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sábado, 14 de agosto de 2010

ZÉ GATÃO NUM PERIÓDICO DE ARARAQUARA E NO ORKUT.

Hello folks, como estou numas de nostalgia esta semana, aproveito para partilhar com vocês, que curtem as violentas hqs do Zé Gatão, uns comentários em jornais que surgiram no período do seu lançamento há 13 anos. ( 13 anos ?!? Cara, como o tempo voa!!!)
Esta resenha foi feita pelo Sebastião Seabra, segundo o Valter Silva, proprietário da saudosa Livraria Muito Prazer. Não conheço o Seabra, somente seu trabalho, que aliás é de altíssima qualidade, nem preciso falar muito dele aqui, o cara é um dos expoentes máximos dos quadrinhos brasileiros que não tiveram a mesma propaganda que teve o Deodato - outro fera - por exemplo. É so pesquisar no google e vocês poderão constatar por si mesmos. Pelas palavras dele parece que ele estava bem revoltado com os editores brasileiros.
LEVEI 13 ANOS PRA TE AGRADECER SEABRA, MUITO OBRIGADO.
Mais uma vez acho curioso que as poucas resenhas que este álbum teve, vieram de pessoas pras quais eu não o enviei e sequer conhecia. Nenhuma novidade.
Aproveitando, Zé Gatão tem uma comunidade no Orkut sabiam? Foi criada por "J N R Wrestling". Soube disto a uns dois anos, eu creio. Eu não tinha computador, então sequer visitava, também não fazia parte dela por não querer advogar em causa própria. Pura babaquice minha, aprendi com meu amigo Nestablo que se você não fizer propaganda do seu próprio trabalho, ninguém mais o fará. Daí o porquê deste blog.
Então quem tiver Orkut, e curte este gato cinzento escaldado, dê uma procurada por lá e faça parte da comunidade, comente, opine, critique, faça perguntas.  Meu ego agradece.
Nem conheço pessoalmente o criador da comunidade, já nos falamos por e-mail, e é um cara muito legal e que entende muito de quadrinhos.
Bom, por hoje basta.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

DOM CASMURRO (03).

Queridos, boa tarde.
Como vou estar ocupado a noite, passei aqui pra deixar uns desenhos pra vocês e voltar para a prancheta. O tempo voa, e ainda há muito o que fazer.
Estas são mais duas pranchas para Dom Casmurro.



Um forte abraço.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

EDGAR ALLAN POE.

Boa noite a todos.
A boa notícia é que finalmente conclui ontem as ilustrações dos clássicos brasileiros. Depois de bastante pressionado pelo tempo é um alívio chegar ao fim. Tirei hoje o dia de folga depois de trabalhar de domingo a domingo. Agora é administrar o dinheiro recebido até o próximo "job" remunerado. Vida de desenhista.
Aproveito o momento pra revelar aqui um projeto que pretendo retomar amanhã e no qual eu vinha trabalhando a quase um ano, ele foi interrompido várias vezes pra pegar os serviços que colocam comida na mesa. Trata-se de uma biografia em quadrinhos do lendário poeta americano Edgar Allan Poe. Foi uma obra encomendada. O roteiro ficou a cargo do renomado roteirista R. F. Lucchetti.
Como fã dos contos góticos do Poe, pra mim é uma honra e imensa responsabilidade quadrinizar sua vida.
Contudo, não fui remunerado ainda pelo que fiz até agora - a hq deverá ter por volta de 180 páginas e já fiz 34 - acho que o agente literário quer ver tudo pronto primeiro ante de levar a obra pra alguma editora. Como não sou o desenhista mais veloz do mundo, deve levar ainda um bom tempo até a conclusão.
Se tenho alguma dúvida quanto a publicação? Lógico. Meu histórico com relação às editoras me deixa desconfiado. Mas não creio que após tudo pronto eles irão roer a corda. Digo isto não tanto por mim mas pelo Lucchetti.  E depois, Edgar Allan Poe vale o risco.
Deixo com vocês algumas cenas deste projeto. Com o tempo vou mostrando mais imagens.
Até amanhã se Deus quiser.



quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ZÉ GATÃO NA TRIBUNA DE SANTOS.

