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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

CADA DIA MAIS PRÓXIMO.

 

 Os dias seguem a correnteza da vida, ora correndo mansos, ora tendo que desviar o barco das quebradeiras e curvas traiçoeiras. Fecho os meus olhos no sono e no entanto não descanso o corpo, faço minhas refeições, resolvo as dificuldades do dia a dia com a misericórdia de Deus, realizo o meu trabalho, mesmo com lágrimas, da melhor maneira que posso - embora sempre achando que meu melhor nunca é suficiente - e vou existindo. 

Entretanto sei que tudo isso é um palco onde eu, como perfeito canastrão, represento meu papel. À noite, ao final de cada espetáculo, quando retiro a máscara, após limpar a maquiagem, o medo que me acompanha desde a mais tenra idade se corporifica como entidade malévola. Mas não é um horror de coisas palpáveis e sim pavor de saber que certos sonhos são irrealizáveis, é da certeza de que certas coisas não são possíveis de obter por mais que se deseje e lute. 

Acho que a maioria não entende as coisas que me vão no íntimo. Elas não são devidamente expressáveis em palavras, teriam que estar no meu lugar para saber. 

E nossos barcos seguem os alinhamentos da água, o fluxo inexorável que nos conduz ao mesmo destino. 

Fiquem todos com Deus e obrigado pelos bons auspícios!

  

terça-feira, 9 de novembro de 2021

IDEIAS AO SABOR DO VENTO.

 O calor está forte, beirando o insuportável e acho que ainda vai piorar, sempre é assim até março ou abril. As chuvas aqui não conseguem esfriar o clima e quando chegam causam um desastre alagando ruas e acabando com a vida (literalmente) de muitas pessoas que tem a má sorte de habitar próximo a córregos e morros, e ainda deixam de herança os terríveis pernilongos, aqui chamados de muriçocas. Se tem uma coisa que odeio de morte são insetos, mosquitos, baratas, argh! Não a toa no meu universo antropomorfo eles são os grandes vilões, monstros repulsivos que ninguém suporta. Tenho muita simpatia pelos pássaros, eles comem insetos. Mas os répteis também se alimentam dos seres de seis patas e não nutro afeição por eles. Mas gosto de gatos e desdenho dos cães. Na verdade gosto dos cães, é sério, tivemos dogs em casa, éramos crianças. Nas minhas HQs do Zé Gatão eles são aqueles tipos que fazem seu trabalho, os paus mandados dos superiores, milicos ou seguranças em sua maioria. Hoje eu vinha pela rua perdido em meio a um rio de saudades quando um cachorro surgiu no horizonte e lá veio ele rosnado para o meu lado, parou uns metros à frente e começou a latir, eu avançava e ele recuava, sempre latindo como um imbecil, não dei atenção e prossegui, ele cansou e seguiu por outra direção em uma esquina. Se tivesse mais de um eu teria motivos para me preocupar (isso já aconteceu algumas vezes na minha vida), entendem o que quero dizer? É um bicho covarde que ataca em bando. Claro que falo de cães de rua. Agora os gatos não, ficam lá na deles, se lambendo e dormindo preguiçosamente durante toda a tarde, quando passo fico a observa-los e eles olhando de volta como quem diz: "tá olhando o quê, idiota?". 

Bem, chega de falar sobre a natureza. Prossigo na labuta diária de produzir páginas de quadrinhos para três clientes distintos. Amo o que faço mas as vezes tenho a impressão que meu cérebro vai virar gelatina, as juntas do meu indicador direito estão sensíveis, doem. Mas as artes estão ficando boas.

Minha multifuncional, depois de me auxiliar por tantos anos se despediu. Primeiro foi a impressora que deu pau, agora por fim, o scanner. A luz acende mas ele não responde mais, como se estivesse em estado vegetativo. Tirei dinheiro de onde não tenho e comprei uma nova. Ainda estamos nos entendendo, uma outra marca e eu aprendendo como usar. É assim em tudo na vida. No passado, eu convivia com uma mulher e conhecia bem seus hábitos e humores, depois com outra eu tinha que me readaptar a uma outra situação. Bah, aqui estou eu filosofando idiotamente como sempre.

