quinta-feira, 19 de abril de 2012
ZÉ GATÃO PELA P.A.D.A. EM NOVA TIRAGEM.
Esta semana fiquei sabendo que este independente de Zé Gatão pela PADA ganhou uma nova e limitadíssima tiragem. Legal, desde que esgotou a primeira edição, imaginei que o Léo, Sandro, Milson e toda a turma tinham desistido disso, afinal meu felino não é o que pode ser chamado de sucesso de vendas. Mas os caras lá são assim como eu, não desistem fácil, aliás, eu acho até que já desisti; digo isto porque em mim a muito esmoreceu o desejo de criar quadrinhos pelo simples prazer de velos prontos, mas aí já é outra história.
Caso você tenha interesse em adquirir é só entrar em contato com o Léo Santana pelo link http://www.bodegadoleo.com/.
E se você está chegando agora e quer mais detalhes sobre este álbum, fiz umas postagens sobre ele em agosto do ano passado, é só procurar nos arquivos do blog, infelizmente até hoje não sei como fazer link para as páginas do passado. Sorry.
Um beijo a todos.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
UMA PALESTRA COM UM CARTUNISTA FAMOSO + UM CARTUNISTA MENOS BADALADO MAS IGUALMENTE FAMOSO E O QUADRINISTA QUE BREVE VIRARIA UM ESCRITOR FAMOSO.
Com o risco de parecer prepotente, não costumo frequentar blogs, é mais por uma questão de tempo mesmo, pois como me disse certa vez o mestre Shimamoto, internet é muito legal mas costuma te roubar horas preciosas do seu dia, daí o porque d´eu não seguir esta ou aquela página de artistas que até gosto muito, inclusive, mesmo estas que recomento aqui no nosso espaço, passam meses até que eu me atualize. Mas outro dia quase sem querer fui parar no blog de dois irmãos quadrinistas que estão arrebentando no mercado gringo (e por aqui também). Um parentese: opto por não citar nomes, achando que alguns artistas já são badalados o suficiente, não precisam do meu aval e na verdade estão cagando montes, prefiro ressaltar os cobras dos quais realmente aprecio o trabalho sem ressalvas.
De volta ao ponto, o texto, muito bem escrito e lúcido, falava sobre o HQ Mix, parece que este ano mudaram alguns critérios para a escolha dos indicados, mas não importa, o parágrafo que me chamou a atenção e que só confirmou algo que na verdade eu já sabia, foi mais ou menos nestas palavras: criar uma hq não basta, o problema é faze-la chegar até o leitor, distribuição é um problema muito grande (sempre foi). É necessário se fazer ver e ouvir, tem que ir a eventos, palestras, lançamentos, se mostrar o tanto quanto possa que você existe e produz, é a forma mais eficaz para se tornar conhecido. Só assim seu trabalho chegará ao grande público, finaliza dizendo que a internet não é garantia de sucesso, ter milhares de seguidores e visualizações não quer dizer que seu álbum será sucesso de vendas.
Estas seriam então uma das razões pelas quais eu não poderia ser um quadrinista de sucesso, não vou a eventos ou palestras, raramente sou convidado pra estas coisas, lançamento então nem se fale, tive umas duas experiencias negativas. Não disponho de tempo e meios de me locomover até os festivais de hqs Brasil afora, então fica mesmo difícil, fora que eu não gosto mesmo de estar em lugares assim, pelo menos não como uma espécie de atração. E olhem que no passado eu já tentei muito me encaixar, "aparecer", como recomendam.
Isto me lembrou um fato ocorrido a muito tempo em São Paulo, a Devir promoveu uma palestra com alguns dos autores que mais vendiam pela editora na época. Sem citar nomes, dois deles eram cartunistas bem famosos (um deles bem mais novo que a atração principal) e o outro era um quadrinista que viraria escritor de sucesso um tempo depois.
O tal evento seria num lugar de difícil acesso para mim e eu me encontrava totalmente sem grana, desmotivado. Meu irmão, que hoje é médico, me aconselhou que fizesse um esforço e fosse até lá, que seria importante eu conhecer os caras, me apresentar como quadrinista e tudo mais. Tudo bem, disse eu, vamos lá.
Seguindo o conselho do meu brother, coloquei numa pasta uns exemplares do primeiro álbum do Zé Gatão para dar de presente aos caras e lá fui pra Livraria Cultura do Shopping Vila Lobos. Peguei um busão na Praça da Bandeira e depois de sei lá quanto tempo, o cobrador me indicou o melhor lugar para descer. Era um local ermo e escuro. Seguindo pela marginal com carros tirando fino da minha pessoa, consegui chegar ao meu destino. O local da palestra estava mais ou menos cheio, haviam ali algumas figuras conhecidas, os tipos que costumam frequentar estes lugares, vocês sabem, os nerds de sempre, aliás o editor da Via Lettera, que tinha se comprometido a publicar meu segundo álbum estava por ali.
