quarta-feira, 9 de maio de 2012
ESBOÇOS PARA "O AUTO DE SÃO LOURENÇO".
Pois é, devido a correria para entregar as ilustrações deste livro no prazo e não deixar o blog pegando poeira, seguem aí uns rabiscos preparatórios para o mesmo.
Beijos a todos.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
MEU, QUANTA AGITAÇÃO!!!
Estas duas semanas tem sido bem pesadas (tem alguma que não é?), dois livros urgentes furaram a fila, tive que interromper "A Casa Velha" do Machado de Assis pra tocar em rítmo louco "O Alto Da Barca Do Inferno" e o "Alto De São Lourenço" de Gil Vicente e Padre Anchieta, respectivamente.
Portanto, sem muita conversa, deixo com vocês a capa (e alguns esboços) do livro "Contos Selecionados De Lima Barreto".
A gente se vê.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
MEMÓRIA FALHA.
Hoje pela manhã enquanto lavava o rosto e escovava os dentes, uma idéia bacana para o blg, destas que não aparecem todos os dias, surgiu em minha mente como um clarão. Boa, pensei, imediatamente comecei a lapida-la dentro da cachola, mas como tenho que entregar as ilustrações de "O Auto Da Barca Do Inferno" até sexta (amanhã), reservei-a para trabalha-la quando viesse postar, o que geralmente é a noite. Ao me sentar aqui, me dou conta de que não lembro patavinas do que me surgiu na cabeça nas primeiras horas do dia. Já espremi o cérebro e nada. Pena, talvez me lembre mais tarde ou um outro dia, mas não sei se será a mesma coisa. Pode ser que eu nunca lembre. Isto já aconteceu, muitos temas para hqs vem desta maneira, e se não anoto em algum lugar, horas depois some da minha memória. Geralmente os enredos brotam nas filas, nos engarrafamentos, observando alguma ação ou a expressão de alguém, mas aí, as vezes não tenho como registrar, se não ficar maturando a idéia, ela desaparece dos meus arquivos.
Em se tratando de histórias em quadrinhos isto nem me incomoda mais, desisti disso, nem permito que as idéias floreçam ao ponto de desejar ardentemente cria-la, não tenho mais o mesmo vigor físico e psicológico para continuar no campo de batalha, sofrendo um descaso atrás do outro. Os últimos álbuns do Zé Gatão tiveram uma receptividade pífia, principalmente Memento Mori, embora uns poucos tenham elegido esta primeira parte da saga como um dos melhores acontecimentos de 2011. O problema é que estes poucos não foram suficientes para alavancar as vendas. Será que as coisas não tomarão um outro rumo quando a sequência final for publicada? Quem sabe? Eu já não crio expectativas, não mais. Se acontecer, ótimo, se não, já provei o que sou capaz de fazer. Isto me basta. Falando nisto já está em tempo de contactar a Devir e dar início ao processo de publicação da segunda parte.
As artes de hoje são aquelas pinceladas rápidas só pra não desperdiçar o nanquim, a de baixo fiz a pedido de um desenhista que se diz fã da minha arte.
Quando falo que desisti dos quadrinhos, não quer dizer que nunca mais vá faze-los, aida tenho que terminar o Edgar Alan Poe, preciso dar corpo a uns roteiros que escrevi faz anos (gosto muito dos temas pra deixar no limbo), sem contar o ábum Phobos e Deimos que já está prontinho. O que digo é que aquele ardor tão próprio dos primeiros anos em que se cria, experimenta e só o fato de estar finalizado no papel já é uma realização, não existe mais em mim. Ih, caramba, começo a ficar sentimental, estou soando piegas, comecei falando das minhas falhas de memória e acabo com minhas mágoas pelos meus insucessos no mundo das hqs. Melhor para por aqui.
Bom final de semana a todos.
