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domingo, 26 de junho de 2016

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS ( 14 )



Queridos e queridas, uma boa noite!

Chegamos à penúltima imagem deste clássico do Machadão.

Meu tempo hoje é mais curto que de costume por estar afobado com uns trabalhos urgentes, tanto que demorei para atualizar o blog. Mas nada me impede de dividir com vocês rapidamente o que estou lendo:

SHOP TALK - SEGREDOS DE PRANCHETA. É uma publicação da Criativo Editora. Um delicioso livro em que o ícone dos quadrinhos, Will Eisner, realiza entrevistas com seus pares da nona arte. Esses papos informais sucederam-se entre os anos de 1981 e 1984. E ele recebe gente do quilate de Jack Kirby, Neal Adams, Gil Kane, Jack Davis, Harvey Kurtzman, Joe Kubert e outros. Na verdade é um livro para quem faz quadrinhos pois ali os astros revelam suas motivações e técnicas, tudo num tom de conversa informal. Imperdível para quem é da área ou muito fã dos comics.

De gibi, eu li toda a série PREACHER. Gostei? Sim e não. Durante a saga do reverendo Jesse Custer em busca por deus (sim, eu escrevo com letra minúscula!) para pedir explicações do porque o criador abandonou a humanidade, ele se depara com várias inusitadas situações, alguns acontecimentos parecem um faroeste moderno. Alguns personagens são muito bem construídos, outros parecem forçados. Politicamente incorreto pra cacete! Garth Ennis, o controverso roteirista ataca de todos os lados, tudo e todos, diálogos ácidos e circunstâncias esdrúxulas. Se tivesse a mão menos pesada poderíamos dizer que se trata de um Quentin Tarantino nos quadrinhos. Como disse, esta foi a parte que me divertiu, mas quando a coisa descamba para a parte religiosa, aí fica infantil e repetitiva. Tem gente que ainda se diverte misturando a pessoa de Deus com palavrões só pra chocar e atrair a atenção. Os desenhos do Steve Dillon são funcionais. As capas do Glen Fabry são sensacionais. Não pretendo reler.

Nos últimos dias durante minhas atividades na prancheta tenho ouvido Duran Duran.

Infelizmente nunca mais fui ao cinema, nem foi mais possível assistir uma série.

Semana que passou o lendário desenhista Rodolfo Zalla nos deixou. Estava velhinho mas eu acho que nas artes, quanto mais velho melhor, ele tinha ainda chão para queimar, no entanto....

Não sou de escrever no Facebook, mas tive que cometer este texto que reproduzo abaixo contando meu encontro com ele.

Até a próxima semana, querendo Deus.  

