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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

AGUADA 2

Hello folks.
Esta foi uma das primeiras tentativas de me aprimorar na técnica de aguada.
Lembro da época que fiz esta ilustração. Só molhei o pincél no nanquim, na água e deixei a mão se mover de forma um tanto aleatória. Ninguém em casa, exceto meu pai, estava se sentindo a vontade com a idéia de sair de Brasilia para voltar a São Paulo. O clima era estranho nesta fase.
Eu particularmente estava deprimido. A arte pra mim sempre foi uma poderosa válvula de escape, principalmente aquelas que são mais desafiadoras.
Ao observar depois de tanto tempo um desenho como este, eu me surpreendo com as mudanças que se operaram no meu estilo, técnica e até na minha vida. Eu era uma pessoa totalmente diferente. Neste tempo, meu sonho era casar e ter pelo menos uns quatro filhos. Como mudei!
Anos antes tive uma única filha de um relacionamento totalmente conturbado, mesmo assim eu tinha este ideal. Infelizmente, os solavancos da jornada me fizeram repensar as coisas. E no final, tudo interfere no modo de trabalhar sua arte.
Desta estação pintei algumas telas "figurativo-realistas", mas com temas carregados de simbologias.
Quem sabe não posto algumas com o tempo?


Sei que muita gente esticou o fim de semana, amanhã é feriado, então muito obrigado a quem apareceu por aqui hoje, se Deus quiser nos encontramos de novo na quarta. Abraços a todos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

POE, CORBEN E ALAN PARSONS


Perfeito mesmo, somente Deus.
A Santíssima Trindade.
As criações humanas jamais poderiam sequer chegar à Sua sombra.
Dito isto, vamos enaltecer algumas obras terrenas que merecem comentários.
Existem manifestações artísticas que quando combinadas, tem o poder de arrebatar.
Sou fã de Edgar Allan Poe, Richard Corben e Alan Parsons.
Os que amam a boa literatura certamente conhecem Poe e seu célebre poema O Corvo, os que prestigiam as HQs alternativas com certeza já leram alguma coisa do mestre Rich Corben, e aqueles que valorizam a boa música é muito improvável que não conheçam The Alan Parsons Project.
Mas pode ser que a rapaziada mais nova esteja por fora, então só me deixe informa-lo que Parsons foi engenheiro de som do lendário Dark Side Of  The Moon do Pink Floyd, recebendo um Grammy pelo mesmo. Eventualmente ele juntou-se ao músico e compositor Eric Woolfson para formar uma banda. O primeiro disco conceitual desta parceria foi o excelente TALES OF MYSTERY AND IMAGINATION EDGAR ALLAN POE (aqui, uma das faixas é o foco da nossa postagem) de 1976. A banda fez muito sucesso, tendo vários hits tocados nas FMs durante os anos 80. Alguém aí já deve ter ouvido TIME.
Mas o que nos interessa aqui é a fusão que é apresentada neste vídeo. O triste poema do Edgar ilustrado por Corben e musicado pelo Alan Parsons.
Na verdade esta não foi a única vez que Rich se aventurou em quadrinizar o poeta americano maldito, no período Warren temos vários brilhantes exemplos e um recente e belamente ilustrado livro em que ele dá forma a alguns contos e poemas para o selo MAX da Marvel.
(Isto tudo me lembra que estou com a biografia do Poe parada, entalada como um espinho de peixe na minha garganta, GRRRRR . Mas um dia ela ficará pronta).
Portanto, meus queridos e queridas, coloquem o vídeo em tela cheia e deleitem-se com as imagens do Corben, a inebriante e misantrópica música de The Alan Parsons Project e o funesto poema de Edgar Allan Poe.
Bom fim de semana a todos e até segunda com a permissão do nosso Deus.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CINCO MINUTOS ( 06 )