O grande mestre e artista Flávio Colin volta a ser publicado. Editoras pequenas tem colocado na praça álbuns de luxo com capa dura e tudo mais. Eu, claro, me esforço para prestigiar pois sou grande fã (tem um texto meu sobre ele que pode ser lido aqui: http://eduardoschloesser.blogspot.com/2011/01/obras-que-recomendo-estorias-gerais.html). Essa redescoberta é mais que bem vinda para quem gosta de um bom quadrinho, mas para ele, no meu entender, tanto faz. Fico triste com isso mas alegre pela família dele pois são eles que colhem os frutos, esse é o legado do artista. 

Melhor para o Mozart Couto que também ressurge em álbuns com grande acabamento gráfico (Zamor e Brakan) pois ainda está vivo e pode vindimar os louros de seu talento.

E por fim, um Venom que fiz há um tempinho atrás. Não, não vi o novo filme.

Fiz só pra desopilar mesmo.

Beijos a todos.


segunda-feira, 25 de outubro de 2021

A SENSAÇÃO DO VINHO TORNADO EM VINAGRE.

 Boa noite, como vão vocês?

Eu? Bem, seguindo.....    amanhã (dia 26) minha mãe faria 78 anos. E na quinta (dia 28) meu irmão Gil completaria 52. Então, creio que não preciso dar detalhes do vazio que engole minha alma como o buraco mais negro. Podemos pular essa parte e falar um pouco sobre minhas tristes caminhadas até o comércio para comprar pequenas coisas, só nesses momentos é que eu saio um pouco de casa; nas filas, as pessoas quase apagadas para mim, como vultos. Um detalhe: cada vez menos respeitam o tal distanciamento social, elas parecem não ter rostos (ou eu que não vejo?). De um tempo pra cá, posterior à transformação abrupta do mundo, só vemos os olhos das pessoas. Pra mim, na verdade, muito antes disso, a maioria sempre me pareceu cinza, gasta, como se fossem feitas de papelão. Sombras que saem de seus esconderijos para levar seus cães pra cagar. 

Oitenta por cento do meu tempo eu passo sentado na prancheta brincando de ser desenhista, convencendo a mim mesmo que ganho meu dinheiro honestamente sem enganar os outros. Digo isso porque meus traços atuais me parecem saídos a fórceps, não me parecem espontâneos. O vigor e naturalidade parecem ter me abandonado. Dou o melhor de mim e mais que nunca parece não ser o suficiente. Mas não há o que eu possa fazer, tenho que colocar comida na mesa e não tenho tempo para encontrar um modo de ressuscitar o velho artista do Zé Gatão que desenhava quase por instinto e produzia das entranhas e não do cérebro (e não digo isso afirmando que antes eu era bom).

Três projetos alternadamente cansam um bocado, principalmente neste calor, o cérebro parece se transformar em gelatina. No mais recente, eu crio o roteiro também e este é o que tem o prazo mais apertado. Ouço falar de artista do passado, tipo Jack Kirby e John Bucema que desenhavam várias páginas por dia (o que colocavam na água deles?). Bem, vi certa vez algumas páginas do Bucema para a Espada Selvagem de Conan que mais pareciam garranchos e que foram transformadas em obras de arte pela arte final do Alfredo Alcala. 

Esboço do meu mais novo projeto.

Bem, meus queridos e queridas, venho aqui sempre que puder respirar um pouco para dar notícias e se for o caso, como hoje, desabafar um pouco com vocês.

Se cuidem.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

UM PAPO BREVE (e sem arte nova para mostrar).

 Neste exato momento estou cansado, muito cansado. Minha mão direita dói, mais especificamente meu dedo indicador, isto porque trabalhei bastante, na verdade não tanto como gostaria, houve tempo em que eu fazia mais de uma página de quadrinho a lápis por dia e não me queixava, hoje fiz uma e me sinto exaurido. Stress? Idade? A soma dos dois? Pode ser. Eu deveria trabalhar mais, o tempo urge, mas a verdade é que não consigo. Melhor parar para não comprometer a qualidade das obras.

Mas é este cansaço adicionado a um enfado da alma que na maioria das vezes me impede de sentar aqui e trocar umas ideias com vocês. Antes tinha um pensamento, traduzia em palavras e elas ficavam registradas aqui. Quase toda as minhas memórias estão registradas neste blog, as de maior relevância, pelo menos. Faltou, eu sei, o período de vida militar que durou quase dois anos e nem sei se terei fôlego e disposição para tais relatos....talvez se eu dividir em pequenos capítulos eu consiga, quem sabe?