Em se tratando de histórias em quadrinhos isto nem me incomoda mais, desisti disso, nem permito que as idéias floreçam ao ponto de desejar ardentemente cria-la, não tenho mais o mesmo vigor físico e psicológico para continuar no campo de batalha, sofrendo um descaso atrás do outro. Os últimos álbuns do Zé Gatão tiveram uma receptividade pífia, principalmente Memento Mori, embora uns poucos tenham elegido esta primeira parte da saga como um dos melhores acontecimentos de 2011. O problema é que estes poucos não foram suficientes para alavancar as vendas. Será que as coisas não tomarão um outro rumo quando a sequência final for publicada? Quem sabe? Eu já não crio expectativas, não mais. Se acontecer, ótimo, se não, já provei o que sou capaz de fazer. Isto me basta. Falando nisto já está em tempo de contactar a Devir e dar início ao processo de publicação da segunda parte.
As artes de hoje são aquelas pinceladas rápidas só pra não desperdiçar o nanquim, a de baixo fiz a pedido de um desenhista que se diz fã da minha arte.
Quando falo que desisti dos quadrinhos, não quer dizer que nunca mais vá faze-los, aida tenho que terminar o Edgar Alan Poe, preciso dar corpo a uns roteiros que escrevi faz anos (gosto muito dos temas pra deixar no limbo), sem contar o ábum Phobos e Deimos que já está prontinho. O que digo é que aquele ardor tão próprio dos primeiros anos em que se cria, experimenta e só o fato de estar finalizado no papel já é uma realização, não existe mais em mim. Ih, caramba, começo a ficar sentimental, estou soando piegas, comecei falando das minhas falhas de memória e acabo com minhas mágoas pelos meus insucessos no mundo das hqs. Melhor para por aqui.
Bom final de semana a todos.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
GRANDE BIRA DANTAS!
Tive a honra e o prazer de encontrar o grande caricaturista Bira Dantas faz um pá de ano quando ainda morava em São Paulo, pra falar a verdade já estava de mudança (de novo) para Brasília. Foi na noite da pizza, ou pizzada como chamavam, não sei se este evento (parecia um evento, pelo menos) ainda acontece. O dono do lugar, fã de desenhos, hqs e caricaturas, promovia no seu estabelecimento (ficava próximo da Av. Paulista) uma noite onde vários profissionais, fanzineiros e entusiastas da nona arte, comiam pizza de graça, desenhavam num imenso mural e trocavam idéias.
Nesta noite esbarrei por lá com o Marcatti, Junião, Fabio Moon (ou seria o Gabriel Bá?) Maringoni, Gual e Dani, Jotapê Martins, Cariello e muitos outros, afinal o lugar estava lotado. Revi velhos amigos e travei contato com outros tantos. Entre eles o Bira, que eu já conhecia pelas suas caricaturas.
Alguns podem até pensar que é babação da minha parte quando me refiro a determinado artista como grande, ou fabuloso, ou imbatível e outros tantos adjetivos, mas quem me conhece bem sabe que eu só uso tais predicados para quem de fato admiro, não apenas o trabalho, o talento, mas acima de tudo o caráter e a humildade. Conheço artistas com traço e criatividade de fazer inveja, mas que não valem merda.
O Bira, pelos breves momentos que conheci é um destes caras sorridentes, amáveis, de bem com a vida, transbordando talento por todos os poros. Sua produção é impressionante, charges, caricaturas, hqs e o que mais vier pela frente ( vale a pena visitar o blog dele, http://caricasdobira.blogspot.com.br/ ).
Acho que ele já fez caricaturas de todos que conhece, tava faltando a minha, mas a lacuna foi competentemente preenchida, com se nota nesta postagem. Detalhe: como eu disse, ele só me viu uma vez, quase não tem foto minha circulando por aí, e ele foi brilhante ao captar meu meio sorriso de cara sem graça e braços cruzados, meio que levantando barreira entre mim e quem me observa, algo característico em pessoas inseguras e arredias. O cara é um gênio. Ele nasceu no Brasil (sorte nossa) se fosse em outro país ele teria o mesmo status de um Mort Drucker ou um Don Martin.
Eu disse antes e repito:
BIRA, CÊ É O CARA!
quinta-feira, 26 de abril de 2012
EL VÍBORA
Se ontem tivemos uma boa notícia com a chegada de mais um álbum do genial Nestablo Neto, hoje a nova é péssima, pois faleceu no dia 24 de abril último, Josep María Berenguer, o criador da lendária revista espanhola El Víbora.
