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quarta-feira, 1 de junho de 2022

PERDIDO DENTRO DE MIM MESMO.

 

 

Projeto em andamento (cores de Rafael Anderson)

Acredito eu que a maior parte dos que me acompanham aqui sequer sabem como é o meu rosto e isso me deixa a vontade para exprimir o que sinto nos momentos mais amargos. 

Esses dias sinto com intensidade uma grande aflição da vida. Uma sensação que me acompanha desde que me entendo por gente, antigamente chamavam de melancolia, hoje denominam depressão. É uma tristeza tão intensa que me aperta da cabeça aos pés, e é tão potente que chega a doer, um medo irracional de tudo e de nada. Eu acordo, me alimento, trabalho, me higienizo, converso com a Vera, com os poucos amigos - na verdade só tenho contato com dois - faço minhas obrigações cotidianas mas ninguém sabe o que trago no peito, só DEUS, somente ELE e só com ELE eu me abro, pois por mais que exista boa vontade por parte das pessoas de bem, sei que não há palavra que faça o desconsolo ir embora. 

Há também um problema familiar por parte da minha esposa que piora muito esse estado de espírito e não há o que eu possa fazer para ajudar ou contornar. Me dá uma brutal sensação de impotência.

Sinto uma saudade da minha mãe e do meu irmão muito grande, tão grande que não tenho palavras para expressar.

Apesar de tudo a ideia de suicídio não me vem mais à mente. Me sinto como que resignado, só esperando,  esperando, esperando. 



domingo, 15 de maio de 2022

A VELHA HISTÓRIA.

 A gente sempre pensa no dia de amanhã e deixa de viver o hoje, ninguém está livre dessa cadeia. Penso que isto se deva - no meu caso pelo menos - que um momento bom, sendo ele tão raro (de novo, no meu caso) queremos perpetuá-lo. O temor de que o amanhã, as horas seguintes sejam de desditas, nos faz agarrar com unhas e dentes os instantes de bem aventurança. Por que digo isto? Hoje tenho trabalho, graças ao bom DEUS, e se nada der errado, o projeto se estende até março ou abril de 2023. E depois? Bom, depois, não sei. Eu tento deixar para me ocupar quando o prazo estiver próximo, afinal o Mestre Jesus nos aconselhou a não nos amofinarmos com o porvir, isso de nada resolve. O fato é que eu gostaria muito de uma aposentadoria, um salário digno, seguro, para poder não ter a cabeça tão cheia de preocupações. Me dar ao luxo de depois de anos a fio trabalhando de manhã, tarde, noites e madrugadas em lugares apertados, em ambientes frios (São Paulo) e quentes (Jaboatão), poder relaxar um pouco e caminhar a esmo, ver o por do sol, ler meus livros, dormir sem o peso das pressões. Lembro das conduções lotadas com minha enorme pasta de desenhos indo à editoras para ver se conseguia um  trabalho, pegando dois ônibus e um metrô, seja no sol ou na chuva e na maioria das vezes retornava de mãos vazias. Hoje, num certo aspecto isso mudou um pouco, sou procurado para gerar arte mas a um preço baixo, quando não querem desenhos de graça. 

As centenas de ilustrações que fiz para os clássicos da literatura brasileira continuam chamando a atenção. Recentemente recebi mensagem de umas moças bem simpáticas, que trabalham na televisão, pedindo permissão para exibir algumas artes num especial da TV Cultura sobre a Semana de Arte Moderna. Respondi que por mim tudo bem, mas a Editora Construir podia não concordar, já que é ela que tem os direitos. A editora concordou e todos ficaram felizes. Só que ninguém quer pagar para ter um desenho inédito, exclusivo. Claro, vai ter meu nome nos créditos e isso equivale ao velho tapinha nas costas e o elogio: "cara, você é um gênio!" O ego infla, mas os estômago continua vazio.  Na mesma semana uma outra moça, agora de uma editora, pediu para usar umas artes que fiz para o Dom Casmurro num livro de literatura. Aconteceu o mesmo, aprovei e a editora também. Propus à moça, fazer uma arte nova, ela falou que não tinham verba. É a velha história sempre repetida.        

