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terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

MINI CARTA PARA FRANCIS.

 Oi, mamãe! Hoje completam dois anos que você se despediu de nós, daqueles que te amam (sim, com o verbo no presente). Não vou perguntar como você está, pois a resposta seria óbvia para nós que cremos e recebemos a Cristo como Senhor e Salvador, hoje o seu louvor é tão somente para Ele, na presença d´Ele e isso é algo que não posso imaginar, está muito aquém das minhas capacidades como homem ínfimo, efêmero e mortal. Apesar da saudade matadora e tristeza onipresente me sinto consolado com o pensamento de que toda a dor que as pessoa sem noção e sem coração te infringiram cessou e todo pesar não pode mais te alcançar.

Eu, ao contrário, continuo como aquele personagem do Dean Martin (você gostava dele, lembra?) naquele filme com o John Wayne, Rio Bravo ou como aquele anão de Mad Max Além da Cúpula do Trovão. Tenho vivido dias amargos - agora, na casa dos sessenta - e não tenho mais a sua presença para me consolar. Os motivos ainda são os mesmos? Você me perguntaria. E eu respondo, sim. Além da eterna dificuldade financeira, algo que você conheceu tão bem durante maior parte da sua vida, ainda sofro a ingratidão de quem deveria me ajudar e, lógico, a incompreensão de muitos. 

Mas falemos de outras coisas; não conversei mais com a Samanta, mas vi uns vídeos dela numa rede social e ela me pareceu bem, sempre sorridente e fazendo aquelas piadas dela. Vez ou outra papeio com o André e o Rodrigo, nunca temos muito tempo e nossas obrigações cotidianas parece que nos afastam cada dia mais, mas estamos sempre unidos em pensamento, isso eu sei.

Nos dias mais pesados (eles são muito frequentes atualmente) relembro sua voz, sua bênção. Nunca esqueço o amor que você me incutiu pelos livros. Foi você quem me falou sobre Cathy e Heathcliff e foi você quem me levou para ver Se Meu Fusca Falasse e o Ladrão de Bagdá no cinema quando eu era bem garotinho. Fiquei maravilhado! 

 O SIROCO, a derradeira aventura do Zé Gatão ainda não foi publicada. Definitivamente não há mercado para esse tipo de material por aqui, mãe, talvez para nenhum tipo e isso me obriga a jogar a toalha e não tentar emplacar mais nenhum projeto pessoal. As vezes ainda me pego sonhando em vender meu material para o público externo, tipo Europa, onde dizem, teria melhor aceitação. Será? Esta seria a melhor forma de comprar uma casa para a Verônica e permitir que ela tenha uma renda caso eu venha a faltar. Tenho muito medo de deixar como legado para ela apenas dívidas. 

Eu sei como você sonhou em gravar um disco, ter sua casa própria, voltar a enxergar direito e todas essas quimeras foram frustradas. Dinheiro, apenas um pouco mais de dinheiro e ele sempre esteve distante uns poucos passos!

E após tantas provações você foi aprovada, mãe. Um outro medo que tenho é de nunca poder te reencontrar, não ser aceito nesta pátria onde você está junto a seu filho que te seguiu pouco depois, porque ao contrário de você eu não consigo sentir compaixão pelos desgraçados, pelos bêbados, drogados, vigaristas e parasitas, eu os desprezo. Ontem fui obrigado a ouvir uns hip hops, você sabe, essas músicas de bandido e senti engulhos diante de tanta hipocrisia, gente que prega abertamente o ódio e o preconceito, usam roupas finas, esbanjam recursos ganhando dinheiro com sua poesia tosca sobre negros pobres e favelados.

Sinto uma repulsa brutal em relação aos políticos corruptos e oportunistas, mãe, você não está aqui para testemunhar o fato de prenderem inocentes e colocarem criminosos em liberdade.....eu me vejo como o profeta Jonas que queria ver cair fogo dos céus sobre Nínive. Se o Senhor nos recomendou amar aos que nos odeiam, como posso obter perdão com esses sentimentos?

Eu continuo trabalhando como posso, sempre inspirado por você e seus exemplos.

Termino essas poucas linhas na esperança de que a misericórdia do Salvador seja maior que os meus pecados e possamos nos ver de novo neste lugar onde lágrimas nunca mais rolarão.

Beijos, mãe! Saudades eternas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 12 de fevereiro de 2023

FADAS, SEREIAS E COISOS.