Pra ser sincero não conheço muito sobre Berenguer, senão o que está descrito nas wickipédias da vida , mas sempre tirei o chapéu para ele, pela sua ousadia de publicar uma revista de HQs que de certo modo vão na contramão da história.
A primeira vez que folheei uma El Víbora foi no início dos 80, numa das visitas que fiz a São Paulo. Confesso que fiquei um tanto escandalizado com aquele conteúdo erótico e violento, eu estava acostumado com histórias da Marvel e DC, no máximo uma Heavy Metal ou algo do Crumb, mas ali eu vi que era possível fazer quadrinhos sem as amarras do pseudo bom senso. Contudo não pensei mais na revista até me mudar de novo para Sampa e criar o Zé Gatão como forma de dar vazão às coisas que me sufocavam, foi com publicações como El Víbora, Caniballe e Frigidaire que me senti a vontade para criar meus quadrinhos sem me preocupar em agradar ninguém. Paguei o preço por isto? Certamente. Na verdade ainda pago, se tem algo que sou é ingênuo, pensei que haveria um público amadurecido para encarar meus rompantes de fúria, me enganei e acho que isto de alguma forma me estigmatizou. Hoje já não me importa mais.
Muitos importantes nomes dos quadrinhos alternativos passaram por esta publicação.
O que me leva a abordar o assunto é que aquelas histórias pesadas (na sua maioria) da El Víbora, são extremamente atuais, e ao compara-las com o que se vê hoje, dá uma puta saudade, vejo muito brilhantismo mas pouca ousadia. O mundo gira, estamos numa época de alta tecnologia e temos que nos adaptar aos novos tempos, as hqs evoluíram, são como todas as artes, o reflexo do seu tempo, e eu ainda não me sinto muito a vontade no mundo atual.
Teria mais para comentar mas infelizmente o tempo curto me impede, eu encerro dizendo que não estava ligado na El Víbora a muito tempo, parece que a revista parou em 2005, mas acho que a morte do seu fundador encerra definitivamente um ciclo. Pior para os inconformados.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
P.E.T.
Hoje eu tenho uma boa e uma má notícia. A má fica para a postagem de amanhã, agora nos concentremos na excelente nova: o genial artista e quadrinista Nestablo Ramos está colocando na praça a sua mais nova criação, trata-se de "Os Protetores", pela LER Editora.
O site para divulgação do livro e personagens, bem como matérias exclusivas sobre proteção aos animais e preservação do meio ambiente já está no ar: http://www.osprotetores.com.br/ não deixem de conferir, vale a pena.
O referido álbum de quadrinhos ainda não li, por isto não posso comentar, mas algumas artes, que eu já conhecia quando o Nestablo ainda trabalhava nas etapas finais (privilégio de quem é amigo íntimo de um artista), me deixaram boquiaberto. A cada obra, tenho o prazer de notar a sutil evolução artística deste cara que além de soberbo ilustrador, tem um caráter e coração somente à altura de seu bom humor.
Falam que os ventos que sopram pra as hqs brasileiras é mais que favorável. Será? Porque então um quadrinista do quilate do Nestablo ainda não faz parte do panteão de autores badalados pela dita mídia especializada? Porque esta mesma mídia insiste em ignora-lo? Dirão, talvez, que é por que ele mora em Brasília, não em São Paulo. Conversa. Muitos artistas não moram em Sampa e são sempre matéria nos sites mais populares. Será, quem sabe, porque ele não paga jabá? Porque não é chegado à bajulação e nem faça parte de panelas? Vai saber. Mas persisistindo, comendo pelas beiradas e não parando de produzir material de qualidade, logo, logo, tenho certeza, ouviremos muito falar dele, e não será só por blogs que insistem em pregar no deserto.
domingo, 22 de abril de 2012
PUBLICIDADE.
Eram os duros anos 90. São Paulo. Morávamos na Rua Guainazes, bem ali no centrão velho da cidade e embora eu ainda não tivesse conhecimento, aquela região era também conhecida como "cracolância".
