sexta-feira, 29 de outubro de 2010
ZÉ GATÃO NO CORREIO BRAZILIENSE
O COMPUTADOR DEU UM TILT , JÁ NO FINAL DA
POSTAGEM. A TELA FICOU BRANCA E EU PERDI
TUDO O QUE ESCREVI.
COMPUTADORES SÃO GRANDES FERRAMENTAS
MAS AS VEZES PARECEM QUERER NOS MATAR
DE RAIVA.
Foi uma daquelas postagens longas onde eu destrinchava episódios da minha infância. Uma pena. Mas pode ter sido bom.
A verônica disse que eu poderia perder leitores por causa das coisas que escrevo. Será? Talvez.
Bem, tenho certeza que vocês são fortes para aguentar.
Como não tenho saco pra recomeçar todo o meu chororô, vamos logo às artes, o Zé Gatão acima foi desenhado para uma amiga muito querida de Brasília. O original está com ela, eu fiquei com esta cópia horrível.
Abaixo a matéria feita sobre o "Crônica do Tempo Perdido" no Correio Braziliense em 2003. Foi de página inteira, mas o que importa foi a crítica do rapaz que foi um dos poucos a pegar o espírito da coisa.
A todos vocês um bom final de semana. Como há um feriado na terça, talvez eu volte na segunda, talvez na quarta, Deus é que sabe.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
STAR FORCE
O calor está forte. Como forte está a minha dor de cabeça. Deve ser a minha pressão. Já faz uns 4 ou 5 anos descobri que a causa das minhas frequentes cefaleias, zumbidos nas orelhas e dores nas pernas eram provenientes da maldita pressão alta. Ter me portado como um atleta boa parte da minha vida nunca quis dizer muito.
A coisa não tem cura.
Tem tratamento. A medicação que tomava para controle da pressão provocava certos efeitos colaterais que a longo prazo me ferrariam bonitinho. A outra que o médico prescreveu no momento é inviável para o meu bolso. Então sigo assim, vivendo por fé.
Não estou falando muito com as pessoas hoje. Estou irritado e não quero correr o risco de falar algo que possa ferir alguém. Ninguém tem culpa pelos meus problemas.
Hoje meu irmão Gil completa mais uma primavera. Ele está em algum lugar do hemisfério norte com a esposa e dois filhos. Que o Deus Todo-Poderoso continue abençoando a vida dele como vem fazendo até o momento.
Mexendo na minha bagunça dia destes, descobri esta arte, quer dizer, esta capa que ilustrei uma pá de ano para uma hq nos mesmos moldes da série Star Trek. Não lembro mais quem eram os autores. Sei que a estória era legal e o desenho de um traço simples, mas funcional. Só fiz a capa.
A arte original não sei se ainda existe em algum lugar. Provavelmente não.
Ela não é grande coisa mas acho que vale o registro.
Cara, que calor! Vocês me verão reclamar muito disto aqui. Já tomei três banhos hoje. Acho melhor voltar para o chuveiro refrescar o corpo e ver se a dor de cabeça dá uma trégua.
A água do mundo está acabando? Dane-se. Hoje eu não ligo.
A coisa não tem cura.
Tem tratamento. A medicação que tomava para controle da pressão provocava certos efeitos colaterais que a longo prazo me ferrariam bonitinho. A outra que o médico prescreveu no momento é inviável para o meu bolso. Então sigo assim, vivendo por fé.
Não estou falando muito com as pessoas hoje. Estou irritado e não quero correr o risco de falar algo que possa ferir alguém. Ninguém tem culpa pelos meus problemas.
Hoje meu irmão Gil completa mais uma primavera. Ele está em algum lugar do hemisfério norte com a esposa e dois filhos. Que o Deus Todo-Poderoso continue abençoando a vida dele como vem fazendo até o momento.
Mexendo na minha bagunça dia destes, descobri esta arte, quer dizer, esta capa que ilustrei uma pá de ano para uma hq nos mesmos moldes da série Star Trek. Não lembro mais quem eram os autores. Sei que a estória era legal e o desenho de um traço simples, mas funcional. Só fiz a capa.
A arte original não sei se ainda existe em algum lugar. Provavelmente não.
Ela não é grande coisa mas acho que vale o registro.
