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domingo, 21 de agosto de 2016

IMAGENS DE UM NOVO INFANTIL.



Finalmente eu terminei as 32 pranchas aquareladas do último livro infantil. Trata-se de uma historinha norueguesa, bem divertida e com um toque sombrio.
Na última sexta fui levar as artes na editora e sabia que seria a odisseia de sempre, são dois ônibus e um metrô com baldeação. Saí, como de costume, mais tarde do que pretendia. Desta vez não levei meus caderninhos que tenho a pachorra de chamar de sketchbooks (eles estão meio abandonados, coitados!), mas um outro que vou rascunhando o roteiro de uma nova HQ do Zé Gatão (espero um dia poder fazer). Confesso que não estava com muito ânimo para escrever, alguma coisa tem sugado meu cérebro, minha energia, não tenho dormido bem, aquele sono pesado onde você acorda se espreguiçando revigorado parece ter ficado muitos anos lá atrás, na verdade, se paro pra pensar, acho que nunca existiram, mas a roda não pode parar de girar, eu tenho que seguir em frente, não há opção.

Sentado num banco de pedra eu espero o trem, impossível se concentrar em algo, há muita movimentação ali, a pobreza gosta de rebuliço. O que mais gosto de observar nas pessoas é o modo como elas se vestem; aqui no nordeste uma coisa que admiro nos passantes, principalmente nas mulheres, é que elas não estão nem aí para a estética, a maioria é gorda se achando gostosa, é um desfile de shortinhos e tatoos feitas em alguma cabeça de porco acompanhados de celulites sem fim. Seria engraçado se não fosse trágico. A maioria é nova com crianças de colo.
O trem chega e já vem lotado. Eu vou pra editora levar uns desenhos e assinar contratos mas me pergunto: toda aquela gente segue pra onde? Passeio? Trabalho? Indo visitar alguém? Sabe-se lá. Dentro do veículo ininterruptamente um sem número de sobreviventes de guerra bradam seus pregões: "Água é só 1 real! É pra acabar!" "Olha o sorvete! Tem de coco, creme e milho verde! Quem vai querer? Quem vai querer?" Teve um que dizia que o bombom que ele vendia era feito com leite condensado de verdade, se você comprasse e não tivesse leite condensado ele devolvia o dinheiro. E tem os que oferecem chocolates, salgadinhos, fones de ouvido e carregadores de celular. Até que de repente um cara magro de bermuda, chinelo e camiseta, com uma voz impossível de passar despercebida começou um discurso se desculpando por atrapalhar a viagem mas que apelava para nossa sensibilidade em ajudar o seu amigo, sr fulano, que ali estava (mudo, diga-se de passagem), que precisava comprar remédios para se tratar por que sofreu um acidente e a empresa na qual trabalhava o demitiu não dando a ele nenhum recurso. O sr. fulano era um senhor magro de bigode, óculos, usava chapéu e exibia uma bolsinha que parecia conter urina e havia uma sonda que saía debaixo de sua camisa azul. Não gosto de julgar, mas estaria mesmo aquele homem enfermo ou eram dois malandros querendo ganhar uma grana apelando à solidariedade dos passageiros do metrô? Uma bolsa com um líquido amarelado não quer dizer muita coisa. Lembrei-me de um cara a muitos anos atrás que enfaixava um bife de fígado na perna e ia pedir esmolas no Viaduto Santa Efigênia.


A editora fica num bairro bastante carente por seu aspecto, mas o interior da mesma é algo digno de elogios. Tudo muito limpo e organizado (acho que já comentei isto aqui). Sou tratado por todos com muito respeito e carinho, como se eu fosse alguém de alguma importância. Almocei por lá, comida boa, ótima sobremesa. Conversei um pouco, deixei as artes e peguei um novo trabalho. Os jovens ilustradores elogiam meu estilo, eles vão à CCXP este ano, fui perguntado se eu não fora convidado. Claro que não! Eles não sabem a verdade, que eu não passo de um cagalhão seco rolando ladeira abaixo, como aqueles caras do trem. Me despedi e voltei à vida real, o sol forte, os poucos trocados para a viagem de volta.


