img { max-width: 100%; height: auto; width: auto\9; /* ie8 */ }

segunda-feira, 3 de abril de 2023

UM PARAFUSO A MENOS (OU ALGUNS DELES MEIO FROUXOS).

 Hello folks!

Ontem, domingo, eu passei muito mal. Almocei bem - muito bem! - mas devido ao cansaço que faz parte do meu estado natural, ou seja, não é uma fadiga própria de um esforço físico ou mental, mas um esgotamento vindo da alma, por fim eu não me sinto exausto, eu SOU exausto! Bem, por conta disso eu me deitei um pouco para relaxar e cochilei, afinal, domingo deveria ser um dia para dar uma pausa das tarefas cotidianas. Acordei com cefaleia e dores nas juntas e uma sensação de febre. Virose? Dengue? Não sei. O caso é que eu preferi não trabalhar, tomei um paracetamol e fiquei diante do notebook ouvindo um pouco de música, vendo uns vídeos e lendo uns gibis que eu tinha baixado há um tempo atrás.

E antes d´eu falar sobre isso deixe eu salientar que meu inglês sempre foi muito ruim, eu nunca tive grana para fazer cursos como outros garotos conhecidos da adolescência (naquela época eles aprendiam na Cultura Inglesa). Como muitos colegas artistas que conheci depois, eu tentei aprender inglês sozinho, traduzindo quadrinhos, músicas, tentando cantá-las para ter boa pronúncia e etc, mas nunca consegui avançar, ao contrário dos tais colegas que viraram até tradutores de livros. Acho que eu era preguiçoso demais, sei lá. Outra coisa que não me conformo é de não saber dirigir um carro, é coisa de necessidade, mas não tive oportunidade quando era jovem e de uns 30 anos para cá acabei desenvolvendo um medo patológico disso. E eu via que pessoas muito mais limitadas que eu se tornaram bons motoristas, vovózinhas dirigem e eu permaneço esse retardado que mal anda de bicicleta. 

Eu sempre fui meio lento da cabeça, na escola eu demorava muito para aprender as coisas, elas começavam a fazer sentido só um tempo depois e mesmo hoje, regras de português por exemplo, eu confundo tudo. Gostava de história mas abominava matemática, física, biologia e todas essas coisas que requerem fórmulas para serem devidamente compreendidas. Fui meio que obrigado, um tempo desses, a fazer um teste de autismo, em casa mesmo, e o resultado foi que eu tenho algo de autista no extenso espectro da coisa. Isso explicaria muito, inclusive a minha eterna sensação de inadaptabilidade a tudo e a quase todos. Ok pra mim, o que podia dar errado já deu, nessa altura da vida pouco importa essa merda toda de convívio social ou fazer parte de um mercado que nunca cheguei a participar, sequer conhecer.   

E, sim, agora depois dessa digressão volto aos gibis que baixei para ler, um deles foi o primeiro volume da revista Heavy Metal, aquela que nos EUA causou frisson nos acostumados aos comics de super heróis ou o underground. A edição foi aquela primeirona, de abril de 1977, com arte de capa do Nicollet que ilustra esse post. Como eu disse, por não saber inglês, só agora, traduzida, eu pude ler o conteúdo e confesso ter ficado um tanto decepcionado; talvez nos anos 70 os temas como drogas, sexo e certa distopia fossem alguma novidade e causasse espanto no público, mas não sei, desde os anos 60 com a Zap essas coisas já eram abordadas de forma mais franca e com menos pudor. Pode ser que a variedade de estilos e temas aliado ao acabamento gráfico tivessem feito a diferença, se foi isto, continua recebendo os meus aplausos, mas a qualidade das histórias na grande maioria deixou a desejar, pelo menos nessa edição de estreia. Temos lá as artes inigualáveis do Druillet, do Alain Voss, do Moebius com seu Arzach (ponto alto, para mim) e o Corben com Den (sobre ele especificamente falarei mais uma vez numa outra postagem). 

Mas uma coisa que me chamou a atenção, foi a amostra grátis de um capítulo do Livro do Terry Brooks chamado "A Espada de Shannara" (não sei se foi publicado no Brasil), na época alardeada como a maior saga de fantasia desde o Senhor dos Anéis. A saga de Brooks teve, parece, 27 livros, mas não obteve o sucesso que esperavam, apenas uns anos mais tarde o Robert Jordan, com "A Roda do Tempo"  alcançaria popularidade quase (eu disse quase) como Tolkien. 

