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segunda-feira, 7 de março de 2022

MAIS UM PAPO DE BOTECO NUMA RÁDIO.

 Amadas e amados, boa noite!

Na quarta feira passada fui entrevistado na Rádio Alternativa FM Agrestina, no quadro Cine Clube, apresentado pelo simpaticíssimo Edson Santos. 

Nunca fico à vontade com essas coisas, acho que devido àquele velho problema patológico com minha auto aceitação, não gosto da minha cara, não gosto da minha voz e por aí segue. Mas foi bacana, foi como sentar numa mesa de bar e falar sem o compromisso de parecer descolado e tudo o mais. O foco era o ZÉ GATÃO, personagem de HQs que criei há mais de 30 anos, com cinco álbuns publicados e ainda desconhecido da grande maioria de leitores de quadrinhos no Brasil. Não sei dizer quantos acompanharam pelo rádio, mas no YouTube sei que haviam poucas pessoas conectadas. Os membros da PADA e o artista Nestablo Ramos estavam lá e pra mim isto valeu muito.

Foi complicado no começo, minha internet estava lenta, caindo. Tive que sair do notebook e me conectar pelo celular (o que detesto), mas depois de um tempo o motor engrenou.

Claro que falei pela enésima vez que o Felino foi criado num momento de depressão, que acho os animais ótimos atores para representar os dramas humanos, daí eu ter gerado um universo antropomórfico e blá, blá, blá - quem já me ouviu antes tá com o ouvido cansado - não obstante, apesar do longo tempo de conversa, muita coisa ficou de fora, por exemplo: a criação dos álbuns posteriores ao Cidade do Medo, mas aí a culpa cabe a mim, faço muitas digressões (para uma melhor compreensão das minhas ideias) em meus colóquios (quase sempre me perco), o tempo passa e o que seria importante de fato acaba ficando no limbo. 

Mas falamos brevemente sobre ZÉ GATÃO - SIROCO, a derradeira aventura, em campanha no financiamento coletivo (e bem longe de atingir a meta, infelizmente).  

Assistir essa live só mesmo para os que gostam muito do que eu faço. Preferia que fosse só voz e nenhuma imagem minha, mas se caminho na chuva, tenho que me molhar.  

Quem tiver saco de ferro para assistir, minha imensa gratidão.

DEUS ABENÇOE A TODOS!

        

terça-feira, 1 de março de 2022

DESÂNIMO E PRODUÇÃO.

 Estou com saudades do frio. Falo daquele frio gostoso, que te obriga a colocar um casaco leve e um edredom na hora de dormir. O calor aqui é angustiante, creio mesmo que ele limita bastante a disposição para as tarefas diárias. Eu e meu irmão, que foi embora, conversávamos sobre essas coisas, lembro que falamos certa vez sobre uma visita que o físico Albert Einstein fizera ao Brasil e ele observou que o povo brasileiro era um tanto acomodado - ele não teria usado esse termo, eu que quero poupá-lo - e isso talvez se devesse ao calor. Seria essa a razão pela qual eu tenha andado tão sem inspiração para executar meu trabalho? Mais uma vez estou atrasado para entrega do último lote de páginas da HQ "Teseu e o Minotauro". Pode ser isso e a carga máxima de stress que tenho tido que suportar nos últimos tempos. De qualquer forma a editora nada tem a ver com meus percalços particulares. Isso que dá eu trabalhar em três projetos ao mesmo tempo, dois deles estão um tanto parados, mas sempre volto a uma página nova. Tem vezes que a coisa flui que é uma maravilha, os quadros vão tomando forma na página quase que magicamente, mas isso é raro, na maioria das vezes tenho que fazer mil rascunhos e até descartar páginas inteiras de rafes por achar que a dinâmica da narrativa não está legal. Duas coisas são certas: 1- nos meus projetos pessoais isto é menos frequente, 2 - a idade conta, podem estar certos. Antes eu atravessava altas madrugadas em cima da prancheta, bastava rolar uma bela música clássica (ou Beatles) no cd player (nem isso tenho mais) e um mundo e as mais diversas situações se formavam diante dos meus olhos. Lembro bem daquelas noites na pensão da W3 sul em Brasília, meu irmão Gil (que saudades!) dormindo próximo e eu dando vazão às aventuras do Zé Gatão contra os insetos numa perseguição pelo deserto. Depois na quitinete que alugamos na comercial da SQN 202. Foi o início do fim dos meus tempos de desenhista solteiro. A partir do momento que você divide sua vida com alguém não é mais dono do seu tempo. Farto de tudo, o que faço hoje é trazer à fórceps o que poderíamos chamar de motivação.

