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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

AMOR E DOR ( Um conto de Luca Fiuza sobre o UNIVERSO ANTROPOMORFO criado por Eduardo Schloesser)


AMOR E DOR

Seis meses haviam transcorrido e a vida de Zé Gatão seguia normal, sem sobressaltos. Era da casa para o trabalho e do trabalho para casa. O felino, no entanto, se mantinha alerta. A calmaria aparente poderia se converter a qualquer momento em uma tempestade mortal.
        Meio-dia. O felino cinzento almoçava em seu canto. Mastigava sem vontade. Na verdade, não sentia fome. Notou um jovem contínuo, um camundongo simpático, aproximar-se. Trazia um envelope. Ao recebê-lo, o felino macambúzio notou o perfume delicado que exalava do singelo envelope cor de rosa. Zé Gatão agradeceu ao jovem roedor que se retirou sorrindo um pouco, decerto pensando alguma bobagem. Abriu o envelope e tirou dele uma carta escrita com esmero. As letras pareciam desenhos artísticos. Leu com atenção as seguintes palavras:

 Meu querido,
Custei a encontrá-lo. Tenho observado você de longe. Sei onde mora, onde trabalha e a que horas entra no serviço...o momento exato em que volta para casa. Você é uma criatura excepcional! Apesar de meus cuidados,vejo que mesmo não tendo me visto ou ouvido você se porta como se sentisse estar sendo observado! Temos que terminar aquele nosso assunto. Encontre-se comigo no parque esta madrugada. Estarei à sua espera.
Com amor, sua tigresa fatal.

Zé Gatão não conseguiu decifrar o que havia por trás daquelas palavras. Estaria a felina selvagem gracejando? Brincando com seus sentimentos, talvez? O coração do gato batia descompassado. Em sua mente havia medo de seus próprios sentimentos e dúvidas atrozes Não sentia raiva. Apesar de tudo, nunca sentira. Iria ao encontro guiado por um desejo desenfreado que nem ele compreendia.
Três horas da madrugada. Uma lua pálida iluminava o céu estrelado. Alguns postes de luz lançavam uma luz amarelenta sobre bancos quebrados, mal destacando o piso de pedra desgastada que cobria o parque em quase toda a sua totalidade. Estava quente. Zé Gatão usava uma camiseta vermelha. Calça preta e botas de cano curto marrons completavam sua indumentária.
De repente, ela surgiu das sombras. Bela, altiva. Camiseta preta e curta sem mangas, revelando o ventre firme e musculoso. Calça estilo militar de um azul escuro. Na cabeça uma faixa vermelha cingia os cabelos fartos amarelos e entremeados de listras negras. Calçava um par de botas pretas pesadas. Aproximou-se lenta, como se estivesse se acercando da presa. Zé Gatão ficou imóvel à espera. A felina parou diante do grande gato e disse numa voz cristalina:
- Estou desarmada. Antes de qualquer coisa, temos que falar. – Sentaram-se em um dos bancos.
- Estou ouvindo. – Respondeu lacônico, o felino taciturno. – Ela prosseguiu:
- Fiz parte de um comando das Forças especiais da Marinha. Realizava missões secretas e não oficiais para o Governo. Em certa missão a mando de meus superiores, assassinei um governante de um país inimigo. A coisa toda foi descoberta e só eu paguei. Fui expulsa da Marinha e presa por 15 anos. Eu era muito jovem naquele tempo. Quando fui libertada não tinha perspectiva alguma. Minha vida não tinha qualquer sentido. Então conheci você.
- Por favor, me diga! Você realmente sente alguma coisa por mim? Seja sincera! Eu amo você! Por isto fui com você naquela noite e por isto estou aqui. – O rosto dela se tornou extremamente terno. Zé Gatão sentiu-se desabar.
- Eu te amo grandão! Mais do que possa imaginar!
        O felino sentiu sua alma se iluminar. Ela continuou:
- Zé...! Carrego em minha consciência o remorso pelos crimes que cometi em nome do meu país, das vidas que tirei. Sei que deixei muitas famílias sem pai! Fêmeas sem marido! Eu mereço ser punida! E ninguém melhor do que você que conquistou meu amor e adoração para finalmente redimir meu espírito!
- N-não posso fazer isto! Olha, você se arrependeu! Vamos começar uma vida nova! Só você e eu. Eu te amo, minha tigresa!
- Também te amo, Zé Gatão! Você é muito mais que eu mereço. Por isto, ou você me mata ou eu te mato! 
Subitamente, ela saltou sobre o felino cinzento tentando cingir seu pescoço em um aperto mortal. A custo, Zé Gatão evitou o golpe e derrubou-a ao solo. Em um átimo, ela se ergueu. Zé Gatão a olhava suplicante. Nos olhos dela, ele viu uma determinação pétrea, mas também um amor pungente, verdadeiro.
Lutaram ferozmente. Era a técnica de combate dela contra a luta de rua dele. Afastaram-se um do outro por alguns segundos. Ela saltou. Aproveitando a força do movimento da opositora, Zé Gatão atirou-a para trás e ela foi se chocar violentamente contra um poste próximo. Com um grito sufocado ele correu até ela. Estava seriamente ferida. A tigresa morreu nos musculosos braços de um Zé Gatão desesperado. O felino percebeu um lampejo de agradecimento nos olhos mortiços da amada. Abraçado ao cadáver, chorou como nunca em toda sua vida.



