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A ARTE DE EDUARDO SCHLOESSER

A ARTE DE EDUARDO SCHLOESSER
Os rabiscos e devaneios do ilustrador e quadrinista Eduardo Schloesser.

terça-feira, 20 de março de 2012

ANATOMIA DE CAVALO.


Meus amados e minhas amadas, cá estou depois de uns dias afastado deste nosso espaço, é que ando numa correria louca para cumprir meus prazos e infelizmente com meus pagamentos irregularizados, o que só  me dá transtornos e dor de cabeça. Mas não desanimemos, a luta continua e ainda temos o escudo e a espada nas mãos. 

As artes de hoje são dois esboços para um curso de desenho que projetei. 
Abração a todos.




Ah, sim, para aqueles que curtem (será que alguém curte mesmo?) os contos que escrevo, estou com um novo que bolei meio de última hora, só falta dar uma revisada e posta-lo aqui.
A gente segue se falando.









quarta-feira, 14 de março de 2012

A TERRA MACULADA.


Ao me sentar diante do monitor eu tinha uma série de coisas para dividir com vocês hoje, mas ao tentar escolher o tema por onde começar, ponderei. Se insistir em certos assuntos eu vou ficar parecendo (se é que já não pareço) um cara que a medida que envelhece vai ficando mais ranheta. Mas talvez seja esta a qualidade de um indivíduo que viveu e sobreviveu aos assaltos da vida e tenta traduzir em palavras as sensações que o mundo lhe trouxe. Será?

Eu pretendia comentar sobre uma reportagem que li, de um linguista americano, missionário, que pretendeu levar a Palavra de Deus aos índios brasileiros lá nos confins da Amazônia (me esqueci de qual tribo) e que foi questionado, confrontado, ameaçado, quase morto por eles e no fim das contas se tornou ateu. Queria argumentar que tal intelectual/linguista/pregador da Palavra, jamais teve um encontro real com Jesus, nunca sentiu a Paz que só é capaz de sentir aquele que pela fé creu de fato que o Cristo prometido por Deus nas escrituras tinha na verdade vindo ao mundo e foi crucificado pelos homens e ressurgiu após três dias e assunto aos céus, há de voltar em breve. Pois se este homem tivesse realmente caminhado com Ele, experimentado a comunhão com Ele, não O abandonaria assim, por mais que as dúvidas assaltem e as complicações da presente era nos façam pensar que estamos sozinhos. Não estamos.

Era minha intenção dizer que triste da terra por estar contaminada com homens que batem nas mulheres, maltratam os animais, cerceiam a liberdade do outro, escarnecem daqueles que julgam inferiores, vitimam as crianças.
Queria filosofar que a maldade começa cedo, na tenra infância, atingindo seu apogeu na adolescência, ali o ser humano toma como alvo para exercício de sua perversidade aquele que usa óculos, que é dentuço, que tem pernas tortas, que é muito branco, que é gordo, muito alto ou muito baixo, tem nariz chato ou língua presa. Alguns sobrevivem a isto, outros tornam-se inadequados aos meios sociais. Como diz o título (o título, não a letra) de uma música do Metallica, Sad but True.

Tencionava falar que hoje mais que nunca os brutais (que na verdade são grandes covardes) quando atingem o poder, guardados atrás dos seus muros sólidos, porém ilusórios, pervertem as leis, tornam o que é branco em negro e o que é certo em errado, pretendem abolir os crucifixos das paredes mas permitem o véu, debocham do cristianismo mas temem as fatwas. A nós, só resta resistir e aguardar.

Para contrabalançar um texto azedo, as ilustrações da comédia do Martins Pena, " As Casadas Solteiras" um texto cheio de clichês, mas divertido e leve.
Salve a arte que torna o planeta mais suportável.

domingo, 11 de março de 2012

MOEBIUS, ADEUS.

  

Jean Giraud, mais conhecido como Moebius, nos deixou.
Este nosso pobre mundo ficou mais carente de universos fantásticos. Ele sabia retrata-los como nenhum outro através de sua pena e suas pinturas acrílicas. A lacuna que ficou nunca será preenchida, pois com raríssimas excessões, não houve um artista tão versátil e imaginativo quanto ele.


