Análise:
Zé Gatão Siroco. 11/08/23. 6a
feira a 15/09/23. 6a
feira.
Por
Luiz Fiuza.
Nesta
chamada derradeira aventura do felino cinzento criada, escrita e
desenhada pelo Quadrinista Eduardo Schloesser encontramos Zé Gatão
envolvido em situações de enorme perigo em um ambiente de extremos,
vivendo o impossível em nome de um dos mais primais dos instintos:
SOBREVIVÊNCIA!
Os
comentários a
seguir
vão se basear principalmente em minha interpretação
pessoal
da obra, onde
farei observações e análises
como leitor costumeiro das aventuras/desventuras do Grande Gato
produzidas pelo Eduardo ao longo dos anos.
Ao
ler Siroco, percebe-se que ao longo do enredo, apesar de a história
ser situada em um microcosmo desértico e ter um período de tempo
específico – que pode ser bem elástico – o mundo como um todo
está caótico, fragmentado e eventos terríveis ocorreram,
potencializando
as mazelas que sempre reinaram no universo antropomorfo de Zé Gatão!
Não é mais possível recuar, recompor o que se perdeu! Em verdade,
a situação
se resume em continuar de maneira obstinada vivendo dentro da
realidade adversa que se apresenta caminhando na direção de um
futuro dos mais incertos! Na amplidão fervente do deserto só há
dor, violência, brutalidade! Ainda assim, no meio do nada, a
distopia geral
acaba se chocando violentamente com a utopia
quimérica dos que teimam em sonhar!
Uma fresca aragem (do passado), impiedosamente calcinada pelo bafejo
ardente do Siroco (na
verdade, a dura realidade do presente)!
Primeiras
cenas:
(p.7
a 21) Tudo começa com a visão característica dos pés de dois
personagens acompanhada de um diálogo: o tom irônico de um, seguido
pela resposta áspera do outro. Em um movimento de câmera
cinematográfica, os indivíduos vão sendo revelados aos poucos até
divisarmos as feições brutais de um grande leão e de um colossal e
raivoso rinoceronte! O diálogo prossegue. O leão incisivo em sua
determinação em uma fala mordaz, enquanto o rino se desmancha em
uma risada debochada ante ao louco e notadamente, imprudente desejo
do outro animal de encarar o tamanho e a enorme força do titânico
paquiderme! A linguagem de ambos é grosseira, chula! Reforçando a
rudeza inerente aquelas ferozes criaturas! Outra interessante
angulação cinematográfica se faz presente, evidenciando o clima de
confronto em meio a um cenário desolado! Evidentemente, não há
piedade nos corações de tais seres! Apenas o desejo inflexível do
leão de tomar algo que na verdade não seria dele e o rinoceronte
ensandecido, propenso a deixar o felino ainda vivo, mas arrebentado
para a sanha dos carniceiros emplumados! É a lei do mais forte a
imperar em terra de ninguém! A luta é seca! Brutalizada! O leão
com a mente obliterada pela confiança excessiva se deixa levar pela
soberba e o paquiderme mostra que é mais perigoso e mortal do que
aparentava! Para sorte do velho leão ele não estava só! Há outros
felinos, aliados seus, na área! Em tempo, eis que surge nosso felino
cinzento! Lutador ágil, pródigo em distribuir socos e chutes
certeiros, sem dar chance para o oponente reagir a contento!
Pragmático, Zé Gatão age de modo a fazer o necessário para que um
dos membros do grupo felídeo usando determinado artefato incapacite
o gigante chifrudo para dele ser tirado o que queriam sem matá-lo!
Dito e feito!
A
idade não perdoa:
(p.22 e 23) Khan o leão tem uma postura muito comum de não
aceitação em relação à passagem do tempo. Intimamente, não
engole o fato de que está mais velho! Apesar de ainda vigoroso, não
tem mais a mesma resistência e destreza de antes! Sua atitude é até
compreensível, pois admitir a imposição da velhice que vem
chegando, bem como as limitações decorrentes desta fase de sua
existência não é nada fácil. O complicador é o estilo de vida
que ele leva e o ambiente selvagem onde se encontra! Não dá para
simplesmente mudar o estilo de viver! No entanto, se fosse mais
consciente de sua realidade faria adequações mais apropriadas para
continuar razoavelmente efetivo, sendo portanto, capaz de ser útil
ao grupo! Por exemplo, passando a se servir mais da inteligência e
do bom senso do que unicamente da força bruta! Infelizmente, é
justamente a teimosia que o torna prepotente e descuidado! Com base
em uma ilusão autoinduzida, a todo momento o leão precisa se
afirmar como o eterno fodão tanto para si mesmo quanto para os
demais, se assemelhando muito a um adolescente marrento! As fêmeas
tentam arrazoar com o leão, mas este irredutível, não ouve a voz
da razão! Achei interessante a presença do filhote surgindo como um
contraponto, aparecendo de repente em sua alegria pueril! Brincando
despreocupado sobre o corpanzil inerme do rinoceronte, a cena em si
promove uma quebra brusca do clima pesado e violento anterior,
mostrando que mesmo ali, há um pequeno espaço para o desabrochar
momentâneo da inocência dos infantes! Sintomática a conversa tensa
entre os membros do grupo felino. Zé Gatão e Khan se afastando dos
demais a tudo escutam graças à audição apurada de ambos, bem
cientes sobre o que se fala deles. Khan está pouco se lixando e Zé
Gatão confirma o que sempre soube! Os felinos puros não apreciam os
mestiços! Olham-nos com desconfiança e preconceito! Em sequência,
pode-se notar um ponto de alívio cômico em relação ao brutalizado
início: vemos leão e mestiço jogando conversa fora. Simples
amenidades enquanto curtem um
resquício da Civilização.
Uma observação do felino cinzento faz Khan quase rebentar de rir! O
circunspecto Zé Gatão não compartilha da explosão de hilaridade
do outro! Ao mesmo tempo, Khan começa a dar sinais de algum tipo de
dor interna. No entanto, um estranho fedor no ar tira a atenção do
felino cinzento e ele não nota o desconforto do fortuito companheiro
de lutas!
Personagens
deste início de aventura:
Me divertiu ver a figura do rino! Ele tem um estilo bem punk! Cerdas
capilares eriçadas à la anos 80 e indumentária imediatamente
relacionada aquelas notórias figuras pós apocalípticas! Enormes
brincos como argolas a pender das orelhas, ombreiras metálicas,
braçadeiras nos pulsos, faixas nos braços maciços, tal qual um
arremedo de gladiador! Nos pezões, grosseiras sandálias de couro!
