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domingo, 22 de janeiro de 2017

TUDO PASSA. TUDO PASSARÁ.


Eu já tentei ter uma boa visão de mim mesmo. Juro. Não consigo. Tento não me encarar no espelho e muito menos pensar a respeito. Não é que eu me ache exatamente feio, é mais como se eu não aceitasse a minha fisionomia, algumas expressões me soam como imbecis demais, a face de um retardado. Não sei dizer a razão mas isto vem de muito tempo, quando menino eu tirava fotos (o que era raro, fotos não eram como hoje) e não conseguia me olhar nelas, eu queria ter os olhos diferentes, outro nariz, outra boca. Eu lembro que meus primos sempre me zoavam, dos pés à cabeça, não sei se isto contribuiu de alguma forma para esta auto aversão à minha pessoa. Se eu pudesse usaria uma máscara quando fosse para a rua, quem sabe assim a tristeza que as vezes me alcança e me abraça apertado, não me encontrasse.
Minha voz é outra coisa que não suporto ouvir fora da minha cabeça. Os doutores devem ter um nome para esta patologia. Agora que vou ficando velho isto já não importa mais.

Mas mesmo assim já tive meus amores, belas garotas já estiveram em meus braços. O amor sempre sangrou meu coração e deixou cicatrizes, isto nunca foi fácil para mim, sempre tive medo de me envolver além da conta e perder o controle da situação, e geralmente eu perdia, eu sempre terminava chorando. O Bukowski definiu o amor como um cão dos diabos, acho que confere.

Mas sabem, se não fossem estas experiências talvez o Zé Gatão nunca tivesse sido criado.

E falando nele, a campanha no Catarse para a republicação do álbum editado pela PADA não vingou. Eu diria que foi um fracasso monumental apesar do esforço hercúleo do amigão Leonardo Santana (roteirista de quadrinhos e membro da PADA) e da querida Mira Werner em divulgar diuturnamente o projeto.
Na verdade não foi surpresa, eu imaginava que não fosse dar certo, mas pensei que pelo menos chegaríamos perto de 50%. Qual o quê!
Isto só vem provar que meu universo antropomorfo cheio de ultra violência temperado com filosofia de boteco não é mesmo popular. É uma pena pra mim que não poderei mais produzir HQs de Zé Gatão para um público mais amplo.


Mas vamos em frente. Eu continuo produzindo quadrinhos encomendados e capas para livros. Não posso me queixar e só tenho a agradecer a Deus.

Os rabiscos de hoje são sketches que faço nos álbuns do felino.

Beijos a todos.












sábado, 14 de janeiro de 2017

LIVROS QUE ME MARCARAM ( A LARANJA MECÂNICA )



Muito se fala do filme A LARANJA MECÂNICA do Stanley Kubrick, mas o livro no qual ele se baseou para realizar sua obra não é, digamos, tão alardeado. Sem dúvida vi a película primeiro, assim que foi liberado no Brasil, ainda nos anos 70, eu fui assisti-lo (sim, aquela versão com a bolinha preta na genitália dos personagens) e fiquei perplexo com a crueza da violência (estilizada, é claro, mas nem por isto menos chocante), tanto que revi na telona várias vezes, depois sem as tais bolinhas pretas de censura. Mas não é para falar do filme que estou aqui, e sim comentar a obra do Anthony Burguess.
Quem me emprestou o livro foi meu old pal Luca Fiuza (lógico, quem dos meus amigos de infância teria tal fascínio pelas obras que deram origem a tantos sucesso no cinema?) e eu o devorei em pouco tempo. Era impossível largá-lo, prende do começo ao fim.
Nesses tempos eu morava na SQS 202, em Brasília, tempos penosos, mas eu era feliz e não me dava conta. O que eu tinha naquele período? Nenhum dinheiro, dificuldade de adequação e auto aceitação, era péssimo aluno e por este motivo o espectro dos castigos do meu pai me envolvia noite e dia. Para contrabalançar eu tinha ao meu lado Bruce Lee e Jackie Chan (não haviam academias de Kung Fu em Brasília naquela época, tive que me contentar com o karatê estilo shorin ryu, mas nunca saí da faixa amarela, era pobre demais para pagar exame de faixa), haviam também os gibis (Tex, Ken Parker e Kripta), muito cinema e livros.
Talvez pelos motivos citados, A Laranja Mecânica me pegou pelos colhões e apertou com fúria. O filme do Kubrick é brilhante mas na minha opinião o livro é melhor, Existem muitas diferenças, a começar pela idade dos personagens principais, no filme é notório que aqueles facínoras estão na faixa dos vinte anos, são rapazes, não crianças, no livro os bad boys tem 15 anos! Sim, hoje não é nenhuma novidade os menores cometerem atrocidades como estupro, assassinato e ultra-violência, mas no período em que eu era adolescente isto não era comum e eu fiquei chocado com as cenas do livro. A fase em que o Alex passa na cadeia é esmiuçada, ele ainda mata um outro detento. O tomo transmite um quê de moralidade, principalmente no final.

