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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

MARÍLIA DE DIRCEU ( CENA 04 )


Jogo rápido porque tenho que sair dentro em pouco tempo. As postagens desta semana deveriam estar focadas em Zé Gatão, mas o comentário sobre o próximo conto a figurar neste espaço, juntamente com os esboços dos desenhos que estou criando para ele ficarão para a próxima semana, querendo Deus. É tanta coisa aqui que não posso me dar ao luxo de me concentrar neste blog como gostaria.

Ontem foi dia do Quadrinho Nacional e não pude sequer fazer uma postagem a respeito, mas pra falar a verdade nem há o que ser dito que já não tenha comentado em vezes anteriores, não existe quadrinho nacional, o que existe são guerreiros travando uma batalha inglória contra um sistema kafkiano, valentes tentando produzir, trazendo ao público seus sonhos com recursos próprios, muitas vezes com a ajuda de verbas de prefeituras ou coisa que o valha. Existe um material com bastante qualidade que não chega à maioria das pessoas e já começo a achar que será assim para sempre.
Amanhã, se tudo der certo, vou participar de um evento comemorando a data e que terá este tema como assunto principal, será em Olinda. Vamos ver qual a opinião dos demais convidados. Se nada der errado, semana que vem eu posto minhas  impressões sobre o que foi discutido.

Até lá fiquem com mais uma imagem de Marília de Dirceu.
Bom fim de semana a todos.




quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

ZÉ GATÃO E FRITZ, THE CAT.

Parece mesmo que Zé Gatão será foco das postagens esta semana, então vamos lá: um dia qualquer do ano passado recebi uma mensagem in box no Facebook de um jornalista do Correio Brasiliense me pedindo uma colaboração para uma matéria que ele estava escrevendo sobre Robert Crumb. Pelo que entendi a referida matéria consistia em opiniões dos artistas de Brasília sobre o modo como Crumb os influênciou. Bem, dois ponto aí: não sou exatamente de Brasília embora tenha morado lá a maior parte da minha vida e tenha declarado amor à cidade. Estou afastado do Planalto Central a mais de 10 anos. Outro ponto é que embora eu seja um fã do Crumb, ele não foi exatamente uma influência na minha arte. Eu o conheci já na idade adulta, embora já visse os desenhos dele desde a adolescência, mas só de volta a São Paulo em 91 é que pude ler suas hqs e me impressionar com as suas ousadias. Seu personagem mais famoso, o gato antropomorfo Fritz, foi citado/homenageado no meu primeiro álbum do Zé Gatão, ali eu juntei alguns felinos famosos dos quadrinhos para dar um tom mais leve a uma narrativa pesada, mas Zé gatão e Fritz pouco ou nada tem em comum. Crumb usa seu personagem quase como uma brincadeira, uma sátira às situações e costumes dos anos 60, uma espécie de ambiente "disneyano" subversivo. O meu é aventura escapista travestida de hq de ação com tons de filosofia pessoal. Também nada tem a ver com Maus, um dos maiores quadrinhos de todos os tempos, ganhador de um Pulitzer e que muitos admiradores meus insistem em comparar. Creio mesmo que meu felino mestiço tenha mais a ver com os bichos de pelúcia de Amberville, A Lista Da Morte, de Tim Davys, como observou a escritora Carla Ceres.
Mas voltando ao pedido do jornalista do Correio, respondi que faria o texto com prazer, ele solicitou também uma arte se fosse possível. Fiz o texto e o desenho e enviei. Só pedi a ele a gentileza de me informar quando a matéria saísse para eu requerer de meus irmãos a compra de um exemplar do jornal. Espero a informação até hoje. Acontece sempre. A matéria já deve ter saído, afinal já se passou muito tempo. Ou não, já vi muitas matérias de jornalistas barradas pelo editor depois de prontas.
De qualquer modo, fiquem aqui com o desenho e o texto para a matéria que nunca vi, Zé Gatão e Fritz, the cat, como se fossem bons companheiros.


