quinta-feira, 31 de março de 2011
DISCÓBULO
Hello, amigos e amigas.
Tempo curto novamente (pra variar), estou na reta final de mais uma arte, e esta já demorou mais do que devia. Tem que ficar pronta hoje. Portanto, indo direto ao ponto, os desenhos da vez, são dois esboços para um anúncio publicitário. Se fosse aprovado, veríamos aqui uma pintura, como não foi (pelo menos nunca mais deram retorno), então ficamos apenas com o lápis.
Por hoje é só e a gente segue se falando.
quarta-feira, 30 de março de 2011
A PROCURA DE UMA IDÉIA.
Estes são os esboços que fiz para a capa do próximo clássico que vou ilustrar. Trata-se do CABELEIRA, o romance regionalista de Franklin Távora. Nesta etapa eu procuro uma idéia; não faço quilos de esboços, na verdade se o tom me agradar logo de cara, já passo pros "finalmente". Nem sempre acontece, aliás, DIFICILMENTE acontece, por isto fico rabiscando poses, expressões, idumentárias e etc. Mesmo com bastante planejamento, não há como prever como vai sair a pintura. É como descer um rio desconhecido, aonde vai dar é um mistério. Por isto tantos artistas tem medo das tintas, Salvador Dali tinha medo de pintar. As vezes programamos na mente um objetivo e a arte como se tivesse vontade própria segue por um caminho diverso daquilo que estava na sua cabeça. Em geral o resultado surpreende o artista. Pra que serve o esboço então? Ora, é como estar num quarto escuro com apenas um palito de fósforo pra iluminar, já é alguma coisa, mas a visão total, ah, isto só com o andamento da obra. Filosofei demais? Falei besteira? Não seria a primeira vez.
Estou quase dando corpo ao que estava martelando minhas idéias, na verdade já estou chegando lá, e assim que a arte estiver pronta vocês verão aqui em primeira mão.
terça-feira, 29 de março de 2011
OBRAS QUE RECOMENDO ( EU SOU A LENDA )
Amadas e amados, boa noite.
Aos que me enviaram votos pelas melhoras do meu pai, vai aí uma boa notícia, ele saiu da UTI e já está se recuperando num quarto no hospital. Obrigado a todos.
Hoje quero falar sobre a excelente adaptação em quadrinhos do famoso livro "EU SOU A LENDA" da autoria de Richard Matheson. A obra foi adaptada por Steve Niles e Elman Brown.
O grande escritor Stephen King na sua obra, "A DANÇA MACABRA" (uma análise profunda do horror na literatura, cinema e televisão, que aliás achei prolixo e mortalmente chato), dedica muitas linhas ao livro de Matheson. Sinceramente nunca li o original, o que sabia dele antes desta HQ, foi assistindo as adaptações feitas pelo cinema. Parece que teve um filme ainda na década de 60 se não me engano, mas gostei bastante daquele que chamaram de "A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA" com o saudoso Charlton Heston, nos anos 70. Filme legal. Já este último com o Will Smith, embora bem intencionado, peca por efeitos CGI sofríveis e não lembra em quase nada o livro de Matheson.
Trata-se da história Robert Neville, um cara que, não se sabe a razão, é imune a uma praga que dizimou toda a população da terra, ou seja é o único homem vivo do planeta. Durante o dia ele sofre com solidão e conjecturas e a noite tem que lutar contra....vampiros. Isto mesmo, todos morreram e se tornaram vampiros e os próximos a Neville, vão acossa-lo em noites de terror.
Durante o dia ele reforça sua casa contra os ataques, sai às ruas desertas, se armazenando de alimentos enlatados, entrando nas casas e enfiando estacas no peitos dos vampiros que "dormem" e tenta encontrar explicações para o que aconteceu com o mundo.
