img { max-width: 100%; height: auto; width: auto\9; /* ie8 */ }

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O BOM E VELHO MACHADÃO


Ontem pela madrugada terminei os CONTOS SELECIONADOS DE LIMA BARRETO, foi um trampo cansativo, não exatamente pelas artes, mas pelo prazo muito apertado, e acima de tudo tinha que manter o padrão de finalizações que escolhi para esta linha de livros clássicos.

Até que apareça outro job, estou desempregado; bem que gostaria de aproveitar este tempo livre para retomar a biografia do Poe ou dar continuidade aos meus projetos pessoais parados a tanto tempo. Mas não sei se será possível, parece que a historinha da água para a COMPESA está sendo ressuscitada, aguardo uma ligação a qualquer momento.
Isto é bom, pois significa contas pagas em dia, por outro lado as artes pendentes vão envelhecendo nas gavetas.

Well, vamos seguindo em frente.


A arte de hoje é a capa para "RELÍQUIAS DA CASA VELHA" do Machado de Assis, pronta já faz uma data. Aquarela no papel canson. A paisagem foi inspirada num quadro do Almeida Júnior.
Esta nova fornada de livros deve ser impressa ainda este ano se Deus quiser.


Fiquem bem.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O ESCARAVELHO, DE DANIEL MUNIZ .

Ontem na minha página no Facebook tive a grata satisfação de encontrar uma mensagem do artista Daniel Muniz dizendo que o curta que ele estava produzindo sobre seu personagem O ESCARAVELHO já estava pronto. Trabalho muito legal e que merece ser visto. O Daniel é destes caras que não esperam que a coisa aconteça, ele bota a mão na massa (literalmente) e faz a coisa acontecer. De quebra, na abertura da animação, ele homenageia personagens brasucas (inclusive um certo felino, cria deste vosso humilde escriba).
Tentei colocar o vídeo aqui mas não consegui. Segue então o link:

http://www.youtube.com/watch?v=jS9vj21VGeo&feature=youtu.be

Para saber mais sobre O Escaravelho:

http://hqquadrinhos.blogspot.com/2011/07/escaravelho-by-daniel-muniz.html

O blog do Daniel Muniz:

http://www.danielrmuniz.blogspot.com/

Sucesso Daniel e grato mais uma vez pela homenagem.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

NOVIDADES EM BREVE

Passagem rápida aqui pra noticiar a vocês dois projetos que (espero) em breve entrarão no forno.

Aqueles que me acompanham a mais tempo certamente se lembrarão de um curso que desenvolvi de como desenhar super-heróis que foi abortado por uma editora de renome. Inclusive, várias imagens foram postadas aqui; pois bem, o dito material sairá em breve por uma outra editora. Aliás, este tema parece ser as minhas postagens mais populares, como pode ser verificado à direita desta página.
Ainda não há contrato assinado, nem nada, mas já estou retrabalhando os textos. Na verdade por causa do número de páginas tivemos que mudar o foco do projeto, será mais uma vez um estudo de anatomia, mas agora para super-heróis, com vários passos a passos de como desenvolver uma figura heroica, segundo a minha ótica, naturalmente.

A outra possível publicação trata-se da compilação em livro das HQs eróticas que criei nos anos 2001 e 2002. Digo possivelmente, por que já não é a primeira vez que um editor tenta juntar este material sem sucesso. Mas os interessados estão bastante entusiasmados, então vamos aguardar.
Pra ser sincero fico um pouco constrangido com estes quadrinhos, não pelo tema, mas é que embora tenham bons momentos, há passagens que eu poderia ter feito melhor, sei lá, acabo pensando assim em relação a tudo que faço, então...

Mas é coisa para o ano que vem, se tudo der certo. O de super-heróis deve sair primeiro.

A arte de hoje é a última ilustração de "Memórias De Um Sargento de Milicias".
Beijos pras gatinhas e abraços pros gatões. Fui.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

PAUSA PARA UM CHARUTO E ALGUMAS REFLEXÕES.