Hoje, em meio ao luto que ainda é muito evidente e mastiga a minha alma de infante, recordei um pouco o passado, lembrei de uns parentes do meu pai que vinham se hospedar em nosso apartamento em Brasília, evoquei a Fifi, nossa cadelinha pincher, todo o final dos anos 70, enfim.

Esses tios, tias e primos, primos em segundo grau e tutti quanti, vinham geralmente de Belém do Pará com destino à São Paulo e no caminho ficava o Planalto Central, porque se hospedar em um hotel se podiam ficar num baita apartamento com tudo à disposição, não é mesmo? Verdade seja dita que meu pai tinha prazer em recebê-los, e minha mãe sempre foi boa anfitriã. Meus irmãos eram muito tenros, nem sei se para eles fazia alguma diferença, mas para mim aquilo tudo era horrível, nunca havia espaço nem privacidade, os primos eram os sabichões que me tratavam como seu fosse um bocó do interior por eu ter esse temperamento serio e arredio, sempre foi assim. Não rememoro isso com raiva, não, juro!

Bem, o caso é que essa sobrinha do meu pai (ela quase tinha a idade dele, era a primogênita da minha tia mais velha) estava em vias de separar do marido e veio ficar uns tempos com a gente. Ela e os filhos. Para mim aquilo nunca foi legal. Hoje todo mundo é adulto e gente "séria", mas o período da infância pode ser bem infeliz dependendo do temperamento do pirralho, se é menos ou mais suscetível. Eu sempre fui uma espécie de anão (ou corcunda). 

No começo da estada deles lá, tudo bem, depois a coisa começou a azedar, como tudo azeda com o tempo. Eu fui para umas férias no Rio de Janeiro e minha mãe contou umas coisas daqueles tempos que rememorando hoje acho até cômico. Um desses fatos me assaltou a mente hoje: a tal prima tinha ido à rua e voltou com um certo pacote e se fechou com a filha no quarto. Minha mãe bateu na porta para comunicar alguma coisa e só atenderam depois de uns longos minutos, nesse meio tempo a Fifi entrou no cômodo, mamãe e a sobrinha do meu pai falavam quando elas viram a cachorrinha comendo um bolo atrás da cortina. Foi isso, a paraense comprou um petisco e se trancou no aposento para degustar sozinha com a filha e quando minha mãe bateu na porta elas ocultaram a guloseima, não contavam com o faro da Fifi. Feio, né?  

Uma coisa que lembro bem é que toda vez que aquela mulher entrava no banheiro deixava um insuportável cheiro de merda que demorava um tempo anormal para sair.

Claro que o casal se reconciliou para se separar de novo e voltar a se reunir.  

Certa vez, já nos anos 90, em São Paulo, ela fazia uma excursão (não sei de onde para onde) e o ônibus parou na Praça Princesa Isabel, próximo de onde morávamos e ela foi até nós, só para falar de suas viagens pela Europa e torcer o nariz para nossa decadência. Blá, blá, Grécia, blá, blá, Espanha, blá, blá, minha filha se casou com um cara endinheirado e foi morar em tal lugar no exterior, blá, blá, Bélgica.

Olhou o relógio, estava na hora de voltar à excursão. Pediu pra usar o banheiro. Cagou e foi embora deixando no ar de nosso humilde apartamento aquele cheiro de bosta e alguma depressão. Eram dias frios e cinzentos em São Paulo.

Não tão frios e cinzentos como são hoje em dia, apesar do calor.  

sábado, 25 de setembro de 2021

RELEMBRANDO MEMENTO MORI E DAQUI PARA ETERNIDADE.

 

 Acho muito difícil eu criar novas HQs de Zé Gatão. Ainda há SIROCO para publicar e também as várias narrativas curtas que devem preencher uns dois álbum com mais de cem páginas cada um. Essas histórias breves eu fiz ao longo dos mais de vinte anos que o personagem existe para os leitores (caramba, tem uns trinta anos que o felino cinza foi gestado!). No entanto para esses materiais não há nada concreto em termos de editoração. Da minha parte não há pressa. 