Lembro que não tínhamos telefone nesta época, então, quando necessário, deixavámos o número de um vizinho nosso, compadre do meu pai. Em 1994, bem tarde de uma noite particularmente gelada, ele batia em nossa porta dizendo que havia alguém ao telefone querendo falar comigo. O cara estava de pijamas, olhos sonolentos, muito sem graça o acompanhei me perguntando quem poderia ser tão inconveniente. Era um conhecido (também desenhista) me informando que um amigo dele, dono recente de uma agência de publicidade, precisava de um artista pra continuar tocando o negócio. Naqueles dias, mais que nunca eu matava cachorro a grito e jacaré a beliscão, fazia muitas ilustrações pra revistas mas era uma situação tão irregular que o dinheiro não rendia. Perguntei quem eu precisaria matar pra não perder a vaga. Ele deu-me um número pra eu ligar assim que fosse possível e acertar uma entrevista. Logo de manhã, munido de algumas fichas fui ao orelhão da esquina e falei com a esposa do cara. Combinei de passar na tal agência naquele mesmo dia. Ficava num local distante pra burro, perto de Interlagos, mas isto não me impediu de chegar na hora marcada acompanhado da minha fiel pasta preta onde guardava minhas artes, ela era tão grande e pesada que era um transtorno carrega-la em coletivos.
Naquela tarde brilhava um sol frio, indiferente, assim como a esposa do publicitário e co-proprietária da tal agência. Era uma mulher jovem, bonita, fútil e com minhocas no lugar do cérebro, trajava uma blusa de lã, salto alto e micro-saia pra exibir os pernões, olhou minhas ilustrações fingindo que entendia daquilo, falou que eu era muito bom mas que quem decidia era o marido que encontrava-se em viagem. Eu teria que voltar num outro dia mas precisaria ligar antes. Aquela idiota podia ter me poupado tempo me informando que ela não apitava nada, mas tentei não me aborrecer.
Liguei de novo e falei com o dono a quem chamaremos de "V". Prático, disse que ouvira da mulher (que chamaremos de "C") que eu era talentoso e que confiava na opinião dela, não precisaria levar portfólio, caso quisesse mesmo me unir ao time era só levar meus documentos e começar a trabalhar. Boa, pensei.
Em Brasília eu trabalhei numa agência de publicidades por alguns meses e admito ter odiado cada minuto, mas eu precisava de algo que me permitisse ter algo todo final de mês.
Minhas lembranças agora são um pouco difusas, confesso. Pouco me recordo dos meus primeiros dias, mas uma insegurança muito grande me embotava o raciocínio e a criatividade. Para minha sorte o "V" entendia de propaganda tanto quanto eu entendo de geometria espacial.
"V" era um negro magro e alto, feio, mas simpático, com uma voz grave e muito agradável, aliás, esta era sua verdadeira vocação, radialista. Ele apresentava um programa de músicas sertanejas numa rádio. Eu nunca senti, mas as meninas que trabalhavam lá diziam que ele tinha mau hálito, não sabiam como a "C" aguentava.
Combinei com ele de trabalhar somente na parte da tarde, pela manhã eu cuidave de outras artes encomendadas. Almoçava cedo e as onze horas caminhava até o Largo São Francisco pra pegar o ônibus até à Nossa Senhora do Sabará, não podia chegar atrasado, mas era algo quase inevitável, afinal, o ônibus emperrava na altura do Aeroporto de Congonhas, o que com o tempo me rendeu uma chamada ríspida por parte do "V", envenenado por "C". Muito tempo depois eu descobri que aquela mulher já tinha me apelidado de Hulk e era assim que as pessoas lá se referiam a mim quando eu não estava por perto.
Ele tinha alguns clientes fixos, o que mais requisitava trabalhos era um sacolão de legumes e frutas, minha função era criar visual para as promoções do lugar. Fazia também muitas ilustrações para "raspadinhas", cês sabem, aqueles bilhetinhos que dão prêmios. Certa vez cheguei a executar uma capa de disco infantil com musiquinhas cantadas por um palhaço, não lembro o nome dele, infelizmente.