"A primeira lembrança que tenho da arte de Robert Crumb data em fins dos anos 70 numa estampa de camiseta. Era o clássico desenho de uns homens entrando pelas partes íntimas de uma mulher e saindo pela boca da mesma. Causou-me uma forte impressão. Alguns anos mais tarde pude ler os primeiros álbuns lançados pela LPM. Virei fã pelo modo impudico em que ele retratava sua própria vida e situações do cotidiano. E esta foi a forma que fui influenciado, não exatamente pelo seu desenho, que é espetacular, mas pelo modo de contar histórias. Ele é um dos gigantes dos quadrinhos, ao lado de Eisner, Kirby e Moebius, não por causa da sua arte transgressora e subversiva (vê-lo só sobre este prisma seria diminui-lo) mas pela forma honesta com que retrata sua maneira de sentir o mundo"

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

FANART DE ZÉ GATÃO POR LUCA FIUZA.



Meu amigo e brother Luca escreveu um novo conto do felino taciturno e ele ainda não está aqui, no ar, por minha culpa. Isto porque estou ilustrando a narrativa, tentando dar uma caprichada extra nas artes. Estou mais lento na minha forma de trabalhar, é certo, e embora eu tente dar um espaço diário a cada projeto, nem sempre consigo cumprir a promessa feita a mim mesmo, preciso priorizar os comissionados, senão, como vocês podem imaginar, não pago minhas contas.

Concluí ontem o clássico da literatura brasileira Numa e a Ninfa do Lima Barreto e enquanto outro livro não me cai nas mãos toco a bio do Edgar A. Poe e acelero a produção das ilustras para este aguardado conto.

Os que me acompanham desde o início devem ter lido uma postagem que fiz sobre este querido amigo de infância ( http://eduardoschloesser.blogspot.com.br/2011/07/meu-amigo-luca.html ), sabem que ele foi uma das grandes influências na minha arte. O Lucão, como costumo chama-lo, abandonou os desenhos, concentrando-se na sua vida profissional como professor de história e nas horas vagas gosta de escrever para dar ares à sua fértil imaginação. Sorte a minha.

Ele voltou aos desenhos e rabiscou estas duas imagens do gato cinzento. Na de cima ele esqueceu as suíças que acusam o hibridismo do personagem, nova tentativa e saiu a imagem que vemos abaixo.

É sempre legal ver uma criação pelo talento de outras pessoas.
Já tivemos outras fanarts aqui. Eu sou mesmo bem afortunado.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

ESBOÇO RAPIDEX.


Ai, ai. Me sinto um peixe fora do aquário. Sempre. Em todos os lugares  e situações. Só não me sinto um estranho ao lado dos meus irmãos e da minha esposa, e também com mais uns dois ou três amigos. De resto, não consigo me adaptar. Acho que já falei isto aqui.
Esta semana, perdi um tempinho navegando pelo Facebook, coisa que não fazia a muito tempo. Vi umas artes muito bacanas criadas por uns artistas brasileiros muito fodas. Hqs e ilustrações maravilhosas. Deixei o meu positivo e um comentário parabenizando. O curioso é que apesar de gostar do que vejo, não me sinto inserido nestes grupos, nem o trabalho deles tem a ver com o meu estilo de traço ou com a minha forma de ver a vida. Acho que por isto mesmo Zé Gatão ainda é um corpo estranho no meio disso tudo. Nunca devidamente aceito. Os que estão na ribalta, o ignoram, os que batalham por seu lugar ao sol, esnobam, como se o esnobe fosse ele.
Então, no silêncio e solidão do meu estúdio, remando contra a maré, eu continuo trabalhando.

Para não deixar vocês, meus queridos e queridas, sem um desenho, fiquem com este esboço de segundos, não aproveitado num livro didático.


Se cuidem e tenham um bom fim de semana.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

MAIS SOBRE A BIOGRAFIA DE EDGAR ALLAN POE.



Edgar Allan Poe fez aniversário a poucos dias e a biografia dele que estou quadrinizando ainda está longe de ficar pronta. Ela avança a passos de tartaruga devido a minha impossibilidade de me dedicar a ela integralmente. Mas ainda que pudesse, nem por isto ela estaria finalizada neste mês ou no outro, isto porque a técnica empregada é trabalhosa, delicada e não tenho mais as energias de antigamente. Trabalho hoje de forma mais metódica e mais lenta.