O salário que recebo atualmente vem da Editora Ciranda Cultural para a qual crio HQs sobre os Mitos Gregos e não cobre todas as minhas despesas, sempre fica um ou dois boletos em aberto que sempre pago depois com juros e isso acaba sendo uma bola de neve. Paralelo aos Mitos, tenho que continuar os outros dois quadrinhos em que trabalho com roteiristas distintos e pelos quais já fui pago. Estes, procuro fazer nos intervalos. 

Isso me impede de procurar trampo extra pra ajudar nas despesas. Pedi a um bom amigo para colocar umas artes originais de super heróis no Ebay mas até agora ninguém deu bola. 

Recebo muitos convites para participar de antologias de quadrinhos, sempre tem umas propostas legais, mas hoje não posso mais me dar ao luxo de trabalhar sem a certeza de um retorno financeiro. Foram muitos anos desenvolvendo um estilo de arte, algo que pudesse falar por mim. Desenhava como um possesso, para mim mesmo, como queria e achava que devia, sempre tentando encontrar o tom certo (nunca consegui, que fique bem claro), eu tentei comunicar a minha visão de mundo através dos quadrinhos mais que tudo e depois de uns sete livros na praça vejo que não fui muito longe, embora os mais otimistas digam que fui muito além. Bem, talvez, eu sou muito exigente com o que faço, acho que ainda há muito o que ser melhorado mas hoje não resta muito tempo para tanto.

Era o que eu tinha para dizer hoje. 

Alguns dos clássicos citados neste post.


domingo, 8 de maio de 2022

SOU COMO UM PEQUENO PEDAÇO DE MERDA BOIANDO NO RIO DA VIDA.

 

Projeto em andamento.

 Hoje é o dia que os homens escolheram para comemorar o dia das mães. Certo, foi uma data criada para aquecer o comércio, assim como o dia dos pais, das crianças e outros mais, mas tá valendo, é um dia para confraternizar, almoço em família, comprar um presente, um ramalhete de flores, ligar (se não puder estar presente por um forte motivo). Se lembrar daquela que te gerou, amamentou, trocou suas fraldas, te embalou com cantigas e te protegeu com braços ternos. Feliz daquele que ouviu seus sábios conselhos e os põem em prática. Bem aventurado aquele que pode abraçar sua genitora. Eu não posso mais e quem me conhece um pouco sabe o quanto isso me pesa na alma, principalmente sem a presença do meu irmão. As vezes penso que estou bem e logo a certeza da perda me esbofeteia o rosto e sou tomado por uma espécie de medo, um certo desespero, um vazio causado pela certeza de que não vão mais voltar e eu nada posso fazer para reverter o processo. É quando as lágrimas vem em profusão e sou sugado por um buraco negro de solidão e...... aí rogo a Jesus para ajudar a me recompor e seguir adiante, firme, na certeza do reencontro na eternidade.

Esboço de um projeto em execução.

Malgrado todas essas sensações - sentindo que sou outra pessoa, nem melhor ou pior do que antes de 2021, apenas mais macambúzio - tenho desenhado mais que nunca, talvez no afã de tentar expurgar a angústia do peito ou a carreira desesperada para não deixar que nada falte para a Verônica num mundo cada dia mais complicado pós pandemia e com uma guerra em curso no leste europeu. E quando falo  desenhado mais do que nunca, não me refiro somente à quantidade de páginas, mas de uma forma mais natural. Pode ser que eu esteja enganado, uma sensação do momento caótico nesses dias febricitantes, talvez eu sempre estivesse nessa situação de correr atrás do tempo, me recordo de dias passados ilustrando livros com prazos apertados, tendo que alternar com álbuns de anatomia e a bio do Edgar Allan Poe e por recompensa um dinheiro minguado. Bem, o fato é que os esboços fluem mais fácil (quando não complico a vida com ângulos de câmera muito excêntricos, claro). Bom, depois de umas três décadas e meia diariamente com lápis e papel na mão é assim que deveria ser (ou não?). 

É lógico que nessa toada doida, indo dormir sempre alta madrugada e acordando cedo a fadiga me tortura durante o dia, mas é um cansaço muito mais na alma do que no corpo, como se num momento eu fosse apagar repentinamente. Não consigo mais tempo para meus exercícios físicos ou leituras, coisas que outrora eram o meu escapismo. Tenho tido problemas de memória recente e dores nas articulações. Meu irmão médico diz que a idade conta muito, estou com 59, embora sinta a alma de criança, o mesmo menino medroso das décadas de 60 e 70. Pode ser que seja a morte já mordendo minha bunda, lembrando que a estrada já está chegando no fim. Pra mim está ok, acho que não tenho muito mais a acrescentar (se é que acrescentei algo) neste mundo.    

