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sábado, 30 de dezembro de 2017

HAPPY NEW YEAR!!!!!


A todos vocês que gentilmente acessaram este blog e continuam acompanhando minhas postagens, minha eterna gratidão!

Desejo a todos um 2018 CHEIO DE REALIZAÇÕES, COM MUITA SAÚDE, GRANA E ARTE!

DEUS ABENÇOE A TODOS!


domingo, 24 de dezembro de 2017

HAPPY CHRISTMAS!!!!


Aos leitores deste blog, UM NATAL REPLETO DE ALEGRIAS E BENÇÃOS DO ANIVERSARIANTE SOBRE SUAS VIDAS E DE SEUS FAMILIARES, são os votos deste vosso desenhista, cada dia menor!

domingo, 17 de dezembro de 2017

UM DIA NA VIDA DE UM DESENHISTA (um conto pintado com cores opacas bukowskianas).

Ed Palumbo era desenhista, tentava pagar suas contas com aquilo que conseguia desenvolver no papel. Não era uma vida fácil, nada na vida dele era fácil, mas ele sabia que tinha gente muito pior, pessoas morrendo de câncer ou vivendo em países com guerra civil, tentava se consolar com isto. Paulista de nascimento, farto da vida infrutífera e da agitação da selva de pedra mudara-se para Brasília onde residia numa quitinete da comercial 202 norte.

Morto de cansaço ele acordou ao som do telefone. Levantou-se para atender, o sol na janela da pequena sala anunciava que deveriam ser mais de 9 horas da manhã.
- Alô?
- Ed?
- Sim?
- É o Strumer, do Periódico do Planalto.
- Ah, sim, tudo bem?
- Tranquilo. Incomodo?
- Não.
- Seguinte, não vamos poder publicar aquela matéria que fizemos sobre aquele seu álbum de quadrinhos, infelizmente.
- Tudo bem.
- Olha, seu trabalho é ducaralho, mas tenho que te dizer, editores de jornal não se importam com tiros na cabeça e tripas espalhadas no asfalto, mas se incomodam muito com picas e bucetas, tá me entendendo? O teu trampo tem todas estas coisas, então não vai rolar.
- É uma pena, mas tudo bem, agradeço por você ter tentado.
- E olha que tentei mesmo, cara, sou teu fã! Quem sabe numa próxima?
- Pois é, quem sabe?
- Valeu, cara! Abração e sucesso com teu gibi!
- Obrigado!

Ed estava sedento, a cabeça doía, foi à geladeira e bebeu um copo de água, sentia o corpo pesado. Tornou a deitar-se. Estava frustrado, precisava que seu álbum de quadrinhos vendesse bem, o Periódico do Planalto era o tipo de veículo que se dissesse que merda fazia bem à saúde os leitores iriam correndo comer. O sono chegava de mansinho quando ouviu batidas na porta.
Levantou da cama e pôs uma camisa.
Atendeu; do lado de fora uma loura de olhos verdes sorria.
- Você é o Ed Palumbo?
- Sim.
- Amo seu trabalho, seus desenhos, seus gibis, amo você! Uma amiga me deu seu endereço. Poderia assinar este seu livro?
Ela estendia para ele sua primeira coletânea de tiras, lançada muitos anos antes, um trabalho fraco, mas que lhe deu uma passagem para o reduzido mercado das artes gráficas no Brasil.
- Claro! Gostaria de entrar?
- Oh, sim, obrigada!
Ao passar por ele, notou seu corpo escultural, ela usava um vestido de noite, verde brilhante, apertado.
Entregou para ele o livro e foi quando Ed notou que ela tinha pinças de caranguejo no lugar das mãos. Ele não fez caso disso e começou a autografar o tomo.
A loira caminhou até uma estante que havia na minúscula sala e se admirou:
- Nossa! Quantos livros de arte bacana você tem aqui! E estes são os que você publicou?!? Meu Deus, que relíquias! Amo seus trabalhos!
Ed reparou que a mulher tinha tentáculos de polvo como pernas e retirou seus livros da estante e começou a devorá-los com um bico cheio de serras, com uma fome louca e fazia um barulho horrível ao comer, ela parecia aqueles dinossauros alados. Neste ponto, Ed acordou. O barulho que ouvia era o de uma distante britadeira que vinha de fora.
Porra, que sonho escroto! pensou. Não dá pra dormir mais.

Fazia calor. O ventilador de teto estava com defeito e girava lento. Tinha fome mas estava com preguiça de ir na padaria da SQN 203 traçar um misto quente com vitamina de mamão e laranja, restava apenas comer alguns biscoitos recheados que tinha no armário da cozinha e tomar um copo de leite.
O telefone tocou.
- Sim?
- Senhor Palumbo?
- Ele.
- É da Imobiliária Novo Horizonte, tudo bem?
- Tudo.
- O seu aluguel está atrasado.
- Vocês disseram isto ontem.
- Bem, quando o senhor poderá pagar?
- Eu disse ontem e anteontem. Acertarei semana que vem com os devidos juros.
- Ah, certo, então. Desculpe incomodar e tenha um bom dia.
- Ok!

Palumbo sabia que o bonde da felicidade não passaria pela rua dele, se passou um dia ele não percebeu. Tinha 55 anos e havia avançado pouco na vida. Um tanto mais de dinheiro não faria mal,  só para ele não ter que passar por certos apertos. Pensando nisto ele discou um número.
Depois do que pareceu ser uma eternidade uma voz apática atendeu.
- Zezão?
- Ele mesmo.
- É o Ed Palumbo.
- Hei, falaí grande artista! Mito dos desenhos!
- Zezão, quando você vai pagar pela arte que me encomendou?
- Já terminou a nova que te pedi?
- Ainda não, mas você não me pagou pela anterior, tenho que quitar meu aluguel e abastecer minha geladeira, cara!
- Claro! Faz o seguinte: termine esta e eu acerto logo as duas no início da próxima semana. Vai entrar uma grana na minha conta e eu transfiro para você.
- Ok, combinado. Até!
- Falou, se cuida!

Se espreguiçou, preparou lápis, pinceis e sentou-se na prancheta. A arte encomendada não era difícil mas ele se sentia pouco motivado. Molhou o pincel na água e já ia colher a tinta quando a campainha soou. Ele se levantou e foi abrir. Era o Taveira.
- Diz aí, Ed! E foi entrando.

Taveira era um cara alto, ruivo, magro, difícil de especular a idade, devia ter de uns 25 a 30 anos, usava sempre roupas encardidas e cheirava como uma pessoa que não tomava banho a muito tempo. Sempre descabelado e mal barbeado. Nunca ria e falava sempre com voz monótona.
- Esse mundo é podre! Disse.
- É mesmo, respondeu Ed, se sentando para ver se conseguia trabalhar enquanto o Taveira murmurava suas besteiras. Taveira sempre dizia que odiava as pessoas.
- Tenho ódio das pessoas!
- Sei.
- Ontem eu descia as escadarias da rodoviária. Todo mundo com pressa e lá estava aquela mulher gorda, parada nos degraus, falando no celular e atrapalhando quem estava com pressa e queria passar. Tive vontade de dar um chute bem forte no cu gordo dela e vê-la rolar degraus abaixo!

Palumbo passava o pincel com as cores sobre a superfície do desenho como quem não escutava aquela litania monótona sobre como as pessoas são frias, covardes e inócuas e como a arte poderia salvá-las. Taveira desenhava bem, tinha um traço minimalista bem interessante, criava umas tiras que traduziam seu pseudo desprezo pela humanidade e em seguida queimava tudo. Ele, felizmente nunca sentava, só falava sem parar, olhava Ed pintar e nunca fazia comentário, nenhum elogio ou crítica. Para ele só havia uma pessoa interessante nos quadrinhos, Alan Moore, o resto era merda, até mesmo Eisner. Vivia fazendo paralelo com Watchmen e a filosofia nietzschiana, sempre o mesmo repeteco,  tirando meleca do nariz e limpando na camisa.
- Um dia vou pegar uma arma e dar uns tiros em algumas pessoas, mas só em gente escrota, só em filho da puta!
- Tenha calma, Taveira. Relaxa, cara, sinta o sol, o vento, não vale a pena se aborrecer. O mundo é complicado e a gente tem que se adaptar.
- É, acho que cê tem razão. Bem, vou indo nessa!
- Falou cara, não vou me levantar, não posso parar aqui, se esta cor secar antes da próxima camada, fodeu!
O outro nada respondeu. Observou rapidamente os livros e os quadrinhos de Ed na estante como sempre fazia e saiu.

