Total de visualizações de página

domingo, 21 de maio de 2017

ABRAÇADO PELA SOLIDÃO.



Era muito cedo e ele já estava acordado, não dormira bem as últimas noites, na verdade ele não se lembrava da última vez que tivera um somo tranquilo e reparador, havia em seu universo um sem número de elementos que provocavam o caos, pequenos asteroides que promoviam o desequilíbrio e sua impotência em ordenar as coisas lhe traziam aflição à alma. Ele sorria, mas era um movimento de músculos faciais forçado, muito mais fácil era verter grossas lágimas, lágrimas de arrependimento, lágrimas por desejar que o impossível se tornasse possível. Ele tinha consciência de que seu lugar no mundo não era dos piores, haviam criaturas, milhões delas, em situações abjetas, mas isso não lhe servia de consolo e este egoísmo também lhe pesava na alma. A arte, esta grande irmã, que tantas vezes o tirou do lodaçal, parecia agora impotente, ausente.
Mas a tristeza, essa amiga que tantas vezes o inspirou no ato de criar, naquela manhã em particular doía-lhe no âmago.

"Podemos conversar um pouco?" Perguntou à esposa.
"Tem que ser agora? Estou ocupada com tais afazeres."
"Não, tudo bem, não é nada importante." Respondeu ele.

Pensou em falar com a mãe e os irmãos, mas o telefone que tinha em casa não permitia chamadas interurbanas e depois, imaginou: eles também estão cheios de problemas, não precisam de mais um.

Não muito tempo depois, encontrou uma amiga querida.
"Que bom te ver!"
"Digo o mesmo, mas eu preciso ir, meu companheiro me espera!"
"Por favor, fique mais um pouco, só cinco minutos, por favor!"
"Não posso, ele já me observa da varanda! Me ligue e conversamos, ok?"
"Ok."

Ele lembrou-se de um tempo em que viveu numa grande cidade cosmopolita. Tantas pessoas nas ruas, nas praças, nos trens, todas alheias, mergulhadas em si mesmas e ele acossado pelo abatimento.

Foi assim no passado, era assim no presente.

O dia seguiu seu curso, com todos os obstáculos físicos e imateriais que o impediam de se dedicar ao seu ofício. Olhou decidido para a estrada que tinha a sua frente, respirou fundo e seguiu por ela de mãos dadas consigo mesmo.

domingo, 14 de maio de 2017

MÍSTICA.


Os dias estranhos continuam sua caminhada firme e inexorável nesta etapa da minha vida sem dar demonstrações de que vai parar para recuperar fôlego. Pudesse eu falar de tudo que me atormenta, muitos entenderiam porque eu afirmo que esses últimos meses têm sido carrascos. Na verdade eu já deveria estar acostumado, passei pelas mesmas situações na juventude e não sei como suportei. Existem pessoas capazes de sobreviver às maiores tragédias e no fim ainda dar uma lição de vida. Definitivamente não sou esse tipo de pessoa.

Hoje, entediado, após terminar uma página A3 toda aquarelada para o novo livro infantil que estou fazendo, pensei: mais uma para ficar esquecida numa pasta, mais uma para se juntar a tantas outras numa pequena literatura que fará parte de uma coleção que ninguém saberá onde encontrar para ler, sequer saberão que existe, a menos que eu a exponha numa rede social e diga: ARTE PARA LITERATURA INFANTIL e meus admiradores, que não são tantos assim, dirão: "Uau! Que ilustração bacana!" e depois esquecerão dela. Sim, você está certo, eu reclamo de barriga cheia, afinal, depois de suar a camisa por anos, consegui dar algumas soluções para o problema do branco do papel, como preenchê-lo com traços e cores e dar uma alma ao que ali vai sendo formado. Esta alma não será do agrado de todos, certamente, mas ainda assim ela estará viva e provocará reações e isto eu sei, não e para qualquer um. Muitos ainda labutam sem conseguir dar vida e personalidade aos seus desenhos mas conseguem enganar bem as pessoas, alguns até ganham bastante dinheiro. Pensando bem, esse negócio de alma na arte é uma questão de ponto de vista. Eu posso achar que os meus traços, por mais toscos que possam me parecer, tenham o poder de tocar o coração de alguém, outros acharão que meus desenhos não tem brilho algum..... Ok, ok, vou parar, eu sei que como filósofo eu sou de uma mediocridade de dar dó!

