domingo, 20 de outubro de 2019
VINTE CANÇÕES QUE ME MARCARAM.
Vinte. Dez seria muito pouco. Vinte músicas que me embalaram através destes meus muitos poucos anos. E ainda é pouquíssimo para falar das melodias que até hoje são marcantes em minha vida. Mas não vamos abrir demais o leque, senão ficamos uma eternidade aqui falando só deste assunto.
Os dias tem passado rápido demais, parece que foi ontem que escrevi aqui sobre alguns filmes que me tocaram....na verdade ainda é um mistério para mim o porque de eu continuar a escrever e registrar essas memórias. Tudo me parece efêmero, ínfimo. Perda de tempo, pois ninguém liga, afinal, quase não recebo retorno. Mas, sei lá, há uma força interior que me obriga a continuar apesar de todos os pesares.
Já tem tempo que não posto uma arte aqui, não é? Pois sim, apesar de não ter nada a ver com o tema, deixo este desenho feito para um dos tantos clássicos do Machado de Assis que ilustrei.
Mas vamos às músicas:
1 O MILIONÁRIO ( Os Incríveis ) - Foi nos fins doas anos 70 que esta música invadiu os meus ouvidos e envolveu a minha alma. Não saberia dizer, como todas as outras que citarei aqui, qual foi a primeira vez que ouvi, mas deve ter sido numa das tantas casas que minha avó frequentava e que tinham rádio sintonizados nos programas populares da época. O que dizer do solo de guitarra? Da linha de contrabaixo que dá um balanço singular à canção que já não tenha sido dito? Essa é pra eternidade.
2 I STARTED A JOKE ( Bee Gees ) - Talvez a mais famosa canção do trio americano - que, aliás, é fabuloso (no período Disco, eles caíram demais pra mim) - Tocada demais nas rádios no início dos anos 70. Até hoje aquelas notas sensíveis me enternecem.
3 MY LOVE ( Paul MacCartney ) - Eu nem imaginava que o Paul tinha sido dos Beatles quando ouvi esta canção pela primeira vez. Foi anunciada pelo Silvio Santos num programa de "As 10 Mais" que ele tinha, se não me engano, na rádio nacional. Grande melodia!
4 MEDO DA CHUVA ( Raul Seixas ) - Eu tenho uma relação de amor e ódio com Raul Seixas, eu comprei o compacto "Gita" que tinha "Não Pare Na Pista" no lado B e ouvi até quase o disco furar. Mas cito aqui Medo Da Chuva por lembrar de uma das tantas vezes que a ouvi, com o rádio baixinho embaixo do meu travesseiro nas noites eternas do frio paulista nos idos de 74. Naquela época nunca entendi a letra. Só depois de muitos anos é que me dei conta que falava das intempéries da união conjugal, acho que é uma letra típica do Paulo Coelho. Pensei em citar "Trem Das Sete", mas acho que a melodia de MEDO fala mais ao meu coração.
5 FLORES ASTRAIS (Secos e Molhados) - Outra de 1974. Penso que foi a primeira vez que imaginei meu espírito viajando pelo universo ao ouvir uma música, por isto não dá pra esquecer. Ouço sempre que posso.
6 LEMBRANÇAS (Odair José) - O grande Odair teve a coragem de falar sobre a pílula anticoncepcional e sobre o cara que quer tirar uma puta da rua e dar-lhe uma vida decente e esses temas popularescos lhe deram grande sucesso. Mas ele teve momentos bem intimistas como essa terna "Lembranças", também de 1974. A base musical teve a participação do grupo Azymuth e do Hyldon. Na verdade todas as canções deste ano meio que me ajudaram a atravessar uma fase difícil (e qual foi fácil?).
7 ALEGRIA, ALEGRIA ( Caetano Veloso ) - Outra impossível ficar indiferente embora eu ache o compositor um saco. Mas ele criou algumas obras memoráveis ao longo de sua carreira.
8 BANDA DA ILUSÃO ( Ronie Von ) - Tenho forte identificação com esta música. Ela cala fundo na alma. Embora seja uma letra muito deprê há uma mensagem de esperança, não de luz no fim do túnel, mas incita você a procurar a tal luz.
9 OVELHA NEGRA ( Rita Lee ) - Melhor música da Rita, ao lado de "Jardins da Babilonia". Quando estourou nas paradas eu já estava morando em Brasília, na SQN 104. Todas as cores daqueles dias retornam vivas ao ouvir este clássico.
10 HEY JUDE ( Beatles ) - Claro que Beatles não poderia ficar de fora, pra dizer a verdade quase todas as músicas de todos os discos são significativas, mas eu destaco Hey Jude por ter sido, talvez, a primeira música que ouvi do Fab Four nos fins dos anos 60 sem nem mesmo saber que esta banda existia. Dispensa mais comentários.
11 NO RANCHO FUNDO ( Lamartine Babo e Ary Barroso ) - Música pungente e tenho muita afinidade com o personagem retratado na letra. A poesia de Lamartine Babo não poderia ficar de fora e eu estava entre esta e a "Serra Da Boa Esperança". Citei-a em uma HQ de lendas folclóricas brasileiras (ainda inédita). Lamentavelmente uma peça tão bonita foi assassinada por uma horrível dupla sertaneja no final dos anos 80.