Passava de uma da tarde e o desenhista sentiu fome. O telefone tocou mas ele não atendeu. Foi até a minúscula cozinha e pôs um pouco de água para ferver. Retirou da pequena geladeira um pouco de carne moída da véspera. Adicionou ketchup e botou pra esquentar. No ponto certo despejou uma caixinha de creme de leite e misturou tudo. A água fervia e ele jogou um macarrão instantâneo dentro. Em três minutos ficava pronto e ele despejou a carne moída em cima. Catou um suco de uva em pó de saquinho e diluiu numa pequena jarra de água gelada. Comeu enquanto assistia o noticiário. Tudo notícia fabricada, pensou.

Antes de voltar ao trabalho alcançou o grosso volume de Crime e Castigo para ler pela quinta vez, um ótimo livro mas que capengava no arco final, ele tinha plena certeza que Dostoievski mudou o final para atender melhor o público. Ninguém estava livre de se vender para agradar os outros e assim obter mais sucesso.

Começou a sentir sono quando o telefone tocou mais uma vez. Não fez caso. Pôs sua calça jeans, o tênis e vestiu uma camisa branca. Pegou uma sacola de roupas sujas que estavam num canto e saiu. O sol estava forte, mas de uma quentura agradável, as cigarras cantava dando à atmosfera um tom preguiçoso. Se encaminhou até a lavanderia e foi atendido pela mocinha dentuça e bunduda.
- Olá! Nunca mais tinha visto o senhor!
- Sim, muito trabalho e roupas sujas acumulando, sabe como é.
- Imagino.
Pagou o sinal, pegou o recibo e saiu. Passou pela banca de jornal da quadra. Deu uma vista pelas manchetes dos jornais e folheou alguns quadrinhos. Muita coisa havia mudado desde que ele lia super-heróis, O Superman não respondia mais aos EUA e sim a ONU, o Capitão América não era mais a sentinela da liberdade, mas um dedo duro da Hydra, o Thor tinha virado mulher, e quem usava o traje do Homem de Ferro era uma mulher negra. Porra, que tempos tristes! Pensou.

De volta ao lar sentou-se para recomeçar o trabalho, eram 15 e 30. O telefone tocou. 
- Alô!
- Oi, Ed!
- Fala, Ingrid! O que manda?
Ela tossiu, em seguida parecia que bebia algo.
- Eu e o Filho terminamos tudo.
- É mesmo?
- Não suportava mais as traições dele, aquele cheirador de cocaína miserável!
- Entendo.
- Ele que se foda com aquela banda de rock de merda dele.
- Até que ele faz sucesso.
- Cê gosta da música dele?
- Nem um pouco; na verdade, não é que eu não goste, eu não ligo a mínima, aquilo não me diz nada!
- Aquele viciado nojento!
- Olha, Ingrid, desculpa, mas estou ocupado aqui!
- Estava lendo o sua HQ, é muito boa!
- Ok.
- Tem um personagem lá que tem um pau bem grosso! Ouvi dizer que os artistas colocam muito de si mesmos em suas criações. Estava pensando em passar aí depois que eu sair do trabalho e constatar se é mesmo verdade.
- Olha, não é uma boa ideia.
- Não gosta de mim?
- Não é isso, é que pretensamente eu sou um ilustrador e se eu não trabalhar não pago as minhas contas! E depois, você e o Filho já romperam outras vezes e voltaram, acho que desta vez não será diferente.
- Você é uma pessoa estranha, Ed.
- Muitos acham isso.
- Gosto do seu jeito, a maneira como me olha, o Filho disse que você elogia meus olhos cor de mel. Você é um cinquentão muito charmoso. Sei que você não curte cigarro, prometo que seu eu for aí não vou fumar.
- Um outro dia, talvez, hoje estou realmente muito atarefado.
- Certo, me liga depois? Gosto de ouvir sua voz.
- Sim, depois.
- Beijo!
- Até!

Ed foi até a geladeira e bebeu o restante do suco.
Sentou-se e continuou o trabalho. Tempos depois ouviu alguém gritar seu nome repetida vezes, foi até a janela e lá estava o PT.
- Cara, desculpe berrar assim, mas não tinha certeza se tu tava em casa!
- Sobe aí.

Ed conheceu PT numa comic shop de Brasília e desde então ficaram próximos. Era um escritor de talento e nos últimos tempos tinha metido na cabeça - influenciado por Neal Gaiman - que queria ser roteirista de quadrinhos. Tinha umas ideias bastante interessantes. Ele vivia com uma mulher muito bonita chamada Yolanda, e segundo ele mesmo, doida e paranoica. Enquanto ouvia os passos do cara no corredor, Palumbo antevia a mesma conversa de sempre sobre a direita retrógrada e a má interpretação que faziam da obra de Marx, além de "papai disse isso ou papai falou aquilo".
- E aí, gênio, o que anda aprontando? Caralho, isto está ficando sensacional!" Entusiasmou-se PT exibindo um largo sorriso com dentes enormes e ligeiramente projetados à frente. Ele parecia mesmo gostar das artes do Ed Palumbo. Um tempo antes ele criou um roteiro intrincado para uma HQ e queria que Palumbo fosse o desenhista. Pediu uns esboços de personagens para anexar ao texto e fez a defesa do projeto às editoras paulistas, a resenha enaltecia o talento do ilustrador como nunca fizeram antes e demonstrava ser bem sincero. Pena que o roteiro tenha sido recusado por todos, o material era muito bom.
- Cara, não me conformo de você não ser aclamado como um dos grandes de todos os tempos!
- Obrigado, PT, mas não exagera!
- Não é exagero cara, eu tenho discernimento, sei que tu é foda na arte e escreve uns roteiros muito massa! Só não entendo como funciona o mercado editorial no Brasil, eu sei que você se esforça e vai à luta. Papai sempre me diz que as coisas não caem do céu, a gente tem que correr atrás e sei que você faz a sua parte.

Ed sabia que aquele papo não levava a nada embora houvesse muita coerência no que o PT dizia; tornou a trabalhar enquanto o outro falava.
- Pelo pouco que notei deste meio dos quadrinhos, existe muita panelinha, talvez se você fizesse parte de alguma delas...
- Eu já tentei, meu caro, não gosto de clubinhos, mas houve um tempo na vida em que deixei de lado meus escrúpulos e fui a tudo que era evento e lançamento de HQs, tentei me enturmar com os fodas que fundaram academias de arte, conheci muita gente bacana, talentosa e esforçada. A maioria - é bem verdade - depois que conquista um espaço se acha uma estrela e fica babaca, embora o que produzam seja mais do mesmo, um padrão que se estabeleceu no mercado ianque, mas tem uma parcela que sabe que há espaço para todos e sempre há novidades a aprender, com estes fiz uma sólida amizade. Eles dão dicas de trabalho sempre que podem....se esta é uma panelinha...
-Isso aí, cara, papai sempre disse que temos que correr atrás do sonho para vê-lo realizado. Do que você falou, sinto a mesma coisa no ambiente literário, o cara não é porra nenhuma, mas dá a sorte de publicar um livro bem criticado num veículo como a Folha de São Paulo e já se acha um Cervantes. E essa coisa de crítica é foda, basta um dizer que é legal e todo mundo copia sem nem ter lido a obra toda. Livros hoje em dia é escrito por uma equipe de pessoas e uma só leva o crédito.
- Complicado, né? Disse Palumbo com um suspiro de impaciência.
- E tem escritor que todo mundo ama sem nem ter lido a obra do cara, é o caso de Joyce, papai sempre diz que toda a unanimidade é burra.
- Essa frase é atribuída a Nelson Rodrigues!
PT explodiu em uma sonora gargalhada como sempre fazia quando achava graça em algo.
- Isso é bem típico de papai, roubar a máxima dos outros como se fossem dele.
Dizendo isso o PT enfiou a mão por dentro das calças - na traseira - e começou a coçar sofregamente.
- Não repare, tem três dias que não tomo banho e minha bunda tá coçando!
Ed fingiu que não escutou e continuou sua pintura.
- Rapaz, essa noite foi difícil, Yolanda acordou durante a noite com um pesadelo e começou a gritar! Eu dizia: calma, calma, foi só um sonho! Mas nada dela se recompor, então veio um ataque violento - te falei que ela sofre de epilepsia, né? - Dei o remédio dela, mas desta vez foi forte a coisa!
- Rapaz, sinto muito!
- Ah, tudo ok, agora! Hei, vamos comer em algum lugar? Estou com fome! Papai não depositou grana na minha conta esta semana, mas eu ainda devo ter algum crédito.
- Obrigado, PT, mas tenho mesmo que terminar esta ilustração.
- Ok, então, vou nessa!