Pois é, meus caros amigos e amigas, os bancos estão parados e ontem fui pagar minha conta de luz numa lotérica próxima da minha residência. A fila estava absurdamente comprida, mais do que vocês podem imaginar. Não sabia que além da greve dos bancários a mega-sena estava acumulada, não me ligo nestas coisas. Desisti. Tem sempre trabalho me esperando. Voltei hoje cedo, afinal, soube por minha esposa que alguém do Rio Grande do Sul ganhou o grande prêmio. Bom pra ele.
Levei um livro pra ler, a fila podia estar grande ainda. Não fiquei surpreso, estava ENORME. Não pude me concentrar na leitura. Havia um carrinho (chamo assim na falta de nome melhor) vendendo CDs e DVDs piratas tocando uma música de péssima qualidade numa altura vergonhosa.
Não sei, li certa vez que quanto mais musical é um povo, menor desenvolvimento tem o lugar onde ele vive. Tem lógica, decerto se o cara batucasse menos, ele produziria mais. O artigo dizia ainda que São Paulo não tinha tantos expoentes musicais (Adoniran Barbosa e mais quem?) como nos estados do nordeste. E as diferenças entre as duas regiões eram discrepantes. Mas pensando bem, esta tese não se aplica a tudo ou a todos. Afinal, os negros na Lousiania não trabalhavam melhor entoando hinos de louvor a Deus, dando inicio assim ao movimento Gospel?
Bem, deixando estas teorias de lado e voltando ao meu desabafo, não pude ler meu livro também porque por azar, sempre tem alguém puxando assunto, reclamando da vida. À minha frente uma mulher encontrou um velho conhecido e começaram aquele papo, "ah, como você está linda!", "como vai fulano?","ah, fulano tá com 13 anos, completou na semana passada..." e essas coisas.   Sou um cara muito chato, né? Já disseram que com este temperamento eu deveria morar sozinho numa cabana no meio do mato. Concordo.
Uma vez que adentrei à lotérica, reparei que haviam duas filas. Uma delas reservada à terceira idade. Pobres dos velhos, pondero. É triste pensar que depois de uma vida inteira de lutas para criar filhos e construir uma sociedade, esta mesma os abandona à própria sorte, tendo que viver de migalhas dadas por um governo carregado de iniquidade, como bancos reservados em coletivos que andam sempre lotados e coisas do tipo.
Paguei minha conta e voltei pra casa refletindo, em tempos passados estas situações serviam de combustível para as minhas criações, hoje não tenho mais vontade de fazer HQ como desabafo. Não no presente momento.
Ontem terminei mais uma ilustração. Trata-se da capa de uma edição especial do Fantasma, o espírito que anda, ainda sujeita a aprovação pela King Features Syndicate. Assim que obtiver permissão pretendo posta-la aqui.

O desenho de hoje é um dos que compõe o romance Cinco Minutos. Fico conjecturando, será que os dias do José de Alencar eram melhores? A Bíblia Sagrada nos assevera que não é sábio fazer este tipo de indagação. Sei que naquela época além de haver escravidão institucionalizada, morria-se das mais diversas doenças. Mas, sei lá... Ainda que pareça piegas, será que eles tinham mais tempo pra observar o por do sol?
Será?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

VIOLÊNCIA GRATUITA.