Porque não há desejos de criar nada novo com o personagem? Sabem, entendo bem porque o Led Zeppelin acabou depois da morte do John Bonham, ou o porque os dois membros restantes do Rush não substituíram o Neal Peart após o falecimento dele. Penso que esses músicos foram tão importantes na trajetória dessas bandas que sem eles o som não seria mais o mesmo. Há a questão do respeito também. Sou grande fã do Queen, mas colocar outros cantores no lugar do Mercury não me soou bem, tanto que nunca ouvi o material novo. O que as bandas de rock tem a ver com Zé Gatão? Simples, sem mamãe e Gil minha fonte de inspiração secou. O Felino é um personagem muito querido, faz parte da família, difícil eu elaborar novas sagas se minha mãe e irmão não estiverem aqui para compartilhar comigo as alegrias e tristezas nesta jornada de criação, publicação e divulgação. O que está feito vou dar um jeito de que venha a público (inclusive planejo um livro com todos os contos escritos pelo Luca Fiúza), mas material novo não; pelo menos não por um bom tempo.  

Gosto muito de Memento Mori e Daqui Para a Eternidade, tenho orgulho de ter concebido esses livros; com eles, creio, provei o que tinha de provar em termos de desenho e narrativa gráfica. 

Assim que o álbum branco foi lançado ficou a pergunta: o que aconteceu com Zé Gatão após aquele cataclismo? Eu era indagado por alguns leitores - e cobrado também - se haveria continuação. Lógico que eu pensava em novas histórias mas não tinha em mente um prosseguimento a partir daquele ponto. No entanto uma centelha brilhou no escuro da minha alma e pensei numa situação de revolta e vingança misturando elementos místicos com um pé no terror. Ideias começaram a brotar e ainda em 1998, morando numa pensão em Brasília - com meu querido irmão Gil - eu comecei a corporificar as abstrações que vinha tendo. Rabisquei um roteiro básico e vários garranchos para me situar. Labutava de madrugada, durante o dia eu ganhava o pão trabalhando numa agência de comunicação concebendo quadrinhos instrucionais. Tinha muito gás e sonhava com muitas boas perspectivas. A principio ela não era para ser tão longa mas as conceituações foram brotando e eu dei tratos à bola. 

O meu plano era publicar na Via Lettera,  logo depois que o Crônica do Tempo Perdido viesse à baila. Os anos passaram e Crônica demorava, nesse meio tempo eu ia tocando Memento Mori e histórias mais curtas. Todo o desenvolvimento se deu entre Brasília e São Paulo (nesses tempos eu alternava de um lugar a outro) sendo que eu finalizei em Pernambuco, onde vim morar em 2003. Quase seis anos para concluir tudo! Como a história tinha mais de 400 páginas eu dividi em três partes intituladas "Memento Mori",  "Ventos da Noite" e "Anátema". Achei que seria mais fácil oferecer assim para quem se interessasse. Depois tudo isso mudou, como veremos à frente.

Crônica do Tempo Perdido finalmente foi publicado e houve certo barulho, mas não "aconteceu" e Memento Mori não passou de intenção por parte da Via Lettera.

De qualquer modo, alguma fortes  decepções com o mundo dos quadrinhos me fizeram envelopar o material e aguardar. Ele só saiu para respirar quando certa vez, ao telefone, o editor Leandro Luigi Del Manto, que sempre disse gostar do que eu vinha produzindo em São Paulo, me perguntou se eu ainda tinha aquelas páginas do Zé Gatão. Sim, disse eu. Me mande amostras do material, falou ele, pretendo mostrar aos publishers. Mandei. Isso deve ter sido por volta de 2006. O Douglas, um dos donos dono da Devir, achou melhor esperar. O anseio durou até 2011. Nesse meio tempo eu dava sequência a outros projetos, A Vida e os Amores de Edgar Allan Poe foi o principal deles.

Em 2011, decidido a acabar com as férias forçadas do Felino cinza, retirei da gaveta as HQs curtas que havia feito nas décadas passadas e motivado pela publicação do Zona Zen (criação do amigo Nestablo Ramos) pela revista Prismarte, procurei o Leonardo Santana - que dizia ser fã do Zé Gatão - e ofereci qualquer uma das histórias curtas para fazer parte da Prismarte. Ele gostou tanto da ideia que levou o caso para os outros membros da PADA. O resultado foi que decidiram não por uma, mas por várias HQs, elas fizeram parte do já comentado aqui especial Graphic PADA. 

