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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

NERVOS DE PLÁSTICO.


As mão direita segura vacilante o lápis, um incômodo que quase não permite que as pontas dos dedos segurem firmemente o fino tubo de madeira afim de que ele trace no branco do papel  as linhas que darão forma a uma loucura qualquer; o desconforto se irradia pelo estofamento da mão (uma espécie de cansaço quase ancestral) e sem pedir licença parte para as veias e músculos do antebraço, depositando no cotovelo uma pressão mal disfarçada em dor, dor esta que onipresente diuturnamente cavalga audaciosa o bíceps, tríceps e baquial de forma voraz, conquistando o cume do ombro e ali golpeando a articulação a golpes de picaretas como a desenterrar um tesouro, ou um cadáver.
É assim, dia após dia. A luta não pode parar.
Lá fora faz um sol tão bonito, mas os olhos míopes, que tentam fixar estas letras que se fundem, não pôde ainda constatar. Perdão, meu Deus!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

EXPOCOMICS!



Semana passada recebi um convite para participar de uma exposição no Shopping Guararapes. Eu deveria mandar umas páginas de hq pra um certo e-mail. Topei. Enviei as páginas. Selecionaram duas. Hoje recebo um comunicado que a expo já está montada.
Tudo isto por conta do Dia do Quadrinho Nacional. Legal isto, ter um dia em que se comemora o quadrinho nacional.
No sábado (dia 31), a partir das 14 horas, haverá uma mesa com debates. Cheguei a pensar que eu seria convidado a falar alguma coisa. Felizmente não fui. Prefiro ficar no anonimato, com minhas páginas lá expostas para todos verem. Pretendo ir no sábado para prestigiar os colegas que lá estarão. Se der, tiro umas fotos do espaço e posto aqui.

Abaixo as informações fornecidas pelo Shopping Guararapes:

Shopping Guararapes comemora Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos
Exposição de gibis e quadrinistas pernambucanos começa nesta segunda-feira, 26

Para comemorar o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, que acontece dia 30 de janeiro, o Shopping Guararapes preparou uma programação especial para os fãs e profissionais dos quadrinhos. A primeira Expocomics Guararapes, que acontece no corredor dos cinemas com exposições e bate papo com a equipe do blog Geek Café a respeito do tema.

Para ambientar os visitantes sobre a história dos quadrinhos no Brasil, o Shopping convidou o colecionador Filipe Lira, da Fênix Comic Shop, para expor quadrinhos raros e edições históricas de diversos personagens como Homem-Aranha, Capitão América, Cavaleiros do Zodíaco e até relançamentos de edições raras como a de 1940, do Batman, entre outros.

A mostra, que fica de 26 a 31 será também uma homenagem aos quadrinistas, cartunistas e chargistas pernambucanos. Para reforçar a importância do trabalho e a diversidade dos quadrinhos, nomes como Jarbas Domingos, Bruno Alves e Romo Oliveira, Luciano Felix, Rafael Anderson, Thony Silas, Wamberto Nicomedes, Milton Estevam, Amaro Braga, Danielle Jaimes, Roberta Cirne, Laerte Silvino, Eduardo Schloesser e Rodrigo Acioli vão expor seus quadrinhos no mall. Haverá no local, também, um lounge para que os visitantes possam manusear alguns gibis e conhecer mais sobre a arte.

No dia 31/01, a partir das 14h a equipe do Geek Café terá uma conversa com o público sobre A história do quadrinho nacional, com Bruno Alves e Murilo Lima. A programação segue com mais duas mesas temáticas sobre Publicando quadrinhos no Brasil: algumas experiências, com Luciano Félix e Laerte Silvino e outra com Thony Silas sobre Quadrinistas brasileiros no exterior.



INFORMAÇÕES SOBRE OS DEBATEDORES:

BRUNO ALVES: Arte-Educador. Mestre em Comunicação. Professor da UFRPE. Editor do blog Macaxeira Geral. Colunista do blog Geek Café. Roteirista de quadrinhos. Publica atualmente no blog Imagenista.