Parece que os especialistas no assunto querem acreditar que Matheson, um escritor muito premiado por seus livros de ficção e terror, escreveu este livro como uma metáfora para o problema da guerra fria, ou a paranóia de que o EUA foi vítima nos anos 50 (algo comum na literatura da época) dos experimentos nucleares. A mim me pareceu que ele tentava de alguma forma encontrar uma explicação para o mito do vampiro. Mas sei lá, tentar racionalizar muito em cima de uma obra de ficção creio que se subtrai muito de sua fantasia e capacidade de entreter. Tento mergulhar de cabeça no problema do protagonista e me envolver o mais que possa, para assim sentir suas dúvidas e aflições. Uma forma de não pensar nos meus próprios problemas. O livro de Matheson é angustiante. Há suspense em cada página.
Como já disse, não li o livro original, mas quero crer que esta adaptação para os quadrinhos seja bem fiel, uma porque ela é feita por Steve Niles, um amante do gênero, melhor conhecido por sua obra "30 DIAS DE NOITE", e também porque o livro parece mais um romance fartamente ilustrado, há, é claro narrativa em quadrinhos realizada de forma competente por Elman Brown, de quem nunca tinha ouvido falar antes, mas no geral há muitos trechos longos de palavras que parecem ter sido extraídos diretamente do livro.
Os filmes usam muito palidamente o conceito da literatura, até entendo o porquê. Na escrita, o autor nos empurra dentro da mente de Neville, fazendo-nos sentir sua solidão e angustia. Em filmes você tem que se valer de recursos visuais, e nestes casos o conceito se perde.
Enfim, esta edição da Devir, creio que é ítem obrigatório pra quem curte uma boa obra de ficção e horror.
segunda-feira, 28 de março de 2011
UM PASSADO NEM SEMPRE PRESENTE.
Geralmente nas minhas caminhadas (atenção, quando digo caminhada não é a título de exercício) é que crio a maioria das minhas histórias. Não presto atenção em nada do que se passa ao meu redor, o mundo deixa de existir, entro então num universo paralelo, onde imagino situações e como reagem certos personagens a estes acontecimentos. Nem sempre estas histórias vão parar no papel. Pra falar a verdade a maioria delas vão pra um canto qualquer do sótão da minha mente e lá ficam até serem destruídas pelas traças do tempo.
Acontece também de me lembrar de pessoas que fizeram parte da minha vida, e num momento, vapt!.... somem sem deixar vestígios. Algumas nos marcam positivamente, outras (grande parte delas, infelizmente) é o contrário, deixam decepções e vergonha como lembranças. E elas não vem sozinhas, trazem seus semelhantes consigo.
Esta semana não sei porque, me recordei de um cara que conheci no meu primeiro ano do segundo grau (é assim que se chamava na época) em Brasília.
Vamos alcunha-lo de Yellow. Era um nanico musculoso, caladão. O tipo que te bota pra indagar: Qualé a deste cara?
Eu também fazia o tipo caladão. Não era um personagem, eu realmente não gostava da maioria das pessoas, e tinha certeza que elas também não gostavam de mim, e isto não era paranóia, muitas delas deram provas sobejas disto. Assim, acho que os excluidos se atraem, então, eu e Yellow ficamos amigos de imediato. Na verdade o cara era estranho, de veneta, ou de lua como preferem alguns, tinha dia em que ele batia papo, contava histórias, outras vezes chegava sisudão, sentava-se afastado de todos, ia embora sem se despedir de ninguém. Como morávamos próximos, fazíamos o caminho pra casa juntos. Certa vez ele saiu na frente e apressou-se, fazendo um percurso mais longo. Logo deduzi que era pra não ter que voltar comigo. Ficava me perguntando: O que eu fiz pra este idiota? Depois de um tempo lá vinha ele como se nada tivesse acontecido. Devo confessar que eu tinha muita paciência naqueles dias. Certa vez fui até a casa dele e conheci sua irmã. Parecia com ele, era uma baixinha muito bem feita de corpo de cabelos negros lustrosos, casada com um gringo. Vamos chama-la de Purple.
