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sábado, 7 de agosto de 2010

MITOLOGIA E PONTILISMO.

Essa é dos primórdios. É um dos meus desenhos mais antigos, quer dizer, antigo da minha fase, digamos... profissional.
Eu tenho, inclusive, uma pasta com desenhos da época da adolecência, gostaria de postar alguns aqui, ela deve estar como tantas outras coisas do período, na casa da minha mãe. Engraçado isto, certas coisas deixamos em poder das mães, fotos antigas, cartas, diários, brinquedos velhos, gibis, etc. Como se elas fossem as perfeitas guardiãs do nosso tesouro.Tesouro esse que muitas vezes nem nos interessa mais. Mas há uma explicação lógica para deixar nossas genitoras cheias das nossas tranqueiras. Coisas que fazem parte do nosso passado, como as citadas acima, são parte de nossa história, relutamos em deixar para trás. Saimos de casa para morar sózinhos, nos casamos e tal, e na possiblidade da aventura dar errado, sempre há a alternativa de voltar para o nosso mundinho. Tenho vários amigos que se casaram, mas suas coleções de gibis ficaram na casa dos pais, pois a maioria deles já foram ameaçados pelas esposas : "Livre-se dessas revistinhas ou ponho tudo no lixo."
Felizmente não sofro deste mal, minha companheira entende meu vício, inclusive compartilha.
O problema de ter tanta coisa antiga, como pinturas e desenhos na casa da madre, é que comigo não há espaço pra tudo.
O desenho de hoje, foi o único que fiz com a técnica do pontilismo. Fora os espaços preenchidos com preto, todo o resto foi finalizado com pontinhos. Dá pra perceber que eu era influênciado por mitologia e surrealismo. Usei caneta esferográfica e uma outra de ponta porosa.
Eu trabalhava nesta época num porão de uma loja onde funcionava uma assistência técnica de imagem e som. Situava-se na 505 norte. As vezes os técnicos se esqueciam de mim e eu aproveitava pra desenhar, aprimorar meu traço, pois estava decidido a fazer algo de útil com o talento natural que Deus me deu. Este desenho é fruto de uma daquelas tardes tediosas.
Tenho boas recordações deste tempo, não do trabalho que era escravo e mal remunerado, mas lembro bem que foi naqueles dias que comecei a valorizar minha vocação. 

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

TATOO 02

Meus queridos, hoje foi um dia de trabalho intenso, estou morto de fadiga. Tudo o que quero agora é repousar fazendo companhia para minha esposa diante da TV.  Espero que ela não esteja assistindo nenhum programa cretino. Então, como ontem, serei breve nas palavras.
A arte que vocês conferem hoje, é uma das tantas criadas para uma revista de tatuagens e que não foi usada na publicação. Usei lápis de cor.
Aos que dão um tempo do computador no sábado e domingo, desejo um bom final de semana, aos que ficam ligados, amanhã tem mais, querendo Deus.
É isso, a gente se vê.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

DOM CASMURRO ( 02 )

Boa noite pessoal. minha intenção hoje era postar algo referente a meus quadrinhos, algo que não abordo já faz algum tempo, mas vou adiar; há coisas que temos que proceder com um carinho todo especial , e simplismente não me sinto inspirado nestes últimos tempos para tal tarefa. Amanhã é outro dia, se o Todo Poderoso permitir.
Vão aí duas artes de Dom Casmurro. O rosto de Capitu quando menina e Bentinho argumentando com o agregado José Dias. Fiquem em paz.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

APROVEITANDO PEDAÇOS DE TELA ( COISA )

TÁ NA HORA DO PAU !!!
Este é um dos bordões mais conhecidos dos quadrinhos ocidentais, "It s clobberin time !", em inglês.
Ben Grimm é o personagem mais legal do Quarteto Fantástico, alguém discorda?
Esse cara é fera, grandalhão de pedra com coração de ouro. Sempre as turras com a molecada da Rua Yancy, apaixonado pela escultora Alicia, não se conforma de sempre apanhar do Hulk. Pelo menos é assim que me lembro dele quando lia os gibis do Quarteto Fantástico. As histórias eram escritas pelo Stan Lee e desenhadas por Jack " The King" Kirby. Eita, bons tempos !
Minha singela homenagem a este personagem tão gente boa, feita num pedaço de tela.
 