Ao chegar na plataforma para pegar o trem de retorno um grupo de caras que vendem seus produtos berravam uns com os outros, olhos em fúria, bocas abertas soltando imprecações, veias jugulares ao ponto de rebentar, perdigotos para todos os lados e punhos cerrados, os enormes sacos com salgadinhos e pipocas doces largados no chão. Saí de perto indo para o final da estação, nem soube qual era o motivo da pendenga. Dentro do trem o burburinho continuava incessante, mal dava pra ouvir a agradável voz feminina que anunciava a estação e recomendava não se apoiar nas portas. Até que apareceu um cara moreno alto com um menino de uns 8 anos com um braço numa tipoia. Chamou-nos a todos meus irmãos como se estivéssemos numa igreja e falou que estava desempregado e precisava comprar antibióticos para seu filho que tinha fraturado a clavícula. Apelou para nossa emotividade falando de Jesus e desejou-nos a todos muitas bençãos mesmo que não pudéssemos ajudar. Num momento ele foi ajeitar a sandália do guri e o trem deu uma freada, ele caiu de bunda no chão e o menino desandou a rir, ele deu uma bronca no pequeno exigindo respeito e saiu de nossas vistas.

Desci na estação de Prazeres, o nome é bonito, o lugar é uma bosta. Peguei o ônibus de volta para casa. Cheguei cansado. Não sou mais aquele atleta, queria dormir por uma semana mas ainda tinha que descer com o lixo.


De novo sentado à prancheta. Um novo livro infantil na minha frente, breve deve chegar um novo roteiro de quadrinho (algo a ver com a história de Feira de Santana, na Bahia), este vou trabalhar revesando com dois quadrinistas que são bons de verdade, tipo, cada um desenha um capítulo, vamos ver como isto vai caminhar.


    

domingo, 14 de agosto de 2016

SKETCHES DE ZÉ GATÃO ( 01 )


HOJE É DIA DOS PAIS E O MEU SE FOI PARA SEMPRE (mas eu sei que um dia, na eternidade, eu o verei de novo).

Isto posto, vamos ao nosso papo semanal.

Para mim, uma das coisas mais chatas da vida é ser cobrado. Tipo, você deve um dinheiro e não tem como pagar e lá vem o receptor perguntando pela quantia. Eu fico com cara de bunda magra, como se estivesse pelado diante de uma multidão de mulheres más (destas que se acham muito e adoram tirar um sarro da sua cara), sem ter um buraco para pular dentro e sumir do mundo. Me aconteceu esta semana, recebi a ligação de um editor me cobrando pelo livro que estou ilustrando. Sim, não tiro a razão dele, o livro está mesmo atrasado, e beeeem atrasado! Tendo que matar dois tiranossauros rex por dia, fazendo até três trabalhos ao mesmo tempo, tava difícil eu produzir rápido grandes pranchas aquareladas para o referido livro. Mas o que não me perdoo é que eu não observei na hora de assinar o contrato que lá havia uma data de entrega e ela passou faz tempo. Bem, justifiquei que estava caprichando nas pinturas (o que é verdade) e que não havia visto a data para a entrega dos desenhos e pedi mil desculpas. Ele até que foi educado e fez uma observação do tipo, "bem, paciência". Amados e amadas me senti como se tivesse 10 anos e a professora chamasse minha atenção. Foda isso! Bem, acontece até com gente muito melhor do que eu, mas não justifica. Eu tenho um grande problema com organização de tempo e não consigo dar jeito. Agora corro como doido para entregar as ilustras ainda esta semana sem deixar cair a qualidade.

A boa notícia é que terminei a HQ "Cartas Marcadas" para o projeto NCT - NOVOS CLÁSSICOS DO TERROR. Não sei dizer em que ponto anda a produção dos outros artistas mas acredito que breve entrará em financiamento coletivo. Aguardem notícias deste projeto.


Sobre os desenhos postados hoje: são os esboços que eu faço para os fãs do Zé Gatão. Minha amiga Carla Ceres me sugeriu registrar esses rabiscos e guardar, achei uma ótima ideia, afinal não verei mais esses desenhos. De um tempo para cá tenho fotografado tudo que encomendam. Resolvi mostrar alguns para vocês. De tempos em tempos, se tudo der certo, eles vão aparecendo aqui.