Isto já faz uns 40 anos. Poxa, seria legal relê-lo depois de todo este tempo!

domingo, 8 de janeiro de 2017

MAIS UM VÍDEO DE ZÉ GATÃO.


Nem sei exatamente como anda o mundo lá fora, por mundo, entendam, a minha vizinhança, mal tenho saído de casa. Acordo bem cedo, vou para o chuveiro, tomo meu desejum e sento na prancheta. Dou uma checada nos e-mails e mensagens no Facebook e começo a trabalhar. A HQ que tem prazo para entrega está em atraso (culpa minha por não conseguir ser mais rápido). Paro para almoçar e volto ao batente. Não funciono bem na parte da tarde. Quando não dá para forçar a barra eu descanso na minha cama por uns 40 minutos (não sou mais um garoto) e retomo as atividades. faço um lanche rápido e os desenhos continuam. Por volta das 18 horas desço com o lixo e depois eu janto. Volto para minha mesa, sempre com o notebook ligado, ouço música o dia inteiro e até uns podcasts sobre os assuntos que me interessam, desenhar pode ser uma tarefa monótona e sempre muito solitária, quando posso respondo a um comentário qualquer no Face ou no e-mail. Uma ou duas da manhã, quando não aguento ficar mais tanto tempo sentado desenhando, eu vou para cama após um banho.

O horário em que janto passa o noticiário. Só coisa boa. Nosso país lutando sem sucesso para sair da crise, ataques terroristas na Europa, Obama sabotando o próprio país a poucos dias de deixar o cargo e os presos se matando nas penitenciarias brasileiras.

Voltando ao meu mundinho, só um milagre para que este trabalho que estou fazendo seja entregue no prazo (eu acredito que Deus ainda opere milagres), eu faço o que posso sem deixar cair a qualidade do traço. No mais, não vou me desesperar, não resolveria.

Bem, esta postagem eu faço enquanto relaxo minha mão, minhas costas e minha vista. Deixo com vocês mais uns vídeo do Zé Gatão criado pela minha amiga e maior divulgadora, Mira Werner. Gratidão, Mira!
Agora, torno a pegar no lápis.

Até o próximo domingo.


domingo, 1 de janeiro de 2017

A ESCRAVA ISAURA ( CENA 2 )