LUCIANO FÉLIX: Licenciado em Desenho e Plástica pela UFPE. Quadrinista premiado em vários salóes e festivais de humor. `Publicou na revista MAD, nos álbuns Maurício de Sousa 50 Anos e Histórias em Quadrinhos d’O Recife Assombrado. Publica semanalmente no site Mistiras. em 2014, lançou a Graphic Novel Wander – Herói Porque Sim!.

LAERTE SILVINO: Quadrinista e ilustrador. Trabalha no Diário de Pernambuco como ilustrador e infografista, além de colaborar com diversas revistas de circulação nacional. Em 2014, publicou a hq A Iara – Uma Lenda Indígena em Quadrinhos, pela Editora Nemo.

THONY SILAS: Quadrinista, trabalha para o mercado internacional ilustrando personagens icônicos dos quadrinhos de super-herói, como Superman, Homem-Aranha e Batman, para as editoras DC Comics e Marvel Comics. Atualmente, desenvolve projetos autorais de quadrinhos.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A SEGUNDA CENA DE ESAÚ E JACÓ E MEU GOSTO PELA MÚSICA.


Música, cinema e livros. Estes sempre foram meus escapismos na vida. Os quadrinhos podemos incluir entre os livros, eles só ganharam dimensão além quando comecei produzi-los.

Hoje vou falar um pouquinho sobre música e o que costumo ouvir desde sempre.
Sou bastante eclético, ouço de tudo o que me agrada aos ouvidos.

Música erudita? Gosto de 90% do que se criou, sendo Mozart, Bach, Vivaldi e Beethoven os meus favoritos. Não posso deixar de citar as imortais obras de Albert Ketelbey.

Jazz? Ouvi John Coltrane no início de sua carreira e gostei muito, mas confesso não ter um ouvido educado para me envolver.

Blues? Gosto bastante, mas não sou um conhecedor profundo. Ouço B.B. King e Robert Cray.

Música brasileira? Um sambinha de Noel Rosa, Paulinho da Viola e Adoniram Barbosa caem bem. Curto demais o sertanejo de raiz. Roque brasileiro? Legião, Capital Inicial, Plebe Rude estão entre os meus preferidos, embora hoje em dia esteja um tanto cansado deste tipo de som. No passado ouvia muito Raul Seixas, 14 Bis e me divertia com a Blits. Sou fã de Zé Ramalho e Zé Geraldo. Já, Caetano, Gil, Milton e Chico eu ouvia demais nos fins de 70 e adorava, reconheço a força das letras mas hoje em dia não consigo desassocia-los dos ideais e movimentos marxistas que tanto abomino.

Na minha infância o rádio era o grande companheiro, fui bombardeado de música brega por um bom tempo (Nelson Ned, Jerry Adriani, Cláudio Fontana, Odair José, The Fevers e por aí vai) e, claro, não podia faltar Roberto Carlos na fase anos 60 e 70 (mas hoje o cara me é insuportável) e os Incríveis. Nessa leva, as ondas sonoras também me traziam melodias francesas e italianas, todas carregadas de melosidade e letras de amores profundos e impossíveis. Como esquecer de Love Me, Please Love Me do Michel Polnaref e Dio Come Ti Amo da Gigliola Cinquetti? Ou Rita Pavone e seu Datemi Un Martello?

Rock? Ouço rock boa parte do meu tempo enquanto trabalho. Putz, não entendo bem o inglês, apenas o suficiente para saber que o cara não está xingando a minha mãe, mas é meu estilo musical de cabeceira. Minha preferência é por Beatles, Pink Floyd, Queen, Heart, Dire Straits (mais exatamente Mark Knopfler), David Bowie e Rush. Mas em geral ouço de tudo, do rock mais básico ao mais pop, mas quase tudo dos anos 60, 70, 80 e bem pouca coisa dos 90, pouca mesmo. Atualmente ouço falar de Kate Perry e sei lá mais o quê e não me interessa. Por falar em Kate Perry, é ela que canta o tema do último 007, né? Boa voz, boa música, mas não tenho saco de ir atrás de novidades. Sei que é reacionarismo da minha parte e assumo.