O primeiro capítulo de A Espada de Shannara é bom, mas nada que eu não tivesse me empolgado mais lendo Conan e Bran Mak Morn do Robert E. Howard (onde tudo parece ter começado).  

Na segunda metade dos anos 70 havia uma certa febre por literatura fantástica de ficção científica (que muito deve ter mexido com a cabeça dos criadores da Metal Hurlant), como Duna e Cavalo de Troia, títulos lidos pelos garotos que conhecia, Perry Rhodan era quase uma obrigação, mas nunca me senti o público alvo desses livros. Eu ainda gostava mais de ler os clássicos brasileiros e os romances góticos, tipo Drácula, O Médico e o Monstro e fascinação por tudo o que o Poe escreveu. Devo lembrar que Frankenstein eu só vim entender o verdadeiro sentido - e apreciar devidamente - depois de mais velho. Os livros que viraram filmes, como Em Algum Lugar do Passado, Vampiros de Almas, Poderoso Chefão, Papillon e etc, fazem parte da minha biblioteca até hoje.  

Eu ainda continuo arrastadamente (pelo fator tempo) lendo o Don Quixote pela segunda vez e tendo agora uma melhor visão desse que para mim é um dos melhores livros de todos os tempos.

 

 Pareci detratar o número de estreia da Heavy Metal? Não, só esperava um teor mais inteligente nos textos, mas com certeza ela abriu portas e acima de tudo ainda permanece a memória afetiva dessa revista que tanto me encantou quando pus os olhos nela pela primeira vez e muito me inspirou a fazer os quadrinhos que gosto de produzir. 

Ainda me sinto febril e fraco, espero melhorar logo, há muito trabalho a ser feito.


 

domingo, 26 de março de 2023

A AQUARELA BORRADA

 Eu me vejo mal sintonizado, caminhando entre os mortais é como se eu estivesse desfocado, vocês sabem, todos nítidos e eu disperso entre eles. O corpo perdendo massa muscular a olhos vistos e em mim uma total indiferença a este fato. Alguma popularidade adquirida há uns anos atrás decai dia a dia, visto que minhas postagens em uma rede social não recebem mais atenção. Envelhecer é isso? Ostracismo? Deve ser, dá para desconfiar, hoje uma estrela brilha na Rede Goebbels ou em Hollywood, amanhã sua pele fica flácida e seus cabelos encanecem e seu brilho se apaga. Dizem que permanecer no topo (onde nunca estive) é mais difícil que a escalada. Eu deveria me incomodar com isso? Sim e não. SIM, porque fica uma incômoda impressão de que todo esforço de anos não valeu a pena. NÃO, porque sempre soube que tudo nesta vida passa num piscar de olhos e eu nunca tive ilusões a respeito. Gênios da arte como Picasso ou Dalí hoje não são mais ovacionados como foram há não muitos anos.

Os quadrinhos que faço hoje, se forem publicados, serão lidos por quase ninguém, ou passarão pelas mãos de pessoas que nunca saberão o que criei anteriormente, mais um no meio de tantos hoje em dia. O mesmo com tantos artistas bons e anônimos que nascem num dia e morrem no outro e o ciclo se repete infinitamente.

Ontem eu tive um belo sonho com minha mãe, ela estava lá em belas cores, jovial, com seu riso contagiante, pequena de estatura e gigante em personalidade que atraíam todos a ela. Abri meus olhos com um misto de sorriso por revê-la e lágrimas por constatar que tudo não passara de uma fantasia da minha mente.

E o pior de tudo, com o passar dos minutos, os detalhes começaram a se perder, a se embaralhar, a memória das imagens em minha mente ficando difusas, como se uma bela obra em cores vivas recebessem gotas de chuva manchando as linhas, maculando os matizes, tornando o quadro um borrão de policromia triste e amnésica.


   

domingo, 12 de março de 2023

VIEW MASTER

 Boa noite a todos!

O tema da minha postagem, pra variar, seria outro, se eu tivesse mais tempo para dissertar (a respeito de uma nova tecnologia que está assustando muitos ilustradores) mas vai ficar para a próxima.

Então sobre o que vou falar hoje? Que tal discorrer de novo sobre a infância? Boa ideia! Antes, me permitam, uma vez mais, amaldiçoar com todas as minhas forças os pernilongos que me atormentam nesse calor horrível!