Ed acompanhou o rapaz até a porta.

Voltou à mesa mas não pegou nos pinceis. Toda aquela conversa trazia à ele uma crescente depressão. Tudo parecia inútil e sem sentido. Correr atrás do vento, enxugar gelo, não parecia fazer outra coisa na vida a não ser, à moda dos cães, girar em círculos tentando morder o próprio rabo.
A tarde se avizinhava e ele foi a geladeira, tomou um copo de água e deitou-se um pouco. Cochilou pesado por uns 30 minutos, teria dormido mais se não fosse de novo o telefone.
- Alô!
- Fala Ed, tudo bem?
- Quem é?
- Cara, não reconhece mais os amigos?
- Desculpe, não estou identificando a voz.
- É o Lu Batata, cara!
- Não lembro de nenhum Lu Batata.
- Cara, assim você me magoa, nos conhecemos num workshop que você deu no ano passado no Memorial da América Latina!
- Ah, sim, lembrei! Como vai?
- Tô de boas! E tu?
- Também, só ocupado, agora.
- Entendi, cara desde que ficamos amigos meu traço melhorou muito, você vai ficar impressionado com meus desenhos, são poderosos!
- É mesmo?
- Sim, vou mandar para seu e-mail, ok?
- Escute, não leve a mal, mas como sabe meu telefone e e-mail?
- Foi o Peixeiro quem me deu.
- Ah, sim, o Peixeiro. Ele nunca mais deu notícias.
- Ele largou a vida de desenhista e virou caminhoneiro. Deve estar lá pelas bandas de Belém do Pará.
- Ok, Batata, tenho que desligar.
- Falou, gênio! Aguarde meus desenhos!

Ed suspirou cansado. Se possível fora ele queria dormir por longuíssimo tempo.

Colocou uma coletânea de Jazz dos anos 30 no computador  e trabalhou por mais uma hora ignorando o telefone que sempre tocava. Quase 20 horas, teve fome, saiu para comer algo numa lanchonete que tinha numa quadra próxima. A noite estava maravilhosamente estrelada.

Voltando a seu apartamento ligou a tv, sapeou os canais e não tinha nada de bom passando. Deteve-se na globolixo onde um casal se esmurrava e em seguida se beijavam como se não houvesse amanhã. Novelas, ele já assistira este tipo de coisa no passado, num tempo onde as pessoas tinham algo a dizer. Ed detestava essas estrelinhas globais, pessoas vazias, ocas, sem estofo, com quilos e quilos de  mentiras e de maquiagem e tinturas de cabelos, pessoas que enalteciam umas às outras falsamente. Mercadores de ilusões baratas. As personagens nunca trabalhavam naquelas tramas e sempre tinham dinheiro, nunca ficavam a vontade em suas casas, nunca usavam bermudas e chinelas, dormiam maquiadas e acordavam como se tivessem vindos de um salão de beleza. Desligou o aparelho.

Pintou seu desenho mais um pouco ouvindo Miles Davis. Parou. Fez um alongamento, em seguida cinco séries de flexões de braços, algumas abdominais. Ofegou. Estava velho, sem fôlego. Pra quê aquilo tudo? Ele não sabia, só para manter um ritmo, um hábito de vida, talvez. Foi ao banheiro, escovou os dentes e tomou banho.

Sentou-se para terminar a arte. O telefone tocava. Não atendeu.
Colocou sua assinatura no papel ainda úmido e olhou a arte de longe. Tinha ficado razoável. Mais uma obra terminada. Escaneou e enviou a pintura por e-mail. Sabia que teria que lutar para receber por ela. Com aquele cliente era sempre assim. Ele demorava mas sempre pagava.

O telefone tocou novamente, ele desconectou da parede, desligou a luz e se deitou.

Mais um dia havia se passado e ele tinha vivido. Fechou os olhos esperando o sono, se tivesse sorte,  nunca mais acordaria.

 






domingo, 10 de dezembro de 2017

O DESENHISTA E SEU ANIVERSÁRIO.


Para quem lê com um pouco de atenção as coisas que escrevo aqui deve imaginar que se eu não tenho lá muita predileção por olhar meu rosto no espelho deve imaginar também que não gosto do meu aniversário. Sim, isso mesmo. Aliás, não ligo. As pessoas dão uma grande importância a isto e acho até que estão certas, afinal um ano vivido tem mesmo que ser comemorado, mas eu na verdade não vejo muito sentido em tudo isso. Era pra eu ter morrido (com absoluta certeza) umas duas vezes, uma delas a quase 50 anos atrás, me marcou tanto que até hoje me lembro. Para que e porque (que e porque tem acento circunflexo neste caso? sou ruim de português) estou vivo até hoje só Deus sabe.

Sempre disse para minha mãe não fazer festa (não tenho lembranças de festas durante os anos 70, só me lembro de medo e tristeza). Durante os anos 80, o dia cinco eu tirava para refletir um pouco, faltava no trabalho sem nenhuma justificativa e caminhava pela manhã no Parque da Cidade em Brasília, pensava na vida e procurava ficar a sós com Deus. Naquela época isso era possível num parque agradável como aquele, hoje não sei. Era um dia que eu tirava para mim, ia ao cinema e se possível fosse, comprava um livro. Mas minha mãe não deixava passar batido, sempre preparava um almoço especial, geralmente lasanha, que gosto muito.
No SENAC, onde trabalhava, eu tinha alguns conhecidos que eram pessoas agradáveis, mas a maioria me ignorava como se eu fosse um inseto, mas no dia do meu aniversário vinham me cumprimentar - hipocrisia sem pre me deu nojo - uma amiga minha trabalhava no setor de pessoal e eu pedi a ela para tirar meu nome da lista de aniversariantes que ficava no mural da empresa, aí acabou a palhaçada.

Ao me aproximar dos 40 decidi comemorar minha data, convidar amigos mais próximos e passar alguns momentos conversando, comendo salgadinhos e bolo. Mas esta minha atitude não durou muito.

Vera sempre faz um belo almoço neste dia, assim como sobremesa e um bolo especial. Ok, se isso agrada a ela.

Meu último níver na semana que passou foi legal, comida gostosa, ligação dos familiares e muitas mensagens no Facebook, tanto que não consegui responder um por um como gosto de fazer.


O amigão e ótimo desenhista, Gilberto Queiroz, me homenageou com este belo desenho que diz muita coisa. Gratíssimo, Gilberto!

Até a próxima, se Deus permitir, folks!

domingo, 3 de dezembro de 2017

HISTÓRIAS ESQUECIDAS, LIDAS POR QUASE NINGUÉM.



