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domingo, 10 de abril de 2022

ZÉ GATÃO - SIROCO (FIM DA CAMPANHA).

 Não tem muito tempo encontrava-me dentro de um mercado fazendo umas pequenas compras para casa, estava entardecendo e do lado de fora o céu despejava suas águas, a chuva caía com tanto peso que fazia um forte barulho no teto. Repentinamente como veio, ela se foi e uma massa ciclópica de nuvens se exibia no horizonte avermelhado revelando tantos matizes impressionantes que eu tive que parar no ponto em que eu estava dentro do estabelecimento para admirar. Pessoas alheias àquele espetáculo passavam ao redor de mim mas eu não desgrudava os olhos daquela pintura impressionante que eu observava através da imensa vidraça do local. Acho que fiquei estático ali por uns 15 minutos, era uma obra de arte que somente DEUS seria capaz de realizar e que nunca se repetia. Estamos tão afoitos com coisas comezinhas do dia a dia que não nos damos mais a chance de observar as riquezas ao nosso redor. Me pus a pensar que tudo o que Deus cria é perfeito, tudo obedece uma lei imposta por Ele e nunca há atrasos, no entanto o que o homem cria, embora também sejam coisas maravilhosas para nosso próprio conforto, acaba deteriorando cedo ou tarde. Por exemplo, este blog veio com algumas novidades faz um tempo, e nesse "upgrade" não consigo mais postar artes no cabeçalho, nas raras vezes que consigo, ficam grandes ou pequenas demais. Ainda estou aprendendo. Antes era muito melhor. 

Outra coisa que eu citaria como exemplo é a internet, ou melhor dizendo, empresas que fornecem o serviço. Tivemos vários provedores em casa mas eu citaria as duas últimas, a Vivo, que começou bem e depois deu início às oscilações e até cair com frequência, por fim, os bandidos (este câncer que infesta o mundo) começaram a roubar os fios de cobre e ficamos sem serviços por um longo período de tempo. Vejam, eu aceito isso, não é culpa da empresa se ela é roubada e perde em velocidade para os malfeitores, ou seja, eles roubam e a Vivo não consegue reparar os danos com igual pressa, o que me aborrece é a falta de consideração em não dar uma satisfação aos clientes, deixando-nos sem entender exatamente o que está acontecendo. Tivemos que cancelar os serviços e trocar pela Tim (que tinham fibra ótica, mais velocidade e tal). Foi tudo bem no começo mas nos últimos tempos começou a ficar lenta, cair demais e por fim ficamos mais de uma semana sem usar. Minha esposa ligava de hora em hora e cada atendente dava uma justificativa diferente, marcavam visita de um técnico que não apareceu até o presente momento, ou seja, a mesma atitude vergonhosa da operadora anterior. 

Olhem, não sou viciado em internet, no começo, reconheço, eu perdia um tempo enorme pesquisando coisas, visitando sites e blogs de artistas que eu admirava, com o tempo - cada vez mais escasso - eu fui diminuindo minha frequência na web e redes sociais, mas preciso desse mecanismo para ganhar a vida, não só fazendo pesquisas para meu trabalho, mas para envio de artes aos editores e coisas do tipo. Bom, tivemos que apelar para a Claro, que estamos usando há 3 dias e vamos ver como vai ficar, não me iludo, prometem um préstimo melhor e depois concluímos que é mais do mesmo. 

Tem sido tempos difíceis, um dinheiro suado que nunca é suficiente, corrida contra o tempo, sem ocasião para sonhos, ando muito cansado, dormindo pouco e tendo que matar um T-Rex por dia, como sempre, com a diferença que agora estou bem mais velho. Mas amo meu trabalho e isso tem sido minha forma de fugir de toda a opressão. No momento executo "Os 12 Trabalhos de Hércules". Me sinto como um guri num playground.