Esta semana na verdade nem era pra eu fazer postagens mais longas, me atrasei (como sempre) com alguns trabalhos e agora terei que recuperar o tempo perdido (como se fosse possível) se quiser receber dentro de um  prazo pra eu não ter que enfiar o pé na lama de novo. Só que mais uma vez me dou conta que não estou mais com 30, 40 anos, tenho me cansado rápido, no momento minha mão direita clama por água com gelo e uma gostosa massagem, se volto à prancheta agora (e eu precisava muito) a qualidade do traço fica comprometida. Descansar é preciso. Tem também o desgaste mental, daí o porque de me ausentar daqui um pouco, mas na semana passada ocorreu algo que me fez pensar (sim, por incrível que pareça, eu penso!) e uma ideia ficou na minha cabeça como uma torneira que pinga no silencio da escuridão. VIREI VERBETE DE ENCICLOPÉDIA.

Fui a uma consulta na sexta última e aproveitei pra ir ao shopping resolver umas coisas, pra não perder o costume eu entrei numa livraria pra dar uma olhada nas novidades. Agora é comum as grandes livrarias terem um espaço dedicado aos quadrinhos, então passei uma vista d´olhos pelos títulos e na seção de lançamentos me deparei com A ENCICLOPÉDIA DOS QUADRINHOS, da autoria do Goida e do André Kleinert . O Goida na verdade já tinha lançado uma edição da Enciclopédia dos Quadrinhos no início dos anos 90, mas era algo mais modesto. Esta nova edição está bem ampliada, com mais verbetes (grande parte deles de autores nacionais), mais informações e ilustrações e tal.
O livro é encorpado, bonito de se ver, como tinha pressa só dei uma folheada; claro que fui direto na letra "S", e foi uma surpresa encontrar o meu nome ali, por que na real, eu me considero um autor de HQs que ainda não conseguiu sair do underground, do esqueminha alternativo, enfim não sou um quadrinista popular ou se você prefere, não sou do primeiro time (e nem do segundo), daí é lisonjeiro que alguém tenha lembrado que eu existo.
Dei uma lida na informação e saí de lá bem satisfeito. Verdade, todos queremos ser citados, ninguém está imune a isso, pode ser o Bukowski, o Poe, o Lovecraft. Na verdade passamos a vida buscando a aceitação. Tem o fator vaidade claro, mas o que me interessa hoje quando vejo algo assim é, no que isso pode me ajudar a dar um passo além? Nada talvez, aí então o que sobra é apenas aquele orgulhinho besta de ser citado num livro.

Mas o que me levou a escrever sobre isto, além de me exibir, foi que fiquei ruminando o texto da enciclopédia. Ali falava, lógico, do Zé Gatão, que com um único álbum eu, blá blá blá... sim, citava também  meus álbuns de anatomia. "Um único álbum?" Existem pessoas que só conhecem o primeiro gibi do Zé Gatão, e tem pessoas que só ouviram falar daquele que saiu pela Via Lettera. E pelo visto pouquíssimos sabem que saiu o terceiro pela PADA e o quarto pela DEVIR. Boa parte dos que me que me conhecem nunca viram os quadrinhos eróticos que fiz no início do novo milênio. E porquê? Simples, alguns trabalhos não são divulgados adequadamente, outros são alardeados a exaustão.
Certa vez eu e o Arthur Garcia conversávamos sobre isto. HQ nacional não vende, diziam; sim, não vende naturalmente porque não existe propaganda do produto. Ah, mas o Maurício de Souza tem mais saída que Homem-Aranha e X-Men juntos. Óbvio, porque dos produtos dele todos falam a respeito.
O que levou as Spice Girls fazerem tanto sucesso naquele período? Não quero aqui discutir modismo ou qualidade musical, só lembrar que a difusão em cima das garotas foi maciça.

O Goida e o André Kleinart, com certeza nem sabem que existem mais HQs minhas por aí. Divulgação e distribuição ainda continua sendo um problema pra mim. Com isto não estou dizendo que meus editores não fizeram um bom serviço, eles querem vender, talvez os jornalistas especializados se esqueçam ou não deem bola, sei lá. A esta altura do campeonato já nem interessa mais pra ser sincero. Como já disse aqui, fiz a minha parte.