Se pararmos para pensar bem a minha produção de histórias em quadrinhos é muito pequena, os livros que ilustrei ou capas que criei para revistas foram bem maiores. Teve, claro, os cinco álbuns do ZÉ GATÃO que sempre faço questão de sublinhar, afinal são meus filhos gerados da necessidade da minha alma de transmitir uma visão de mundo, mas fiz várias histórias eróticas no início dos anos 2000 que a maioria dos fãs do meu traço desconhece. Eram HQs que eram encomendadas e me davam total liberdade de criação, até o número de páginas ficava ao meu critério. Aproveitei para dar vazão à minha criatividade, este tipo de história sempre tinha um tema específico, com elementos quase sempre voltados para o humor, como se quem as projetava tentasse se desculpar por fazer, então se escondia atrás do véu da sátira - o cinema com a pornochanchada era basicamente isso, tirando onda com a Branca de Neve e os Sete Anões ou Chapeuzinho Vermelho - os catecismos do Zéfiro, hoje lendários, sequer tinham um enredo.
Um detalhe interessante é que os autores - grandes desenhistas da geração passada - não assinavam seus nomes ou inventavam um pseudônimo.
Eu para sair do lugar comum tentava narrar histórias de cangaceiros, homens da caverna, alguma ficção científica mequetrefe ou enredo policial e em algum momento eu enfiava a cena de sexo na trama, afinal era para isto que eu estava sendo pago.


Isto era publicado em revistas sem periodicidade, com papel vagabundo, e não raro com erros de digitação nos balões. Os títulos eram variados: Pervers, Panteras, Seximan e outros tais.


Com a chegada da internet publicações de sexo em bancas perderam sua força. Dois bons quadrinhos meus permanecem inéditos (um deles o tema era o das mil e uma noites), já falei sobre o assunto aqui no blog, não lembro em qual postagem.


Penso que essas minhas publicações sejam bem difíceis de achar, talvez em sebos, quem sabe?

Planos para reunir todo este material num álbum bem caprichado já existiu por parte de um editor, mas se esbarra na questão de dinheiro para levar a coisa adiante. Eu, pra falar a verdade, não me movimento e existem dois motivos para isto: Primeiro, é coisa do passado e eu gosto de pensar no futuro, em batalhar coisa nova; segundo, não sou muito fã desta fase, meu traço era bem ruinzinho,  pra ser sincero.

É isso aí queridos e queridas, até semana que vem, se o bom Deus permitir.

domingo, 26 de novembro de 2017

ALGUMAS PALAVRAS FALADAS NA SOLIDÃO DO DESERTO.

O calor chegou, finalmente; não bateu na porta, chutou-a com a violência que lhe é peculiar e se instalou em quase todos os aposentos mostrando com fúria quem é que manda (eu digo quase todos os aposentos porque o irmão mais novo da Vera, que mora conosco, tem ar condicionado em seu quarto). É de novo o período que temos que deixar o ventilador ligado 24 horas por dia, onde molhamos o travesseiro de suor e a fadiga no corpo é onipresente.

A três noites atrás faltou luz. Demorou pra chegar, isso não é novidade mas eu pensei: caramba! não tenho mais saco nem para reclamar!

As editoras com quem trabalho deram um tempo, parece aquela mulher que quer te dar um fora e vem com a conversa de ficar um pouco distante para melhor avaliar a situação e ver se vale a pena continuar.
Pra não dizer que não estou totalmente inativo, labuto em umas encomendas para um cliente específico, um médico que parece ser muito fã da minha arte. Isto tem quebrado um galho imenso. Devem haver muitos fãs por aí, mas a maioria não deve ter dinheiro.

Nos intervalos vou esboçando as páginas de uma nova aventura do Zé Gatão. Faço para mim mesmo, como uma terapia, para não ser engolido de vez pela depressão. Como vou publicar isto depois que estiver pronto? Não tenho a menor ideia, depois penso a respeito.

Tem surgido eventos de quadrinhos aqui e acolá, em shoppings, feiras de livros, faculdades. Não posso ir em todos, tempo e grana. Faço um esforço para comparecer naqueles onde sou formalmente convidado.

Esta semana recebi o PDF em baixa resolução para avaliação do Nekrópolis, antologia de horror onde contribuo com uma curta história de zumbis. Livro muito legal a ser publicado em breve. Há uma variedade muito grande de autores, alguns já viraram lenda no cenário das HQs nacionais, como Arthur Garcia, Mozart Couto, Eugênio Colonnese, Rodval Mathias entre vários outros que desconheço, a maioria gente nova no pedaço, eu creio.

E deve vir a público em breve O BICHO QUE CHEGOU À FEIRA, uma HQ em que desenho alguns capítulos ao lado de outras feras do traço, como Allan Alex e Alex Genaro; já recebi pelo correio o contrato, assinei e mandei de volta. Agora é esperar para ter o livro nas mãos. Sobre estas duas edições eu pretendo postar aqui quando saírem.

Ainda nenhuma notícia da biografia do Edgar Allan Poe e nem do NCT. Muito menos Caim e Abel, já que o editor que encomendou encerrou suas atividades, este material deve ter ficado no limbo.

Abaixo o estudo que fiz para o Ultraseven.


Um amigo me falou dia desses que não sabe como consigo viver assim: um mês de cada vez, sem a certeza de como será o próximo. Na verdade eu também não sei. MAS DEUS SABE.






domingo, 19 de novembro de 2017

UM POUCO MAIS DO DESENHISTA NOS EVENTOS.

Boa noite a todos!

Amadas e amados, pra mim não tem nada mais constrangedor do que ver e ouvir a mim mesmo nesses vídeos. Soo patético. Enfim, não tenho como mudar minha aparência nem minha voz, só me resta aceitar.
No entanto muitos parecem interessados, querem ver fotos e vídeos do cara que desenha todas essas coisas. Então vá lá.
Este primeiro vídeo é do canal Orbita Geek, foi feito na Feira Asgardiana que aconteceu no dia 21/10/2017. Apareço lá pelos 15:00 do vídeo, mas ele todo é divertido, tem a Michelle Ramos, Luciano Félix, Thony Silas e vários outros artistas.



Este outro foi feito durante o Terceiro JAB POP. Falo pouco (ainda bem).




Até semana que vem, se Deus quiser, pessoal!!!!

domingo, 12 de novembro de 2017

TERCEIRO JAB POP.


Esta semana participei de mais um evento Geek, foram dois dias de papo agradável com os artistas que publicam na terra quente de Pernambuco. O público não foi lá muito grande mas valeu por eu ter saído mais uma vez do meu estúdio e mostrar minha cara feia num evento. Bacana! Tendo mais eu pretendo ir.

Felizmente não tiraram fotos minhas.

Um beijo a todos, boa semana e vamos ver se no próximo domingo eu volto aqui com meus velhos textos!

domingo, 5 de novembro de 2017

ULTRAMAN (Hayata)


Boa noite a todos.
Sábado e domingo foram dias extremamente exaustivos para mim com obrigações fora de casa; desta feita, sento-me aqui novamente sem energias para escrever e tudo indica que a semana que entra também será cansativa. Fui convidado para um evento geek, vou esperar confirmação para postar aqui os detalhes.

Eu queria falar mais detidamente sobre como o Ultraman é especial para mim mas terá que ficar para uma ocasião mais propícia. No momento deixo esta arte e a promessa, se Deus permitir, de postar textos mais inspiradores proximamente.


Até lá, fiquem com meu abraço!

domingo, 29 de outubro de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 13)

Amadas e amados, boa noite!

Pra variar me sento aqui no fim do dia um tanto cansado física e mentalmente, o que embota um pouco a minha inspiração para escrever algo relevante. Como foi uma semana sem grandes acontecimentos vamos aos comentários do que tenho absorvido em termos de cultura. Não falo da alta cultura, isso eu deixo para os deuses eruditos, eu me limito a minha pequenez.

O QUE TENHO LIDO:

Livros - Na verdade ainda estou lendo As Mil e Uma Noites e também alguns artigos (quase sempre sobre política) que meus irmãos me enviam pela internet.

Histórias em quadrinhos - Esta semana reli meus encadernados do "Hellboy", é diversão garantida. Li também on line as últimas edições de "The Walking Dead".
Terminei o "Ghost In The Shell", mangá um tanto difícil de absorver, mas impossível ficar indiferente.
Devorei a nova edição do "Akira", da JBC. Muito bom! Eu tenho toda a coleção colorida da Editora Globo, mas nunca li completa, está dentro de alguma caixa de gibis aqui, ainda não aberta.
Neste momento, para me inspirar a criar a próxima arte comissionada, releio Flash Gordon da Ebal (tesouro!).