Mas o real tema dessa postagem é a campanha Zé Gatão - Siroco. Ela chegou ao fim ontem e só tivemos 32 apoiadores, parece vergonhoso, né? Já vi um bocado de material medíocre (não desdenho, é medíocre mesmo) tendo bom desempenho e eu que tenho tantos e tantos seguidores e vários compartilhamentos nos posts do Facebook, além de muitas congratulações pelas minhas criações, imaginei que teria um desenlace melhor. Se eu levar em conta que esperava só uns 20, então saí no lucro, mas confesso, lá, bem no fundo, que houvessem mais pessoas dispostas a ter uma nova aventura do felino tristonho um suas coleções. Mas não era pra ser, ok, não é nenhuma novidade. Tranquilo. Isso só reforça a minha decisão de aposentar o gato. 

Agora, segundo o editor, entra o processo de produção, tipo, revisão, editoração, impressão e depois enviar para os 32 apoiadores (MINHA GRATIDÃO A CADA UM DELES), deve levar uns dois meses ainda. Após isso, mais um capítulo (lido por bem poucas pessoas) encerrado.

Meus queridos e queridas, era o que eu tinha para dividir com vocês.

Muito obrigado e até a próxima. Se cuidem bem. 








  

sábado, 2 de abril de 2022

DESDITA E A ÚLTIMA SEMANA DA CAMPANHA ZÉ GATÃO - SIROCO.

 Que semana, amadas e amados, que semana!

As coisas não andam muito bem, minha mente parece não estar presente no meu corpo, minha natural inadaptabilidade ao mundo que me circunvizinha parece crescer dia a dia. Juro que queria ser diferente mas não consigo. Experimentei muita coisa, muito frio (velhos tempos em São Paulo) ora muito calor (aqui e no Rio de Janeiro). Parece nunca haver espaço para o meio termo. Citei o clima só para exemplificar de forma simplista outras coisas mais importantes da vida, tudo parece ser feito de extremos, só não experimentei ainda a riqueza, mas pobreza, já. Enfim....

No início da semana (acho que terça feira à noitinha) fui ao caixa eletrônico no supermercado próximo de casa para sacar o dinheiro do meu aluguel. Tirei, guardei numa carteirinha junto ao cartão com minha cédula de identidade e tal. Fui burro o suficiente para sair de casa com uma bermuda que só tinha um bolso e não era lá muito fundo. Sim, levei o celular também (algo que raramente faço, posto que quase nunca tenho créditos para ligações, isto porque ninguém me liga e eu não ligo para ninguém). Verifiquei o preço das frutas e chamei minha esposa pelo zap (tinha wifi no estabelecimento) para informar que os valores estavam absurdos. Ela sugeriu eu ir a outro local próximo. Fui. No caminho ela me ligou para falar algo. Bem, pra encurtar a história, num determinado momento quando mexi no bolso para pagar pelo que eu estava procurando, notei que a carteira não estava mais ali. Gelei. Olhei em volta. O rapaz que me atendia perguntou se eu tinha perdido algo, respondi que sim e saí dali em disparada pelo caminho que havia feito. Seguramente no momento que o celular tocou - e eu atendi - a carteira deve ter caído do bolso. Burro, burro, mil vezes burro!!!! "Por favor, meu Deus, não permita, é o dinheiro do aluguel" pensava eu com o coração aos pulos. Fiz e refiz o trajeto e nada de encontrar a carteira pelo caminho. Liguei para a Verônica e ela veio ao meu encontro. Procuramos juntos, era noite, uma avenida de três faixas, a do meio era para pedestres. Nada, não achamos nada! Quase mil reais, suados, duramente conquistados, perdidos!!! Pouco me importei com o cartão de crédito e a identidade, eu não sabia como iria quitar o aluguel desse mês.  Vazio e me sentindo um merda procurei pensar assim: quem quer que tenha achado, espero que estivesse precisando mais que eu e que tenha sido muito útil. 