12 #9 DREAM ( John Lennon ) - Letra viajandona mas com um lirismo que só a poesia de Lennon era capaz de transmitir; e os arranjos, então? A segunda metade dos anos 70, Beatles e ex Beatles me aconpanharam diuturnamente.
13 PHOTOGRAPH ( Ringo Star ) - O baterista dos Beatles em co-autoria com George Harrison criou esta pérola de canção que até hoje ouço com reverência. Eram os dias em que eu estava prestes a ir para o Rio de Janeiro.
14 SPREAD YOUR WINGGS ( Queen ) - Abordar o Queen sem ser uma canção do Mercury ou do Brian May? Sim, esta é do baixista John Deacon e pra mim a melhor do álbum News Of The World.
15 BILLIE JEAN ( Michael Jackson ) - Esse batidão marcou presença em um importante momento de transição na minha vida, na mesma época eu ouvia "The day Before You Came", o canto de cisne do ABBA. Michael viria a ser o "grande" (não para mim) nos anos vindouros, mas Billie Jean é uma obra única.
17 SHOUT ( Tears For Fears ) - Uma época em que uma nova luz surgiu na vida, certa independência, ficando, talvez, mais adulto. Responsabilidades, estudos e trabalho. Eu era envolto por "Bye, Bye Love" do Cars, "In Your Park" do Scorpions, "Love Ain´t No Stranger" do Whitesnake.
"Shout" falou muito comigo nestes tempos. Pra mim não envelheceu nada.
18 ALONE ( Heart ) - Baladão de 87, eu vivia um momento legal na vida, foi como aquele momento de calmaria que precedia uma grande tempestade. Foi como se eu estivesse sedento e sonhasse que bebia e acordasse com mais sede ainda.
19 LOVE ON THE AIR ( David Gilmour ) - Faixa do segundo álbum solo do guitarrista do Pink Floyd. Álbum este muito subestimado, na minha opinião. Neste tempo eu já começava a perceber que sonhos são sonhos, os que sonhamos acordados são os mais cruéis, pois mentimos a nós mesmos, pior, mentem para nós e acreditamos. Love on the Air tem uma frase que diz numa tradução livre: "Ninguém vai me controlar a partir da minha dor". Tomei isto como meta, mas fracassei como provariam os anos que viriam depois.
20 QUANDO ( Roberto Carlos ) - Claro que o Roberto (de rei ele não tem nada) possui canções fantásticas de 77 para trás, mas "Quando" é o que melhor traduz como me senti ao final de um relacionamento.
*********************************************************************************
BONUS TRACK
Para finalizar, quero registrar mais duas: "Acrilic On Canvas" da Legião Urbana, que ouvi muito na casa da Verônica em 95 e "Our Shangri-La" do Mark Knopfler, depois de me mudar para o Nordeste, voltei a Brasília para visitar a família e ouvir esta música do fantástico guitarrista, hoje, me transporto às noites frias de 2004.
É isso, amadas e amados.
Na próxima postagem, se tudo correr bem, falarei sobre algumas séries de televisão que tiveram destaques em minha vida.
Até lá, se Deus quiser!.
domingo, 13 de outubro de 2019
DEZ FILMES QUE ME MARCARAM
O Facebook tem umas coisas interessantes, as vezes sou convocado a participar de umas brincadeiras como postar filmes, gibis, livros, artes preferidos e tal. Gosto disso, embora o tempo exíguo não me permita devaneios longos, tudo ali é muito volátil, mas é legal ler os comentários e impressões dos outros, além de ver e saber o que os desafiadores gostam também.
Eu resolvi fazer minhas listas aqui no blog, como vocês já perceberam pelas duas últimas postagens. Hoje o tema é com os filmes que me impactaram. Esses filmes não são necessariamente os melhores ou que fazem parte do meu top 10, mas em algum momento de minha vida eles me marcaram, fosse porque o filme realmente era mesmo tão bom que ficou gravado em mim ou porque o momento em que vi foi importante e o filme só foi acidental.
Mas claro, opto por falar só daqueles que gostei; por exemplo, assisti com primeira namorada "Os Embalos de Sábado a Noite", com o John Travolta, marcou por eu estar ao lado de uma pessoa importante, mas eu acho o filme uma merda.
Bem, vamos a eles:
OS DEZ MANDAMENTOS - filmaço! Embora o meu preferido seja Ben Hur (esse, sim, está no meu top 10).
Minha mãe me levou para assisti-lo no Cine Comodoro. Entramos a tarde e saímos a noite, a fita tinha quase quatro horas de duração, havia um intervalo no meio. Impossível esquecer. Diálogos, cores, efeitos, atuações. Repito: filmaço!
O PLANETA DOS MACACOS - Assisti em uma sala em São Paulo, talvez em 73 ou 74, que passava dois filmes (nem lembro qual era o outro), e depois revi diversas vezes na tv, VHS e DVD. As sequências, séries e reboots embora não me desagradem, não se comparam a este clássico! Que agonia! Que final impactante!
