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sábado, 31 de julho de 2010

O FABULOSO JOSÉ ROOSEVELT

Na postagem de hoje, não veremos meus rabiscos. Não ousaria, pois certamente eu seria humilhado pelas imagens incríveis deste grande artista que é José Roosevelt.

PRIMEIRO ENCONTRO - Era o ano de 1989. Nesta época ainda residíamos, eu e família, em Brasília, na SQS 202. Certa tarde minha mãe me falara que uma conhecida sua precisava de um desenhista pra criar "não sei que negócio". Fomos lá eu, meu irmão Gil, e minha mãe na casa desta amiga ( acho que era no bloco "D" da nossa quadra ), e o tal desenho que me foi requisitado era a criação de um logotipo para o hotel que o filho dela iria inaugurar em Palmas, no recém-criado Estado do Tocantins. Assim que adentramos na sala, eu e Gil ficamos deslumbrados com uns quadros que haviam nas paredes. Não eram obras quaisquer, eram pinturas que só se vêem em galerias especializadas no gênero. Não é legal para um artista comparar, mas pra vocês terem uma idéia do que estou falando, imaginem as obras de Salvador Dalí na década de 50. Isso mesmo, surrealismo hipnotizante. Quadros de grandes dimensões, tipo 1,5 m por 2 m, coisa assim. Não vou e nem poderia descreve-los. Um em particular me chamou atenção não só pela técnica apuradíssima, mas também pelo título singelo-enigmático : "Mara Reticulata". Pedi informações à dona da casa sobre o artista e ela me dissera que se tratava de um amigo de seu filho e que o mesmo não morava mais em Brasília. Nos dias posteriores, eu sempre arrumava uma desculpa para ir até lá, conforme eu ia desenvolvendo o tal logotipo do hotel, e me plantava diante daquelas pinturas. É algo que nunca vou esquecer. Por fim, o logo ficou pronto, recebi meu pagamento e nunca mais voltei. Não muito tempo depois, nós mudaríamos para São Paulo e uma nova fase de vida ( bem mais difícil e tensa ) nos esperava.  

SEGUNDO ENCONTRO -  Agora realmente a memória me falha, não sei se o ano era 92 ou 93. Eu frequentava amiúde a Livraria Muito Prazer na avenida São João, esta era naquele período, a comic shop mais badalada de Sampa. Numa tarde eu vi um rapaz simpático de barba, conversando com o Valter, proprietário da loja, sobre Brasília e entrei na conversa, e pelo teor deduzi que se tratava do autor dos quadros que me ficaram gravados na mente. Pra confirmar, indaguei se ele não pintara um quadro intitulado Mara Reticulata, ao que ele respondeu : " Sim, esta foi a minha primeira mulher". Vou poupar vocês dos detalhes, mas ali mesmo nos tornamos amigos. Convidei-o a ir na minha casa que ficava perto, na Rua Guaianazes. Lanchamos e conversamos boa parte da tarde. Fiquei sabendo que ele era fã de Carl Barks e Fellini e não gostava de Milo Manara. Ele viu meus desenhos , foi gentil em elogiar alguns e criticar outros. Se vocês gostaram da capa do primeiro livro do Zé Gatão, saibam que foi sugestão dele. Ele havia se casado de novo e morava na Suíça onde continuava pintando e expondo.
Zé Gatão saiu finalmente e mandei uns exemplares pra ele lá na europa e ele retribuiu com alguns catálogos de suas exposições e um album em quadrinhos de sua autoria chamado "La Ville". Os desenhos eram maravilhosos mas não pude entender a história direito pois estava em francês, e eu entendo francês tanto quanto entendo marciano. Guardo estas lembranças com muito carinho. Nos correspondemos algumas vezes. Depois, com meu retorno a Brasília em 98 e com toda a confusão que uma mudança traz, eu perdi seu endereço e assim a ligação foi interrompida.