Para mim o Facebook não é lugar para bate papo reflexivo, acho muito barulhento como uma feira livre, onde as pessoas se encontram ao acaso e trocam uma ou outra informação e seguem seus rumos, os blogs (que quase caíram em desuso) são mais apropriados para textos longos, mas não posso deixar de registrar minha tristeza com a despedida do grande RODOLFO ZALLA.
Eu o conheci ainda nos anos 90. Foi assim: eu tinha combinado com meu velho amigo Júlio Shimamoto que quando ele viesse a São Paulo, nós tiraríamos um tempo para comer, beber alguma coisa e jogar conversa fora (provavelmente o assunto seria a dura vida de desenhista no Brasil). O tal momento chegou quando ele veio para uma tarde de autógrafos na Comix. Na data marcada lá estava eu ansioso e o Shima se aproxima de mim e diz: "Schloesser, não leva a mal mas o Zalla veio me ver e quer passar mais tempo comigo, você não se incomoda se ele for comer com a gente, né?" E eu: "Claro que não! Será um prazer! Dois mestres pelo preço de um ao meu lado, que mais poderia querer?!" Fui apresentado ao Zalla; não me recordo direito se ele me fez umas duas ou três perguntas sobre mim, mas seu forte sotaque me chamou a atenção, ele, um tanto diferente do Shima tinha um ar mais grave, mais circunspecto, eu, pra ser sincero, não estava muito a vontade.
Seguimos por uma daquelas alamedas e nos sentamos na mesa de um bar, na calçada, que ficava próximo da Paulista. Era um final de tarde muito fria que prenunciava chuva. Aqui também a memória não ajuda, não sei o que pedimos para comer, provavelmente havia batata frita na parada, mas me recordo bem que o Zalla acendia seus cigarros e tomava suas cervejas em quanto eu e o velho samurai ficamos nos refrigerantes, recordo também seu modo seguro e firme em todas as suas colocações sobre nossa profissão; eu estava, agora, bem mais relaxado na presença dele. Chegou um momento que eu, o mais novo dos três (bem mais novo, diga-se de passagem) só ouvia aquelas duas lendas citando nomes de artistas das HQs que eu nunca tinha ouvido falar.
Estar com Rodolfo Zalla era um momento único, era uma pessoa única, como únicos somos todos nós, mas falo do fato de num mundo onde todos parecem se assemelhar, ou se adaptar para estar inserido num contexto, ele tinha aquele jeitão todo dele, aquele ar professoral que a gente quer imitar num adulto quando se é ainda menino. A pouca claridade da tardinha deu lugar às luzes artificiais e o frio se intensificava, o Júlio ainda tinha que
pegar condução até a casa de alguém (um irmão, acho) e chegava o momento da despedida. Peguei o endereço do Zalla para enviar meu primeiro (e único, até então) álbum de quadrinhos. Ele fez questão de pagar a conta. Cada um para seu canto e nunca mais voltei a vê-lo - nem me lembro se voltei a ver o Shima depois disso - mas nossos papos por telefone continuaram. Mandei meu livro para o Rodolfo e até fiquei esperando um retorno que nunca aconteceu.
Faz uns poucos anos o editor da Editora Criativo me informou que o Zalla queria falar comigo para que eu desenhasse uma hq de terror dele, de umas oito páginas; fiquei honrado, mas ele sem internet e eu sem telefone, a coisa nunca aconteceu.
Rodolfo Zalla vai fazer falta, ele era daquele tempo onde os quadrinhos eram vendidos em bancas, onde as tiragens eram maiores, o período onde o estilo que imperava era realista e elegante; ele era educado e culto; hoje os gibis são vendidos em livrarias, os autores são arrogantes e disfarçam sua falta de estudo de arte num estilo pseudo-vanguardista, sempre com narrativas autobiográficas e quase sempre se esquecem (ou desconhecem) de como contar uma boa história em quadrinhos - não são todos, quero ressaltar!
Mais um da velha guarda que se vai, as novas gerações talvez nem saibam o que perderam. Não temos o resgate daquela obras do passado em volumes bem encadernados, sequer temos bibliotecas onde poderiam contê-los. O que fica é a tristeza, essa sensação de vazio e solidão.
Ainda ontem conversava com meu amigo Leandro Luigi Del Manto e falávamos do momento crítico que vivemos. Há esperanças? Sempre há e temos que lutar com unhas e dentes por ela.
Não vou dizer adeus ao mestre Rodolfo Zalla, prefiro o "até breve".

sábado, 18 de junho de 2016

85 VEZES SÍLVIO SANTOS.



Recebi esta semana os três exemplares do livro de caricaturas homenageando o Sílvio Santos. Tive a honra de participar com uma arte que, creio, muitos que me acompanham aqui já conhecem.
O volume em si me surpreendeu pelo seu belíssimo acabamento e papel de gramatura encorpada, capa dura, grande e pesadão. Com toda a correria destes últimos dias mal tive tempo de sossegar, apreciar as demais ilustrações e ler o breve comentário que cada artista faz sobre o maior animador de auditório da televisão brasileira, mas isto é o de menos.



Amanhã o cartunista JAL e o Maurício de Souza, que assina a arte da capa, vão entregar para o Sílvio o livrão. Sugiro ficarem ligados, vai ser no mínimo divertido. Este link trás mais informações:

http://www.sbt.com.br/programasilviosantos/fiquepordentro/77747/Mauricio-de-Sousa-e-Silvio-Santos-tem-encontro-historico-neste-domingo.html


Soube que foram impressos cinco mil cópias e mais de quatro mil já foram vendidos. Se esgotar é capaz de ter uma reimpressão (tomara).


