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domingo, 27 de agosto de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 11)

Queridas e queridos, bom dia!

Ainda espero por um novo livro (trabalho pagaluguel) e enquanto ele não vem, executo umas artes encomendadas para reforçar o orçamento.

Tive uma boa notícia na última vez que estive na editora, publicaram mais uma leva de títulos dos clássicos brasileiros que ilustrei, uns vinte, parece. Ainda não tenho meu reparte em mãos, mas assim que chegarem eu informo por aqui com imagens dos mesmos, se DEUS quiser.

O QUE ESTOU LENDO?
Recebi um belo quadrinho de presente de meu amigão Elton Borges (obrigado de novo, Elton!): CARAVAGGIO do Milo Manara! Putz, muito legal! Me deu vontade de reler sobre o polêmico e influente pintor barroco, então devoro uma biografia dele.
Paralelo a isto estou tentando ler Ghost In The Shell, mangá clássico do Masamune Shirow; eu digo tentando porque até agora estou achando chato.

O QUE ESTOU ASSISTINDO?
Acompanho Game of Thrones (último capítulo da temporada, hoje).
Também vejo Mr. Mercedes, baseado no livro do Stephen King (e tá muito bom!). Desisti do The Mist (também do King), uma merda!
Finalmente vi Guardiões da Galáxia Volume 2, me diverti muito!

O QUE OUÇO?
Rock ´n´Roll dos anos 60, 70 e 80, sempre!

De resto, continuo minha luta diária para sobreviver neste mundo.


Mais uma imagem da Escrava Isaura proceis!

Um beijo a todos.

domingo, 20 de agosto de 2017

AS MÃOS EM CARNE VIVA.



Era o ano de 1979, eu tinha 16 anos. Meu pai havia adquirido um pequena firma que oferecia serviços e eu fui trabalhar com ele. Que serviços ele oferecia exatamente eu nunca soube dizer com certeza, mas me lembro bem de descarregar, certa vez, um pequeno caminhão com sacos de cimento junto a outro cara que ele havia empregado. Este trampo em particular não me desgostou, eu queria provar a mim mesmo que era forte e capaz de grandes esforços sem colocar a língua pra fora mesmo que isto me custasse uma hérnia de disco na adolescência. Eu sempre fui um imbecil - e continuo sendo - mas naquela época eu não tinha escolha.
Certa vez, (acho que foi no meu período de férias) surgiu um trabalho realmente complicado, não a tarefa em si, mas a maneira de executá-la pois não tínhamos as ferramentas necessárias. Se eu me lembro bem, havia um imbróglio em relação a um trecho de terra que ficava entre o IBGE e a UNB. Hoje não sei dizer quem venceu a pendenga, mas a minha função era  colocar uma cerca no terreno, que na verdade era um espaço cheio de mato, que formava um extenso corredor até o lago Paranoá e assim agregá-lo ao órgão do governo que venceu a guerra por aquele pedaço de chão, na verdade "puxar" a parte amputada do cercado e emendá-la com o outro lado (o lado vencedor). Difícil de entender? Eu também acho complicado explicar assim, digitando. Queria poder fazer um esboço de como era a coisa para que vocês sacassem bem, mas infelizmente não será possível, hoje na minha vida até isto se tornou difícil, existe a vontade mas não há força no querer, tudo se tornou extremamente enfadonho.
Nesta época apareceu um casal, a mulher grávida, ajudava minha mãe nas tarefas do lar e o marido foi me auxiliar no tal trabalho da cerca. Não lembro o nome dele, mas era um nordestino baixinho muito falador, risonho e simpático para fazer contraponto comigo que era calado e ensimesmado. O cara traia a mulher, era um putanheiro de marca, só falava sacanagens. Munidos de uma serra sem o suporte, uma pá, e uma picareta, demos início à empreitada. Teríamos que terminar em três dias.
A primeira coisa a fazer seria serrar os canos da cerca de tela, como não tínhamos o suporte para a serra, era extremamente difícil, machucava as mãos e eu tinha que revezar com o cara; o cano, embora fosse oco, era de um metal muito duro, eu me senti como um prisioneiro tentando serrar as barras de sua cela. Debaixo do sol, serrar as tramas da tela foi outra tortura. Feito isto, contamos aos passos a metragem de cerca que deveria ser a mesma medida da entrada do terreno para então cortar na extremidade oposta, o que ficou para o dia seguinte.
Eu chegava em casa esgotado, mas ainda tinha tempo para ir a um cinema com o Luca. Era período de abertura política no país, onde os militares permitiram que os comunistas exilados voltassem e filmes antes proibidos fossem exibidos, como O Último Tango em Paris e Emanuelle.
A tormenta do dia seguinte prosseguiu no trabalho, as mãos, as juntas dos dedos, os pulsos, tudo doía horrivelmente mas fizemos o que tinha de ser feito. Cortadas as duas extremidades do cercado o encargo seguinte seria remover a cerca, para isto tínhamos que desafixá-la do chão, cavamos com a pá, e com a picareta arrebentamos o duro cimento que a fixava no chão. Mãos, braços, ombros e quadris sofriam o suplício sob o sol ardente. Na tarde caiu um bela chuva e os calos de minhas mãos sangraram, meus músculos lombares já não suportavam mais.
Chegava em casa moído, mas mesmo assim eu saía para correr uns quilômetros no eixão, eu era viciado em atividade física. Gostava de correr no eixo sul. Os postes tinha uma iluminação amarelada que davam um tom onírico ao ar noturno, sentir o vento era como experimentar uma liberdade fugidia que me fazia sentir vivo.
Dia seguinte a mesma tormenta: sol, chuva, refeição frugal, as conversas idiotas do nordestino, minha tristeza, sensação de que era um prisioneiro condenado a trabalhos forçados, mãos sangrando e costas doendo, mas arrastamos a maldita cerca para seu novo lugar, fechando o terreno. Teríamos que fazer a mesma coisa com a outra extremidade da cerca próximo ao lago, mas por algum motivo que agora não lembro meu pai suspendeu o serviço. O que sei com certeza é que ele nunca recebeu por aquele trabalho e nem eu, é claro!