TERCEIRO ENCONTRO - É lógico que com a internet hoje em dia é praticamente impossível você não localizar uma pessoa. Descobri o site de José Roosevelt, entrei em contato e sempre nos comunicamos por e-mail. A arte dele continua fantástica, eu sou fã, sou suspeito para falar. Vejam por vocês mesmos, capturei da net algumas imagens dele, mas se vocês não conhecem este artista estupendo, visitem seu site ( tem o link aqui no blog ).
Não sei, posso viver 500 anos e nunca vou compreender como um artista deste quilate ainda não tem o talento reconhecido no seu próprio país, nem há uma editora aqui que publique seus álbuns. Ele não precisa evidentemente que eu faça publicidade de sua pessoa ou de sua arte, ela fala por si e há na web dezenas de blogs elogiando seu trabalho, pessoas e críticos muito mais gabaritados que eu, mas deixo aqui a minha humilde homenagem a este autor que acima de tudo mantém sua integridade e humildade apesar do sucesso que tem. É o que valorizo acima de qualquer coisa.
Ave meu amigo José Roosevelt.





sexta-feira, 30 de julho de 2010

LEITURA DE GRANDES OBRAS ( RUBENS )

Uma das coisas legais de trabalhar no "Método Dinâmico de Desenho e Pintura " da Escala, foi que tive muita liberdade pra escolher os modelos que seriam usados nos tópicos. Como tenho fascinação por temas mitológicos, resolvi retratar "A Violação de Ganimedes" de Peter Paul Rubens.
Um resumo bem rápido desta história: Hebe filha de Juno era copeira dos deuses e ela abandonou a tarefa quando se tornou esposa de Hércules, então Zeus,  disfarçado de águia raptou Ganimedes, um joven troiano, para coloca-lo no lugar vago.
Rubens é um dos expoentes máximos do movimento barroco. Reconhecido como um dos maiores pintores flamengos de todos os tempos.
A arte que você confere abaixo ( de novo eu tive a audácia de colocar o original para comparação ), está inacabada. Era pra demonstrar um trabalho executado a carvão, mas não  gostei de como estava saindo. Dei uma anabolizada no personagem como é meu estilo, mas não sei, ficou com uma pose muito afetada, sei lá.... depois deu preguiça de continuar e acabei usando um outro tema.
Eis aí um exemplo de leitura de uma obra que não deu certo. Também, quem mandou eu tentar reproduzir o trabalho de um artista como Rubens?


quinta-feira, 29 de julho de 2010

SUPER-HERÓIS ( CURSO DE DESENHO)

Segundo me disseram, já está em bancas um curso de como desenhar super-heróis.
Eu criei este material já faz um bom tempo. Era um projeto ambicioso, que envolvia atlas de anatomia (óssea e muscular) entre tantas coisas. Foi projetado para uma editora de renome que enrolou um bocado e no final acabou não publicando. Deixei nas mãos de um amigo meu pra ele ver o que poderia fazer com aquilo. Acabou saindo por outra editora e pelo visto sem tanta pompa. Sem problema, melhor assim do que ele ficar engavetado como tantos outros.
Se Deus quiser, aos poucos irei postando esses desenhos com as devidas explicações sobre eles; há inclusive um tópico sobre os heróis da antiguidade clássica que duvido, saia como eu projetei. Bem, paciência.
As imagens que vemos hoje, foram as primeiras que criei. A sugestão dos editores era fazer o curso no estilo de traço do Bruce Timm. Como tenho uma resistência muito grande em copiar outros artistas, acabei fazendo do meu jeito. Acho mesmo que por isto se mostraram reticentes à obra. Seguindo as indicações deles, criei este super-herói para estampar a capa. Fiz o esboço de duas versões que vocês conferem abaixo.


quarta-feira, 28 de julho de 2010

CLARA DOS ANJOS ( 06 )

Tem dia que o serviço não rende. De manhã até que produzi bem, mas após o almoço a coisa desandou. Aconteçe as vezes, a arte empaca mais que uma mula (ou será que a mula sou eu ?), é um tal de apaga, desenha, apaga...e aquilo que está dentro da cachola não dá sinais de ganhar vida, apenas aquele arremedo de desenho insistindo em permanecer ali, como um farsante querendo se passar por outro. Nestas horas o melhor a fazer é relaxar, abrir uma cerveja e fumar um cigarro. O problema é que eu não bebo e não fumo.
Noutros tempos, eu sairia pra dar uma volta ou assistiria um filme no dvd. Arejar a cabeça, mas não posso me dar ao luxo, tenho um prazo apertadíssimo pra entregar estas artes.
Só tem um jeito: insistir. É o que farei assim que terminar esta postagem, aliás vou nessa.
Fiquem com as últimas imagens do livro Clara dos Anjos do grande Lima Barreto.






