img { max-width: 100%; height: auto; width: auto\9; /* ie8 */ }

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

UMA VIDA NORMAL

 




 Eu queria muito vir aqui com notícias boas. Na verdade tenho sim, boas notícias, uma delas é que fiz agora há pouco a minha terceira refeição do dia, estou vivo (o que me permite sempre um novo recomeço, né?) e um dia, lá atrás, no fim dos anos 70 fui apresentado a JESUS. Melhores notícias do que estas impossível e isso já seria motivo suficiente para terminar a postagem agora. Mas materialmente falando, faltam algumas coisas: paz de espírito e dinheiro. Nunca tive as duas por longo tempo em 63 anos de vida. Eu nunca consegui ter uma vida normal. E aqui cabe uma pergunta: O QUE É TER UMA VIDA NORMAL?

Bem, segundo a minha ótica, um casal tem um filho, ensinam a ele bons valores, tipo aqueles descritos no Livro de Provérbios da Bíblia, falam da importância de ser justo, íntegro, que faça a sua cama ao levantar e nunca pedir a alguém uma coisa que não possa fazer primeiro; esse filho estuda, arruma um emprego, se casa, e passa para seu herdeiro os valores recebidos de seus pais. Isso tudo independe de etnia ou sucesso no trabalho, grana é uma coisa que vem e vai, sabemos que os problemas, as enfermidades e injustiças sempre vão estar presentes mas com paciência e perseverança (palavras que usei na minha existência como um mantra) consegue-se suplanta-los. Isso acho normal.

Certa vez eu vi uma senhora dentro de uma farmácia segurando um filho (presumo que fosse filho) que devia ter uns 14 anos, era claro que o jovem tinha sérios problemas neurológicos. Ele não andava, as pernas magras do menino indicavam atrofia. Ela o abraçava por trás, tentando conter seus braços que se movimentavam de forma involuntária derrubando o que estivesse ao seu alcance, a boca semi-aberta cheia de baba. Ao ver aquela cena, me enchi de piedade, aquela pequena mulher talvez não tivesse com quem  deixar o filho e precisava levá-lo onde quer que fosse e passava por aquele sofrimento. Eu diria que aquela não era uma vida normal. 

Eu assisti o documentário sobre a vida do Robert Crumb dirigido pelo Terry Zwigoff e posso dizer que a família do cartunista não é normal. Câncer na parentela não é normal, um marido alcoólatra que bate na esposa não é normal e eu poderia citar inúmeros exemplos. 

Eu nunca fui muito ambicioso, só queria ter uma família, filhos, netos. Jamais almejei ter meu nome em alguma premiação, placa de rua ou criar um personagem famoso como o Mickey Mouse ou o Batman, só queria viver decentemente do meu ofício, produzir meus quadrinhos, angariar um público fiel e ilustrar capas de livros. Nunca consegui. 

Eu fiz muita besteira na vida, muitos caminhos errados e sei que tudo o que plantamos, colhemos. Mas será que a colheita um dia chega ao fim? Ao menos um pouco de respeito e paz seriam suficientes agora que passei dos 60, mas não, as tensões (desnecessárias) se multiplicam. Falar mais me exporia além do necessário. Fica mais esse desabafo e a esperança de um dia vir aqui dizer, "amadas e amados, as coisas melhoraram, está tudo bem, a truculência, as ameaças e os insultos cessaram e as contas estão pagas".

Enquanto este momento não chega, clamo ao Pai da luzes (Tiago 1:17) por misericórdia e proteção.

 

 

 

 

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

UMA VIDA NORMAL

   Eu queria muito vir aqui com notícias boas. Na verdade tenho sim, boas notícias, uma delas é que fiz agora há pouco a minha terceira refe...