Antes de mais nada, um aviso: Eu nada tenho contra o militarismo. Ao contrario, admiro muito. Só que é uma vida que não serve pra mim. Talvez por ter um problema sério com autoridade. Acho que isso se dá por eu  sempre ter tido uma relação muito atribulada com meu pai. Fui militar por quase dois anos e posso dizer sem sombra de dúvidas que foi um dos piores períodos da minha vida. Mas teve um peso muito grande em minha existência. O que você aprende ali, para o bem e para o mal, se carrega para sempre.
Penso que o ambiente militar, traz a tona o que um homem tem de melhor e também o que ele tem de pior, dependendo da índole. Na caserna você aprende a ter apreço pela limpeza e pontualidade (algo infelizmente tão nulo em dias atuais), respeito pela hierarquia e pelas instituições. Creiam, são coisas positivas e que devem ser cultivadas no ser humano. Hoje em dia não se reverencia mais nada. Ninguém quer saber de ouvir os mais velhos, sejam eles pais ou professores. 
Reparem que muitos que curtem HQs, debocham do Superman, e enaltecem o Wolverine, um "herói" que deixa fluir seus instintos mais básicos, doa a quem doer.
Em compensação, quando naturalmente o individuo é ruim (eles existem e não são produtos do meio, creiam), ele encontra no refugio militar o local perfeito para exercitar toda a sua perversidade.
Bem, estas são divagações minhas lastreadas por experiências reais que vivi. 
Estas páginas de quadrinhos que e encontrei por acaso num dos meus envelopes que contém artes que não foram publicadas, eu fiz sem planejamento algum, apenas pra dar vazão a um conceito. Foi baseada em fatos dos quais fui testemunha ocular (evidentemente com o tom "tarantinesco" e exagerado no tema).





terça-feira, 5 de outubro de 2010

MINHAS INFLUÊNCIAS ( BERNIE WRIGHTSON ).

Bernie Wrightson também é conhecido como O MESTRE DO MACABRO.  Este epíteto lhe cai como uma luva, pois neste quesito o cara só emparelha com o saudoso Graham Ingels, o famoso "GHASTLY".
Wrightson, como o talentoso artista que é, seria capaz de dar vida a qualquer coisa, inclusive hqs românticas, mas especializou-se, talvez por motivos pessoais, em histórias de terror ou comics que contenham algum elemento grotesco ou sobrenatural.
Se vocês só o conhecem por intermédio de  hqs medianas como "Batman, o Messias", ou "Alien x Batman" ou aquela bobagem inqualificável do Justiceiro "pós-mortem", pare de ler isto aqui e vá para o Google e pesquise sobre sua obra prima, Frankenstein, sobre seu período na Warren Magazine ou House of  Mystery. É dele a criação, junto com Len Wein, do Monstro do Pântano.
Eu o conheci em 1976 nas páginas da revista Kripta da RGE, mais exatamente, no segundo número em que ele quadrinizava um conto de Lovecraft chamado "Ar Frio". Na minha opinião, são poucas histórias de Lovecraft que são quadrinizáveis, Herbert West Reanimador seria uma delas, a outra é Ar Frio, e Wrightson cumpre a tarefa de forma magistral. O cara consegue condensar a narrativa em 7 páginas com toda a atmosfera terrorífica.

O Monstro do Lago Pepper, Crepúsculo, Jennifer e muitas outras fizeram minha cabeça. Aqueles traços que muitas vezes beiravam o caricato, aqueles ângulos improváveis, aquela iluminação irreal me fizeram crer que nos quadrinhos tudo era possível. Eu já tinha experimentado um pouco desta emoção ao ler Gerard Schnobble de Will Eisner em 1975, mas foi Bernie quem coroou o bolo com a cereja.
Sou péssimo para desenhar mãos, morro de inveja da maneira como Wrightson desenha as de seus personagens. Acho que de tento tentar imita-lo, as mãos que desenho hoje, são uma pálida idéia de como ele faz.
Sua obra máxima, como ele mesmo ressalta, são as ilustrações que ele fez para o livro Frankenstein de Mary Shelley. Ali podemos vislumbrar suas influências que vão de Franklin Booth a Roy Krenkel.
Creio que uma das coisas que define um artista genial, sejam alguns elementos sempre presentes que caracterizam suas obras, por exemplo, as mulheres do Frank Frazetta são "gordotas" e tem as maçãs do rosto salientes, os heróis de Corben são atarracados e musculosos, as mulheres tem seios fartos e por aí vai.
Em Bernie Wrigtson eu diria que são aqueles enormes dentes encavalados de suas criaturas, os imensos olhos odiosos como que perscrutando o interior de sua alma.
Não saberia dizer porque a qualidade do seu traço decaiu da década de 80 pra cá, nos quadrinhos pelo menos. Já ouvi dizer que poderia ser problemas de saúde. Talvez ele tenha se reinventado e sua performance
atual não agrade a mim particularmente.