terça-feira, 27 de julho de 2010

X-WOMAN (JEAN GRAY)

Antes de mais nada um aviso: eu nunca fui fã de X-Men. Gosto, já li alguns gibis, vi as versões em desenho animado, e até curti os filmes, mas nunca me derreti por esta equipe. Questão de gosto, eu curto o Hulk,  Capitão América, Conan, e sei de pessoas que não os suportam. Agora, desenha-los é outra coisa, acho um puta exercício fazer uma leitura pessoal de personagens de hq. Quando digo leitura pessoal, não me refiro a mudar substancialmente o uniforme, ou colocar um personagem negro se na verdade ele foi concebido como oriental, por exemplo. É válido também, mas minha proposta não é esta. Acho interessante o fato de que todo artista tem seu traço pessoal, como uma digital, até porque, imprimi-se muito de si mesmo nos seus desenhos. Então, a menos que você copie descaradamente um determinado autor, sua forma de se expressar no papel ou através de tintas é algo único.
Quando pensei num portfólio de super-heróis nos anos 90, imaginei quais mulheres eu poderia inserir. De cara eu pintei a She-Hulk e Vampirella, por achar as personagens muito fortes visualmente; não satisfeito, inclui quatro aquarelas das garotas mutantes. Mas não queria nada que remetesse a Boris, Jusko, Frazetta ou Julie Bell, nada de caras e bocas em movimentos dinâmicos. Minas sensuais em poses provocativas, mas também nada ousado como faz o Manara ou o Serpieri, um meio termo. Acho que consegui. Esta Jean Gray é a primeira de quatro.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

APROVEITANDO PEDAÇOS DE TELA ( O MOTOQUEIRO FANTASMA ).

Queridos, boa noite. Era minha intenção dividir com vocês alguma idéias, o assunto seria a publicação do primeiro livro do Zé Gatão, por que fiz tal loucura, o que envolveu, etc. A matéria fica pra outro dia, pois meus planos hoje foram frustrados. Já falei que sou péssimo administrador do meu tempo, né ? Pois sim, tenho prazos a cumprir, por isto deixa eu voltar pra prancheta correndo. Só passei aqui pra deixar uma arte pra vocês. Trata-se de um Ghost Rider que pintei a óleo faz muito tempo num pedaço de tela que sobrou. Voces acreditam que eu nunca li uma hq deste personagem? Sim, eu conheço a história trágica do Johnny Blaze, mas ler mesmo.... peraí, minto, eu li aquela escrita pelo Daniel Way e ilustrada pelo Richard Corben, e sinceramente achei uma porcaria. Não pelo desenhista, pois Corben consegue por arte em tudo que faz, mas o caso é que não entendi patavina do gibi. Por estas e outras, não tenho lá autoridade pra julgar o filme, mas embora fraco, eu me diverti, os efeitos são bons e eu gosto dos maneirismos do Nick Cage.  Vamos ver o próximo.
Até amanhã se Deus quiser.

domingo, 25 de julho de 2010

MÉTODO DINÂMICO DE DESENHO E PINTURA.