Pronto, vamos lá: eu me lembro neste exato momento uma frase dita pelo Rambo em seu segundo filme que era mais ou menos assim: "sou como aquele cara que é convidado para uma festa e por algum motivo não compareço e mesmo assim ninguém nota". Era como se ele estivesse falando de mim. Recordo de certa vez quando eu cursava o primeiro ano do colegial (seria o nível médio hoje? Nem sei) e tinham muitos caras populares, isso é bem comum no meio dos esportes, haviam naquele ano muitos garotos praticantes de futebol, basquete, vôlei e natação, nosso colégio, o Santa Rosa, disputava de igual para igual com o La Salle, Marista e CEUB. Eu não jogava porra nenhuma é claro, odiava esportes de equipe (ainda odeio). Havia uma garota lá, cujo o nome eu não lembro, que era uma gata, noiva de um campeão de karatê, que quis tirar uma foto coletiva depois de uma competição, reuniu a todos, até os "pernas de pau", e no momento do clique ela olhou para mim e pediu para eu sair de cena, assim mesmo, sem mais nem porque. Envergonhado, claro, eu sumi dali me perguntando o que eu havia feito a ela, na verdade mal nos conhecíamos. Na real, esse tipo de rejeição era comum, anos antes, no primário, em São Paulo, uma menina convidou a sala toda para sua festa de aniversário mas deixou claro que, eu não era convocado. Como podem ver o Rambo não era notado quando não comparecia a uma festa, mas pelo menos era convidado, eu, nem isso. Essas coisas machucavam na época, crianças e adolescentes querem ser aceitos, fazer parte de algo. O que trás a memória a figura do Hans Christian Andersen, que escreveu a O Patinho Feio, ele na verdade, nesta fábula, registrou a sua própria história, é sabido que ele sofreu muito o que hoje é chamado de bullying, alto em demasia para sua idade, feio, desengonçado, sensível e tímido e se tornou mais tarde, lógico, um escritor famoso (há um conto dele com tons de horror chamado "A Sombra" que é incrível!). Claro que eu nunca me tornei um cisne, não fiquei mais alto, nem mais bonito e muito menos inteligente, mas o tempo se encarregou de fazer com que eu não me importasse mais com esse desprezo, hoje em dia, pudesse eu, falaria o mínimo possível com quem quer que seja.

 Mas esse longo preâmbulo foi para falar que nem tudo era amargo, ganhei da minha mãe, bem no início dos anos 70, um View Master, um....como eu poderia designar? Um aparelho? Um brinquedo? Sei lá, mas eu ficava horas do meu dia rodando aqueles disquinhos e me encantando com aquelas imagens 3D. Eu tinha, acho, de 6 a 10 disquinhos; não me recordo quais eram a maioria dos temas, mas haviam com certeza coisas da Disney, Os Três Porquinhos e, esse eu nunca esqueci, O Gato de Botas. A cena em que o gato devora o feiticeiro transmutado em rato, me causava terror, mas eu amava. Procurei na internet por essas cenas mas infelizmente não consegui. 

Haviam muitos modelos de View Master, o meu era um tipo mais sofisticado, arredondado, não o modelo simples que eu demonstro aqui, mas também não consegui localizar na web. Ignoro como minha mãe adquiriu aquilo (era caro e sempre fomos pobres), mas ela e meu pai as vezes faziam um esforço extra para arrancar um sorriso do meu rosto (tenho que postar sobre o Fort Apache qualquer dia desses).

Isso havia se apagado da minha memória e veio à tona essa semana. Pesquisando um pouco sobre como as cenas dos disquinhos eram criadas, fiquei perplexo com a perfeição dos personagens e cenários. Revivi um dos raríssimos momentos da minha infância que vale a pena lembrar.    





   

sábado, 4 de março de 2023

OS BONS AMIGOS.

 Boa noite a todos!

Sim, devo dizer que tenho vivido dias bem turbulentos, e não há exageros nesta afirmação, o dinheiro anda bem curto e os credores soam como espectros de um filme de terror psicológico, hoje falo com máquinas, sou cobrado por máquinas, os juros por atraso de um boleto são calculados numa matemática alienígena para mim. 

Ainda sou açoitado pelos ventos de uma situação absurda que me acompanha há quase trinta anos e hoje em dia toma as proporções de um tufão com muito mais frequência.