FLAVIO CALAZANS, UMA LENDA DA PRODUÇÃO NACIONAL BRASILEIRA QUE NÃO CAI NA MESMICE.

PRESTIGIEM, DIVULGUEM!

O AUTOR COM A PALAVRA:

"Este álbum "Fadas, Sereias e Coisos" mostra os 4 capítulos de meu Grimorio e dá sentido às minhas HQs de fadas e sereias como sub produto de um extenso trabalho místico com simbologia e leis das ciências arcanas como Alquimia, Astrologia, Cabala, Geomancia, Heráldica, Anatomia esotérica, Metafísica, Teologia, Angeologia, Demonologia, etc.
Esclarece a missão de meus personagens como metáforas de Ciências ditas "Ocultas"; Mauro o Centauro, Ada a Fada, Aragão o Dragão, Miuxa a Bruxa e tantos outros, em que pese os trocadilhos com os nomes deles, estes personagens são Adultos e as histórias em quadrinhos são proibidas para menores de 18 anos.
Obrigado Marcos Freitas, mais do que nunca estas obras precisam circular no nosso Brasil de hoje.
"Pouca luz vence muitas trevas" .
Paul Claudel. Diplomata e poeta francês
"FADAS, SEREIAS E COISOS"
Flávio Calazans
Álbum que reúne HQs de Calazans COMENTADAS DETALHADAMENTE PELO AUTOR PELA PRIMEIRA VEZ.
80 páginas em formatão 21x30, capa em cores com verniz localizado, miolo PB Pólen Bold, lombada.
Estréia da Editora Xerox Mecânico
R$ 49,00 + R$ 10,00 frete registrado
contato: atomiceditora@gmail.com"

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Arte criada para um livro do Ensino Médio que breve será publicado

 Boa noite a todos!

Faço uma pausa (queria que fosse breve, mas sei que não será, vou me perder como de costume em digressões e enxertar assuntos que nada terá a ver com o que eu queria realmente dizer) na atual página que faço para os Mitos Gregos (trabalho em Dédalo e Ícaro, penúltimo livro da série, já começo a ficar preocupado se a Ciranda Cultural não renovar o contrato comigo após o livro final, perderei o trabalho que é o grosso dos meus ganhos - viram como me afasto do tema proposto com meus parênteses? - mas não vamos sofrer por antecipação) com o objetivo de atualizar esse nosso espaço e enquanto o faço, devo informar que sou severamente incomodado com o calor e com os pernilongos que me desesperam tocando seus malditos violinos em minhas orelhas enquanto ferozmente se alimentam do meu sangue, o que me obriga a parar de digitar e tentar matá-los com tapas e se tenho sucesso, limpar o sangue das palmas das minhas mãos.

Mas vamos lá, talvez alguém aqui já tenha ouvido falar que tenho uma filha. Não nos vemos há muitos anos e meio que perdemos a conexão. Eu evito comentar o assunto para protegê-la, mas mais que nunca os dias de hoje não prometem futuros auspiciosos, os anos avançam e o pior pode acontecer comigo a qualquer momento e sinto o desejo agudo de me justificar, explicar o meu mutismo e um dia, quem sabe, ela pode ler essas palavras e entender o meu silêncio. Não fui um bom pai pra começo de conversa, eu ela sabemos porque, embora na minha cabeça eu tenha tentado ser, por isso, penso, ela se afastou e eu não a censurei pois achei mais que justificado. Por ocasião da despedida da minha mãe e meu irmão, eu e ela nos falamos umas poucas vezes, sempre brevemente, ao telefone e eu pensei que restabeleceríamos a ligação. Trocamos algumas mensagens por WhatsApp mas ela demorava na resposta e era sempre algo muito fugaz, logo intuí que ela o fazia por educação, não por gosto, ao mesmo tempo eu comecei a me encolher esmagado pela minha dor, açoitado pelos ventos das tempestades que sempre me assolam; esperei até que tudo passasse para retomar o contato. Escrevi mensagens e mensagens dizendo o quanto eu a amava e quanta saudade eu sentia, mas nunca enviei (mas deixei guardado em meus rascunhos). Até que dia desses assisti alguns vídeos, desses que são públicos em redes sociais, e pude notar o quanto ela está bem, bonita, pândega como sempre, feliz ao lado da família que ela conquistou faz anos. Tomei a deliberação de execrar as mensagens arquivadas - assim como pretendo um dia queimar todos os quadrinhos e desenhos que permanecem ocultos ao público - me aproximar dela, trazê-la para perto de mim, quando ela mesma nunca tentou fazer, seria como obrigá-la participar dos meus negros momentos de depressão e dificuldades financeiras, impingir, quem sabe, alguma culpa quando ela não tem culpa nenhuma, seria como eu pedir para que ela viesse me visitar numa cadeia, ela não merece isso. Ela nunca dependeu de mim pra nada, conquistou suas coisas na raça e eu sou orgulhoso por isso. Deixo ela bem, vivendo feliz ao lado da sua família. Se um dia o Todo Poderoso cruzar nossos caminhos novamente, então amém, assim será, mas eu não posso trazê-la para o lado negro do meu mundo que é só o que eu tenho para oferecer.