Cara, que calor! Vocês me verão reclamar muito disto aqui. Já tomei três banhos hoje. Acho melhor voltar para o chuveiro refrescar o corpo e ver se a dor de cabeça dá uma trégua.
A água do mundo está acabando? Dane-se. Hoje eu não ligo.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
VAMPIRELLA
Acho que a primeira vez que vi uma revista da Vampirella foi ainda nos anos 70. Não sei se as edições nas bancas de jornais eram da Editora Kultus ou Noblet (ambas extintas, se não estou enganado), mas as capas ilustradas pelos feras espanhóis Sanjulian e Enrich me deixaram fascinado. Cheguei a possuir um ou dois exemplares, agora edições especiais da Kripta da RGE, numa época em que eu cavocava os sebos paulistanos, geralmente em bancas velhas que ficavam ali próximas ao prédio do DEIC. Não era muito fã das histórias da vampira embora os desenhos do José Gonzales fossem de encher os olhos. Legais mesmo eram as outras narrativas terroríficas que complementavam a revista.
Mas sabem, é dificil ficar indiferente a uma personagem tão sensual, por isto, um pouco depois de eu ir a falência com a minha banca de revistas, influênciado pela febre dos cards, resolvi fazer minha versão da personagem a óleo sobre tela. Fazia parte do que chamo de portfólio de super-heróis (um conjunto de velhas pinturas vistas por quase ninguém).
Como sempre, pelas grandes dimensões, posto duas versões, uma revelada em cromo e outra fotografada com câmera digital.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
CINCO MINUTOS ( 08 )
Rapaz, serviço doméstico cansa um bocado e não acaba. Principalmente louças. Você acaba de lavar e daqui a pouco já está tudo sujo de novo. Uma solução (não sei se já pensaram nisto) seria os pratos e talheres serem comestíveis como aquelas casquinhas de sorvete, haveriam então sabores, tipo churrasco, salsa e cebola, e assim por diante. Seriam um complemento das refeições diárias, ricos em fibras e livres de gordura trans é claro. Perderíamos, acho, menos tempo lavando estes utensílios de cozinha.
Minha mãe faz aniversário hoje (Deus a abençõe) e quem recebe o presente sou eu, ela desembarca daqui a umas horas. Mal contenho minha ansiedade.
Agradeço aos que enviaram mensagens de boa recuperação para a Verônica. Ela está melhor, mas quando voltei do mercado hoje ela estava na ativa de novo, arrumando a casa para a chegada da minha mãe. Não pude dete-la. Nada pode. Ela é muito teimosa. Lembrei-me da história de Marta e Maria descrita nos Evangelhos.
A arte de hoje é a penúltima de Cinco Minutos. Aliás, soube que os livros já estão impressos. Foram tantos elogios que daqui a pouco vão querer me dar uma medalha. Tanto assim que há planos pra mais uma (nova) leva destes clássicos da literatura brasileira. Aguardem novidades para os próximos dias.
Obrigado a todos que me visitam. Fiquem bem.
Minha mãe faz aniversário hoje (Deus a abençõe) e quem recebe o presente sou eu, ela desembarca daqui a umas horas. Mal contenho minha ansiedade.
Agradeço aos que enviaram mensagens de boa recuperação para a Verônica. Ela está melhor, mas quando voltei do mercado hoje ela estava na ativa de novo, arrumando a casa para a chegada da minha mãe. Não pude dete-la. Nada pode. Ela é muito teimosa. Lembrei-me da história de Marta e Maria descrita nos Evangelhos.
A arte de hoje é a penúltima de Cinco Minutos. Aliás, soube que os livros já estão impressos. Foram tantos elogios que daqui a pouco vão querer me dar uma medalha. Tanto assim que há planos pra mais uma (nova) leva destes clássicos da literatura brasileira. Aguardem novidades para os próximos dias.
Obrigado a todos que me visitam. Fiquem bem.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
CAPA PARA A REVISTA "GAMERS" 04
Amigas e amigos, boa tarde.
Espero que todos tenham tido um bom fim de semana.