Esses disparates não são novidades na minha vida, foi assim ao longo de toda a minha existência, boa parte deles frutos de escolhas erradas e eu já disse isso aqui, a diferença é passar por esses despautérios com 20, 30 anos, outra é levar essas porradas aos 60.

Mas Deus providencia suporte para esses momentos cruéis na pessoa dos amigos que conto nos dedos de uma das minhas mãos.

Um deles fez a gentileza de resenhar meu PHOBOS e DEIMOS em seu canal no You Tube. Sincera gratidão, meu caro!

 

Ainda sobre esse livro (que acho que é mais atual que nunca), só tenho recebido elogios. Claro, uns gostam mais de determinada história do que outra, mas no geral, malgrado o tom bilioso e soturno das narrativas, tem suscitado reações positivas. Mais uma obra minha ignorada pela "intelligentsia" das hqs nacionais. Nenhuma novidade. Pena que só foram impressas 50 cópias.

Fiquem todos com Deus e um viva aos amigos do peito!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

MINI CARTA PARA FRANCIS.

 Oi, mamãe! Hoje completam dois anos que você se despediu de nós, daqueles que te amam (sim, com o verbo no presente). Não vou perguntar como você está, pois a resposta seria óbvia para nós que cremos e recebemos a Cristo como Senhor e Salvador, hoje o seu louvor é tão somente para Ele, na presença d´Ele e isso é algo que não posso imaginar, está muito aquém das minhas capacidades como homem ínfimo, efêmero e mortal. Apesar da saudade matadora e tristeza onipresente me sinto consolado com o pensamento de que toda a dor que as pessoa sem noção e sem coração te infringiram cessou e todo pesar não pode mais te alcançar.

Eu, ao contrário, continuo como aquele personagem do Dean Martin (você gostava dele, lembra?) naquele filme com o John Wayne, Rio Bravo ou como aquele anão de Mad Max Além da Cúpula do Trovão. Tenho vivido dias amargos - agora, na casa dos sessenta - e não tenho mais a sua presença para me consolar. Os motivos ainda são os mesmos? Você me perguntaria. E eu respondo, sim. Além da eterna dificuldade financeira, algo que você conheceu tão bem durante maior parte da sua vida, ainda sofro a ingratidão de quem deveria me ajudar e, lógico, a incompreensão de muitos. 

Mas falemos de outras coisas; não conversei mais com a Samanta, mas vi uns vídeos dela numa rede social e ela me pareceu bem, sempre sorridente e fazendo aquelas piadas dela. Vez ou outra papeio com o André e o Rodrigo, nunca temos muito tempo e nossas obrigações cotidianas parece que nos afastam cada dia mais, mas estamos sempre unidos em pensamento, isso eu sei.

Nos dias mais pesados (eles são muito frequentes atualmente) relembro sua voz, sua bênção. Nunca esqueço o amor que você me incutiu pelos livros. Foi você quem me falou sobre Cathy e Heathcliff e foi você quem me levou para ver Se Meu Fusca Falasse e o Ladrão de Bagdá no cinema quando eu era bem garotinho. Fiquei maravilhado! 

 O SIROCO, a derradeira aventura do Zé Gatão ainda não foi publicada. Definitivamente não há mercado para esse tipo de material por aqui, mãe, talvez para nenhum tipo e isso me obriga a jogar a toalha e não tentar emplacar mais nenhum projeto pessoal. As vezes ainda me pego sonhando em vender meu material para o público externo, tipo Europa, onde dizem, teria melhor aceitação. Será? Esta seria a melhor forma de comprar uma casa para a Verônica e permitir que ela tenha uma renda caso eu venha a faltar. Tenho muito medo de deixar como legado para ela apenas dívidas. 

Eu sei como você sonhou em gravar um disco, ter sua casa própria, voltar a enxergar direito e todas essas quimeras foram frustradas. Dinheiro, apenas um pouco mais de dinheiro e ele sempre esteve distante uns poucos passos!

E após tantas provações você foi aprovada, mãe. Um outro medo que tenho é de nunca poder te reencontrar, não ser aceito nesta pátria onde você está junto a seu filho que te seguiu pouco depois, porque ao contrário de você eu não consigo sentir compaixão pelos desgraçados, pelos bêbados, drogados, vigaristas e parasitas, eu os desprezo. Ontem fui obrigado a ouvir uns hip hops, você sabe, essas músicas de bandido e senti engulhos diante de tanta hipocrisia, gente que prega abertamente o ódio e o preconceito, usam roupas finas, esbanjam recursos ganhando dinheiro com sua poesia tosca sobre negros pobres e favelados.

