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quarta-feira, 7 de julho de 2010

AS PÁGINAS DO HOMEM MORCEGO.

Na ânsia de viver do meu trabalho e ve-lo reconhecido, eu tentei o atalho trilhado por muitos outros: o mercado norte-americano de quadrinhos. A primeira vez foi logo no início dos anos 90.  Fui muito bem recebido pelo Hélcio de Carvalho que me instruiu quanto ao procedimento das páginas que eu deveria elaborar. Claro que eu estava ainda muito verde pra coisa, mas eu não sabia disso na época e nem houve quem me dissesse, pois após entregar as artes, nunca mais consegui falar com ninguém do Art&Comics nem por telefone. Eles funcionavam na Rua Cardeal Arco Verde neste tempo. Se eu tivesse conhecido o Jotapê Martins antes do Hélcio eu teria tido uma melhor orientação? Talvez, pois foi o próprio Jota quem me indicou ao Joe Prado e foi a segunda vez que eu tentei comer uma fatia da torta. Fiz umas páginas do hulk. Desta vez eu consegui resposta, o Prado disse que não estava bom. O traço era estilizado demais, meio caricato até. Pô, não é por aí que o Kyle Baker faz das suas? Pensei. Mas tudo bem, o Kyle Baker é o Kyle Baker, tem um estilão que a turma se amarra (outros não), e nasceu lá na pátria do Tio Sam, a dita terra  das oportunidades. Mas ficou o conselho pra que eu continuasse tentando. Neste período eu estava vivendo um momento muito delicado na vida e resolvi que seria melhor eu não pensar mais naquilo. Não era pra mim. Há certos padrões no final das contas onde eu não conseguiria me adequar. Até que em 2005 se a memória não me trai, um artista daqui de Recife insistiu para que eu desenhasse um roteiro teste do Studio Impacto. Resisti. Ele acabou me convencendo. Eu nem tinha computador nesta época, imprimi as páginas do roteiro na casa de outro amigo. O escolhido não podia ser outro, foi o Batman. Quem já tentou o mercado gringo pelo Impacto deve conhecer o tal teste.
Levei um tempinho fazendo. Fiz do meu jeito. Com uma técnica que já estou acostumado. O resultado são estas cinco páginas que vocês conferem abaixo.
A resposta não tardou. Foi uma carta muito educada dizendo que este tipo de arte não interessava a eles. Aí...bem, aí eu realmente deixei pra lá. Amigos insistem pra que eu mande estas mesmas páginas de novo, diretamente pra DC. Sei não. Não quero pensar nisto agora, eu nem sei se conseguiria cumprir os prazos dos caras. As vezes leio entrevistas destes garotos que produzem pra fora e me espanto de ouvi-los dizer que seu grande sonho era desenhar certo personagem e tal; na boa, eu nunca quis isso, meu desejo  sempre foi fazer meus proprios quadrinhos.
Na verdade nem posso reclamar, já lancei dois álbuns com Zé Gatão, três de anatomia , vários cursos de desenho em bancas, diversas hqs eróticas, estou alolado de trabalho ilustrando livros, enfim, há uma história. Tenho mais três albuns prontos aguardando chegar ao público e uma biografia em quadrinhos de um grande escritor norte-americano em andamento . Quem sabe uma hora dessas o vento não começe a soprar e este barco finalmente possa singrar mares nunca dantes navegados? 





terça-feira, 6 de julho de 2010

CLARA DOS ANJOS (CAPA).

Segundo descrição do próprio Lima Barreto, Clara era um misto exato de seu pai e sua mãe. O genitor tinha a tez clara, nariz quase amassado no rosto, queixo largo e cabelo encarapinhado. A mãe embora tivesse feições regulares e cabelos lisos, tinha a pele bem morena. Clara dos Anjos era uma mulata de 17 anos, cheia de sonhos provocados pelas modinhas sempre presentes em seu ambiente familiar, tornando-se assim, presa fácil de um sujeitinho cafajeste e homicida. É um conto longo travestido de crítica social brilhantemente escrito.


Nesta aquarela, tentei dar ao rosto de Clara, as caracteristicas sugeridas pelo autor, segundo a minha visão, nem feia, nem bonita, apenas acentuando em seu olhar a angústia e tristeza provocadas  pelo seu funesto destino. Como sempre incluo alguns simbolismos, seja nas cores ou em algum elemento que faça parte do cenário.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

MULHER

Este desenho a lápis é mais um dos velhos tempos. Foi feito em 1989.
É engraçado como os problemas daqueles tempos pareciam fúteis se comparados aos de hoje. Acho que tudo tem a ver com a idade. Quando se é mais jovem, você não vê o trem da vida correr tão rápido, sempre há tempo pra pular, pensamos. Hoje parece que não dá pra saltar do vagão sem se arrebentar todo.
Melhor relaxar e ver aonde ele nos leva. Com a ajuda de Deus, quem sabe em alguma estação onde se possa descansar numa rede após o almoço sem ser chamado de vagabundo. Para depois seguir para a estação final que aguarda a todos os viventes. Pareço amargo? Acho que não, apenas filosofia barata, como aquele vinho que deixa uma puta dor de cabeça.

domingo, 4 de julho de 2010

CARICATURA (SYLVESTER E ARNOLD)