A NOVA VIAGEM DE SIMBAD - título original: The Golden Voyage of Sinbad. O segundo do mestre Ray Harryhausen. Foi em 74. Fã de filmes de fantasia (não é atoa que criei um universo antropomorfo em quadrinhos) e figuras mitológicas, esse filme me agarrou e até hoje me causa enlevo. Devo tê-lo assistido umas dezenas de vezes em todos os cinemas do centrão de São Paulo, por onde ele passou.
O LUTADOR DE RUA - sou fã do Charles Bronson (esse sim, personificou o cara durão nos cinemas!) e Hard Times - no original - é um dos melhores protagonizado por ele. Difícil apontar o melhor do Bronson da década de 70, mas acho que esse se destaca - além da excelente história - por mostrá-lo em grande forma mesmo com mais de 50 anos.
LIBERDADE CONDICIONAL - grande filme um tanto obscuro com uma atuação impecável de Dustin Hoffman! Filme de bandido, mas que ficamos torcendo por ele. Sem tons de cinza, o cara não vale porra nenhuma, ele é o que é, faz o que faz porque quer fazer. O cinema americano até o final dos anos 70 era mais realista, com finais trágicos, propunham reflexões; muito disso morreu com a chegada de blockbusters estilo Star Wars e coisas do tipo. Assisti algumas vezes no Rio de Janeiro com a namorada. Depois em VHS nos anos 80. Depois nunca mais ouvi falar dele.
BRUCE LEE NO JOGO DA MORTE - ok, esse não é de fato o filme idealizado pelo mestre das artes marciais. Ele morreu jovem, no auge da carreira e deixou takes de várias cenas do que seria o Game Of Dead, sua película pós Operação Dragão. Eu já havia visto tudo do Lee dezenas de vezes, a notícia de que completariam o filme inacabado foi algo que ansiei por muito tempo. Claro que ele tem muitos problemas, afinal tiveram que usar um dublê (coreano, soube depois) com o rosto parecido e que usava óculos escuros em cenas meio às sombras quase o tempo todo. O estilo de luta emulando a técnica de Lee ficava muito devendo à graça do original, contudo, não fazia feio. Mas o filme crescia mesmo quando o verdadeiro aparecia em tela com seu macacão amarelo e seus socos e chutes ultra rápidos. No todo o filme virou um clássico para mim, com uma história convincente apesar de saber que só os minutos finais eram com Bruce Lee. Assisti com a namorada no Rio, com minha mãe em São Paulo e amigos em Brasília. Vi, revi e ainda assisto cenas no youtube (meu aparelho de DVD foi pras picas faz tempo).
A LARANJA MECÂNICA - outro que faz parte do meu top 10. Claro que este eu só assisti no começo da década de 80 quando foi liberado pela censura militar, ainda tinha aquela bolinha preta na genitália dos personagens. Assisti todas as vezes que a oportunidade se apresentou. É Kubrick com uma fodástica atuação de Malcom MacDowell e música hipnótica. Uma viagem cheia de violência estilizada. Apesar de criatura execrável, nos apegamos ao protagonista.
CONAN, O BÁRBARO - este não podia ficar de fora. Fã do Arnold desde muitos anos antes e fã de Conan; o melhor de dois mundos para mim. Quando o filme chegou às telas eu fiquei extasiado com as cenas de truculência e a música envolvente que preenchia os imensos momentos de poesia visual. Penso que dificilmente conseguirão fazer algo com o personagem tão bom como o que fizeram nesta fita. Como é sabido pelos que me seguem neste blog desde que ele começou, meus anos no Rio de Janeiro foram marcados por muitas desditas e este filme foi um companheiro de jornada.
MAD MAX 2 - gosto de todos da franquia, o 3 é mais fraco e o último peca pela mudança do ator (pô, Mel Gibson é o Max!) e empoderamento feminino, embora as cenas de ação sejam de tirar o fôlego. Meu preferido é o primeiro da série. Mas é no segundo que George Miller consegue marcar o personagem, foi muito imitado, inclusive por mim. É um tanto piegas mas as cenas de ação são lendárias. Fabuloso!
Semana que vem, mais uma lista.
Até lá!
sábado, 5 de outubro de 2019
DEZ DISCOS QUE ME MARCARAM.
A música fez parte da minha vida desde sempre. Lembro de minha mãe cantar algumas canções para mim quando eu era bem tenro (uma que recordo bem era "Cantiga por Luciana" na voz da Evinha do Trio Esperança) e, claro, as músicas sertanejas raiz, no rádio da minha avó. Mas alguns discos tem lugar especial em minha vida pelo que representaram em determinado momento. São muitos, evidentemente, mas para não delongar demais, fiz a seleção de dez. Vamos a eles?
SELVA DE PEDRA (internacional) de 1972
Nem vou falar a respeito da novela, isso não interessa, mas as canções...ah, impossível ficar indiferente! Evidentemente o que puxou o disco foi o tema do casal protagonista, a melosa "Rock and Roll Lullaby" interpretada pelo B J Thomas (não é a melhor canção na voz dele, na minha opinião, prefiro "Songs", também tema de uma outra novela que agora não lembro qual). Deste LP eu destacaria "Jesus" do Billbox Group, "Floy Joy" com The Supremes e "Ain´t No Sunshine" do Jackson Five. Mas todas as canções são boas.