Trilhas de filmes? São muito bem vindas, pricipalmente as do Ennio Morricone.

Odeio com ranger de dentes o axé, o sertanejo universitário, o funk nacional e o black metal. Por mim essas merdas poderiam acabar agora.

Mais uma imagem de um clássico do Machadão.


Até semana que vem, se Deus quiser.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

DISGUSTING!!!


Sexta feira passada fui até Boa Viagem para realizar um exame chato. Acordei cedo e esperei o ônibus por mais de quarenta minutos (nenhuma novidade), tava apinhado de gente (isto também é típico). Não havia espaço algum, me instalei onde me pareceu menos apertado. Eu em pé, à minha frente, sentado no banco, um menino de uns 12 anos de bermudas jeans com uma mochila descansando sobre seus joelhos. Era um tipo branquinho, magro, cabeçudo, cabelos muito crespos e curtinhos, usava um óculos fundo de garrafa com aros grossos com cores que lembravam a pelagem de um tigre. Estava com um celular destes de última geração e fones de ouvido. Vai saber que tipo de música aquele pirralho estava escutando. Subitamente, um espirro colossal sacudiu todo o corpo do moleque e de sua garganta saiu um imenso catarro que lhe inundou as mãos e a tela do celular. Puta que o pariu! Pensei. Ele, sem fazer caso, limpou a gosma nojenta na bermuda e com os polegares retirava o que podia do monitor do aparelho, o resto limpou na camisa amarela. Eu não podia sair dali pois era oprimido pelos seios imensos de uma senhora atrás de mim. A secreção formou uma espécie de película no jeans preto do pequeno e brilhava ao contato com a luz solar.

No laboratório eu já sabia o que me esperava. Tive que tomar vários copos de água para a bexiga ficar bem cheia. Bebi e bebi. Os minutos se arrastaram. O desconforto começou a dar sinais. Quase instantaneamente veio a vontade doida de urinar. Quando já estava quase mijando nas calças a atendente me chamou. Entrei no ambiente à meia luz. Deitei na maca. Abri a camisa e recuei um pouco a calça pouco abaixo da cintura. À minha direita uma porção de aparelhos. Um médico de uns 60 anos besuntou meu ventre adiposo com gel e com uma espécie de mouse começou a passear com ele pela minha barriga. Me senti como aquelas grávidas. É menino ou menina, doutor? Quase perguntei. Quando, ele apertou a coisa na altura da bexiga, travei. "Relaxe, seu Eduardo, se contrair o abdomem não posso realizar seu exame, sei que está apertado mas terá que suportar." Ok. Findo o exame, ele passou todas as especificações para a assistente que ficava num computador próximo. Ele me passou vários papeis toalha para eu limpar o gel, num momento lembrei do catarrão do garoto. Eca!
Perguntei se estava tudo certo. Ele falou que meu urologista é que iria me dizer. O resultado eu poderia pegar em meia hora.
Finalmente fui ao banheiro me aliviar. Tava ocupado (sério!).  Desocupou. Mijei. Pareceu levar horas. Que prazer doloroso!

Hoje temos mais uma ilustra para o livro do porquinho.



sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

ANTIGAS LEMBRANÇAS E UM CADÁVER.