Eu sempre gostei de desenhar, mas penso que comecei tarde na profissão. Sem referencial, sem modelos a seguir eu demorei demais a me profissionalizar. Escolas de arte eram uma utopia, não tinha como comprar livros, o jeito foi me virar usando modelos de revistas masculinas, de fisiculturismo e de moda como guia para obter alguns progressos, misturar tintas e cores até alcançar a pigmentação adequada (e olhem que sou daltônico) para minhas pobres pinturas.

Meu primeiro trabalho como qualificado eu consegui em 1986 e com um salário até bom, ali eu quase não ilustrei, mas compunha textos com letra set e normógrafo (não sabem o que é? Deem um Google). Isso me ajudou a angariar uma certa paciência, coisa muito necessária para quem quer ser um expert na arte do desenho. Na década de 90 eu me vi obrigado a superar as limitações que tinha para poder me inserir no mercado, eu tinha um traço mais acadêmico, muito calcado no realismo, em contrapartida minhas HQs nunca perderam a alma underground - ou alternativo, se preferirem - e não sei dizer se isso é bom ou ruim. Talvez seja bom se eu aprecio um traço com identidade forte, mas ruim por não ser adequando aos quadrinhos que rendem grana no mercado gringo (algo que desisti faz tempo). 

Falando em anos 90, me lembrei deles ao assistir uma live do amigo Anderson, de Alvorada, no Rio Grande do Sul, onde ele comentava sobre sua coleção da revista Herói (publicação informativa sobre quadrinhos, animes e tutti quanti muito em voga naqueles tempos). Ali ele leu os nomes de alguns jornalistas que colaboravam no periódico. Boa parte deles eu conheci. Tirando uns poucos, a maioria era de uma arrogância sem tamanho. Ficou na memória dois orientais com quem tive o desprazer de me deparar ao levar portfólio para apreciação. Não vou citar nomes, mas um deles olhou minha pasta como se folheasse um jornal bolorento, até fez elogios à minha técnica de lápis mas nem me deixou entrar na editora, me dispensou na porta mesmo. O outro desde a primeira vez que me viu não foi com a minha cara, devia ter um metro e meio e parecia trabalhar em todos os lugares que eu ia, desde estúdios de desenho a editoras do porte da Escala. Onde ele pôde, me barrou. Não foram os únicos, claro, e isso fazia com que eu me sentisse um merda maior do que eu era. Lógico que haviam as exceções, como o Arthur e o Franco. Memórias, fragmentos da vida. Vaidade.

Essa semana que passou teve uma live no canal Milhas e Milhas do Cassio Witt com o editor da  Atomic, fui bastante citado lá, participei do chat, inclusive. Breve o Zé Gatão - Siroco começa a  ser trabalhado e segundo ele, em dois meses o álbum já começa a ser distribuído aos apoiadores. Sentirei falta do Felino, ele foi um fiel porta voz das emoções que eu deixei sair da alma, mas não tenho mais nada a comunicar através dele. Mas, se possível for, quero ainda fazer mais uns quadrinhos, curtos e longos, para mais um álbum no estilo Phobos e Deimos. Quem sabe quando eu não estiver fazendo três projetos encomendados eu dê início? Ou talvez não, tudo o que fiz na arte sequencial até hoje foi pouco compreendido.

 Abraços a todos e fiquem bem.  

Esboço de uma nova HQ em execução.

    




quarta-feira, 20 de abril de 2022

O NADA ENGOLINDO O TUDO.

Há muito tempo eu não sofria com problemas financeiros, claro, na minha vida nunca sobrou dinheiro mas as contas  estavam em dia e nada faltava em casa e fazia muito tempo que eu não pedia grana emprestado a alguém. Tudo começou com um atraso na entrega das páginas para a editora para qual trabalho atualmente, como eles pagam sempre de vinte a trinta dias após a emissão da nota fiscal, meus boletos chegaram antes de eu receber e aí, ó, os juros não querem nem saber. O tiro de misericórdia veio com aquele dinheiro que eu perdi (fato relatado aqui há algumas postagens atrás). Quando a coisa sai do controle fica difícil equilibrar de novo. É queridos e queridas, não está fácil! Mas já passei por crises bem piores.  Houve um tempo que eu não tinha trabalho nenhum.