Nunca tinha ouvido falar da Tribuna de Santos, até que o caderno de cultura deste jornal me chegou às mãos por um amigo do meu pai. Nele, a primeira das poucas resenhas que Zé Gatão teve na mídia impressa.
O curioso é que mandei o álbum para várias pessoas que não deram a mínima. E logo um jornal de Santos que eu não conhecia, me brinda com o primeiro comentário positivo.
O colunista não assinou a matéria, não sei quem é ele até hoje. Nunca pude emitir o meu obrigado.
Se você, autor da nota estiver lendo, ou ler algum dia, saiba que agradeço muito.


Tenho mais duas matérias sobre o livro branco pra postar mas fica para o futuro.

Vou aproveitar o ensejo e comunicar a quem ainda não tomou conhecimento, que o Zôo do meu brother Nestablo Ramos Neto foi selecionado para o PNBE 2011. É uma vitória de todos nós que torcemos para que esse grande artista tenha o devido reconhecimento. O cara é um batalhador incansável. Virão mais álbuns por aí (oba!).
Logo, logo o meu amigão vai estar calvo e barrigudo atrás de uma mesa enorme, cheia de mirabilias, fumando cubanos e delegando ordens. Eu vou ligar e ele vai dizer pra secretária que é pra eu marcar um horário na sua agenda super lotada. Será? Pensando bem acho que não. Acho que ele nunca vai parar de desenhar ele mesmo suas histórias.
Parabéns pela conquista irmão.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

HERÓIS DA INFÂNCIA ( BATMAN ) .


Ano de 1969. Morávamos eu, meus pais e minha avó neste período, na casa de uma alemã,  Dona Bárbara, uma amiga do velho Schloesser, meu avô, que tinha falecido não havia muito tempo. Ficava em Cumbica (SP) próximo à base aérea. Foi neste ano que meu irmão Gil nasceu, lembro da noite em que ele veio pra casa envolto num imaculado cobertor amarelo. Ele chegou primeiro, eu fiquei tomando conta dele, enquanto meu pai e meu tio improvisavam uma forma de subir minha mãe que tinha feito cesariana, pelos íngremes degraus que davam acesso à casa. Eles a trouxeram escada acima sentada numa cadeira. Devo enfatizar que não consultei meus pais para relatar isto aqui, valendo-me tão somente das minhas memórias de infante. Portanto, talvez um detalhe ou outro possa ter me escapado. Mas o cobertor amarelo e minha mãe chegando na cadeira, eu não poderia esquecer.
Como não posso ouvidar a primeira vez que vi o homem-morcego estampado na capa de uma revista da Ebal. Como sei que era da Ebal? Porque só podia ser.
Não conseguia tirar os olhos daquela imagem. Pelo que lembro, o Batman, não era o personagem central,
haviam outros heróis na cena, mas não me pergunte quem eram, não dava pra tirar os olhos do morcegão. Sua imagem enigmática não é facilmente esquecível.
 Meu segundo contato com ele foi através do famoso seriado de tv com o Adan West e Burt Ward. Eu ficava eletrizado a cada episódio.
Depois disso tive o prazer de ter em mãos a fantástica série do Neal Adams, um dos maiores quadrinistas de todos os tempos.
É claro que "O Cavaleiro das Trevas" do Frank Miller merece destaque.
Os desenhos animados com traço do Bruce Timm são incríveis.
No cinema, o Tim Burton foi o que melhor caracterizou a figura do herói. O visual era negro e sem todas essas firulas que inventam filme após filme, transformando o vigilante num tipo saido de um baile de carnaval. Os filmes do Chris Nolan, embora ótimos, também pecam por este detalhe.
A pintura que ilustra este post, foi feita a óleo sobre uma chapa de papelão e integra o meu portfólio de heróis. Considero um dos meus melhores trabalhos. Devo dizer sem modéstia que ela tem todo um clima e imponência típicos inerentes ao protagonista.
Lógicamente, hoje eu faria algo bem diferente, alguma coisa mais perto do real, com dobras de roupas, fivelas e todas essas coisas que enfeiam um visual já alegórico. Quem sabe eu faça? Se me pagarem...
Postei duas imagens da mesma pintura, a de cima, tem mais brilho, foi fotografada com câmera digital, esta abaixo, escaneei do original. Enjoy.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

X - WOMAN ( PSILOCKE )