Neste mesmo ano o Leandro, vendo um momento favorável tornou a abordar o Douglas que topou finalmente publicar o Memento Mori. Aleluia!

Como eu tinha que fazer uma viagem a São Paulo para o aniversário da minha sobrinha (Alice, filha do André) eu aproveitaria e combinaria in loco com os editores da Devir os detalhes do novo livro. 

Minha ideia, claro, era um tremendo calhamaço com as mais de 400 páginas em formato álbum (o formatão típico dos europeus), mas naquela tarde quente em que estive na agradável companhia do Douglas e do Leandro eu me vi frustrado em minha tentativa. Para um melhor aproveitamento de papel e outros detalhes técnicos que um editor entende melhor do que eu, Memento seria dividido em duas partes e as medidas seriam como as de um livro normal. Tudo bem para mim, era melhor aquilo que nada.

Memento Mori viria a público em outubro de 2011 depois de ficar no ostracismo por oito anos!!!!

Infelizmente não teve a receptividade que eu imaginava, não como o Crônica do Tempo Perdido apesar dos esforços da editora em divulgar, contudo foi bem resenhado pelos  Melhores do Mundo e alguns jornais com pequenas notas. No entanto os sites e blogs especializados em HQs o ignoraram solenemente. Mas obtive retorno de alguns leitores e elas não poderiam ser melhores. E isso é o que de fato faz valer a pena o esforço.

A segunda parte ficou prometida para dali a uns seis meses.....e demorou cinco anos!!!!!

Eu tinha dois títulos para a continuação: Daqui Para a Eternidade e Tapetum Lucidum. Botei em votação entre meus três irmãos e o Leandro. Eternidade ganhou de 3 a 1 (só o André optou pelo nome em latim). 

Daqui Para a Eternidade virou realidade em maio de 2015 e não foi comentado e anunciado por ninguém, mais uma vez obscuro, só que sem as notas de jornal que tinham dado destaque ao volume anterior. Mas para mim isso não importava de fato, me bastava saber que finalmente eu tinha tirado esse esqueleto do armário e eu sabia que ele era bom, muito bom! O resto, era o resto. 

Essas sementes darão frutos mais saborosos num futuro? Talvez sim, talvez não, já não me importa. Botei a mão na massa e às duras penas fiz acontecer sem puxar o saco de ninguém. Durmo tranquilo quanto a isso.



domingo, 19 de setembro de 2021

OS DIAS DA GRAPHIC P.A.D.A. ESPECIAL ZÉ GATÃO


 Como voam os anos! 

Hoje passei o dia de cama, adoentado com um problema que vez por outra vem me atormentar, a velha lesão nos músculos lombares. É assim, eu procuro tomar cuidado ao erguer algum peso extra sabendo que tenho essa limitação, no entanto as vezes só de me abaixar para pegar algo no chão sinto uma espécie de choque no local e fico torto. É UMA MERDA ISSO! Tem vez que é leve e passa logo, noutras não consigo ficar em pé ou sentado muito tempo, e ficar deitado cansa. É horrível porque além de tudo há muito trabalho a ser feito e o tempo é cada vez mais reduzido.

Precisei, na manhã de ontem, tirar água da cisterna com baldes para encher um enorme barril. Depois de uma meia hora nesta aventura as costas travaram. Verônica veio e qual uma guerreira amazona completou todo o serviço de encher o tonel com água. E eu como um velho decrépito tive que me conformar em andar como um símio no seu ocaso.  

Mas comecei essa postagem falando da passagem do tempo, né? Eu conversava com a Vera sobre uns acontecimentos de 2010 e 2011 e na minha mente veio à lembrança a publicação independente Graphic PADA Zé Gatão. 

É um gibi legal (embora eu seja suspeitíssimo para falar), um tanto triste, mas foge um pouco do terreno da aventura e violência sempre presentes. 

Sei que é bobagem comparar os tempos passados com os de agora, até porque cada período tem suas alegrias e tristezas, mas como não confrontar? Naqueles idos meus pais estavam vivos, meu irmão Gil também, a avó e irmão da Verônica idem. Havia aquela vontade natural de continuar produzindo, o sonho de morar num lugar mais aprazível e tal. 