terça-feira, 10 de novembro de 2015

A NOITE DA TIGRESA ( Um conto de Luca Fiuza sobre o UNIVERSO ANTROPOMORFO criado por Eduardo Schloesser)


A NOITE DA TIGRESA 
        
Fazia quase um ano que Zé Gatão estava trabalhando naquela fábrica de alimentos da rede Appetito, grande fornecedora de supermercados, restaurantes e bares da cidade de FENELONIA, dos mais chiques aos mais popularescos. FENELONIA era uma cidade industrial média, poluída e fedorenta que também concentrava fábricas de automóveis e algumas importantes refinarias químicas. As águas dos rios próximos eram poluídas e mortas. A água consumida pela população tinha que ser processada mil vezes antes que se tornasse algo potável. Do solo estéril nada mais frutificava há muito. Verduras, frutas e outros gêneros de necessidade eram importados e caríssimos. Appetito fornecia alimento fresco para seus clientes endinheirados, dentre eles o Governo a preços superfaturados. Um grupelho saía sempre ganhando. Para o povo que não podia comprar comida de verdade sobrava um alimento sintético vendido a preços módicos em supermercados populares da mesma rede Appetito que tinha o nome irônico de hipermercados A Boa Mesa, já que a tal comida sintetizada de refugos artificiais era uma imitação barata da comida verdadeira.  Como não conhecia outra coisa, o povo comia sem reclamar e até gostava.
Zé Gatão conhecera há algumas noites uma belíssima tigresa em um dos muitos barzinhos da cidade que frequentava com colegas de trabalho depois do expediente. Ela era de fora da cidade. Gato e tigresa passaram a sair juntos. Vários gatos que trabalhavam e saíam com o felino taciturno na noite ficaram enciumados e cortaram relações com Zé Gatão, o que no fundo para ele era um favor. Em sua maioria aqueles felídeos não passavam de um bando de desmiolados que ficavam mais idiotas ainda depois de uns copos de cerveja.
Na noite em que o felino macambúzio conheceu a tigresa ele estava com uns colegas  de trampo entornando umas cervejas em um dos barzinhos mais movimentados da cidade. A postura circunspecta e ponderada de Zé Gatão chamou a atenção daquela gata selvagem e imponente. Corpo ágil, forte e musculatura trabalhada sem grandes exageros. Usava uma blusa verde justa de mangas curtas que delineava suas formas. Um colete de brim azul escuro completava sua indumentária. Levantou-se de brusco. Uma calça preta justa mal escondia a poderosa musculatura de suas pernas. Sua figura respirava sensualidade e autodomínio. Ela logo se aborreceu com as pilhérias e a abordagem barulhenta dos colegas de Zé Gatão que se aproximaram da mesa dela sem convite. Sua cauda oscilava como sinal de sua irritabilidade.  Zé Gatão não acompanhou os indelicados e turbulentos colegas, ainda vestidos em roupas de trabalho que evidenciavam sua musculatura pesada de trabalhadores braçais. O felino cinzento deixou-se ficar no balcão bebericando sua cerveja estupidamente gelada. Notara o olhar daquela fêmea interessante em direção a ele, devolveu o olhar, mas manteve-se em uma postura discreta. Falando alto e soltando muitos palavrões, os companheiros de trabalho de Zé Gatão cercaram a mesa da tigresa, convidando-se desaforadamente para sentar com a linda fêmea. Com um olhar granítico, ela avançou e passou entre dois dos inconvenientes felídeos demonstrando a intenção de ir ao balcão. Uma mão rude a segurou pelo braço e com um tom de voz sarcástico indagou onde “a gatinha pensava que ia”. Era um gato malhado de físico quadrático e largo. O bafo de cerveja misturado com cigarro barato era nauseante. A tigresa nem se dignou a olhar para aquele néscio. Em um movimento rápido deu uma violenta torção na braçola daquele infeliz, fazendo-o curvar-se enquanto um urro feio escapava de sua goela. Calou-o com uma cutilada na nuca que atirou aquele palhaço no mundo dos sonhos! Surpreendidos, os amigos do desafortunado pensaram em dominar aquela fera e dar-lhe uma boa lição, mas o olhar penetrante e feroz que a tigresa lhes lançou, amedrontou-os profundamente. Tal fato soltou inesperadamente os esfíncteres daquela súcia, forçando-a a correr imediatamente ao mictório do estabelecimento.