Minha mãe ligou para me felicitar e a Vera me deu um presente surpresa. Essas duas mulheres não existem!


Aos amados que tem filhos, um bom Dia dos Pais.

 Beijos a todos e até a próxima.


domingo, 7 de agosto de 2016

LIRA DOS VINTE ANOS ( DOIS)


A semana foi muito corrida, cansativa e pouco produtiva. Ontem, saí cedinho com a Vera para fazer as compras do mês no Atacadão. Logo depois do almoço saímos novamente; o sol, pra variar, estava intenso.
As poucas horas de sono, a fila quilométrica no mercado, a corrida contra o tempo nos últimos dias cobraram o seu preço: uma fadiga extraordinária tomou conta do meu corpo no final da tarde e me impediram de dar um único risco no papel. Por isto, vamos ver se hoje dá pra recuperar algo.

Passo aqui somente para deixar esta arte pra vocês.




domingo, 31 de julho de 2016

DESENHANDO ANATOMIA - MOVIMENTO FIGURA MASCULINA.


Nesta semana chegou finalmente às minhas mãos meu mais novo filho, outro livro sobre anatomia humana. Este é focado nos corpos masculinos em poses dinâmicas. Caramba, e como ficou bonito! A Editora Criativo fez uma excelente edição! Não dá pra não ficar orgulhoso. Olho algumas imagens e penso: quem foi cara que fez isso?!? Sim, deixemos a modéstia um pouco de lado, algumas cenas ficaram mesmo muito boas.


Recebo mensagens de pessoas querendo dicas de desenho, livros que ensinem a desenhar. Eu pessoalmente não acho que existam livros que ENSINEM a desenhar, acho que tem material que dá boas soluções aos que já tem uma inclinação natural. Todos nascemos desenhando, todas as crianças tracejam do mesmo jeito, umas seguem no ofício, outros enveredam por caminhos diversos. Aos que teimam em retratar o mundo conforme a sua ótica existem conselhos, orientações, mas insisto que é a prática que faz o profissional.


Meus livros sobre anatomia apontam alguns atalhos, além de denominar ossos e músculos e suas funções básicas mostram como construir um corpo humano a partir de formas geométricas, mas meu propósito maior é que ele sirva de inspiração aos que gostam de formas humanas com volumes, que o aluno (acho que podemos chamar assim) olhe e diga: eu posso fazer isto conforme este cara fez, o método dele pode me servir.


Uma coisa que tento nestes últimos volumes é bater um papo com o leitor, contar um pouco das minhas experiências e motivações, mostrar para ele que desenho é coisa não muito fácil, mas que a insistência e dedicação fazem superar os rigores da coisa.


Pelo retorno que venho recebendo de admiradores de meu trabalho, está sendo bem aceito.
Existem mais dois volumes, o de MOVIMENTO FEMININO e ANATOMIA DE CRIATURAS FANTÁSTICAS, que e editora deve soltar em tempo devido.

Um beijo na bochecha de todos.






domingo, 24 de julho de 2016

FANART DE ZÉ GATÃO POR FÁBIO HASMANN

Queridas e queridos, boa noite!