Sly e Arnoldão foram os reis dos filmes de ação dos anos 80 da mesma forma que Charles Bronson e Clint Eastwood foram na década anterior, não há como negar. Inclusive ambos só funcionaram neste gênero de filme. Quando começaram a se levar a sério, achando que eram atores de verdade, a carreira deles entrou em declinio, acelerando o que seria um processo natural, afinal como diz o Livro Sagrado, tudo tem seu tempo.
Rocky é um grande filme, destes que marca toda uma geração, e só por ele, Sylvester Stallone tem seu espaço garantido na memória de todos aqueles que apreciam um bom filme de luta. Eu diria até que este é o filme que salvou sua carreira, os dois seguintes são bons, um é uma cópia do primeiro e o terceiro mostra o que Rocky se tornaria a seguir: um pastiche de si mesmo. Apesar das boas cenas de porrada, nem vale a pena lembrar os dois ultimos. Rocky Balboa já é outro caso, um excelente filme. Incrivel como Stallone conseguiu tirar leite de pedra com esta película ! Deu até uma revitalizada em sua carreira.  Até uns anos atras eu julgava o primeiro Rambo da mesma forma que Rocky, até ver partes dele numa reprise e notar que perdeu a vitalidade com o tempo. Não gosto dos demais, excetuando o quarto da série. Rambo 4 não passa de um filme truculento e descerebrado, mas ao menos não tem nenhuma pretensão de ser algo grandioso, sua função e´divertir e isto ele cumpre com louvor. O resto da carreira de Stallone na minha opinião nem merece registro, algumas fitas são medianas, o resto, argh!
Arnold Schwarzenegger se sai melhor, tem o primeiro Conan no currículo, toda a série do Exterminador do Futuro ( sim, eu gostei do terceiro), Predador, Running Man, Comando (aliás, aquele não é o Capitão América? Certo, não tem o uniforme e usa metralhadora, mas eu ousaria dizer que Comando tem todos os elementos dos filmes de Heróis atuais com o aditivo de ser bem violento, reparem bem), Inferno Vermelho e até o Júnior. De mais a mais, Arnold é o grande responsável por trazer os holofotes para o fisiculturismo, esporte que sempre admirei, mas é matéria pra uma outra postagem. Deixa estrear o novo Conan.
Houve um tempo na minha vida que me aventurei na caricatura. Queria trabalhar em jornal, virar chargista. À época (1985, eu acho) fiz caricaturas de vários políticos do período. Não deu certo, mas ganhei alguma experiência com a coisa. Quase todos os funcionários do Senac foram caricaturados durante o período em que lá trabalhei. Lembro que certa vez - 89 ou 90 - eu fui requisitado para ir a um colégio  (acho que era o La Salle) participar de uma gincana. Uma das turmas tinha como tarefa levar um desenhista que fizesse as caricaturas do diretor e de todos os professores. E eu fiz. Meu amigo Kaíque me acompanhou até la´.
Depois disto quase nada mais fiz nessa área que merecesse registro, só esta humilde homenagem a dois ícones do cinema pipoca oitentista. Foi feita a óleo sobre uma chapa de papelão em 93 em São Paulo e fotografada com câmera digital. Êh saudade !

sábado, 3 de julho de 2010

A MORENINHA (01)

Pessoal, tem vezes que a gente senta diante do computador e não sabe o que vai escrever.
Há muito a ser dito mas nem sempre as palavras fluem. Ainda bem que tenho alguns desenhos pra mostrar.
Estes eu fiz pro livro "A Moreninha".  Bom domingo.


sexta-feira, 2 de julho de 2010

A MORENINHA (CAPA)

E o Brasil perdeu a copa.... de novo. Paciência. Pelo menos a vida volta ao normal e as pessoas podem pensar em coisas mais importantes, como as próximas eleições. Pessoal, isto é sério. Leiam, busquem informações sobre os candidatos que vocês tem intenção de votar. E... bom, prometi a mim mesmo usar este espaço pra falar só de coisas concernentes à arte, então....
A moreninha de Joaquim Manuel de Macedo foi o quarto livro que ilustrei. Aos poucos irei postando os desenhos. Hoje começaremos com a capa. Uma boa noite a todos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A MÃO E A LUVA (03)

Ilustrar livros pode ser tão cansativo quanto desenhar quadrinhos. Em qualquer caso, depende muito de você ter uma ligação "espiritual" com a coisa. Explico melhor:  imagine uma relação amorosa, ela pode ser morna ou intensa, desafiadora e complicada ou serena e engrandecedora. Depende muito do seu tato, de paciência e obstinação. Se não se envolver emocionalmente a coisa não rola, pelo menos não comigo.
Para cada narrativa, eu tento uma abordagem que tenha a ver com a atmosfera que as letras (ou idéias se preferir) me despertam. O cansaço, no meu caso, advem do fato de achar que nunca estou à altura da tarefa que as letras me impõem. Com os quadrinhos é assim também, sempre acho que as idéias que me perseguem são bem melhores que a forma que dou a elas, e elas acabam comprometidas pela minha inaptidão em dar um corpo que lhes façam jus. Não sei se me fiz entender, mas sou assim mesmo, quase nunca consigo traduzir em palavras o que me vai pela alma. Assim como na ilustração ou hq, eu nunca consigo um traço que defina com exatidão o clima que emerge do meu subconsciente. Mas faço o que posso, como demonstram essas linhas que as palavras do Machado em a "Mão e a Luva" me evocaram. 
Aproveitando, vejam algumas etapas do meu processo. Gosto muito de desenhar a anatomia das personagens antes de vesti-las, foi um hábito que me impus a muitos anos e acho que tem dado certo.




ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 7 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A Busca – Capítulo 7: Ao saírem pela boca da passagem, por onde tinham palmilhado, por um tempo impossível de determinar, a morceguinha e o...