Zé Gatão observou tudo e não deixou de impressionar-se com os movimentos, a segurança e a habilidade da fêmea de tigre que caminhava maciamente em direção a ele. Pelo seu estilo de luta, ela provavelmente pertencia ou pertencera às Forças especiais de alguma das forças armadas. Zé Gatão ficou ainda mais interessado naquela fera sensual. Conversaram um pouco e resolveram procurar outro local. O felino não deu ouvidos ao chamado dos colegas que queriam saber aonde ele ia. A tigresa perguntou se aqueles imbecis eram seus amigos. Zé Gatão respondeu laconicamente que não e dali saíram para uma boate barata, onde tomaram um vinho tinto vagabundo e comeram daquela comida sintética que engoliram com grande esforço.
Estavam namorando há quase um mês. Certa noite, a tigresa convidou o felino taciturno a ir a um motel de luxo. Constrangido, Zé Gatão disse que não tinha dinheiro para pagar uma noite em lugares assim. A tigresa riu e disse que ela pagaria. Zé Gatão objetou veementemente. A tigresa disse para ele deixar de ser antiquado. Puxou-o pelo braço. Tomaram um táxi e se dirigiram para os bairros nobres.
Em meio a lençóis limpos e perfumados os dois se amaram intensamente. Esgotados, dormiram profundamente, abraçadinhos.
Por volta das quatro horas da manhã uma estranha sensação acordou Zé Gatão. Alerta ao máximo, sentiu um corpo pesado sobre o seu. A tigresa estava em cima dele no escuro. A visão aguçada do felino percebeu o braço erguido no escuro que trazia na mão uma enorme faca de caça. Instintivamente, o felino segurou aquele braço, dono de uma força impressionante. Lutou desesperadamente, enquanto a lâmina se aproximava de sua garganta. Empurrou com força e lançou sua atacante para longe si. Ouviu-a cair no chão fora da cama. Em um movimento brusco, o felino acendeu o abajur de cabeceira e sua luz iluminou fracamente o ambiente. Neste ínterim, a felina feroz já estava de pé. Zé Gatão estava também em pé na cama, ambos nus. Duas figuras vibrantes de energia e tensão. A tigresa saltou na cama de faca em riste. Zé Gatão evitou o golpe e a derrubou na cama, ficando por cima dela. A tigresa era uma profissional em luta corporal e tentou dar uma cutilada no pescoço do gato. Mas ali não havia nenhum amador. Ele a dominou rapidamente, cingindo-a em uma mata leão poderoso, tirando violentamente o ar dos pulmões de sua oponente.
Afrouxando um pouco a pressão, o felino quis saber o motivo do ataque. A resposta da fêmea feroz foram roncos sufocados. Zé Gatão voltou a pressionar, privando por instantes preciosos que o ar enchesse os pulmões da tigresa e oxigenassem seu cérebro. Debateu-se forte e inutilmente. Logo perdeu os sentidos.
Quando acordou estava manietada à cama com lençóis e a boca amordaçada com a fronha de um dos macios travesseiros.  Rapidamente, a mordaça foi tirada da boca da tigresa e falou mais com tristeza do que com raiva:
- Por que fez isto? Pensei que a gente se amava.
- Zé...! Me mata!
- Que?! Você é louca?! Vou deixar você aqui. Quando vierem limpar o local vão te achar.
- Se você não me matar agora, vou te caçar até no Inferno! – Zé Gatão não respondeu, Recolocou a mordaça e saiu silenciosamente do o hotel e da cidade. Uma tristeza profunda era sua única companheira.
  Em uma nova cidade cujo nome não importava, Zé Gatão despertou em seu quarto pequeno, abafado e malcheiroso da sórdida pensão em que vivia há semanas. Ficava em um bairro de má fama de ruas sujas, estreitas e mal iluminadas à noite. O dia acinzentado e frio aumentou o estado depressivo que havia tomado o espírito de Zé Gatão desde o episódio com a misteriosa tigresa. Foi para o trabalho sem vontade. Por ele teria ficado indefinidamente na cama, mas precisava trabalhar para sobreviver. Apesar do desânimo, assim que chegou, bateu o ponto e desempenhou com afinco sua obrigação, manejando com destreza a empilhadeira, transportando as pesadas sacas de café para uma área determinada de armazenamento.
 Na hora do almoço, comeu como sempre, solitariamente. Preferia assim, e os colegas não o incomodavam. Achavam-no estranho e reservado. Evitavam-no. No entanto, Zé Gatão trabalhava bem e o patrão não tinha queixas dele. O salário não era dos melhores, mas acostumado à frugalidade, o felino taciturno sobrevivia razoavelmente bem dentro de suas precárias condições.
  
