A arte é para todos mas poucos apreciam, desses poucos, uma fração ínfima tem dinheiro para usufruir disso que é o que torna a vida terrena mais suportável.
Estou assistindo no streaming um spin off da cultuada série La Casa De Papel com o personagem Berlin (na verdade esse é o segundo spin off, o primeiro eu comecei a ver mas achei chato e não quis perder tempo). O que me chamou a atenção nesta série foi o sub-título: "A Dama Com Arminho", alusão ao quadro do Leonardo Da Vinci. Um dos episódios faz uns comentários muito pertinentes sobre a arte da pintura.
Pintar telas a óleo e expor em galerias mundo afora sempre foi o meu grande sonho, mas é uma aspiração que precisa ser alimentada dia a dia, que necessita de dinheiro, não só para materiais - que são caros - mas para poder mesmo se dedicar aos estudos. Tive que abortar essa quimera em prol da sobrevivência e como gosto de contar histórias, os quadrinhos (outra grande paixão, mas aqui falo como consumidor, não autor) serviram de substituto. Porém, as dificuldades enfrentadas por quadrinistas num país regido por ladrões e canalhas da pior espécie, onde não existe mercado e nem tradição, o que se tem é uma muralha quase intransponível. Sem contar que boa parte dos materiais que vem a público é ruim. Ganhei de presente um álbum de antologias do que se produz atualmente e a coisa é triste. Narrativas toscas e com desenhos fracos!
Eu e o Renato Tavares (um herói anônimo que quer deixar toda a minha obra em catálogo) cometemos uma nova edição do ZÉ GATÃO-SIROCO e o interesse por parte do público foi zero. Só consegui vender o meu exemplar (o que é mostrado no vídeo) para um amigo médico e colecionador de quadrinhos lá em Brasília, embora ele já tivesse a edição da Atomic. Umas duas pessoas me passaram mensagens pelo Facebook mas devem ter se assustado com o preço.
Essa nova edição do SIROCO tem capa dura, papel offset de gramatura 120 (papel grosso), 288 páginas, contendo esboços, sketches e uma galeria de arte, o preço é 175 reais.
Num país cada dia mais miserável, dar 175 reais num álbum de quadrinhos que não é do Batman e nem do Homem-Aranha não é para fracos, então nem posso me queixar.
Repetindo o que eu disse no início do texto, a arte é para todos, mas nem todos tem a sorte de entender, apreciar ou dinheiro para tal.
Como dito por alguém, quem gosta de arte é milionário, o artista gosta é de dinheiro.
Mas a sorte está lançada. Vamos ver se tudo isso vai render frutos um dia
Pela primeira vez, começo comentando sem saber o que dizer. E o pior é que, não por culpa minha, não posso nem xingar quem não comprou o SIROCO (que eu tenho na edição da ATOMIC), porque eu, que se tivesse dinheiro compraria todas as edições dessa nova leva (ficaria belíssimo na minha estante), não tenho dinheiro nem para o básico/essencial do dia a dia. Jesus (espero que seja ele e não o "outro"), me busca, acabou tudo aqui! Lamento muito, meu amigo: como você sabe pelo meu mais recente episódio profissional, sei bem o que é a frustração. Abraço solidário!
ResponderExcluirEu confesso que também não sei como replicar seu comentário. Na verdade a postagem não foi escrita como eu tinha planejado, fui interrompido duas vezes, então a chamada inspiração se perdeu em algum ponto, principalmente no tocante ao assunto fine arts. Mas creio que o recado foi dado, ou seja, mais uns dos meus conhecidos desabafos diante da frustração por me ver sempre limpando carvão e enxugando gelo.
ExcluirEu sinto muito por você e por mim.
Obrigado por ler e comentar.
Como bem o disse, o nosso Celso! O que dizer? O que comentar, além do que já foi dito? Eu não sei como está a parte mercadológica...mas posso imaginar. Propaganda requer investimento! E alto. Entende-se que o preço da edição não pode ser menor e no fundo, não é este, o problema. A questão, se não estou enganado é NOME - relativo ao personagem e a seu autor! Ué? Diria alguém! Já se passaram praticamente 30 anos! Contudo, a passagem dos anos não abriu portas! Pelo contrário! Posto isto, se me perguntarem: Qual é a solução? Resposta: NÃO SEI! Estive ontem em uma LIVE para uma rápida participação e acabei ficando até o fim...ninguém achou ruim, contudo. Algumas respostas à aquela pergunta que supostamente me fariam, obteve algumas respostas, me atrevo em dizer, relevantes! Não pretendia me estender aqui já que falei, falei e no fim das contas não disse nada! Finalizo com o mantra: é continuar em frente, porquê não dá para retroceder!
ResponderExcluirSim, o que responder? O que dizer a respeito disso tudo que ainda não tenha sido mencionado? Sei lá, sinto-me cansado, enfadado. Farto de tudo, das redes sociais, das lives, do disse me disse, dos tapinhas nas costas, da presunção da grande maioria dos que se dizem autores de quadrinhos sem nada a dizer.
ResponderExcluirSim, Lucão, avançar, não retroceder, mas no meu caso, é só mesmo por falta de opção.
Obrigado por comentar.