Bem, já passei por momentos piores, é claro. Já enfrentei barras bem pesadas, então é seguir em frente......   cancelei o cartão, já requeri outro, e informei à imobiliária que tive um contratempo e o aluguel vai ser pago com atraso. Só não consegui ainda fazer o boletim de ocorrência pela perda do documento, agora é feito pela internet mas a delegacia virtual do Jaboatão parece estar com algum problema e eu não consigo acessar. No meio disso tudo, meu trabalho que está sempre atrasado agora está duplamente vagaroso e eu preciso de grana pra ontem!!!!  

Pedi a um bom amigo para colocar umas artes minhas à venda no E-Bay por um preço até baixo para tentar sanar algumas dívidas, mas até agora NADA! Ando um bocado desprestigiado, hein! Vejo tanto desenho meia boca sendo vendido, leiloado e eu ficando para trás! Cést la vie.

Essa é a última semana de campanha do Zé Gatão e não tivemos mais que 30 apoiadores até o momento, como eu intuía, acho que não passará disso. Ok, eu disse que esse seria um álbum para os verdadeiros fãs do felino, só pensei que houvessem mais fãs além de 30!  Não engulo muito a ideia de que a campanha é cara e está todo mundo sem dinheiro, pois vejo neguinho pagando mais de 300 reais nos omnibus do Quarteto Fantástico ou do Conan e esgotam na editora. Só falta, como sempre acontece, virem aqueles querendo o álbum depois que não for mais possível. Mas tudo bem, nem é legal da minha parte fazer esse tipo de queixa, minhas HQs nunca foram muito populares mesmo. Agora é esperar ser impresso, enviado aos que me prestigiaram e sentir aquela boa sensação de dever cumprido. O felino casmurro se aposenta após Siroco.

Essa ilustração do Zé Gatão, acima, foi criada pelo Edgar Franco, também conhecido como Cyberpagé. Um artista verdadeiramente multimídia. A ele minha sincera gratidão pela fanart, pelo apoio e divulgação da campanha  nas redes sociais.

E esta fanart foi feita pelo talentoso cartunista Lucas Libanio, criador da tira Hans Grotz. Ele é um artista que admiro muito e um dos poucos que consegue me arrancar algumas risadas com seus quadrinhos. Brigadão de verdade, Lucas!

É isso por hora, meus queridos, aos que creem, orem por mim, realmente as vezes fica muito difícil continuar existindo.

Abraços a todos e até a próxima postagem, se Deus quiser. 


segunda-feira, 21 de março de 2022

TESEU E O MINOTAURO, PRIMEIRAS PALAVRAS.

Boa noite, como vão vocês?

Não há muito o que falar de mim - na verdade há, sim, mas nada que não tenham ouvido antes - sinto-me cada dia mais desimportante. É estranho isso, sempre senti pena dos velhos, falo dos velhos mesmo, daqueles que passaram dos 80. Poucos dão valor às suas experiências, sua sabedoria, suas palavras e histórias, mas isso seria assunto para "aprofundar", quem sabe, um outro dia.

Minha depressão, sempre à espreita, escondida atrás de um muro, um arbusto ou coisa do tipo, observa e espera e num momento qualquer, sem que pareça ter uma razão específica, me atinge como um bólido, me atropela, me esmaga, isso dia sim e outro também. No passado já fui aconselhado a procurar um profissional, tomar medicações, essas coisas, mas no momento nem tenho condições financeiras para tanto. Nem sei se vale a pena a essa altura do campeonato. 

O que posso dizer é que me sinto um tanto aliviado por ter concluído mais um álbum de quadrinhos depois dos percalços de sempre (falo dos atrasos, nos bloqueios criativos que vem e vão, a eterna sensação de que as artes poderiam ficar muito melhores, as infinitas interrupções comuns à quem trabalha em casa e tal), já me diverti fazendo HQs, mas normalmente, durante o processo de execução, é um tormento. Vamos falar um pouco sobre ela: trata-se da história de Teseu, o herói grego.  