A matéria de hoje era para ser com o Batman, mas como estarei ocupado até tarde da noite, ela fica para um futuro próximo se Deus quiser; assim, antecipo minha postagem com a srta. Psilocke, feita com uma aquarela mais solta e fotografada com câmera digital.
Tirando o período em que fiquei sem net, até agora tenho conseguido manter a minha promessa de atualizar este blog diariamente. Não sei até quando será possível, mas por enquanto, vamo que vamo.
Tenham todos uma ótima noite.

domingo, 8 de agosto de 2010

ZÉ GATÃO ( O PRIMEIRO LIVRO )

Tenho refletido muito esses dias sobre Zé Gatão. Se o personagem tem alguma relevância no atual cenário de quadrinhos nacionais e essas coisas. Olhando no horizonte, parece-me que o panorama pra nona arte no Brasil tem melhorado. Não dá pra dizer se o que vejo é apenas uma miragem. Temos visto uma garotada extremamente talentosa publicando - e não só de forma independente - excelentes trabalhos. Entretanto não noto um mercado ganhando corpo. Me desculpem os mais otimistas, mas não dá pra confiar. As hqs hoje (como a muito tempo já vem acontecendo), tem que disputar no braço o espaço a que pensa ter direito com outras mídias mais poderosas. E por incrível que possa parecer, foi a única forma de expressão que evoluiu, tanto que o cinema tem bebido muito da fonte que ela tem jorrado.
Quando idealizei meu personagem, o quadro de então era bem diferente; Marcelo Campos, Octavio Cariello, artistas fenomenais, começavam suas carreiras trabalhando para as editoras americanas, outros como Mutarelli, ganhavam notoriedade por aqui mesmo, mas eu acho que na prática pouca coisa mudou, pois um tempo antes ainda, o Marcatti já ganhava destaque imprimindo e distribuindo ele mesmo suas próprias revistinhas. Hoje, vemos vários quadrinhos legais feitos por uma rapaziada notável, mas elas continuam independentes. Ou seja, publica-se um número limitado de revistas para serem lidos pelos amigos e fãs desta mesma rapaziada ( na maioria dos casos), e a coisa se torna um círculo vicioso apesar da divulgação que a internet possibilita.
O que me traz de volta ao ponto : teria Zé Gatão algo a dizer hoje em dia?
Parece pedante da minha parte fazer esta indagação, uma vez que este gato nunca teve sucesso comercial, né?
Os artistas mais novos já me perguntaram se eu me inspirei em Blacksad, vejam só. Pelo que sei o gato preto dos espanhóis só veio a público em 2000 e o meu em 1997. Isto sem contar que o criei em 1992, o ano em que eu e minha família voltamos pra São Paulo depois de morar quase 20 anos em Brasília. A selva de pedra praticamente nos engoliu. Eu não conhecia ninguém e vinha de um relacionamento conturbado que ao final quebrou minha alma em mil pedaços. É incrível o que uma mulher pode fazer com um cara quando ele é jovem. Todo este cenário culminou com uma necessidade monstra de desabafar através dos quadrinhos, e as hqs do felino tiveram aí a sua gênese. Explico parte deste processo na introdução do álbum.
O que ninguém sabe é que o Marcatti teve algo a ver com isto tudo (nem mesmo ele), e eu nunca pude agradecer. Fui certa vez a uma palestra na gibiteca Henfil e conversei com o Marcatti. O conselho dele foi este: vá fazendo suas histórias sem a preocupação em publicar, quando tiver um número de páginas razoável, reúna em um álbum e publique você mesmo. Pensei um bocado nestas palavras.
Folheei o livro recentemente após muitos anos, e me parece uma boa hq de ação, embora num traço bem amador. Houve uma época em que ficava constrangido com minha inabilidade em narrar certas passagens. Como aquela em que a gatinha Alice esnoba Zé Gatão por exemplo. Já tinha sido vítima de adolecentes que desdenham de você quando na verdade estão afim. Eu não soube transmitir esta ideia e me pareceu algo idiota e desnecessário no contexto. Na verdade eu não tinha um método prático de como criar uma história em quadrinhos. Eu tinha uma noção e fui desenhando a medida que elas iam fluindo, geralmente no final da noite após chegar do trabalho. O início, meio, e fim já estavam concebidos antes de me lançar na tarefa, mas eu não tinha exatamente um roteiro traçado.