Eu deveria ter continuado trabalhando, afinal, como sempre, esses projetos tem prazos apertados, mas parei para comer algo e depois fui ver um episódio de uma série e em seguida procurar uma arte que foi comprada por um admirador. Abri muitas caixas e envelopes e fiquei perplexo com a quantidade de desenhos que já fiz nessa vida. Muitos permanecem inéditos do grande público, principalmente uma série para livros didáticos que nunca foram publicados. Como sonhar ainda não paga imposto, pensei: "Cara, se um dia meu nome se tornar alguma coisa além de que é atualmente e eu morrer, minha família pode faturar uma boa grana num desses leilões da vida, pois o que não vai faltar é desenho para vender ou publicar postumamente." Ah, como estou cansado! Mas não dá pra parar e beber um pouco d´água, simplesmente porque não há água, tampouco onde sentar. A vida exige que eu continue ininterruptamente e assim faço.

Não lembro exatamente porque fiz esse desenho da Mística (vilã mutante dos X-MEN que no cinema transformaram em heroína), mas aí está.


Hoje foi Dia das Mães, eu deveria ter vindo aqui mais cedo fazer uma postagem que falasse disso, mas pensando bem, dizer o quê? Agradeço a Deus que minha mãe está viva e bem. Meu beijo a todas as mamães que me visitam aqui.

Ainda não consegui colocar as mãos em meus desenhos pessoais mas hei de fazê-lo. Não sei até quando vou suportar a pressão, mas não vou desistir, essa palavra não existe em meu dicionário.

domingo, 7 de maio de 2017

A ORIGEM DO NOME ZÉ GATÃO.

Aconteceu algo estranho esta noite, acordei como se alguém tivesse tocado um interruptor dentro da minha cabeça. Uma forte tontura me fez ter a sensação de que a cama girava numa velocidade incrível. Eu tenho labirintite já faz muito tempo, até me acostumei com ela, as vezes quando estou andando pelas ruas, se movo a cabeça muito rápido para o alto ou para os lados, eu caminho como um ébrio,  depois me recomponho. Já tomei algumas medicações mas não resolveram. Porém esta noite a coisa foi feia. Com um certo custo me levantei e fui ao banheiro aliviar a bexiga. Retornei e me enfiei debaixo do lençol. Mas era tarde. O sono havia fugido e eu sei que ele não iria voltar. Eram quatro horas da madrugada. Me levantei com cuidado para não acordar a Vera e vim para o estúdio trabalhar. Porém, não me senti estimulado a pegar no lápis. Eu não queria fazer nada, sentia-me cansado, mas não com sono. Resolvi responder a uns e-mails e depois comecei a organizar meus desenhos que vão se acumulando dentro de envelopes. Lá eles ficam como eu, esquecidos, amarelando. Isto não me incomoda. Enquanto ia executando esta tarefa trivial, eu matutava umas questões.

Antes deixem-me dizer que a sensação de vórtice que me acordou, bem pode ter sido um sonho e na hora eu não me dei conta, devia estar naquele limbo esquisito entre o sono e o despertar.

Bem, vamos às minhas reflexões: Porquê batizei meu personagem de Zé Gatão? Porque foi o primeiro nome que me veio à mente e também porque eu iria usá-lo como um personagem de tiras cômicas (pra ser sincero, na época, eu não estava certo se usaria ele em algo além do que tinha feito). Acho que já disse que o protótipo deste antropozoomorfo foi usado em uma ou duas estampas de camisetas para uma confecção de um conhecido de Brasília chamada Fast Cat. Ele era bem diferente, assemelhava-se ao gato Tom, só que era mais bombadão. Não tinha nome e não pensei mais nele até criar a primeira HQ onde, ao invés de situações cômicas, o que se viu foi violência, dor e tristeza. Na verdade eu nem lembro direito porque me veio na cabeça Zé Gatão; havia em Brasília um fisiculturista local, bem conhecido que tinha o apelido de Zé Gatão e antes disso ainda parece que era o nome de um personagem de um programa infantil na TV Brasília nos moldes de Bambalalão, mas também não tenho certeza. Se colocarmos no Google vocês verão algumas referências ao bodybuilder, ao meu personagem e sobre uma dupla sertaneja.