Há muitos anos já, alimento o desejo de quadrinizar as aventuras desses míticos heróis que atravessaram gerações, na verdade desde que li OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES do Monteiro Lobato e (anos a frente) assisti FÚRIA DE TITÃS do mestre Ray Harryhausen, mas nunca encontrava oportunidade. Desempregado, eu fiz uma proposta para uma editora (em tempo oportuno dou detalhes de tudo) de "biografar" a vida dos heróis da Mitologia Grega. Eu faria os roteiros e os desenhos, a cor caberia a outro profissional. Foi aceito, felizmente. Mas como seria de se esperar, não tive liberdade para criar do meu jeito, fui amarrado ao número de 78 páginas apenas (eu queria pelo menos o dobro) e suprimir toda e qualquer coisa ligada à nudez e minimizar na violência, afinal, será uma edição voltado para um público juvenil. 

Vocês sabem, desde fevereiro de 2021 a minha vida mudou, perdeu o brilho e a cor, minha maneira de fazer quadrinhos também sofreu com isso. Eu produzi o meu melhor dentro das condições que me são permitidas, entretanto meu traço parece mais limpo e menos ousado, mas o que sou ainda está impresso ali, eu acho. Ainda não sei quando será publicada, entreguei as artes semana passada e ainda tenho que fazer a capa (me veio uma ideia legal mas foi rejeitada pela editora que sugeriu algo menos dinâmico. Eles pagam, eles mandam), vai entrar em processo de colorização ainda, então deve demorar um pouco.

Esta semana começo "Os 12 Trabalhos de Hércules", tem muita coisa que serei obrigado a espremer em 78 páginas mas realizo um sonho infantil, é como ir na Disneylândia.

Serão quatro álbuns no total. Um está concluído. Além de  Hércules, teremos Dédalo. Queria fazer Édipo mas foi desprezado, no lugar, produzirei o nascimento dos deuses. É trabalho para todo este ano.

Simultâneo aos mitos, trabalho nos Rastreadores e no projeto secreto, mas por esses já fui pago há tempos e o dinheiro foi gasto numa velocidade estonteante. La vie de um desenhador pobre.

Beijos a todos vocês e até uma próxima.  

Sketch de página para Teseu e o Minotauro.

 

segunda-feira, 7 de março de 2022

MAIS UM PAPO DE BOTECO NUMA RÁDIO.

 Amadas e amados, boa noite!

Na quarta feira passada fui entrevistado na Rádio Alternativa FM Agrestina, no quadro Cine Clube, apresentado pelo simpaticíssimo Edson Santos. 

Nunca fico à vontade com essas coisas, acho que devido àquele velho problema patológico com minha auto aceitação, não gosto da minha cara, não gosto da minha voz e por aí segue. Mas foi bacana, foi como sentar numa mesa de bar e falar sem o compromisso de parecer descolado e tudo o mais. O foco era o ZÉ GATÃO, personagem de HQs que criei há mais de 30 anos, com cinco álbuns publicados e ainda desconhecido da grande maioria de leitores de quadrinhos no Brasil. Não sei dizer quantos acompanharam pelo rádio, mas no YouTube sei que haviam poucas pessoas conectadas. Os membros da PADA e o artista Nestablo Ramos estavam lá e pra mim isto valeu muito.

Foi complicado no começo, minha internet estava lenta, caindo. Tive que sair do notebook e me conectar pelo celular (o que detesto), mas depois de um tempo o motor engrenou.