Dia destes o roteirista perguntou se dentro de três meses eu a terminaria, pois há uma editora no Rio de Janeiro interessada em publicar neste prazo. Eu disse que não poderia prometer, mas que era muito provável que não. Ele então quis passar a bola para outro artista , zerar tudo e recomeçar nos traços de um outro cara que fosse mais rápido. Eu disse a ele que tudo bem. Só seria pena que as mais de 50 páginas que fiz, que já estão prontas, ficariam no limbo.


Fiquei muito chateado com o cancelamento, mas o tempo cura tudo, principalmente nos dias de hoje em que sonho menos e tento ser mais prático. Sendo assim, foi com uma mescla de mágoa e alívio que me vi livre deste encargo e poderia me dedicar aos trabalhos que me sustentam e alguns projetos pessoais que tenho deixado empoeirar faz tempo.


Até que o artista e editor ligado ao projeto me ligou perguntando como estava o andamento da história. Disse a ele da decisão do escritor. Ele, parece, conversou com o roteirista e recebi do mesmo uma mensagem para eu continuar com a obra. Que esperaria.
Eu estou tentando acelerar o processo sempre que possível, mas não é fácil. Ainda estou na juventude do biografado, ele está prestes a ir para West Point, ou seja, tem ainda muito chão pela frente.


Hoje posto alguns traços, rabiscos, design de página e esboços finais, para vocês conferirem mais ou menos como é o meu processo.


Aos poucos a coisa vai ganhando corpo. Uma hora fica pronto.


Edgar Allan poe merece.



sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

MARÍLIA DE DIRCEU (CENA 03)



Eita, que cansaço! E o trabalho está longe de acabar, no momento estou ilustrando, paralelo aos didáticos (que são um pé no saco) o clássico "Numa e a Ninfa" do lima Barreto, este sim, dá prazer de fazer, apesar da complexidade da técnica usada. Por isto a fadiga é compensada pelo prazer de ver a imagem criar vida no branco do papel.
Minha prancheta está uma bagunça, montes de canetas, lápis, livros de referências, pó de borracha (tenho que espana-la) e o notebook bem na beirada onde escrevo a vocês aproveitando para dar uma descansada. Rola um Zé Ramalho no meu som. Minha posição não é lá das mais confortáveis apesar de manter as costas eretas, não é a toa que no final do expediente estou com as costas ferradas, clamando por um Dorflex.

Meu polegar esquerdo continua luxado, me impedindo de segurar as coisas com firmeza, o esporão no calcâneo direito continua me torturando, agora dando sinais também no esquerdo, a editora não mandou os contratos para serem assinados apesar das artes entregues no prazo, resultado, nada de dinheiro esta semana. Duas contas venceram, os juros não querem saber, ou seja, nenhuma novidade. Espero que com vocês esteja tudo bem.

As artes de hoje são para Marília de Dirceu.

Preciso voltar ao trabalho. Bom fim de semana para vocês, meu amados e minhas amadas.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

AS MAIORES HQS DE TODOS OS TEMPOS (KEN PARKER)



Hoje me bateu uma vontade danada de reencontrar um velho amigo, alguém muito querido que muito me ajudou a suportar os dias amargos que passei no Rio de janeiro, esteve desaparecido de minha vida por uns anos me provocando grande apreensão. Reencontrei-o em São Paulo, casualmente, para minha grande alegria. Já faz uns anos que não o vejo, mais precisamente desde que me mudei de Brasília para vir ao nordeste e agora me bate esta saudade repentina.
Infelizmente não posso vê-lo pois ele se encontra muito bem guardado dentro de uma caixa, numa pilha entre tantos outros quadrinhos lacrados que não posso abrir por falta de espaço nas minhas estantes.
O amigo a quem me refiro chama-se Ken parker, personagem da linha western, criado pelos italianos Giancarlo Berardi (roteirista) e Ivo Milazzo (desenhista).



