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domingo, 24 de julho de 2016

FANART DE ZÉ GATÃO POR FÁBIO HASMANN

Queridas e queridos, boa noite!

Sabem, não consigo mensurar a popularidade do meu personagem de quadrinhos, é complicado. No início, quando o criei, ainda desenhando o primeiro álbum, ao mostrar as páginas que iam ficando prontas (naquela época eu ainda fazia isso, acho que procurava aprovação) ouvia elogios mas também escutava palavras de velada reprovação: animais humanizados num mundo distópico? Não seria mais interessante um detetive ou cowboy urbano enfrentando problemas do dia-a-dia? Meu gosto por cenas de ação, mesclada à fantasia levada às últimas consequências me fizeram prosseguir sem me importar se agradaria ou não. Por entender que sexo faz parte do ambiente abjeto que queria retratar, eu as incluí da forma mais crua possível. Com a violência explicita e todo o resto que causa repúdio, eu sabia que o público ficaria limitado, mas fui em frente, afinal - só para repetir - era a minha forma de devolver o que eu me sentia obrigado a absorver. Bom, deu no que deu. A cada álbum lançado uma reação era provocada e sempre foram mais positivas que negativas, felizmente. Mas com a precariedade da divulgação, quem tinha um livro nas mãos pensava que fosse a estreia do personagem, nunca imaginava que havia um álbum anterior. Os espaços de tempo entre as publicações e o meu misantropismo (não sou frequente nos eventos de cultura pop tão em moda hoje) não ajudam a propalação do personagem. Mas sejamos francos, tirando os personagens do Maurício de Souza e do Ziraldo existem personagens de quadrinhos brasileiros que permaneçam na lembrança do grande público? Lembrando que os autores citados tem uma máquina forte empurrando suas criações, um tem aval do governo e o outro grandes empresas licenciando produtos, ambos são voltados para a garotada. Alguém poderia citar as criações do Angeli, tá certo, bem lembrado, mas o que mais? Todas as personas dos quadrinhos como a Mirza, a Velta, o Raio Negro, o Judoka, Garra Cinzenta e outros tantos só veem à mente de leitores antigos ou estudiosos dos quadrinhos. Quando se fala em quadrinho nacional ninguém lembra de Nho Quim, a criação do Ângelo Agostini. Então que importa se pouca gente sabe quem é o Zé Gatão?

Esses dias tenho recebido bons retornos. Um pessoal novo, bem educado, culto e com boa leitura (de tudo, não só de HQs) tem me passado mensagens bacanas de como gostaram das aventuras do grande gato e viraram fãs. Eles só vieram conhecer agora, como o Fábio Hasmann e sua esposa Elke que me mandaram esta foto via Facebook.


Recebi mensagens de outros me parabenizando pelos livros e querendo saber mais sobre o personagem e se os tomos esgotados serão republicados.
Tem aqueles, que nunca ouviram falar, acham graça por causa do nome, pensam que é um quadrinho comédia, pra rir, nem se dão ao trabalho de pesquisar no Google. Outros dizem que o nome não vende o personagem (ainda essa história?!) e por isso nem se interessam em conhecer o conteúdo. Normal. Tem que existir os que julgam o produto pela capa.

Minhas histórias são pensadas. Construo camadas. Tem ação, aventura, drama, algum romance e um pouco de filosofia pessoal, se há humor, acho que é involuntário, e, sim, tem sexo (no começo tinha mais), então quem quiser ver o todo, verá o todo, quem quiser ver apenas os pênis e vaginas, só verá pênis e vaginas, não posso fazer nada e cansei de me justificar.

Também fiquei fora do HQ Mix, tinha sido pré selecionado como melhor desenhista nacional e o ZÉ GATÃO - DAQUI PARA A ETERNIDADE como melhor álbum nacional, ou algo assim e não chegamos lá. Difícil, concorria com uma turma muito mais badalada. Por isto alguns admiradores da minha arte se comunicaram via rede social para dizer que foi sacanagem e que não há justiça no prêmio. Não é isso, não. Tudo, até no Oscar, tem que haver um barulho grande em cima do produto, tem que ter um investimento de tempo, vejam só, recebi bastante comunicado de artistas que conheço pedindo que eu votasse neles (eu sequer voto no HQ Mix). O caso é que não tenho saco para estas coisas.