Claro que falei pela enésima vez que o Felino foi criado num momento de depressão, que acho os animais ótimos atores para representar os dramas humanos, daí eu ter gerado um universo antropomórfico e blá, blá, blá - quem já me ouviu antes tá com o ouvido cansado - não obstante, apesar do longo tempo de conversa, muita coisa ficou de fora, por exemplo: a criação dos álbuns posteriores ao Cidade do Medo, mas aí a culpa cabe a mim, faço muitas digressões (para uma melhor compreensão das minhas ideias) em meus colóquios (quase sempre me perco), o tempo passa e o que seria importante de fato acaba ficando no limbo. 

Mas falamos brevemente sobre ZÉ GATÃO - SIROCO, a derradeira aventura, em campanha no financiamento coletivo (e bem longe de atingir a meta, infelizmente).  

Assistir essa live só mesmo para os que gostam muito do que eu faço. Preferia que fosse só voz e nenhuma imagem minha, mas se caminho na chuva, tenho que me molhar.  

Quem tiver saco de ferro para assistir, minha imensa gratidão.

DEUS ABENÇOE A TODOS!

        

terça-feira, 1 de março de 2022

DESÂNIMO E PRODUÇÃO.

 Estou com saudades do frio. Falo daquele frio gostoso, que te obriga a colocar um casaco leve e um edredom na hora de dormir. O calor aqui é angustiante, creio mesmo que ele limita bastante a disposição para as tarefas diárias. Eu e meu irmão, que foi embora, conversávamos sobre essas coisas, lembro que falamos certa vez sobre uma visita que o físico Albert Einstein fizera ao Brasil e ele observou que o povo brasileiro era um tanto acomodado - ele não teria usado esse termo, eu que quero poupá-lo - e isso talvez se devesse ao calor. Seria essa a razão pela qual eu tenha andado tão sem inspiração para executar meu trabalho? Mais uma vez estou atrasado para entrega do último lote de páginas da HQ "Teseu e o Minotauro". Pode ser isso e a carga máxima de stress que tenho tido que suportar nos últimos tempos. De qualquer forma a editora nada tem a ver com meus percalços particulares. Isso que dá eu trabalhar em três projetos ao mesmo tempo, dois deles estão um tanto parados, mas sempre volto a uma página nova. Tem vezes que a coisa flui que é uma maravilha, os quadros vão tomando forma na página quase que magicamente, mas isso é raro, na maioria das vezes tenho que fazer mil rascunhos e até descartar páginas inteiras de rafes por achar que a dinâmica da narrativa não está legal. Duas coisas são certas: 1- nos meus projetos pessoais isto é menos frequente, 2 - a idade conta, podem estar certos. Antes eu atravessava altas madrugadas em cima da prancheta, bastava rolar uma bela música clássica (ou Beatles) no cd player (nem isso tenho mais) e um mundo e as mais diversas situações se formavam diante dos meus olhos. Lembro bem daquelas noites na pensão da W3 sul em Brasília, meu irmão Gil (que saudades!) dormindo próximo e eu dando vazão às aventuras do Zé Gatão contra os insetos numa perseguição pelo deserto. Depois na quitinete que alugamos na comercial da SQN 202. Foi o início do fim dos meus tempos de desenhista solteiro. A partir do momento que você divide sua vida com alguém não é mais dono do seu tempo. Farto de tudo, o que faço hoje é trazer à fórceps o que poderíamos chamar de motivação.

