Olá, como estão vocês?
Por aqui tudo continua difícil, são tantas dívidas que nem sei, ainda não pude colocar o meu MEI em dia, diariamente recebo ameaças por e-mail de cancelamento do meu CNPJ. Realmente não tenho como pagar, tudo o que entra na minha conta, seja um dinheiro por uma pequena arte comissionada (sim, pequena pois geralmente é num formato A4 por uma quantia irrisória), um livro vendido ou uma oferta de algum irmão em Cristo, é para comprar comida e quitar os serviços como água, luz e internet. Aos que devo grana, me valho da máxima: "devo, não nego, pago quando puder".
Este período de seca já dura um ano e meio, pudera, nosso país, regido por bandidos, vai ladeira abaixo e tenho dúvidas se é possível reverter antes que eu vire defunto no médio prazo.
E não é só isso, no âmbito psicológico a coisa vai mal de verdade e eu sei que ainda não desisti por que Jesus tem segurado na minha mão e tem sido refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia em todos os momentos negros. Nele e tão somente nEle está a minha esperança e confiança.
Agora vamos ao tópico da postagem de hoje: minha releituras de coisas que estão na minha estante. Tenho me obrigado a ler um pouco a cada dia, sempre nos intervalos dos meus trampos (lembrem-se, ainda não concluí RASTREADORES DE ALGURES e a quadrinização de um filme de terror que deve ser lançado este ano) e a seleção que tenho feito são os quadrinhos que retratam a vida pela ótica ímpar de seus autores, a bola da vez ficou com o genial Daniel Clowes.
Conheci este artista nos anos 90 através de um álbum da Conrad chamado "Comic Book - O Novo Quadrinho Norte-Americano". Nele Clowes nos brinda com uma curiosa HQ intitulada CARICATURA. Ele e o Adrian Tomine eram os melhores no meio de toda a turma neounderground. Detalhe, o desenho do Clowes está longe de ser o idealizado por mim, eu sempre lutei no time do Corben ou Wrightson, mas é inegável que o estilo de narrativa dele tem tudo a ver com seu traço, que aliás é único.
Assim que a Conrad colocou na praça o Como Uma Luva De Veludo Moldada Em Ferro corri para comprar e fiquei com uma impressão estranha por um bom tempo. Senti como se eu lesse David Linch em quadrinhoos, situações bizarras e personagens absurdos, sem dúvida o álbum mais perturbador que ele fez, pelo menos que eu li,
Wilson veio a seguir, um sujeito insuportável mas que acabamos nos simpatizando com ele, seria como o Alex de Laranja Mecãnica, despresivel, mas acabamos torcendo por ele.
David Boring tem uma narrativa peculiar, triste, sombria. Alguém definiu este álbum como "desolador, perverso e fetichista" e acertou em cheio.
E por fim, "Paciência" (é o nome de uma mulher). Assassinato, violência com toques de sci fi e viagem no tempo.
Foram bons momentos de prazer em meio ao caos lendo essas HQs.
Espero voltar em breve comentando novas releituras, talvez uma de herói, o excelente Gavião Arqueiro pelo Matt Fraction e David Aja ou quem sabe a Cidade de Vidro do Mazzuchelli? Veremos.
Até lá, se DEUS quiser!
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