Não tínhamos vitrola em casa, para ouvir o vinil eu marcava ponto em uma loja de discos que ficava no caminho para a escola, tocavam diuturnamente e quando não o faziam eu pedia ao cara do balcão a gentileza de rodar a bolacha. Eu devia ser um molequinho bem chato. Ouvindo aquelas melodias eu me transportava para uma outra dimensão bem menos dolorosa do que aquela em que eu vivia.
SECOS E MOLHADOS (1973)
Dá pra sacar porque uma banda de mascarados chama tanto a atenção dos jovens: sugere mistério, aventura, quadrinhos e coisas tais. Vide o sucesso do KISS (que conta com músicas bem legais) e Slipknot (odeio).
A capa era algo ousado e a música deste conjunto, que misturava rock com vários ritmos se tornou uma febre no Brasil e eu não fiquei de fora. Nunca tive o LP, também ouvia nas lojas de disco. Eu gostava da primeira à última faixa.
BEATLES - PLEASE, PLEASE ME (o disco é do ano do meu nascimento - 62 - mas eu só fui conhecer em 1976)
Não foi o primeiro disco do quarteto de Liverpool que ouvi integralmente (o primeiro mesmo foi o Rubber Soul, na casa de um amigo), mas Please, Please Me foi o primeiro que comprei e ouvi até desgastar a agulha. Ele também embalou bons momentos que passei com a primeira namorada.
QUEEN - A DAY AT THE RACES (1976)
Quem me apresentou ao Queen foi um amigo chamado Hélio, que era uma verdadeira enciclopédia musical, em 1977. O primeiro disco que ouvi foi o News Of The World puxado pela famosíssima "We Are The Champions", mas o meu preferido da banda é o A Day At The Races, melhor inclusive que o lendário A Night At The Ópera.
Eu gostava de ouvir sozinho, no escuro.
GEORGE HARRISON - ALL THINGS MUST PASS
O álbum triplo do assim conhecido beatle discreto é um dos mais importantes da história do Rock e não é por acaso. Todas as faixas são excelentes, difícil destacar qual é a melhor.
Foi muito marcante em minha vida no final dos anos 70. Eu nunca tive dinheiro para comprar a caixa com as três bolachas, tinha as canções gravadas em fitas cassete.
PINK FLYOD - WISH YOU WERE HERE (1975)
Todos gostam do Dark Side Of The Moon mas o meu preferido é o Wish You....penso que este dispensa comentários.
DIRE STRAITS - MAKING MOVIES (1980)
Eu já era fã do Mark Knopfler desde o disco de estreia, mas o que me ligou a este álbum em particular foi a afair que tive com uma menina que estudava comigo no Colégio Casanova no Rio de Janeiro. Eu ouvia a faixa "Romeo and Juliet" num disco que reunia vários sucessos (inclusive a música estava cortada e eu não sabia). A tal menina, cujo o nome eu nem me recordo mais, sumiu. Sumiu da escola, da casa dela e virou caso de polícia. Foi encontrada semanas depois, me parece; apenas havia fugido de casa.
O LP eu comprei em 85 e "Tunnel Of Love" pra mim é uma das melhores baladas de todos os tempos.
HEART (1985)
Eu já conhecia o Heart por causa de "Barracuda", um rockão bacanudo que ouvi não lembro mais onde em 1977. A faixa "If Looks Could Kill" tocava na tv em um comercial de cigarro. Hard Rock fodaço intercalando com baladas bem maneiras.
1986 e 1987 foram anos bons para mim, e este disco fazia o pano de fundo.
SCORPIONS - FLY TO THE RAIMBOW (1974)
Uma pena que o guitarrista Uli Roth, foi substituído pelo Mathias Jabbs, acho ambos bons, mas o Roth sempre me pareceu muito mais inventivo e cheio de energia. Este segundo álbum da banda é o melhor de todos, na minha opinião. O Scorpions que me foi apresentado pelo meu irmão André, que sempre foi chegado num metal; Os escorpiões me acompanharam boa parte dos anos 80.
RUSH - HOLD YOUR FIRE (1987)
Eu achava o Rush legal, mas não fazia muito a minha cabeça, o vocal do Geddy Lee me soava estridente demais e aquelas roupas um tanto cafonas. Ouvi "Close To The Heart" em programas que passavam vídeo clips (muito antes da MTV) e o batera Neil Peart já me chamava a atenção. Mas foi com o Hold Your Fire que eu fiquei fisgado por esta banda canadense.
Ao contrário da maior parte dos fãs, eu curto mais a fase dos anos 80 com teclados e sintetizadores.
Cabe aqui uma menção honrosa para o THE CARS (1978) e o QUENSRYCHE - OPERATION MIND CRIME (1988).
Na próxima semana, dez filmes que assisto sempre que posso. Até lá, se Deus quiser.
domingo, 29 de setembro de 2019
LIVROS QUE ME MARCARAM.
Hoje resolvi comentar um pouco sobre alguns livros que fizeram (e fazem) parte da minha vida. Elenquei 10 para ficar um número redondo. Evidentemente centenas de livros me tocaram, alguns eu li várias vezes, outros nem tenho mais no meu acervo, mas estão guardados na minha alma como a recordação de velhos amigos nunca mais vistos porém sempre lembrados. Mas conversar sobre todos ficaria longa a postagem e o tempo tem sido o meu pior adversário.