Bermudão justo! O paquidérmico ser, tão confiante em sua força
descomunal a ponto de não carregar armas consigo. O velho leão, tem
a aparência de um feroz bárbaro, em razão do penteado – uma
mistura de rabo de cavalo e tranças, assemelhado a um antigo viking
redivivo! As roupas de mangas cortadas, características típicas dos
anos 70 e 80. Sandálias trançadas nas canelas combinando com o
sabor antigo, de sua figura imponente! O cavanhaque apontado e meio
revolto se destacando agressivamente na queixada leonina! Zé Gatão
está igualmente diferenciado: enverga uma vestimenta de pele, a
indefectível calça jeans e nos pés, calçados confortáveis de
solado duro e forte. O fato da basta cabeleira estar solta me sugere
ser o reflexo do caos e da disrupção a reinarem soberanas! As
fêmeas e os machos felinos são os tão conhecidos soldados da
fortuna, buscando tirar os seus ganhos sem muito ligar de onde
realmente vêm, desde que sejam pagos por suas missões! Um detalhe a
considerar é que por natureza, onças, tigres e panteras são
animais de comportamento solitário, enquanto os leões tendem a ser
mais gregários. A ironia desta relação aqui é a de que Khan, o
leão prefere ser solitário, enquanto os demais felinos do grupo
defendem a associação. Claramente por questão de necessidade e
formação militar! Zé Gatão é como Khan neste sentido de preferir
a solidão. Contudo, em razão das circunstâncias entende a
importância da união ainda que temporária. Um entendimento que
falta ao velho leão.
Carniceiros
emplumados: ( p.24 a 29) O
odor de carniça é como o hálito da morte que vem das alturas!
Dantesca é a cena da chegada dos urubus a planar por cima do Comando
felino! Imagino a revolta estomacal que o fedor deles exalado
provoca, pois vem do corpo, das penas, do hálito! Verdadeiras merdas
aladas! É o que são! O líder das abjetas aves…horrendo, careca
com uma expressão de pura malignidade no olhar! Sorriso feio e
deformado! Malditamente jocoso e sobretudo, ele e sua trupe nojenta,
sequiosos por devorar a carne do rinoceronte abatido para
empanturrar-se da carne alheia sem qualquer esforço! Achei
surpreendente, um certo escrúpulo revelado pela onça! Ela poderia
estar pouco se cagando para o rino, mas sabendo-o ainda vivo não
teve estômago para deixar que os urubus simplesmente o
estraçalhassem! Apesar de tudo ainda há alguns valores, mesmo em
tão caótico ambiente. Advertidos a partir imediatamente por Nero,
os carniceiros na pessoa de seu líder, veementemente discordaram! A
cruel e egoística ave, pensando tão somente em suas necessidades
estomacais, atreveu-se então, a proferir ameaças, sendo então
brindado com um balaço em suas penas sebentas! Tiro este, efetuado
por um Nero de saco cheio daquela criatura nauseabunda! A expressão
de susto somada ao grito esganiçado de pura perplexidade foram
brutalmente interrompidos pelo inesperado salto da onça, a qual
surgiu diante do feioso, dando um potente murro naquele bico sujo,
de onde projetou-se língua, dentes e uma saliva pútrida! O filhote
amou, encantado com a violência crua e arrasadora! Sinal de um
futuro muito mais sombrio e desapiedado que talvez estivesse se
delineando a partir daquele instante! A grande exposição dos muitos
novos à violência pode os levar a achar que tudo se resolve por
esta via. Eles podem vir a idolatrar apaixonadamente seres violentos
e se tornar também eles, criaturas cruéis e desapiedadas,
reforçando esta mentalidade na idade adulta!
Falando
em violência e sobrevivência, a lógica diz que a tropa felina
deveria ter acabado com os pássaros carniceiros, em vez de tê-los
deixado com vida! A realidade, porém não se baseia tão somente no
pragmatismo! Nem todo mundo mata pelo puro e simples prazer de
fazê-lo, ou para evitar problemas futuros, o que é muito
significativo dentro de um contexto, onde impera muito mais a Lei do
mais forte que qualquer outra coisa! Em verdade, é algo que dá
algumas pistas a respeito da maneira de pensar dos combatentes
felinos, demonstra um claro sinal de que mesmo em meio à escuridão
há ainda uma luz no fim do túnel! Outro ponto de destaque, me
antecipando um pouco é a natureza de equipe que cimenta a relação
grupal entre felinos e felinas, no sentido de “unidos somos mais
fortes”, ainda que Khan em sua teimosa obstinação não concorde e
o Gatão apesar de sua natureza arredia aceite temporariamente esta
condição o mote é a união incondicional! Notem que as páginas 28
e 29 da obra ilustram bem minhas recentes colocações. A alentada
tigresa questiona a ausência do Gatão e de Khan durante o confronto
com os urubus. Ciente de que a felina e os outros dariam conta do
recado, o velho Leão não dá o ar da graça. Já Zé Gatão, de
acordo com seu jeito de ser, pensou em ajudar, a princípio.
Dissuadido pelo leão, o Gatão teve que ouvir a reprimenda da
tigresa, esta reforçando seu papel de liderança, desautorizando a
postura decisória do Khan e insistindo na necessidade de coesão
entre os membros do pequeno grupo. Estes fatores reunidos são
introdutórios para o desenrolar dos acontecimentos relacionados a
estes personagens, portanto.
A
Utopia e a realidade:
Em meio a aspereza do deserto, castigados pelo sol inclemente,
rodeados pelo ‘nada” absoluto encontramos duas figuras
emblemáticas! Ambas representam uma alegoria com base em
tresloucadas quimeras, idealismos e esperanças vãs! Palavras de
teor forte que no entanto, se perdem ao vento! Frases há muito
carentes de significado em um mundo descrente e abrutalhado! À
frente vai altaneiro o Cavaleiro Andante de brilhante armadura e
elmo, cuja montaria é uma singela bicicleta! À sombra de seu Mestre
vem o Escudeiro com seu ar simplório e infantil, tendo como meio de
transporte um indefectível patinete, incompatível com o terreno
agreste e símbolo de uma mente ingênua, fortemente permeada pela
inconsequência! Apenas disposto a seguir sem de fato entender
claramente um líder de cegos direto a uma queda tão verdadeira
quanto simbólica! Mesmo ao cair, ambos não se dão conta da
impossibilidade e da futilidade dos sonhos delirantes do cavaleiro
iludido que prossegue em sua interminável arenga filosófica! O
flamejar intenso em seu olhar, a expressão resoluta e meio doentia,
uma real caricatura de um paladino insensato, defensor de valores de
outrora…tendo como ouvinte a triste figura de seu nada galante
Escudeiro, a chafurdar no pantanal de sua ignorância pueril e ao
mesmo tempo crer candidamente no discurso inflamado de um pretenso
redentor dos perdidos (p.30, 31e 35)! Contudo, há um lado positivo a
considerar! O fermento das ideias, primeiro se constitui de sonhos às
vezes, impossíveis de alcançar dependendo do momento histórico em
que surgem! Daquele solo crestado pelo sol ardente denota-se uma voz
que grita se elevando cristalina na solidão do deserto! Propondo a
quem puder e quiser ouvir uma mudança de rumo, uma revisão de
paradigmas com o intuito de buscar a paz e a Justiça para todos!
Seria, quem sabe, uma refrescante gota de chuva na sequidão que
parece destinada a passar despercebida de todas as criaturas
viventes! Uma molécula cristalina a trazer em seu cerne o que em um
passado longínquo já foi Verdade e hoje lamentavelmente, não mais!