Ela, diferente do irmão, comunicativa e alegre. O gringo, que vamos chamar de Gringo mesmo, era um babaca, um indivíduo soberbo, pernóstico até a medula. Gabava-se de ser o melhor em tudo. Era um cara bem sucedido, culto, endinheirado, se me lembro bem, recebeu uma herança do pai, mas independente disto, multiplicou seus ganhos com suas capacidades como "analista de sistemas" (o que quer que isto signifique).
Yellow não era o melhor amigo da irmã, falava do passado pouco recomendado dela, e que o Gringo se apaixonara por ela a primeira vista, não negando nada que ela pedisse.
Uma vez, fui até a casa dele, e como não se encontrasse, Purple me recebeu e, boquirrota, começou a descer o malho no irmão, que ele não se comunicava, que já passara o Natal trancado no quarto sem falar com ninguém, sabia que ele se masturbava muito, e queria que eu deslindasse a personalidade dele para ela. Não sei nada, e para falar a verdade, não sei se quero saber, falei. Ela ria da maneira como eu me expressava, dizia que eu era autêntico. Ela gostava disto. Depois falou que ela e o Gringo estavam brigados. Não gostava quando o cara procurava ela sem fazer a barba e com cheiro de uisque. É mesmo? Disse eu, com vontade de sumir dali. Minha vida já era encrencada o suficiente pra eu me meter em mais uma fria, e eu já antevia como aquele papo podia terminar.
O Gringo parecia gostar de mim. Dizia que eu era um cara inteligente, ao contrário do cunhado que era um imbecil. Ele me emprestou dois livros do Pitigrilli ( que não gostei) e se espantou d´eu ter lido rápido.
Em 1979 fui ao Rio de Janeiro (eu tinha uma namorada lá) e no tempo que lá fiquei, Yellow levou Purple, pra conhecer o restante da minha familia. Ela e minha mãe ficaram amigas. Não gostei de saber disto.
Yellow, foi passar uns tempos comigo no Rio. Como levei uma vida muito infeliz por lá, a presença de um amigo parecia algo confortador. Qual o quê! Minha mãe tem um ditado que diz que só conhecemos verdadeiramente uma pessoa quando comemos um quilo de sal com ela. Verdade. Naqueles dias eu vi como aquele sujeito era invejoso, maledicente, mentiroso e fofoqueiro. O cara queimou meu filme com suposições a respeito da minha pessoa com praticamente todos os meus amigos.
Convidei-o a ir embora e ele se sentiu expulso. Voltou a Brasília fazendo conjecturas sobre a minha vida no Rio para meus pais. Ficaram preocupados. Vão acreditar naquele bosta? Perguntei a eles.
A coisa não parou aí, rompi com Yellow, mas Purple continuava frequentando minha casa. Quando voltei para o DF, quase sempre eu a topava lá. Confidenciou-me que traía o marido, e que tinha sonhos comigo.
Caramba, eu conhecia o cara, e embora ele fosse um chato, longe de mim, pôr cornos na cabeça dele, ainda mais dentro da casa dos meus pais. Ela fazia marcação cerrada. Cheirava minhas camisas, e dizia gostar do meu cheiro. Certa vez, saindo do banho, de toalha na cintura, ela deixando minha mãe na cozinha sob um pretexto qualquer, entrou no meu quarto querendo me ver nu de qualquer jeito. Purple, minha mãe está logo ali, tenha paciência!!! Sussurrei.
Um dia ela me falou que o Gringo queria pega-la por trás mas ela não fazia este tipo de coisa, mas que comigo ela faria, e até já tinha fantasiado o ato. Eu tinha namorada, ela era casada, aquilo ia dar merda se eu cedesse.
Bem, aconteceu muita coisa, e já escrevi demais. Melhor fechar o texto. Só posso dizer que algumas situações escabrosas aconteceram e assim a amizade do casal (Purple e Gringo) com meus pais finalmente teve fim.