A palestra em si foi um porre, já fui em algumas que chegaram até a ser divertidas, as perguntas pretendiam ter um "Q" de intelectuais, as respostas eram blasé na maioria das vezes. O cartunista titular era o que mais falava, ia muito além do que era perguntado, o outro cartunista sequer olhava para platéia, ficava de cabeça baixa escrevendo ou desenhando alguma coisa, ficava assim até mesmo quando lhe indagavam algo. O quadrinista/escritor parecia desconfortável, como se estivesse sentado num barril de pólvora.
Por fim acabaram as explanações, as perguntas e respostas, e foram para o verdadeiro objetivo daquele encontro, vender álbuns de hq. Embora não estivesse interessado e com meu dinheiro bem reduzido, comprei um álbum de cada cartunista para ter um motivo de me apresentar. Havia uma fila, em volta dos caras, alguns puxa-sacos, eu iria dar meus álbuns no momento em que eles autografassem os que acabara de comprar, estava nervoso como se fosse cometer um crime, como se furtasse algo numa loja cheia de câmeras de segurança, minhas mãos suavam e por um momento quase mandei tudo aquilo às favas. Me aproximei dos dois cartunistas, os puxa-sacos observando, apertei a mão do famoso cartunista, era uma mão branca e pequena que sacudi com vigor; o artista, muito educado e agradável, era o total oposto do que ele deixava transparecer em seus quadrinhos, dei meu álbum de presente, folheou, elogiou dizendo que o desenho era poderoso. O cartunista menos badalado foi indiferente. Neste momento apareceu outro cartunista, um que hoje em dia se veste de mulher, fora prestigiar seus pares, dei o último exemplar do meu álbum pra ele também e este cara embora brilhante, pra mim foi uma decepção, parecia arredio, desconfiado, sei lá.
O quadrinista/escritor já me conhecia, tinha meu álbum e eu os dele. Se eu fosse apostar, diria que aqueles caras iam jogar meus livros na primeira lata de lixo que encontrassem, posso estar enganado, mas o tipo de hq que faço jamais seria a praia deles.
Conversei um pouco com algumas pessoas por ali e dei no pé com uma grande sensação de alívio. Voltar pra casa foi complicado mas cheguei ao lar bem tarde da noite com dois álbuns da Devir autografados que só iria ler muito tempo depois que aquele gosto de barata saísse da minha boca.
Não dá pra dizer que não segui as regras impostas de estar nos lugares, mostrar trabalhos, sorrir, apertar mãos e colher elogios. Muitos anos depois minha vida continua a mesma coisa.
Lembro que cheguei em casa aquela noite com uma baita depressão, pudera, tinha sido uma noite de merda.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
AS MAIORES HQS DE TODOS OS TEMPOS - OS COMPANHEIROS DO CREPÚSCULO.
Ontem pela manhã encerrei a leva de ilustrações para os contos de Humberto de Campos e já tem mais um Machado de Assis na fila, tiro hoje um dia de folga para desenhar a pin up para o aniversário de "Os Carcereiros" do Nestablo Ramos Neto e também para comentar sobre uma das maiores hqs de todos os tempos.
Desgostoso (como sempre) com o panorama de hqs no Brasil - porque não dizer no mundo? - é quase um alento saber que um dia editaram "Os Companheiros do Crepúsculo", escrita e desenhada pelo francês François Bourgeon . Eu me atreveria dizer que é um material para quem esta cansado de heróis uniformizados, humor politizado e mangás. Hoje em dia tá muito na moda quadrinhos autobiográficos (alguns realmente muito bons) eu mesmo sigo por esta vertente embora recheie com cenas de ação num universo antropomorfo. A obra citada aqui não tem nada a ver com isto, trata-se de uma aventura ambientada na idade média, um retrato quase fiel do período, eu digo quase por que os dois primeiros volumes da série tem como coadjuvantes alguns seres fantásticos muito populares no velho continente, seria algo como o saci para nós. Bem diferente, o terceiro álbum (mais longo), é recheado de suspense e tramas políticas.
As edições que tenho são da finada Meribérica, uma excelente editora portuguesa que faz muita falta. Quando comprei estes álbuns na década de 90, eles já estavam esgotados em Portugal, eu vi a primeira edição ainda em 1988 numa feira de quadrinhos promovida pela Livraria Presença em Brasília, aquela moçinha pendurada de cabeça para baixo e aquele cavaleiro em armadura rapidamente me chamaram a atenção, entretanto o alto valor do gibi não me permitiram compra-lo, só pude faze-lo alguns anos depois em São Paulo.