No dia 19 de fevereiro estive presente ao evento A SAGA DOS QUADRINHOS BRASILEIROS promovido pelos membros da PADA. Eu deveria palestrar as 14:30 hs. Saí cedo de casa para prestigiar todo o lance mas cheguei um tanto atrasado, quase 10:30 hs e mesmo assim não havia ninguém, só os organizadores. Um dos palestrantes o das 11hs desistiu um dia antes. Pra mim foi um dia ótimo, comemos no shopping, apesar do maldito passaporte sanitário, e batemos um bom papo sobre musica, filmes, séries, quadrinhos e a vida em geral. E finalmente chegou o momento d´eu falar sobre a relação autor e personagem nos quadrinhos, mas só estavam presentes os coordenadores, que eram umas 5 pessoas, então palestrei para eles, ora.  Filmaram o meu colóquio, está nos arquivos deles. O Milson Marins, um dos fundadores da PADA, atribui a ausência de público ao fato de ter tido um clássico do futebol pernambucano naquela tarde. Outros acham que foi por causa da pandemia e do passaporte sanitário. Eu tenho uma teoria para o "fracasso" do evento: polarização. Quando conheci o pessoal da PADA, lá pelos idos de 2010, por aí, eles eram compostos de cristãos (católicos e evangélicos) e ateus, conservadores de direita e gente à esquerda, e isso não era problema, todos estavam unidos pelo amor à arte. Hoje não é mais assim, se você apoia o Bolsonaro, você é um inimigo que precisa ser eliminado. Os que lá estavam apoiam o atual governo, os do outro lado não querem mais se misturar. Simples assim. 

Amanhã serei entrevistado na RÁDIO ALTERNATIVA FM AGRESTINA às 20 horas. Acho que vai ser legal falar sobre as coisas que já fiz no mundo mágico dos gibis. Devem me passar o link depois, daí volto aqui para caso alguém se interesse em ouvir as bobagens que falarei.  

E minha campanha no Catarse continua parada, acho que não teremos mais que 28 apoiadores, se tivermos 30 será motivos de festejos; sim, claro, os que admiram meu trabalho dizem que ninguém tem grana (mas os omnibus que custam mais de 300 reais esgotam nas editoras). Não preciso repetir aqui que as visualizações diárias deste blog vão de mal a pior, agora giram em torno de 20 a 40, teve um dia que foram só 12. Minhas postagens no Facebook também diminuíram os comentários e os tais likes. Dizem que em breve essa rede social será extinta como o Orkut  e muitos estão migrando para outras novas. Eu só mantive o blog e o Facebook por comodismo. Foi legal, devo admitir, nos bons tempos reencontrei velhos camaradas, revi pessoas do passado, até interagi em assuntos bacanas com pessoas legais, como no dia em que eu e o editor do Memento Mori e Daqui Para a Eternidade trocamos mensagens sobre a antiga série Daniel Boone, com o Fess Parker e outros se juntaram a nós num gostoso bate papo que durou bastante tempo. Não tenho saco para recomeçar em outras redes, acho que é a minha deixa para desaparecer de vez. O velho dando lugar ao novo. Me sinto como esses bichos que se extinguiram porque o mundo não podia mais comportá-los. Pra mim tá de boa. 

Caso alguém seja novo por aqui e queira conhecer a campanha do meu último quadrinho autoral, o link é este: 

https://www.catarse.me/ze_gatao?fbclid=IwAR0KDTuzdwnnS3Np34cevQ9biTPs_jBug3YIAZjdHSLkidzmmDt_GkOK-PY

  

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

UM ANO, JÁ!