No dia 19 de fevereiro estive presente ao evento A SAGA DOS QUADRINHOS BRASILEIROS promovido pelos membros da PADA. Eu deveria palestrar as 14:30 hs. Saí cedo de casa para prestigiar todo o lance mas cheguei um tanto atrasado, quase 10:30 hs e mesmo assim não havia ninguém, só os organizadores. Um dos palestrantes o das 11hs desistiu um dia antes. Pra mim foi um dia ótimo, comemos no shopping, apesar do maldito passaporte sanitário, e batemos um bom papo sobre musica, filmes, séries, quadrinhos e a vida em geral. E finalmente chegou o momento d´eu falar sobre a relação autor e personagem nos quadrinhos, mas só estavam presentes os coordenadores, que eram umas 5 pessoas, então palestrei para eles, ora.  Filmaram o meu colóquio, está nos arquivos deles. O Milson Marins, um dos fundadores da PADA, atribui a ausência de público ao fato de ter tido um clássico do futebol pernambucano naquela tarde. Outros acham que foi por causa da pandemia e do passaporte sanitário. Eu tenho uma teoria para o "fracasso" do evento: polarização. Quando conheci o pessoal da PADA, lá pelos idos de 2010, por aí, eles eram compostos de cristãos (católicos e evangélicos) e ateus, conservadores de direita e gente à esquerda, e isso não era problema, todos estavam unidos pelo amor à arte. Hoje não é mais assim, se você apoia o Bolsonaro, você é um inimigo que precisa ser eliminado. Os que lá estavam apoiam o atual governo, os do outro lado não querem mais se misturar. Simples assim. 

Amanhã serei entrevistado na RÁDIO ALTERNATIVA FM AGRESTINA às 20 horas. Acho que vai ser legal falar sobre as coisas que já fiz no mundo mágico dos gibis. Devem me passar o link depois, daí volto aqui para caso alguém se interesse em ouvir as bobagens que falarei.  

E minha campanha no Catarse continua parada, acho que não teremos mais que 28 apoiadores, se tivermos 30 será motivos de festejos; sim, claro, os que admiram meu trabalho dizem que ninguém tem grana (mas os omnibus que custam mais de 300 reais esgotam nas editoras). Não preciso repetir aqui que as visualizações diárias deste blog vão de mal a pior, agora giram em torno de 20 a 40, teve um dia que foram só 12. Minhas postagens no Facebook também diminuíram os comentários e os tais likes. Dizem que em breve essa rede social será extinta como o Orkut  e muitos estão migrando para outras novas. Eu só mantive o blog e o Facebook por comodismo. Foi legal, devo admitir, nos bons tempos reencontrei velhos camaradas, revi pessoas do passado, até interagi em assuntos bacanas com pessoas legais, como no dia em que eu e o editor do Memento Mori e Daqui Para a Eternidade trocamos mensagens sobre a antiga série Daniel Boone, com o Fess Parker e outros se juntaram a nós num gostoso bate papo que durou bastante tempo. Não tenho saco para recomeçar em outras redes, acho que é a minha deixa para desaparecer de vez. O velho dando lugar ao novo. Me sinto como esses bichos que se extinguiram porque o mundo não podia mais comportá-los. Pra mim tá de boa. 

Caso alguém seja novo por aqui e queira conhecer a campanha do meu último quadrinho autoral, o link é este: 

https://www.catarse.me/ze_gatao?fbclid=IwAR0KDTuzdwnnS3Np34cevQ9biTPs_jBug3YIAZjdHSLkidzmmDt_GkOK-PY

  

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

UM ANO, JÁ!

  Hoje faz um ano que dona Francis foi embora. Um ano sem ouvir sua voz, receber seus conselhos e bênçãos, 365 dias sem escutar sua risada contagiante. Passou rápido! Não tenho palavras para descrever o imenso vazio que me engole, mastiga e retém em seu interior. 

Eu agradeço a Deus pela arte, enquanto trabalho para manter esta família eu imerso nos mundos que eu crio. No momento estou na Grécia antiga, Teseu está lutando com o Minotauro no labirinto criado por Dédalo. 

A arte é uma porta que me conecta com o mundo e também a que me serve como rota de fuga. No entanto sempre sou obrigado a pousar no mundo real e nele as chuvas  de pedras não param de cair. O ar é quente e bafeja no meu rosto que ela nunca mais vai voltar. Mas eu posso ir até ela, se creio no que está escrito e se acredito no Espírito que inspirou os homens a redigir, é certo o dia do reencontro. Pode levar dias ou anos, só me resta aguardar.