terça-feira, 3 de agosto de 2010

CINCO MINUTOS ( A CAPA )

Tenho uma relação de amor e ódio com José de Alencar. Tá, exagero meu, nem tanto amor e meu ódio a ele nunca foi profundo. É que fui obrigado a ler "Iracema" e o "Guarani" na escola, e este último, dois dias antes de uma prova. Eu não tinha grana pra comprar o livro e esperei que um amigo acabasse de ler pra me emprestar. O cara demorou um bocado e o resultado disso é que tive que varar uma noite lendo. Eu gostei do livro, apesar daquele final surrealista. O caso é que eu não estava preparado pra le-lo sob tais circuntâncias. Iracema então nem se fala, achei chato demais. Naquela época eu devorava livros que me empolgavam e que deram origem a clássicos do cinema como Laranja Mecânica, Pappilon, o Poderoso Chefão e etc. Ler o supra sumo do romantismo brasileiro não era pra mim. O interessante é que eu li neste período "Olhai os Lírios do Campo" do Érico Veríssimo e "Doidinho" do José Lins do Rego e adorei, então a minha bronca não era com livros brasileiros e sim com o Zé de Alencar, ou antes com o estilo romântico.
Anos mais tarde, já entrando na vida adulta, eu tive que matar umas horas num lugar onde não tinha viva alma e havia no local um exemplar de Cinco Minutos. Devo confessar que a leitura foi uma companhia das mais agradáveis. Isto só confirma uma teoria minha de que tudo depende da situação e do seu estado de espírito.
Tive a honra de ilustrar " A Viuvinha" do Zé de Alencar e agora trabalho neste Cinco minutos. A capa como disse antes, veio primeiro. Apesar de muito elogiada pelo pessoal da editora, está longe de ser uma das minhas preferidas. Acho que porque foge totalmente do meu estilo. Contudo, acredito que ela faça justiça ao teor da escrita do José de Alencar.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