"C" estava sempre lá, fazendo nada, trajava-se dia sim e o outro também com vestidos e saias justíssimas e curtas. Quase sempre ela vinha se sentar perto de mim quando o "V" estava ausente, pra me ver trabalhar. Ficava lá, exibindo aquelas coxas grossas. Eu era uma uma espécie de asceta, só sendo assim mesmo pra resistir a tamanha tentação, afinal eu estava solteiro fazia um bom tempo. Se debruçava sobre minhas costas, colocava a basta cabeleira com mechas loiras no meu rosto perguntando se estava cheiroso, que tinha usado tal shampu aquele dia e essas coisas.
A telefonista também era uma mulata de parar trânsito, lábios hiper grossos, fofoqueira até não poder mais, falava da vida de todo mundo. Eu ficava na minha, nunca dava muito papo. Ela saiu um tempo depois para se casar, no lugar dela contrataram uma garota de dezoito anos que também fazia um lobo uivar. Eu a chamava secretamente de "lolita". Ela e outra garota nerd, casada, que ficava no computador eram as únicas pessoas com quem gostava de conversar, lindas, simpáticas e viviam me adulando. Certa vez a lolita (que não por acaso era noiva do irmão do "V") deixou escrito na minha prancheta: "você é um tesão", li, fiquei na minha, desci pra lanchar, quando voltei a fraze estava riscada.
Eu chegava por volta da hora do almoço, num dia a cozinheira estava em prantos. O que houve? Perguntei. Ela chorava pela morte do Ayrton Senna. Ah, fiz eu. Me encaminhei ao banheiro para lavar o rosto e as mãos como sempre fazia antes de me sentar à prancheta e o local, todas as vezes - aquela hora - fedia horrívelmente. Intrigado, comentei com a garota do computador: "Su, acabo de vir do banheiro, não é de hoje que aquilo está com um insuportável cheiro de merda!" Ela riu e respondeu baixinho, "Ah, você não sabe quem deixa o banheiro naquele estado? É a esposa do chefe, invariavelmente ela termina o almoço e corre pra lá. Ela é bonita mas tem os intestinos apodrecidos".
Devo dizer que o serviço era moleza, eu recebia direitinho, era exatamente no período de implantação do Plano Real. Obviamente aquilo em termos de agencia não funcionava de acordo. As vezes eu passava tempos sem ter o que fazer, isto porque o material gráfico era preterido em função de uma dupla sertaneja que "V" estava empresariando, jurava que ia leva-los ao programa do Faustão e que os tornaria tão célebres quanto Chitãozinho e Chororo, coisa que, é claro, nunca aconteceu, não que faltasse talento à dupla, ou que "V" não se empenhasse, mas sabemos que nesta vida nem tudo depende somente de esforço e trabalho. Tem que existir o fator sorte envolvido, somado a uma cadeia de acontecimentos que fazem a roda girar a seu favor. Mas estou divagando, vamos terminar isto.
"V" inaugurou um novo escritório e com aquela ampliação muitos planos foram feitos, não sei se ele conseguiu realiza-los, não muito tempo depois fui chamado a sala dele ("C" estava lá em pé me observando), fui dispensado das minhas funções, ele disse que seria temporário, mas eu sabia que aquela conversa era pra coisa não ser traumática (achei até legal da parte dele).
Lolita e Su ficaram tristes, na verdade eu também fiquei, não era pelo emprego em sí, mas naqueles dias era bom ter algo no que me apegar.
Foi nesta época, quando chegava do trabalho, que comecei a desenhar o "Zé Gatão - Cidade do Medo", agora eu teria mais tempo para me dedicar aquela que viria ser a minha primeira obra em quadrinhos e que só seria publicada anos mais tarde.
Tenho muitos fatos pitorescos pra narrar sobre este trabalho e aquelas pessoas, mas o bom senso me aconselha a omiti-los.
Olhando para trás hoje, posso dizer que foram bons tempos. Tardes mornas, noites frias. Saudades de Su e lolita.
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