A primeira HQ foi puro desabafo, uma resposta à imensa depressão que me engolia em 1992. Nunca pensei em publicar. Está esquecida ou desaparecida em algum lugar, mas o nome do gato ficou.

Uns artistas que conheci dizem que o nome era bem apropriado, simples, direto, fácil de lembrar e era bem brasileiro: um zé qualquer, como Zé Carioca. Outras pessoas disseram que era uma alcunha muito idiota para um personagem tão rico.

Dia desses numas postagens de uns caras no Universo HQ, li comentários sobre isto. "Nome de gosto duvidoso."  "Um personagem com nome assim não tem como vender, eu não conheço e não compro." e outras coisas mais. Semelhante a isto foi um certo cara no Facebook que falou que um nome legal ajuda a vender um gibi, este não poderia vender pois o nome não combinava com os aspecto vigoroso do personagem.

Bem, se eu tivesse que mudar hoje, eu nem sei que nome colocaria. Me acostumei com este.

Um amigo meu ao ver uma arte do felino que fiz a caneta, falou: "O seu José ficou bem forte, aí!" Acontece que o nome dele não é José. Ou pode até ser. O fato é que eu não sei o nome dele. Zé Gatão é  um apelido, obviamente, o nome de fato eu nunca criei. Isto é citado duas ou três vezes na saga Memento Mori e sua continuação. O felino nunca revela seu verdadeiro nome, gerando assim um mistério a mais.

Bem, gostando ou não, gerando controvérsias, o fato é que o personagem é conhecido como Zé Gatão, algo difícil para os estrangeiros pronunciarem, visto que a terminação ÃO é complicado em outro idioma que não seja o nosso, o que dificulta uma tradução gringa.

Bem, é o que eu tinha para falar sobre o nome deste incompreendido e tristonho protagonista.


domingo, 30 de abril de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 07).


Amadas e amados, o cansaço é extremo. Não posso me delongar aqui. Estou nas etapas finais de uma HQ que era pra ter ficado pronta a uns meses atrás. Existem trampos que são muito acidentados, o que atrasou todo o meio de campo nessa fase derradeira foi a minha lesão na lombar, seguida de uma outra enfermidade logo na sequência (lendo a postagem anterior nem parece que já faz pouco mais de uma semana que fui ao pronto socorro!). Estou bem melhor, felizmente, mas ainda sinto dores se passo mais de uma hora na prancheta, quando me levanto os músculos costais da minha parte média do corpo ardem horrivelmente, refletindo nas minhas pernas, depois de uma caminhada pela casa já não sinto mais nada. Minha bexiga ainda me  avisa que tenho que procurar um especialista no assunto, mas para tanto eu preciso de dinheiro e, dinheiro...bem, existem algumas formas de conseguir, a única que conheço é trabalhando. Por isto, tenho que ignorar o desconforto, a ardência na vista, a dor na mão, o cansaço das longas horas na mesa e seguir em frente, fazendo a única coisa que presto para fazer: tentar dar formas e vida através de traços e cores na superfície do papel.

Sabem, eu odeio muitas coisas, uma delas é trabalhar sob pressão, cobrança. Eu preciso de tempo para achar a forma correta, a expressão adequada, o gestual que acompanhe o texto, a luz precisa que trás a atmosfera que imagino provocará uma reação no expectador, pode ser que tudo seja uma ilusão paranoica e megalomaníaca da minha cabeça doente, mas é como eu sinto que devo fazer o meu trabalho. Mas eu entendo que existem prazos a cumprir, outros envolvidos tem suas agendas e suas datas, pois se depender de mim eu risco e apago o desenho mil vezes até encontrar o que imagino ser a nota certa. Sou um profissional e vou entregar o que prometi até amanhã no final da noite, mas dificilmente minha alma estará inserida neste material por mais bem desenhado que fique.

Isto posto, me despeço de vocês agradecido a Deus por ter me concedido mais uma semana de vida e produção.

Fiquem com mais uma imagem do clássico a Escrava Isaura (recordando que nestas ilustrações eu usei apenas pincel na finalização),

Abraços para os gatões e beijos nas gatinhas.

Fui.


domingo, 23 de abril de 2017

O COMEÇO DO FIM.


