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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

UMA CONVERSA OCORRIDA A MUITOS ANOS ATRÁS.

- Bom dia Fulano, tudo bem?
- Olá, muito prazer.
- Muito prazer, não. Já conversamos em duas ocasiões!
- Mesmo? Puxa, desculpe aí a minha falta de memória...
- Ah, tudo bem, eu sou o autor do Zé Gatão.
- Sim, sim, lembrei agora! Como vai?
- Bem, obrigado. Seguinte, estou disponível, se tiver trabalho pode contar comigo.
- Trabalho, né? Sei, trabalho sempre tem, mas vou avisando logo que estou a procura de profissionais. De artista já estou de saco cheio, eu preciso é de gente que trabalhe bem e cumpra prazos.
- Então está falando com o cara certo.
- Será mesmo?
- Porque a dúvida?
- Vocês desenhistas sempre se acham importantes demais, querem impor suas aquarelinhas como se fossem
a última coca-cola da geladeira, não aceitam sugestões de ninguém e levam séculos pra terminar uma arte, não levando em conta que nós editores temos um negócio pra tocar.
- Olhe Fulano, eu não sou assim.
- Não? E porque você seria diferente?
- Procuro deixar o artista sobressair em meus trabalhos pessoais. Para os encomendados eu me comporto como uma puta. Pague o meu preço e faço o que você me pedir.
- Gostei de ouvir isto, espero que não seja uma puta de luxo.
- Alguns artistas são como putas de luxo. Por enquanto eu sou aquela da esquina da boca do lixo. Mas só por enquanto.
- Veremos. Tenho um projeto em que o seu traço pode ser útil. Fale com minha secretária na semana que vem.
- Estou falando com você agora.
- Tá brincando? Não trato de assuntos assim, no meio da rua. Marque uma hora com a minha secretária. Tem o número?
- Tenho.
- Ok, então aguardo sua comunicação. Passar bem.
- O mesmo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

MATANDO UM LEÃO POR DIA.

Como diz a música, o tempo não para. Acho que todos nós, num momento ou outro da vida, fazemos planejamentos pra um dinheiro que vai chegar. Na cabeça tudo parece possível, até o momento de colocar na ponta do lápis, aí sacamos que a realidade é bem diferente.
O que tenho ganhado com minhas ilustrações estes anos todos, tem dado pra manter minha família com um conforto razoável. Moro num bairro legal (embora esteja um tanto abandonado pela prefeitura), minha geladeira está sempre farta, me visto bem, vez ou outra pego um cineminha e tal. Mas quaisquer outros luxos... ah, nem pensar! Não tenho carro (sequer sei dirigir), meu apartamento é alugado (o sonho da casa própria vai se tornando cada dia mais inalcançável), e se me mantenho atualizado no mundos das HQs, em primeiro lugar, é que meus irmãos (meus grandes heróis) vez por outra me presenteiam com book arts e quadrinhos, e em segundo, alguns editores que me prestigiam, enviam suas cortesias.

Todas as vezes que vou negociar uma nova comissão, apresento os valores que acho razoáveis (fica inclusive bem abaixo da tabela proposta pelo sindicado de ilustradores do Brasil, que é o sonho dos desenhistas, mas reconheço que são impraticáveis), e nunca consigo fechar num preço que me permita respirar aliviado entre um job e outro. Os editores, consultores, atravessadores e sei lá mais o quê, tem sempre um monte de argumentos que nem valem a pena destrinchar aqui; eu que sempre estou matando jacaré a beliscão, tenho que aceitar o que eles "podem" pagar, e é sempre muito inferior ao que vale.

O assunto é velho e nem adianta ficar discutindo se existem soluções. Os impostos são altos, eu sei, mas eu também os pago, certo? O que me resta é agradecer a Deus por manter estas portas abertas, respirar fundo e procurar dar o melhor de mim não importando o quanto isto custe

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ESBOÇOS DA ÉPOCA EM QUE NAPOLEÃO ERA CABO.





Hoje pela manhã ao procurar uns papéis antigos, me deparei com estes esboços feitos a guache.
São de 1986.
Lembro-me bem do dia que os fiz. Nesta época eu trabalhava no SENAC de Brasília e aguardava a aprovação de umas artes para apostilas. Enquanto esperava, eu lambuzava um bloquinho de recados com um pincel úmido com tinta.
Sempre preferi as figuras femininas para estes estudos. Preciso dizer porque?



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

MAIS UM POE.

No som do computador estou ouvindo Sweet Dreams na guitarra do Mark Knopfler e do Chet Atkins pela milésima vez, dá pra se sentir nostálgico e melancólico. Sinceramente acho que é uma canção para se ouvir sozinho num dia frio, não no calor que faz nesta cidade. Mas como não há outro jeito, o melhor a fazer é relaxar e aproveitar o vento morno produzido pelo ventilador.

Estou vagabundo estes dias enquanto aguardo duas confirmações de trabalho. Sinto-me culpado, eu deveria estar adiantando minhas artes pessoais, mas qual o quê, ao me sentar na prancheta um desânimo sobrenatural submerge toda e qualquer inspiração. Tenho me questionado mais que nunca se vale a pena o esforço. Na verdade tive momentos de entressafra antes, então vou aproveitar estes dias sem esquentar demais a cabeça com coisas inúteis. O bom e velho desejo de criar sem a preocupação do retorno financeiro há de reaparecer, então vamos ver o que sai.

Enquanto isto não acontece, fiquem com uma cena da biografia do Edgar Alan Poe.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

UM BÁRBARO QUALQUER.


Já faz um bom tempo um editor de São Paulo me pediu uns esboços para uma HQ curtíssima sobre um bárbaro, tipo Conan. A história não teria texto. Ele me enviou um briefing e eu rabisquei. Nem lembro mais porque teria de haver espaços em branco (para por algum anúncio, talvez?), tampouco sei para onde isto seria destinado. Lembro que não era exatamente uma revista em quadrinhos.
Bem, até hoje não tive retorno, presumo que a coisa deu em nada. 
Achei estes traços por acaso numa pasta do meu comutador. Como não sei onde estão os rabiscos originais para escaneá-los numa resolução mais baixa, posto da maneira como estão só para ficar registrado. 




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PRA COMEÇAR BEM A SEMANA.

Bom dia a todos.

Sabem quando não se dorme bem por qualquer motivo? A gente acorda com a cabeça pesada, cefaleia, olhos como se tivessem areia bem fina na superfície, lentidão de movimentos e por aí vai. Tenho estado assim esses dias, o calor também ajuda a dormir mal. Isso e outras coisas mais. É a vida... e temos que seguir em frente.

A arte abaixo é uma cena de um clássico brasileiro e reflete bem como eu e Verônica ficamos ao constatar que um dinheiro que deveria entrar na nossa conta na última sexta-feira não tava lá.

Quem sabe esta semana?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ESBOÇOS PARA ILUSTRAÇÃO DE LIVRO



Amadas e amados, boa noite.
Dois rabiscos só para fechar a semana.
A arte já está pronta mas ainda não tenho permissão para mostra-la.
Em breve, querendo Deus.
Beijos a todos.

UMA VIDA NORMAL

   Eu queria muito vir aqui com notícias boas. Na verdade tenho sim, boas notícias, uma delas é que fiz agora há pouco a minha terceira refe...