagem) para eu ilustrar. Morto de vergonha eu disse que não havia feito nada. Aleguei falta de tempo, bloqueio criativo mas o cara não era estúpido, ficou claro meu desinteresse e ele não me polpou. Uma pena, disse o homem, você tem talento e cultura de sobra pra terminar seus dias numa banquinha de revistas. Onde está meu material? Procurei e devolvi a ele muito sem graça. Ele sempre vinha em casa, a antipatia que meu pai nutria por ele era indisfarçável. Ele dizia para nós: pra mim, essa tal de Taty não é filha dele porra nenhuma, é amante dele, isso sim! Fazia muito sentido. Alvarado veio com a conversa que Osmário queria casá-lo com Taty, mas duvidamos que fosse verdade.
Uma nova viagem surgiu, desta vez para Brasília. Alvarado estava decidido a fundar um museu da amazônia no Planalto Central com o apoio do deputado e da Taty. Tinham até o terreno para isto. Fui convidado para mais esta jornada de carro e como eu sonhava em rever Brasília e meu irmão Gil que lá ficara, não pensei duas vezes. Esta seria mais longa e por companhia teríamos a filha mais nova dele. Saímos cedo de casa, eu ia na frente com o Alvarado e a menina deitada no banco de trás ouvindo música. Cansados, quase na divisa de Minas Gerais, comemos alguma coisa num posto de gasolina e então o amazonense falou que ia entrar em estado alfa. Que porra é essa? perguntei eu. Vou dormir por 10 minutos como se repousasse por oito horas. Serio? Sim, afirmou.
Ele se fechou no carro com a menina e roncou. Eu tinha nas mãos o livro O Nome Da Rosa e fiquei lendo. Os 10 minutos do cara duraram toda a noite. Por essas e outras era difícil acreditar nele. Não tive coragem de bater no vidro do carro para acordá-los. Fiquei numa mesa em frente a um boteco do posto lendo à luz de um poste. Imensos besouros negros, pesadões, voavam por cima da minha cabeça.
Notei um carro que já manobrava ali perto e buzinava, mas não atinei que queriam falar comigo. Quando notei, achei que queriam alguma informação. Me aproximei e estava cheio de umas garotas risonhas. Uma delas, uma gordinha no volante foi direto ao ponto: Moramos em Avaré, perto daqui, não quer dormir juntinho comigo? Agradeci ao convite mas declinei. Insistiram: Ah, vai, só umas horinhas, prometo que te trago antes do seu amigo acordar. Sorri e virei as costas com os sons de beijinhos atrás de mim.
Continuei minha leitura, sempre me desviando dos besouros que davam rasantes na minha cabeça e com minha atenção quebrada pelos caminhões que hora a hora paravam por ali.
Quando deu seis horas da manhã, Alvarado acordou se espreguiçando, levantando as calças que quase caíam e caminhando meio de viés até a lanchonete. Comemos e seguimos viagem. Chegando em Brasília me livrei dele assim que pude. Tive motivos para isso. Foi uma viagem pouco agradável, o cara dizia uma coisa e fazia outra. Minha mãe sempre dizia que para conhecermos bem uma pessoa temos que comer um quilo de sal com ela. Ali, bastou um percurso de São Paulo até o Planalto Central. Liguei para um amigo quando paramos para abastecer na Asa Sul para ele vir me pegar. Marquei de encontrar Alvarado dali a dois dias para voltar a Sampa.
Naquela época eu possuía apenas umas páginas prontas de alguns quadrinhos. Zé Gatão nascia e eu só tinha duas histórias curtas que hoje não existem mais, muito mal desenhadas, por sinal, e eu as trazia num grande envelope para mostrar aos conhecidos.
Vou pular a parte alegre de reencontrar meu irmão e alguns amigos, meu texto hoje não é sobre isso.
A convite do Gil, fiquei mais tempo do que era planejado em Brasília, liguei ao Alvarado e o desincumbi da missão de me levar de volta. Sequer vi o tal terreno do museu.
Voltei à Cidade da Garoa depois das festas de fim de ano. Já não lembro mais como o Osmário sumiu de nossas vidas. Pesquisando na net, sei que ele já é falecido e recebeu honrarias na Câmara dos Deputados.
Vi pouco o Alvarado após esses eventos. Num almoço onde ele reuniu uns irmãos dele vindo de Manaus ele nos contou como foi sua experiência de quase morte que lhe custou um dedo de uma das mãos. Diabetes altíssimo, trombose, coma. E um ET veio até ele e disse para não se preocupar, que ele viveria até bem depois de 2000 e alguma coisa, acho que 2011 -  não estou certo.
Nesse meio tempo conheci a Verônica, perdemos um grande amigo e artista de quadrinhos chamado João Pacheco.
Soube de uma tragédia envolvendo Alvarado. Um amigo de seu filho, brincando de roleta russa estourou os miolos no telhado da residencia dele.
Não muito depois ele veio em casa, com ar cansado, conversamos, rimos, meu pai sempre muito direto com ele: qual a mentira dessa vez, Alvarado? Ficou combinado dele vir almoçar um vatapá com a gente na segunda feira próxima. No horário marcado uma batida na porta. Ele chegou, disse minha mãe. Fui atender. Era o Paulo, seu filho, informando que o Alvarado havia morrido. Ataque cardíaco fulminante. Perplexos, perguntamos quando seria o enterro; havia sido no domingo, dia anterior. Ele se desculpava por não nos procurar antes. Eu falei que não sabia o que dizer, o rapaz, tampouco.
É isto.
Eu encerro este texto concluindo que aquele ET era um grande mentiroso.






sábado, 3 de agosto de 2019

AMOR POR ANEXINS E OUTROS CONTOS ( CENA FINAL )

Há momentos em que as situações não permitem uma postagem inspirada, no entanto não gosto de deixar o blog pegando poeira, então vamos às nossas velhas amenidades:

O QUE ESTOU ASSISTINDO?
Não fui mais ao cinema, mas sempre que posso assisto séries. Terminei a segunda temporada de Sons Of Anarchy. Boa. Novelão sobre clube de motoqueiros que não valem nada, mas os inimigos valem menos ainda.
Na sequência, a terceira temporada de Stranger Things. Bem divertido!
No momento vejo a série alemã Dark. Fizeram muita propaganda dela mas estou achando tudo muito lendo. Talvez melhore mais para frente.

O QUE ESTOU LENDO?
Imaginem, se não estou podendo escrever um simples texto,  quanto mais ler concentradamente um bom livro. Nos últimos 15 dias só li conteúdos na internet.
Contudo, quadrinhos estão sempre aqui ao lado e estou consumindo Lendas do Universo DC - ETRIGAN. Ando numa fase de curtir as criações do Jack "the king" Kirby. Temática de terror adolescente, mas tem um suave aroma de HQ anos 70 com o desenho poderoso de Kirby.

O QUE OUÇO?
Além dos canais que sou inscrito no YouTube? Ouvindo Rush (sempre e sempre).

ZÉ GATÃO - SIROCO continua lentamente em produção. Devagar vou chegando lá.

Meu joelho dói, minha cabeça dói. Sinto enfado. Mas não é possível parar.


Com este desenho encerro o que produzi para ilustrar este clássico.
Não sei qual será o próximo.

Fiquem todos com Deus!