Para quem se interessar por mais informações sobre esta publicação seguem aí um link com uma entrevista legal com o Goida:
http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp?TroncoID=805133&SecaoID=500709&SubsecaoID=0&Template=../artigosnoticias/user_exibir.asp&ID=527221

Beijos a todos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O DEMÔNIO INTERIOR.

Ele já estava cansado de filas, aquela era a terceira que ele enfrentava em um curto espaço de tempo. A primeira foi no caixa eletrônico pra ver o saldo. Havia uma velha e um gordo na sua frente. Ele sabia, gordo é velho é garantia de lentidão aonde quer que seja. Não deu outra, foram mais de 20 minutos pra uma simples operação de verificação de extrato e saque.
A fila seguinte foi no mercado, ele só fez as compras que sua esposa pediu antes de ir pagar a conta na casa lotérica porque havia poucas pessoas na fileira. Ledo engano, os poucos caixas de atendimento eram mais lerdos que uma lesma manca e foram pelo menos mais 25 minutos de desperdício de tempo. O pior era um cara atrás dele, falando como um revolucionário idiota, que o que faltava era concorrencia, que aquela demora toda era porque brasileiro não gostava de trabalhar. Na sua frente uma velha começou a dizer que todo mundo reclama mas na real ninguém faz nada pra mudar, em vez de observar o pôr do sol, ou ouvir o canto dos pássaros, as pessoas preferem se queixar. Estava entre a cruz e a espada.

Na lotérica a fila não demorou tanto, quando chegou a sua vez foi atendido por uma negra obesa e estrábica, ela olhou para ele dando a impressão que fitava o cara de trás. Primeiro fez sua fézinha na mega sena, pagou com uma nota de dois reais, uma cédula que parecia ter sido ruminada por um bovino doido e depois cuspida. Estava louco pra se livrar dela. A mulher pegou a nota com nojo. Depois ele apresentou a fatura. A negra digitava enquanto conversava com a colega do lado, ambas atrás de um vidro espesso com película. Pagou meio sem jeito por causa das sacolas com as compras. Olhando para a pessoa de trás a enorme atendente perguntou algo. "Quê?!?" Indagou.
"Tem dois reais pra ajudar no troco?" O tom da mulher era ríspido e impaciente. "Não, não tenho". Com um bufar na respiração a gorda lhe deu o troco, ainda conversando com a parceira. Alguém atrás reclamou da demora, pensou que fosse o cara do mercado, não era, é que o mundo estava cheio de gente assim. Pelos menos esses verbalizavam o que sentiam. Ansioso pra sair dali, meteu as moedas e cédulas no bolso e ganhou a rua, batia uma brisa fresca vinda do leste, foi aí que conferiu o dinheiro e se deu conta de que a nota  de dois "triturada" tinha voltado pra ele, e pior, faltava ainda dois reais no troco. A mulher arrogante, papeando com a amiga, não prestara atenção ao trabalho. Voltou pronto para a reclamação, mas desistiu ao constatar que ela estava tendo um violento entrevero com outro cliente.
Dois reais não valem a pena mais uma dor de cabeça, pensou, depois ele errou não verificando a grana ainda na presença do caixa.
É, não tinha sido um bom dia.

 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ZOO DOIS, MAIS UMA VEZ.