Ao fim do expediente, tomou o ônibus que o levaria ao bairro tristonho onde se localizava a pensão abjeta. O felino trazia sob o braço um jornal que comprara pela manhã no caminho do trabalho, mas que não tivera tempo de ler. Entrou na pensão e mal cumprimentou a senhoria, uma velha cadela de roupas encardidas, lenço na cabeça e ar antipático. A velha rosnou algo incompreensível em resposta ao arremedo de saudação do inquilino e cada qual foi para o seu canto, o mais rapidamente possível.
A principal manchete do jornal falava do estranho caso de uma bonita e atlética tigresa que fora encontrada amarrada em um dos quartos de um luxuoso motel de um dos bairros nobres da cidade de FENELONIA. O mais impressionante foi que ao ser solta pelo camareiro que a encontrou ao amanhecer, este foi brutalmente morto por um golpe na garganta que triturou sua traqueia. Depois deste ato insano, a felina bestial desapareceu sem deixar vestígios. O camareiro era um peru. Deixou viúva uma fêmea e três filhos sem pai. A família ficou na miséria, pois seu magro salário mal dava para sustentar a ele e aos seus, enquanto o desafortunado vivia. Falou-se da presença de um grande gato cinzento que chegara junto com a tigresa, mas sobre este indivíduo também não havia nada de concreto. Desaparecera e supostamente havia amarrado a felídea à cama. Uma faca de caça foi encontrada no local e as digitais da tigresa estavam nela. A polícia não tinha pistas e se achava totalmente perdida.
Zé Gatão terminou de ler a matéria, boquiaberto com a ineficiência da polícia de FENELONIA. Melhor para ele! Não seria procurado, já que nem fora adequadamente identificado. O perigo maior residia na estranha felina que com certeza acabaria por encontrá-lo. Bem, desta vez não fugiria.  Enfrentaria seu destino de cabeça erguida.