Parker me foi apresentado pelo Ariel, um amigo da adolescência em 1978. Não fui muito com a cara dele a princípio, na época eu curtia Tex e Jonah Hex e achava que não havia ninguém naquele gênero que pudesse chamar minha atenção.
O gibi de estreia, editado pela Vecci se chamava Vingança, e a história tratava exatamente disso, o protagonista caçando os assassinos de seu irmão. Nada novo, mesmo assim me marcou por mostrar um drama violento e bastante calcado na realidade. Mas a partir do número dois, chamado Mine Town, que comecei a me interessar de verdade. Um número melhor que o outro e a partir daí eu e Ken Parker começamos uma relação que durou muitos anos. O desenhista Milazzo teve que se revezar com outros artistas a partir do número 8, se não estou enganado, uns muito bons, outros nem tanto, mas a qualidade das histórias sempre permaneceram excelentes.
Ken Parker fugia à regra das histórias de cowboys a que estamos acostumados, ele já trabalhou num baleeiro no melhor estilo Moby Dick, esteve entre os esquimós, defendeu a causa índia em Washington e tals.
Soube que ele foi inspirado pelo filmaço "Jeremiah Johnson" que aqui recebeu o título de "Mais Forte Que A Vingança", de 1972, dirigido pelo Sidney Pollack e estrelado pelo Robert Redford, tanto que alguns desenhistas retratavam Parker com a cara do Redford.

Mas foi no período que morei no Rio de Janeiro, nos fins de 70 e começo de 80, que comecei a minha coleção de Ken Parker, ler (e reler) aquelas histórias foi como bálsamo num período de solidão e alheamento. Comecei minha coleção comprando em banquinhas de feira livre, neste período, as feiras no Rio sempre tinham uma barraquinha de revistas usadas e foi ali que adquiri números que havia perdido (inclusive comecei uma grande coleção de Tex nesta época, mas sobre o famoso ranger eu falo em outra oportunidade).

Certo dia, muito chuvoso e frio, eu fui até a sede da Editora Vecchi que ficava num lugar no centro da cidade muito longe da onde eu residia, para finalmente completar a minha coleção, mesmo estando com pouco dinheiro. Todos os meses eu ia às bancas ansioso por uma nova edição e muitas vezes frustrado pelos comuns atrasos.
A coleção de Tex e Ken Parker começou a crescer demais e eu já não tinha espaço no lugar onde dormia de favor e a mãe do amigo que me hospedava, uma senhora muito religiosa, começou a pressionar e eu tive que me desfazer das revistas. Nesta época errante, uma revolta muito grande começou a tomar conta de mim mas eu nunca a externava, eu me achava a pior criatura da face da terra e tinha um desprezo profundo pelas pessoas à minha volta. Ouvia muito rock (escondido) e tava sempre com garotas (cujo nomes nem lembro mais). Foi meu período de "sexo e rock´n´roll", não teve drogas porque esta merda nunca me interessou, sério, mesmo naquela época de total inconsequência nunca entendi como um ser humano pudesse ser tão imbecil a ponto de usar tais substâncias para fugir da realidade (ou fazer parte dela).


De volta à Brasilia recomecei minha coleção de Ken Parker, mas aí já era muito mais difícil, não lembro se a Vecci já tinha fechado as portas, mas encontrar números antigos era como procurar agulha num palheiro. O Tex encontrou casa nova, mas o Parker, que nunca foi popular, muito menos um sucesso de vendas, encerrou seu ciclo no número 53. O Ariel, que a muito perdera o interesse no personagem, me cedeu várias edições que faltavam. Com muito custo fui agregando um número aqui outro ali, até que tive em mãos todos os exemplares tinham saído pela Vecchi, com exceção de um que tinha o título de Sangue Vermelho (o número 49). Foi o período em que o Parker sumiu, sempre que eu ia a sebos, vez ou outra eu encontrava vários volumes antigos, mas nunca aquele. Já cheguei a ver certa vez a coleção inteira na Muito Prazer, estava tudo lá....menos o número 49. Cheguei a conversar com outros colecionadores e muitos não tinham aquele tomo. Cheguei mesmo a duvidar que ele tivesse sido publicado. Sem exagero, sonhei algumas vezes que o referido número chegava às minhas mãos. ATÉ QUE NUM BELO DIA alguém se desfez da sua coleção e na mesma Livraria Muito Prazer, EU O REENCONTREI! O ansiado volume que me faltava lá estava me esperando. Como disse acima, foi como rever uma pessoa querida, desaparecida a muito. O tal Sangue Vermelho, nem era lá uma história tão boa, mas eu finalmente tinha a coleção completa.