O primeiro contato que tive com este que foi um dos mais influentes artistas do século 20, foi no fim dos anos 70 na lendária Heavy Metal. Desde então, ao lado de monstros sagrados como Corben, Wrightson e Liberatore, foi um dos que me acompanharam na minha (se posso chamar assim) evolução como desenhista. Houve uma época que ele influenciou fortemente minha arte, tanto que tenho várias ilustrações com aqueles mesmos temas que eram obsessivamente perseguidos por ele.


A imprensa, os sites e blogs que versam sobre hqs e arte estão prestando seu tributo, eu não poderia deixar de comunicar o meu pesar, pois penso que ele nos deixou cedo demais, ainda tinha muito chão pra queimar.


Obrigado Sr. Jean por nos proporcionar tanta arte, fantasia e inspiração.



quinta-feira, 8 de março de 2012

RETRATOS NA RUA.

Sempre tive muita admiração pelos artistas de rua. Sério. No Rio ou em São Paulo eu sempre perdia um tempinho pra ver os lutadores pularem através de uma roda de bicicleta cheias de facas ou rolos de arame farpado; tinha um tiozinho que pregava o Evangelho de Jesus no Largo São Bento (SP) equilibrado numa cordinha mequetrefe.
Certa vez no Largo da Carioca (RJ), um grupo de capoeiristas faziam uma exibição, a turma que assistia jogava uns trocados, os caras davam um salto mortal para trás e pegavam o dinheiro com a boca plantando bananeira, até que um deles, sei lá, talvez com os braços já cansados da proeza, caiu de boca no chão arrebentando os dentes, se vê de tudo numa situação assim.
Perto da Praça da República (SP) um trio de crianças negras (duas meninas, uma na guitarra, outra no baixo e um gurizinho na bateria) faziam um rock´n roll maneiro, executando na boa o hit Stand By Me popularizado pelo John Lennon; tempos depois vi essas crianças tocando no programa do Gugu.
Agora o que dizer dos artistas que fazem retratos e caricaturas na rua? Andando pelas avenidas do centro velho de São Paulo, tipo, Ipiranga, Rua São 24 de Maio e outras, era muito comum ver aqueles caras retratando quem se dispunha a pagar o preço pra levar seu rosto feito a lápis ou carvão para casa. Certo, nem todos eram tão bons, mas só o esforço e cara de pau de alguns já merecem crédito.
Houve uma época na minha vida que eu estava completamente quebrado de grana, não tinha nem um real pra comer um churrasco grego na Avenida São João, pensei seriamente em me aventurar fazendo retratos nas praças, só não me arrisquei por que também não tinha cavalete, nem folha, nem carvão. E também porque sempre morri de vergonha de desenhar com pessoas me observando. Uma vez uma pessoa me disse que meu estilo realista de pintura seria bem recebida na Europa. Lá, segundo ela, artistas compunham suas telas pintando nas calçadas, o Velho Continente respirava arte. "Será mesmo? Pensava eu".
Relembrando isto agora, me veio à mente um período muito tenso em casa, em que eu sem emprego, recebia recortes de jornal do meu pai quase todas as manhãs, coisas como balconista de lanchonete e atendente de não sei o quê, cheguei a responder a alguns daqueles anúncios, mas as vagas estavam preenchidas. Eu me sentia um merda. Meu pai devia estar muito ansioso pra se ver livre de mim naquela época, ele propôs me mandar pra França com passagem só de ida. A ideia era comprar uma passagem a prestação, eu destacaria algumas telas das armações, coisas que tinha pintado anos antes e colocaria num cone pra não ocupar espaço, uma vez lá eu poderia vende-las e ir me mantendo enquanto produzia novos trabalhos e assim sucessivamente. Um plano perfeito, enfim. Visto, passaporte e outros detalhes  pareciam não ter importância. Eu nunca pude dizer não,  e nem me atrevia, só que a coisa era sempre falada mas nunca levada a cabo. Eu já sabia por artistas que moravam na França, Espanha e Suíça, que não era nada fácil se destacar sem ter um lugar para morar. Mas eu estava disposto a tentar, nem que fosse pra morrer de fome e de frio, era melhor que a imagem de vagabundo que sempre me acompanhou. Sinto esse estigma até hoje.
Atualmente, ao caminhar por Recife vejo uns caras nas calçadas exibindo retratos de Elvis, Madona, Roberto Carlos e outros, alguns muito bem feitos e me pergunto se não estão passando pelos mesmos momentos complicados que passei um dia. Como nada posso fazer, mentalmente peço que Deus ajude esses artistas de rua a vencerem na profissão, sei que muitos não escolheram este caminho, foram escolhidos.
Este retrato que fiz a carvão foi para explicar a técnica passo a passo, este e outros exemplos devem estar chegando nas bancas em breve.