Eu deveria encerrar agora mas tem o título do post, né? Bobagem, foi algo que eu lembrei esses dias. Num outro universo, quando eu era outro personagem no palco da vida, numa Brasília do ano de 1976, havia esse menino, um menino robusto, de boa família, inteligente, com um chulé terrível e um irmão mais novo que era uma espécie de valentão da escola, que me segredou que haviam forças malignas no Brasil que deveriam ser combatidas pelas pessoas de bem, pessoas como eu e ele. Sim, ele me recrutava para a organização secreta que combateria o mal (não, ele não delirava, nem brincava, para ele era sério!) e a tal organização eram nós dois. Me lembro de que aventei a possibilidade de trazer para a "organização" mais dois amigos próximos do colégio e ele disse que não podíamos confiar em ninguém. O que veio além seria mera suposição porque de fato eu não lembro, mas deve ter ficado o dito pelo não dito. Eu mudei de escola e dele não mais ouvi falar.

Dando um salto no tempo, já nos anos 90, um outro conhecido me passou um livro que, segundo ele, seria como um tapa na minha cara, tratava se do tal "Protocolo Dos Sábios de Sião", um compêndio breve (e muito chato) que tentava provar o plano dos judeus para conquistar o mundo. Li, devolvi pra ele e esqueci. Não muito depois comprei a obra do Will Eisner chamada "O Complô", tão chato quando o tal protocolo que ele combatia e provava a farsa. Lamentei ter pedido o contato com o conhecido anti-semita, queria ver a cara dele ao ler as irrefutáveis argumentações do criador do Spirit.

Sobre o amigo que queria combater as forças maléficas que agiam secretamente no Brasil criando uma organização contrária composta por apenas dois meninos de 14 e 15 anos, lembro que ele gostava dos Carpenters e se apaixonou por uma desconhecida atriz do cinema ianque, uma oriental. Claro que não me recordo mais do filme em que ele a viu e se encantou, mas o que ficou vivo na minha memória é que ele disse que assim que pudesse viajaria para o exterior, a conquistaria e se casaria com ela. Espero sinceramente que ele tenha tido êxito e tenha sido feliz. Haviam nele bom coração e boas intenções.

Aliás, em homenagem a ele vou ouvir Carpenters enquanto termino a página de Dédalo e Ícaro.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

ARTES NÃO MAIS ESQUECIDAS

 Amadas e amados, boa noite! Hora de atualizar esse blog, embora eu não tenha a mínima ideia do que vou escrever aqui. Ao sentar diante do computador eu planejava falar apenas sobre um telefonema que recebi hoje cedo, a partir daí outros pensamentos podem surgir. Aliás, me veio um agora, mais cedo, meu cunhado caçula me perguntou de 1 a 10, qual seria o meu nível de ambição. Eu respondi que seria 5. Mas pensando bem, acho que é 2. Já falei sobre alguns sonhos sepultados em um post intitulado O Sonho Morto ( https://eduardoschloesser.blogspot.com/search?q=sonho+morto ). A verdade é que quando perdemos o amor verdadeiro o que sobra são as paixões e essas são voláteis. Perder a minha mãe e meu irmão tornou todas as outras coisas pequenas demais para que eu me importe. Por exemplo, muito da minha vida profissional - e sentimental também, claro - se foi quando meu HD externo, que não era tão antigo assim, deu pau recentemente. Nele, além de músicas e filmes raros que desperdicei boa parte do meu tempo garimpando, vídeos curtos que não estão mais na rede, ilustrações digitalizadas que já não estão em meu poder pois tive que vender para por comida na mesa, artes que foram encomendadas e cujo os originais, é lógico, foram para quem pagou por eles, fotos antigas da família e etc, desvaneceram. Naquela antiga vida onde haviam cores e sabores eu teria ficado muito chateado, mas agora, embora ainda seja frustrante, o peso não é tão grande, pois possuo o senso das proporções. Ao  responder ao meu cunhado, eu disse que a minha maior meta hoje em dia é batalhar para comprar um imóvel para a Verônica, dar a ela meios de existir dignamente caso eu venha a faltar. Ela sempre alimentou o sonho de um dia conhecer Portugal, então vamos batalhar para que isso aconteça. De resto, sigo trabalhando como posso, com as forças que me restam para ter um teto sobre nossas cabeças e fazer as refeições diárias necessária à nossa sobrevivência. E olhem, posso afianças a vocês: está cada dia mais difícil. Pra piorar, hoje não consigo mais fazer além de uma página de quadrinho ou uma ilustração completa por dia. Antes, com a devida pausa, eu conseguia duas, agora não dá mais, a mente parece não comandar os membros, se arrisco, como sempre tento, a arte sai uma merda. Então, sigo no meu ritmo. Por exemplo, concluí agora a pouco uma página para os Mitos Gregos, descanso um pouco redigindo esse texto, a ideia é voltar ao lápis e fazer o layout de nova prancha ou algum desenho mais simples. Vamos ver.