O meu não foi lá dos melhores. Minha esposa sofreu um pequeno acidente doméstico que resultou num desvio de coluna. Pobre querida. Está andando de viés. O médico prescreveu antiinflamatório, analgésicos e repouso absoluto. Como não temos secretária, as tarefas domésticas caíram sob minhas costas. Estes serviços que não suporto, mas que alguém tem que fazer. Nestas horas é que vejo o quanto sou dependente dela. Na verdade não me importo de varrer a casa, lavar louça, cozinhar, o problema é que sobra pouquíssimo tempo para meus desenhos. Mas paciência. "Na saúde e na doença", como se diz. Levo isto bem a sério.
Para contrabalançar, a boa notícia é que minha mãe chega amanhã. Não a vejo faz mais de um ano. Esta visita era planejada a um bom tempo. Terça finalmente se concretizará. Deus seja louvado.
A arte de hoje é a última capa que fiz para a Gamers. Última? Isto mesmo. O motivo é que depois de abaixarem o valor do meu pagamento duas vezes, queriam diminuir ainda uma terceira. Meu, sempre estou precisando de dinheiro, mas há limites. Sem chance, disse a eles (não exatamente desta maneira). O resultado disto é que no meu lugar colocaram um "artista" que provavelmente desenha com o pé esquerdo. Quem me conhece bem sabe que sou avesso a este tipo de comentário, mas as vezes não dá pra ficar calado. Tudo bem, chego a conclusão no final de tudo que não estavam interessados em qualidade, mas em economia.
Esta arte em particular me deu dor de cabeça. Era o tempo em que eu gostava de experimentar. Fiz o Van Damme em aquarela, a Sheeva com guache e o Chief Thunder do Killer Instinct a nanquim e óleo. Uma mistureba danada no mesmo papel. Acho que era um Opaline e este tipo de papel (muito liso) não segura a tinta óleo. Levou um bom tempo pra secar e tive que dar vários retoques.
Pra piorar, no dia que tinha que levar a ilustração pra redação da revista, recebi a visita de um destes conhecidos inconvenientes (estes que chegam as 7 da manhã, 11 da noite ou 3 da tarde - pra ele tanto faz - e se espalha como se a casa fosse dele). Fui aguentando suas piadas sem graça um bom trecho de metrô. Coitado, ele gostava dos meus desenhos.
Bem, acho que no final das contas, são detalhes assim que acabam dando um élan à coisa toda.
Espero que todos tenham tido um bom fim de semana.
O meu não foi lá dos melhores. Minha esposa sofreu um pequeno acidente doméstico que resultou num desvio de coluna. Pobre querida. Está andando de viés. O médico prescreveu antiinflamatório, analgésicos e repouso absoluto. Como não temos secretária, as tarefas domésticas caíram sob minhas costas. Estes serviços que não suporto, mas que alguém tem que fazer. Nestas horas é que vejo o quanto sou dependente dela. Na verdade não me importo de varrer a casa, lavar louça, cozinhar, o problema é que sobra pouquíssimo tempo para meus desenhos. Mas paciência. "Na saúde e na doença", como se diz. Levo isto bem a sério.
Para contrabalançar, a boa notícia é que minha mãe chega amanhã. Não a vejo faz mais de um ano. Esta visita era planejada a um bom tempo. Terça finalmente se concretizará. Deus seja louvado.
A arte de hoje é a última capa que fiz para a Gamers. Última? Isto mesmo. O motivo é que depois de abaixarem o valor do meu pagamento duas vezes, queriam diminuir ainda uma terceira. Meu, sempre estou precisando de dinheiro, mas há limites. Sem chance, disse a eles (não exatamente desta maneira). O resultado disto é que no meu lugar colocaram um "artista" que provavelmente desenha com o pé esquerdo. Quem me conhece bem sabe que sou avesso a este tipo de comentário, mas as vezes não dá pra ficar calado. Tudo bem, chego a conclusão no final de tudo que não estavam interessados em qualidade, mas em economia.
Esta arte em particular me deu dor de cabeça. Era o tempo em que eu gostava de experimentar. Fiz o Van Damme em aquarela, a Sheeva com guache e o Chief Thunder do Killer Instinct a nanquim e óleo. Uma mistureba danada no mesmo papel. Acho que era um Opaline e este tipo de papel (muito liso) não segura a tinta óleo. Levou um bom tempo pra secar e tive que dar vários retoques.