O personagem parou no Brasil mas continuou na Itália, então a Best News anunciou uma série de títulos de quadrinhos, entre eles Ken Parker a partir do número onde tinha parado, saíram duas ótimas edições, mas as hqs desta editora tiveram vida curta.


Posteriormente saíram alguma edições especiais em formato álbum, com papel de boa qualidade e histórias coloridas, todas ótimas, mas o final da saga permanece inédito pra mim até hoje. Uma editora nova (Tapejara, Cluc, nem sei bem agora) relançou todos os números com um melhor acabamento, formato igual ao original italiano e com uma tradução mais fiel. Pensei em comprar de novo, mas o preço salgado e a publicação irregular me impediram, mas prometi a mim mesmo que os números faltantes eu compraria quando saísse. Os tais números foram lançados e eu nem fiquei sabendo, quando fui atrás já não se tinha mais notícias deles, sumiram do mercado e eu que a muito tempo não sou mais aquele Eduardo de outrora, deixei minha vontade de ler a conclusão daquela fase do personagem hibernar. Um dia, quem sabe, eu corra atrás disso.




Em São Paulo, a Mithos colocou na praça uma nova fase do nosso herói, posterior aquela que eu perdi. Nela Ken Parker é caçado por um xerife implacável por um crime cometido anos antes. Uma boa sequência que acompanhei todos os números, mas não era a mesma coisa. Não sei, amigos mudam como mudam as estações, e o velho Rifle Comprido, como é conhecido entre os índios, talvez tenha ficado mais maduro, mais sorumbático, mas nada apaga aqueles primeiros tempos, aquelas velhas histórias.

Li dia destes que ele voltará a ser publicado na Itália, será muito bem vindo, mas como eu já disse, as velhas revistas da Vecci, esta sim, é a saudade que gosto de ter.


Mais informações sobre Ken Parker vocês encontram no excelente blog http://kenparker.blogspot.com.br/ , dedicado ao personagem.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

MARÍLIA DE DIRCEU ( CENA 02 )



Bom dia a todos. Cá estamos de volta, graças ao bom Deus.

Assisti neste fim de semana ao programa Pipoca e Nanquim de número 178 e como sempre curti demais, os apresentadores são muito simpáticos e divertidos, neste em particular faltou o Alexandre Callari, editor da DC no Brasil, mas mesmo assim valeu a pena, por focar por quase uma hora nos quadrinhos nacionais independentes. Gosto desse canal por que é feito por quem de verdade curte histórias em quadrinhos e trabalha no ramo, caso você não conheça e tenha ficado curioso, para assisti-lo é só acessar:
http://pipocaenanquim.com.br/videocast/pipoca-e-nanquim-178-se-nao-leu-leia-especial-fiq-pt-1/

Mas o que me levou a abordar este programa é justamente o que foi falado lá, como os quadrinhos no Brasil vão bem, em como o mercado irá crescer e etc. Eu digo, TOMARA. Repito, tomara mesmo que se cumpra o que ali foi vaticinado. Meu ponto de vista é outro, menos simpático e otimista. Só para quem ainda não me ouviu comentar sobre o assunto, por mercado, eu entendo assim: Deve existir oferta e demanda.
No caso dos quadrinhos no Brasil, temos ótimos artistas, e isto não é de hoje, a mais de 30 anos (e muito antes disto se formos contar as hqs de guerra e western produzidas pelo saudoso Eugênio Colonesse) o traço dos quadrinistas tupiniquins são exportados, seja para os EUA ou Europa. E hoje em dia uma nova geração de gênios conseguem publicar materiais autorais de grande qualidade. Só que aqui, em solo pátrio, isto ainda não acontece. Não vejo um autor de HQs vivendo única e exclusivamente disto, não tenho conhecimento de um desenhista e/ou roteirista produzindo seus álbuns e pagando suas contas com eles (Maurício de Souza  e Ziraldo não contam)  Eu noto a cena independente indo muito bem, o que prova que temos uma infinidade de desenhistas/roteiristas produzindo pra caramba, o que denota que existe oferta, mas não demanda. Para ilustrar o que digo, lembro que até bem pouco tempo a Editora Abril criou um concurso para quem estava afim de produzir quadrinhos infantis (algo nos moldes da Disney), bem, os vencedores do concurso, pelas críticas que li, foram muito bem e tinham ótimas propostas, mas as revistinhas não passaram do terceiro número, e só podemos crer que foi por causa da baixa vendagem.
Pelo Pipoca e Nanquim citado acima, vemos dezenas de quadrinhos de boa qualidade, mas não sabemos que eles existem. Ficam restritos às tribos próximas de quem os produziu. Não há uma forma de divulgação e distribuição eficaz. Os gibis migraram das bancas para as livrarias, tornando-os menos acessíveis ao público alvo. Os motivos para isso não vem ao caso agora, mas embora a internet, via blogs e redes sociais, seja uma forma competente e rápida para divulgar produtos, ainda não faz o barco navegar em águas mais profundas. As vezes acontece, como foi o caso do filme A Bruxa De Blair, mas não é um fenômeno que vemos se repetindo, infelizmente.