Gostaria muito de voltar aos meus projetos pessoais, dar continuidade ao que falta da série "Famous Monster", por exemplo, ou iniciar uma nova HQ própria, mas é humanamente impossível nesse atual estagio de luta pelo pão de cada dia. O Famous Monster eu vou tentar, um pouco cada dia, até que os quatro últimos estejam finalizados, acho que consigo. 

Mas falemos sobre o telefonema que recebi pela manhã. Eu ainda esfregava os olhos e me encaminhava ao banheiro para aliviar a bexiga quando a Vera me chamou dizendo que a ligação era da Editora Construir, aquela para a qual eu ilustrei 45 clássicos da literatura brasileira e mais uns tantos infantis. Boa, pensei, vão me dizer que os vinte e tantos livros com meus desenhos que ficaram inéditos finalmente foram (ou serão) publicados, ou então vão me oferecer algum trabalho. Nem uma coisa nem outra.

Lembram que em minhas últimas postagens eu comentei que os desenhos debutando aqui nunca seriam publicados pois os livros para os quais eles foram feitos foram abortados? Pois é, ressuscitaram o projeto. Claro que não ganho nem mais um centavo com isso, mas os contratos assinados há mais de dez anos foram perdidos (acho) e terei que assinar de novo, por isso entraram em contato. 

Então é isso, livros didáticos de Português e Sociologia do ensino médio com esses traços que vocês previamente viram aqui sairão da obscuridade em breve.

Com isso não sei se posso continuar mostrando-os. Talvez, uma ou outra vez, mas o nome das postagens não poderão mais ser conhecidas como ARTES ESQUECIDAS.

Ah, perguntei sobre os 22 clássicos que não publicaram e a resposta foi: aquele projeto morreu, não darão prosseguimento. Pena, o que criei para aqueles livros tem muito da minha alma naqueles delineamentos.

Fiquem todos com Deus!    


sábado, 14 de janeiro de 2023

ARTES ESQUECIDAS 3

 Tá lá em Jeremias 17:5: "Maldito o homem que confia no homem...." Eu nunca confiei integralmente, mas confesso que algumas vezes me  deixei levar por palavras mansas e a decepção foi avassaladora (meus maiores desapontamentos foram com mulheres); certo conhecido de juventude me disse certa vez que eu espero dos outros o comportamento que tenho com elas, ou seja, o que penso ser o melhor possível, e quando noto que não há reciprocidade o desencanto é grande. Verdade, mas nem por isso luto contra a minha natureza.

Faz 15 dias que estive aqui pela última vez e meu desejo era (é) postar algo pelo menos uma vez por semana, mas acreditem, foi impossível, novamente fui tragado pela tormenta que castiga a minha nau já deteriorada pelas ondas do mar das eras. Mãos malignas me agarraram os cabelos e me impediam de emergir dessas águas salobras e, creiam, estive bem perto de me afogar. Não que desta vez fosse pior que as inúmeras anteriores, é que estou mais velho e a minha resistência não é mais capaz de se opor à asfixia. Não fosse por minha esposa eu já teria me despedido disso tudo. Não! Não penso em suicídio, não mais, mas a vontade de deixar tudo para trás e recomeçar do zero em algum lugar onde eu seja um total desconhecido é muito grande. 