Vamos a eles, então, não por ordem de importância ou data (se bem que a maioria exerceu forte importância na minha vida na juventude).
1 - OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO de Érico Veríssimo. Na verdade nunca tive este livro, foi-me emprestado pelo meu old pal, Luca. Eu era um adolescente de uns 15 anos e as descrições das situações de vida de Ângelo, o protagonista, ficaram entalhadas no meu coração, a identificação, sob muitos aspectos, foi imediata.
2 - HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS de Edgar Allan Poe. Conheci o Poe primeiro nos quadrinhos sem saber que era o Poe. Até que nos fins dos anos 70 me caiu nas mãos uma edição que compilava seus contos mais famosos. A Queda da Casa de Usher, O Gato Preto, Os Crimes da Rua Morgue, O Poço e o Pêndulo e outros.....foi na veia, viciado na hora. Dispensa maiores comentários.
3 - DOIDINHO de José Lins do Rego. Eu estava no Largo da Carioca no Rio de Janeiro e passava por um sebo (sempre fui frequentador de sebos) e procurava algo para ler; o livro, bem baratinho, puído nas quatro bordas, com páginas amareladas foi meu companheiro por um tempo, eu lia e relia as desventuras do menino do engenho agora numa escola de padres; minha inadequação ao ambiente em que eu vivia me transpunha para as situações tristes do protagonista.
4 - MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS de Machado de Assis. Pra mim o melhor livro do Machado, um dos melhores de todos os tempos. Irônico, envolvente sem o amargor de um Dom Casmurro, por exemplo. Indispensável!
5 - MADAME BOVARY de Gustave Flaubert. Tenciono reler este livro mas a oportunidade não se apresenta. Impossível ficar indiferente a ele, principalmente a segunda metade do tomo. Ema te envolve de tal forma que as páginas vão sendo devoradas até o dramático desfecho. Eu o li em Paty do Alferes durante a ligação que tive com a mãe da minha filha.
6 - MEU PÉ DE LARANJA LIMA de José Mauro de Vasconcelos. Outro da infância que me partia o coração e mesmo na entrada da vida adulta extraía lágrimas dos meus olhos. Esqueça as adaptações para a tv, leiam o livro.
7 - SHERLOCK HOLMES - UM ESTUDO EM VERMELHO de Conan Doyle. O primeiro da série do famoso detetive britânico. Neste volume do Círculo do Livro - do qual fiz parte por muito tempo - vinha também o excelente O SIGNO DOS QUATRO. Li tudo do Holmes escrito por Doyle, mas este eu reli diversas vezes e nunca me canso.
8 - MUSASHI de Eiji Youshikawa. Esse eu li (os dois grandes volumes) indicado pelo Marcelo Fontana, um querido amigo que nunca mais vi e por quem tenho uma imensa dívida de gratidão. Tem que ter tempo e disposição para absorver, pois é bem longo. Ação, violência, filosofia, drama, romance. Completo, enfim. Infelizmente, em meu poder, só tenho o segundo volume, o primeiro se perdeu. Tenho que tentar recuperar.
9 - CRIME E CASTIGO de Fiodor Dostoievski. Este foi um dos tantos que li algumas vezes, depois de alguns capítulos não é possível largar até o final. Um dos grandes de todos os tempos e com certeza está no meu top five.
10 - QUIXOTE de Cervantes. Li já velho. e ainda bem, fosse mais novo talvez eu não apreendesse tudo o que este romance tem para oferecer. Brilhante, terno, belo, triste e também muito engraçado. Teve passagens em que eu não conseguia parar de rir. Sabem, o triste cavaleiro é uma figura idosa, de aspecto frágil e aguenta levar porradas como ninguém. Eu sei que é uma heresia da minha parte, mas não consigo desassociar meu Zé Gatão deste personagem. Ora, não tem nada a ver, diriam alguns. Será que não? Os dois não estariam na mesma sintonia? O mesmo espírito que move um não conduz o outro? Sei lá.
Bem, fica aqui a menção para AS LIGAÇÕES PERIGOSAS de Choderlos de Laclos, DRÁCULA, de Bran Stoker, O PERFUME de Patrick Suskind, BAUDOLINO, de Umberto Eco, O HOMEM INVISÍVEL de H G Wells, MISTO QUENTE de Bukowski, OS 12 TRABALHOS DE HÉRCULES de Monteiro Lobato, MIGUEL STROGOFF de Júlio Verne e....bem, melhor parar, há muitos e muitos livros marcantes, mas os primeiros que me vieram à memória foram estes.
Semana que vem, se der, relembrarei 10 discos que fizeram minha cabeça.
Até lá, se Deus permitir.
domingo, 22 de setembro de 2019
ARTES REQUENTADAS
Oh, boy, cadê tempo para aquelas postagens inspiradas onde eu rememorava com vocês pontos da minha existência ou gotas do cotidiano? Ou um conto destes que eu gosto de escrever, onde também através deles extravaso alguma mágoa ou dor? Vou postergando. Não me queixo, até o final do ano, praticamente, tenho trabalho remunerado e isso é muito bom, até porque é um projeto importante, de grande monta.