O QUE TENHO ASSISTIDO:

Filmes - Nunca mais fui ao cinema, mas ontem consegui assistir Homem Aranha De Volta ao Lar em HD na tela do meu notebook. A Marvel sabe fazer filmes para a família, é divertido, colorido, com boas cenas de ação e finalmente um Spider adolescente de verdade. Eu teria investido menos nas cenas de comédia para focar nos momentos sombrios que uma história destas contem, mas ok, é um filme esquecível e bem feito.

Séries - Tive que dar um tempo em Mr. Mercedes mas estou acompanhando a oitava temporada de The Walking Dead (mais do mesmo, os quadrinhos são muito melhores).

De resto, quando posso, assisto programas de gastronomia com a Vera, ela gosta e eu relaxo um pouco.

O QUE TENHO OUVIDO:

Não é segredo que só ouço coisa antiga, a bola da vez está com o Pink Floyd, focando mais especificamente na carreira solo do David Gilmour - não canso de escutar.

Meu amigo Anderson ANDF me fez a baita gentileza de me enviar um quadrinho - e um filme baseado neste mesmo quadrinho - chamado "Whiteout". O filme ganhou o subtítulo de Terror Na Antártida.
Não li e nem vi ainda, Anderson, mas o farei na primeira oportunidade que tiver um momento de paz aqui. Obrigado!

A arte de hoje é mais uma imagem de A Escrava Isaura.


Tenham todos um ótimo fim de semana!

domingo, 22 de outubro de 2017

ZÉ GATÃO PADA E A 4º FEIRA ASGARDIANA.



A Feira Asgardiana aconteceu ontem (sábado). Foi o quarto evento promovido pelo Orlando Oliveira, dono da banca Guararapes; neste dia um pequeno trecho da Avenida Guararapes (centro de Recife) é interditado para se tornar Asgard e o próprio Orlando se tornar Odin, num espaço para cultura nerd. Mesas são espalhadas na rua e artistas expõem seus trabalhos, divulgam, fazem caricaturas ao vivo, outros vendem gibis novos e usados (uma mesa em particular vendia gibis raros a 2 reais! O Arnaldo Luiz, integrante da PADA comprou cinco revistas do Tarzan (Ebal) com desenhos do Russ Maning a preço de banana! Aqueles álbuns gigantes do Flash Gordon da Ebal a 25 reais!!!! - e eu sem grana pra completar a coleção!), canecas, mirabilias, posters, enfim, um paraíso, apesar do calor, para os fãs!

O desenhista e a Michelle Ramos, do canal Zine Brasil.

Eu, na verdade só fiquei sabendo deste evento quando se deu a terceira edição. Como não recebi nenhum convite formal e tenho muito trabalho para fazer, nem tinha intenção de ir à quarta - meu misantropismo fica cada dia mais exacerbado a medida que envelheço - mas recebi ligação do Milson Marins esta semana informando que a PADA ( Produtora Artística de Desenhistas Associados) iria reimprimir o especial do Zé Gatão que eles editaram em 2011. Para mim foi uma excelente notícia pois este álbum esgotou rapidamente na época em que foi lançado. O Milson me convidou a comparecer para prestigiar o festival. Fui de bom grado, a turma de quadrinistas daqui são pessoas muito legais e seria bom para mim sair um pouco do meu estúdio.
Conversei um tanto com uns chegados, assinei três livros, tirei algumas fotos a pedidos e fui entrevistado por um canal geek do Youtube. Foi uma tarde legal.

Enfatizo que o Festcomix de São Paulo também começou como um evento de rua bancado pela Comix, hoje se tornou um festival de grandes proporções. O daqui, quem sabe não está destinado à grandeza semelhante? Tudo é possível.


Esta nova edição do Zé Gatão Especial PADA ficou no capricho: papel e acabamento melhor além de páginas extras coloridas com as fanarts que fizeram do personagem ao longo do tempo. Tenho orgulho deste trabalho.




domingo, 15 de outubro de 2017

TCHAU, DOUGLAS!



O Douglas Quinta Reis se despediu de nós nesta última sexta feira. Era um dos fundadores da Devir Livraria e Editora. Foi a segunda baixa pesada sofrida pela Devir, a primeira foi em 2012, com a morte do Mauro (comento neste post: http://eduardoschloesser.blogspot.com.br/2012/02/hoje-infelizmente-nao-tem-ilustracao.html)

Eu conhecia o Douglas a mais de 20 anos, sempre nos encontrando em eventos ou lançamentos de quadrinhos da editora dele e nunca conversamos muito, os momentos eram breves e eu nunca sabia exatamente o que dizer e ele tampouco. Nosso maior tempo juntos foi em 2011, quando tivemos uma reunião na Devir para tratar da publicação de ZÉ GATÃO - MEMENTO MORI, intermediada pelo editor Leandro Luigi Del Manto. Depois foram trocas de e-mails onde planejávamos a capa de um livro de sucesso na Coreia (que acabou não acontecendo).
Nos últimos tempos eu falava por telefone com ele sobre a possível publicação da biografia em quadrinhos do Edgar Allan Poe.

Ele e o Mauro, assim como muitos do mesmo período, que tornaram os quadrinhos algo mais respeitado aqui no Brasil, já são lendas do meio. Fico com uma sensação muito grande de vazio.

Abaixo uma entrevista em duas partes com o Douglas e com o Mauro feita pelo Marcelo Alencar.

Vá em paz, Douglas, até breve!


domingo, 8 de outubro de 2017

TARZAN DOS MACACOS.

Mais do mesmo, nenhuma novidade digna de nota para contar aqui, pelo menos nada que eu já não tenha citado um milhão de vezes. Minhas queixas são sempre as mesmas e já deu. Sento-me diante deste monitor e não sei exatamente o que escrever. Para manter o blog atualizado semanalmente basta um desenho, eu sei, mas gosto de falar com vocês e não sentir-me inspirado para digitar uns sentimentos não me soa bem, sei lá.

Esta semana eu fui até o centro velho de Recife - e olha, aquilo é velho mesmo! - existem trechos do local que não sei como os prédios ainda estão em pé. Parece romântico olhar para aqueles edifícios centenários (bem, se aquilo não tiver mais de cem anos, eu me dano!), todos carcomidos pela voragem do tempo e imaginar que resistem bravamente, mas o fato é que o fedor de decadência é tanto que embrulha o estômago. Fui comprar um papel peculiar para desenho e é só  encontrado em um local específico. Algumas ruas tem cheiro de merda, urina e maconha, com detritos por toda a parte. Um número assustador de pessoas deitadas nas calçadas, fedidas como o inferno, chega a dar medo. Me lembrou o centrão de São Paulo.
Outros materiais de pintura são localizados em locais bem distantes, o que me obriga a andar como um camelo. Já não sou um garotinho e cheguei em casa muito cansado, exaurido pra valer!

Bem, de posse de papeis e lápis especiais, já posso dar continuidade à série de encomendas que me fazem.


A arte de hoje me foi requisitada por um fã de Brasília (a minha cidade dos sonhos), ele é dos meus, curte muito os heróis da antigas.

Uma boa semana a todos e até a próxima, se Deus quiser. 

domingo, 1 de outubro de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 12)


Não sei quantos de vocês se lembram que escrevi aqui um texto falando sobre os livros clássicos que a editora estava devendo imprimir e finalmente haviam publicado mais uns vinte títulos. Pois bem, esta semana fiquei sabendo que houve um erro de comunicação, um engano. Na verdade eles não imprimiram vinte títulos, mas apenas três. Ainda não sei quais são, tampouco quando os terei em mãos. A bem da verdade só comunico isto por falta de assunto. Não! Me corrijo, assunto eu tenho até demais, me falta é ânimo para converter meus sentimentos em palavras. Ando bastante fatigado.
Talvez semana que vem eu esteja mais animado, quem sabe?