Pensando hoje, vejo como a deterioração de tudo na minha vida não foi de forma imperceptível, ela se escancarou principalmente após o ano de 2014, talvez até um pouco antes. Mas eu nem posso me queixar, de fato, sempre colhemos o que plantamos e eu nunca discerni bem quais sementes eram boas.

Apesar de tudo, eu não tenho vontade de reler o Zé Gatão PADA, nem qualquer outro quadrinho que eu já tenha criado.

Agora falam de um possível tsunami a inundar a costa nordestina por causa do tal vulcão lá das Ilhas Canárias. O que eu poderia fazer? NADA! 

É isso, esse blog continua com cada vez menos leitores. Pudera, eu só venho aqui para reclamar!

Vou me deitar um pouco pois minha região lombar requisita repouso.

Seguimos em frente. Beijos a todos. 

domingo, 5 de setembro de 2021

BLACK BALLS

 Trabalho, trabalho e trabalho. É só o que faço. Não só trabalho com arte (argh, ainda me incomoda usar essa palavra para designar o que faço, arte mesmo fez Beethoven, Rembrandt, mas vá lá) mas em inescapáveis tarefas domésticas. Por isso admiro e invejo tanto os gatos. Dormem pra caralho e sempre encontram a comida no prato, e a água, e o carinho (da minha parte, pelo menos). Bom, pensando bem, só se for os gatos das madames, gatos de rua podem até dormir muito durante o dia mas rango fácil é outra história e durante a noite sempre são batalhas homéricas por território, por uma trepada, sei lá.

 Adotamos um gato em nosso prédio. A mãe dele apareceu certo dia e uns vizinhos a alimentaram e depois ela não saiu mais daqui. Nós também sempre dávamos leite a ela. Aí ela engravidou (claro). Três rebentos, o pai devia ser um siamês, dois machos com aquelas colorações típicas dos siameses e uma preta igual a mãe. Depois nossos vizinhos se mandaram daqui e continuamos a alimentar os felinos. Os pequenos eram ariscos que só. A pequena preta desapareceu (roubaram? mataram?) mas os outros dois eu fui me  aproximado e até mesmo encurralando num canto e depois de muito cansaço acabaram me aceitando. Um deles nós batizamos de Vesgo. Isso mesmo, olhos azuis e zarolho. O outro alcunhamos de Saco Preto. É exatamente isso que vocês pensaram, as bolas dele são pretas.

A mãe deles foi vasectomizada e hoje vejo-a bem pouco, o Vesgo também, acho que encontraram refeição num prédio próximo, de vez em quando aparecem aqui, mas o Saco Preto não, esse nos "adotou", nosso pequeno prédio se tornou o seu território, diariamente ele tem sua ração, água e muito carinho meu e da Verônica, mais meu, na verdade. Deixamos ele entrar um pouco em casa e desfrutar de nossa companhia, depois ele se cansa e vai embora. Não raro ele  aparece ferido pela manhã, numa das últimas vezes haviam ferimentos feios na cabeça, como se fossem feitos por presas caninas (estaria ele enfrentando cães em suas rondas noturnas?). Nesse ponto ele me lembra o Zé Gatão. Certa vez o ferimento foi no rosto, o que lhe conferiu uma baita cicatriz. Sempre cuido dele passando uma medicação sobre as chagas. É muito bom quando me aproximo dele e ele encosta sua testa na minha, é como um pequeno bálsamo para essa dor que teima em habitar o meu peito, essa saudade que sei, nunca vai morrer.

Na verdade não era minha intenção falar sobre gatos hoje mas ainda bem que vieram à baila, ariscaria  repetir minhas lamentações. Os trabalhos continuam e estão ficando bons mas nada de projetos pessoais, esse dormem e nem sei se acordarão um dia. Como o dinheiro acabou, agora batalho um terceiro trampo que pague as contas. Se conseguir (espero, preciso!!!) estarei acumulado de tarefas, então se eu  demorar a vir confabular com vocês aqui, já sabem o motivo. Mas prometo vir pelo menos para deixar uma arte, ok?

Beijos a todos vocês e muito obrigado!

  

ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 7 (Um conto escrito por Luca Fiuza)

 A Busca – Capítulo 7: Ao saírem pela boca da passagem, por onde tinham palmilhado, por um tempo impossível de determinar, a morceguinha e o...