terça-feira, 6 de março de 2012

A CIGARRA E A FORMIGA ( CENAS FINAIS ).


 Há uma expressão aqui em Pernambuco quando algo é complicado: TÁ PAU! ou, É PAU! Tipo, alguém fez uma bobagem qualquer ou é frequente nas merdas que executa, "FULANO É PAU!" O ônibus tá atrasado? TÁ PAU!
Pois é, pensando nisto hoje, me dei conta de que vai fazer nove anos que estou exilado aqui. Quando cheguei, imaginava que ficaria o mínimo, achava que em um ano ou dois eu estaria de volta a Brasília, ou São Paulo. Todo ano eu pensava: Será o último. Até que o tempo foi me vencendo e eu parei de me preocupar. Algumas decepções que sofri com o mercado de arte/hq no início de 2004, mais a solidão que senti ao aportar nesta terra quente, gerou um amargoso álbum com histórias ultrapornoviolentas que ainda permanece inédito, e mesmo ele não foi capaz de dar vazão ao meu grito.
Quando me perguntam se gosto daqui eu respondo que me acostumei. Se eu dissesse que é ruim eu estaria mentindo, mas eu gostaria de voltar a Brasília. Na verdade eu queria voltar no tempo. Precisamente os meados de 1980. Queria estar com meus irmãos de novo, mas sem as angústias do presente. As dificuldades que enfrentávamos naquela época eram dureza mas estávamos juntos. Éramos como uma corda bem entretecida. Separados, parece que ficamos mais frágeis. Eu pelo menos me sinto mais enfraquecido.
Nove anos aqui. Só sentado dentro do meu quartinho produzindo rotineiramente desenhos que os outros me encomendam. Como passou rápido! Rápido como um tiro na nuca. Não, na nuca não, na barriga. Uma bala na nuca você apaga no ato, já nas tripas você perece devagar curtindo cada segundo de sofrimento. Hemorragia e a merda se misturando à corrente sanguínea provocando uma avassaladora infecção.


A cigarra cantava ao invés de trabalhar, chegou o inverno e ela não tinha onde se abrigar nem o que comer, a formiga trabalhou duro provendo a ela e a toda sua comunidade substância para os dias maus. Há quem diga que a cigarra com sua arte deu alento às trabalhadoras durante sua labuta. Será?
Enquanto vou produzindo estes desenhos que pela misericórdia de Deus me encomendam, não posso nem me dar ao luxo de, como Carolina, olhar a vida passar na janela. É PAU!


quinta-feira, 1 de março de 2012

ZÉ GATÃO ( AQUI E AGORA)


 Pelo que fui informado, a edição especial da P.A.D.A. com Zé Gatão, esgotou sua pequena tiragem inicial. Se farão uma nova impressão ainda não sei, mas na ocasião do lançamento alguma pessoas me perguntaram se a hq "Righ Here, Right Now" teria num futuro próximo uma publicação no seu original em cores. Respondi que não havia planos para isto naquele momento. Pra quem não sabe, esta história saiu em preto e branco no álbum.
Bem, como a revista não está mais circulando, então não vejo problema em posta-la aqui (inclusive com meu letreiramento à lapis, não reparem).
Esta hq foi um dos tantos experimentos de cores, lápis e papéis que fiz quando ainda tinha saco pra isto. Na verdade não deixa de ser uma sátira aos programas pseudo-jornalísticos policiais apelativos de fim de tarde.