Fiquem aí com mais uma arte de A Escrava Isaura.


domingo, 24 de setembro de 2017

A INGRATIDÃO É UMA PUNHALADA NAS COSTAS DA ALMA.


Clima estranho; neste mês o calor já deveria estar torturando mas há uma certa umidade no ar, o dia nasce ensolarado e repentinamente uma chuva caudalosa inunda tudo, depois é sol novamente, ou acontece o contrário, a manhã chega molhada e quase sem notar surge o astro rei vingativo por não poder nos saldar com o canto dos pássaros. Não que eu esteja reclamando, sou muito mais esta brisa fresca que causa renite do que o abafamento onipresente neste lugar.
Quando vim para cá em 2003 eu imaginava ficar um ano ou dois, depois voltar a Brasília. Já se passaram 14 anos e eu continuo preso aqui. Por um tempo eu me acostumei, agora já fico desassossegado de novo.
A editora não me mandou livro para ilustrar este mês, graças a Deus tenho umas comissões para fazer e isto me ajudará a pagar algumas contas.

Acho que estou sofrendo do que chamam de "lesão por esforço repetitivo", uma dor bem chata me incomoda na altura do polegar direito e irradia para outras articulações (cotovelo e ombro).

Estou relendo AS MIL E UMA NOITES. Leio também, Tex, só para confirmar que os quadrinhos mainstream italianos são excelentes passatempos. Também dei uma lida numas HQs do mestre Richard Corben, é bom para lembrar que eu ainda tenho muito o que aprender.

Assisti a duas temporadas de AMERICAM HORROR HISTORY, a segunda e quinta, se não me engano. Foram boas, mas achei tudo muito longo, poderiam contar aquelas histórias com metade dos episódios.

Enquanto trabalho ouço uns vídeos nerds do Youtube e algum podcast. Não quero escutar música. Evito associar a beleza das melodias que tanto gosto com o atual momento.

O título da postagem será o único desabafo que faço hoje.


O rabisco da vez é o esboço para uma comissão já realizada.

Grande abraço a todos!

domingo, 17 de setembro de 2017

A DIFÍCIL ARTE DE CRIAR ARTE.

Produzir arte é algo muito complicado. Só escrevo obviedades, eu sei, mas as vezes eu paro pra pensar que ninguém dá o devido valor a um artista - falo do artista, não do homem, a maioria das pessoas idolatram o homem, como faziam com Elvis ou Michael Jackson, não exatamente o criador de arte (não sei se me faço entender bem, as vezes eu não sei colocar em palavras claras o que me vai no íntimo).
Com um clique de botão temos nossas canções preferidas em nossos ouvidos, nunca paramos para refletir sobre o difícil processo de criar uma nota, desde os primeiros acordes, a primeira letra inserida na melodia, o trabalho de burilar a música no estúdio, os arranjos dos instrumentos, a engenharia de som, a gravação final até chegar ao mercado consumidor.

Imagine o trabalho que dá produzir um filme, uma série de tv. Trabalhar com atores, técnicos,  extras e tudo o mais que é necessário para que possamos passar alguns momentos fugindo da realidade depois que fica pronto. E eu nem falo do trabalho de vender o produto e distribuir para que possa ser consumida pelo público.

Muita gente lê uma poesia e imagina que ela tenha vindo pronta na cabeça do autor, direto para o papel, nunca imagina que ele teve que suar muitas camisas para compor aqueles versos tão marcantes.

Fazer uma história em quadrinhos por menor que ela seja é um tour de force (já falei sobre isto). Não basta só saber escrever e desenhar, tem que saber narrar uma história neste veículo, criar personagens e situações que funcionem na narrativa, tem que ter timing, é necessário dar "clima" ao enredo e por aí vai e é triste saber que é tão pouco valorizado.

Claro que é uma pena quando existe todo este esforço - e dinheiro - aplicado e temos porcaria ao invés de arte, mas isto já é outro assunto.

Eu não queria mais fazer quadrinhos - não por encomenda - mas tenho feito pois preciso da grana que pagam para reforçar meu orçamento.
Estou nos estágios finais de uma historieta de crianças zumbis e o processo é um tanto tormentoso mesmo ela tendo só quatro páginas; talvez isto aconteça comigo por eu usar procedimentos um pouco mais complicados e por me cobrar tanto mesmo em algo que deveria ser simples, sei lá.


De qualquer forma, mesmo não tendo o devido valor por parte de quem consome, para mim é aquela sensação agradável depois que o produto fica pronto. A mãe se esquece de toda a dor do parto quando acolhe o rebento em seus braços. Assim é para mim cada vez que termino uma arte, seja um desenho, pintura ou HQ.

Até a próxima semana, se Deus permitir.

domingo, 10 de setembro de 2017

DEUS ME DEU A ARTE COMO UMA PORTA PARA ESCAPAR DA REALIDADE.


Toda a minha vida eu lutei contra mim mesmo. Nunca consegui me aceitar. Meu rosto, minha voz, a maneira como me comporto, me movimento, tudo para mim é insuportável. Tem sido assim desde tenra idade; quando garotinho, odiava tirar fotos, principalmente aquelas de colégio, onde colocavam uma bandeira do Brasil atrás de você e na mesa, sentado, seu nome e o nome da escola (talvez os mais antigos saibam a que me refiro). Atualmente até gosto daquelas fotografias, pena que estão em álbuns na casa materna e eu não tenha acesso a elas para postar aqui. Isto quer dizer que hoje eu mudei? Não! definitivamente, não. Mas não me importa mais. Hoje sei que não tenho como mudar meus olhos, nariz e boca, nem acrescentar mais uns centímetros à minha altura, me acostumei ao que sou. Os doutores com certeza tem uma boa explicação para o meu auto-repúdio, mas também pouco me importa, tenho cá as minhas teorias e essas também nunca tiveram sucesso em reverter o processo, então, deixa pra lá.

Digo isso tudo pra justificar o título desta postagem, é uma frase corrente na minha boca. Sem a arte eu seria menos ainda. Foi o modo que encontrei para uma melhor comunicação com o mundo. Foi a porta que Deus me deu para eu escapar das coisas que me afligem e eu dou graças a Ele por isto.

Eu não sou desses caras que veem o lado bom de tudo, eu sei que minha vida não deu certo, das coisas que um dia eu sonhei conquistar eu não atingi nem dez por cento (e olha que eu nunca fui muito ambicioso). Talvez se eu tivesse nascido em outro país, ou me mudado para onde as artes tenham mais valor, não sei. Mas não pensem que não sou grato pelas pequenas vitórias. Reconheço os méritos dos meus esforços. Minha tristeza vem da sensação de não haver mais um amanhã, de estar enxugando gelo.

Entretanto, tenho este compromisso com a arte, preciso dar sempre o meu melhor em tudo o que me vem às mãos, não importa o valor pago. Minha real recompensa chega ao olhar o trabalho pronto, me gratificando por conseguir terminar, mesmo com a eterna impressão de que ele poderia ter ficado melhor.

Dá uma satisfação legal ver o retorno de alguns amigos que me encomendam ilustrações. Como este, do meu chapa Elton Borges. Este desenho vai ficar bonito na parede dele, não acham?



domingo, 3 de setembro de 2017

SEM LUZ PARA A ARTE.


Está difícil, é tudo o que consigo dizer. Continua difícil. Mas não é possível recuar, esta não é uma opção. Eu não vivo mal, com certeza, faço até cinco refeições ao dia, durmo em uma cama confortável, tenho uma família maravilhosa, ainda consigo trabalhar com o que gosto (e sei fazer) e com bastante esforço consigo pagar as minhas contas, ainda assim ouso dizer que vocês não iam querer andar em meus sapatos nestes últimos meses. Não convém entrar em detalhes sobre o que me tira o sono mas posso adiantar que é a soma de muitas pequenas coisas. Ok, Jesus disse que no mundo teríamos muitas aflições e que devíamos confiar Nele, então é só isto que me motiva.