Tenho tentado labutar num ritmo mais acelerado sem deixar cair a qualidade, mas não tem adiantado, não consigo correr com os traços mais rápido do que estou acostumado. O que me faz perder um certo tempo são as minúcias da história, faço o roteiro também e a saga de Alcides (alguns chamam de Alceu), na mitologia grega ele é conhecido como Héracles, entretanto é com a alcunha de Hércules que o identificamos. A jornada dele é muito pesada e dramática - muito antes dos famosos 12 trabalhos - e eu tenho que condensar tudo em 78 páginas, então tem elementos que preciso resumir sem deixar a carga emocional esvair. A arte, bem, essa é discutível.   

Minha mão direita dói, mais especificamente os dedos indicador e polegar (com eles eu seguro o lápis e as canetas). Meus lombares idem, minha cadeira quebrou e ela fica um pouco mais baixa do que deveria em relação à prancheta, uso um cobertor dobrado (na falta de uma almofada) para tentar compensar a altura, então sento-me para trabalhar em posição inadequada, e isso muitas e muitas horas por dia até alta madrugada e convenhamos, já não sou mais um mocinho.

Meus olhos estão cansados também, mas é de chorar. Hoje, dia 20 de abril, é um dia emblemático para mim; há um ano atrás meu irmão Gil partiu para a eternidade me deixando ser abraçado pelo vazio que cresce dia a dia. Não falo essas coisas com ninguém, não há palavras que façam a saudade diminuir e não quero ser alvo de comiseração e é chato incomodar os outros com lamúrias. A vida segue, claro, mas com fardos que pesam mais e mais a medida que os anos avançam. 

Coisas como as que eu digo aqui eram divididas com ele, risos, choros, sonhos...tudo. E agora é o silêncio. Uma ano. Como passou rápido! 

Eu precisava deixar registrado aqui. Tenho muito mais a falar.....mas de que adiantaria? As vezes penso nessas histórias que o homem cria para se livrar da dor, sobre outros mundos, homens que voam, homens de aço, seres de outros planetas, seres que do nada criam coisas......    então eu fantasiei que se existisse um lugar, sei lá, uma fonte inacessível numa certa montanha, num determinado dia e hora do ano em que seria possível você encontrar pessoas amadas que se foram para sempre e para isso seria necessário passar por certos perigos, com certeza eu arriscaria tudo para ter algumas horas com minha mãe e meu irmão. Ah, se fosse possível! 

Esse é o motivo pelo  qual existe a arte, por isso criamos essas fantasias, histórias nos pulps e nas HQs. Para tentar preencher esses poços profundos que temos dentro de nós.

Um beijo com muitas saudades, Gil! Até algum dia (espero que seja breve).

Eu e ele no final dos anos 90. Dias áureos para nós.



domingo, 10 de abril de 2022

ZÉ GATÃO - SIROCO (FIM DA CAMPANHA).

 Não tem muito tempo encontrava-me dentro de um mercado fazendo umas pequenas compras para casa, estava entardecendo e do lado de fora o céu despejava suas águas, a chuva caía com tanto peso que fazia um forte barulho no teto. Repentinamente como veio, ela se foi e uma massa ciclópica de nuvens se exibia no horizonte avermelhado revelando tantos matizes impressionantes que eu tive que parar no ponto em que eu estava dentro do estabelecimento para admirar. Pessoas alheias àquele espetáculo passavam ao redor de mim mas eu não desgrudava os olhos daquela pintura impressionante que eu observava através da imensa vidraça do local. Acho que fiquei estático ali por uns 15 minutos, era uma obra de arte que somente DEUS seria capaz de realizar e que nunca se repetia. Estamos tão afoitos com coisas comezinhas do dia a dia que não nos damos mais a chance de observar as riquezas ao nosso redor. Me pus a pensar que tudo o que Deus cria é perfeito, tudo obedece uma lei imposta por Ele e nunca há atrasos, no entanto o que o homem cria, embora também sejam coisas maravilhosas para nosso próprio conforto, acaba deteriorando cedo ou tarde. Por exemplo, este blog veio com algumas novidades faz um tempo, e nesse "upgrade" não consigo mais postar artes no cabeçalho, nas raras vezes que consigo, ficam grandes ou pequenas demais. Ainda estou aprendendo. Antes era muito melhor. 