Esta semana estávamos eu e Vera almoçando e degustava ao final da refeição um delicioso suco de acerola. Sempre mexeram comigo aqui em casa porque eu bebo os sucos muito vagarosamente, sorvendo com cuidado e saboreando o paladar. Posso me dar a este luxo. Apesar das dificuldades que tem surgido vivemos decentemente graças a infinita misericórdia de Deus. Nem sempre foi assim, teve um tempo na minha infância que as coisas ficavam pretas de verdade. Bem no começo dos anos 70, em São Paulo, meu pai teve que fazer uma viagem à França para tratar de negócios referentes a umas terras que meu avô deixara para minha mãe. Não tenho os detalhes disso, afinal eu era muito garoto; o caso é que ele viajou deixando-nos, eu, minha mãe, avó e meu irmão que era bebê, sob a responsabilidade de um tio que vivia conosco. Não era segredo que esse tio era chegado numa cachacinha. Não muito tempo depois que meu pai viajou ele foi demitido do emprego e amargamos uns tempos difíceis. Houve um dia, e isso ficou bem vivo na memória, tudo o que tínhamos era um pacote de farinha de milho e um pedaço de caldo de galinha (fora o leite em pó, que era exclusivo para a alimentação do neném). Mamãe fazia um caldo misturando a farinha, água, um pouco de óleo e o tabletinho de knorr. Passamos com isso um dia ou dois, não estou seguro. Minha mãe recorreu à ajuda de uma italiana com a qual tinha trabalhado em seus tempos de solteira e foi o que nos valeu por um tempo.
Ainda hoje recordo minha mãe catando uns trocados, uns centavos de cruzeiro, sei lá qual era a moeda daquela época, para eu ir comprar uma guloseima. Havia uma loja na galeria que ficava no final da Rua Guaianazes que dava acesso à Avenida Ipiranga. Lá, dividiam em fatias um tabletão do doce de leite Zebu e eu ia comprar pra gente adoçar um pouco a vida.
Como uma lembrança vai levando a outra, me ocorre aqui um caso curioso que só me lembrei agora depois de muitos anos; vez por outra aparecia em casa um sujeito de aspecto sinistro, um tipo atarracado, calvo, com uma cicatriz no lábio superior (seria lábio leporino ou aquilo foi adquirido num acidente?). Chamava-se Juarez e era agiota. Meu pai devia grana a esse cara. Certa noite esse camarada apareceu em casa tenso com uma expressão angustiada. Meu pai quitou a dívida, lembro bem disso pois eu o ouvi falar à minha mãe como ele estava aliviado por ter pago (ou pagado?) ao cara.
Acho que uma semana depois, numa tarde, caiu uma chuva torrencial. Como meu pai tardaria, minha mãe pediu que eu levasse seu jantar. Preparou tudo numa vasilha que brilhava como prata, ela sempre poliu muito bem seus utensílios de cozinha. E lá foi o Eduardinho de shorts e sandálias pela noite que chegava.

O Ministério da Fazenda nesse tempo funcionava no Prédio Zarzur, na Av. Prestes Maia, a sala do meu pai, se a memória não me trai, ficava no trigésimo terceiro andar. Peguei o elevador e o ascensorista, um cara na casa de seus vinte anos, me perguntou: "Hei garoto, tá a fim de ver um cara morto?" Não lembro o que respondi mas no momento seguinte me vi olhando pela janela do corredor, próximo aos elevadores, que ficava na lateral do imenso prédio, diretamente lá embaixo, onde as pessoas pareciam formiguinhas. "Não tô vendo nada", disse. "Olhe, ali, na marquise" disse ele. Foi então que vi um corpo na altura do andar de número 22, todo estatelado na marquise (o prédio tinha umas marquises entre alguns andares). O ascensorista disse que o cara havia pulado daquela mesma janela e caíra naquele local. Aquele corpo me parecia torcido e tinha uma das pernas próxima à cabeça tal como alguns atletas com abertura total (não sei se consegui me explicar). Fiquei muito impressionado com aquilo.
Meu pai não estava em sua sala, o acontecido deixou todo mundo alvoroçado. Logo ele chegou, gravata frouxa no pescoço, mangas da camisa dobradas até os cotovelos.
"Lembra do Juarez, Eduardo?"
"Lembro."
"Ele morreu. Pulou por uma das janelas deste prédio."
"Eu vi. Vi ele caído lá na marquise."
"Você viu?!?"
Pelo que soube por uns amigos dele, que entraram na sala, meu pai foi a última pessoa a vê-lo com vida. O Juarez tava desesperado com alguma coisa, dívidas, talvez.
"Vá pra casa, Agildo, fique com seu filho, o que ele viu foi forte, coitado, e você está bem nervoso também". Ele nem tocou no jantar que eu havia levado, claro, colocou seu paletó e voltamos para casa em silêncio.
Em casa eu o escutei conversar com minha mãe sobre o ocorrido: "Já pensou, Francis, se ele pula pela janela da minha sala? Poderiam pensar que eu o empurrei!".