Então
me pergunto com alguma perplexidade: “O que é a Verdade?” - A
resposta se acha nas cenas a seguir na página 32. Sob um grande
guarda sol vemos um volumoso e suarento hipopótamo, tendo também
ele, seu sonho impossível: um refrescante cubo de gelo a derreter,
visto aqui em uma excelente representação gráfica típica dos
Quadrinhos! Surge então um subalterno casal de ratos de ar humilde
trazem uma bebida não tão refrescante na tentativa servil de
mitigar a sede do ser paquidérmico. Como já ficou evidente, o hipo
tem o poder de mando e o casal de roedores o serve. O fazem
intimamente com o objetivo específico de serem um dia, retirados
daquele inferno escaldante! Concomitantemente, há uma relação
abusiva entre o casal. O macho é ameaçador, impositivo! No entanto,
a fêmea não se intimida, apesar de sucumbir sempre à agressividade
dele! Discutem! O rato a acusa de erro e incompetência em bem servir
o hipopótamo! A rata rebate dizendo que em primeiro lugar, devia ele
ter feito a prévia manutenção do refrigerador para que de fato
pudessem servir a bebida na temperatura adequada! A ira mútua
prestes a explodir é quase palpável! No entanto, refreando seus
instintos belicosos por enquanto, o rato apressa-se em cumprir as
ordens do hipo de dar imediatamente um recado importante ao militar
conhecido como coronel Brutal! Me chamou atenção as figuras dos
personagens em questão. O casal de ratos me remete a elementos
interioranos do Sertão. As vestimentas e sobretudo o tipo físico. O
hipopótamo faz-me lembrar daqueles antigos coronéis endinheirados
que mandam e desmandam nos sertanejos. Os mais pobres! Reféns
eternos da miséria, muito distantes dos requisitos básicos de uma
existência no mínimo decente! Ponto pacífico! Potamus faz parte de
um grupo influente! Poderoso e dominante!
Desconfiança/Circunstâncias/
decisões:
(p. 36, 37, 38, 39, 40 e 49). O grupo de comando felino está em um
impasse! O transporte do qual dependem está quebrado! Precisam
apanhar um componente básico para o funcionamento do veículo com
seu empregador, Lipídio Potamus, o hipopótamo! É notório que o
paquiderme jamais perde dinheiro! Irá descontar a peça do valor que
paga aos mercenários felídeos! Estes não confiam no paquiderme e
com razão! Portanto, Nero e seu irmão pegarão a peça em uma
motovelox meio
bichada! Khan sente repentinas dores! Uma possível hemorragia
interna pode estar em progresso. O Gatão sugere levar o leão a uma
cidade próxima para ser tratado por um cirurgião canino de seu
conhecimento. A tigresa e alguns dos demais fazem objeção por não
confiarem no mestiço cinzento e por aquele senso obstinado de grupo
que os une ante a nada descartável possibilidade de um ataque. O
único a concordar com a proposta do Gatão é o irmão de Nero.
Khan, objeto da discussão também aceita acompanhar o felino
tristonho, afirmando que confia nele sem reservas! Mais alguma
discussão ocorre, vencendo o bom senso, ante o aumento das dores do
leão. A contragosto, a tigresa permite que os dois partam. Temos
todo um desenrolar de cena a analisar! - A ideia insistente de manter
o grupo unido é arraigada na cabeça da líder, a tigresa! Fato que
põe em risco a vida de Khan! O contraponto são justamente o Gatão
e o irmão de Nero! Ainda assim, a gata listrada não cede! Nem o
próprio leão admite fraqueza diante dos outros. Contudo, a
realidade dos fatos fala por si mesma e a melhor decisão é tomada!
Cada personagem entre os felinos e um determinado acontecimento
representam um papel significativo no desenrolar da trama até este
ponto – Khan e a tigresa, a obstinação!
A onça a desconfiança
(nisto
apoiada pela líder),
o Gatão a sensatez
e o cuidado com
seu semelhante,
Nero a premência
de resolver uma situação e o irmão de Nero a percepção
de que o Gatão não está errado! O acontecimento decisório
é a dor excruciante nas
entranhas do leão! É preciso responder
quem ali ainda traz em si, os valores antigos contidos na arenga do
Cavaleiro Andante que grita no deserto? Aí
está o paradoxo! Não
esqueçamos da disposição do
filhote
em ajudar o tio Nero a
montar a motovelox!
Nem tudo está perdido, afinal! E ainda há amor,
por incrível que pareça! Sendo repetitivo
eu percebo que:
em meio a cardos
e espinhos
é possível que as flores
também subsistam!
Esferas
de Poder:
(p. 41 a 45): Há
os que mandam e os que obedecem! E nisto a relação entre Potamus e
o coronel Brutal é mais do que evidente! O hipopótamo manda e o
militar canino obedece, ainda que contrariado! No universo
antropomorfo, os militares não representam a Pátria e seu povo! São
isto sim, parte de um Status Quo desigual, onde os milicos são a
mais sombria face da repressão ostensiva! A qual existe em prol das
classes dominantes e em detrimento da maioria da população! Esta
conjuntura desenvolveu entre os chefes militares uma mentalidade
egocêntrica, aberta à corrupção e de maneira pródiga se servindo
da violência e do golpismo para alcançar seus objetivos espúrios!
O cataclismo que dinamitou os alicerces da Sociedade animal não
destruiu completamente as antigas esferas
de Poder!
Embora fragmentadas, elas continuam atuando, mesmo na amplidão do
deserto. Que dizer de um subordinado de Brutal? Boçal,
fala
quase incompreensível! Coloca o superior
nas
alturas! O idolatra como um deus
encarnado,
massageando descaradamente o já inflado ego de uma criatura entupida
de soberba! Que ganhou medalhas e méritos fazendo um trabalho sujo e
desonroso à farda de um militar sério (os há, se bem que poucos)!
Contudo, seu falso poder é confrontado por outro maior e mais
consistente e apesar de suas armas, de sua tropa e do adulador de
plantão, nada resta ao coronel Brutal senão esbravejar inutilmente
contra alguém que é muito maior que ele, pequeno ditador,
inexpressivo em sua pequenez!
O provam suas próximas ações!
Imposição
e brutalidade / consequências:
Neste momento é mister analisar uma outra esfera de poder, bem menor
e restrita ao ambiente doméstico, mas não menos destrutiva do que
aquela em maior escala, já mencionada. O desenrolar de uma tragédia
então ocorre (p.46, 47. 50 e 51). Como meros e impotentes
espectadores, vamos observar o resultado de atitudes pouco racionais
que vão cobrar um alto preço a todos os envolvidos! O rato se
impõe, exigindo que a rata obedeça suas ordens, e a fêmea bem mais
objetiva demonstra a inutilidade de ficar em volta do hipopótamo,
tal qual incômoda mosca em um irritante puxa saquismo! Que o gordo
os chame se desejar algo! Pura lógica! Contudo, o roedor sentindo-se
desrespeitado, descarrega toda sua fúria represada sobre a fêmea, a
espancando covardemente até tirar sua vida! É triste ver aquele
frágil corpo tombado inerme e sangrento, após o festival de
porradas brutais, onde um sorriso mau retorce a face horrorosa de um
pulha! Não há remorso da parte do assassino! De forma alguma! Só
pensa em si e não quer de jeito nenhum responder por seu ato insano!
Covarde! Mil vezes covarde! O cadáver daquela pobre infeliz tem que
desaparecer! É a voz do tolo, do inconsequente, do egoísta!