Sabem, não me arrependo de nada, mas confesso que pensei que nós (brasileiros) estivéssemos preparados pras coisas que o álbum mostra de forma explícita, como as consequências de uma guerra (violência exacerbada, estupro e coisas do tipo), cenas de nú frontal masculino, algo comum nos comics do Corben, Liberatore e Magnus, causaram choque em muitas pessoas e o resultado disso é que fui tachado de indecente, abrutalhado  e outros adjetivos pouco simpáticos.
Algo que sempre insisto em afirmar é que toda obra artística reflete o que o artista sente naquele momento em que ela foi realizada, e também ela é o espelho de como este artista vê a sociedade que o circunvizinha.
Daí, vocês que leram o livro, podem imaginar a teia de angústias em que minha mente estava envolvida.
Tendo o trabalho pronto, me dei conta de que não havia onde publicá-lo. A ótima revista Animal seria uma excelente casa para Zé Gatão, mas ela já tinha ido pras picas havia tempos, agora não me recordo se tinha alguma editora naquela época que bancasse a empreitada, mas lembrando do conselho do Francisco Marcatti, aguardei até que se apresentasse a oportunidade de edita-la eu mesmo.
A ocasião surgiu em meados de 97. Eu e meu pai pegamos um empréstimo num banco e botamos pra rodar numa gráfica na Santa Cecília. Como eu ia divulgar? Não sabia. Como eu ia distribuir? Tampouco.
Eu ia quase diariamente à gráfica acompanhar o processo de impressão. Sempre fui arredio e ensimesmado, mas lembro que minha mãe e minha filha diziam que eu estava alegre e eufórico naqueles dias.
Finalmente os 2000 exemplares ficaram prontos e atulharam o quarto onde eu, André, Rodrigo e Samanta, respectivamente meus irmãos e minha filha, dormíamos.
Lembro que durante dois dias eu relutei em levar aos locais de venda. Pensava: quando as pessoas lerem, aí não terá mais volta. Amarão ou odiarão, ou pior, ninguém vai dar a mínima.
O primeiro local que levei foi a Livraria Muito Prazer.  Sempre fui amigo dos donos que me deram a maior força. Depois na Comix, Devir, e outros locais menores. Eu tinha que fazer o trajeto de ônibus ou metrô com aqueles pacotes pesados. Em muitos destes locais, com o meu misantropismo típico, eu me sentia um verdadeiro idiota, tentando explicar o que era o produto.
Dei um jeito de que chegasse às mãos das certas pessoas que pudessem escrever em jornais e revistas (a internet engatinhava naqueles tempos).
Uns amaram, outros odiaram, mas creio que ninguém ficou indiferente.
Muita gente torceu o nariz pelos personagens serem animais antropomorfos. Eu digo: OS ANIMAIS SÃO EXCELENTES ATORES PARA INTERPRETAR OS DRAMAS HUMANOS.
Muitos criticaram o formato álbum. Eu era um artísta da fome, desconhecido, era muita pretensão minha, tinha que ser uma revista de banca pra estar mais acessível, etc.
Outros quiseram saber se me inspirei em "Maus", do Art Spiegelman. Nada disso, queria algo entre "Animal Farm", do Orwell, "Edmundo o porco", do Rochette e Veiron que era publicado na Animal e, principalmente Rowlf do Richard Corben. 
Levei muito calote. Muitas comic shops, como a Merlin, fecharam e não recebi, Os Invasores (acho que o nome era esse) de Santos também fechou e não pude ir lá receber. Em alguns lugares onde fui cobrar pelas vendas, que foram boas, eu era tratado como se estivesse pedindo dinheiro emprestado. Mas tudo bem, faz parte do processo.
Não foi bem divulgado, apesar de algumas ótimas resenhas (se der, postarei algumas aqui). Ainda tenho exemplares deste livro. Não tenho intenção de republica-lo um dia. Fez parte da minha história por isto deixo mais este registro aqui.
Tenho orgulho do livro branco. Como não ter? Através dele conheci muita gente legal e meio que ingressei no "metier"de quadrinhos brasileiros. Um exemplar acabou chegando às mãos do lendário Jotapê Martins, mas esta já é uma outra história. 





ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 7 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A Busca – Capítulo 7: Ao saírem pela boca da passagem, por onde tinham palmilhado, por um tempo impossível de determinar, a morceguinha e o...