  Hoje faz um ano que dona Francis foi embora. Um ano sem ouvir sua voz, receber seus conselhos e bênçãos, 365 dias sem escutar sua risada contagiante. Passou rápido! Não tenho palavras para descrever o imenso vazio que me engole, mastiga e retém em seu interior. 

Eu agradeço a Deus pela arte, enquanto trabalho para manter esta família eu imerso nos mundos que eu crio. No momento estou na Grécia antiga, Teseu está lutando com o Minotauro no labirinto criado por Dédalo. 

A arte é uma porta que me conecta com o mundo e também a que me serve como rota de fuga. No entanto sempre sou obrigado a pousar no mundo real e nele as chuvas  de pedras não param de cair. O ar é quente e bafeja no meu rosto que ela nunca mais vai voltar. Mas eu posso ir até ela, se creio no que está escrito e se acredito no Espírito que inspirou os homens a redigir, é certo o dia do reencontro. Pode levar dias ou anos, só me resta aguardar.

Até breve, minha querida mãe!



sábado, 12 de fevereiro de 2022

ADEUS, MEU MENINO!

 

Tudo passa, tudo há de passar. Nada fica, nada ficará. Mais ou menos essas palavras estão em um clássico do ex-Beatle George Harrison e também numa canção interpretada pelo Nelson Ned. Pura verdade.

Eu deveria ter morrido a uns 55 anos atrás mas Deus me poupou e ainda estou por aqui.

Tivemos um cão chamado Rintim. Pouco me lembro dele, eu era praticamente um bebê. Minha mãe disse que ele tinha um tom avermelhado e parecia uma raposa, foi envenenado, segundo ela.

Muitos anos depois a Freedom apareceu em nossas vidas em 1975, era uma cadela pincher muito especial. Como Freedom era um tanto complicado para meus pequenos irmãos pronunciar apelidamos de Fifi. Fez parte de nós durante uns cinco anos e partiu quebrando nossos corações.

Já postei um texto aqui sobre um felino que eu e Verônica chamamos de Saco Preto.  Evidentemente Saco Preto é para nós, gatos não atendem por nomes dessa natureza. Mas a Vera de forma muito maternal perguntava pra ele: "Onde está o Menino? O que o Menino quer?" E vemos em suas reações que ele sabia que a conversa era com ele.

Bem, pra encurtar a conversa, ele morreu no último dia 9. Mais ou menos no dia 4 ou 5 ele apareceu muito machucado. Seriamente machucado, mancava muito e gemia penosamente. Vimos que havia uma ferida na perna como se parte da carne tivesse sido arrancada. Uma vizinha nos disse que ele e o irmão (o Vesgo) haviam sido atropelados, o irmão morreu na hora, ele escapara. Ele recusava água e qualquer alimento.

Eu e Vera o levamos ao veterinário. Não havia osso quebrado, mas ele estava muito magro, anêmico, debilitado e com problemas renais. O médico receitou antibiótico, uma comida medicinal e pomada para passar nos ferimentos. Durante dois dias cuidamos dele em casa, seguindo à risca as recomendações do veterinário. Mas ele comia pouco, quase nada. Queria dar mais detalhes de tudo mas é penoso para mim.

No dia 9 pela manhã desci com ele para ele pegar um sol. Tive que abrir a boca dele para dar um quarto do comprimido de antibiótico segundo recomendação médica e também o alimento medicinal numa colher se chá. Passado um tempo ele começou a gemer como uma criança. Eu passava a mão pela cabeça dele e dizia: "Calma, amigo, calma Menino, estou aqui, você vai ficar bom". Ele ofegava. Se acalmava um pouco mas respirava sofregamente. Então num instante ele começou a estrebuchar e gemer em agonia, eu não sabia o que fazer, pensei em correr com ele para o veterinário, mas antes que eu pudesse colocar as ideias em ordem ele relaxou o corpo e o vi parar de respirar. Faleceu bem na minha frente. Chorei como uma criança (como acontece agora, no exato momento que escrevo). 