Só tive direito a três, uma fica comigo e as outras duas vão para a família.

Bem, amados e amadas, meu dias no mar tem sido sem tempestades no momento, porém não sopra nenhum vento que me tire deste meridiano.

Continuo trabalhando e confiando em Deus para ver se chego a um porto seguro.


domingo, 12 de junho de 2016

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS ( 13 )


Hoje acordei muito mais cedo que o normal. Perdi o sono. Meu primeiro impulso foi vir trabalhar, começar logo os afazeres para ver se o dia rende mais, uma vez que parece mesmo que ele encurtou, o relógio insiste em dizer que nada mudou, são as mesmas 24 horas, embora aparente ter só a metade deste período. Isto me faz lembrar de um artigo que li certa vez onde se comentava o que Jesus Cristo vaticinara sobre o fim dos tempos (Mateus 24, versículos 21 e 22).
Liguei o computador e ele, como quem diz: "volte pra cama idiota!" apresentou um problema que se eu não resolver logo terei sérios aborrecimentos. O caso é: cadê grana pra isso? Dinheiro, sempre o dinheiro!
Mas o aparelho decidiu colaborar e como de praxe fui verificar meus e-mails. Não havia nenhum. Antigamente eu recebia um monte de mensagens diárias, agora é algo raro. Acho que o tempo encolheu para os outros também.
Resolvi logo fazer a minha postagem semanal mesmo sem saber sobre o que falar exatamente. Claro que nunca planejo o que vou dizer, antigamente eu tinha mais ideias a dividir com vocês, fatos pitorescos da vida - minha e dos outros - reflexões sobre coisas que...sei lá....
Ando me sentido meio vazio.
Tem muito trabalho a ser feito e pouca energia para executar tudo. Vou efetivando na medida das minhas necessidades, primeiro aqueles que me dão um rendimento mais imediato, depois aqueles que proverão mais ao futuro e por fim aqueles que pra mim realmente importam mas que nunca me dão nada além de um alívio para a maior parte das coisas que me sufocam.
Muita depressão e saudades da minha mãe e dos meus irmãos. Ainda bem que tenho a Verônica comigo.
Eu ia comentar que tenho feito muitas longas caminhadas, não pela saúde, embora prefira crer que ela indiretamente vá se beneficiar com isto, mas principalmente porque a passagem de ônibus está abusiva por aqui e aonde eu preciso ir posso fazer andando. A questão é que o dia se reduz mais ainda e as poucas energias se vão. Bom, não há muito a se questionar, apenas seguir adiante com a rotina.


A arte de hoje é mais uma cena de Memórias Póstumas, estamos chegando ao fim com as imagens deste livro. Mas ainda há muitos outros clássicos para serem mostrados; no devido tempo, enquanto durar este blog, eu divido com vocês.

Vamos nos falando, se Deus quiser.

domingo, 5 de junho de 2016

JOGANDO CARVÃO NA CALDEIRA DOS NOVOS CLÁSSICOS DO TERROR.


Ontem, sábado, foi um dia chuvoso. Ideal para ficar em casa lendo. Nem fiquei em casa, tampouco pude ler, mas mesmo assim foi um dia agradabilíssimo, com paz e alguma produção.


A história em quadrinhos CARTAS MARCADAS, que faz parte do projeto NCT, com roteiro assinado pelo grande (literalmente) Alexandre D´assumpção, estava parada; como não tinha pressa e gosto de caprichar na arte eu a engavetei esperando uma oportunidade de retomá-la com calma,  preferi me concentrar nos trabalhos encomendados. Só que esta semana o capitão do barco, Allan Alex, gentilmente me perguntou se eu não poderia acelerar o processo pois a edição 1 deve acontecer em breve e ele gostaria que eu estivesse presente no primeiro álbum. Como não concordar? Terei que arrumar um tempinho todos os dias para dar conta recado e manter a qualidade dos desenhos.
Um empurrãozinho as vezes é necessário para que a máquina trabalhe. Já comecei as artes da página nove.