A sexta última (feriado) me encontrou bem cedo diante da UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Depois de uns dias mentalmente e fisicamente bem desconfortáveis eu resolvi procurar ajuda médica no serviço público de saúde. Na verdade, a minha lesão no músculo lombar já estava bem melhor, o que me levava ali era outro problema. Entrei e fui conduzido pelo guardinha até um guichê. Lá uma morena perguntou o que eu estava sentindo, respondi e ela pareceu não ouvir. Pegou meu pulso esquerdo e colocou aquele aparelhinho de verificar a pressão. Estava em 15 - assim, redondo! Depois ela enrolou uma  pulseira de papel de coloração verde no mesmo pulso e me indicou outro guichê. Lá uma mocinha me pediu identidade e digitou meus dados, me levou até um local amplo com muitas cadeiras e várias pessoas sentadas esperando. A UPA estava limpa e bem organizada, o problema é que tem gente demais para poucos médicos e seus assistentes,

Me sentei diante de uma tv, mas não havia programação, só as propagandas sobre o SUS. Pelo menos fui poupado de ver os jornalistas e atores da Globo. Acho que decorei cada palavra do programa de conscientização sobre o câncer de mama. Foi bom, já passei tudo para a Verônica.

Depois de um longo tempo chamaram meu nome. Fui atendido por um médico bem jovem, se bobear não tinha nem trinta anos. Expliquei o que me incomodava e ele replicou me informando o que eu já sabia a muito tempo, o que eu precisava, na verdade, era de alguma coisa para alívio, ainda que temporário, do problema, enquanto eu não me consultava com um urologista particular. Ele pediu alguns exames, um de sangue e outro de urina, dependendo do resultado ele indicaria alguma medicação.

Fiz os procedimentos. A outra morena que colheu meu sangue disse que os resultados demorariam umas seis horas para ficarem prontos. Ok, eu disse, então volto mais tarde para saber o resultado. Ela: "Nããão! O senhor tem que ficar aqui, se sair será "abandono de consulta!" Perplexo, não respondi nada. Posso pelo menos procurar um orelhão para ligar para a minha esposa avisando que isto vai demorar? Perguntei. Detalhe, como vocês podem ver ainda sou do tempo em que se usavam orelhões, não ando com celular. A morena me falou que eu poderia ligar da sala da assistente social, mas que eu teria que esperar pois não havia ninguém lá naquele momento.
Depois fui direcionado a uma sala cheia de gente sentada tomando soro. O que eu fazia ali? O médico prescreveu soro para o senhor. Soro?!? Pra mim?!? Não questionei, sentei-me assim que vagou um lugar. Me furaram de novo e o soro descia em gotas rápidas para as minhas veias.

À minha esquerda, uma jovem que tinha as proporções de um rinoceronte gemia dolorosamente, "Aaaaah! Aaaaaah! Eu...não aguento!" Soube depois que ela sofrera uma lesão na lombar, como eu, dias antes.
À minha direita um rapaz de uns dezoito anos me olhava sorridente, usava bermudas e boné, bigode ralo, falou; "Porra, tomei todas ontem, tá ligado? Quase tive coma alcoólico. E hoje a noite tem mais!"
Eu ouvia a voz de uma mulher em algum lugar, voz alta, falando sem parar, dizia que havia trabalhado muitos anos para uma família, ficou doente e a despediram sem pagar direitos, pensou em colocar na justiça mas preferiu não fazê-lo pois o mundo dava voltas e um dia ela estaria por cima e a tal família por baixo e ela riria deles. Quando ela saiu vi que era uma negra com quase dois metros de altura.
Uma senhora jovem, de uns quarenta anos, excelente aspecto físico, se lamentava penosamente de dor, estava em seu quintal quando foi picada por algo, provavelmente escorpião.
Tudo isso eu ia ouvindo e observando quando notei que um líquido escorria do meu braço e ao invés de entrar soro em minha veia, saía sangue dela para a mangueirinha. Hei, disse para a auxiliar de enfermagem, acho que há algo errado aqui! "Não, falou ela retirando a embalagem de soro do suporte e me entregando, está tudo certo. O soro acabou, o senhor pode sair e esperar lá fora." Mas com isto espetado no meu braço?!? "Sim, se houver alguma medicação receitada pelo médico após o resultado dos seus exames não precisaremos furá-lo de novo!"
Se houve um momento onde me senti de fato velho nesta vida foi aquele, eu segurando o invólucro do meu soro com uma mangueira entubada na veia. Ainda bem que não era uma sonda por onde sairia minha urina ou coisa pior.