Yellow se casou e voltou para Goiania.
Gringo descobriu que era corno mas perdoou a infiél, ela não quis perdão, aliás, ela queria qualquer coisa, menos ficar com ele. O cara voltou pra sua terra natal, e ela parece que ficou com um dos tantos amantes que tivera.
Depois disto nunca mais ouvi falar deles.
A arte abaixo foi feita para um curso de desenho.
So long.
Acontece também de me lembrar de pessoas que fizeram parte da minha vida, e num momento, vapt!.... somem sem deixar vestígios. Algumas nos marcam positivamente, outras (grande parte delas, infelizmente) é o contrário, deixam decepções e vergonha como lembranças. E elas não vem sozinhas, trazem seus semelhantes consigo.
Esta semana não sei porque, me recordei de um cara que conheci no meu primeiro ano do segundo grau (é assim que se chamava na época) em Brasília.
Vamos alcunha-lo de Yellow. Era um nanico musculoso, caladão. O tipo que te bota pra indagar: Qualé a deste cara?
Eu também fazia o tipo caladão. Não era um personagem, eu realmente não gostava da maioria das pessoas, e tinha certeza que elas também não gostavam de mim, e isto não era paranóia, muitas delas deram provas sobejas disto. Assim, acho que os excluidos se atraem, então, eu e Yellow ficamos amigos de imediato. Na verdade o cara era estranho, de veneta, ou de lua como preferem alguns, tinha dia em que ele batia papo, contava histórias, outras vezes chegava sisudão, sentava-se afastado de todos, ia embora sem se despedir de ninguém. Como morávamos próximos, fazíamos o caminho pra casa juntos. Certa vez ele saiu na frente e apressou-se, fazendo um percurso mais longo. Logo deduzi que era pra não ter que voltar comigo. Ficava me perguntando: O que eu fiz pra este idiota? Depois de um tempo lá vinha ele como se nada tivesse acontecido. Devo confessar que eu tinha muita paciência naqueles dias. Certa vez fui até a casa dele e conheci sua irmã. Parecia com ele, era uma baixinha muito bem feita de corpo de cabelos negros lustrosos, casada com um gringo. Vamos chama-la de Purple.
Ela, diferente do irmão, comunicativa e alegre. O gringo, que vamos chamar de Gringo mesmo, era um babaca, um indivíduo soberbo, pernóstico até a medula. Gabava-se de ser o melhor em tudo. Era um cara bem sucedido, culto, endinheirado, se me lembro bem, recebeu uma herança do pai, mas independente disto, multiplicou seus ganhos com suas capacidades como "analista de sistemas" (o que quer que isto signifique).
Yellow não era o melhor amigo da irmã, falava do passado pouco recomendado dela, e que o Gringo se apaixonara por ela a primeira vista, não negando nada que ela pedisse.
Uma vez, fui até a casa dele, e como não se encontrasse, Purple me recebeu e, boquirrota, começou a descer o malho no irmão, que ele não se comunicava, que já passara o Natal trancado no quarto sem falar com ninguém, sabia que ele se masturbava muito, e queria que eu deslindasse a personalidade dele para ela. Não sei nada, e para falar a verdade, não sei se quero saber, falei. Ela ria da maneira como eu me expressava, dizia que eu era autêntico. Ela gostava disto. Depois falou que ela e o Gringo estavam brigados. Não gostava quando o cara procurava ela sem fazer a barba e com cheiro de uisque. É mesmo? Disse eu, com vontade de sumir dali. Minha vida já era encrencada o suficiente pra eu me meter em mais uma fria, e eu já antevia como aquele papo podia terminar.
O Gringo parecia gostar de mim. Dizia que eu era um cara inteligente, ao contrário do cunhado que era um imbecil. Ele me emprestou dois livros do Pitigrilli ( que não gostei) e se espantou d´eu ter lido rápido.