Hoje, ao contrário de ontem, o dia nasceu ensolarado. A Verônica acha que vai chover a tarde. Veremos. O clima de qualquer forma está agradável, propício para o trabalho, então vamos por as mãos na massa!

Aqui temos esboço e amostra grátis de como a coisa tá ficando.

Aperto de mãos para os moços e beijos para as moças.



                              

domingo, 29 de maio de 2016

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS ( 12 ).


Pois é, Memórias Póstumas de Brás Cubas, um dos melhores livros que li, gostei até mais do que Dom Casmurro, achei mais divertido, é como um desse doces que caem bem ao paladar mas depois deixam uma sensação na boca que não é exatamente agradável. Olhem, não sei bem o que estou falando, ignoro se há um doce assim, acho que fruta explica melhor; mas qual fruta? Ameixa, talvez? Mas falo daquela ameixa roxa que se come em festas de fim de ano. Bom, de qualquer forma acho que vocês entenderam o meu ponto. Este livro do Machadão teve este poder sobre mim, tanto que o reli umas duas vezes, quando soube que ia ilustrá-lo, pensei: serei capaz de fazer justiça a ele? Claro que não, seria impossível, minha arte não se compara à força das palavras do nosso maior escritor, e também nem tive tempo de refletir sobre como faria, não me deram tempo, mas empreendi o melhor que pude.
Confesso que havia me esquecido desses desenhos, preciso terminar de postá-los.


Cheguei da rua a pouco tempo, fui comprar mussarela na padaria para a Vera preparar suas delícias para nosso almoço. Amanheceu chovendo, quando abri o portão o sol veio me saldar, a lama da rua com o ardor dos raios solares me provocaram desconforto, mas não havia nada que pudesse fazer. Caminho ora falando com Deus, ora imaginando as cenas que comporão a minha próxima HQ e eis aí um grande mistério: porque ainda faço isso? É trabalhoso - mais do que se possa imaginar - é um serviço de parto publicar, não dá grana, o reconhecimento é pífio! Enfim, não sei, acho que continuo não por grana ou sucesso, mas por que é isso que sou, é minha forma de me comunicar sem máscaras. Não são apenas os quadrinhos, minhas ilustrações pessoais refletem muito o meu interior. Me vejo de forma mais honesta ali do que quando me olho no espelho.

Passei no mercado, comprei alguma coisa, vejo sempre os mesmos caixas e repositores, os rostos familiares, as mesmas banhas, dentes e cabelos, tudo conta uma história, a mesma de sempre, está gravado em cada ruga de expressão. Eu me sinto bem cansado. Eu vejo o Brasil como um gigante derrotado, caído, lutando para se levantar, mas não querem permitir, existe uma força poderosa que insiste em reinar sugando as energias daqueles que trabalham duro e pagam impostos. Essa força invisível (bem, convenhamos, não tão invisível assim) possui aliados ferrenhos, que (insisto na afirmação) ou são muito burros ou muito perversos.
Esta semana uma jovem foi estuprada por mais de trinta marmanjos. Uma história sórdida até o osso onde parece que há inocentes. Mais um caso entre tantos que geram um amontoado de ideias idiotas vindo de bocas que nada fazem alem de palavrear. Na boa, não dá pra não se sentir cansado.

Encerro meus pensamentos por aqui, daqui a pouco vou almoçar e depois de um repouso me sento aqui de novo para produzir mais alguma coisa, isso me acalma. O legal é que mesmo planejando o que vou executar eu nunca sei com exatidão o que sairá da ponta do lápis.

Boa semana pra todos.









domingo, 22 de maio de 2016

O MESMO DE SEMPRE.


O dia nasceu ensolarado. Uma manhã clara, bonita e não está aquele calor que faz você suar mesmo com o ventilador ligado. Que Deus seja louvado! Meu brother Luca a pouco me passou uma mensagem dizendo que o dia em Brasília está frio e nebuloso. Este é o meu dia ideal, é como vivo e trabalho melhor. Ah, Brasília, um amor que não se apaga, uma amante que segurou meu coração e não o devolve ao meu peito! Tantas alegrias, mágoas e decepções...como esquecê-la? Estamos envelhecendo eu e ela, eu partirei - se tarde ou cedo, só Jesus sabe - e ela, talvez, ficará por mais tempo, mas até esta cidade de espaços amplos, céu luminoso de nuvens que parecem ao alcance das mãos, perecerá.