Procurei a Assistente Social e pedi para usar o telefone rapidamente. Falei pra Vera que provavelmente eu iria demorar bastante ainda. O restante do tempo eu passava sentado, vendo os anúncios do Sistema de Saúde Brasileiro e indo ao banheiro urinar (meu problema requer ida constantes ao mictório) ou andando pelos corredores do lugar. Muitas mulheres jovens com seus filhos nos braços, infantes chorando e vomitando, idosos em cadeiras de rodas, uma delas não tinha um pé. Diabetes? Possivelmente. Um rapazinho de bela aparência facial, paraplégico, agonizava de dor por algum motivo, uma senhora que estava na sala do soro pedia a Deus que o resultado de seu exame não acusasse apendicite.

As horas passavam e com certo pesar vi o jovem médico que me atendeu ir embora. No final da tarde os resultados chegaram e finalmente meu nome foi chamado por uma médica gorda de rosto e olhos muito bonitos. Olhou rapidamente minha ficha e meus exames e disse que os resultados não acusavam infecções nem inflamações, tampouco vírus ou bactérias. O que me atormentava devia ser algo que só uma consulta com o urologista poderia atestar de fato. Eu já desconfiava. Pedi algo para aliviar meu incômodo e ela prescreveu um Buscopam Composto (estou tomando, não fez muito efeito, até agora).

Um dia inteiro perdido naquele lugar.

A noite tinha chegado. Agora eu precisava batalhar grana para uma consulta particular e os exames que certamente vão pedir. Não posso demorar, cada segundo conta.

Ao voltar pra casa, no asfalto, vi sangue, tripas e ossos esmagados. Pela coloração da calda vi que se tratava de um gambá.

O desenho de hoje é mais um esboço no meu Sketchbook para um fã do felino taciturno.  







domingo, 16 de abril de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 6)



Ê, feriadão! Não estão sendo dias auspiciosos, minha lesão nas costas e a obrigação de trabalhar nas páginas finais de O BICHO QUE CHEGOU À FEIRA, tornou tudo mais amargo, repouso é absolutamente necessário neste caso mas eu tive que me virar para não deixar a peteca cair e muito menos comprometer a qualidade do trabalho, lentamente a produção segue; como se não bastasse, uma velho problema no meu organismo, que pensei estar controlado, resolveu despertar. Tudo isso em meio a uma destas crises financeiras que nos socam o nariz de surpresa, impedindo de achar soluções mais eficazes.
C´est la vie! Seguimos o curso do rio, tentando não desanimar. Por isto mantenho este blog e minha página no Facebook, para dar uma satisfação aos que gentilmente apreciam os meus traços e cores nos papéis.

O QUE TENHO LIDO? Para a minha vergonha, confesso que não estou lendo nenhum livro. Não tenho realmente tido tempo. Para não dizer que estou em jejum completo estou lendo uma HQ chamada O PERFURA NEVE, um clássico da BD francesa que acabou virando um filme que nunca assisti chamado O Expresso do Amanhã. O álbum pesadão foi um presente dado pelo amigão Elton Borges Mesquita (gratíssimo brô!) e estou achando interessante, embora a primeira parte do mesmo seja bem superior às duas partes posteriores (pelo menos até agora).

O QUE TENHO OUVIDO?  Eu vou e volto sempre revirando meu velho baú de canções e bandas do passado, nestes últimos dias só estou curtindo Queen. Acho que não preciso dizer mais nada.

O QUE ESTOU ASSISTINDO?  Algo a ver com quadrinhos sempre me chama a atenção, estou na metade da série PUNHO DE FERRO. Na minha opinião, pouco a ver com o herói dos gibis. Tá tudo lá, o acidente aéreo que vitimou os pais do herói, as pessoas que tomaram sua fortuna, o punho que fica iluminado e tal, mas não sei, fora o Demolidor, as séries da Netflix não conseguem fazer justiça aos personagens do papel. Mas não posso dizer que Punho de Ferro seja de todo ruim, Luke Cage foi uma decepção, mas esta até que distrai um pouco. Só acho falta de muitas artes marciais, que deveriam ser o ponto central da série. Até agora é esquecível.