Sabem, não consigo mensurar a popularidade do meu personagem de quadrinhos, é complicado. No início, quando o criei, ainda desenhando o primeiro álbum, ao mostrar as páginas que iam ficando prontas (naquela época eu ainda fazia isso, acho que procurava aprovação) ouvia elogios mas também escutava palavras de velada reprovação: animais humanizados num mundo distópico? Não seria mais interessante um detetive ou cowboy urbano enfrentando problemas do dia-a-dia? Meu gosto por cenas de ação, mesclada à fantasia levada às últimas consequências me fizeram prosseguir sem me importar se agradaria ou não. Por entender que sexo faz parte do ambiente abjeto que queria retratar, eu as incluí da forma mais crua possível. Com a violência explicita e todo o resto que causa repúdio, eu sabia que o público ficaria limitado, mas fui em frente, afinal - só para repetir - era a minha forma de devolver o que eu me sentia obrigado a absorver. Bom, deu no que deu. A cada álbum lançado uma reação era provocada e sempre foram mais positivas que negativas, felizmente. Mas com a precariedade da divulgação, quem tinha um livro nas mãos pensava que fosse a estreia do personagem, nunca imaginava que havia um álbum anterior. Os espaços de tempo entre as publicações e o meu misantropismo (não sou frequente nos eventos de cultura pop tão em moda hoje) não ajudam a propalação do personagem. Mas sejamos francos, tirando os personagens do Maurício de Souza e do Ziraldo existem personagens de quadrinhos brasileiros que permaneçam na lembrança do grande público? Lembrando que os autores citados tem uma máquina forte empurrando suas criações, um tem aval do governo e o outro grandes empresas licenciando produtos, ambos são voltados para a garotada. Alguém poderia citar as criações do Angeli, tá certo, bem lembrado, mas o que mais? Todas as personas dos quadrinhos como a Mirza, a Velta, o Raio Negro, o Judoka, Garra Cinzenta e outros tantos só veem à mente de leitores antigos ou estudiosos dos quadrinhos. Quando se fala em quadrinho nacional ninguém lembra de Nho Quim, a criação do Ângelo Agostini. Então que importa se pouca gente sabe quem é o Zé Gatão?

Esses dias tenho recebido bons retornos. Um pessoal novo, bem educado, culto e com boa leitura (de tudo, não só de HQs) tem me passado mensagens bacanas de como gostaram das aventuras do grande gato e viraram fãs. Eles só vieram conhecer agora, como o Fábio Hasmann e sua esposa Elke que me mandaram esta foto via Facebook.


Recebi mensagens de outros me parabenizando pelos livros e querendo saber mais sobre o personagem e se os tomos esgotados serão republicados.
Tem aqueles, que nunca ouviram falar, acham graça por causa do nome, pensam que é um quadrinho comédia, pra rir, nem se dão ao trabalho de pesquisar no Google. Outros dizem que o nome não vende o personagem (ainda essa história?!) e por isso nem se interessam em conhecer o conteúdo. Normal. Tem que existir os que julgam o produto pela capa.

Minhas histórias são pensadas. Construo camadas. Tem ação, aventura, drama, algum romance e um pouco de filosofia pessoal, se há humor, acho que é involuntário, e, sim, tem sexo (no começo tinha mais), então quem quiser ver o todo, verá o todo, quem quiser ver apenas os pênis e vaginas, só verá pênis e vaginas, não posso fazer nada e cansei de me justificar.

Também fiquei fora do HQ Mix, tinha sido pré selecionado como melhor desenhista nacional e o ZÉ GATÃO - DAQUI PARA A ETERNIDADE como melhor álbum nacional, ou algo assim e não chegamos lá. Difícil, concorria com uma turma muito mais badalada. Por isto alguns admiradores da minha arte se comunicaram via rede social para dizer que foi sacanagem e que não há justiça no prêmio. Não é isso, não. Tudo, até no Oscar, tem que haver um barulho grande em cima do produto, tem que ter um investimento de tempo, vejam só, recebi bastante comunicado de artistas que conheço pedindo que eu votasse neles (eu sequer voto no HQ Mix). O caso é que não tenho saco para estas coisas.

Mas o mais legal de tudo isso é que uns gostam tanto que utilizam seu precioso tempo fazendo artes do personagem, dão a sua visão pessoal e isso me enche de orgulho!
O Fábio Hasmann, que também é um desenhista dos bons, criou este Zé Gatão com uma levada de desenho animado, digam aí: ficou irado, não é mesmo?



Muito obrigado Fábio, de coração! Tua arte já faz parte da galeria.

E assim nosso felino cinzento e tristonho continua sua trôpega caminhada pelo inexistente caminho dos quadrinhos brasílis - mas sempre em frente.

Beijos a todos e até a próxima.
















 

domingo, 17 de julho de 2016

LIRA DOS VINTE ANOS ( UM )



Caramba, já ilustrei a Lira Dos Vinte Anos do Álvares de Azevedo!
Eis um livro da coleção de clássicos da literatura brasileira da Editora Construir que havia esquecido totalmente! Por sorte precisei procurar um certo desenho e me deparei com essas imagens num envelope. Escaneei apenas algumas, como sempre, deixo a totalidade das artes para quem adquirir os livros, gera alguma expectativa, penso. Se bem que várias pessoas já expressaram desejo de comprar esses livros e não sabem onde encontrá-los. Eu também não, só localizei num único site e mesmo lá eles não tem todos os títulos.