Este fim de semana algo em particular me aborreceu bastante, nunca comentei aqui mas a minha luminária deu pau já faz anos, como não tive recursos para consertar ou comprar outra, coloquei um lâmpada bem forte no meu estúdio e isto me serviu muito bem. Ontem a tal lâmpada não acendeu. Troquei por uma outra e também não respondeu. O problema com certeza era no interruptor. Não entendo de eletricidade, então não dei uma de esperto. Meu cunhado saca disso, ele fez a instalação da eletricidade da casa dele. Ficou de vir ma ajudar.
No escuro não é possível trabalhar. Fiz o que pude com uma prancheta de mão onde houvesse luz solar, mas não deu pra adiantar muito.
Hoje o irmão da Vera veio a tarde e tentou me ajudar. Descobrimos que há um problema com a fiação. Cabos velhos. Prédio velho. Tudo velho. Me sinto velho. Cara, que merda é isso tudo!
Bem, assim que eu receber a minha grana terei que contratar um eletricista profissional para resolver o problema. Amanhã terei que remanejar a minha prancheta para um local mais iluminado e continuar os serviços pois o show não pode parar. Mas a noite, quando produzo melhor, não será possível. Me sinto muito cansado! Faz parte. A vida é assim.

O desenho de hoje estava esquecido em meus arquivos, foi o primeiro estudo que fiz direto no pincel para o frontispício de ZÉ GATÃO - DAQUI PARA A ETERNIDADE.


Alguns fãs do meu trabalho tem feito encomendas de artes originais. Coisas bem legais, estou cuidando delas.

Uma abraço nos gatões e um cheiro nas gatinhas. Até!


domingo, 27 de agosto de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 11)

Queridas e queridos, bom dia!

Ainda espero por um novo livro (trabalho pagaluguel) e enquanto ele não vem, executo umas artes encomendadas para reforçar o orçamento.

Tive uma boa notícia na última vez que estive na editora, publicaram mais uma leva de títulos dos clássicos brasileiros que ilustrei, uns vinte, parece. Ainda não tenho meu reparte em mãos, mas assim que chegarem eu informo por aqui com imagens dos mesmos, se DEUS quiser.

O QUE ESTOU LENDO?
Recebi um belo quadrinho de presente de meu amigão Elton Borges (obrigado de novo, Elton!): CARAVAGGIO do Milo Manara! Putz, muito legal! Me deu vontade de reler sobre o polêmico e influente pintor barroco, então devoro uma biografia dele.
Paralelo a isto estou tentando ler Ghost In The Shell, mangá clássico do Masamune Shirow; eu digo tentando porque até agora estou achando chato.

O QUE ESTOU ASSISTINDO?
Acompanho Game of Thrones (último capítulo da temporada, hoje).
Também vejo Mr. Mercedes, baseado no livro do Stephen King (e tá muito bom!). Desisti do The Mist (também do King), uma merda!
Finalmente vi Guardiões da Galáxia Volume 2, me diverti muito!

O QUE OUÇO?
Rock ´n´Roll dos anos 60, 70 e 80, sempre!

De resto, continuo minha luta diária para sobreviver neste mundo.


Mais uma imagem da Escrava Isaura proceis!

Um beijo a todos.

domingo, 20 de agosto de 2017

AS MÃOS EM CARNE VIVA.



Era o ano de 1979, eu tinha 16 anos. Meu pai havia adquirido um pequena firma que oferecia serviços e eu fui trabalhar com ele. Que serviços ele oferecia exatamente eu nunca soube dizer com certeza, mas me lembro bem de descarregar, certa vez, um pequeno caminhão com sacos de cimento junto a outro cara que ele havia empregado. Este trampo em particular não me desgostou, eu queria provar a mim mesmo que era forte e capaz de grandes esforços sem colocar a língua pra fora mesmo que isto me custasse uma hérnia de disco na adolescência. Eu sempre fui um imbecil - e continuo sendo - mas naquela época eu não tinha escolha.
Certa vez, (acho que foi no meu período de férias) surgiu um trabalho realmente complicado, não a tarefa em si, mas a maneira de executá-la pois não tínhamos as ferramentas necessárias. Se eu me lembro bem, havia um imbróglio em relação a um trecho de terra que ficava entre o IBGE e a UNB. Hoje não sei dizer quem venceu a pendenga, mas a minha função era  colocar uma cerca no terreno, que na verdade era um espaço cheio de mato, que formava um extenso corredor até o lago Paranoá e assim agregá-lo ao órgão do governo que venceu a guerra por aquele pedaço de chão, na verdade "puxar" a parte amputada do cercado e emendá-la com o outro lado (o lado vencedor). Difícil de entender? Eu também acho complicado explicar assim, digitando. Queria poder fazer um esboço de como era a coisa para que vocês sacassem bem, mas infelizmente não será possível, hoje na minha vida até isto se tornou difícil, existe a vontade mas não há força no querer, tudo se tornou extremamente enfadonho.
Nesta época apareceu um casal, a mulher grávida, ajudava minha mãe nas tarefas do lar e o marido foi me auxiliar no tal trabalho da cerca. Não lembro o nome dele, mas era um nordestino baixinho muito falador, risonho e simpático para fazer contraponto comigo que era calado e ensimesmado. O cara traia a mulher, era um putanheiro de marca, só falava sacanagens. Munidos de uma serra sem o suporte, uma pá, e uma picareta, demos início à empreitada. Teríamos que terminar em três dias.
A primeira coisa a fazer seria serrar os canos da cerca de tela, como não tínhamos o suporte para a serra, era extremamente difícil, machucava as mãos e eu tinha que revezar com o cara; o cano, embora fosse oco, era de um metal muito duro, eu me senti como um prisioneiro tentando serrar as barras de sua cela. Debaixo do sol, serrar as tramas da tela foi outra tortura. Feito isto, contamos aos passos a metragem de cerca que deveria ser a mesma medida da entrada do terreno para então cortar na extremidade oposta, o que ficou para o dia seguinte.
Eu chegava em casa esgotado, mas ainda tinha tempo para ir a um cinema com o Luca. Era período de abertura política no país, onde os militares permitiram que os comunistas exilados voltassem e filmes antes proibidos fossem exibidos, como O Último Tango em Paris e Emanuelle.
A tormenta do dia seguinte prosseguiu no trabalho, as mãos, as juntas dos dedos, os pulsos, tudo doía horrivelmente mas fizemos o que tinha de ser feito. Cortadas as duas extremidades do cercado o encargo seguinte seria remover a cerca, para isto tínhamos que desafixá-la do chão, cavamos com a pá, e com a picareta arrebentamos o duro cimento que a fixava no chão. Mãos, braços, ombros e quadris sofriam o suplício sob o sol ardente. Na tarde caiu um bela chuva e os calos de minhas mãos sangraram, meus músculos lombares já não suportavam mais.
Chegava em casa moído, mas mesmo assim eu saía para correr uns quilômetros no eixão, eu era viciado em atividade física. Gostava de correr no eixo sul. Os postes tinha uma iluminação amarelada que davam um tom onírico ao ar noturno, sentir o vento era como experimentar uma liberdade fugidia que me fazia sentir vivo.
Dia seguinte a mesma tormenta: sol, chuva, refeição frugal, as conversas idiotas do nordestino, minha tristeza, sensação de que era um prisioneiro condenado a trabalhos forçados, mãos sangrando e costas doendo, mas arrastamos a maldita cerca para seu novo lugar, fechando o terreno. Teríamos que fazer a mesma coisa com a outra extremidade da cerca próximo ao lago, mas por algum motivo que agora não lembro meu pai suspendeu o serviço. O que sei com certeza é que ele nunca recebeu por aquele trabalho e nem eu, é claro!

Algum tempo depois eu partiria, fugido, para o Rio de Janeiro e perderia quatro bons anos de minha vida. Se ficasse em Brasília também não sei o que seria. Parecia não ter saída para mim, como parece não haver agora,

É estranho pensar que de lá pra cá, 38 anos depois, minha vida mudou tão pouco.


Os desenhos de hoje são estudos para uma arte comissionada.


Fiz este texto as pressas, não reparem se tiver muitos erros.
Beijos a todos.


 

















domingo, 13 de agosto de 2017

TÍTULOS A ESPERA.

Boa noite!