Outra coisa que eu citaria como exemplo é a internet, ou melhor dizendo, empresas que fornecem o serviço. Tivemos vários provedores em casa mas eu citaria as duas últimas, a Vivo, que começou bem e depois deu início às oscilações e até cair com frequência, por fim, os bandidos (este câncer que infesta o mundo) começaram a roubar os fios de cobre e ficamos sem serviços por um longo período de tempo. Vejam, eu aceito isso, não é culpa da empresa se ela é roubada e perde em velocidade para os malfeitores, ou seja, eles roubam e a Vivo não consegue reparar os danos com igual pressa, o que me aborrece é a falta de consideração em não dar uma satisfação aos clientes, deixando-nos sem entender exatamente o que está acontecendo. Tivemos que cancelar os serviços e trocar pela Tim (que tinham fibra ótica, mais velocidade e tal). Foi tudo bem no começo mas nos últimos tempos começou a ficar lenta, cair demais e por fim ficamos mais de uma semana sem usar. Minha esposa ligava de hora em hora e cada atendente dava uma justificativa diferente, marcavam visita de um técnico que não apareceu até o presente momento, ou seja, a mesma atitude vergonhosa da operadora anterior. 

Olhem, não sou viciado em internet, no começo, reconheço, eu perdia um tempo enorme pesquisando coisas, visitando sites e blogs de artistas que eu admirava, com o tempo - cada vez mais escasso - eu fui diminuindo minha frequência na web e redes sociais, mas preciso desse mecanismo para ganhar a vida, não só fazendo pesquisas para meu trabalho, mas para envio de artes aos editores e coisas do tipo. Bom, tivemos que apelar para a Claro, que estamos usando há 3 dias e vamos ver como vai ficar, não me iludo, prometem um préstimo melhor e depois concluímos que é mais do mesmo. 

Tem sido tempos difíceis, um dinheiro suado que nunca é suficiente, corrida contra o tempo, sem ocasião para sonhos, ando muito cansado, dormindo pouco e tendo que matar um T-Rex por dia, como sempre, com a diferença que agora estou bem mais velho. Mas amo meu trabalho e isso tem sido minha forma de fugir de toda a opressão. No momento executo "Os 12 Trabalhos de Hércules". Me sinto como um guri num playground.

Mas o real tema dessa postagem é a campanha Zé Gatão - Siroco. Ela chegou ao fim ontem e só tivemos 32 apoiadores, parece vergonhoso, né? Já vi um bocado de material medíocre (não desdenho, é medíocre mesmo) tendo bom desempenho e eu que tenho tantos e tantos seguidores e vários compartilhamentos nos posts do Facebook, além de muitas congratulações pelas minhas criações, imaginei que teria um desenlace melhor. Se eu levar em conta que esperava só uns 20, então saí no lucro, mas confesso, lá, bem no fundo, que houvessem mais pessoas dispostas a ter uma nova aventura do felino tristonho um suas coleções. Mas não era pra ser, ok, não é nenhuma novidade. Tranquilo. Isso só reforça a minha decisão de aposentar o gato. 

Agora, segundo o editor, entra o processo de produção, tipo, revisão, editoração, impressão e depois enviar para os 32 apoiadores (MINHA GRATIDÃO A CADA UM DELES), deve levar uns dois meses ainda. Após isso, mais um capítulo (lido por bem poucas pessoas) encerrado.

Meus queridos e queridas, era o que eu tinha para dividir com vocês.

Muito obrigado e até a próxima. Se cuidem bem. 








  

sábado, 2 de abril de 2022

DESDITA E A ÚLTIMA SEMANA DA CAMPANHA ZÉ GATÃO - SIROCO.

 Que semana, amadas e amados, que semana!

As coisas não andam muito bem, minha mente parece não estar presente no meu corpo, minha natural inadaptabilidade ao mundo que me circunvizinha parece crescer dia a dia. Juro que queria ser diferente mas não consigo. Experimentei muita coisa, muito frio (velhos tempos em São Paulo) ora muito calor (aqui e no Rio de Janeiro). Parece nunca haver espaço para o meio termo. Citei o clima só para exemplificar de forma simplista outras coisas mais importantes da vida, tudo parece ser feito de extremos, só não experimentei ainda a riqueza, mas pobreza, já. Enfim....