Sinto uma repulsa brutal em relação aos políticos corruptos e oportunistas, mãe, você não está aqui para testemunhar o fato de prenderem inocentes e colocarem criminosos em liberdade.....eu me vejo como o profeta Jonas que queria ver cair fogo dos céus sobre Nínive. Se o Senhor nos recomendou amar aos que nos odeiam, como posso obter perdão com esses sentimentos?

Eu continuo trabalhando como posso, sempre inspirado por você e seus exemplos.

Termino essas poucas linhas na esperança de que a misericórdia do Salvador seja maior que os meus pecados e possamos nos ver de novo neste lugar onde lágrimas nunca mais rolarão.

Beijos, mãe! Saudades eternas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 12 de fevereiro de 2023

FADAS, SEREIAS E COISOS.


FLAVIO CALAZANS, UMA LENDA DA PRODUÇÃO NACIONAL BRASILEIRA QUE NÃO CAI NA MESMICE.

PRESTIGIEM, DIVULGUEM!

O AUTOR COM A PALAVRA:

"Este álbum "Fadas, Sereias e Coisos" mostra os 4 capítulos de meu Grimorio e dá sentido às minhas HQs de fadas e sereias como sub produto de um extenso trabalho místico com simbologia e leis das ciências arcanas como Alquimia, Astrologia, Cabala, Geomancia, Heráldica, Anatomia esotérica, Metafísica, Teologia, Angeologia, Demonologia, etc.
Esclarece a missão de meus personagens como metáforas de Ciências ditas "Ocultas"; Mauro o Centauro, Ada a Fada, Aragão o Dragão, Miuxa a Bruxa e tantos outros, em que pese os trocadilhos com os nomes deles, estes personagens são Adultos e as histórias em quadrinhos são proibidas para menores de 18 anos.
Obrigado Marcos Freitas, mais do que nunca estas obras precisam circular no nosso Brasil de hoje.
"Pouca luz vence muitas trevas" .
Paul Claudel. Diplomata e poeta francês
"FADAS, SEREIAS E COISOS"
Flávio Calazans
Álbum que reúne HQs de Calazans COMENTADAS DETALHADAMENTE PELO AUTOR PELA PRIMEIRA VEZ.
80 páginas em formatão 21x30, capa em cores com verniz localizado, miolo PB Pólen Bold, lombada.
Estréia da Editora Xerox Mecânico
R$ 49,00 + R$ 10,00 frete registrado
contato: atomiceditora@gmail.com"

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Arte criada para um livro do Ensino Médio que breve será publicado

 Boa noite a todos!

Faço uma pausa (queria que fosse breve, mas sei que não será, vou me perder como de costume em digressões e enxertar assuntos que nada terá a ver com o que eu queria realmente dizer) na atual página que faço para os Mitos Gregos (trabalho em Dédalo e Ícaro, penúltimo livro da série, já começo a ficar preocupado se a Ciranda Cultural não renovar o contrato comigo após o livro final, perderei o trabalho que é o grosso dos meus ganhos - viram como me afasto do tema proposto com meus parênteses? - mas não vamos sofrer por antecipação) com o objetivo de atualizar esse nosso espaço e enquanto o faço, devo informar que sou severamente incomodado com o calor e com os pernilongos que me desesperam tocando seus malditos violinos em minhas orelhas enquanto ferozmente se alimentam do meu sangue, o que me obriga a parar de digitar e tentar matá-los com tapas e se tenho sucesso, limpar o sangue das palmas das minhas mãos.