Eu queria ser um homem santo, talvez assim minhas lágrimas sobre seu pequeno corpo pudesse revivê-lo. Mas qual, eu sou muito pecador, só tenho tido desditas nos últimos tempos.

Não recebo carinho das pessoas, mas aquele gatinho encostava a testa dele na minha demonstrando sua amizade e eu não consegui salvá-lo.

Sinto falta de encontrá-lo no portão ou cochilando debaixo das plantas, aguardando o momento de eu ou Vera chegar e dar a ração especial, a Wiskas, o leite, a água e os carinhos que ele tanto gostava. 

Adeus, meu menino, você não será esquecido!  

Dormindo debaixo da mesa de nossa casa.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

O FIM DA ESTRADA DA CURA.

 

Detalhe de uma página de RASTREADORES DE ALGURES, novo projeto com roteiro de Elton Borges Mesquita.

 Houve uma época em que eu conseguia ler um livro por semana. Devo lembrar que nestes períodos eu saía mais de casa, então ler no metrô ou em consultórios médicos aguardando consulta facilitavam bastante. Um exemplo de um que li em diversas viagens de metrô em São Paulo? On The Road e acho que algum do Umberto Eco.

 Mas em casa eu sempre separava um tempo para ler um capítulo diariamente. Lógico, tem gente que lê muito mais que um a cada sete dias, o saudoso professor Pierluigi Piazzi me falou que lia uns cinco semanalmente (as vezes até mais), mas ele era editor, entre outras coisas, e ele precisava revisar textos, eu só leio pelo prazer mesmo. Os livros sempre foram um grande consolo nos momentos de tribulação, por exemplo, quando amarguei alguns anos no Rio de janeiro eu devorava livros, foi nesse período, quando eu contava com meus vinte e poucos anos, que li A Divina Comédia, Edgar Allan Poe, obras de Shakespeare, os contos do Voltaire, os poemas de Camões, clássicos da literatura brasileira, um pouco depois eu me interessei por Kafka, Tchekov e Dostoievski, além de obras contemporâneas. Li Agatha Christie, Conan Doyle (não só o Sherlock completo), Bukowski e Fante. Nem todos foram um prazer, Dante, Victor Hugo e Homero não eram palatáveis, desceram pelo esôfago da minha mente muito secos e talvez eu devesse reler para ver se, na época, eu era muito verde para absorver o que eles tinham a transmitir. Teve alguns que eu comecei e abandonei logo no segundo capítulo, como o Germinal do Zola ou As Ilusões Perdidas do Balzac. Ah, um que enrolei muito e desisti foi O Bosque Das Ilusões Perdidas, não é que fosse hermético, é que achei chato mesmo. Em compensação eu li numa tarde As Ligações Perigosas num clube em Brasília enquanto minha mãe participava de um concurso gastronômico onde ela  saiu vencedora. Enfim, nunca deixei de ler, mas o problema é que hoje ao invés de um por semana eu creio que leio um ou dois por ano. Não consigo mais tempo para esse prazer por mais que insista. Se os tomos são um bálsamo para as minhas dores então estou em maus lençóis pois as circunstâncias da vida tem batido muito forte e eu não consigo mais o escape da leitura. Todo o meu tempo é gasto na prancheta tentando ganhar a vida ou na rua resolvendo problemas ou fazendo compras com a esposa. No fim da noite as vezes eu me forço a ler um pouco, as vezes consigo, foi assim que finalmente conclui A Estrada da Cura do finado Neil Peart, o lendário baterista do Rush. Quem me acompanha a mais tempo aqui sabe do que falo. Eu comecei a ler este livro primeiro porque sou fã da banda e em especial do Neil, que acho o maior baterista de todos os tempos (quase empatando com Buddy Rich). Depois a motivação aumentou quando me vi na mesma situação do músico: o luto. 

