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domingo, 19 de fevereiro de 2017

MAIS UMA ENTREVISTA.



Fizeram mais algumas perguntas para este vosso desenhista, respondi com a sinceridade de sempre.
Quem quiser dar uma conferida, é só acessar o link:

http://www.desenhoonline.com/site/eduardo-schloesser-em-entrevista-exclusiva-ao-blog-desenhoonline-com/

Há muito o que dizer mas ainda tenho que cuidar de algumas artes urgentes, então fica, quem sabe, para a próxima semana.

Até lá, se Deus quiser! Cuidem-se!


domingo, 12 de fevereiro de 2017

A MORTE DO ZÉ GATÃO.



Eu acredito que toda boa história deva ter um começo, meio e fim. Nascemos, vivemos e morremos. Deveria ser assim também com personagens fictícios? Eles devem perecer? Talvez sim, porque não? Eu, particularmente nunca fui muito fã dessa história de matar, pode parecer romântico demais da minha parte mas quando você cria um herói de papel você está dando uma alma a ele, uma personalidade, uma vida. Eu me apego a certos personagens. Fiquei triste, muito triste com a morte da Gwen Stacy, a namorada do Homem Aranha, até hoje acho que aquela menina nunca deveria ter morrido, poderia até ter sido a tia May, mas não a Gwen.
Na literatura, Conan Doyle matou o Sherlock Holmes, não  deveria ter feito, afinal, cedendo à pressões editoriais teve que ressuscitá-lo. O Robert Crumb matou o gato Fritz, uma história boa mas com um desfecho totalmente sem glamour (talvez tenha sido proposital). O Angeli matou a Rê-Bordosa. Nos quadrinhos de heróis as personagens vivem morrendo e voltando da morte, já não tenho mais paciência para isto.

Eu nunca pensei em matar o Zé Gatão, só que certa vez eu estava me afogando em uma  depressão que parecia não ter fim, a ideia de suicídio me perseguia a todo instante, como uso o felino como válvula de escape, imaginei uma HQ bem barra pesada, onde ele era amaldiçoado por uma bruxa, um mago ou algo assim e teria sete vidas, seriam sete histórias bem cascudas onde ele deveria morrer tragicamente no final de cada uma, sempre retornando da morte na hq seguinte. Como minhas narrativas, embora fantásticas, tem um pé bem fincado na realidade, eu achei que tudo isso seria irreal demais e por outros motivos que não convém declinar aqui eu nunca desenvolvi um roteiro, jamais coloquei no papel e também, confesso, me faltou coragem para submeter o gato a tais torturas. Engavetei a ideia como aconteceu com tantas outras.

Mas existem personagens que morrem sem que ninguém os tenha matado, como o Fantasma, o Mandrake, Rip Kirby e tantos outros, pois caem no ostracismo, fenecem na memória do público e são lembrados apenas por saudosistas como eu. Melhor teria sido se tivessem tido um final glorioso onde sempre fossem lembrados por este último ato heroico? Fica a dúvida.
Para quebrar meu argumento alguém poderia dizer que estes protagonistas continuam sendo publicados nas tiras de jornais, como o Príncipe Valente e Flash Gordon; pode até ser, mas são sucesso ainda? Outros dão as caras em edições especiais ou revivals, mas competem em pé de igualdade com X-Men e Batman?

No caso do Zé Gatão ele não é um personagem de sucesso, acho que nunca será, depois de tanto esforço da minha parte ele ainda é um completo desconhecido, o número de pessoas que o conhece e gosta é reduzido demais. Na verdade, me corrijo, acho que ele é até conhecido, mas não lido, não compreendido. Já vi idiotas discutindo o assunto na internet, sempre levantando a bola de que o nome é pouco comercial, ridículo, até, e o aspecto macho da obra é uma forçação de barra; teve quem afirmasse que ele é a junção de outros personagens como o gato Fritz e o Leão Negro. Outros detestam animais humanizados ou simplesmente não gostam de mim.

Não sei, é bem possível que Zé Gatão esteja sepultado sem que eu tenha dado um fim à sua vida. Tivemos cinco álbuns e vários contos publicados neste blog e isto me fez pensar que ele teve uma vida plena. Acho que não teve. Acontece. E se ele morreu (ou desapareceu, dá no mesmo quando se trata de um personagem de quadrinho) vai continuar defunto porque a possibilidade de novas edições é remota. As editoras hoje só publicam o que é venda líquida e certa, não se arriscam mais. O financiamento coletivo não se mostrou uma via de acesso e não tenho grana para me auto publicar.