Recebi esta semana (não, minto, semana passada) meu exemplar autografado do Zoo 2 do meu companheiro de tantos anos, Nestablo Ramos Neto.
Rapaz, ler uma HQ tão envolvente, tão bem ilustrada, escrita de forma que te convida a entrar na trama e não largar até chegar a última página, me faz crer que realmente os quadrinhos nacionais vivem um bom momento. Não acho que exista um mercado ainda, mas já falamos disto, né?
Tenho percebido que há uma tendencia em muitos gibis atuais ao traço mais tosco, mais sujo, por assim dizer. Um desenho feito com pincel grosso, quase seco, primário até. Não digo isto com tom de crítica, embora pareça. Trata-se de estilo, de auto-expressão, de dar mais voz ao conteúdo que a forma (embora isto também seja uma bela desculpa para não fazer a coisa direito). Já ouvi pessoas dizerem que estão cansadas do traço certinho, eficaz, querem ver coisas mais "ousadas". Então é natural que uma graphic novel como Persépolis faça tanto sucesso (aliás, não li ainda, tenho curiosidade) e venha no vácuo um monte de coisas duvidosas. Por estas e outras, o Zoo 2 é algo tão legal.
Netão, como costumo chama-lo, critica de forma franca os maus tratos aos animais, levantou esta bandeira e pelo visto vai lutar esta guerra até o fim através do seu belo trabalho, não importando quão difícil seja. E o faz com muito estilo, elegância e bom humor, o que dilui a violência de algumas cenas. Enfim, é um excelente álbum. Recomendo.

E puxando brasa para a minha sardinha, Zé Gatão faz sua pequena (mas eficaz) participação como mostra uma das páginas abaixo. Obrigado pela homenagem amigão.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ZÉ GATÃO - CRÔNICA DO TEMPO PERDIDO (ENCERRAMENTO)


Embora eu sempre afirme que um dos meus sonhos é ler algo que tenha publicado sem me sentir constrangido, não posso deixar de sentir certo orgulho de algumas coisas que produzi, e isto é muito mais pela sensação de dever cumprido do que propriamente pelas qualidades da obra em si. Uma parte de mim insiste em afirmar que poderia ficar muito melhor (de fato é verdade), enquanto outra parte tenta me convencer de que faço o melhor que posso com as condições que disponho (o que também não é mentira). Mas há uma ponta de tristeza quando vejo um material, como o meu segundo álbum, se despedindo do público. Trata-se de "Crônica Do Tempo Perdido".


 Conversando com o editor da Via Lettera fiquei sabendo que o foco da empresa no futuro não serão os quadrinhos, e Zé Gatão (que nestes quase dez anos de editora não foi exatamente um sucesso de vendas) não terá uma segunda edição. A editora possui pouquíssimos exemplares em estoque, fora alguns consignados ainda com alguns clientes, portanto, você que está conhecendo agora e tem interesse em adquirir, ou já conhece a muito tempo e sempre adiou a aquisição, eu aconselharia não perder tempo e procurar em alguma Comic Store ou pela internet, soube que o Submarino possui o item em promoção, e também algumas livrarias virtuais. Já me passaram e-mail perguntando se tenho para vender. Não, não tenho.
Evidentemente sempre há a possibilidade de republicação por outra editora, mas na boa, eu duvido que isso aconteça.
De qualquer forma fica aqui expressa a minha gratidão aos editores Jotapê Martins, Monica Seincman e Roberto Gobatto.


A Via Lettera editou 1000 exemplares deste livro. A população brasileira ultrapassa o número de 180 milhões de habitantes. Tiremos a grande porcentagem de analfabetos, subtraiamos os que não tem o habito de ler quadrinhos, separemos os que só curtem HQs de humor, super heróis ou mangás, coloquemos de lado os que desprezam o material nacional que não seja Monica ou Pererê. Afastemos os que não tem grana pra gastar com gibis caros vendidos em livrarias. O que sobra? Um número reduzido que gosta de colecionar  material alternativo, ou indie, ou underground, ou como raios você chame. Tenho certeza que são poucos, mas ainda assim certamente ultrapassa os tais mil. Entendem o que quero dizer?


Bem, não posso me queixar no final das contas. Limitei muito o meu público fazendo meus quadrinhos como quis (que no fundo faz parte de um grande desabafo), e não me arrependo. Fiz sozinho, ninguém me apontou um único lápis. Demorou, mas consegui publica-los sem fazer parte de grupos ou panelas. Acho que posso me considerar um vencedor.
Glórias a Jesus.

UMA VIDA NORMAL

   Eu queria muito vir aqui com notícias boas. Na verdade tenho sim, boas notícias, uma delas é que fiz agora há pouco a minha terceira refe...