No início da semana (acho que terça feira à noitinha) fui ao caixa eletrônico no supermercado próximo de casa para sacar o dinheiro do meu aluguel. Tirei, guardei numa carteirinha junto ao cartão com minha cédula de identidade e tal. Fui burro o suficiente para sair de casa com uma bermuda que só tinha um bolso e não era lá muito fundo. Sim, levei o celular também (algo que raramente faço, posto que quase nunca tenho créditos para ligações, isto porque ninguém me liga e eu não ligo para ninguém). Verifiquei o preço das frutas e chamei minha esposa pelo zap (tinha wifi no estabelecimento) para informar que os valores estavam absurdos. Ela sugeriu eu ir a outro local próximo. Fui. No caminho ela me ligou para falar algo. Bem, pra encurtar a história, num determinado momento quando mexi no bolso para pagar pelo que eu estava procurando, notei que a carteira não estava mais ali. Gelei. Olhei em volta. O rapaz que me atendia perguntou se eu tinha perdido algo, respondi que sim e saí dali em disparada pelo caminho que havia feito. Seguramente no momento que o celular tocou - e eu atendi - a carteira deve ter caído do bolso. Burro, burro, mil vezes burro!!!! "Por favor, meu Deus, não permita, é o dinheiro do aluguel" pensava eu com o coração aos pulos. Fiz e refiz o trajeto e nada de encontrar a carteira pelo caminho. Liguei para a Verônica e ela veio ao meu encontro. Procuramos juntos, era noite, uma avenida de três faixas, a do meio era para pedestres. Nada, não achamos nada! Quase mil reais, suados, duramente conquistados, perdidos!!! Pouco me importei com o cartão de crédito e a identidade, eu não sabia como iria quitar o aluguel desse mês.  Vazio e me sentindo um merda procurei pensar assim: quem quer que tenha achado, espero que estivesse precisando mais que eu e que tenha sido muito útil. 

Bem, já passei por momentos piores, é claro. Já enfrentei barras bem pesadas, então é seguir em frente......   cancelei o cartão, já requeri outro, e informei à imobiliária que tive um contratempo e o aluguel vai ser pago com atraso. Só não consegui ainda fazer o boletim de ocorrência pela perda do documento, agora é feito pela internet mas a delegacia virtual do Jaboatão parece estar com algum problema e eu não consigo acessar. No meio disso tudo, meu trabalho que está sempre atrasado agora está duplamente vagaroso e eu preciso de grana pra ontem!!!!  

Pedi a um bom amigo para colocar umas artes minhas à venda no E-Bay por um preço até baixo para tentar sanar algumas dívidas, mas até agora NADA! Ando um bocado desprestigiado, hein! Vejo tanto desenho meia boca sendo vendido, leiloado e eu ficando para trás! Cést la vie.

Essa é a última semana de campanha do Zé Gatão e não tivemos mais que 30 apoiadores até o momento, como eu intuía, acho que não passará disso. Ok, eu disse que esse seria um álbum para os verdadeiros fãs do felino, só pensei que houvessem mais fãs além de 30!  Não engulo muito a ideia de que a campanha é cara e está todo mundo sem dinheiro, pois vejo neguinho pagando mais de 300 reais nos omnibus do Quarteto Fantástico ou do Conan e esgotam na editora. Só falta, como sempre acontece, virem aqueles querendo o álbum depois que não for mais possível. Mas tudo bem, nem é legal da minha parte fazer esse tipo de queixa, minhas HQs nunca foram muito populares mesmo. Agora é esperar ser impresso, enviado aos que me prestigiaram e sentir aquela boa sensação de dever cumprido. O felino casmurro se aposenta após Siroco.

Essa ilustração do Zé Gatão, acima, foi criada pelo Edgar Franco, também conhecido como Cyberpagé. Um artista verdadeiramente multimídia. A ele minha sincera gratidão pela fanart, pelo apoio e divulgação da campanha  nas redes sociais.