Talvez ele viva para mim e mais uma meia dúzia que goste bastante dele se eu puder fazer mais algumas aventuras, mas seria como ele viver num cativeiro, como tantos animais em via de extinção.












domingo, 5 de fevereiro de 2017

OLHANDO PARA OS MONTES.



Senhor, onde estás?
Deus grandíssimo, impossível de mensurar e explicar, que a tudo criou e mantêm sobre controle, o que sou eu? Apenas um pedaço de carne sustentado por ossos, com alguma consciência e que tem a pretensão de ser algo além disso?
Tem misericórdia de mim, ó Deus, pois a vida é breve por demais, tão fugaz quanto a nuvem levada pelos Teus ventos e eu me vejo num labirinto escuro. Existe saída?
Que triste mundo é este, meu Senhor, onde necessito de um pedaço de papel pintado para provar que eu sou eu e onde o dinheiro, outro papel pintado, determina que um é melhor que outro?
Onde está o amor, esta flor bela e delicada, mas tão frágil que morre ao som de uma palavra mal colocada, mal interpretada, que se transmuta em indiferença ou ódio? Existe? Bem sei que o amor só reside em Ti e ele foi manifesto na Pessoa de Jesus, que é um contigo, o resto é ilusão. Feliz daquele que cedo aprende esta verdade e foge do laço e armadilha.
Bem sei que não sou digno que olhes para mim, Senhor, mas a minha estrada da vida se encurta e o fim pode estar em qualquer esquina, com Tua poderosa mão sustenha firmemente a minha, pois sem Ti não posso caminhar.
Senhor, não te escondas de mim, por favor.





domingo, 29 de janeiro de 2017

A ESCRAVA ISAURA ( CENA 3 )


Mais um dia de trabalho duro, mais um dia navegando no mar bravio e tirando a água de dentro da canoa. Isto me impediu de estar aqui mais cedo e com um texto mais animador. Mas me esforço para deixar com vocês, meus queridos, algumas palavras e uma arte.

Estamos bem, seguindo a rota. O porto ainda não desponta no horizonte, mas estamos com os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da fé.

O desenho de hoje é mais um momento da Escrava Isaura.

Beijos a todos e até a semana que vem, querendo Deus.


domingo, 22 de janeiro de 2017

TUDO PASSA. TUDO PASSARÁ.


Eu já tentei ter uma boa visão de mim mesmo. Juro. Não consigo. Tento não me encarar no espelho e muito menos pensar a respeito. Não é que eu me ache exatamente feio, é mais como se eu não aceitasse a minha fisionomia, algumas expressões me soam como imbecis demais, a face de um retardado. Não sei dizer a razão mas isto vem de muito tempo, quando menino eu tirava fotos (o que era raro, fotos não eram como hoje) e não conseguia me olhar nelas, eu queria ter os olhos diferentes, outro nariz, outra boca. Eu lembro que meus primos sempre me zoavam, dos pés à cabeça, não sei se isto contribuiu de alguma forma para esta auto aversão à minha pessoa. Se eu pudesse usaria uma máscara quando fosse para a rua, quem sabe assim a tristeza que as vezes me alcança e me abraça apertado, não me encontrasse.
Minha voz é outra coisa que não suporto ouvir fora da minha cabeça. Os doutores devem ter um nome para esta patologia. Agora que vou ficando velho isto já não importa mais.

Mas mesmo assim já tive meus amores, belas garotas já estiveram em meus braços. O amor sempre sangrou meu coração e deixou cicatrizes, isto nunca foi fácil para mim, sempre tive medo de me envolver além da conta e perder o controle da situação, e geralmente eu perdia, eu sempre terminava chorando. O Bukowski definiu o amor como um cão dos diabos, acho que confere.

Mas sabem, se não fossem estas experiências talvez o Zé Gatão nunca tivesse sido criado.

E falando nele, a campanha no Catarse para a republicação do álbum editado pela PADA não vingou. Eu diria que foi um fracasso monumental apesar do esforço hercúleo do amigão Leonardo Santana (roteirista de quadrinhos e membro da PADA) e da querida Mira Werner em divulgar diuturnamente o projeto.
Na verdade não foi surpresa, eu imaginava que não fosse dar certo, mas pensei que pelo menos chegaríamos perto de 50%. Qual o quê!
Isto só vem provar que meu universo antropomorfo cheio de ultra violência temperado com filosofia de boteco não é mesmo popular. É uma pena pra mim que não poderei mais produzir HQs de Zé Gatão para um público mais amplo.


Mas vamos em frente. Eu continuo produzindo quadrinhos encomendados e capas para livros. Não posso me queixar e só tenho a agradecer a Deus.

Os rabiscos de hoje são sketches que faço nos álbuns do felino.