Algum tempo depois eu partiria, fugido, para o Rio de Janeiro e perderia quatro bons anos de minha vida. Se ficasse em Brasília também não sei o que seria. Parecia não ter saída para mim, como parece não haver agora,

É estranho pensar que de lá pra cá, 38 anos depois, minha vida mudou tão pouco.


Os desenhos de hoje são estudos para uma arte comissionada.


Fiz este texto as pressas, não reparem se tiver muitos erros.
Beijos a todos.


 

















domingo, 13 de agosto de 2017

TÍTULOS A ESPERA.

Boa noite!

Passo rapidinho aqui aqui para dar um oi para vocês.

Eu continuo na batalha, lutando com as mãos nuas como sempre. Enquanto não chega um novo livro infantil "pagaluguel" eu faço uma HQ de quatro páginas cuja a temática é zumbi encomendada por um editor de São Paulo e também cuido de uma commission para um querido amigo. No entanto tenho álbuns de quadrinhos esperando lançamento.

Nem vou falar de Caim e Abel que fiz para a HQ Maniacs (a mesma que publicava o "The Walking Dead"), nunca mais soube notícias da editora, nem sei se ela ainda continua no mercado.

Temos A VIDA E OS AMORES DE EDGAR ALLAN POE, uma biografia do poeta americano em quadrinhos que o escritor e roteirista R. F. Lucchetti levou dois anos para escrever e eu levei seis para ilustrar e já está aguardando na editora faz um montão de tempo.


Depois o CARTAS MARCADAS, história que abre o álbum NCT - Novos Clássicos do Terror, projeto capitaneado pelo genial Allan Alex.


E finalmente O BICHO QUE CHEGOU À FEIRA, um quadrinho que conta com um belo time. Um roteirista e três desenhistas, cada um desenhando um capítulo. Claro que um deles sou eu.


Quando tudo isto virá a público? Só Deus pode responder. Estamos no Brasil. Aqui as incertezas são maiores.

Nos falamos semana que vem? Quem sabe?

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

BRINCANDO COM ZÉ GATÃO!

Bom dia, amadas e amados!

Esta postagem chega atrasada! Pudera, o meu fim de semana foi corrido! Devo preparar até amanhã três artes para levar um novo livro infantil para a editora. Se não entrego na terça meu pagamento fica adiado por um tempo que não poderei esperar.

Mas como este blog não pode ficar desatualizado (não quero que fique!) vamos conversar rapidamente.

Arde em mim um desejo grande de fazer mais algumas HQs com Zé Gatão, mas como podem notar não tenho tido tempo de sequer pensar a respeito. No entanto venho fazendo - quando posso - pequenas artes aproveitando sobras de papel e tinta. Ou seja, sobrou um pedaço de papel de qualidade? Eu rabisco alguma coisa; restou um pouquinho de nanquim de alguma ilustração comissionada? Pego o pincel e finalizo o papelzinho. Assim vou criando uma curta HQ só para me divertir.

Neste caso pensei numa violenta luta entre o felino e um Diabo da Tasmânia, só isso, nada mais.