Então é 2017. Uma das minhas metas este ano é lutar contra a dispersão, um mal que sempre me atinge e prejudica. Nunca administrei direito o meu tempo, sou falho demais, preguiçoso além da conta. A muitos anos eu sofro de um problema na bexiga que a maioria das pessoas próximas a mim acham que é uma mania (alguns médicos consultados são da mesma opinião), vou com muita assiduidade ao banheiro para mictar. Algumas noites são complicadas, acordo até umas quatro vezes para urinar, em resultado disso passo os dias cansado por não conseguir dormir direto as horas necessárias e isso atrapalha a minha produção. Os exames realizados nos últimos anos revelaram minha próstata inchada, o que é comum após determinada idade (não há evidências de tumores por enquanto). Isto justificaria as minhas frequentes idas ao banheiro, mas não sei, sou assim desde que tinha meus vinte e poucos anos. Acho que esta perene sensação de fadiga não se deve apenas às noites mal dormidas, mas ao stress cotidiano. As coisas no país não andam bem, na verdade não andam nada bem no mundo inteiro. Mas não foi sempre assim? Hoje está pior? Ou seria apenas o fato de que ficamos sabendo das desgraças no mesmo instante em que elas acontecem? Consequentemente tais fatos tornam-se banais (seria a isto que o mestre Jesus se referiu dizendo que no final dos tempos o amor de muitos se esfriaria?) mas fica registrado no subconsciente e isto vai minando-nos dia a dia ( é o que penso, pelo menos).
A correnteza é muito forte e eu não sou ingenuo de achar que o novo ano será melhor que o anterior, as águas me empurram para o abismo e eu preciso remar para achar uma via de saída, minhas ferramentas para tanto é a fé no Altíssimo, saber que tudo está sob Seu controle e que não devo desanimar, o trabalho sempre bem feito e profissional e  manter o coração puro para não me corromper com esta geração perversa, não ser como eles, não fazer coro aos brados dos tolos. Sou muito fraco e isto demanda uma energia cada dia maior, mas não posso e não vou desistir. Estas sempre foram as minhas metas e eu as renovo para este tempo que enfim começa.

Para esta primeira postagem de 2017 mais uma cena de Escrava Isaura.


Um feliz Ano Novo a todos!  Eu agradeço a todos vocês por estarem aqui comigo diariamente.

domingo, 25 de dezembro de 2016

FELIZ NATAL!

É natal de 2016.

Sinto-me em paz esta manhã. Antes de ligar o computador rabisquei este pitbull enquanto matutava umas ideias para uma próxima aventura de Zé Gatão. Levei uns dois minutinhos no processo.


Nem preciso me perguntar porque continuo criando novas narrativas do felino, é porque algo em mim (um algo inexplicável) exige que eu faça, é como aquela válvula da panela de pressão, uma medida de segurança contra a loucura, é o único motivo, pois pensar que meu trabalho autoral seja aceito pelo grande público é algo quimérico. Tanto assim que a campanha lançada no Catarse naufraga em meio ao mar encapelado do descaso. Só mesmo um milagre para que atinjamos a meta proposta para que aquele álbum seja republicado com um melhor acabamento gráfico. Pra ser bem sincero, nem me importo mais, com Zé Gatão já provei a mim mesmo as minhas capacidades como ilustrador e contador de histórias. Cinco álbuns (três deles publicados por editoras com forte nome na praça) não é para qualquer um. Fiz o que tinha que fazer.

Mas o legal mesmo na campanha foi ver as artes que fans e colegas de profissão fizeram para ilustrar as postagens de divulgação. Muitos talentos dando sua visão do personagem como podem constatar na galeria abaixo. A cada um dos artistas, a minha sincera gratidão.

Carlos Eduardo Cunha

Everton Veras

Marcelo Morgolfin

Marcelo Morgolfin

Verônica Saiki

Cayman Moreira

Glaydson Gomes

JC Juncom

Marcio de Macedo

Rom Freire

Erik Blake

Daniel Arcos
Mira Verner

Desejo a todos um excelente dia de Natal e que 2017 seja um ano melhor para todos, com muitas alegrias e realizações. Sejamos otimistas, fortes e trabalhadores.

UM GRANDE BEIJO A TODOS e até o ano que vem!

domingo, 18 de dezembro de 2016

A ESCRAVA ISAURA ( CENA 1 ).


Hoje o dia amanheceu nublado. Bem atípico nesta época do ano, pelo menos aqui no Jaboatão. Depois o sol brilhou com intensidade. Ontem não foi diferente, caíram duas chuvas poderosas e barulhentas que duraram poucos minutos, uma de manhã, outra a tarde. Nas duas ocasiões faltou energia elétrica. É horrível ficar sem luz. Meu trabalho que está sempre atrasado tornou-se mais moroso ainda. Aproveitei o tempo livre para ajudar a Verônica a fazer uma torta de banana. Ficou uma delícia!