“Quem
semeia vento colhe tempestade” - Por ter agido movido pelos
impulsos mais torpes e não planejados, quando se viu diante do
pedido de Lipídio em ver a rata de imediato, o rato perdeu um
controle que nunca teve e instilou o germe da desconfiança na mente
obscura do patrão! Me diverti por demais com o desconforto do
pusilânime roedor e ainda mais com a observação mordaz do hipo
sobre a fedentina exalada por aquela carcaça imunda, devido a
intensa sudorese, provocada pelo medo alucinado de ser descoberto!
Ali pude ver bem como Potamus pode ser perigoso e em como seu tamanho
e força se impôs à esquálida e pestilenta figura daquele rato
miserável! A batata está assando, queimando e diga-se de passagem
cheirando mal!
Clamor ao vento:
(p.48) Ao mesmo tempo em que presenciamos a real e palpável
brutalidade da vida que a tudo engolfa, voltamos também a mergulhar
na alma torturada do quixotesco Cavaleiro Andante, continuamente a
clamar! Sem cessar! Submerso em mirabolantes quimeras de outros
tempos! Tristemente, entre lágrimas candentes, ele mesmo, lá no
fundo sabe da incompatibilidade de seus delírios com o momento
atual! As palavras por ele proferidas são como a areia que desce
inexorável de uma ampulheta gigantesca, onde o tempo corre impreciso
em direção a um abismo timpânico e sem fim! Porém, o clamor
desesperado prossegue! E nem o
Destino mais aziago
pode calá-lo!
Hora
da vingança: (p.52
a 59) Mercenários e
militares pode-se dizer que são a face de uma mesma moeda! O que os
move é acima de tudo interesses pessoais. Os primeiros trabalham por
dinheiro e os segundos também não descartam um ganho financeiro,
mas o que os milicos mais almejam é o aumento de seu poder, de sua
influência e de seu domínio!
O
acordo entre eles é tenso! O bando mercenário não é bobo e pelos
riscos que vai correr quer receber um pagamento mais justo do que
aquele que o coronel Brutal quer oferecer, além de sentir cheiro de
queimado pelo fato dos milicos, fortemente armados, não irem eles
mesmos dar conta do “serviço!” A objeção direta da hiena fêmea
revela como é de praxe, a natureza dominante desta, tão comum a
esta espécie! Machista e irônico, Brutal nem leva em consideração
a fala da hiena! Ignora-a, dirigindo-se sempre ao babuíno, chefe do
bando! A negociação acaba ficando desvantajosa para os mercenários,
os quais têm um fraquíssimo poder de barganha, ainda mais com armas
pesadas apontadas para o meio das fuças! Têm que engolir um monte
de desaforos e sair com o rabo entre as pernas! Melhor teria sido não
ter reclamado! Bien, c’est la vie!
O
hipopótamo e os felinos / desmedida adulação / sobrevivência:
(p.60 a 63) Chegam Nero e seu irmão diante de Potamus para entregar
o tutano de rinoceronte e pegar a peça para reparar o veículo
militar. A conversa entre o suarento paquiderme e os felinos é sem
rodeios! Perspicaz, o untuoso hipo avisa Nero que um “certo”
militar que tão bem conhecemos pretende emboscar a pequena tropa de
felinos! - Quando os felinos chegam na motovelox, a forma como esta
se aproxima denota a total ausência de peso e a fluidez de seu
movimento no ar! O hipopótamo encara os recém-chegados, lavado de
suor e, no entanto, continua envergando seu paletó como um símbolo
de seu poder que não pode ceder ante “seus inferiores” e muito
menos ao calor abrasador do deserto cruel! Todo o seu gestual é de
quem sempre está a dar ordens! Já os felinos agem descontraídos!
Não são subservientes a Lipídio. Estão apenas realizando seu
trabalho!
Não
se pode dizer o mesmo da relação entre o Cabo e seu comandante! A
fala e a expressividade do subalterno é de adoração incondicional!
Os olhos do cabo estão arregalados e brilhantes de veneração! O
sorriso e a língua pendente, o olhar fixo e brilhante evidenciam os
fortes sentimentos que embriagam o espírito estúpido e a mente
curta de um mero servo, o qual tudo fará para atender a todos os
desejos de seu objeto de idolatria! Pragmático, Brutal responde a
seu subordinado de maneira simples e direta. Com certeza, o Coronel
aprecia aquela bajulação toda e se sente mais poderoso do que
nunca! Dominado por uma megalômana sensação de quem tudo pode ele
se deixa guiar por seus instintos mais baixos de ódio e retaliação,
sem pensar nas consequências de seus atos! Os mercenários a quem
contratou e os urubus a voejar no deserto, nada mais são do que
meros instrumentos a usar, no único sentido de cumprir seus desejos
mais torpes!
Pensando
tanto na posição dos mercenários contratados por Brutal como na de
suas pretensas vítimas, os mercenários felídeos, dentro da cadeia
de comando, os chamados Soldados da Fortuna estão sempre em
desvantagem! Não são tão bem pagos assim, se compararmos com os
ganhos astronômicos de seus contratantes! Fazem o serviço sujo!
Encaram os maiores riscos! Poder de barganha limitado na presente
conjuntura! São em geral ex-militares, desertores, bandidos e
apátridas, se encontrando no mais inferior dos níveis na escala da
Sociedade! Mais à margem dela do que parte integrante desta!
Escolhas equivocadas? Circunstanciais? Quem sabe? A questão
fundamental é sobreviver a mais um dia!
Hierarquia:
(p.64 e 65): Como antes
mencionado, entre as hienas a dominância é exercida por uma fêmea
mais agressiva e experiente e os machos da espécie se submetem a
isto! As cenas que se seguem nas referidas páginas são claras em
demonstrar a fúria e o descontentamento da hiena fêmea caolha no
tocante à negociação desastrosa realizada há pouco com os
milicos! Os machos, pai e filho, intimidados são brutalmente
humilhados! Queixoso, o filho reclama ao pai, mas este afirma que é
assim mesmo e que ele em outra oportunidade, ao tentar se contrapor a
sua esposa tomou uma surra inesquecível que o colocou em seu devido
lugar, não restando ao filho ter o mesmo procedimento se não
quisesse ele também ser violentamente espancado pela própria
esposa! É engolir em seco e seguir em frente! Gostei muito das
reações da fêmea! Olhar cheio de raiva lançando perdigotos de sua
bocarra escancarada enquanto vocifera e depois se afastando soltando
fumaça! O marido tenta inicialmente objetar timidamente, mas logo é
calado por um rompante de sua companheira! O sogro ultrajado começa
a falar grosso, mas logo pia fino diante de uma fêmea brutalizada e
iracunda! A expressão de desalento do velho é quase comovente. A
raiva do filho se mostra inócua e despropositada! O velho
sabiamente, orienta o mais novo a aceitar silente, a crua realidade,
goste ele, ou não!
Avanço
/ revelação / ataque /amor / infidelidade / combate:
(p. 66 a 76): Lentamente, os mercenários de Brutal começam a
avançar, se preparando para atacar de surpresa seus inimigos!