Atualmente, mais que qualquer outra coisa, ele tem criado designs para o cinema. É dele as criaturas daquele ótimo filme baseado no conto do Stephen King, O Nevoeiro, dirigido pelo Frank Darabont.
Mas o que ficará marcado para sempre em mim e nos meus traços são as imortais criações deste fantástico artista durante toda a década de 70.







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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

CAPA PARA A REVISTA "GAMERS" 02

Shinobi. Eu nunca tinha ouvido faler dele. Fiquei sabendo que era um ninja de roupa branca em 1994 quando fui pegar as referências para uma nova capa da revista Gamers. Lá, só me deram uma fita cassete com um trailer do jogo. Era tudo o que tinha pra fazer a arte, e não era muito. O resultado foi esta imagem que vocês conferem hoje. Óleo sobre tela.
Mais interessante que a capa em si, foi um acontecimento paralelo que se deu em minha vida naqueles dias, envolvendo uma garota, amiga de uma namorada do meu irmão. Sexo, intrigas, mentiras, ciúmes, violência e morte!!!!!!!!!!
....... Certo, sei que vocês não acreditaram, pra ser sincero nem sexo teve, mas mentira teve sim. Eu analiso a mentira da seguinte forma, geralmente as pessoas faltam com a verdade para se proteger ou para prejudicar a outrem.
Eu me senti prejudicado e até hoje não entendo a razão; bem, a vida tem destas coisas.
Comentei em dias passados que estava trabalhando num quadrinho de três páginas que estava dando dor de cabeça, lembram? Pois é, deu trabalho pra fazer o layout.
Recusaram.
Justificaram dizendo que ficou vulgar e grosseiro. Mas vulgar e grosseiro porquê?!? Foram eles que passaram toda sinopse quadro-a-quadro! Eu só teria que dar um visual à ação. Queriam algo parecido com o traço do Milo Manara.
Bem, que peçam a ele pra fazer então, eu tô fora.
Éééé meus amigos, esta é a vida de desenhista.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

AGUADA

A técnica em aguada nunca foi fácil para mim, pensando bem, nenhuma é. Todas tem o seu quilate de dificuldade, mas é lógico que existem aquelas que nos sentimos mais à vontade. Para mim não é o caso da aguada. Trabalhar com nanquim já não é tarefa lá muito confortável, envolvendo água então....
O exemplo que temos hoje aqui foi a minha primeira tentativa neste sentido. Usei um pouco de guache branco para acentuar alguns brilhos e...argh, comprometi a arte. Pra piorar fiz num papel de gramatura leve que enrugou a base.
Mas passado todos estes anos, noto que ela tem sim um certo charme. Pelo menos ela recebeu elogios do renomado pintor  José Roosevelt.
Com o tempo fui melhorando nesta técnica, cheguei ao ponto de criar toda uma hq assim. Mas nem por isto fiquei muito confiante.


Bem, como eu havia dito numa mensagem anterior, a partir de agora deixo de postar aos sábados e domingos, salvo é claro se tiver algo importante a dizer ou me sentir compelido a faze-lo. Sentar aqui e devanear é para mim um prazer enorme, mas realmente meu tempo anda muito curto e preciso dedicar mais horas à prancheta.
Dito isto, muito obrigado pelas visitas, tenham um bom final de semana, domingo é dia de votação, seu voto é importante, faça-o com sabedoria.
Se Deus permitir estarei de volta na segunda.

ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 7 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A Busca – Capítulo 7: Ao saírem pela boca da passagem, por onde tinham palmilhado, por um tempo impossível de determinar, a morceguinha e o...