Em 1979 fui ao Rio de Janeiro (eu tinha uma namorada lá) e no tempo que lá fiquei, Yellow levou Purple, pra conhecer o restante da minha familia. Ela e minha mãe ficaram amigas. Não gostei de saber disto.
Yellow, foi passar uns tempos comigo no Rio. Como levei uma vida muito infeliz por lá, a presença de um amigo parecia algo confortador. Qual o quê! Minha mãe tem um ditado que diz que só conhecemos verdadeiramente uma pessoa quando comemos um quilo de sal com ela. Verdade. Naqueles dias eu vi como aquele sujeito era invejoso, maledicente, mentiroso e fofoqueiro. O cara queimou meu filme com suposições a respeito da minha pessoa com praticamente todos os meus amigos.
Convidei-o a ir embora e ele se sentiu expulso. Voltou a Brasília fazendo conjecturas sobre a minha vida no Rio para meus pais. Ficaram preocupados. Vão acreditar naquele bosta? Perguntei a eles.
A coisa não parou aí, rompi com Yellow, mas Purple continuava frequentando minha casa. Quando voltei para o DF, quase sempre eu a topava lá. Confidenciou-me que traía o marido, e que tinha sonhos comigo.
Caramba, eu conhecia o cara, e embora ele fosse um chato, longe de mim, pôr cornos na cabeça dele, ainda mais dentro da casa dos meus pais. Ela fazia marcação cerrada. Cheirava minhas camisas, e dizia gostar do meu cheiro. Certa vez, saindo do banho, de toalha na cintura, ela deixando minha mãe na cozinha sob um pretexto qualquer, entrou no meu quarto querendo me ver nu de qualquer jeito. Purple, minha mãe está logo ali, tenha paciência!!! Sussurrei.
Um dia ela me falou que o Gringo queria pega-la por trás mas ela não fazia este tipo de coisa, mas que comigo ela faria, e até já tinha fantasiado o ato. Eu tinha namorada, ela era casada, aquilo ia dar merda se eu cedesse.
Bem, aconteceu muita coisa, e já escrevi demais. Melhor fechar o texto. Só posso dizer que algumas situações escabrosas aconteceram e assim a amizade do casal (Purple e Gringo) com meus pais finalmente teve fim.
Yellow se casou e voltou para Goiania.
Gringo descobriu que era corno mas perdoou a infiél, ela não quis perdão, aliás, ela queria qualquer coisa, menos ficar com ele. O cara voltou pra sua terra natal, e ela parece que ficou com um dos tantos amantes que tivera.
Depois disto nunca mais ouvi falar deles.
A arte abaixo foi feita para um curso de desenho.
So long.
sexta-feira, 25 de março de 2011
POUCAS PALAVRAS.
Não há muito o que falar hoje.
Meu pai está na UTI, então podem imaginar como anda a minha cabeça.
Para a sexta-feira não passar batida, ficam aí alguns rabiscos feitos a muito tempo atrás. Alguns são estudos de personagens que nunca foram usados.
Bom fim de semana a todos.
quinta-feira, 24 de março de 2011
QUINCAS BORBA 02
Amados e amadas, boa tarde.
Sabem, além da pressão alta, este meu computador me dá muita dor de cabeça, tenho ganas de joga-lo no lixo. Só não faço isto porque não tenho dinheiro para comprar outro. Agora entendo porque o Elvis dava tiros em suas televisões. Ele era rico.
Tive que procurar umas artes no meu estúdio e em consequência disto a bagunça que já era grande tornou o local intransitável. E a preguiça pra arrumar tudo e trabalhar? Por isto resolvi deixar como está e vir bater um papinho com vocês; aí chego aqui e as coisas começam a travar. Não estou com saco pra ouvir música, então tenho que aguentar o puto do cachorro latindo no prédio ao lado, já não basta o calor... Bem, deixemos de lado as coisas de velho reclamão e vamos ao que interessa. Esta é uma das ilustrações que fiz para o livro Quincas Borba, segue junto um esboço do mesmo.