Beijos a todos.












sábado, 14 de janeiro de 2017

LIVROS QUE ME MARCARAM ( A LARANJA MECÂNICA )



Muito se fala do filme A LARANJA MECÂNICA do Stanley Kubrick, mas o livro no qual ele se baseou para realizar sua obra não é, digamos, tão alardeado. Sem dúvida vi a película primeiro, assim que foi liberado no Brasil, ainda nos anos 70, eu fui assisti-lo (sim, aquela versão com a bolinha preta na genitália dos personagens) e fiquei perplexo com a crueza da violência (estilizada, é claro, mas nem por isto menos chocante), tanto que revi na telona várias vezes, depois sem as tais bolinhas pretas de censura. Mas não é para falar do filme que estou aqui, e sim comentar a obra do Anthony Burguess.
Quem me emprestou o livro foi meu old pal Luca Fiuza (lógico, quem dos meus amigos de infância teria tal fascínio pelas obras que deram origem a tantos sucesso no cinema?) e eu o devorei em pouco tempo. Era impossível largá-lo, prende do começo ao fim.
Nesses tempos eu morava na SQS 202, em Brasília, tempos penosos, mas eu era feliz e não me dava conta. O que eu tinha naquele período? Nenhum dinheiro, dificuldade de adequação e auto aceitação, era péssimo aluno e por este motivo o espectro dos castigos do meu pai me envolvia noite e dia. Para contrabalançar eu tinha ao meu lado Bruce Lee e Jackie Chan (não haviam academias de Kung Fu em Brasília naquela época, tive que me contentar com o karatê estilo shorin ryu, mas nunca saí da faixa amarela, era pobre demais para pagar exame de faixa), haviam também os gibis (Tex, Ken Parker e Kripta), muito cinema e livros.
Talvez pelos motivos citados, A Laranja Mecânica me pegou pelos colhões e apertou com fúria. O filme do Kubrick é brilhante mas na minha opinião o livro é melhor, Existem muitas diferenças, a começar pela idade dos personagens principais, no filme é notório que aqueles facínoras estão na faixa dos vinte anos, são rapazes, não crianças, no livro os bad boys tem 15 anos! Sim, hoje não é nenhuma novidade os menores cometerem atrocidades como estupro, assassinato e ultra-violência, mas no período em que eu era adolescente isto não era comum e eu fiquei chocado com as cenas do livro. A fase em que o Alex passa na cadeia é esmiuçada, ele ainda mata um outro detento. O tomo transmite um quê de moralidade, principalmente no final.

Isto já faz uns 40 anos. Poxa, seria legal relê-lo depois de todo este tempo!

domingo, 8 de janeiro de 2017

MAIS UM VÍDEO DE ZÉ GATÃO.


Nem sei exatamente como anda o mundo lá fora, por mundo, entendam, a minha vizinhança, mal tenho saído de casa. Acordo bem cedo, vou para o chuveiro, tomo meu desejum e sento na prancheta. Dou uma checada nos e-mails e mensagens no Facebook e começo a trabalhar. A HQ que tem prazo para entrega está em atraso (culpa minha por não conseguir ser mais rápido). Paro para almoçar e volto ao batente. Não funciono bem na parte da tarde. Quando não dá para forçar a barra eu descanso na minha cama por uns 40 minutos (não sou mais um garoto) e retomo as atividades. faço um lanche rápido e os desenhos continuam. Por volta das 18 horas desço com o lixo e depois eu janto. Volto para minha mesa, sempre com o notebook ligado, ouço música o dia inteiro e até uns podcasts sobre os assuntos que me interessam, desenhar pode ser uma tarefa monótona e sempre muito solitária, quando posso respondo a um comentário qualquer no Face ou no e-mail. Uma ou duas da manhã, quando não aguento ficar mais tanto tempo sentado desenhando, eu vou para cama após um banho.

O horário em que janto passa o noticiário. Só coisa boa. Nosso país lutando sem sucesso para sair da crise, ataques terroristas na Europa, Obama sabotando o próprio país a poucos dias de deixar o cargo e os presos se matando nas penitenciarias brasileiras.

Voltando ao meu mundinho, só um milagre para que este trabalho que estou fazendo seja entregue no prazo (eu acredito que Deus ainda opere milagres), eu faço o que posso sem deixar cair a qualidade do traço. No mais, não vou me desesperar, não resolveria.

Bem, esta postagem eu faço enquanto relaxo minha mão, minhas costas e minha vista. Deixo com vocês mais uns vídeo do Zé Gatão criado pela minha amiga e maior divulgadora, Mira Werner. Gratidão, Mira!
Agora, torno a pegar no lápis.

Até o próximo domingo.