Até breve, minha querida mãe!



sábado, 12 de fevereiro de 2022

ADEUS, MEU MENINO!

 

Tudo passa, tudo há de passar. Nada fica, nada ficará. Mais ou menos essas palavras estão em um clássico do ex-Beatle George Harrison e também numa canção interpretada pelo Nelson Ned. Pura verdade.

Eu deveria ter morrido a uns 55 anos atrás mas Deus me poupou e ainda estou por aqui.

Tivemos um cão chamado Rintim. Pouco me lembro dele, eu era praticamente um bebê. Minha mãe disse que ele tinha um tom avermelhado e parecia uma raposa, foi envenenado, segundo ela.

Muitos anos depois a Freedom apareceu em nossas vidas em 1975, era uma cadela pincher muito especial. Como Freedom era um tanto complicado para meus pequenos irmãos pronunciar apelidamos de Fifi. Fez parte de nós durante uns cinco anos e partiu quebrando nossos corações.

Já postei um texto aqui sobre um felino que eu e Verônica chamamos de Saco Preto.  Evidentemente Saco Preto é para nós, gatos não atendem por nomes dessa natureza. Mas a Vera de forma muito maternal perguntava pra ele: "Onde está o Menino? O que o Menino quer?" E vemos em suas reações que ele sabia que a conversa era com ele.

Bem, pra encurtar a conversa, ele morreu no último dia 9. Mais ou menos no dia 4 ou 5 ele apareceu muito machucado. Seriamente machucado, mancava muito e gemia penosamente. Vimos que havia uma ferida na perna como se parte da carne tivesse sido arrancada. Uma vizinha nos disse que ele e o irmão (o Vesgo) haviam sido atropelados, o irmão morreu na hora, ele escapara. Ele recusava água e qualquer alimento.

Eu e Vera o levamos ao veterinário. Não havia osso quebrado, mas ele estava muito magro, anêmico, debilitado e com problemas renais. O médico receitou antibiótico, uma comida medicinal e pomada para passar nos ferimentos. Durante dois dias cuidamos dele em casa, seguindo à risca as recomendações do veterinário. Mas ele comia pouco, quase nada. Queria dar mais detalhes de tudo mas é penoso para mim.

No dia 9 pela manhã desci com ele para ele pegar um sol. Tive que abrir a boca dele para dar um quarto do comprimido de antibiótico segundo recomendação médica e também o alimento medicinal numa colher se chá. Passado um tempo ele começou a gemer como uma criança. Eu passava a mão pela cabeça dele e dizia: "Calma, amigo, calma Menino, estou aqui, você vai ficar bom". Ele ofegava. Se acalmava um pouco mas respirava sofregamente. Então num instante ele começou a estrebuchar e gemer em agonia, eu não sabia o que fazer, pensei em correr com ele para o veterinário, mas antes que eu pudesse colocar as ideias em ordem ele relaxou o corpo e o vi parar de respirar. Faleceu bem na minha frente. Chorei como uma criança (como acontece agora, no exato momento que escrevo). 

Eu queria ser um homem santo, talvez assim minhas lágrimas sobre seu pequeno corpo pudesse revivê-lo. Mas qual, eu sou muito pecador, só tenho tido desditas nos últimos tempos.

Não recebo carinho das pessoas, mas aquele gatinho encostava a testa dele na minha demonstrando sua amizade e eu não consegui salvá-lo.

Sinto falta de encontrá-lo no portão ou cochilando debaixo das plantas, aguardando o momento de eu ou Vera chegar e dar a ração especial, a Wiskas, o leite, a água e os carinhos que ele tanto gostava. 

Adeus, meu menino, você não será esquecido!  

Dormindo debaixo da mesa de nossa casa.


ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 7 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A Busca – Capítulo 7: Ao saírem pela boca da passagem, por onde tinham palmilhado, por um tempo impossível de determinar, a morceguinha e o...