A frase que dá título ao post de hoje foi proferida por Francis, minha mãe, algumas noites do ano de 1972 ou 73, acho.
A vida sempre foi extremamente difícil para nós (a minha é até hoje), mas na primeira metade dos anos 70, antes de nossa mudança para Brasília, foi cruel! Sempre tinha o básico para a alimentação, mas geralmente aquelas guloseimas que encantam os petizes, eu só via pela tv com água na boca, tipo, chantily ou Leite Moça, como era conhecido o leite condensado. E nós (eu, ela, minha avó e os bebês, Gil e André) deitados na cama olhando para o teto conversando e ela vinha com a frase: Poxa, deu uma vontade de comer alguma coisa diferente!
Algumas vezes contávamos as moedinhas para ver se dava pra comprar uma fatia de um doce de leite numa mercearia que tinha numa galeria que dava acesso à Avenida Ipiranga. Havia uma barra de doce de leite da marca Zebu, muito conhecida na época, que eles dividiam em várias fatias e vendiam na tal mercearia. Quando dava, lá ia o pequeno Dudu comprar o almejado doce, que era dividido em pequenos pedaços para todos nós. Geralmente meu pai não estava em casa, na presença dele tais minúsculos prazeres não seria possível, ele era austero demais. Foram tempos duros, duros mesmo!
Pra falar a verdade isso não mudou muito nos anos posteriores, melhorou um pouco na capital federal mas sempre foi complicado, só no final da vida do meu pai, com alguns benefícios que o cargo dele no ministério da fazenda foram finalmente conquistados - depois de lutas na justiça - é que ele, minha mãe e meu irmão caçula tiveram vida mais confortável. Gil conseguiu um emprego bem razoável na Anvisa e o André, como médico em São Paulo, teve suas conquistas.
Já eu nunca consegui respirar aliviado.
A tal vontade de comer algo diferente bateu forte uma noite dessas e em casa só tinha o básico. Nada tem faltado, tenho lutado muito para não ficar sem teto, alimento, luz, água e internet, mas aquelas coisas que meu paladar infantil as vezes ainda deseja, ah, isso ainda me transporta para aqueles doridos anos de 72 e 73, com a diferença que ao invés de 9 ou 10 anos, agora tenho 63.
FIQUEM COM DEUS e até a próxima!
PS - Não tenho mais feito desenhos particulares, então fiquem com uma imagem dos Rastreadores de Algures, HQ que venho produzindo há alguns anos em parceria com o roteirista e amigo Elton Borges.
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