Sem tempo para escritos mais longos, sem espaço para novas artes. Zé Gatão - Siroco segue parado (se pinta uma brecha eu faço um esboço de página só para não me distanciar da obra). Por isto reposto aqui imagens de clássicos que ilustrei.
Fiquem todos bem e se for possível nos encontramos aqui semana que vem. Combinado? Até lá!
sábado, 14 de setembro de 2019
MAIS UMA FEIRA ASGARDIANA!!!!!
A correria que está a minha vida (bastante trabalho, graças a Deus), não permitiu que eu anunciasse a segunda Feira Asgardiana do ano de 2019. Mas estive lá e foi um evento gostoso apesar do calor (que é muito comum em Recife, vocês sabem). As edições anteriores eu não me sentia muito bem, achava o espaço tumultuado, desconfortável (o que teve no primeiro semestre deste ano eu fiquei perto de umas caixas de som que tocavam músicas que remetiam à cultura pop (tema do Spiderman, do Batman, Iron Man do Black Sabbath e coisas tais) no último volume. Em outras ocasiões a chuva atrapalhou e numa outra ainda minha mesa ficou no sol. Este foi o mais legal de todos. Sempre sou bem prestigiado e tratado com muito carinho; apesar de caros, meus livros tem boa saída.
O mais legal, no entanto foi rever alguns amigos, gente batalhadora que não desiste dos quadrinhos apesar de toda maré contrária.
![]() |
| O grande Milson Marins, responsável pela PADA e Prismarte, confeccionou algumas camisetas do Zé Gatão e também uma bela caneca. |
Fica aí o registro de mais este encontro (ainda que pequeno) de criadores e fãs da nona arte.
![]() |
| Marcos Lopes e seu cangaceiro antropomorfo (infantil, vale dizer) Zé Coruja. Estão querendo fazer um crossover com Zé Gatão. vamos ver o que eles vão aprontar. |
![]() |
| Achei fofa essas estatuetas. |
Até a próxima, folks!
![]() |
| Eba!!! Zé Gatão finalmente ganhou uma caneca!!!!! |
![]() |
| Esta é para bebidas fortes (não álcool, que fique bem claro, abomino pinga, vodka, saquê, tequila e todas estas merdas!) pode ser chá, café ou uma boa vitamina. |
sábado, 7 de setembro de 2019
NOITE TENEBROSA ( Um conto sobre o universo Zé Gatão, escrito por Luca Fiuza e ilustrado por Eduardo Schloesser )
Zé Gatão – O jovem felino.
Noite tenebrosa.
Por Luiz Fiuza – 27/08/19.
Noite quente e enluarada, emoldurada pelo frio piscar das estrelas no firmamento escuro. Uma aragem suave vinda do mar amenizava o calor, apesar do sol inclemente daquele dia de verão ter se deitado há muito. Era uma bela praia conhecida como Praia do Enlevo, lugar frequentado por casais interessados em dar uns amassos, em um ambiente para muitos pra lá de afrodisíaco!
Naquela noite em particular, só um casal estava desfrutando das belezas daquele local. Bem, não somente o casal! Havia um terceiro elemento que o acompanhava! Sem mais rodeios, o casal era formado por um jovem Zé Gatão e sua namorada Soraia. O tal terceiro elemento era o irmão mais novo dela. Estavam ali para passar momentos românticos, ou quase já que a presença do rapazola meio que cortava o barato, pelo menos assim pensava o felino cinzento, bastante contrariado, mas com bom senso suficiente para não mostrar abertamente seus sentimentos! Afinal, só havia tido permissão de sair com a garota se levasse o irmão desta a tiracolo!
Zé Gatão, Soraia e o rapaz estavam acomodados sobre uma toalha ampla, ao pé de uma pequena fogueira. Perto do rapazinho que se chamava Saulo estava uma grande cesta, contendo gostosas iguarias e um garrafão de suco de uvas bem gelado. Os três eram figuras inusitadas se parássemos para observá-los mais detidamente. Zé Gatão um jovem felino na força de sua juventude! Alto, musculoso, pele acinzentada, longas suíças brancas e orelhas pontudas eretas com tufos brancos em suas extremidades, denotando ser ele um mestiço de gato e lince. Os cabelos de um cinza intenso, amarrados no indefectível rabo de cavalo que seria sua marca! Olhos de um amarelado penetrante! Usava roupas leves que consistiam em uma camiseta branca sem mangas, calças também brancas folgadas e um par de sapatilhas cinza claro bem leves de estilo oriental Embora descontraído, já tinha as marcas de expressão que aumentariam com os sofrimentos que grassariam em seu futuro ainda para ele desconhecido. Soraia era uma gata esguia, riponga com seus cabelos soltos em desalinho de cor abricó, tal qual sua tez aveludada. Rosado narizinho delicado que se empinava ao sabor de seu temperamento impulsivo! Envergava uma camiseta leve, esverdeada que deixava antever boa parte de sua barriguinha sem nenhum sinal de adiposidade, cuja tonalidade esbranquiçada fazia um contraponto com a cor mais intensa do resto do corpo! Pequenos óculos de lentes azuladas e armação redonda, compunham seu rosto inteligente. Usava uma calça comprida azul, boca de sino. Das orelhas de ponta preta, pendiam uns brincões prateados de formato circular. Em torno da cabeça uma faixa florida e no pescoço aquele colar com o símbolo Paz e Amor em voga naquela época. Ah! Havia o irmão menor! O tal de Saulo! Mancebo longilíneo, das mesmas cores da irmã. Cabeleira basta amarrada em um rabo de cavalo feito às pressas. Temperamento agitado! Mais impulsivo que o de Soraia! Trajava uma camisa vermelha muito larga, bermudão preto folgado e calçava uns chinelões de couro cru também um pouco acima de seu número. Era meio sem noção e o número de encrencas em que havia se metido dava para escrever um livro! Não fosse a intervenção da família já teria sido preso, ou se acharia esticado na mesa do necrotério! Falava muito e ouvia pouco! A custo, Zé Gatão escondia seu mau humor ao escutar as besteiras que o mocinho vomitava a cada segundo! Portanto, a noite que seria para o amor, na verdade ia ser das mais sacais! O felino cinza precisava dar um jeito de despachar aquele bucéfalo dali para ter uns momentos a sós com Soraia. Podia mandar o moleque procurar mais lenha para a fogueira, sei lá! Estava a matutar esta ideia quando um ruído forte para além das dunas, entre as quais se encontravam, chamou a atenção dos felinos!