Mas o mais legal de tudo isso é que uns gostam tanto que utilizam seu precioso tempo fazendo artes do personagem, dão a sua visão pessoal e isso me enche de orgulho!
O Fábio Hasmann, que também é um desenhista dos bons, criou este Zé Gatão com uma levada de desenho animado, digam aí: ficou irado, não é mesmo?



Muito obrigado Fábio, de coração! Tua arte já faz parte da galeria.

E assim nosso felino cinzento e tristonho continua sua trôpega caminhada pelo inexistente caminho dos quadrinhos brasílis - mas sempre em frente.

Beijos a todos e até a próxima.
















 

domingo, 17 de julho de 2016

LIRA DOS VINTE ANOS ( UM )



Caramba, já ilustrei a Lira Dos Vinte Anos do Álvares de Azevedo!
Eis um livro da coleção de clássicos da literatura brasileira da Editora Construir que havia esquecido totalmente! Por sorte precisei procurar um certo desenho e me deparei com essas imagens num envelope. Escaneei apenas algumas, como sempre, deixo a totalidade das artes para quem adquirir os livros, gera alguma expectativa, penso. Se bem que várias pessoas já expressaram desejo de comprar esses livros e não sabem onde encontrá-los. Eu também não, só localizei num único site e mesmo lá eles não tem todos os títulos.

Bem, na minha vida tá tudo mais do mesmo, portanto não vamos nos repetir, certo?

Semana que vem tem mais (se é que o amanhã chegará).

Beijos a todos.

domingo, 10 de julho de 2016

AS MAIORES HQS DE TODOS OS TEMPOS ( MAUS ).



MAUS, a obra prima do cartunista Art Spiegelman, merece muito mais do que minhas pobres palavras descreverão, o que faço agora é meio na pressa e sem aquela velha inspiração de outrora. Motivo? Cansaço físico. Ah, mas de novo essa conversa Schloesser? Muda o disco, cara! Toda vez tu fala isso! Vai descansar então, porra! E só volta quando tiver carregado as baterias e com postagens relevantes!
Sim, amados e amadas, vocês estão certos, mas se eu for relaxar para voltar renovado arrisco deixar este blog pegando poeira um tempo e não quero isso. Sei que existe um público aqui, os dados estatísticos comprovam, as visitações até aumentaram e gosto de escrever, mas pra variar tenho que que me desdobrar para não deixar a peteca cair. Mas voltemos ao Maus.

Não vou falar sobre a obra em si, deixo com vocês o link do site da Cia das Letras que dá detalhes desta fantástica história em quadrinhos, ali tem tudo o que precisam saber sobre ela e seu autor. Prefiro, como sempre, me ater às sensações que ela me provocou (e provoca).


O link é este (não ganho nada da editora, podem acreditar)

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11733


MAUS veio comprovar que os quadrinhos são muito mais que super-heróis, mangás, Mônica e sua turma, Disney, cartuns satíricos e tutti quanti (não os desmerecendo), demonstrou que é possível contar uma história densa, incômoda, num traço quase infantilizado, usando personagens antropomorfos. Spiegelman nos descreve, em desenhos nervosos, o horror de judeus em campos de concentração relatados por seu pai, um sobrevivente do holocausto e vai muito além, narrando em paralelo sua difícil convivência com o genitor. Um livro imperdível!


O primeiro contato que tive com ele foi em Brasília, na Livraria Presença (acho que ela não existe mais). Era uma semana dedicada às HQs, tinha muitos importados e os tomos eróticos europeus da Martins Fontes. Eu não tinha grana pra comprar aquilo.

Maus me chamou a atenção pelos desenhos, me pareceram à primeira vista toscos, mas extremamente expressivos. Só um tempo depois é que fui saber da importância dela no meio cultural, ganhou prêmios (entre eles um Pulitzer de literatura!).


Em São Paulo, nos duros anos, pude comprar o primeiro volume (nem lembro mais como, afinal ele estava esgotado na editora), o segundo continuava inédito no Brasil, tanto que me segurei para lê-lo, não queria ficar com água na boca pela conclusão. Até que não tanto depois a Brasiliense o lançou.
Finalmente pude matar a vontade, e só posso dizer que não pude largar até que chegasse à última página. Já o reli umas trocentas vezes e as emoções são sempre as mesmas.