Pra piorar, no dia que tinha que levar a ilustração pra redação da revista, recebi a visita de um destes conhecidos inconvenientes (estes que chegam as 7 da manhã, 11 da noite ou 3 da tarde - pra ele tanto faz - e se espalha como se a casa fosse dele). Fui aguentando suas piadas sem graça um bom trecho de metrô. Coitado, ele gostava dos meus desenhos.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
CRÔNICA DO TEMPO PERDIDO ( FINAL )
A maioria dos artistas que conheço não vivem totalmente de sua arte. Ou tem alguma outra fonte de renda, ou recebem ajuda dos pais, dos irmãos, da companheira, dos amigos, etc. Comigo não é diferente. Meus pais, irmãos e amigos com frequência salvam meu pescoço nos momentos de crise. No ano em que o álbum preto veio a público eu residia na SQS 411. Me sentia muito bem, as coisas estavam sob controle, até que veio um comunicado da imobiliária informando de um reajuste no aluguel que para mim era impraticável. Somado a isto, a Verônica não se adaptou muito bem na Capital Federal. Ela já sentia falta da familia em Recife, e me convenceu a mudar para o Nordeste onde o custo de vida é bem menor. E é assim, eu e Brasília temos esta relação de amor impossível. É uma cidade cara demais pra mim.
Ela voltou para o Jaboatão e eu fiquei pra despachar a mudança. Feito isto, entreguei o apartamento e rumei para São Paulo onde se daria o Lançamento do "Crônica". Fiquei hospedado com meu irmão numa São Paulo fria e cinzenta como nunca havia sentido. Eram dias estranhos e eu comecei verdadeiramente a me sentir um corpo estranho neste mundo, como se não houvesse lugar para mim nele. Senti a minha inadaptabilidade mais forte que nunca.
Um tempo antes, a Daniela Baptista, esposa do Gualberto Costa, me convidou a participar de uma esposição em Piracicaba junto com outros cobras dos quadrinhos (pretendo fazer um post sobre este evento). Como eu era o único dentre os que remeteram suas artes a estar em Sampa na ocasião, fui com eles à Piracicaba para a abertura da exposição. Foi legal. Amainou um pouco o amargor que sentia.
Não estou bem lembrado, mas parece que agendaram o lançamento de Zé Gatão num sábado a tarde. Sei lá, não quero parecer ingrato mas a mim pareceu que não foi bem divulgado. Naquela tarde fazia um frio terrível e fui até a Comics (local do evento), com meu irmão e um amigo dele que nos deu uma carona. Quase ninguém apareceu. Quantos? Umas 6 ou 7 pessoas? Se tanto. Todos amigos que eu constrangi a comparecer. Foi lá o editor e o diagramador da Via Lettera e ficaram um pouco. O Lourenço Mutarelli (quando ainda nos falávamos) foi gentil em comparecer junto com seu filho. Legal mesmo foi o Arthur Garcia ter ido e passado boa parte da tarde batendo um gostoso papo sobre quadrinhos, o que fez com que aquele lançamento não fosse uma coisa totalmente lamentável.
Pouco tempo depois eu estaria embarcando para Pernambuco.
Gosto muito do Crônica do Tempo Perdido, é um livro forte, sinto orgulho dele. O vídeo que acompanha esta postagem foi feito pelo pessoal do Omelete quando eles tinham um espaço no Metrópolis. Ele não roda muito bem meu PC, espero que vocês tenham melhor sorte. Por azar, no mesmo horário que o programa foi ao ar, na Globo estava passando um jogo do Brasil. Nunca conheci alguém que o tenha assistido.
Como está o livro hoje? Não sei. A editora nunca mais entrou em contato comigo. Agora pra mim tanto faz.
Concorri a um Hq Mix como melhor álbum e melhor desenhista eu acho. http://www.hqmix.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=42&Itemid=59
Abaixo uma relação de resenhas da época sobre o álbum que consegui encontrar:
http://omelete.com.br/quadrinhos/hq-ize-gatao-cronica-do-tempo-perdidoi/
http://www.texbr.com/artigos/artigos2004/0604_hqmix.htm
http://www.poppycorn.com.br/artigo.php?tid=191
http://cpopular.cosmo.com.br/mostra_noticia.asp?noticia=858260&area=2140&authent=719E7355CD5706E90422BA20719E73
http://site.omelete.dev.01digital.com.br/quadrinhos/ize-gataoi-tarde-de-autografos/
http://www.universohq.com/quadrinhos/2003/review_zegatao.cfm
http://www.universohq.com/quadrinhos/2003/n26072003_07.cfm
Não consegui achar na rede uma matéria que saiu no Correio Brasiliense, o articulista pegou bem o espírito da coisa, mas eu tenho o recorte de jornal, assim que eu achar no meio da minha bagunça eu posto aqui.