Enquanto
isto, no acampamento dos milicos, Potamus sabendo estar tudo pronto
para partir é convocado pelo Cabo para tomar ciência de um
acontecimento inusitado! Neste ínterim, Nero e seu irmão estão
retornando a seu grupo. Durante o trajeto, analisam a situação e
acontecimentos passados, causadores de problemas presentes! Na
paisagem desolada por onde passam, sem que o notem, uma desafortunada
criatura do deserto está servindo de alimento a uma enorme cascavel,
parte do terrível balé de vida e morte a que todos os seres estão
sujeitos só pelo fato de existirem! Então, inesperadamente, os
irmãos são atacados por aqueles que a meu ver eles deveriam antes
ter matado! Aqui vemos como algumas decisões podem ser acertadas, ou
não! A primeira pedrada vinda do alto destroça o crânio do irmão
de Nero! A próxima atinge o ombro de Nero e a motovelox cai ao solo
como um pássaro ferido! O pobre irmão vai de cara no chão,
partindo o pescoço! Dentre os dois, o mais abençoado, pois morreu
sem maiores sofrimentos! Já Nero, todo arrebentado amarga as dores
da queda, osso da perna quebrado, ao mesmo tempo que sobre ele se
projetam as sombras nefastas de seus algozes! Melhor seria para o
felino negro se ele tivesse perecido na queda! Assim, à mercê de
seus impiedosos inimigos, Nero é escarnecido pelo horrendo líder
dos urubus, sedento de vingança e disposto a devorar sem qualquer
sentimento de comiseração, a carne de sua incapacitada vítima! Ao
longe, Lena pressente o pior ao ver a fumaça a se erguer à
distância! Dominada pelo impulso de salvar seu amado Nero ela se
lança à frente, insensível aos apelos de Thay para que não se
afaste! O filhote de Thay segue atrás de Lena, ignorando igualmente
o chamado da tigresa em desespero! A esta, só resta pedir a Lena que
cuide do pequeno tigre! O filhote também não obedece quando Lena o
manda voltar à mãe e ela é forçada a levá-lo consigo. É
bastante significativo pensar que nesta Sociedade fragmentada ainda
restem alguns valores antigos que não foram completamente
destruídos. Refiro-me aos sentimentos de união, preocupação com a
prole, com outrem e o mais forte dos sentimentos – o amor! E onde
os encontramos concentrados? Justamente na tropa felina de Thay e
seus comandados. São todos mercenários, é claro, mas é nesse
grupo que incrivelmente, se corporificam de certa maneira, os sonhos
quiméricos do Cavaleiro Andante! E Jihan? Como a criança, herdeira
deste mundo devastado, se equilibra sem ainda entender, sobre a
violência extrema e aqueles sentimentos a que me referi há pouco!
Prefere seguir a “tia” a ficar com a mãe! Também algo a se
pensar! É acompanhar o desenrolar dos acontecimentos.
Novamente,
temos o contraponto entre a utopia e a dura realidade! Nero ainda
vivo, jaz abatido encarando o sorriso frio da Morte na figura abjeta
do chefe dos urubus, o qual faz questão de explicar em detalhes, o
fim terrível que aguarda o felino abatido e incapaz de defender-se!
Embora xingue fracamente seu oponente, Nero está naturalmente
aterrorizado pela inexorabilidade de seu Destino!
Em
um corte abrupto, vemos a seguir a hórrida carantonha de Potamus.
Cenho cerrado e olhar fixo no cadáver da rata, grotescamente
acomodado dentro de uma caixa! Da boca de Lipídio escapa uma
imprecação e praticamente a identidade do assassino, só o cérebro
lento do cabo e de difícil compreensão, o faz indagar quem é o
culpado daquele acontecimento ultrajante! No diálogo entre o cabo e
Potamus, o primeiro, ingenuamente pensa que o rato realmente gostava
da esposa – ledo engano! - Lipídio então revela sua própria
história de seu casamento fracassado e a solução dantesca por ele
encontrada para lavar sua honra de macho traído! O mais irônico de
tudo é que Lipídio sente pena da rata, apesar de ele mesmo ter sido
no passado, impiedoso com sua esposa! Além disto, o fato do gordo
tentar corrigir a fala do cabo torna a situação toda bastante
tragicômica, no fim das contas! As ordens são diretas a Brutal!
Encontrar eliminar o roedor maldito!
Confronto:
(p. 77 a 96): Esta palavra tem
mais de um significado! Como vimos Jihan preferiu seguir a tia Lena!
Tendo sua atitude contestada pela onça, o filhote até com lógica,
rebate que o perigo será o mesmo, não importando com quem esteja! O
mais sintomático, no entanto, é a bombástica revelação de que
Jihan não gosta da mãe por ser chata, gorda e sem um dos braços!
Estes fatos, representam a visão simplista de uma criança, mas
também a reação de contraposição a genitores, tão comum
na fase da vida pela qual o filhote atravessa! Sem conhecer a vida
pregressa de Jihan e sua mãe, não dá para saber se estes
sentimentos demonstrados pelo filhote de tigre sempre existiram, ou
se surgiram a posteriori à medida que este crescia! Lena não
concorda com o ponto de vista
de Jihan e tenta defender Thay das acusações. Porém, não há
tempo hábil para conversa! Um confronto bem mais visceral vai
acontecer já, com a chegada do babuíno e seus sequazes,
integralmente tomados
pela sede de sangue e morte! Contudo, a gata sarapintada não se
abala e ordena para que o filhote se agarre às costas dela!
Motivados
por uma sanha assassina que a ninguém poupará, os mercenários
atacam, crentes de
que liquidarão sem dificuldade uma única fêmea de onça e um
indefeso filhote de tigre! Não sabem com quem estão lidando!
Velozmente, Lena saca sua pistola automática e cospe fogo! Uma bala
esfacela a cabeça de um dos símios como uma fruta podre! Isto, não
refreia o ímpeto sanguinário dos ferozes atacantes, munidos somente
de primitivas machadinhas de pedra contra uma moderna arma de fogo! É
um embate rico em detalhes! Você pode ver a ação destruidora das
balas mortais da arma de Lena sem rebuços! Uma delas voando para
interior da bocarra aberta de um dos macacos enlouquecidos, causando
inenarrável dano e jogando o crápula na escuridão do esquecimento,
ao ceifar para sempre, sua vida pecaminosa e desapiedada! Tal qual
uma máquina inflexível de matar Lena sem nenhuma pena mata
seus inimigos, destroçando a tiros cabeças e corpos! Ainda assim, a
súcia avança como enxame
enfurecido de vespas, apenas para serem parados pelos consecutivos
disparos da automática da onça! A pintada se movendo como um
ciclone arrasador! Uma força imparável da Natureza, a qual nada e
nem ninguém consegue enfrentar sem sentir as funestas consequências
do atrevimento! Tudo tem limite, porém! A pistola fica sem balas!
Logo, a fêmea e o filhote ficam à mercê da horda descontrolada!
Mas em lugar de temer o fim quase certo, a onça enfurecida se lança
contra seus carrascos, disposta a trucidá-los!
Consegue se apossar de uma
machadinha e de vítima indefesa se torna a nêmeses daquele bando
simiesco, que experimenta o que é morrer da pior e mais
sanguinolenta forma possível! Quase chego a ter pena deles! Uau! Que
carnificina! Doeu em mim quando Lena enfiou uma lança nas partes
baixas de um dos macacos! Não queria estar no lugar dele de jeito
nenhum! E não parou por aí! Os golpes mortais e contundentes
continuaram até restar somente dois aterrorizados símios! Em
desespero de causa, o apavorado líder ordena que o outro
sobrevivente, mesmo mutilado, ataque e mate a adversária felina!