Fascinado que sou por sagas medievais (cruzadas, templários, o Nome da Rosa e coisas tais) esta se tornou uma das minhas séries favoritas em quadrinhos.
Eu não diria que Francois Bougeon seja um exímio desenhista de figuras humanas, vejam bem, nada errado com elas, muito ao contrário, são realistas, nada idealizadas, me lembram, inclusive um pouco Brueghel e Bosch, o que confere ao tema uma maior força, mas elas acabam perdendo um pouco a vitalidade quando comparadas aos cenários e adereços, esses sim as grandes virtudes deste artista. Soube pelo Arthur Garcia que ele se valeu da maquete de um castelo para poder desenha-lo sob diversos ângulos em "O Último Canto Das Malaterre", tomo que fecha a obra.
Ressalte-se que este autor gosta de protagonistas femininas a julgar por suas outras séries de quadrinhos, elas são fortes em sua fragilidade, astuciosas e ingenuas, valendo-se de inúmeras artimanhas para sobreviver num mundo repleto de injustiças, estupros e toda sorte de violência física e moral (acho que fui redundante).
Não posso afirmar que seja uma leitura fácil, o texto original francês é arcaico, como se falava mesmo no século XIV, traduzido para um português medieval te obriga a uma leitura atenta.
Está na moda hoje discutir se quadrinhos é literatura, como que para tentar dar ao mesmo legitimidade, respeito como forma de comunicação, como se eles precisassem se impor por comparação. Bobagem, "Companheiros Do Crepúsculo" prova que as HQs é uma forma de arte autônoma e poderosa.
Desgostoso (como sempre) com o panorama de hqs no Brasil - porque não dizer no mundo? - é quase um alento saber que um dia editaram "Os Companheiros do Crepúsculo", escrita e desenhada pelo francês François Bourgeon . Eu me atreveria dizer que é um material para quem esta cansado de heróis uniformizados, humor politizado e mangás. Hoje em dia tá muito na moda quadrinhos autobiográficos (alguns realmente muito bons) eu mesmo sigo por esta vertente embora recheie com cenas de ação num universo antropomorfo. A obra citada aqui não tem nada a ver com isto, trata-se de uma aventura ambientada na idade média, um retrato quase fiel do período, eu digo quase por que os dois primeiros volumes da série tem como coadjuvantes alguns seres fantásticos muito populares no velho continente, seria algo como o saci para nós. Bem diferente, o terceiro álbum (mais longo), é recheado de suspense e tramas políticas.
As edições que tenho são da finada Meribérica, uma excelente editora portuguesa que faz muita falta. Quando comprei estes álbuns na década de 90, eles já estavam esgotados em Portugal, eu vi a primeira edição ainda em 1988 numa feira de quadrinhos promovida pela Livraria Presença em Brasília, aquela moçinha pendurada de cabeça para baixo e aquele cavaleiro em armadura rapidamente me chamaram a atenção, entretanto o alto valor do gibi não me permitiram compra-lo, só pude faze-lo alguns anos depois em São Paulo.
Fascinado que sou por sagas medievais (cruzadas, templários, o Nome da Rosa e coisas tais) esta se tornou uma das minhas séries favoritas em quadrinhos.
Eu não diria que Francois Bougeon seja um exímio desenhista de figuras humanas, vejam bem, nada errado com elas, muito ao contrário, são realistas, nada idealizadas, me lembram, inclusive um pouco Brueghel e Bosch, o que confere ao tema uma maior força, mas elas acabam perdendo um pouco a vitalidade quando comparadas aos cenários e adereços, esses sim as grandes virtudes deste artista. Soube pelo Arthur Garcia que ele se valeu da maquete de um castelo para poder desenha-lo sob diversos ângulos em "O Último Canto Das Malaterre", tomo que fecha a obra.
Ressalte-se que este autor gosta de protagonistas femininas a julgar por suas outras séries de quadrinhos, elas são fortes em sua fragilidade, astuciosas e ingenuas, valendo-se de inúmeras artimanhas para sobreviver num mundo repleto de injustiças, estupros e toda sorte de violência física e moral (acho que fui redundante).
Não posso afirmar que seja uma leitura fácil, o texto original francês é arcaico, como se falava mesmo no século XIV, traduzido para um português medieval te obriga a uma leitura atenta.
Está na moda hoje discutir se quadrinhos é literatura, como que para tentar dar ao mesmo legitimidade, respeito como forma de comunicação, como se eles precisassem se impor por comparação. Bobagem, "Companheiros Do Crepúsculo" prova que as HQs é uma forma de arte autônoma e poderosa.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
APRENDA A DESENHAR - PRIMEIROS PASSOS.