Bem, acho que isto é tudo o que tenho pra falar sobre este assunto.
Aos que tiveram paciência para ler os meus desabafos, minha gratidão. Fiquem bem e tenham um bom fim de semana.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
ZÉ GATÃO ( CRÔNICA DO TEMPO DO PERDIDO ) Parte 2
A Via Lettera, se não estou errado, foi uma das primeiras editoras a publicar por aqui, quadrinhos adultos em formato de livro pra um público diferenciado. Começou com O Homem Ideal e Balas Perdidas. A Conrad ( talvez até um pouco antes ), tinha trazido às livrarias o clássico GEN, PÉS DESCALÇOS ( obra que recomendo sem pestanejar ). Daí pra frente outras vieram no vácuo, e ( felizmente ) não parou mais.
O novo livro do Zé Gatão seria o primeiro dos nacionais desta safra.
SERIA, mas NÃO FOI.
Logo após aquele rápido papo com o Jotapê Martins, liguei pra ele sem muito entusiasmo, afinal, quando já se bateu em tantas portas e a maioria não se abriram, tende-se a ficar paranóico e achar que é pessoal. Mas não foi assim, ele me instruiu a mandar xerox de boa qualidade de todas as histórias que tinha criado até então.
Assim o fiz. A resposta não demorou, recebi uma ligação dele no trabalho, afirmando que tinha gostado muito do material e que gostaria de publica-lo. Mas tinha algumas ressalvas. A primeira delas é que nem todas as narrativas entrariam neste volume pra não exceder a um número específico de páginas. Ficariam, quem sabe, para um próximo. A segunda é que certas passagens eram violentas por demais, e teriam que ser censuradas.
Tudo bem, disse eu. Como fazemos? Escaneie tais e tais histórias com boa resolução, grave num CD e me mande pra tal endereço, respondeu ele. Ok.
As hqs que não entraram no pacote permanecem inéditas até hoje. Pena. Gostava delas. Nem sei se vou publica-las um dia. Nunca mais abri os envelopes que as continham. Fazem parte de uma etapa que ficou para trás. É coisa velha. E coisa velha não consumida, tende a embolorar.
Só para situar, meu irmão já tinha se separado da mulher e fora trabalhar no Metrô de Brasilia. Nós morávamos nestes dias numa pensão situada na W-3 Sul. Apesar de algumas dificuldades cotidianas e forte pressão desnecessária na empresa em que eu trabalhava, foram dias inesquecíveis.
As páginas de Zé Gatão foram desenhadas em A-3. Sendo assim eu teria que escanear em duas metades e depois montar no Photoshop. Meu grande amigo Ricardo Bermudez me permitiu trabalhar no seu computador e eu passava longas horas no processo. Saía da casa dele por volta de meia-noite e chegava na pensão a uma da madrugada. Assim, durante alguns dias eu saía do trabalho, jantava e ia incomodar meu velho amigo. Por fim todo o livro foi montado, gravado e remetido. Agora era só esperar a publicação que, se não me falha a memória, estava agendada para aquele final de ano.
O primeiro banho de água gelada veio alguns dias depois. O Jota me disse que a resolução não estava boa. Eu era um ignorante em informática e não me haviam passado nenhuma especificação exata. TIF, JPG, ou sei lá mais o que, foram as palavras que arruinaram meus sonhos de ver aquele material impresso num momento imediato. Eu teria que refazer tudo, mas ainda assim o livro estava adiado. E também, não poderia voltar a incomodar meu amigo. A coisa ficou suspensa.
A tal agência de comunicação em que eu trabalhava, atrasava os pagamentos. Fiquei quatro meses sem receber salário, por fim abriram falência. Não era surpresa e ficamos todos a ver navios. Fomos à justiça. Ganhamos a causa. Nosso chefe não possuía um único bem em seu nome e não recebemos nada.