E esta fanart foi feita pelo talentoso cartunista Lucas Libanio, criador da tira Hans Grotz. Ele é um artista que admiro muito e um dos poucos que consegue me arrancar algumas risadas com seus quadrinhos. Brigadão de verdade, Lucas!

É isso por hora, meus queridos, aos que creem, orem por mim, realmente as vezes fica muito difícil continuar existindo.

Abraços a todos e até a próxima postagem, se Deus quiser. 


segunda-feira, 21 de março de 2022

TESEU E O MINOTAURO, PRIMEIRAS PALAVRAS.

Boa noite, como vão vocês?

Não há muito o que falar de mim - na verdade há, sim, mas nada que não tenham ouvido antes - sinto-me cada dia mais desimportante. É estranho isso, sempre senti pena dos velhos, falo dos velhos mesmo, daqueles que passaram dos 80. Poucos dão valor às suas experiências, sua sabedoria, suas palavras e histórias, mas isso seria assunto para "aprofundar", quem sabe, um outro dia.

Minha depressão, sempre à espreita, escondida atrás de um muro, um arbusto ou coisa do tipo, observa e espera e num momento qualquer, sem que pareça ter uma razão específica, me atinge como um bólido, me atropela, me esmaga, isso dia sim e outro também. No passado já fui aconselhado a procurar um profissional, tomar medicações, essas coisas, mas no momento nem tenho condições financeiras para tanto. Nem sei se vale a pena a essa altura do campeonato. 

O que posso dizer é que me sinto um tanto aliviado por ter concluído mais um álbum de quadrinhos depois dos percalços de sempre (falo dos atrasos, nos bloqueios criativos que vem e vão, a eterna sensação de que as artes poderiam ficar muito melhores, as infinitas interrupções comuns à quem trabalha em casa e tal), já me diverti fazendo HQs, mas normalmente, durante o processo de execução, é um tormento. Vamos falar um pouco sobre ela: trata-se da história de Teseu, o herói grego.  

Há muitos anos já, alimento o desejo de quadrinizar as aventuras desses míticos heróis que atravessaram gerações, na verdade desde que li OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES do Monteiro Lobato e (anos a frente) assisti FÚRIA DE TITÃS do mestre Ray Harryhausen, mas nunca encontrava oportunidade. Desempregado, eu fiz uma proposta para uma editora (em tempo oportuno dou detalhes de tudo) de "biografar" a vida dos heróis da Mitologia Grega. Eu faria os roteiros e os desenhos, a cor caberia a outro profissional. Foi aceito, felizmente. Mas como seria de se esperar, não tive liberdade para criar do meu jeito, fui amarrado ao número de 78 páginas apenas (eu queria pelo menos o dobro) e suprimir toda e qualquer coisa ligada à nudez e minimizar na violência, afinal, será uma edição voltado para um público juvenil. 

Vocês sabem, desde fevereiro de 2021 a minha vida mudou, perdeu o brilho e a cor, minha maneira de fazer quadrinhos também sofreu com isso. Eu produzi o meu melhor dentro das condições que me são permitidas, entretanto meu traço parece mais limpo e menos ousado, mas o que sou ainda está impresso ali, eu acho. Ainda não sei quando será publicada, entreguei as artes semana passada e ainda tenho que fazer a capa (me veio uma ideia legal mas foi rejeitada pela editora que sugeriu algo menos dinâmico. Eles pagam, eles mandam), vai entrar em processo de colorização ainda, então deve demorar um pouco.

Esta semana começo "Os 12 Trabalhos de Hércules", tem muita coisa que serei obrigado a espremer em 78 páginas mas realizo um sonho infantil, é como ir na Disneylândia.

Serão quatro álbuns no total. Um está concluído. Além de  Hércules, teremos Dédalo. Queria fazer Édipo mas foi desprezado, no lugar, produzirei o nascimento dos deuses. É trabalho para todo este ano.

Simultâneo aos mitos, trabalho nos Rastreadores e no projeto secreto, mas por esses já fui pago há tempos e o dinheiro foi gasto numa velocidade estonteante. La vie de um desenhador pobre.

Beijos a todos vocês e até uma próxima.  

Sketch de página para Teseu e o Minotauro.

 

UMA VIDA NORMAL

   Eu queria muito vir aqui com notícias boas. Na verdade tenho sim, boas notícias, uma delas é que fiz agora há pouco a minha terceira refe...