Hoje minha rotina foi esquisita, trabalhei na HQ atual e parece que eu me movimentava em câmera lenta. Pensei: tenho que atualizar o blog, mas para falar o quê? Quando estou agoniado com um prazo apertado minhas ideias embotam. As horas passaram e a tal página ainda não foi concluída, mas não dormirei enquanto não acabar, falta pouco, o último quadro da página 14 é o mais detalhado; fiz uma pausa para escrever aqui e comecei sem saber o que falar ou o que mostrar.

A Escrava Isaura foi o último livro clássico que ilustrei para a Editora Construir, eu selecionei algumas imagens para exibir a vocês mas pretendia fazê-lo apenas a partir de janeiro do próximo ano. Resolvi antecipar mais pela falta de assunto do que qualquer outra coisa. Para esta história eu procurei usar apenas pincel, fazer um traço mais sujo.


Quando estamos diante de uma pessoa e não temos o que dizer, falamos sobre o tempo, foi como comecei esta postagem. Mas a minha falta de inspiração tem mais a ver com a pressão do trabalho, não fosse isso eu seria bem tagarela, vocês sabem.

Boa semana a todos.

domingo, 11 de dezembro de 2016

DISCOS QUE ME MARCARAM ( QUEEN - NEWS OF THE WORLD )


Nestes dois últimos meses tenho me concentrado em uma história em quadrinhos encomendada e o prazo vai chegando ao final, eu como sempre estou atrasado, nunca consigo manter um ritmo. Por conta disso algumas postagens vão sendo adiadas, como esta série que me propus: falar sobre obras que me marcaram (filmes, livros, discos, hqs e etc).

Hoje vou comentar sobre uma das minhas bandas favoritas: Queen!

Em 1977 eu era viciado em Beatles, não ouvia mais nada, sem grana pra comprar os LPs (só tinha uns dois ou três discos do Fab Four) o que me restava era gravar fitas cassetes na casa de amigos que tinham mais recursos que eu. Meu gravador para reproduzir as músicas era uma bosta, ele vivia faminto e devorava as minhas fitas quase sempre.

Eu frequentava a casa de um amigo de colégio conhecido como Helinho, um grande cara, bem diferente dos imbecis a que estava acostumado em salas de aula, nossos papos sobre os mais diversos assuntos duravam horas. O foco principal era na maioria das vezes sobre música, ele era uma espécie de enciclopédia no assunto. Ele morava na SQN 306 e seu pai era militar, a casa dele cheirava fortemente a cachorro, eles tinham um poodle e não deviam perceber o aroma canino que se espalhava pelos aposentos. Nada disso importava, entretanto, eu estava sempre lá, no quarto dele, enchendo o saco, ouvindo-o falar sobre rock, tinha centenas de discos e posters de bandas colados na parede. Ele era bom percussionista, fez parte da banda Obina Shok e chegou a excursionar com Gilberto Gil, alguns anos mais tarde.


Foi o Hélio que me apresentou ao Queen. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a capa, do disco. Aquele robô (arte pintada por Frank Kelly Freas, um dos medalhões das artes de si fi das antigas), me causou poderosa impressão. Ao ouvir o disco fui como que agarrado pelas bolas; o lado A começava com a poderosa We Will Rock You (eu nunca tinha ouvido nada parecido!) e já emendava com a melódica We Are The Champions. Foi amor à primeira audição. Não lembro mais como consegui comprar o meu disco, mas em casa eu não ouvia outra coisa, o quarteto de Liverpool acabou ficando em segundo plano. Spread Your Wings era a minha predileta do LP.

Não demorou para eu ter todos os discos da banda, o meu preferido é o A Day At The Races, mas sobre ele talvez eu fale um outro dia.

Tenham todos uma ótima semana.