Em 2000 precisei voltar a São Paulo. Levei comigo os originais do "Crônica do Tempo Perdido", título extraido de uma das histórias.
Escaneei e montei todas as páginas novamente na própria Via Lettera. Agora era só aguardar.
Quais problemas enfrentam uma empresa só seus diretores sabem, mas os meses viraram anos, a editora colocava no mercado uma série de títulos e Zé Gatão era sempre adiado. Cheguei a pensar que haviam desistido e não tinham coragem de me informar.
Quero lembrar que nem por isto parei de trabalhar com o gato. Desde 1998 eu desenhava um novo álbum além das tradicionais histórias curtas que cobravam vida. Como já disse, era a única forma que tinha pra desabafar. Fiquei oscilando entre SP e o DF, até que em 2002, toda a familia voltou a residir em Brasília. Meu irmão se casou de novo, o outro se formou em medicina. Minha relação de namoro com a Verônica que se arrastava a oito anos, se transformou em matrimônio em meados de 2002.
Como é sabido que tudo nesta vida tem um fim, a minha espera pelo livro preto acabou. Recebi o pacote pelo correio numa manhã ensolarada quando saía de casa pra um compromisso. Levei um exemplar do mesmo e fiquei lambendo a cria aquela tarde toda e ainda nos dias que se seguiram.
Ficou um ótimo livro, mas diferente do que eu tinha idealizado. Começou pelo formato. Minha idéia, era que se o primeiro álbum era branco com o personagem de costas, o segundo teria que ser preto com o felino de frente. Mesmo tamanho, mesmo padrão. A hq, GALO DE BRIGA, foi rediagramada para o formato. O Jotapê enxugou ( em muitos casos, melhorou ) quase todo o meu texto. Vocês que possuem o livro, podem conferir, nas páginas ( originais ) desta postagem, as diferenças de diagramação e texto e também uma das cenas censuradas.
O saldo final foi totalmente positivo e eu agradeço
imensamente ao Jotapê Martins, por haver acreditado no trabalho e ido até o fim com ele.
Foi muito bem recebido pela crítica. Em algumas livrarias virtuais como o Submarino por ex. ele recebeu máxima avaliação e é sempre muito bem recomendado. Júlio Shimamoto, acha que a hq RÁDIO MALDITA, é um primor pela forma como desenvolvo a ação em apenas algumas páginas. Perdoem meu cabotinismo, mas aprendi que se não valorizo e enalteço meu próprio trabalho, ninguém o fará.
Obtive ótimas resenhas ( postarei algumas assim que der) mas as vendas não foram tão boas. Infelizmente.
Seria o preço? O tema? Animais atuando como humanos? Alguns afirmam que o momento para o lançamento era inapropriado.
O fato é que ele saiu e já faz parte da história. O resto é o resto.
O novo livro do Zé Gatão seria o primeiro dos nacionais desta safra.
SERIA, mas NÃO FOI.
Logo após aquele rápido papo com o Jotapê Martins, liguei pra ele sem muito entusiasmo, afinal, quando já se bateu em tantas portas e a maioria não se abriram, tende-se a ficar paranóico e achar que é pessoal. Mas não foi assim, ele me instruiu a mandar xerox de boa qualidade de todas as histórias que tinha criado até então.
Assim o fiz. A resposta não demorou, recebi uma ligação dele no trabalho, afirmando que tinha gostado muito do material e que gostaria de publica-lo. Mas tinha algumas ressalvas. A primeira delas é que nem todas as narrativas entrariam neste volume pra não exceder a um número específico de páginas. Ficariam, quem sabe, para um próximo. A segunda é que certas passagens eram violentas por demais, e teriam que ser censuradas.
Tudo bem, disse eu. Como fazemos? Escaneie tais e tais histórias com boa resolução, grave num CD e me mande pra tal endereço, respondeu ele. Ok.
As hqs que não entraram no pacote permanecem inéditas até hoje. Pena. Gostava delas. Nem sei se vou publica-las um dia. Nunca mais abri os envelopes que as continham. Fazem parte de uma etapa que ficou para trás. É coisa velha. E coisa velha não consumida, tende a embolorar.