terça-feira, 3 de novembro de 2015

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS ( 07 )


No momento trabalho no terceiro livro da nova série de anatomia. Ainda estou procurando me organizar. Sempre tive este defeito, não encontrar o caminho certo depois de um tempo parado; tento ter uma espécie de cronograma mental, tipo acordar tal horas e labutar até a hora do almoço; nos intervalos regulares, que duram em média uns 15 minutos, ler alguma coisa ou rabiscar um desenho pessoal, voltar para o tema principal, que é aquele que paga as contas e por aí segue. Claro que as atenções para a Vera e as pequenas obrigações em casa estão anexadas, mas tem vezes que algo me tira do eixo. Esta manhã acabei passando mais tempo que devia ao telefone tentando contato com uma editora e acabei perdendo "a mão" no serviço, ele não rendeu, apagava mais que o devido e fiquei procurando desculpas para não pensar nele. Uma ida ao mercado agora a tarde não estava nos meus planos e isto também atrapalhou bastante, eu e a esposa trazendo sacolas pesadas neste clima quente tira o ânimo para algo delicado como o desenho. Na verdade andei lento desde que voltei de Brasília, é natural (acho) e já recupero o pique, felizmente.

Tem dois contos do Zé Gatão escrito pelo brother Luca já a algum tempo (só esperando algumas ilustrações da minha parte) prontos para serem publicados aqui. Um deles, na verdade, tem duas partes e era pra ser postado esta semana mas não consegui tempo para colorir o desenho, mas se Deus quiser, semana que vem a primeira parte da Tigresa estará aqui.


Hoje, fiquem com mais um momento de Brás Cubas.

Espero que todos vocês estejam bem. Beijos e abraços a todos.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

MINHA PASSAGEM METEÓRICA POR BRASÍLIA.



Não via a amada família a muitos anos. Com a partida de meu pai eu precisava estar com eles um pouco. Minha mãe queria reunir os quatro filhos mais uma vez. Não foi fácil, mas ela conseguiu.
Comemoramos seu aniversário e também do meu irmão Gil, que é dois dias depois do dela.


Não gosto de postar fotos, mas neste caso elas podem falar muito mais que minhas palavras.


Estar em Brasília é como rever um antigo e importante amor perdido, um amor que continua impossível.
Infelizmente a Vera não pode me acompanhar, ficou tomando conta do forte.


Enquanto lá estive não levei papel nem caneta, queria me desconectar da minha rotina de vida, verificava meus e-mails e página do Facebook apenas uma vez ao dia para o caso de haver mensagens importantes. Não haviam. Pareço não fazer falta (isso não é ruim).


Pude rever alguns saudosos e queridos amigos também.

De volta à realidade, à prancheta e aos serviços!

Pro alto e avante!


Bom fim de semana a todos!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

ZÉ GATÃO - GILA MONSTER

Segunda-feira 19/10/2015, 11:25 exatamente.