É um bom livro? Com certeza. Bem escrito, mostra que o Neil não era fera só nas baquetas, mas também com as palavras, erudito, discorre sobre muitas coisas. A Estrada é quase um diário de viagem, narra os lugares e situações por que passa com tanta clareza que é como se estivéssemos com ele em cima da moto atravessando todo o Canadá, EUA, parte do Alasca e México. Fala de sua dor por perder filha e esposa no espaço de um ano e sua tentativa de entender - e mesmo superar - a situação. Eu, que compartilho da mesma dor, me envolvi na leitura no afã de colocar um lenitivo sobre minha ferida. Não consegui. Existem abismos homéricos de diferenças entre eu e o baterista. Em primeiro lugar eu sou um cristão, um crente, embora eu não entenda os desígnios de Deus, permaneço crente, ele não era. Ele pôde se dar ao luxo de subir numa moto e percorrer todos aqueles quilômetros se hospedando em hotéis, bebendo bons vinhos e saboreando boas comidas (o livro tem momentos que parece um tour gastronômico), eu não tenho onde cair morto e conhecer outras plagas para fugir da dor não é um luxo ao qual eu possa me dar (deixando claro que não julgo o Neil Peart, se ele conseguiu sair pelo mundo, fez muito bem). 

Claro que fala sobre o luto e suas diversas etapas (ele pesquisou sobre) mas não consegui identificação. É como se eu estivesse escutando uma conversa onde um cara fala sobre sua desdita e embora algo similar tivesse acontecido comigo, as diferenças de pensamentos sobre a questão são tão diversas que é como se ele estivesse falando um outro idioma. 

Chego à conclusão de que cada dor é uma dor, sua experiência pode ter sido exatamente igual à minha mas a maneira como você recebe, suporta ou não, essa dor, pode ser outra diversa. Mas é um bom livro, sim, gostei. O bom é que eu pensei que fosse terminar de forma melancólica, tipo, a estrada não me trouxe respostas porque não existem respostas e só o futuro dirá e tal. Mas não, ele não demorou a encontrar outra pessoa, se casou de novo e constituiu nova família e parecia feliz. O último capítulo me pareceu apressado, tipo, tudo acabou bem, ninguém vai substituir a esposa e filha perdidas mas a vida tem que seguir e tchau.

Passei tanto tempo com A Estrada da Cura, lendo à conta gotas, que vejo que nesse ritmo nunca conseguirei ler os diversos tomos que estão na fila. Qual será o próximo? Não sei. Tenho várias opções, mas tenho medo de começar outro e não conseguir terminar. Mas vou fazer um esforço. Acho que agora vou de novo me imiscuir no mundo de Robert E. Howard através de Solomon Kane ou talvez eu releia uma seleção de contos de horror selecionados pelo Ítalo Calvino. Vamos ver. 

O que sei com certeza é que uma nova folha em branco me espera na prancheta com a esperança de virar uma página de HQ. A roda da vida não para, se eu cochilar ela me atropela impiedosamente.   

domingo, 16 de janeiro de 2022

A DIFÍCIL VIDA DO ZÉ GATÃO.


 Meu universo antropomorfo foi criado oficialmente em 1992. Antes disso eu já tinha o protótipo do protagonista desde o final dos anos 80, mas nunca pensei em desenvolver quadrinhos com ele.

Cronologicamente, eu diria que os álbuns com histórias curtas (Crônica do Tempo Perdido e o especial PADA) e os contos desenvolvidos pelo Luca Fiuza vieram antes do livro branco, conhecido como Cidade do Medo. 

Nessas histórias Zé Gatão luta numa metrópole por seu lugar ao sol, sempre em subempregos (leão de chácara, DJ de uma rádio pirata, quebrador de pedras, ghost de um jornalista investigador, lutador de rua e até apresentador de um talk show para uma televisão - numa história nunca publicada - entre outras coisas), sempre quebrando a cara em relacionamentos amorosos e se decepcionando quem quem ele julga amigo.

Na trilogia (podemos chamar assim, já que se interligam), Cidade do Medo, Memento Mori e Daqui Para a Eternidade, temos sagas onde ele troca a vida prosaica da cidade grande por perigos que colocam sua vida sempre à beira de um abismo. Mesmo ali a depressão o acompanha e o vazio o sufoca.