OS GATINHOS E OS PREDADORES

Minha postagem de hoje tem um duplo objetivo:
1 - reclamar da vida, dar vazão a uma fúria que por vezes me assalta e me deixa com a alma bem amarga.
2 - Fazer uma mea-culpa.
A segunda- feira começou bem, se eu quiser terminar as 15 ilustrações do livro "5 Minutos" até sábado próximo, como deve ser, então devo fazer pelo menos 3 desenhos por dia. Já cedinho, constatei que estava com problemas para enviar as imagens pro e-mail da editora. Isto me consumiu boa parte da manhã. Estresse deste tipo acaba me fazendo mal. Sério, não é viadagem não. É se por no meu lugar pra constatar que não é ( não está sendo ou nunca foi ) fácil.  A manhã já estava comprometida mesmo, então que fosse o dia todo. Resolvi ir ao cinema pra dar uma desopilada. Aproveitaria pra também resolver uns probleminhas; coisas como documentos, cartórios e essas chatices.  Bastou eu botar o pé na rua pra cair uma chuva fragorosa. Ainda bem que uma vizinha me ofereceu carona até o shopping. Lá chegando fui até as Lojas Americanas comprar uma besteiras pra mastigar enquanto via o filme, apesar de haver almoçado bem. Aliás, últimamente tem havido em mim esta compulsão por comer coisas que não satisfazem, dando à minha silhueta uma dimensão maior de fisiculturista decadente, ou seja, só volume, principalmente na região média do corpo. Havia pouca fila, mas só um caixa pra atender. Eu ruminava comigo a incompetência das pessoas. Só um caixa ? Àquela hora ? Pra piorar, sempre tem um idoso que nunca sabe digitar a senha do cartão, um gordo a andar lento por um caminho estreito e lhe barrar a passagem quando a sessão está próxima de começar.  O cinema pelo preço que está, deveria oferecer um serviço de primeira, mas longe disso. O filme em questão  foi "Predadores". Desde o clássico com o Arnold, fico esperando algo que chegue perto. Sabem, eu gostei. Parei com a babaquice de esperar algo de filmes que não tem outro objetivo além de te fazer por uma hora e meia, esquecer dos pequenos problemas cotidianos. Não se fazem mais filmes como antigamente. E nem poderiam. Hoje tudo é volátil. Antes, um filme como Ben Hur durava perto de quatro horas e tinha algo a dizer. Hoje, quem se importa? Predadores pra mim acerta o alvo. É bem feito. O senão vai pra certas incongruências, pois como um cara consegue, com um facão, decepar a cabeça de um cachorro alienígena quando nem balas de grosso calibre dão conta do recado? Fico com pena do Adrien Brody, ele estava muito bem ao piano mas não conseguiu mais um papel que chegasse perto daquilo. Talvez não escolha bem seus trabalhos. Foi querer disputar com um macaco gigante o coração da mocinha. Tava na cara que ia perder. E a Alice Braga, pelo visto vai ter que se contentar com interpretações de mulherzinha latina. Ou seja, o mérito do filme não está nas mãos dos protagonistas.
Mas ao sair do cinema, nova chuva. Cartório cheio. Faltou um carimbo no documento, não deu pra autenticar. Um cara com farda do exército quase me atropelou, não deu pra reprimir uma imprecação feia.  O retorno pra casa foi moroso devido ao trânsito das sete horas. Padaria, comprar pão, o caixa é um arrogante antipático. No lar, o fantasma do trabalho atrazado volta a me assombrar.
Falei demais ,não é? Eu chego a conclusão que sou muito injusto com Jesus. Reclamo da chuva, mas esqueço de agradecer a carona da vizinha. Penso mal do idoso empatando o caixa no mercado, mas nem lembro que Ele me dá condições de me empanturrar de batatinha frita e coca-cola. Sim, quantos podem fazer três refeições decentes por dia? Quantos podem ganhar dinheiro fazendo o que gosta? Eu posso. Porque Ele me dá condições pra tanto. Vão por mim, ninguém vive mais um dia porque quer e sim porque Ele permite. Ao invés de agradecer o livramento de quase ter sido atropelado, eu lancei uma maldição ao milico. Cês podem achar que é pieguice minha, mas eu sei que este que se queixa não sou eu, ou melhor, não deveria ser. Ou melhor ainda, não é quem Ele quer que eu seja. É isso.


O que tem a ver os gatinhos com os Predadores? Nada. Mas eu tinha que deixar uma arte pra vocês depois de tanta falação.

domingo, 1 de agosto de 2010

DOM CASMURRO ( 01 )

A boa nova é que na sexta última acabei as ilustrações de Dom Casmurro do Machadão. Ufa, que alivio!
Não me entendam mal, é uma honra dar forma, segundo a minha concepção, à personagens que já fazem parte do inconsciente coletivo ( para aqueles que tem o hábito da boa leitura, claro ), mas diante de tanta tarefa que ainda tenho pela frente, dou graças quando encerro uma atividade assim por mais prazeirosa que ela seja. E pra ser bem sincero, o prazo curto não me permitiu dar tudo de mim na arte. É que normalmente eu passo mais tempo elaborando do que executando a finalização do desenho. Neste caso, o que eu ia concebendo já ia passando a tinta; o que por outro lado tem seu lado positivo, pois fica um trabalho mais visceral. Para cada projeto eu tento dar uma roupagem própria, diferente da anterior;  neste, eu diria que os traços estão mais "sujos".
Meu sábado e domingo (hoje) foi labutando nas primeiras imagens de "5 MINUTOS" do José de Alencar.
A capa do mesmo já está pronta faz um tempinho, se tudo der certo eu a postarei esta semana.
Volto agora pra prancheta.
Uma boa noite pra vocês e fiquem com as primeiras figuras e esboços de Dom Casmurro.





ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 7 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A Busca – Capítulo 7: Ao saírem pela boca da passagem, por onde tinham palmilhado, por um tempo impossível de determinar, a morceguinha e o...