Assisti, baixado da internet a KONG E A ILHA DA CAVEIRA. O que posso dizer? Gosto de filme de monstro, ignorei a história rasa e deixei o menino em mim vibrar com a porradaria entre o gorilão e os lagartões daquela ilha maldita. Os atores? Bah, nem Marlon Brando consegue superar o King Kong!


Bem, a arte de hoje é mais um momento de A Escrava Isaura.

Até a próxima, meus queridos e queridas!










domingo, 9 de abril de 2017

O VELHO ALQUEBRADO E UMAS IMAGENS DE UM LIVRO INFANTIL.







 Quem vos escreve aqui é um homem com uma baita dor nas costas, especificamente na região lombar. Na sexta feita este velho idiota foi depositar um objeto bem pesado no chão e sentiu um choque no cóccix. Aí travou tudo. Eu nem descia e nem subia o tronco, Como não sou de pedir água, trinquei os dentes, apoiei as mãos nos joelhos e lutando contra a gravidade, fiquei ereto. Eu sabia o que iria sofrer pelas horas e dias seguintes. Tomei o último Tandrilax e fui à rua pois precisávamos de leite em casa. Na ida e volta do mercado eu andava com se tivesse uns 200 anos mal vividos. Mancando, como se algo afiado arranhasse internamente minha nádega esquerda e uma mão perversa espremesse meus testículos. Entrei em casa e a dor me disse: "Ok, filho da puta, fui legal com você enquanto cê tava lá fora, aqui dentro cê é meu!" Ainda tinha umas obrigações com uma página do quadrinho "O BICHO QUE CHEGOU À FEIRA" e me sentei para dar os retoques na folha. Meus quadris parecia sem lubrificação, cada movimento era um choque doloroso que irradiava pelas pernas. Me levantar da cadeira exigiu um esforço monstro! Estou fodido, pensei.
Tomar banho foi um suplício, principalmente lavar os pés. Me enxugar idem. Me deitei sobre uma toalha no chão da sala e coloquei gelo. enquanto sentia o meio das costas ficar dormente eu pensava: "Oh, Deus, estamos quebrados de dinheiro, eu não posso parar de trabalhar, esta HQ já demorou demais! Tenho que terminar estas últimas seis páginas para pagar as contas!" Quis chorar mas não consegui. Em casa não havia nenhum analgésico, eu raramente tomo remédio, minha esposa tem cefaleias realmente fortes e ela sempre toma dipirona e afins, geralmente não sobra nada.
Eu temia a hora de ir para a cama pois sabia que eu não ia encontrar posição adequada para repousar. Vera fez uma bela massagem com um produto a base de cânfora, me acomodei de lado em posição fetal e adormeci.
Me erguer pela manhã foi angustiante, eu precisava urinar. Vera foi à rua e voltou com comprimidos para a dor. Não gosto de me auto medicar mas ir ao SUS por aqui é pedir para voltar pior. Tentei trabalhar mas vi que era impossível, eu não conseguia ficar cinco minutos sentado, nem cinco minutos em pé. O jeito foi relaxar na cama, sempre mudando de posição de tempo em tempo. O remédio provoca sonolência.


Sabem, assisti faz tempo dois filmes onde os protagonistas de cada um tinham problemas de dores nas costas - por acaso, de dois diretores alemães - e por acaso, achei as duas fitas ruins, uma era do Werner Herzog, esqueci o título; nele o Nicolas Cage, para salvar um suicida, pula num canal, o ato o deixa com sérios problemas de coluna e ele passa o filme todo com cara de dor e viciado em analgésicos. O outro é do Win Wenders, acho que se chamava The Million Dollar Hotel e o Mel Gibson é um agente do FBI (eu penso) que sente tantas dores nas costas que tem que usar um colete especial, passa a película suado e com cara de sofrimento.
Deve ser horrível levar uma vida assim. Hoje já me sinto melhor (mas não tanto), espero melhorar logo, sobretudo porque tenho muito ainda que produzir para continuar vivendo e não ir parar debaixo da ponte (falo sério!).


As imagens de hoje são de um dos tantos livros infantis que ilustrei: O MOEDOR NO FUNDO DO MAR, uma fábula norueguesa.


Até a semana que vem, com melhores notícias, se DEUS quiser!