Idiota e insensato! Nada pode fazer, a não ser encontrar seu fim
através de uma marretada brutal que esmigalha a já arrebentada
face! O velho líder suplica pela vida! Por conveniência e
necessidade, a felídea poupa o símio para dele extrair informações
necessárias! Ao filhote, ileso, ao estar agarrado às costas dela,
ordena que liquide quem ainda estiver vivo! Paradoxalmente, manda o
macaco embora, na verdade um subterfúgio para o assassinar pelas
costas! O ser simiesco morreu sem conseguir gritar! A lança
atravessou a nuca e projetou-se pela boca, impedindo-o de proferir um
som! Como Lena pontuou - “não fazemos prisioneiros!” - Há que
notar que Jihan se assustou ao ser incumbido de liquidar os
sobreviventes daquele bando desfeito, mas significativamente voltou
com um sorriso depois de cumprir sua” missão!” Será que o ato
de matar estava ficando natural para ele? Tremo só de pensar!
Abandonando o local do embate, Lena e Jihan correm na tentativa de
salvar Thay do ataque do segundo bando, formado por cães do deserto
e hienas! Chegarão em tempo?!
Acerto
de contas / Combate selvagem (p.96 a 115):
As próximas cenas são intercaladas em subtramas que envolvem vários
personagens estando tudo ligado a um fio condutor! A violência!
O rato é descoberto para a satisfação de Potamus. Ele possui um
senso de Justiça, ainda que deformado! A segunda horda ataca a
tigresa! Impropérios são trocados e a peleja começa bruta, a
crueza impera! As angulações do ponto de vista da própria Morte, a
qual reina soberana! Só quem for mais forte, de fato sobreviverá!
Voltamos a Potamus! O roedor aterrorizado está em suas mãos e não
há desculpas suficientes que o livrem do castigo! Enquanto isto, a
luta desesperada da tigresa pela vida se intensifica! Seus algozes se
avolumam, ameaçando tragá-la! Neste ínterim, uma pesada manopla
pousa no alto da cabeça do rato com a gentileza aparente de um “pai”
benevolente! O roedor copiosamente chora como uma criança pega com a
boca na botija! Uma grossa baba desce pelas comissuras labiais da
pobre criatura! Então aquela mesma mão o ergue do chão como a uma
pluma! Lentamente, a mão pressiona a cabeça do rato com pressão
crescente e o infeliz grita de dor, enquanto a fúria no semblante de
Lipídio aumenta, transformando aquele rosto em uma máscara de ódio
puro! No deserto, o próprio ar ferve! Prossegue a luta da tigresa
por sua vida! Gritos, xingamentos, bufos desconexos são os únicos
sons audíveis nas cercanias! Na sequência, a Maestrina é a Morte e
sua batuta é o alfanje afiado! A cabeça do rato é esmagada como um
ovo pútrido! E enche os ares, um mau odor elevado ao cubo devido aos
esfíncteres anais que afrouxam, derramando matéria fecal nas calças
do roedor que faz o cabo gritar uma observação agoniada, ao ter seu
órgão olfativo agredido pelo cheiro acre! Logo tapa o nariz,
nauseado! Um soldado espantado lembra ter visto esta reação do rato
na guerra…o estertor inevitável do fim! E a sinfonia macabra
continua tocando, à medida que a tigresa arrasa seus inimigos,
derrubando-os a seus pés como se nada representassem! Potamus e os
milicos se vão, abandonando os despojos do roedor às criaturas do
deserto! Na mente do paquiderme ofegante, só há lugar para um copo
de chá bem gelado! Chega a ser ironicamente bucólico!
Ao
mesmo tempo, na amplidão desértica o combate chega a um grau
impressionante de bruteza e carnificina! Sem rodeios, sem
meios-termos ou subterfúgios. Mesmo em desvantagem numérica Thay, a
tigresa faz
um inominável estrago, demolindo os cães e hienas como uma força
Elemental de inimagináveis proporções! Infelizmente para ela, tudo
tem limite e a hiena caolha põe um paradeiro na até então
trajetória vitoriosa da guerreira listrada! Com a força de um
bate-estacas, a hienídea ataca pesado e acaba por lesionar
gravemente e derrotar a valente tigresa! Cada detalhe do combate
insano é desenhado de maneira minuciosa em uma visão de câmera
cinematográfica. A violência, extremada e realista, o sangue aos
borbotões, a dor evidenciada nas contorcidas expressões faciais, o
movimento desconexo dos corpos, as mortes bizarras! É uma verdadeira
explosão de sensações contraditórias! Não há meio termo,
portanto! Esta grande batalha é também uma ode à determinação da
tigresa, a qual não cede nunca, não se rende jamais e vai até ao
limite do impossível, onde um desfecho verdadeiramente bombástico
acontece! Para Lena e Jihan só resta a dor da perda sem ter podido
chegar a tempo para salvar ou morrer! No acampamento dos milicos, p
aparelho sinalizador detecta e o cabo consternado com a inesperada
situação revela o trágico resultado da empreitada dos mercenários
do coronel Brutal! O cruel oficial pouco se importa com aqueles que
enviou naquela missão letal e só pensa de modo frio e calculista na
missão do outro grupo mercenário que ainda resta, a caçar Khan e o
Gatão. Muito legal o enquadramento do último quadrinho da página
115 em que aparecem o coronel Brutal e o cabo: um dos lados do rosto
do coronel em destaque, olhando para seu subordinado que também o
olha desconsolado. Belo jogo de luz e sombra entre o interior da
construção onde os dois estão e a forte luminosidade da parte
externa em ambiente meio desfocado.
Ainda
na página 115, podemos ver o Gatão e Khan seguindo em direção às
ruínas de uma cidade, na qual podem vir a encontrar assistência
médica para o leão ferido. Cada qual mergulhado em seu íntimo,
seus pensamentos expressos em figuras singulares e representantes do
que rola em suas cabeças anseio (uma chuva refrescante) e sensação
(intensa dor nas entranhas) mais prementes. Recurso narrativo que
quebra um pouco a brutalidade realística das cenas de violência
antes mostradas. A paisagem em torno é agressiva e desolada!
Horrores
do deserto/ elucubrações / predar é preciso / viver e morrer na
vastidão:
(p.116
a 142) - Em penosa caminhada, o Gatão e Khan prosseguem. Khan se
sente esmagado pela dor atroz que fervilha em seu interior, em razão
de uma hemorragia interna. O felino cinzento por sua vez, incentiva o
companheiro de lutas e infortúnio a perseverar e seguir em frente!
Como se não bastassem as dificuldades que enfrentam, o deserto é um
lugar cheio de perigos mortais! Khan e o Gatão divisam em seu
caminho um dos insetos mais terríveis daqueles ermos, uma formiga
gigantesca! Felizmente, a criatura parada em posição meditativa,
pode estar em concentração mental ou estar morta e o que ali se vê
pode apenas ser uma casca vazia, segundo diz, o felino tristonho!