Hoje quero falar um pouco sobre esta coleção que fiz pra Editora Escala. Foi um desafio e um prazer trabalhar nestas revistas. Uma coleção de seis números. Foi um desafio por que simplismente eu não tenho exatamente um método de trabalho. Como já disse antes, sou muito intuitivo, não gosto e não sei ficar me repetindo. Lógico, eu tenho uma linha de trabalho e metas a serem atingidas, mas como eu consigo tal resultado no final das contas é algo que não sei explicar muito bem. Por isto tive que ser "outra pessoa" e deixar fluir o Eduardo professor, e pra isto não levo o menor jeito. Mas o que me ajudou muito foi que tive bastante liberdade pra criar os módulos que me eram enviados à minha maneira. Fiz pesquisas, uma série de esboços, e procurei ser o mais didático possivel nos temas abordados. Até hoje não sei se fui feliz na tarefa pois nunca tive retorno em relação a aceitação deste material. Mas o mais legal de tudo, e nisto reside o prazer de executar a coleção, foi que eu pude escrever textos introdutórios que falassem de arte com tons auto-biográficos. Eu aproveitei e contei um pouco da minha história, a cada edição eu abordava um tópico e falava da minha experiência no assunto. Houve momentos em que acho que fui muito azedo. Não sou um escritor e meu teor sempre foi muito coloquial e até meio canhestro, mas foi divertido. Sabem, ninguém vai me pagar pra falar de mim mesmo, assim foi uma oportunidade que não pude perder. Pena que uma introdução legal que concebi pro assunto Caricatura não foi publicada. Coisas de editora.
A coleção não é nota 10 na minha opinião, nem todas as páginas estavam bem impressas e não foi bem revisada. Há problemas nos textos que não haviam na minha escrita original. Mas o saldo no final das contas foi bem positivo, sabem porquê? Um conhecido me perguntou se alguém aprendia a desenhar com aquilo de fato ou era um dos tantos engodos que lotam as bancas de revistas, como fórmulas mágicas pra emagrecer ou pra ganhar na loteria. Só respondi a ele que se na minha infância eu tivesse tido materiais deste tipo pra me ajudar, com certeza teria ido mais longe. Sério, na década de 70, não haviam métodos de desenho vendidos em bancas. Só em escolas de arte e casas especializadas a preços absurdos. Daí.....
Engraçado, estas edições da Escala depois sempre voltam encadernadas, em formato livro, com este não fizeram isto. Pelo menos até agora.
Outras editoras ainda me pagam pra elaborar estes cursos pra bancas, mas o da Escala tem meu nome estampado nas capas e o texto é integralmente meu. Há um pouco da minha história neles e muito de mim nos desenhos.






sábado, 24 de julho de 2010

CLARA DOS ANJOS ( 05 )

Sem muito blá-blá-blá hoje, tenho que voltar rapidinho ao trabalho. Só informando que o livro Clara dos Anjos já está totalmente finalizado, estou ilustrando agora Dom Casmurro do.... bom, vocês sabem de quem.
Vocês devem saber que só ando atarantado assim por causa de um prazo muito curto que me deram pra criar as artes destes livros, por sinal, o prazo já estourou faz tempo.
Apesar da pressão, foi legal trabalhar no Clara dos Anjos, até agora foi o que mais gostei de fazer. Sei lá, senti uma certa espontâneidade nestes traços. Fiquem com mais duas imagens desta triste história e bom domingo a todos.



sexta-feira, 23 de julho de 2010

APROVEITANDO PEDAÇOS DE TELA ( WOLVERINE )

Este é mais um pedaço de tela em que resolvi treinar a mão. Acho que não ficou um Wolverine lá muito tradicional, apesar do uniforme amarelo e azul. Esta arte já tem um bom tempo, nem sonhavam em fazer os tais filmes para o cinema. Entretanto, esta ainda é a visão que tenho deste simpático/antipático personagem : baixinho, bem musculoso, irritadiço e violento. O Hugh Jackman mandou bem nos filmes, mas é uma versão alta, simpática e moderada do mutante. Mas sabem? Eu achei legais os filmes. Principalmente o segundo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

CLARA DOS ANJOS ( 04 )