Todos ergueram as cabeças cautelosamente, sem se mostrar totalmente e estupefatos viram uma aterradora figura emergir das águas prateadas do mar noturno! A coisa envergava uma roupa pesada de tom escuro que lembrava a de um astronauta. Sob um enorme capacete transparente cheio d’água viram distintamente a cabeça cônica de um enorme tubarão! A passos lentos, mas firmes aquele ser de pesadelo caminhou da arrebentação até a areia da praia. A sinistra barbatana dorsal podia ser vista, coberta pelo grosso tecido daquela fantástica vestimenta que protegia dos perigos do ambiente externo, o monstruoso peixe vindo das profundezas sombrias do oceano imutável!
O que fazia ele ali? Que desígnios inconfessáveis trouxeram aquela fera marinha para o mundo da superfície? Sem aviso e de chofre, Saulo se ergueu e acintosamente gritou para o sinistro ente, exigindo que desse o fora rapidinho, pois estava atrapalhando e não era nada bem-vindo! O monstrengo se voltou de brusco. Saulo ainda vociferando, caminhou em meio às dunas na direção do alvo de seus impropérios! Soraia também se ergueu gritando pelo irmão! Zé Gatão agindo contra seus instintos, seguiu o exemplo da gata, pensando – Maldito idiota! - Mas já era tarde! O tubarão lançou-se para frente de forma repentina, ao mesmo tempo em que seu poderoso punho atingia brutalmente a face do desavisado louco que ousara desafiá-lo! Como se nada pesasse, Saulo foi arrancado do solo. Sua boca explodiu em sangue e sua carcaça foi projetada sobre uma duna arenosa, o que impediu que os ossos de seu corpo se quebrassem em mil pedaços! Semiconsciente, sentiu a força titânica do tubarão levantá-lo do chão e cingi-lo em um abraço fatal! Nada pode ser feito para o salvar! O estalo da espinha de Saulo se partindo soou como uma chicotada funérea no silêncio daquelas plagas distantes, interrompido apenas pelo fragor inalterado das ondas batendo na arrebentação! O grito alucinado de Soraia tirou Zé Gatão do choque que momentaneamente o paralisara! Sem pensar em si, o felino taciturno arremeteu contra o assassino de Saulo com o ímpeto de uma fúria insana! Como que por encanto, um estranho objeto surgiu na mão do pisciforme! Em meio à corrida, Zé Gatão foi atingido por um disparo ultrassônico que o derrubou, jogando-o no abismo da inconsciência!
Por causa disto, não viu Soraia cair de borco, atingida por outra rajada ultrassônica de baixa intensidade. Não presenciou o tubarão se inclinando sobre ela com um sorriso malfazejo em seus lábios, descobrindo as presas agudas. Soraia ululava tomada por um terror cego, totalmente a mercê da fera do mar! O capacete do desapiedado peixe se recolheu para trás com um chiado agudo. Um aparelho especialmente projetado, conectou-se às suas guelras frementes, mantendo a circulação de água entre estas e o precioso líquido existente no interior de seu incrível traje. O monstro escancarou a goela e se aproximou da face da pobre Soraia que tentava inutilmente se desvencilhar daquele ser que corporificava a própria Morte! A felina sentiu o odor apodrecido daquela boca e ouviu um som inarticulado que denotava extrema satisfação. Sem comiseração, o tubarão feroz enterrou os dentes na carne macia da jovem felina. O corpo da besta tremia em êxtase, enquanto a gata sentia o sangue quente escorrer da ferida e entre o mais atroz dos sofrimentos morreu como pasto para aquela anomalia das profundas!