Pelo sim e pelo não, o Gatão sugere que se afastem sem incomodar o
feioso artrópode! E é claro que eles logo se retiram dali! O leão
se arrepende de não ter ido atrás do médico desde o início e as
dores internas confirmam esta constatação da pior maneira! O Gatão
volta a incentivar que sigam adiante. Por iniciativa de Khan, a
conversa então descamba para uma reflexão do que aconteceu com o
mundo! O felino macambúzio começa a discorrer sobre as causas que
levaram ao caos quase total! Uma explanação que envolve Sociologia,
Economia, Política, jogo de Poder e interesses dos que regem os
Destinos do planeta! Mas qual! Khan não tem paciência e cabedal
para discutir tais assuntos e o prosaico som de sua flatulência joga
um balde de água fria em qualquer papo embasado que pudesse ter
surgido entre os dois caminhantes! Um é filosófico e o outro é
mundano! De novo a sombra do Cavaleiro
Andante e suas palavras se
manifestam! Vívidas,
mas inúteis, dispersas
simplesmente por um peido!
Falando
nele, eis que o cavaleiro ressurge em um canto qualquer da grande
vastidão! Sua voz a clamar em uma cantilena sem fim! O pobre
escudeiro a escutar, olhando mesmerizado, mas sem nada compreender!
Em torno, macabras e silenciosas figuras! Alegorias funestas das
mazelas deste mundo! Seres inexpressivos, sem irradiar o calor da
Vida, como a esperar pacientemente a extinção de toda e qualquer
esperança de dias melhores! O cavaleiro não parece notar, preso que
está a suas quixotescas quimeras! Inquebrantáveis grilhões!
Simulacros de uma falsa Liberdade! Caindo abruptamente das nuvens,
damos de cara com os mabecos e um estranho bovino mascarado! À chula
e abrutalhada linguagem dos canídeos, acrescenta-se o comportamento
alucinado! Uma sede sanguinária engolfa seus espíritos apodrecidos!
No intuito de redobrar a coragem ficam a matraquear impropriedades e
bravatas! De repente, o poderoso olfato de um dos cães percebe a
proximidade de suas presas! Que comece a caçada!
Khan
está no seu limite! O Gatão terá de deixá-lo à espera e buscar o
médico lá na cidade! Porém, a coisa muda de figura com a chegada
dos cães selvagens e do silencioso bovino de um olho só! Nada mais
resta a Zé Gatão do que combater sozinho, os recém-chegados! O
bravateiro líder do bando, recebe o felino com sarcasmo e acordos
cinicamente impostos, tipo:
molhe o nosso bico e pode ir se foder onde bem entender! -
O Gatão se conserva calado ante ao vomitório verbal do
preconceituoso e debochado mabeco! Um fodão
entre
os fodões
com uma enorme lista de mortes nas costas! Assim, após se apresentar
como uma espécie de Cavaleiro
do Apocalipse,
o indivíduo lança um golpe veloz de facão contra seu oponente! Só
que ele não está lutando contra um amador, ou atacando as tantas
criaturas infelizes que já assassinou facilmente, no passado! Uma
rápida e brutal joelhada na barriga, demonstra a ele e a seus
acólitos que não estão lidando com uma frágil vítima do Destino!
Pelo contrário! Incapaz de se defender, o sujeitinho é brutalmente
espancado! Com muito custo, seus asseclas saem de seu espantado
imobilismo, se precipitando violentamente contra o Gatão! O combate
é seco, brutal! Com a fúria de um vendaval, Zé Gatão varre seus
inimigos como se fossem fardos de palha em meio à tempestade
inclemente! A força e agilidade do felino cinzento causa profundos
estragos nas fileiras inimigas! Nunca vi criaturas que apanhassem
tanto quanto estas! Não queria estar no lugar delas! Não, senhor! O
Gatão bate pesado, desvia dos ataques e usa os adversários como
arma! Nada nem ninguém consegue detê-lo! Acho que nunca vi o felino
lutar com tanta fúria e eficiência tão destruidoras! Azar dos
pobres canídeos cujos os ossos da carcaça são quebrados como meros
palitos! O sangue corre solto das feridas abertas, saldo da desmedida
violência!
O
bovino em sua sanha irracional acaba atingindo um dos seus próprios
companheiros, por engano! Como o ser bestial que é, arranca a clava
improvisada cheia de pregos do couro do derreado mabeco, trazendo em
suas afiadas pontas uma mistura amorfa de carne e sangue! O bovino
empunha sua clava e ataca com a ferocidade de um estouro de manada,
mas a agilidade do Gatão o faz errar todos os golpes! O problema é
que o felino acinzentado não fica só na esquiva! Um brutal soco na
pança, arranca das entranhas do bovino um profundo gemido de dor!
Outro no plexo solar o faz expelir um mugido agônico, enquanto seu
único olho visível se arregala, denotando um sofrimento acima dos
parâmetros suportáveis! E por fim, três murros sequenciais nas
fuças, devido a força descomunal da pancada arranca da órbita o
dito olho e arremessa duramente ao solo aquele traste desconjuntado!
Após constatar que o estado de Khan piorou a olhos vistos, Zé Gatão
parte em sua missão salvadora! Ao mesmo tempo, o cabo descobre por
meio de seu equipamento que os mabecos fracassaram e foram
destroçados pelo “lince!” O decepcionado coronel fica a
praguejar e a mau digerir sua fragorosa derrota!
Sem
prisioneiros / sob o domínio do caos / conta pendente / viver é
preciso:
(p.
143 a 155): Lena chega ao último campo de batalha e elimina os
mabecos ainda vivos a golpes de lança. Age fria e metodicamente, de
acordo com sua premissa de “não fazer prisioneiros”. O filhote
pensa que foi o leão, mas ela replica que não foi o Khan que
derrotou aquela corja. O responsável foi o Gatão! Khan como é
notório, “não deixaria sobreviventes!” Zé Gatão chega à
cidade arruinada e não só em suas construções, mas também é
evidente esta ruína no comportamento de seus habitantes, onde impera
o caos extremo!! Não há nada mais que violência,
instintos
carnais,
ganância,
descaso
pela Vida e o horror
corpóreo
da Morte em suas várias formas! Livre para se propagar como uma
pestilência crescente e indomável! A mesma que tira vidas com a
mesma facilidade que uma criança come doces! Ao perguntar pelo
doutor, o Gatão descobre que aquele médico com quem contava já não
mais existe! Morto estupidamente por vagabundos em busca de drogas!
Simples assim!
O
Gatão parte, sem escutar os apelos da rata gorducha que lhe pede
dinheiro para os filhotes e proteção contra uns cães ladravazes! O
felino ignora! Afinal o tempo dos heróis
já
passou, se é que algum dia existiu! Cego e surdo às concupiscências
que o rodeiam e o conclamam a receber deliciado o abraço
quimérico
das falsas
ilusões
da Existência, o felino se vai rapidamente sem olhar para trás! Que
os habitantes daquela pecaminosa urbe permaneçam entregues a seus
prazeres e a suas dores! Ele não será parte daquilo! A amplidão
desértica é preferível a ficar eternamente atolado em um lodaçal
putrefato que é aquele antro de condenados Neste meio tempo, o
debilitado organismo de Khan não suporta mais e nada pode ser feito!