Qual a diferença entre a Lista de Schindler, a tele-série Holocausto e Maus? Respondo: Maus é melhor! São mídias diferentes, eu sei, um é cinema, outro é televisão e como poderia uma história em quadrinhos competir com veículos que usam toda uma grandiosa produção e atingem as massas toda de uma única vez? Talvez por isto mesmo, quadrinhos e livros são experiências particulares de você com os  autores, você mergulha nos seus mundos, fantasias, pesadelos e esperanças, individualmente. Os quadrinhos ainda tem as imagens, que despertam outras percepções quando utilizadas de forma competente. E competência é o que não falta em Art Spielgman - em Maus, pelo menos.

Foi relançado em edição única há uns anos. Os meus são os antigos em dois volumes. Estão ali na minha estante, ao alcance dos meus olhos como a me indagar quando vou relê-los. Cara, acho que já passou da hora!












domingo, 3 de julho de 2016

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS ( FINAL ).


Enfim chegamos à derradeira imagem deste belo clássico do Machado de Assis (preciso reler este livro, mas serei cabotino e esperarei para fazê-lo quando a editora lançar a edição com os meus desenhos).

O velho Brás deitado morbidamente em seu caixão. Um final apropriado.


Ando em dívida com meus livros, não tenho conseguido tempo para ler nada, quer dizer, leio rapidamente alguns artigos um pouco mais curtos na web, mas parar mesmo para curtir uma boa história, ah, isto está cada dia mais raro!

Esta foi uma semana de pouca produção, fora mais uma página concluída para o NCT, quase não parei na prancheta para desenhar, todos os dias na rua para resolver aquelas coisinhas necessárias da vida. E ela segue, ora lá em cima, ora mais embaixo, mas sempre em frente.

Por hoje é só.

Beijos a todos.

domingo, 26 de junho de 2016

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS ( 14 )



Queridos e queridas, uma boa noite!

Chegamos à penúltima imagem deste clássico do Machadão.

Meu tempo hoje é mais curto que de costume por estar afobado com uns trabalhos urgentes, tanto que demorei para atualizar o blog. Mas nada me impede de dividir com vocês rapidamente o que estou lendo:

SHOP TALK - SEGREDOS DE PRANCHETA. É uma publicação da Criativo Editora. Um delicioso livro em que o ícone dos quadrinhos, Will Eisner, realiza entrevistas com seus pares da nona arte. Esses papos informais sucederam-se entre os anos de 1981 e 1984. E ele recebe gente do quilate de Jack Kirby, Neal Adams, Gil Kane, Jack Davis, Harvey Kurtzman, Joe Kubert e outros. Na verdade é um livro para quem faz quadrinhos pois ali os astros revelam suas motivações e técnicas, tudo num tom de conversa informal. Imperdível para quem é da área ou muito fã dos comics.

De gibi, eu li toda a série PREACHER. Gostei? Sim e não. Durante a saga do reverendo Jesse Custer em busca por deus (sim, eu escrevo com letra minúscula!) para pedir explicações do porque o criador abandonou a humanidade, ele se depara com várias inusitadas situações, alguns acontecimentos parecem um faroeste moderno. Alguns personagens são muito bem construídos, outros parecem forçados. Politicamente incorreto pra cacete! Garth Ennis, o controverso roteirista ataca de todos os lados, tudo e todos, diálogos ácidos e circunstâncias esdrúxulas. Se tivesse a mão menos pesada poderíamos dizer que se trata de um Quentin Tarantino nos quadrinhos. Como disse, esta foi a parte que me divertiu, mas quando a coisa descamba para a parte religiosa, aí fica infantil e repetitiva. Tem gente que ainda se diverte misturando a pessoa de Deus com palavrões só pra chocar e atrair a atenção. Os desenhos do Steve Dillon são funcionais. As capas do Glen Fabry são sensacionais. Não pretendo reler.

Nos últimos dias durante minhas atividades na prancheta tenho ouvido Duran Duran.

Infelizmente nunca mais fui ao cinema, nem foi mais possível assistir uma série.

Semana que passou o lendário desenhista Rodolfo Zalla nos deixou. Estava velhinho mas eu acho que nas artes, quanto mais velho melhor, ele tinha ainda chão para queimar, no entanto....