Eu aqui no nordeste, continuo com minha rotina (insisto: rotina é uma benção! Pelo menos para aqueles menos abastados). Sempre sentado em minha prancheta tentando corporificar em fibras de celulose aquilo que meu coração envia para minha mente ou o que me encomendam. As vezes sai do meu agrado, as vezes não.
Vou à rua com meu minguado dinheiro pagar uma conta, ao mercado, à padaria. Devo até ser conhecido das pessoas nesses lugares, num mundo legal - que não é este - elas me cumprimentariam, diriam; força, irmão, tudo na vida passa! Mais um pouco, a linha de chegada não está longe! Mas pensando bem, é melhor mesmo que eles fiquem imersos em seus mundinhos, achando que boa parte da humanidade é uma merda. Eu vivo melhor com meus pensamentos, criando meus universos imaginários, me perguntando se conseguirei desenhar todas as imagens e histórias que vão se formando em minha cabeça, e se der sorte de conseguir, quem vai querer saber? Ah, dane-se, nunca fiz nada, quando se trata da minha arte particular, para agradar ninguém, mas para dar vazão aos meus arroubos de raiva ou tristeza, então esta não seria uma preocupação.

No Brasil o dinheiro está sumindo, algumas pessoas estão acordando de suas letargias exigindo mudanças e eu me pergunto se já não é tarde demais. No hemisfério norte muitos estão estocando comida, construindo bunkers, com medo dos loucos, como o ditador da Coréia do Norte e outros do mesmo naipe, há quem tema uma invasão alienígena, ou vírus do mosquito Aedes Aegypti, ebola ou ainda da revolta dos robôs (eles já existem como ameaça real?); alguém viu o filme "Rua Cloverfield"? Recomendo.

Assisti semana passada um programa nerd comentando sobre os filmes "Batman x Superman" e "Capitão América - Guerra Civil", uns quadrinistas tido como fodões do mercado eram convidados da mesa redonda. Quanta empáfia! Quanta idiotice saía da boca desses artistas! Deu vontade de vomitar! Não eram as opiniões infantis e bobocas dos caras sobre as películas, mas a visão rasa e limitada dos problemas atuais, sempre doutrinados pela maldita cartilha marxista. Não aguentei e desliguei o vídeo.


No meio da depressão em que me vejo envolvido por causa das incertezas do tempo presente, alguma coisa interessante acontece. Já faz uns dias recebi da Editora Construir meu reparte de mais uns livros clássicos da literatura brasileira que ilustrei: "Contos Selecionados de Lima Barreto", "Triste Fim de Policarpo Quaresma" e "Helena". Cara, isso é muito legal!


Não fiquei bem de vida com os trabalhos que fiz até o momento mas vivo de forma remediada - e honrada - sei que minha passagem por esta vida não será vã, ficarão por um tempo algumas artes publicadas em livros e álbuns de quadrinhos. Isso importa, o resto é consequência.

Uma boa semana a todos e até a próxima!

Helena.
Triste Fim de Policarpo Quaresma

Helena

Triste Fim de Policarpo Quaresma
Contos Selecionados de Lima Barreto
Contos Selecionados de Lima Barreto.












domingo, 15 de maio de 2016

PARTE FINAL DOS COMENTÁRIOS DO LUCA FIUZA SOBRE SEUS CONTOS ENVOLVENDO ZÉ GATÃO.