Ainda bem que esta editora não se importa que eu exiba desenhos que vão demorar para ser publicados. Tenho umas artes legais que estou doido pra compartilhar com vocês, mas tenho que esperar que a empresa edite primeiro. Pra falar a verdade tem algumas que eu mesmo seguro, como umas ilustrações que fiz para um livro de poesias de um escritor residente em Brasília. Quero que as artes venham à luz no mesmo período em que ele publicar o livro. Neste caso será melhor.
Bem, já enrolei demais. Tenho agora que pesquisar um bacamarte do século XVII para fazer a pintura para a capa do próximo livro. E tenho mesmo que arrumar meu estúdio (ahhh, que preguiça!!!), o trabalho me chama embora eu tente me fazer de surdo.
Hasta la vista (babys).
quarta-feira, 23 de março de 2011
O SOL E O TSUNAMI.
O vento que circula do ventilador é morno.
Sem inspiração para desenhar ou escrever.
No meu fone de ouvido o KISS canta FOREVER , o guitarrista dedilha virtuosamente seu violão (nesta fase, seria Bruce Kulick ou Mark St. John?)
Ontem pela manhã fui até o SESC de Piedade resolver algumas coisas; saí de lá devia ser umas 10 hs, resolvi dispensar o ônibus e voltar a pé pra casa, afinal dali até minha residência dá uns 20 minutos de caminhada. Voltei pela praia. Como o céu estava de um azul magnífico, tirei a camisa para aproveitar um pouco o sol. A maré estava baixa. A visão era feia, a areia da praia mostrava um desagradável carpete verde escuro de algas mortas. A brisa que soprava tinha um forte e nauseante cheiro de maresia.
Só quando cheguei em casa eu me dei conta do meu erro ao caminhar sob o astro matador, eu parecia um camarão tostado. Contudo acho que minha pele já está curtida, não há ardor, felizmente.
(Agora, Mark Knopfler detona sua guitarra em "Cleaning My Gun").
Na minha prancheta, os esboços da capa do livro "O Cabeleira" de Franklin Távora. Ainda não achei o ponto. Aquele início, aquele tiro de partida para começar a correr. Mas ele vai se fazer ouvir. Sempre é assim quando ocorre meus bloqueios criativos.
O som que rola agora é de 1973. Jackson Five. Michael e seus irmãos com "Aint No Sunshine". Meu, esses negros eram bons em seu ofício! Bem, pelo menos naquela época ele (Michael) era negro.
Falo do clima, das minhas crises, mas na verdade nem posso reclamar, afinal parte dos japoneses estão na merda neste momento. O que me lembra que minha sogra teve na noite da tragédia um sonho, onde uma imensa onda se elevava cobrindo tudo. Ela queria telefonar para minha esposa mas não conseguia acordar. Disse que o sonho era de um realismo apavorante.
A arte que ilustra este post, foi feita com um lápis sépia para meus cursos de desenho. Penso que é apropriada para as linhas que divido com vocês hoje.
Agora, roda o subestimado álbum "Amused to Death" do ex - Pink Floyd, Roger Waters.
Na noite passada foi a vez da Verônica sonhar que estávamos na praia e assim do nada, uma onda de proporções ciclópicas se levantava prestes a nos engolfar, quando a Mão de Deus segurava a fúria das águas impedindo que fôssemos tragados. Acordou assustada e não pode mais dormir. Apesar do calor ela sentiu frio e se envolveu no lençol. Eu? Eu dormia ali ao lado, alheio a tudo isto. Ando muito cansado física e mentalmente. Apesar dos percalsos, não me importo com os raios do sol ou com o tsunami. Só consigo pensar na Mão do Onipotente a nos guardar. Se vier fogo ou água, que se pode fazer? Nos abraçaremos como naquele filme "Presságios" com o Nicholas Cage, e aguardaremos juntos o inevitável final.
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