Eu e Verônica acabamos de chegar em casa um tanto cansadinhos e frustrados. Saímos logo cedo para fazer umas compras e resolver algumas coisas no bairro de Prazeres, o sol já ardia com furor assassino. Estranhei que no caminho íamos vendo supermercados, farmácias, padarias e coisas tais com as portas cerradas. Um baita feriadão em plena segunda! Dá pra acreditar? E nós nem sabíamos! Dia do Comerciário e parece que juntaram a ele algo como o dia da construção civil ou algo assim! É sério mesmo? Tem dia da construção civil agora? Não é por nada não mas este país já tem feriados demais!
Bem, demos uma parada rápida na casa da irmã dela e tomamos um micro-ônibus lotado até a tampa para voltar pra casa. As pessoas aqui vão às praias em turmas de vinte pessoas pra cima, parecem caravanas.

A Vera foi fazer o almoço e eu volto aos trabalhos. Acabei o segundo volume da nova série de anatomia. Bom, não dá pra dizer exatamente se acabei ou não, este segundo volume parece que sofrerá alterações no texto (detesto quando isto acontece!). Enquanto isto não se confirma, faço uma pausa na série para tocar o "CARTAS MARCADAS", minha participação no NCT, já estou no lápis da página 8. Assim que tiver sinal verde eu posto umas imagens para vocês.

Terça-feira 20/10/2015, 14:25.

Chegamos em casa, eu e Verônica, a mais ou menos uma hora atrás, esbaforidos, cansados (foi uma noite mal dormida) mas desta vez com a sensação de dever cumprido. O mercado estava cheio e detonamos o dinheiro do táxi - haviam uns itens que não deveriam ficar no carrinho - então viemos de micro-ônibus, cheios de sacolas. Para mim só tinha lugar ao lado do motorista, um cara já velho (bem, ele podia até ser mais novo que eu, mas não aparentava). Gosto de ficar na minha, com meus pensamentos, mas o coroa não parava de falar.
O cara - "Rapaz, tá muito calor, o dia ideal pra ir na praia!"
Eu -  "É"
O cara - "E tomar umas geladas!"
Eu - "Éééé!
O cara - "E pôr muito chifre na mulher. Nesta vida quem não põe chifre toma chifre!"
Eu - "É?!?"
Como não estava afim de alimentar o assunto, olhei para o outro lado e não dei atenção, ele se calou.

Livre agora para falar sobre o que importa.


Como foi dito na postagem da semana passada, "A LONGA ESTRADA" ou "ESTRADA PARA O INFERNO", ou ainda "O RALI DA MORTE" foi a primeira ideia que tive para uma continuação das aventuras de Zé Gatão. Seria uma HQ quase sem texto, fortemente influenciada por Mad Max 2 - O Guerreiro Da Estrada, Tinha em mente umas 100 páginas de porradaria, muita velocidade e violência em quantidades paquidérmicas. A conclusão deveria desembocar no título "O GUARDIÃO DA MURALHA DOURADA" uma saga que seria um misto de Indiana Jones e O Tesouro de Sierra Madre - fiz uma postagem sobre o assunto que pode ser lida aqui: http://eduardoschloesser.blogspot.com.br/2013/02/da-serie-historias-jamais-contadas-ze_13.html

Como queria dar foco em narrativas curtas (parte delas publicadas no livro preto lançado pela Via Lettera Editora) adiei estes projetos maiores...  adiei e adiei e muita coisa acabou se perdendo nas diversas cenas e diálogos que ia imaginando e acumulando na cabeça. Algumas eu aproveitei em Memento Mori. Outras concepções estou pensando em ressuscitar em uma nova aventura. Conseguirei? Torçam por mim, amados e amadas, há ainda muitas histórias que quero contar.

Fora do universo antropomorfo temos "CAIM E ABEL" pela HQM, "A VIDA E OS AMORES DE EDGAR ALLAN POE" só esperando quem publique e o "PHOBOS E DEIMOS", álbum de mais de 260 páginas ainda guardado na minha gaveta.