Eu, particularmente tenho certa dificuldade de comprar as coisas via internet, principalmente sem cartão de crédito. Se o sistema for por boleto já facilita muito. Mas de particular para particular é mais complicado. Comprei os independentes do Gustavo Duarte assim, indo ao banco fazer deposito, escaneando o recibo e mandando a ele por e-mail, mas eu estava em contato direto com ele, para adquirir material do Marcatti foi mais difícil e eu acabei deixando pra lá. Meu amigo Nestablo Ramos, divulgou uma hq de cangaço, tema que atrai, chamada "Os Proscritos", de um certo Beto Nicácio. Programei-me para entrar em contato com ele e adquirir seu livro, mas acabei me esquecendo, quando lembro, estou sem grana, seria mais fácil se eu pudesse encontrar a obra na banca ou na livraria. Gosto disso, folhear o produto, pagar por ele e leva-lo na hora, mas sei que isto hoje tá ficando raro.
Certo tempo atrás eu divulguei no Facebook que tinha exemplares do primeiro álbum do Zé gatão para vender, muitos entraram em contato para adquirir, poucos concretizaram o negócio, talvez pelos mesmos motivos que declinei acima. Por isto é que digo, muito do que foi divulgado no Pipoca e Nanquim me interessou, mas como conseguir? Eu ainda tenho certos recursos, mas e aqueles que não tem, que contam as moedas para comprar um gibi do Superman?
Onde estão as editoras que a uns três anos atrás publicavam quadrinhos nacionais a rodo? Pararam de investir em adaptações de clássicos? O governo parou de comprar uma parte?
Coisas como estas eu disse numa entrevista para uma rádio e teve gente que me criticou dizendo que não adiantava ficar chorando, o negócio era continuar insistindo e produzindo. Não fico chorando, minha senhora, eu até que consegui meu espaço, tenho álbuns publicados por editoras de peso, mas sou realista, faço quadrinhos por que curto faze-los e é uma maneira que tenho de transmitir uma visão de mundo, o caso é que muita gente fica de oba-oba e fingem não ver (talvez não vejam mesmo) a barreira que existe. Daí fica esta impressão de que pelo número de hqs criadas de  forma independente, programas na web dedicado ao tema, debates, festivais e tals, temos um mercado em pleno aquecimento.

E como vencer as tais barreiras? Eu tinha teorias, mas sinceramente nem sei mais, decidi que vou parar com estes comentários, vão dizer que é dor de cotovelo, por que na real, não sou um autor de sucesso comercial.
O que sei ao certo é que esta forma de contar histórias vai continuar, embora o público diminua sempre e sensivelmente. Concordo que não se deve desistir e a produção tem que seguir em frente.
No fundo, a minha opinião é esta, o bom e verdadeiro quadrinho é feito no silêncio do quarto, por necessidade de se expressar, independente de seu sucesso.

Hoje, mais duas imagens para o clássico Marília De Dirceu.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

FIRME COMO PREGO FINCADO NA MERDA FRESCA.