Bem, na minha vida tá tudo mais do mesmo, portanto não vamos nos repetir, certo?

Semana que vem tem mais (se é que o amanhã chegará).

Beijos a todos.

domingo, 10 de julho de 2016

AS MAIORES HQS DE TODOS OS TEMPOS ( MAUS ).



MAUS, a obra prima do cartunista Art Spiegelman, merece muito mais do que minhas pobres palavras descreverão, o que faço agora é meio na pressa e sem aquela velha inspiração de outrora. Motivo? Cansaço físico. Ah, mas de novo essa conversa Schloesser? Muda o disco, cara! Toda vez tu fala isso! Vai descansar então, porra! E só volta quando tiver carregado as baterias e com postagens relevantes!
Sim, amados e amadas, vocês estão certos, mas se eu for relaxar para voltar renovado arrisco deixar este blog pegando poeira um tempo e não quero isso. Sei que existe um público aqui, os dados estatísticos comprovam, as visitações até aumentaram e gosto de escrever, mas pra variar tenho que que me desdobrar para não deixar a peteca cair. Mas voltemos ao Maus.

Não vou falar sobre a obra em si, deixo com vocês o link do site da Cia das Letras que dá detalhes desta fantástica história em quadrinhos, ali tem tudo o que precisam saber sobre ela e seu autor. Prefiro, como sempre, me ater às sensações que ela me provocou (e provoca).


O link é este (não ganho nada da editora, podem acreditar)

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11733


MAUS veio comprovar que os quadrinhos são muito mais que super-heróis, mangás, Mônica e sua turma, Disney, cartuns satíricos e tutti quanti (não os desmerecendo), demonstrou que é possível contar uma história densa, incômoda, num traço quase infantilizado, usando personagens antropomorfos. Spiegelman nos descreve, em desenhos nervosos, o horror de judeus em campos de concentração relatados por seu pai, um sobrevivente do holocausto e vai muito além, narrando em paralelo sua difícil convivência com o genitor. Um livro imperdível!


O primeiro contato que tive com ele foi em Brasília, na Livraria Presença (acho que ela não existe mais). Era uma semana dedicada às HQs, tinha muitos importados e os tomos eróticos europeus da Martins Fontes. Eu não tinha grana pra comprar aquilo.

Maus me chamou a atenção pelos desenhos, me pareceram à primeira vista toscos, mas extremamente expressivos. Só um tempo depois é que fui saber da importância dela no meio cultural, ganhou prêmios (entre eles um Pulitzer de literatura!).


Em São Paulo, nos duros anos, pude comprar o primeiro volume (nem lembro mais como, afinal ele estava esgotado na editora), o segundo continuava inédito no Brasil, tanto que me segurei para lê-lo, não queria ficar com água na boca pela conclusão. Até que não tanto depois a Brasiliense o lançou.
Finalmente pude matar a vontade, e só posso dizer que não pude largar até que chegasse à última página. Já o reli umas trocentas vezes e as emoções são sempre as mesmas.

Qual a diferença entre a Lista de Schindler, a tele-série Holocausto e Maus? Respondo: Maus é melhor! São mídias diferentes, eu sei, um é cinema, outro é televisão e como poderia uma história em quadrinhos competir com veículos que usam toda uma grandiosa produção e atingem as massas toda de uma única vez? Talvez por isto mesmo, quadrinhos e livros são experiências particulares de você com os  autores, você mergulha nos seus mundos, fantasias, pesadelos e esperanças, individualmente. Os quadrinhos ainda tem as imagens, que despertam outras percepções quando utilizadas de forma competente. E competência é o que não falta em Art Spielgman - em Maus, pelo menos.

Foi relançado em edição única há uns anos. Os meus são os antigos em dois volumes. Estão ali na minha estante, ao alcance dos meus olhos como a me indagar quando vou relê-los. Cara, acho que já passou da hora!