Zé Gatão sempre me foi uma  espécie de válvula de escape, um porta voz para certas ideias. Agora que envelheço de fato ele se torna mais importante que nunca, exatamente no momento em que contraditoriamente declaro sua aposentadoria. É sincero da minha parte, não tenho mais vontade colocá-lo em situações de vida ou morte, quero que pelo menos ele tenha descanso e isso não me causa pesar. Até os álbuns inéditos com várias histórias curtas que criei há muitos anos deixo guardados para a família decidir o que fazer após a minha derradeira despedida.

Pode ser paranoia da minha parte mas me sinto cancelado. Antigos amigos e seguidores, pessoas por quem sempre nutri carinho e admiração sumiram sem dar notícias ou justificativas apesar de eu tentar contato. O mundo vai se tornado cada vez mais frio e indiferente. 

A campanha pelo novo livro que encerra os ciclos deste personagem tá estática. Onde estão os que viviam me cobrando novas aventuras? Com certeza eram bem mais que os 26 que apoiaram até o momento. Mais uns dois devem colaborar, não sei se passará disso. Mas no fim, fico satisfeito, 20, 30 pessoas é mais do que suficiente pois sei que esses não são os que seguem modas.  

No mais sigo trabalhando nos quadrinhos encomendados e eles vão muito bem. Não tenho tido tempo para leituras, filmes e séries, mas me mantenho anestesiado.

Tenho tido concepções para um novo álbum de curtas que versam sobre o fim do mundo (acho que já mencionei isto, não?), mais um bilioso livro no estilo Phobos e Deimos (outro ignorado, como também foi a bio do Poe), só não sei se conseguirei colocar no papel. Veremos.

Ah, sim, a quem interessar possa, o link para a campanha do SIROCO no Catarse é: 

https://www.catarse.me/ze_gatao?fbclid=IwAR0pn4XcveK0JvWSGdlZyRRwfI_Uzt6sAilewtcTaULebjmhyTi3TIqfSUo 



segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

E COMEÇOU 2022.

 

 Terceiro dia do ano e meu barco, até o momento, navega tranquilo no mar da melancolia. Sei o que sinto e não vai mudar, mas posso ouvir, por vezes, a voz do silencio. 

Um momento para sorver o ar, sentir o vento em meio ao calor, relaxar os músculos magros e arejar a mente em instantes fugazes.

O tempo corre, profetas da atualidade vaticinam tempos duros. O que se pode fazer? NADA! Apenas prosseguir em trilhas que evitem confrontos, mesmo caminhando em charcos.

Meu novo livro continua em campanha. O momento não é bom, mas pensando bem, nunca foi. Nenhum livro do ZÉ GATÃO veio ao público de forma branda. Sempre houve uma bela luta por trás. Mas ao conceber SIROCO eu imaginei um livro direcionado ao fã, ou seja, um produto de poucos exemplares, sem alarde. Creio que assim está sendo.

O endereço da campanha no Catarse é: 

https://www.catarse.me/ze_gatao?fbclid=IwAR38GN9aZEw3YdNuNpVPtOqDMT0tbSjsYK2eyrSEOKxvf5fb33xEroE5dc8

Ao pensar nesta nova aventura do Felino (e nas anteriores) não consigo desassociá-la do underground americano do final dos anos 60. Mas não falo da Zap com o Crumb, Shelton e cia e sim das publicações como Skull Comics, Slow Death, entre outras, que focavam na ficção científica e terror, sempre com pitadas de sexo e gore. Não por acaso o mestre Corben fez seu debut nessas famigeradas revistas.  

Bom, é a última aventura de Zé Gatão, vamos ver o resultado disso tudo.

Meu barco segue a correnteza impulsionado pela brisa da saudade.

UMA VIDA NORMAL

   Eu queria muito vir aqui com notícias boas. Na verdade tenho sim, boas notícias, uma delas é que fiz agora há pouco a minha terceira refe...