Pois sim, não sei o que escrever aqui.
Faz tempo que não desenvolvo neste espaço como antes. Outrora havia assunto, uma história a contar, um registro a deixar para a posteridade. Mas que posteridade? Quem se interessa? Continuo hoje como a trinta e cinco anos atrás, um artista (ouso me intitular artista? Não seria uma ofensa a caras como Poe, Kirby, Dali ou Bernie Wrightson?), ou um autor de quadrinhos meia boca morto de fome, portanto, inexistente para 90% da população leitora de HQs neste país de merda.
É bem verdade que boa parte do que eu deixava escriturado aqui antes do ano de 2021 fazia sentido para mim, havia família, cor, alguma esperança, ainda que eu não soubesse em que exatamente, mas havia. Hoje tudo secou, virou a droga de um deserto onde a fonte que jorra é salobra, barrenta.
Ano passado foi o ano de vária publicações que venderam nada, uma republicação de dois álbuns em formato de luxo onde com muito custo tive quarenta apoios. Quarenta! E o pior, não vi um centavo disso tudo.
2025 foi também o ano das lives, não só para divulgar os livros que mal venderam mas também para papear com outros artistas. Amados, eu não sirvo para este tipo de coisa, falar em público, opinar sobre o que quer que seja, nunca revi ou reverei algumas daquelas lives, só aturei em consideração ao saudoso Barata, afinal era patente que ele estava gostando de se expressar através daquele veículo. Eu sou o cara da prancheta na madrugada silenciosa (sem romantismo), não o fulano entendedor de arte que vem com ares de sabedoria sobre o assunto. Claro, não vou negar que alguns convidados da Lanchonete foram legais, artistas pelos quais nutro grande admiração, mas o ar de apresentador de talk show não é a minha praia.
Digo isso tudo para afirmar que se eu me submeti à coisa foi também no intuito de divulgar uma vez mais meus trabalhos e não funcionou, nada mudou. Ainda sou uma sombra na escuridão do "mercado" de HQs neste Brasil pilotado por ladrões, corruptos, canalhas e juízes que pensam que são deuses feitos daquilo que o gato enterra.
Desde o ano passado vivo numa crise financeira como há muito eu não via, passei por situações humilhantes como pedir ajuda na igreja onde eu frequento para não cortarem minha luz e constranger amigos a realizar doações para fazer o mercado semanal. Estou devendo a um bocado de gente e ainda não sei como vou pagar.
Este último mês o Senhor atendeu meu pedido de socorro e recebi convite para elaborar capa para dois livros. Espero que isso seja um sinal de que pelo menos financeiramente as coisas vão melhorar.
Continuo trabalhando em Rastreadores de Algures e naquele ainda secreto quadrinho baseado num roteiro de um filme de terror.
Ainda estou vivo.
Abraços a todos!

Vou me basear em análises bem pessoais, meu velho e em perguntas que talvez já tenhamos até analisado e tido respostas, ou não! Não há resposta, talvez! Pois bem, vamos às perguntas. As respostas podem não corresponder aos fatos, mas vamos lá!
ResponderExcluir1. Faltou oportunidades? - Não exatamente. Foram poucas, mas existiram. Com esforço hercúleo, você conseguiu publicar os álbuns do Gatão e outros trabalhos.
2. Houve retorno financeiro condizente? - Esta resposta, não cabe comentar aqui. Sua atual postagem já é auto explicativa!
3. Trinta anos de luta? - Sim! Eu te acompanhei desde a publicação do Álbum Branco do Gatão, em 1997. Por todos estes anos uma série de conjunturas ocorreram. Segundo a minha visão, o Gatão não gerou interesse nos potenciais leitores, ao longo dos anos! Os motivos são variados e dariam um livro!