Queridos e queridas, a Editora Criativo teve mais uma vez a ousadia de colocar um novo material meu nas bancas, recebi hoje pelo Sedex as minhas unidades e faço aqui a minha modesta divulgação.
Eu disse que o material era novo mas isto não é inteiramente verdade, trata-se de uma compilação de temas que já foram tratados naqueles módulos de desenho da Escala. Embora em preto e branco (com algumas páginas em azul e vermelho) o livro de 80 páginas ficou muito caprichado. O editor me pediu algumas pequenas mudanças para o formato e, ao contrário dos exemplares da Escala, este não tem problemas de revisão.
Então, se você não pode acompanhar aquelas antigas edições, taí uma nova chance.
Abaixo, alguns exemplos do que você encontrará no volume.
Boa noite a todos.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
NADA DE NOVO NO FRONT.
É incrível, ao inaugurar este blog pensei em atualiza-lo todos os dias nem que fosse para dar apenas um oi em consideração a quem se dá ao trabalho de acessar a página, na verdade eu até consegui por um tempo, mas naqueles dias eu estava com muito gás, então apesar dos apertos eu me esforçava para estar mais presente, em não parecer repetitivo. Com o tempo, de posse de algum conhecimento das ferramentas que o blog me possibilita, pude notar que algumas postagens são muito visitadas e outras totalmente ignoradas, daí vieram as dúvidas, vale tanto assim a pena o trabalho? Quem me segue ou me visita esporadicamente está mesmo interessado nas coisas que escrevo?
De qualquer forma, estes dias tem sido complicado me sentar aqui e achar fluidez para me abrir, a mente parece embotada, há sempre uma preocupação irracional com as horas e prazos cada dias mais apertados.
Pra variar, hoje não é diferente. Mais do que nunca virei escravo da minha pranchetinha, nela mantenho o padrão de vida ao qual me acostumei, um trem que corre cada dia mais rápido, e saltar fora não é uma opção.
Sei que tenho um público que mesmo não se manifestando gosta de ver meus desenhos, outros de ler minhas memórias ou comentários sobre algum assunto, há aqueles ainda que curtem ambos, por isto pretendo voltar as certos temas que infelizmente tive que deixar de lado por um período, como por exemplo, a série dos lobisomens gigantes (só faltam dois) e "as maiores hqs de todos os tempos", vou tentar me organizar melhor e ver se consigo uma atualização mais constante.
Até lá, fiquem com uma arte e os esboços do livro de contos do Humberto de Campos.
Vamos nos falando na medida do possível.
terça-feira, 3 de abril de 2012
RABISCOS DESCOMPROMISSADOS.
Pelo jeito estes dias só teremos mesmo esboços aqui no blog, estes são aqueles que faço direto na caneta num bloquinho que tenho para rabiscar aleatoriamente.
Quem sabe na sexta não aparece uma arte mais elaborada?
segunda-feira, 2 de abril de 2012
ESBOÇOS PARA UM NOVO TRABALHO.
Semana passada dei inicio ao novo livro que estou ilustrando, trata-se de uma compilação dos contos do escritor, jornalista e político Humberto de Campos. A editora não me deu maiores informações sobre a obra e nem tive tempo de pesquisar a respeito dela no Google, mas a maior parte das narrativas parecem anedotas (ou sátiras) que tive oportunidade de ouvir algumas vezes (versões diferentes, claro, mas a mesma base); aí vem uma pergunta, teriam sido criadas pelo autor e foram incorporadas à cultura popular ou ele ouviu estes "causos" durante sua vida e agregou-os ao seu repertório?
De qualquer forma o conto intitulado "O Monstro" é uma obra prima, uma obra poética que rivaliza com alguns textos dos melhores escritores do estilo gótico.
Está sendo muito divertido ilustra-lo, é como um bálsamo, principalmente neste período de tensão que tenho vivido desde que começou 2012.
Enquanto não encontro tempo para meus projetos pessoais que me ajudem a fazer catarse ou uma nova fase de vida se inicie, é o melhor que tenho, e estou aproveitando.
De qualquer forma o conto intitulado "O Monstro" é uma obra prima, uma obra poética que rivaliza com alguns textos dos melhores escritores do estilo gótico.
Está sendo muito divertido ilustra-lo, é como um bálsamo, principalmente neste período de tensão que tenho vivido desde que começou 2012.
Enquanto não encontro tempo para meus projetos pessoais que me ajudem a fazer catarse ou uma nova fase de vida se inicie, é o melhor que tenho, e estou aproveitando.
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