Mas vamos lá, talvez alguém aqui já tenha ouvido falar que tenho uma filha. Não nos vemos há muitos anos e meio que perdemos a conexão. Eu evito comentar o assunto para protegê-la, mas mais que nunca os dias de hoje não prometem futuros auspiciosos, os anos avançam e o pior pode acontecer comigo a qualquer momento e sinto o desejo agudo de me justificar, explicar o meu mutismo e um dia, quem sabe, ela pode ler essas palavras e entender o meu silêncio. Não fui um bom pai pra começo de conversa, eu ela sabemos porque, embora na minha cabeça eu tenha tentado ser, por isso, penso, ela se afastou e eu não a censurei pois achei mais que justificado. Por ocasião da despedida da minha mãe e meu irmão, eu e ela nos falamos umas poucas vezes, sempre brevemente, ao telefone e eu pensei que restabeleceríamos a ligação. Trocamos algumas mensagens por WhatsApp mas ela demorava na resposta e era sempre algo muito fugaz, logo intuí que ela o fazia por educação, não por gosto, ao mesmo tempo eu comecei a me encolher esmagado pela minha dor, açoitado pelos ventos das tempestades que sempre me assolam; esperei até que tudo passasse para retomar o contato. Escrevi mensagens e mensagens dizendo o quanto eu a amava e quanta saudade eu sentia, mas nunca enviei (mas deixei guardado em meus rascunhos). Até que dia desses assisti alguns vídeos, desses que são públicos em redes sociais, e pude notar o quanto ela está bem, bonita, pândega como sempre, feliz ao lado da família que ela conquistou faz anos. Tomei a deliberação de execrar as mensagens arquivadas - assim como pretendo um dia queimar todos os quadrinhos e desenhos que permanecem ocultos ao público - me aproximar dela, trazê-la para perto de mim, quando ela mesma nunca tentou fazer, seria como obrigá-la participar dos meus negros momentos de depressão e dificuldades financeiras, impingir, quem sabe, alguma culpa quando ela não tem culpa nenhuma, seria como eu pedir para que ela viesse me visitar numa cadeia, ela não merece isso. Ela nunca dependeu de mim pra nada, conquistou suas coisas na raça e eu sou orgulhoso por isso. Deixo ela bem, vivendo feliz ao lado da sua família. Se um dia o Todo Poderoso cruzar nossos caminhos novamente, então amém, assim será, mas eu não posso trazê-la para o lado negro do meu mundo que é só o que eu tenho para oferecer.

Eu deveria encerrar agora mas tem o título do post, né? Bobagem, foi algo que eu lembrei esses dias. Num outro universo, quando eu era outro personagem no palco da vida, numa Brasília do ano de 1976, havia esse menino, um menino robusto, de boa família, inteligente, com um chulé terrível e um irmão mais novo que era uma espécie de valentão da escola, que me segredou que haviam forças malignas no Brasil que deveriam ser combatidas pelas pessoas de bem, pessoas como eu e ele. Sim, ele me recrutava para a organização secreta que combateria o mal (não, ele não delirava, nem brincava, para ele era sério!) e a tal organização eram nós dois. Me lembro de que aventei a possibilidade de trazer para a "organização" mais dois amigos próximos do colégio e ele disse que não podíamos confiar em ninguém. O que veio além seria mera suposição porque de fato eu não lembro, mas deve ter ficado o dito pelo não dito. Eu mudei de escola e dele não mais ouvi falar.

Dando um salto no tempo, já nos anos 90, um outro conhecido me passou um livro que, segundo ele, seria como um tapa na minha cara, tratava se do tal "Protocolo Dos Sábios de Sião", um compêndio breve (e muito chato) que tentava provar o plano dos judeus para conquistar o mundo. Li, devolvi pra ele e esqueci. Não muito depois comprei a obra do Will Eisner chamada "O Complô", tão chato quando o tal protocolo que ele combatia e provava a farsa. Lamentei ter pedido o contato com o conhecido anti-semita, queria ver a cara dele ao ler as irrefutáveis argumentações do criador do Spirit.

Sobre o amigo que queria combater as forças maléficas que agiam secretamente no Brasil criando uma organização contrária composta por apenas dois meninos de 14 e 15 anos, lembro que ele gostava dos Carpenters e se apaixonou por uma desconhecida atriz do cinema ianque, uma oriental. Claro que não me recordo mais do filme em que ele a viu e se encantou, mas o que ficou vivo na minha memória é que ele disse que assim que pudesse viajaria para o exterior, a conquistaria e se casaria com ela. Espero sinceramente que ele tenha tido êxito e tenha sido feliz. Haviam nele bom coração e boas intenções.

Aliás, em homenagem a ele vou ouvir Carpenters enquanto termino a página de Dédalo e Ícaro.

ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 7 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A Busca – Capítulo 7: Ao saírem pela boca da passagem, por onde tinham palmilhado, por um tempo impossível de determinar, a morceguinha e o...