Mas enquanto uma nova HQ do felino invocado não ganha corpo no papel, fiquem com esta cena que promete um pouco do que estou planejando.

Fiquem bem e a gente se encontra de novo por aqui na próxima semana, se Deus quiser. Combinado?

terça-feira, 13 de outubro de 2015

ZÉ GATÃO E A LONGA ESTRADA ( UM ESBOÇO ).

Os últimos tempos tem sido pacíficos, Graças ao bom Deus.

Estou nos estágios finais do segundo livro de anatomia a sair em breve pela Editora Criativo.

Estar com a mente menos anuviada com tanto estresse me dá a possibilidade de sonhar com novos projetos. Bem, nem considero tais coisas como novos projetos pois os mesmos estão a muito tempo ganhando corpo na minha mente e sei lá quando vou poder pôr alguma coisa no papel. Antes de tudo preciso cumprir minha obrigação com o NCT. Uma coisa de cada vez, né? A poucos meses eu estava fortemente inclinado a por uma pá de cal na minha produção de quadrinhos, hoje já considero a possibilidade de continuar remando contra a maré.

Recebi uma mensagem via Facebook do escritor Rubens Lucchetti sobre a nossa obra conjunta, A VIDA E OS AMORES DE EDGAR ALLAN POE e é para desanimar. Ele me comunicou que uma certa editora está interessada em publicar mas faria uma tiragem de apenas 300 exemplares, depois precisariam vender uns 220 livros para pagar os custos de impressão, só depois nos dariam um reparte para vendermos nós mesmos. Aconselhei ele a esperar mais um pouco. Já tivemos ofertas mais auspiciosas. Não tardará aparecer oportunidades melhores.

Mas a questão é essa, publicar quadrinhos no Brasil continua o mesmo trabalho de parto. O mais sensato da minha parte seria deixar tudo isto para trás, mas ainda há algumas histórias a serem contadas. O que nos leva ao esboço de hoje.


ZÉ GATÃO E A LONGA ESTRADA foi a primeira ideia que tive após a conclusão de A CIDADE DO MEDO (o álbum branco), mas abortei o projeto para me focar em narrativas mais curtas que saíram no álbum editado pela Via Lettera. Mas pretendo ressuscitar alguns conceitos numa futura aventura. Por hora só temos este rabisco e estou trabalhando numa pintura que pretendo exibir aqui na próxima postagem, se Deus permitir, onde darei mais detalhes da coisa toda.

Até lá.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O QUE VAMOS DEIXANDO PARA TRÁS.



Por mais que eu tente não consigo deixar de sentir essa estranheza frente a tudo. Vinha tendo este sentimento desde que entrei na casa dos cinquenta, mas após a partida do meu pai isto se acentuou. Uma sensação que não me deixa confortável, afinal, eu penso que se nenhuma tragédia se abater sobre minha vida, ainda tenho uns bons anos para viver e produzir.
Após o Lançamento de ZÉ GATÃO - DAQUI PARA A ETERNIDADE eu pensei: pronto, já deu, o que tinha a provar para este mundinho de merda que é o meio dos quadrinhos brasileiros eu já provei e quando a bio do Poe vier a público fechamos com chave de ouro, só para demonstrar que consigo fazer algo nas HQs além de desenhar bichos. Mas aí veio aquela vontade irreprimível de continuar a produzir graphic novels, inclusive com o felino, pouco importando quais seriam os resultados, se chegariam ao público ou não e achei isto bom. Pretendo dar sequência assim que me veja livre de alguns compromissos.

Não sou um colecionador contumaz, mas tenho cá comigo as minhas manias. Possuo uns bons quadrinhos e muitos livros de arte na estante, além de literatura clássica e de mistério/fantasia e eles, no meio de meus papeis e tintas, compõem o único canto no mundo onde realmente gosto de estar, já que não posso mais dividir um espaço ao lado dos meus três irmãos; meu estúdio de produção só perde para o leito que divido com minha esposa, me sinto seguro ao lado dela.
Parei de comprar quadrinhos e DVDs sistematicamente por dois motivos: um é a falta de dinheiro (e também de espaço) mas principalmente por não ter mais aquele momento gostoso de relaxar e me deixar levar pelo que esses produtos possam trazer e eu acho isso negativo.