Ele morre atrozmente, engasgado no próprio sangue! Não sem antes
revelar o amor que sempre sentiu por Lena, para o espanto da bela
onça! Tudo na vida tem seu preço e chegou a hora de uns e outros
pagá-lo! Refiro-me ao coronel Brutal e a Lipídio Potamus! Brutal
dominado pela megalomania e descaso às consequências de seus atos é
confrontado por Potamus que descobriu todos maus
feitos
do canídeo! Surpreendido, este tentou inutilmente negar! Potamus não
era nenhum idiota, além de que também ele recebia os dados do
satélite, sendo informado tudo que acontecia, da mesma maneira que o
coronel! Não há mais lugar para palavras vãs! Começa uma luta
encarniçada entre o paquidérmico titã e o militar canino. Com a
destreza de anos de treinamento, o coronel Brutal tenta sacar sua
arma. O consegue, mas é agarrado e imediatamente prensado à mesa
por um Potamus enlouquecido de furor, o qual envolve o pescoço do
adversário com suas mãos imensas! Vai apertando até que a língua
do coronel se projete boca à fora! Sentindo o desespero da falta de
ar crescente, o militar consegue a custo erguer a pistola e disparar
dois balaços na enorme pança de Lipídio Potamus! O paquiderme urra
de dor e em esforço hercúleo empurra violentamente a cabeça de
Brutal para baixo, quebrando-lhe com um estalo macabro o pescoço
taurino! Repentinamente chega o cabo e ao ver seu líder morto e
quebrado como o ídolo de barro que sempre foi, nada mais ouve! O
pedido de ajuda e as palavras de advertência de Potamus encontram
ouvidos surdos à razão! O último ato da “fidelidade canina” do
cabo é a execução incondicional de Potamus com um tiro certeiro
que arrebenta sua cabeçorra como se fosse um grande melão
recém-comprado em uma frutaria! Os tiros atraem o resto da tropa que
supõe ser talvez, um ataque de insetos do deserto! E na vastidão
deste deserto se encontram Lena, o filhote e Zé Gatão, o qual toma
conhecimento do falecimento do velho leão. O Gatão ajuda a onça a
terminar de enterrar o morto e na posterior conversa Lena revela
fatos que acabam com qualquer desconfiança que ela pudesse vir a ter
em relação ao felino cinzento. O verdadeiro mandante do ataque dos
mercenários foi descoberto! Lena jura caçá-lo e matá-lo, mas os
perigos do deserto não dão trégua e o bafo quente do Siroco que se
aproxima acena, convidando-os a morrer calcinados pela ventania
letal! Por sorte, não muito longe, no caminho para “aquela
cidade”, Zé Gatão passou pelos destroços de uma nave! Sem mais
delongas, tomou o filhote de Thay nos braços e junto com a onça
correu para a segurança
relativa
do aparelho caído. Ele advertiu que o local poderia ser um ninho de
insetos, mas era melhor correr o risco do que certamente perecer
calcinados do lado de fora!
Soberana
Morte: (p. 156 a 166):
Dentro da nave sinistrada, Zé Gatão e Lena são envolvidos por um
miasma quase insuportável, a emanar de aranhas monstruosas envoltas
nos filamentos disformes de suas teias gosmentas, as bizarras
criaturas reclinadas sobre seu repasto, o cadáver de um animal em
decomposição para horror dos felinos, ao se deparar com o dantesco!
Ao mesmo tempo, o vento fervente do deserto, conhecido como Siroco
faz suas vítimas na cidade, onde imperam o hedonismo e o impulso
carnal! Bailam juntas a luta
visceral pela Vida
e a Morte
que a tudo elimina!
Zé Gatão e Lena enfrentam a segunda
com a força de seus punhos e os habitantes da cidade são apenas
varridos perdendo a primeira
sem
ter ou saber como reagir ante a passagem do vento mortal e devorador!
Nas entranhas da nave decaída, onça e mestiço de lince suplantam e
liquidam as aranhas! Lá fora, um impessoal fenômeno da Natureza
destrói uma cidade inteira! Entrementes, no acampamento dos
militares, ao cabo fiel é anunciada sua sentença! Justiça seja
feita ao sentenciado por sua integridade de caráter, ao declarar
fidelidade eterna ao falecido coronel Brutal! Um cão que aos olhos
de seu subordinado foi um combatente digno! Um herói por quem vale a
pena morrer! Assim surgem os mitos e os mártires! Não que os
poderosos se importem, como bem pontuou o major! Quem
tem tira e quem não tem, a vida perde! - Estas
palavras resumem as palavras do Cavaleiro
Andante!
Agora mais do que nunca vencido! Tendo os olhos apenas para chorar, a
boca para se lamuriar, tendo como ouvinte o pobre e silencioso o
Escudeiro
que
nada
tem,
nada
sabe
e nada
é,
senão a sombra de uma sombra, enquanto seu esquálido Mestre
cercado
por cactos espinhentos fala de heróis
envelhecidos
e tombados no pó
do esquecimento!
Concomitantemente, no interior da nave destroçada, Lena desperta de
um pesadelo fatídico! Quem sabe profético? O que é mais terrível,
afinal? Sonho ou realidade? Quem sabe os dois?! No mundo caótico do
Presente, apesar de sua tragédia pessoal, Lena ainda tem esperança
e
convida o felino cinza a acompanhá-la com o filhote de tigre a quem
sabe, um recomeço? No entanto, Zé Gatão, o solitário
contumaz
prefere seguir seu próprio caminho!
Retribuição
/ Tudo se vai…quimeras ficam:
(p. 166 a 172): A Existência é cheia de casualidades e é uma delas
que conduz os urubus a voar sobre a área
errada
em hora
ainda
mais errada!
O que leva o líder dos carniceiros e a outro comparsa a provar o
gosto sanguinolento de uma lança que os vara ao mesmo tempo,
arremessada pela mão certeira de uma onça vingadora, para o
incontestável deleite do filhote de tigre! Os alados atingidos
mortalmente despencam do céu como pedras e suas carcaças brevemente
apodrecidas servirão de pasto às criaturas do areal sem fim! Mais
uma etapa se encerra e mesmo neste mundo de horrores, violência e
brutalidade sem conta, há lugar para um bom
conselho
e umas poucas palavras de ternura
e
sentimentos agradáveis!
Então, Lena, o filhote e Zé Gatão se afastam lentamente…sempre
seguidos pela figura da Morte
em suas mais hediondas
formas!
Cientes, portanto, o quão efêmera
e fugaz
é a Vida!
Extras
(p. 174 a 203):
Desenhar não é tarefa fácil! Além do enredo de sua autoria
propriamente dito, o Artista precisa elaborar cada e todos os
personagens participantes na saga, desenvolver o cenário onde vai se
desenrolar a história através de estudos, enquadramento, movimento
e criação de cenas que nem sempre vão aparecer no trabalho final,
ou vão sofrer alterações para torná-las mais adequadas a
determinadas situações. É desta forma que nasce e se desenvolve a
obra de um Quadrinista que como o Edu Schloesser, valoriza sua Arte
como contador de histórias e sagas, trabalhando com esmero e
dedicação crescentes! Meus parabéns, velho amigo!