Estou procurando mesclar trabalhos atuais com artes antigas, estas últimas são uma forma de matar as saudades, afinal cada pintura representa um ciclo na vida, é como aquela foto que captura um momento e o congela para sempre. Na verdade, eu creio que a ilustração vai muito além da fotografia. São diversos fatores envolvidos; a escolha do tema, do material, se foi encomendada, o clima no qual se trabalha e assim por diante. Cria-se uma aura em torno dela, e ela passa a simbolizar um instante único, que só quela imagem pode trazer de volta. Como uma música que marca uma época ( pensando bem, a arte de fotografar deve passar pelo mesmo processo, contudo, sou desenhista, não fotografo, então falo daquilo que sei ).
Um dos motivos deste blog existir é exatamente expor trabalhos que estavam esquecidos em envelopes ou pastas. Claro, vai chegar um momento em que não terei mais nenhum desenho antigo para mostrar, mas aí já terei cumprido a tarefa de dividi-los com você, que tem a fineza de me visitar e aprecia meus traços, e ainda por cima tem a paciência de ler as minhas pretensiosas palavras.
Porém, as imagens que apresento hoje é da minha safra mais recente. É de Clara dos Anjos e saiu do forno agorinha e quase me queimou a mão. Já afirmei diversas vezes que raramente fico satisfeito com minha arte, mas destas eu gostei.
As expressões da velha e suas filhas, e na segunda peça em particular, o ângulo pouco usual para uma ilustração de livro, como se no bar, naquela época, ouvesse uma câmera de segurança. De bônus, como é de praxe, vai junto um esboço.
E é isso, por hoje é só.



quarta-feira, 21 de julho de 2010

APROVEITANDO PEDAÇOS DE TELA ( O HOMEM SEM MEDO )

Em São Paulo, muitos dos trabalhos que executei foram a óleo sobre tela. Pra atender às necessidades do cliente eu tinha que cortar as telas nos tamanhos especificados, com as sobras do material  executei algumas pinturas de super-heróis para treinar a mão, coisas despretenciosas, como a arte que ilustra este post. Com o tempo vou mostrando-as aqui.
O Demolidor é um herói fascinante, não é? Vida trágica do moço. Eu curtia muito aquelas aventuras que eram desenhadas pelo Gene Colan, não lembro agora quem era o autor das histórias, seria o próprio Stan Lee? Mas acho que foi o Frank Miller que touxe Matt Murdock ao panteão dos grandes heróis mascarados com toda aquela loucura que ele criou. Confesso que li bem pouca coisa do vigilante depois disso. Parece que teve uma fase boa com a Ann Nocenti, mas não acompanhei. Cheguei a ler aquela que foi escrita pelo Kevin Smith e não me impressionou, na verdade acho este cara, tanto como cineasta e autor dequadrinhos, muito superestimado O filme foi lamentável. Hoje, nem sei em que pé anda a vida do advogado cego.

terça-feira, 20 de julho de 2010

CLARA DOS ANJOS (03)

Hoje, como quase todos os dias, meu tempo está curto. Tenho que voar se quiser terminar os desenhos de Clara dos Anjos até quarta próxima. Portanto, fiquem com mais duas artes da mesma. E para aqueles que curtem o processo de criação, vão também alguns esboços preliminares, inclusive o estudo para a capa.






segunda-feira, 19 de julho de 2010

DOM CASMURRO (CAPA)

"Olhos grandes ( de ressaca ), nariz comprido, boca fina, queixo quadrado, fartos cabelos, alta, cheia de corpo...."  É mais ou menos com essas palavras que Machado de Assis descreve Capitu, a personagem feminina mais popular da literatura brasileira, ao lado de Ana Terra, segundo especialistas. Concluo que mesmo com uma descrição detalhada, não é fácil dar um rosto pra uma personagem deste tipo. Sim, existem tipos. Uns são mais fáceis, outros, por mais que se tente, nunca ficamos satisfeitos com o resultado. É o caso de Capitu. Não a vejo como uma mulher bonita, mas não é um rosto que se esqueça facilmente. Não lembro de ter visto outras versões em desenho, o que se mostrou na televisão não vale. Na TV eles conseguem fazer a Marquesa Domitila de Castro parecer uma miss. Inclusive, o rosto no esboço como podem notar, ficou ligeiramente diferente da expressão na pintura. Como não há descrição de Bentinho no livro eu o fiz baseado na fisionomia do Machado. E Escobar tá lá, entre eles. 
Pela primeira vez eu começo um trabalho deste tipo pela capa; foi uma exigência da editora e eles tem lá seus motivos. Eu me sinto mais a vontade fazendo a capa por último, fico mais desembaraçado depois de ter realizado uma série de desenhos com os vultos da obra.