Foi curto o desmaio de Zé Gatão. Despertou sacudindo a cabeça, sentindo os músculos doloridos e uma intensa languidez física. No entanto, ao ver o corpo destroçado de Soraia e mais adiante o de Saulo tombado tal qual um boneco quebrado, um forte jato de adrenalina e uma ira sem precedentes como que o arrancaram violentamente daquele marasmo inicial! O tubarão estava de costas para ele se preparando para abandonar o local da chacina que perpetrara! O grito rouco do felino cinzento fez a cria do oceano voltar-se. Seus olhos escuros e inexpressivos encararam a figura impressionante do gato! Musculatura retesada! Os olhos chispando, dentes trincados. O peixe sorriu e disse algo em uma língua totalmente desconhecida e incompreensível para Zé Gatão. O som daquela voz parecia vir de um rádio transistorizado daqueles bem antigos, onde às vezes as estações se misturavam. A resposta do jovem felino sorumbático foi um urro que partiu do âmago, reverberando pelas cercanias! Avançou contra seu odiado adversário, mas desta vez de maneira refletida, disposto a moê-lo de pancada!
A contenda foi seca! Brutal! Zé Gatão dirigiu seus pesados murros contra o estômago do monstro, cuja vestimenta não o protegeu dar dor profunda dos impactos daqueles punhos explosivos! O peixe nunca sentira tanta dor em sua vida! Parecia que suas entranhas estavam sendo pulverizadas! Uma joelhada fortíssima no ventre fez o esqualo se curvar. Se pudesse verter lágrimas, sua face estaria banhada pelas mesmas. De sua garganta projetou-se um gorgolejar semelhante ao de uma infecta pia de cozinha sendo desentupida! Os olhos negros se arregalaram naquela face sem expressividade, tornando-a uma máscara abjeta e caricata de sofrimento! Um chute no capacete completou a obra, jogando o tubarão com rudeza na areia branca da praia.
Porém, o filho das profundezas era forte e resistente. Rolou de lado e ergueu-se dando um salto acrobático que pegou Zé Gatão de surpresa. O felino caiu de costas com o tubarão por cima! Como tinha ocorrido com Soraia, o capacete da besta-fera deslizou para trás e a cabeçorra do cartilaginoso ficou descoberta. As guelras imediatamente ligadas ao suporte de vida da roupa! A bocarra se projetou sedenta de carne e sangue! O miasma expelido daquela fauce aberta era nauseabundo! Lutando contra a ânsia de vômito, o felino cinza esmurrou com o punho direito aquela caraça aterrorizante, arrancando sangue, enquanto que com o braço esquerdo impedia o avanço das mandíbulas destruidoras! Nunca tendo levado um soco tão potente em sua existência, o tubarão ficou desnorteado, cérebro bombardeado por mensagens sensoriais conflitantes. Aproveitando-se desta situação, onde a força do oponente se reduziu, aplicou mais um murro no focinho do esqualo, fendendo ainda mais a fina pele do peixe, de onde manava sangue em profusão. Em desespero, o felino agarrou com a mão direita um dos conectores do suporte de vida do grande esqualo e o arrancou! O tubarão soltou um silvo premente! Em vez de soltar Zé Gatão, agarrou-o com mais força, tentando puxar a cabeça do gato para sua malcheirosa goela timpânica! Morreria, mas levaria o maldito mamífero consigo!
Por segundos intermináveis, os dois ficaram imobilizados em um impressionante equilíbrio de forças! Zé Gatão gritava! Não de medo, mas de ódio! O tubarão já não conseguia respirar! Do sistema de suporte de vida arruinado, a água se derramava! A água que era sua vida, caindo se perdendo sobre a areia de um mundo desconhecido que ousara arrostar! A pressão do tubarão sobre Zé Gatão foi se enfraquecendo. Seu enorme corpo moleou! Estava morto! Em um arranco, o felino cinza empurrou o cadáver para o lado e ficou no solo arenoso, esgotado, arfando penosamente. Nunca se sentira tão cansado e fraco. Após recuperar-se um pouco, afastou-se da carcaça morta do tubarão. Que apodrecesse ali mesmo sob as intemperes! Quanto aos desafortunados Soraia e seu irmão, enterrou-os juntos em uma cova rasa que cavou na areia com as mãos, longe do alcance das águas do mar!
Ao romper da aurora, partiu em sua moto, ainda ligada ao side car onde viera o pobre Saulo. Era o começo de sua vida de andarilho! Desde criança ouvira que os seres do mar eram inimigos mortais de todos os habitantes da superfície! A presença daquele tubarão naquela praia isolada talvez não fosse um acaso. Só o tempo poderia dizer.
Assinar:
Postagens (Atom)
ZÉ GATÃO - A BUSCA - Parte 7 (Um conto escrito por Luca Fiuza)
A Busca – Capítulo 7: Ao saírem pela boca da passagem, por onde tinham palmilhado, por um tempo impossível de determinar, a morceguinha e o...
-
Ando bastante alheio ao que acontece ao meu derredor. Sem paciência para notícias do mundo, política do dia e tudo o mais, até mesmo assist...
-
Vocês já perceberam que há muito tempo eu não exibo uma arte particular neste blog? Tenho trabalhado muito e não tenho tirado momentos pa...









