Mas acho que seria tolice, esse mundo está totalmente contaminado com o germe da maldade, não há onde se esconder. Para os mais atentos, esse é o cerne das desventuras do Zé Gatão. Onde eu estivesse, sei que se levantaria um opressor, um tirano, a agonia recomeçaria do zero. 

Não tenho saída senão trabalhar como posso, no tempo que resta, aguardando o fim.

Falando de assuntos mais amenos, os desenhos de hoje são novamente aqueles que fiz para um livro didático de português que nunca será publicado.

A figura em questão, acho, pode ser reconhecida (se minhas habilidades como desenhista não foram falhas). Outrora eu ouvi muitas canções desse senhor, gostava de sua poesia romântica, embora abomine sua pessoa e suas ideias políticas.

Muito obrigado a todos pelas visitas e recebam o meu sincero abraço!

sábado, 31 de dezembro de 2022

ADEUS 2022 E FELIZ 2023 !

 Boa noite a todos!

Pelo horário que marca aqui no meu notebook, daqui há umas duas hora e quarenta minutos o ano de 2022, pelo calendário ocidental, se despede. E para mim, não deixa saudades. Isso porque todos os anos após os eventos nefastos de fevereiro e abril de 2021, que roubaram as cores e o brilho da minha vida, serão iguais, com seus altos e baixos, mas sempre iguais. 

Não faço balanço dos eventos do ano aqui, apenas venho falar brevemente com vocês em respeito e gratidão por estarem sempre me prestigiando com suas visitas à espera de algum texto ou desenho. 

Foi um ano de lutas, como sempre, mas dessa vez mais cansado e um tanto mais calejado e, talvez, alheio a tudo. 

Queria ter concluído os projetos iniciados com os parceiros roteiristas mas não foi possível. RASTREADORES DE ALGURES faltando uma única página para fechar a primeira parte (queria ter consumado hoje mas os eventos desta manhã e tarde me impediram). O trabalho com o cineasta Claudio Ellovitch tarda mas segue firme e no momento compete com os roteiros do editor e roteirista Reginaldo Carlota (vem coisa forte por aí).  Mas felizmente Os Mitos Gregos para a Ciranda Cultural vão de vento em popa. TESEU E O MINOTAURO e OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES já foram entregues e sigo labutando em DÉDALO E ÍCARO.

A despeito disso tudo, o dinheiro pago por esses empregos não é suficiente para sanar as minhas dívidas, boletos e juros são mais poderosos que meus esforços; minha saúde segue declinando, minhas costas parecem frágeis, tem dia que está ok e no outro quase não posso dobrar meu torço. Meus pés estão inchados e há uma fadiga mental e física onipresente provocada não só pelo excesso de trabalho mas pela pressão cotidiana.

No campo pessoal eu tive esperança que as 30 cópias (sim, só 30 cópias!) de ZÉ GATÃO-SIROCO fossem publicadas esse ano mas está provado que o caminho desse felino é forrado de pedras, cardos e abrolhos. Nada resta a não ser esperar.

Se há algo a acrescentar, eu diria que o ano de 2022 me convenceu de que o crime compensa e o mal triunfa. Isso é desalentador, mas os familiares que me restam e os poucos amigos que conto na minha mão direita estão bem, isso equilibra tudo e sou bastante grato ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 

Dito isso, mais uma vez agradeço a todos que vem aqui para ler um pouco dos meus desabafos e ver meus desenhos e desejo de coração que Deus, no ano de 2023, os mantenham firmes e íntegros, com saúde e disposição para as batalhas que estão por vir e que proteja a seus familiares e amigos.

Rastreadores de Algures em uma agradável tertúlia entre uma aventura e outra. 

E gratidão aos que torcem e oram por esse pecador que vos escreve.

Beijos a todos e até o ano que vem!





quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

O NATAL DE 2022 E MAIS DESENHOS PARA UM LIVRO DIDÁTICO DE PORTUGUÊS NUNCA PUBLICADO


 Antes de mais nada deixa eu informar aqui que digito esse texto com uma violenta dor na região lombar; sim, mais uma vez um acidente besta e os que me acompanham há tempos já me leram nesta mesma situação, pareço ter os músculos dessa região fracos, ou isso ou devo ter algo errado entre as minhas vértebras, segundo suspeita de um preparador físico conhecido meu. Segundo ele eu deveria investigar; claro, mas cadê o dinheiro para consulta e exames? E o pior é que eu não posso ficar esticado na horizontal para repousar, tenho um prazo aqui se quiser ter dinheiro para janeiro. É a história de sempre, deixa pra lá. Talvez eu melhore logo, talvez não.