Não sou de escrever no Facebook, mas tive que cometer este texto que reproduzo abaixo contando meu encontro com ele.

Até a próxima semana, querendo Deus.  

Para mim o Facebook não é lugar para bate papo reflexivo, acho muito barulhento como uma feira livre, onde as pessoas se encontram ao acaso e trocam uma ou outra informação e seguem seus rumos, os blogs (que quase caíram em desuso) são mais apropriados para textos longos, mas não posso deixar de registrar minha tristeza com a despedida do grande RODOLFO ZALLA.
Eu o conheci ainda nos anos 90. Foi assim: eu tinha combinado com meu velho amigo Júlio Shimamoto que quando ele viesse a São Paulo, nós tiraríamos um tempo para comer, beber alguma coisa e jogar conversa fora (provavelmente o assunto seria a dura vida de desenhista no Brasil). O tal momento chegou quando ele veio para uma tarde de autógrafos na Comix. Na data marcada lá estava eu ansioso e o Shima se aproxima de mim e diz: "Schloesser, não leva a mal mas o Zalla veio me ver e quer passar mais tempo comigo, você não se incomoda se ele for comer com a gente, né?" E eu: "Claro que não! Será um prazer! Dois mestres pelo preço de um ao meu lado, que mais poderia querer?!" Fui apresentado ao Zalla; não me recordo direito se ele me fez umas duas ou três perguntas sobre mim, mas seu forte sotaque me chamou a atenção, ele, um tanto diferente do Shima tinha um ar mais grave, mais circunspecto, eu, pra ser sincero, não estava muito a vontade.
Seguimos por uma daquelas alamedas e nos sentamos na mesa de um bar, na calçada, que ficava próximo da Paulista. Era um final de tarde muito fria que prenunciava chuva. Aqui também a memória não ajuda, não sei o que pedimos para comer, provavelmente havia batata frita na parada, mas me recordo bem que o Zalla acendia seus cigarros e tomava suas cervejas em quanto eu e o velho samurai ficamos nos refrigerantes, recordo também seu modo seguro e firme em todas as suas colocações sobre nossa profissão; eu estava, agora, bem mais relaxado na presença dele. Chegou um momento que eu, o mais novo dos três (bem mais novo, diga-se de passagem) só ouvia aquelas duas lendas citando nomes de artistas das HQs que eu nunca tinha ouvido falar.
Estar com Rodolfo Zalla era um momento único, era uma pessoa única, como únicos somos todos nós, mas falo do fato de num mundo onde todos parecem se assemelhar, ou se adaptar para estar inserido num contexto, ele tinha aquele jeitão todo dele, aquele ar professoral que a gente quer imitar num adulto quando se é ainda menino. A pouca claridade da tardinha deu lugar às luzes artificiais e o frio se intensificava, o Júlio ainda tinha que
pegar condução até a casa de alguém (um irmão, acho) e chegava o momento da despedida. Peguei o endereço do Zalla para enviar meu primeiro (e único, até então) álbum de quadrinhos. Ele fez questão de pagar a conta. Cada um para seu canto e nunca mais voltei a vê-lo - nem me lembro se voltei a ver o Shima depois disso - mas nossos papos por telefone continuaram. Mandei meu livro para o Rodolfo e até fiquei esperando um retorno que nunca aconteceu.
Faz uns poucos anos o editor da Editora Criativo me informou que o Zalla queria falar comigo para que eu desenhasse uma hq de terror dele, de umas oito páginas; fiquei honrado, mas ele sem internet e eu sem telefone, a coisa nunca aconteceu.
Rodolfo Zalla vai fazer falta, ele era daquele tempo onde os quadrinhos eram vendidos em bancas, onde as tiragens eram maiores, o período onde o estilo que imperava era realista e elegante; ele era educado e culto; hoje os gibis são vendidos em livrarias, os autores são arrogantes e disfarçam sua falta de estudo de arte num estilo pseudo-vanguardista, sempre com narrativas autobiográficas e quase sempre se esquecem (ou desconhecem) de como contar uma boa história em quadrinhos - não são todos, quero ressaltar!
Mais um da velha guarda que se vai, as novas gerações talvez nem saibam o que perderam. Não temos o resgate daquela obras do passado em volumes bem encadernados, sequer temos bibliotecas onde poderiam contê-los. O que fica é a tristeza, essa sensação de vazio e solidão.
Ainda ontem conversava com meu amigo Leandro Luigi Del Manto e falávamos do momento crítico que vivemos. Há esperanças? Sempre há e temos que lutar com unhas e dentes por ela.
Não vou dizer adeus ao mestre Rodolfo Zalla, prefiro o "até breve".