Claro que ainda não acabei, mas não falta muito, não. Se juntar todos os quadrinhos separados acho que dá mais de 10 páginas de luta. Vai ser publicado um dia? Quem poderá dizer? Nem estou preocupado com isso, o objetivo aqui é não desperdiçar material e ainda me distrair um pouquinho.

Boa semana a todos!

domingo, 30 de julho de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 10)


Dos 45 clássicos da literatura brasileira que ilustrei a editora só publicou a metade, ou menos da metade, creio eu. Fico muito curioso pelos demais, possuir a coleção completa daquilo que me consumiu um bom pedaço dos meus dias seria muito legal; foram uns quatro anos, contando com os intervalos, em que coloquei muito da minha alma nas edições, variando técnica e estilo, procurando emular o espírito dos antigos desenhos da American Golden Age (fundidos com nossa brasilidade). Não sei se voltarei a trabalhar em algo assim com tanta liberdade e espontaneidade.

Muita gente gosta do meu traço de desenho mas não conhece este projeto. A editora é do nordeste e trabalha com didáticos, tem sua própria gráfica e mecanismo de distribuição. Esses livros ficam muito restritos a professores da região. O grande público desconhece totalmente que ilustrei os clássicos do Machado de Assis, Lima Barreto e José de Alencar, entre outros.

A coleção completa seria de 50 tomos, faltam ainda cinco para fechar, mas até hoje a editora não retomou. Acho que não acontecerá. Paciência. A fila anda.

Mais uma arte de A ESCRAVA ISAURA.

Beijos a todos.





domingo, 23 de julho de 2017

O EVENTO ILUSTRA SHOPPING FOI MUITO BOM!!!



Queridos e queridas....bom domingo!


Pra ser sincero não estou com nenhum ânimo para a escrita hoje, nem para o trabalho, para falar a verdade; se fosse possível eu gostaria de estar num local aprazível deitado numa rede e lendo um bom livro ou um bom gibi, depois uma cochilada, depois uma refeição leve, um suco, mais leitura, outra cochilada, um dia de preguiça enfim. Não é nenhum crime, é? Mas no meu caso parece ser crime, sim. Se paro de trabalhar minha condenação é aluguel atrasado e geladeira vazia, ainda dou sorte de ter trampo com ilustração.


Minha barba está crescida e também as unhas do pé, resolver isto é fácil, bastam alguns minutos, mas cadê coragem?


Porém, o objetivo da postagem é falar sobre o evento geek que rolou no Shopping Plaza no fim de semana passado, então vamos lá.

Sou o mais velho da turma,um veterano já, quem diria?

Foi muito bom! Ótima receptividade e carinho do público. Para mim foi como uma terapia, afinal eu quase não saio de casa. Meus amigos de mesa eram artistas (roteiristas, desenhistas, arte finalistas, e coloristas) muito talentosos, humildes e simpáticos.


Infelizmente eu não dispunha de farto material para venda, mas o que levei eu vendi. Meu estoque pessoal de Zé Gatão da Devir e álbuns de anatomia esgotou.


Fiquei muito sensibilizado com o testemunho de duas jovens que me abordaram e pediram minha assinatura em seus cadernos de esboços. Elas disseram que fui um grande influenciador e que meus livros de anatomia ajudam-nas a aperfeiçoar seus traços. Julgo que este é o maior mérito que um artista pode ter, plantar, ver crescer e dar frutos.


Um rapaz de 15 anos, que demonstra grande talento para a arte disse que de todos ele me considerou o artista mais legal cujo trabalho ele mais gostava.
Sei que estou sendo cabotino mas se eu não falar sobre mim, outros não o farão.


Meu brother Leonardo Santana, talentoso roteirista de quadrinhos que criou entre tantas coisas o FDP e As Amazonas foi quem indicou meu nome para o festival e não podia ser um companheiro de mesa melhor. Grato Leo!


Tomaram que sujam mais eventos como  este. Foi bom sair por dois dias da vida tensa que tenho levado.

Até a próxima postagem!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 9)


Amadas e amados, antecipo a postagem desta semana. Sábado e domingo, ou seja, amanhã e depois participo de um evento Geek no Plaza Shopping. Saio cedo, fico o dia inteiro e só volto a noite. Totalmente fora da rotina; bem, mais ou menos, muito provavelmente estarei desenhando por lá também. Mas o ambiente será outro.

Espero voltar semana que vem comentando sobre o festival.

Fiquem com mais uma imagem de A Escrava Isaura.

Tenham todos um bom fim de semana!




ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 7 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A Busca – Capítulo 7: Ao saírem pela boca da passagem, por onde tinham palmilhado, por um tempo impossível de determinar, a morceguinha e o...