AMADAS E AMADOS AQUI ESTOU DE VOLTA, pronto para pegar o touro da vida pelos chifres e domina-lo com garra. Bem, este é o desejo.

Meu final de ano foi bom, graças a Deus, mas confesso que no dia 31 eu contava os minutos pra que tudo acabasse e voltássemos à normalidade de nossas vidas. Eu e Vera (é como os íntimos chamam a minha esposa) trabalhamos muito, preparando ceia. Ninguém pra ajudar. Luta-se contra o tempo e na hora de degustar estamos "pelas tabelas", como se diz. Mas complicado mesmo foi na madrugada do dia 30. Quem me acompanha por aqui a mais tempo certamente deve se lembrar de uma postagem que fiz comentando sobre os loucos que literalmente me cercam, hão de se lembrar do cachorro maluco que late o dia inteiro. O que não falei é que os donos do tal cão não são boas pessoas. O chefe da família é um delegado, dizem, tem a esposa, um casal de filhos, uma empregada que fofoca o dia inteiro ao telefone falando de homem com as amigas (não fico prestando atenção, mas é impossível não escutar, o prédio é encostado ao nosso) e o cachorro latindo como em resposta aos desvarios de uma família que não se entende. No dia 30, por volta de 10 da noite, eles comemoravam alguma coisa, acho que era o aniversário da filha deles, uma moça bonita, porém execrável, e contrataram música ao vivo. Amados e amadas do meu coração, parecia que a festa era dentro do nosso apartamento! Os vidros das janelas tremiam com as vibrações vindas de fora! A música e os brados dos convivas só cessaram as cinco da manhã. Foi uma noite complicada. O dia 31 passamos quase o tempo todo na cozinha ou em fila de mercado, sempre tem um item que acaba faltando, aí já viu, né?
Comemos bem, na casa da sogra, estavam lá como de praxe a avó, irmãos, sobrinhos e cunhados da Verônica. Da varanda vi a queima de fogos na praia de Candeias. Isto não me trás emoção absolutamente alguma.

Para vocês saberem como foi o meu dia primeiro do ano, segue o trecho de uma carta que escrevi a um amigo de infância:

"Meu velho amigo, acabo de ler suas respostas e como sempre, me trazem muita alegria. Ontem, senti o coração turbado o dia todo, uma imensa vontade de chorar, mas não me permiti faze-lo, não quis preocupar a Vera ou quem pudesse notar. O porque? Nem eu sei direito, saudades da minha mãe e irmãos? Sim. Saudades dos poucos, mas sinceros amigos? Certamente. Pensar que todo esforço depreendido até hoje poderia ter rendido mais frutos, ao invés de me proporcionar apenas o básico? Também. Mas fazendo uma auto análise com parcimônia, reparo que o motivo maior é notar que vou envelhecendo muito depressa e o melhor da vida ficou para trás, lembrei do seu pai, do meu, de um tio que faleceu a pouco tempo e percebo a implacabilidade do tempo com mais força. Um novo ano começa e apesar de todo o otimismo comum a esta época do ano, não sinto vir no vento algo que justifique esta alegria que me parece tão afetada."

Estou trabalhando em quatro projetos ao mesmo tempo. Ilustro um livro didático de sociologia e o clássico de Lima Barreto chamado Numa e a Ninfa, estes pagam as contas, os outros dois são pessoais, a bio de Edgar Allan Poe (que me obrigo a trabalhar um pouco, pelo menos, todos os dias) e os desenhos que ilustrarão o novo conto de Zé Gatão escrito por meu amigo Luca Fiuza, a continuação de Seca Cruel, estes sim, fazem a coisa valer a pena.


A arte de hoje é um dos esboços para a capa do livro "A Vegetariana" da Devir. Os outros sketches vou postando com o tempo, no fim, não valeram meus esforços nem vi dinheiro, a autora, juntamente com o patrocínio de alguma empresa coreana, optaram por colocar uma foto na capa. Ossos do ofício.

Bem, chegamos em 2014. Daqui a pouco é carnaval, seguido de semana santa e depois, copa do mundo; talvez, após isto tudo, o país comece a funcionar.

Aguardo vocês semana que vem, se Deus quiser.