4. Dificuldades de divulgação do personagens e dos álbuns? - Tudo indica que tal fato foi um complicador! Para bem divulgar, é necessária uma estrutura totalmente voltada para isto e inclusive alto investimento financeiro...o tal de MARKETING! Ou seja, o autor sozinho não tem condições de promover seu produto! E...uma Editora só o fará se vislumbrar lucro líquido e certo! Também se tiver bala na agulha para encarar um personagem pouco conhecido! Ainda mais no Brasil, em sua longa CRISE, forte, ou fraca, de tempos em tempos, mas perene!
5. E a Internet? - Zé Gatão é old school! Surgiu antes deste BOOMM tecnológico que ora vivemos! Mas não é porque surgiram uma série de mudanças e "facilidades" para produzir e publicar que a situação se tornou tranquila, tipo sopinha no mel! Está claro que se abriu um novo leque e muita gente produz e publica suas obras usando de uma série de ferramentas tecnológicas, podendo dentro das proporções, prescindir do papel, do nanquim, das tintas, em fim do clássico "orêia seca" que mistura o cimento e o leva num pesado carrinho de mão, para depositá-lo onde se fizer necessário! A questão central, não é esta! O problema é ganhar o gosto das pessoas, despertar nelas o desejo imenso de comprar a referida HQ! Isto se deu? A resposta já foi discutida e esmiuçada e não traz conforto!
6. Questão financeira do lado de quem lê e quem compra! O que acontece? - Outro ponto exaustivamente debatido! Falta de dinheiro? Produto caro? A resposta cai na seara da relatividade. Basta dizer, isto! O passo principal é tirar o personagens das sombras! Depois conseguir promovê-lo, propagandeá-lo! Ter quem invista nele e no produto que ele representa! Furar bolhas, ou camadas e voilá! Fácil dizer e difícil de fazer...! Agora vou finalizar demonstrando que apesar de tudo, Eduardo Schloesser, mano velho de Guerra, mostrou a que veio! Paulatinamente, formou uma base de fãs, não só de seu personagem maior, mas também de seu trabalho! Em qualidade! Não em quantidade! E ao mesmo tempo, ao tecer loas, constata-se que = tudo muito bom, mas estas poucas pérolas, não são suficientes para pôr a comida na mesa e pagar as contas sem matar um DRAGÃO POR DIA...e especialmente sem produzir, cansado ou não, debruçado na prancheta! C'est la vie!
Velhão, obrigado por não me deixar falando sozinho! Comentário longo, como bem gosto. Já tive no passado pessoas que sequer eu conhecia com verdadeiros tratados neste espaço, rebatendo minhas palavras, dando sugestões ou simplesmente contando sua versão da história num tempo em que esse blog foi mais popular. Entretanto, apesar de não comentarem mais como antes as visitas tem se multiplicado, isso é bom e reforça o desejo de ser mais constante aqui.
ResponderExcluirSobre sua resposta/análise ao meu texto, concordo com tudo e não há muito o que acrescentar, só pontuo dizendo que muito da dificuldade se dá no público médio consumidor de HQs (minha opinião), é como se ele fosse viciado num determinado produto e dele não abrisse mão. Incrível, mas é como aquela pessoa que come arroz, feijão e um bife todos os dias e não está disposto a experimentar novos pratos e sabores nem se o chef for premiado internacionalmente. Sustento o que digo da seguinte forma: fui incluído em um grupo no WhatSapp de autores de quadrinhos, pessoas inteligentes e talentosas mas que está com os dois pés juntos fincados no gênero super-heróis, os autores referenciados por eles são em sua maioria da idade de prata e bronze deste mesmo gênero. Não se discute ali quadrinhos alternativos, de ficção científica, terror, europeu ou humor, apenas heróis e mangás. Nos eventos noto a mesma coisa, pouco espaço para trabalhos tipo Metal Hurlant e Zé Gatão. Já não é nem tanto coisa de divulgação, mas de preferência mesmo! Tudo bem.
O que sobra? Tentar levar meu produto onde exista um interesse maior do público. O mercado europeu seria o lugar apropriado? Fica a pergunta. E se sim, qual o caminho das pedras. Aí é que está.
Forte abraço!