sábado, 18 de junho de 2016

85 VEZES SÍLVIO SANTOS.



Recebi esta semana os três exemplares do livro de caricaturas homenageando o Sílvio Santos. Tive a honra de participar com uma arte que, creio, muitos que me acompanham aqui já conhecem.
O volume em si me surpreendeu pelo seu belíssimo acabamento e papel de gramatura encorpada, capa dura, grande e pesadão. Com toda a correria destes últimos dias mal tive tempo de sossegar, apreciar as demais ilustrações e ler o breve comentário que cada artista faz sobre o maior animador de auditório da televisão brasileira, mas isto é o de menos.



Amanhã o cartunista JAL e o Maurício de Souza, que assina a arte da capa, vão entregar para o Sílvio o livrão. Sugiro ficarem ligados, vai ser no mínimo divertido. Este link trás mais informações:

http://www.sbt.com.br/programasilviosantos/fiquepordentro/77747/Mauricio-de-Sousa-e-Silvio-Santos-tem-encontro-historico-neste-domingo.html


Soube que foram impressos cinco mil cópias e mais de quatro mil já foram vendidos. Se esgotar é capaz de ter uma reimpressão (tomara).


Só tive direito a três, uma fica comigo e as outras duas vão para a família.

Bem, amados e amadas, meu dias no mar tem sido sem tempestades no momento, porém não sopra nenhum vento que me tire deste meridiano.

Continuo trabalhando e confiando em Deus para ver se chego a um porto seguro.


domingo, 12 de junho de 2016

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS ( 13 )


Hoje acordei muito mais cedo que o normal. Perdi o sono. Meu primeiro impulso foi vir trabalhar, começar logo os afazeres para ver se o dia rende mais, uma vez que parece mesmo que ele encurtou, o relógio insiste em dizer que nada mudou, são as mesmas 24 horas, embora aparente ter só a metade deste período. Isto me faz lembrar de um artigo que li certa vez onde se comentava o que Jesus Cristo vaticinara sobre o fim dos tempos (Mateus 24, versículos 21 e 22).
Liguei o computador e ele, como quem diz: "volte pra cama idiota!" apresentou um problema que se eu não resolver logo terei sérios aborrecimentos. O caso é: cadê grana pra isso? Dinheiro, sempre o dinheiro!
Mas o aparelho decidiu colaborar e como de praxe fui verificar meus e-mails. Não havia nenhum. Antigamente eu recebia um monte de mensagens diárias, agora é algo raro. Acho que o tempo encolheu para os outros também.
Resolvi logo fazer a minha postagem semanal mesmo sem saber sobre o que falar exatamente. Claro que nunca planejo o que vou dizer, antigamente eu tinha mais ideias a dividir com vocês, fatos pitorescos da vida - minha e dos outros - reflexões sobre coisas que...sei lá....
Ando me sentido meio vazio.
Tem muito trabalho a ser feito e pouca energia para executar tudo. Vou efetivando na medida das minhas necessidades, primeiro aqueles que me dão um rendimento mais imediato, depois aqueles que proverão mais ao futuro e por fim aqueles que pra mim realmente importam mas que nunca me dão nada além de um alívio para a maior parte das coisas que me sufocam.
Muita depressão e saudades da minha mãe e dos meus irmãos. Ainda bem que tenho a Verônica comigo.
Eu ia comentar que tenho feito muitas longas caminhadas, não pela saúde, embora prefira crer que ela indiretamente vá se beneficiar com isto, mas principalmente porque a passagem de ônibus está abusiva por aqui e aonde eu preciso ir posso fazer andando. A questão é que o dia se reduz mais ainda e as poucas energias se vão. Bom, não há muito a se questionar, apenas seguir adiante com a rotina.


A arte de hoje é mais uma cena de Memórias Póstumas, estamos chegando ao fim com as imagens deste livro. Mas ainda há muitos outros clássicos para serem mostrados; no devido tempo, enquanto durar este blog, eu divido com vocês.

Vamos nos falando, se Deus quiser.