Só para situar, meu irmão já tinha se separado da mulher e fora trabalhar no Metrô de Brasilia. Nós morávamos nestes dias numa pensão situada na W-3 Sul. Apesar de algumas dificuldades cotidianas e forte pressão desnecessária na empresa em que eu trabalhava, foram dias inesquecíveis.As páginas de Zé Gatão foram desenhadas em A-3. Sendo assim eu teria que escanear em duas metades e depois montar no Photoshop. Meu grande amigo Ricardo Bermudez me permitiu trabalhar no seu computador e eu passava longas horas no processo. Saía da casa dele por volta de meia-noite e chegava na pensão a uma da madrugada. Assim, durante alguns dias eu saía do trabalho, jantava e ia incomodar meu velho amigo. Por fim todo o livro foi montado, gravado e remetido. Agora era só esperar a publicação que, se não me falha a memória, estava agendada para aquele final de ano.
O primeiro banho de água gelada veio alguns dias depois. O Jota me disse que a resolução não estava boa. Eu era um ignorante em informática e não me haviam passado nenhuma especificação exata. TIF, JPG, ou sei lá mais o que, foram as palavras que arruinaram meus sonhos de ver aquele material impresso num momento imediato. Eu teria que refazer tudo, mas ainda assim o livro estava adiado. E também, não poderia voltar a incomodar meu amigo. A coisa ficou suspensa.
A tal agência de comunicação em que eu trabalhava, atrasava os pagamentos. Fiquei quatro meses sem receber salário, por fim abriram falência. Não era surpresa e ficamos todos a ver navios. Fomos à justiça. Ganhamos a causa. Nosso chefe não possuía um único bem em seu nome e não recebemos nada.
Em 2000 precisei voltar a São Paulo. Levei comigo os originais do "Crônica do Tempo Perdido", título extraido de uma das histórias.
Escaneei e montei todas as páginas novamente na própria Via Lettera. Agora era só aguardar.Quais problemas enfrentam uma empresa só seus diretores sabem, mas os meses viraram anos, a editora colocava no mercado uma série de títulos e Zé Gatão era sempre adiado. Cheguei a pensar que haviam desistido e não tinham coragem de me informar.
Quero lembrar que nem por isto parei de trabalhar com o gato. Desde 1998 eu desenhava um novo álbum além das tradicionais histórias curtas que cobravam vida. Como já disse, era a única forma que tinha pra desabafar. Fiquei oscilando entre SP e o DF, até que em 2002, toda a familia voltou a residir em Brasília. Meu irmão se casou de novo, o outro se formou em medicina. Minha relação de namoro com a Verônica que se arrastava a oito anos, se transformou em matrimônio em meados de 2002.
Como é sabido que tudo nesta vida tem um fim, a minha espera pelo livro preto acabou. Recebi o pacote pelo correio numa manhã ensolarada quando saía de casa pra um compromisso. Levei um exemplar do mesmo e fiquei lambendo a cria aquela tarde toda e ainda nos dias que se seguiram.
Ficou um ótimo livro, mas diferente do que eu tinha idealizado. Começou pelo formato. Minha idéia, era que se o primeiro álbum era branco com o personagem de costas, o segundo teria que ser preto com o felino de frente. Mesmo tamanho, mesmo padrão. A hq, GALO DE BRIGA, foi rediagramada para o formato. O Jotapê enxugou ( em muitos casos, melhorou ) quase todo o meu texto. Vocês que possuem o livro, podem conferir, nas páginas ( originais ) desta postagem, as diferenças de diagramação e texto e também uma das cenas censuradas.
O saldo final foi totalmente positivo e eu agradeçoimensamente ao Jotapê Martins, por haver acreditado no trabalho e ido até o fim com ele.
Foi muito bem recebido pela crítica. Em algumas livrarias virtuais como o Submarino por ex. ele recebeu máxima avaliação e é sempre muito bem recomendado. Júlio Shimamoto, acha que a hq RÁDIO MALDITA, é um primor pela forma como desenvolvo a ação em apenas algumas páginas. Perdoem meu cabotinismo, mas aprendi que se não valorizo e enalteço meu próprio trabalho, ninguém o fará.
Obtive ótimas resenhas ( postarei algumas assim que der) mas as vendas não foram tão boas. Infelizmente.
Seria o preço? O tema? Animais atuando como humanos? Alguns afirmam que o momento para o lançamento era inapropriado.
O fato é que ele saiu e já faz parte da história. O resto é o resto.
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