Finda aqui minhas recordações e eu desejo a todos um bom fim de semana.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

ALGUMAS CENAS DE ESAÚ E JACÓ DE MACHADO DE ASSIS (01)


Durante o encontro de quadrinistas no Paço Alfândega no finzinho do ano passado, o Thony Silas me falava da importância de manter um site ou um blog e uma página em alguma rede social para estar conectado com o público. Sempre me perguntei qua público seria esse. Nunca pude mensura o meu. Não tenho muito retorno das coisas que posto. Quase diariamente em minha página no Facebook vejo uma solicitação de amizade, aceito na hora sem nem mesmo olhar a página do solicitante (tudo o que faço hoje é tão rápido que nem me sobra tempo para visitar os espaços dos artistas que tanto gosto), mas quase sempre me pergunto se este novo amigo tem mesmo intimidade com minha arte ou se apenas ouviu falar que eu desenho e eu seria mais um a fazer número em sua lista. Pelas estatisticas deste blog, meu público vem diminuindo a olhos vistos. Seria porque estas pessoas migraram para "outros lugares" na web? Estariam cansados da minha ladaínha? Estariam tão sem tempo como eu sempre estou? Será que é porque eu sou muito inconstante na atualização deste espaço? Seria porque já estou um baita tempo sem publicar algo relevante? Tudo isto junto? Vai saber.

Penso com frequência em me desconectar disso tudo, mas sei que não é possível, hoje em dia um artista que não está ligado ao mundo através da internet e os meios que ela oferece para que ele mostre e fale sobre seu material, não existe de fato. Sei que este blog vai se encerrar em algum momento, mas antes disso há o que dizer e expor e enquanto ouver pelo menos uma pessoa disposta a ler minhas palavras e ver meus rabiscos eu vou continuar postando. Tento estar aqui duas vezes na semana pelo menos.


Hoje começamos com as artes de mais um clássico do Machadão criadas para a Editora Construir. Foram feitas já tem um bom tempo, eu nem me lembrava mais delas, fuçando nas minhas pastas é que me dei conta de que estas ainda não deram as caras por aqui. Na verdade muitos destes livros que desenhei ainda não foram impressos, sei lá porque. A editora me informou que não está com pressa, eles vão se acumulando e uma hora qualquer entrarão nas máquinas.

Issaê, agente segue se falando.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

THTRU



10:30 da noite e só agora consigo sentar para fazer a postagem. Como a Vera continua sendo torturada pela escoliose (com sua gripe dando sinais de retorno)  insisti para que ela repousasse, eu cuidaria das tarefas domésticas, ou pelo menos parte delas, uma vez que é quase impossível mante-la quieta. Fui ao mercado fazer umas compras e por conta disso tudo eu pouco trabalhei em minhas artes, a página do Poe que estou produzindo terá que ser finalizada amanhã.


Bem, indo ao que interessa: as artes vistas neste post são da autoria do mestre Rodolfo Zalla. Vamos a um pouco de história?