O desenhos de hoje fazem parte de uma série criada para um livro didático de ensino médio que nunca será publicado. Os dois foram feitos para se complementarem, um seria na página par e outro na ímpar. 

Pois é, o Natal, né? O que dizer sobre o Natal que eu já não tenha dito em anos anteriores? Aliás, nem lembro do que escrevi sobre esta data no ano passado. Posso afirmar que os natais dos quais lembro não foram lá muito felizes. Meu pai sempre dava um jeito de estragar tudo por coisas bobas, era do temperamento autocrático dele querer tudo da maneira dele, na hora dele em descompasso com minha mãe que queria cear na hora certa com todos ao redor da mesa. Havia em casa sempre que possível uma árvore de natal, uma mesa farta (ela sempre foi um primor de cozinheira) mas invariavelmente tudo acabava em alguma discussão que afugentava o espírito natalino. Por isso eu e meus irmãos nunca tivemos esse ânimo para comemorar ou dar a importância devida. 

Espremo o cérebro aqui e não lembro de muitos natais, mas não posso esquecer o do ano de 1974,eu acho. Passamos na casa do professor Abreu, um velho amigo do meu pai, com a família dele em Santana, SP. Recordo do clima de harmonia e uma certa paz estranhamente inédita.  Outro inesquecível foi no ano de 1987 em Brasília, por estar apaixonado por uma mulher que no ano seguinte me desprezaria. 

Os anos 1990 em São Paulo, claro, também, entre altos e baixos ficaram presos na memória mas não tem nenhum fato marcante, exceto talvez o do ano de 1998, onde depois de muito tempo conseguimos reunir toda a família, meus pais, todos os irmãos e minha filha. Verônica (na época, minha namorada) estava junto.

Os últimos natais tem sido mais frios. Por esta razão é que ao lembrar daqueles anos passados, apesar de momentos sofridos, eu me dou conta do quanto eu fui feliz (e eu tinha consciência disso) pois eu, meus pais, meus irmãos, estávamos todos juntos, éramos jovens e havia muita esperança em algo intangível, algo que nem mesmo sabíamos o que era, mas estávamos dispostos a lutar por ele. Esse algo, era possivelmente um trabalho, viver dignamente dele, formar família, ter um lugar na sociedade e fazer a diferença. Os anos avançaram e cada um de nós tomou algumas decisões erradas e pagamos o preço por isso, mas sempre lutando para não esmorecer e não nos acomodarmos a uma situação desconfortável. Algumas contendas vencemos, outras perdemos e assim é a vida.

Hoje, claro, não é mais possível eu ser feliz (digo, plenamente dentro do possível), ou ter um Natal feliz, pois neste quebra cabeças da minha existência faltam duas peças muito importantes, peças centrais que não podem ser repostas: minha mãe e meu irmão. A ausência deles torna, como já asseverei aqui, a vida sem cor nem sabor. 

Mas mesmo insossa e em preto e branco há uma vida a ser vivida (não tenho escolha) e lembro do que minha mãe me disse certa vez, é o aniversário do Salvador do mundo, mesmo que a data não tenha sido exatamente o dia 25, foi a data escolhida pelos homens e portanto, deve, sim, ser comemorada. Pouco importa que a maioria nem se dê conta disso e use a data para alavancar o comércio, é o momento em que, quem pode, se reúne com amigos e familiares. Concordo com ela, eu brindo a Ele no meu silêncio e na minha solidão (falo da solidão da minha alma individual, lógico, fisicamente, Verônica está sempre ao meu lado), minha oração a ELE é sempre de gratidão por tudo e pela promessa que ELE fez de que eu nunca estaria só e nada me faltaria, juramento esse, eu sei, sempre cumprido apesar de todas as minhas falhas.

FELIZ NATAL A TODOS VOCÊS! 

Obrigado a todos pela gentileza de vir aqui e ler as coisas que escrevo.

Até a próxima!






  

ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 7 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A Busca – Capítulo 7: Ao saírem pela boca da passagem, por onde tinham palmilhado, por um tempo impossível de determinar, a morceguinha e o...