CONTOS DE ZÉ GATÃO – FINAL.
         9 - KARENINA:
         Para mim este conto trouxe em seu bojo um pouco da atmosfera um tanto utópica tão comum em meus escritos no princípio dos anos 80!  Aquelas historietas escritas à mão eram parte integrante de uma safra que eu costumava enviar ao meu brother Eduardo no período em que ele esteve residindo no Rio de Janeiro. Não foi à toa que fiz questão de que esta história fosse uma continuação direta do conto Lígia que já continha este viés mais ingênuo.
         Sempre fui um escritor muito descritivo que me atinha a detalhes, esmiuçando profundamente as cenas e os personagens de tal maneira que me tornava prolixo. Meus leitores e leitoras em sua maioria amigos da quadra onde eu morava, e curiosamente algumas genitoras de meus amigos gostavam deste estilo, cheio de floreios, de sofismas e certa dose de picardia, acrescido de um romantismo na realidade bastante pueril, mas condizente com o adolescente sonhador que eu era!
         Como já é de conhecimento público, em 2011 foi lançado o primeiro conto do felino taciturno no blog do meu mano velho. Já antes disso, principiei a acreditar ser necessário alterar em certa medida meu costumeiro jeito de contar histórias. Mais do que nunca, pois eu estava escrevendo para um público que não me conhecia. Desta forma, cogitei que possivelmente textos muito longo e cheio de detalhes altamente descritivos cansariam a quem os lesse. Ainda assim, não queria perder esta essência que me era característica e a solução que encontrei foi reduzir os excessos e procurar escrever um texto equilibrado que fosse objetivo sem ficar burocrático ou tedioso.
         Intimamente, sentia saudade da forma antiga. No entanto, sabia que jamais conseguiria escrever exatamente como antes em razão das naturais alterações que sofremos com o passar dos anos. Nossa cabeça muda! Amadurecemos e as significações da vida agora são diferentes. Apesar de reconhecer tudo isso, eu queria resgatar de alguma maneira aqueles momentos do passado e acho que dentro das proporções tive sucesso em Karenina onde eu falhei em Lígia.  O texto de Karenina foi uma narração bem descritiva e detalhada como eu sempre gostei de fazer, retratando a natureza, a vida no descampado sob o calor do sol durante o dia e o suave frescor da noite estrelada. A descrição do mangue e do mar remontam vivências de minha infância no velho Rio de Janeiro em uma Barra da Tijuca mais agreste nos fins dos anos 60 e iniciozinho dos 70 com sua praia ainda com vegetação típica de áreas litorâneas. O mar bravio. Ouvia do meu quarto o fragor das ondas no silêncio da noite.   Ou na casa de minha vovó Dulce em Iguaba Grande, na região dos Lagos, a poucos metros da lagoa de águas extremamente salinas e cálidas, conhecida como Araruama e suas cercanias, onde havia praias de mar aberto ainda intocadas pela mão humana.  A floresta pela qual Zé Gatão passou antes de chegar à vila dos gatos-pescadores foi uma referência ao Parque Laje, onde eu brincava com os amiguinhos do nosso prédio ainda na cidade maravilhosa. Todo este ambiente estritamente natural e virgem eu retratei em Karenina, tentando trazer de volta a singeleza do meu passado naquele conto tão gostoso de escrever. Gostei muito de todos os personagens, desde os benfazejos gatos da pequena vila até os truculentos cães policiais que foram perturbar os pacíficos felinos. A personagem Karenina em si é muito interessante! Aprecio muito as gatas selvagens, pois todas elas têm suas particularidades, uma ferocidade e uma energia vital que as diferencia das felinas civilizadas, mais complexas e sutis a meu ver do que estas feras mais afeitas à total independência. O próprio felino taciturno está nesta trama mais descontraído, a angústia que o caracteriza costumeiramente não está premente...mas está sempre ali a espreitá-lo!  Como em muitas de suas histórias, inclusive nas HQs do Eduardo, o gato não tem o domínio da situação e se move ao sabor das circunstâncias, tendo de muitas vezes se adaptar às contingências e agir conforme o caso.
         Assim concluo minhas breves considerações sobre meu processo criativo enquanto desenvolvi minhas experiências com o universo antropomorfo entre 2011 e 2015. Mais uma vez agradeço ao meu mano velho Eduardo Schloesser por esta oportunidade ímpar.

Luca Fiuza.

( http://eduardoschloesser.blogspot.com.br/2016/03/ze-gatao-karenina-um-conto-de-luca.html )