ZALLA - Rodolfo Zalla é uma lenda dos quadrinhos nacionais, não é brasileiro, é argentino, mas adotou o Brasil como sua terra. Tive o prazer de conhece-lo uma tarde em um evento que teve na Comics onde o convidado era o também lendário Júlio Shimamoto, meu brother do coração. Eu e o Shima tínhamos combinado de bater um papo em algum lugar e comer alguma coisa, porém o Zalla, que estava por lá e também a tempos não o via o Júlio, grudou em nós, o que para mim foi motivo de imensa satisfação. Sentamos num bar próximo a Avenida Paulista. Se me lembro bem o Zalla bebeu cerveja (bebida de homem) e eu e o Shima bebemos refrigerante. Comemos alguma coisa mas não recordo o quê, teria sido pizza?
A gente aprende muito conversando com dois veteranos dos quadrinhos, mas houve um momento em que fiquei sobrando, os dois citavam artistas dos quais eu nunca tinha ouvido falar. Zalla, entre um cigarro e outro era mais contido, o Shima mais elétrico. Por fim a noite avançou rápido e começou a ficar frio. O Zalla fez questão de pagar a conta. Trocamos números de telefones mas eu nunca mais veria o mestre dos quadrinhos de terror nacionais na minha frente.
A uns anos atrás, durante um Festcomics, parece que o Zalla folheando o álbum Zé Gatão-Memento Mori gostou do que viu. Queria entrar em contato comigo para que eu fizesse oito páginas de uma história para a Calafrio. Soube disto pelo editor da Criativo. O problema é que ele, Zalla, um desenhista na casa dos 80 anos, não tem e-mail, site, nem nada, só um número de telefone para o qual não consegui ligar. A coisa ficou o dito pelo não dito. Teria sido legal fazer uma hq para esta renomada publicação de terror.

AmitDesai e Rodolfo Zalla

CLAUDIO ELLOVITCH - Não conheço pessoalmente o talentoso roteirista e diretor do premiado curta de terror, PRAY, infelizmente. Entramos em contato pelo Facebook, onde ele me convidou para trabalhar no Golem, uma obra em quadrinhos baseada no livro do Gustav Meyrink. Nosso projeto, como já comentei aqui, não foi aprovado pelo Proac, ficando temporáriamente engavetado.


Claudio Ellovitch

THTRU - É uma história em quadrinhos ímpar e mundialmente reconhecida por seu teor, digamos, espiritual e aterrorizante.  Realizada no Brasil, Índia, Hong Kong e Alemanha, a obra pode ser reconhecida como, acima de tudo, um livro de arte. A poesia do artista indiano AmitDesai, autor da série de livros AMERICA SUTRA, ganha vida em uma viagem alucinante por sonhos e pesadelos ilustrados pelo Mestre dos Quadrinhos (prêmio Angelo Agostini e troféu HQ MIX) Rodolfo Zalla. Uma narrativa violenta, visceral e carregada de símbolos e significados ocultos - pintada em uma técnica experimental e única. O roteiro e a direção de arte são assinados por Claudio Ellovitch e ChengSing Yin. 




THTRU é um livro alquímico em quadrinhos e sua encadernação luxuosa (capa dura revestida em couro reciclado WintanHydraThermo; páginas amarradas e com bordas douradas) evidencia justamente esse aspecto, assim como sua relação com a inspiração transcendental, ou talvez religiosa.



Apesar de ser uma obra completa, essa graphic novel inspirou o cineasta e proprietário da loja O CARA DOS QUADRINHOS, Claudio Ellovitch, no roteiro e direção do incrível curta-metragem PRAY. A obra embasou e, com o olhar aguçado de Claudio, a película ganhou respeito internacional ao ganhar o primeiro lugar no Viewster Online Film Festival. Um júri liderado pelo ator cult alemão UdoKier (Blade, Frankenstein de Andy Warhol) e incluindo o produtor americano Ted Hope (21 Gramas), o diretor finlandês Timo Vuorensola (Iron Sky) e a atriz alemã Nora Tschirner (Coelho Sem Orelhas) elegeram o filme Pray como o melhor inscritos entre todos. Com a sua visão de uma "aterrorizante experiência religiosa", Pray garantiu a Claudio Ellovitch o prêmio de US$ 70 mil, recebidos em Londres durante a premiação oficial do evento. 




Bem, amadas e amados, THTRU pode ser adquirido pelo site http://www.ocaradosquadrinhos.com.br/ vocês terão todas as informações sobre esta obra de arte.



Confiram no vídeo o evento de lançamento da obra que reuniu Rodolfo Zalla e Claudio Ellovitch.



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 Um baita abraço a todos e até semana que vem, se DEUS quiser.