Eu e meus irmãos partilhávamos deste gosto pela cultura, principalmente filmes e quadrinhos, mas eu e o André - o médico - é que corríamos atrás. Teve uma época que nossa coleção de VHS tomou proporções pantagruélicas. Comprávamos filmes que saíam com os jornais e em ponta de estoque no centrão de São Paulo. Naquele período a rede Blockbuster fechou um bocado de pequenas locadoras e compramos uma penca de filmes legais a bom preço. Não tínhamos tanta grana, mas virou uma mania e chegamos a ter filmes raros e muitos não conseguimos nem assistir. Lógico, não tínhamos família pra cuidar e podíamos nos dar ao luxo de colecionar coisas assim. Com a chegada do DVD começamos a substituir aos poucos aquilo que nos importava, mas já sentia aí que era melhor ir com calma e selecionar o que realmente valia a pena.

O mesmo se deu com livros, assim que comecei a trabalhar com carteira assinada eu tratei de adquirir os clássicos: Madame Bovary, Divina Comédia, Dostoiévski, Voltaire, Poe, Camões e tantos outros. Nos anos 80 eu entrei para o Círculo do Livro e aí foi só alegria com o Nome da Rosa, Tchekov, a coleção completa de Sherlock Holmes e um vasto repertório de publicações contemporâneas. Em Sampa, eu e o André nos revezávamos em títulos de aventura e mistério que incluíam Júlio Verne, HG Wells, Lovecraft, Phillip K. Dick e o que mais fosse possível, muita coisa eu nem consegui ler, como alguns do Stephen King.

Hoje não é mais assim e não é só uma questão de dinheiro, isso se arranja, é que perdemos algo ao longo da jornada, como se nos motivássemos; longe uns dos outros, não trocamos amiúde as impressões transmitidas pelos filmes, quadrinhos e livros.
Gosto muito do Umberto Eco, tenho todos os livros dele até o "A Misteriosa Chama Da Rainha Loana", os últimos romances que ele publicou eu nem me dei ao trabalho de ler resenhas.

Meu DVD quebrou e ainda não mandei arrumar ou comprar outro para assistir esporadicamente os meus clássicos de cabeceira. Algo realmente ficou pelo caminho.

O que me fez pensar a respeito disso tudo o que escrevo hoje foi quando assisti a um videocast do Pipoca e Nanquim onde o tema era uma coleção de boxes em DVDs de clássicos do Si Fi e Terror. Material raro e imperdível para quem é fã deste segmento. Em outros tempos eu não mediria esforços para ter este material, assim como uma coleção de livros que disseca os bastidores de produções que me fizeram a cabeça como O massacre Da Serra Elétrica, Evil Dead, Sexta Feira 13 e outros. Hoje, embora exista o interesse, não tenho mais a velha disposição, e como já disse, não é só grana, é não ter mais meus irmãos por perto para dividirmos as sensações e opiniões.

Sei que tudo faz parte do processo. Na juventude queremos ganhar o mundo. Na idade madura sentimos que o mundo não está nem aí para nós. Na velhice (ou entrando nela) nos damos conta que já estávamos fadados à derrota pelo mesmo mundo que queríamos conquistar.

Meus irmãos e alguns amigos queridos foram mudados, assim como eu, pelas circunstâncias, pela vida ou pelo que for. Sei que isto é natural. Só não sei dizer se é bom.... acho que não é.

ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 7 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A Busca – Capítulo 7: Ao saírem pela boca da passagem, por onde tinham palmilhado, por um tempo impossível de determinar, a morceguinha e o...