Para compor uma parte da peça, achei adequado fazer uma leitura de "A Condessa de Haussonville",  uma das obras de Jean-Alguste Dominique Ingres, um dos papas do período neoclássico. Não há palavras para descrever o trabalho deste mestre. Não conheço na pintura universal alguém que consiga obter através das tintas, efeitos de texturas de tecido como Ingres. E eu ainda tenho a cara de pau de colocar minha pobre arte ao lado da dele! Devo ser masoquista. Mas foi apenas uma homenagem. Aliás, o braçao direito da condessa tá meio estranho, cês não acham? Bem, eu achei, por isto na minha Capitu eu fiz como acho que deveria ser. Sou mesmo muito topetudo.  


domingo, 18 de julho de 2010

LEITURA DE GRANDES OBRAS ( EUGENE DELACROIX ) + ZÉ GATÃO.

Sinceramente? Gosto do Delacroix, tem estilo próprio, movimento, pincelada vigorosa, coisas que muito me atraem na pintura, mas não sou um grande fã, não como sou de Caravaggio, Ingres, David, Michelangelo, Leonardo, Manet.....ih, melhor parar, a lista é grande. O fato é que tenho que tirar o chapéu para "A LIBERDADE GUIANDO O POVO" do Eugene. Ela é poderosa. Eu diria que ela é poderosissíma. Há algo em certas obras que me instigam, eu seria capaz de ficar olhando para elas por horas a fio. Nem sei quanto tempo eu perderia diante do quadro em questão lá no Museu do Louvre. Os motivos? Fora os óbvios, tem alguma coisa nos movimentos das personagens, as cores dando a impressão de caos, e a figura central da mulher trazendo unidade à agitação e aos elementos. Me perdoem os puristas,  não sou crítico de arte, falo daquilo que sinto.
No primeiro álbum de Zé Gatão, os habitantes da Cidade do Medo empreendem uma revolução. A verdade é que naquele tempo eu estava impregnado de idéias esquerdistas, eu não passava de um grande imbecil, daí muitos pensamentos pretensamente político-socialistas a permear aquela aventura.. Mas foi a desculpa que precisava pra fazer a minha leitura da obra-prima de Delacroix. Foi uma aquarela agradável, gostei do resultado, o que é um tanto raro. Como podem notar eu mudei as cores da bandeira, afinal não sou francês, meu avô é que era. Uma curiosidade, há quase um ano cedi uma hq curta do felino pra ser publicada na revista Quadrinorte, concedi também esta ilustração para capa. Que eu saiba a revista até hoje não saiu e os responsáveis não entraram mais em contato. Sei lá o que aconteceu. Bem, quem quiser conferir : http://quadrinorte.blogspot.com/
É isso aí pessoal, me desculpem por mais este sacrilégio. Tenham uma ótima noite.


sábado, 17 de julho de 2010

NÚ (02)

A arte de hoje foi publicada num dos cursos de desenho que são vendidos em bancas, pra ser honesto nem sei qual, além de serem tantos, a editora não tem o hábito de me mandar as revistas, e eu nunca compro meus próprios produtos ( sim, uma vez tive que comprar um Zé Gatão pro Pieot - esqueci o segundo nome - um agente,  lá da França, ou da Bélgica, sei lá. A idéia era tentar vender vários títulos nacionas pro mercado gringo. Nunca mais tive notícias do cara. ). Mas voltando ao planeta Terra, as vezes nem fico sabendo que  tal revista com o curso de desenho está em banca, eu vejo por acaso. A foto que serviu de modelo foi mandada pelo editor. A peça foi feita em acrílico sobre cartão. Acompanha dois sketches.
Por hoje é isto.
Bom domingo a todos.



sexta-feira, 16 de julho de 2010

CLARA DOS ANJOS ( 02)

No post de ontem eu esperava ter mais tempo hoje, né ? Espera vã.
Por esta razão, poucas palavras e mais desenho. Aliás, acho que todo mundo prefere assim.
Temos aqui mais duas cenas do livro do Lima Barreto. Fui.