Passo rapidinho aqui aqui para dar um oi para vocês.

Eu continuo na batalha, lutando com as mãos nuas como sempre. Enquanto não chega um novo livro infantil "pagaluguel" eu faço uma HQ de quatro páginas cuja a temática é zumbi encomendada por um editor de São Paulo e também cuido de uma commission para um querido amigo. No entanto tenho álbuns de quadrinhos esperando lançamento.

Nem vou falar de Caim e Abel que fiz para a HQ Maniacs (a mesma que publicava o "The Walking Dead"), nunca mais soube notícias da editora, nem sei se ela ainda continua no mercado.

Temos A VIDA E OS AMORES DE EDGAR ALLAN POE, uma biografia do poeta americano em quadrinhos que o escritor e roteirista R. F. Lucchetti levou dois anos para escrever e eu levei seis para ilustrar e já está aguardando na editora faz um montão de tempo.


Depois o CARTAS MARCADAS, história que abre o álbum NCT - Novos Clássicos do Terror, projeto capitaneado pelo genial Allan Alex.


E finalmente O BICHO QUE CHEGOU À FEIRA, um quadrinho que conta com um belo time. Um roteirista e três desenhistas, cada um desenhando um capítulo. Claro que um deles sou eu.


Quando tudo isto virá a público? Só Deus pode responder. Estamos no Brasil. Aqui as incertezas são maiores.

Nos falamos semana que vem? Quem sabe?

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

BRINCANDO COM ZÉ GATÃO!

Bom dia, amadas e amados!

Esta postagem chega atrasada! Pudera, o meu fim de semana foi corrido! Devo preparar até amanhã três artes para levar um novo livro infantil para a editora. Se não entrego na terça meu pagamento fica adiado por um tempo que não poderei esperar.

Mas como este blog não pode ficar desatualizado (não quero que fique!) vamos conversar rapidamente.

Arde em mim um desejo grande de fazer mais algumas HQs com Zé Gatão, mas como podem notar não tenho tido tempo de sequer pensar a respeito. No entanto venho fazendo - quando posso - pequenas artes aproveitando sobras de papel e tinta. Ou seja, sobrou um pedaço de papel de qualidade? Eu rabisco alguma coisa; restou um pouquinho de nanquim de alguma ilustração comissionada? Pego o pincel e finalizo o papelzinho. Assim vou criando uma curta HQ só para me divertir.

Neste caso pensei numa violenta luta entre o felino e um Diabo da Tasmânia, só isso, nada mais.


Claro que ainda não acabei, mas não falta muito, não. Se juntar todos os quadrinhos separados acho que dá mais de 10 páginas de luta. Vai ser publicado um dia? Quem poderá dizer? Nem estou preocupado com isso, o objetivo aqui é não desperdiçar material e ainda me distrair um pouquinho.

Boa semana a todos!

domingo, 30 de julho de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 10)


Dos 45 clássicos da literatura brasileira que ilustrei a editora só publicou a metade, ou menos da metade, creio eu. Fico muito curioso pelos demais, possuir a coleção completa daquilo que me consumiu um bom pedaço dos meus dias seria muito legal; foram uns quatro anos, contando com os intervalos, em que coloquei muito da minha alma nas edições, variando técnica e estilo, procurando emular o espírito dos antigos desenhos da American Golden Age (fundidos com nossa brasilidade). Não sei se voltarei a trabalhar em algo assim com tanta liberdade e espontaneidade.

Muita gente gosta do meu traço de desenho mas não conhece este projeto. A editora é do nordeste e trabalha com didáticos, tem sua própria gráfica e mecanismo de distribuição. Esses livros ficam muito restritos a professores da região. O grande público desconhece totalmente que ilustrei os clássicos do Machado de Assis, Lima Barreto e José de Alencar, entre outros.

A coleção completa seria de 50 tomos, faltam ainda cinco para fechar, mas até hoje a editora não retomou. Acho que não acontecerá. Paciência. A fila anda.

Mais uma arte de A ESCRAVA ISAURA.

Beijos a todos.





domingo, 23 de julho de 2017

O EVENTO ILUSTRA SHOPPING FOI MUITO BOM!!!



Queridos e queridas....bom domingo!


Pra ser sincero não estou com nenhum ânimo para a escrita hoje, nem para o trabalho, para falar a verdade; se fosse possível eu gostaria de estar num local aprazível deitado numa rede e lendo um bom livro ou um bom gibi, depois uma cochilada, depois uma refeição leve, um suco, mais leitura, outra cochilada, um dia de preguiça enfim. Não é nenhum crime, é? Mas no meu caso parece ser crime, sim. Se paro de trabalhar minha condenação é aluguel atrasado e geladeira vazia, ainda dou sorte de ter trampo com ilustração.


Minha barba está crescida e também as unhas do pé, resolver isto é fácil, bastam alguns minutos, mas cadê coragem?


Porém, o objetivo da postagem é falar sobre o evento geek que rolou no Shopping Plaza no fim de semana passado, então vamos lá.

Sou o mais velho da turma,um veterano já, quem diria?

Foi muito bom! Ótima receptividade e carinho do público. Para mim foi como uma terapia, afinal eu quase não saio de casa. Meus amigos de mesa eram artistas (roteiristas, desenhistas, arte finalistas, e coloristas) muito talentosos, humildes e simpáticos.


Infelizmente eu não dispunha de farto material para venda, mas o que levei eu vendi. Meu estoque pessoal de Zé Gatão da Devir e álbuns de anatomia esgotou.


Fiquei muito sensibilizado com o testemunho de duas jovens que me abordaram e pediram minha assinatura em seus cadernos de esboços. Elas disseram que fui um grande influenciador e que meus livros de anatomia ajudam-nas a aperfeiçoar seus traços. Julgo que este é o maior mérito que um artista pode ter, plantar, ver crescer e dar frutos.


Um rapaz de 15 anos, que demonstra grande talento para a arte disse que de todos ele me considerou o artista mais legal cujo trabalho ele mais gostava.
Sei que estou sendo cabotino mas se eu não falar sobre mim, outros não o farão.


Meu brother Leonardo Santana, talentoso roteirista de quadrinhos que criou entre tantas coisas o FDP e As Amazonas foi quem indicou meu nome para o festival e não podia ser um companheiro de mesa melhor. Grato Leo!


Tomaram que sujam mais eventos como  este. Foi bom sair por dois dias da vida tensa que tenho levado.

Até a próxima postagem!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 9)


Amadas e amados, antecipo a postagem desta semana. Sábado e domingo, ou seja, amanhã e depois participo de um evento Geek no Plaza Shopping. Saio cedo, fico o dia inteiro e só volto a noite. Totalmente fora da rotina; bem, mais ou menos, muito provavelmente estarei desenhando por lá também. Mas o ambiente será outro.

Espero voltar semana que vem comentando sobre o festival.

Fiquem com mais uma imagem de A Escrava Isaura.

Tenham todos um bom fim de semana!




domingo, 9 de julho de 2017

ILUSTRA PLAZA!



Eu perdi a oportunidade de participar da CCXP Tour que foi realizado aqui em Recife. Na verdade não estava muito interessado. Sabem, depois de muito tempo se decepcionando com este meio a gente fica um pouco cansado disso, eu sempre falo, estou de saco cheio não dos quadrinhos, mas de tudo o que envolve a coisa: editores, artistas e público. Claro, nem todo editor, nem todo artista e nem todo público, mas a maioria. Falaram: "vá rapaz, é uma boa oportunidade de ressuscitar!" Pensei, bah, pode até ser! E aventei a possibilidade de ir. Mas o meu interesse foi tanto que as inscrições para saber se uma possível mesa seria aprovada foi tanta que quando fui atrás já tinham encerrado. Pra mim foi melhor, não gastei um dinheiro suado sabendo que podia não recupera-lo no evento. Não pensei mais a respeito.

Semana passada recebi um e-mail bastante gentil de uma moça que faz parte do grupo qua organiza o que chamaram de ILUSTRA PLAZA, me convidando a participar. Trata-se de um acontecimento que pretende reunir no Plaza Shopping artistas da área de quadrinhos e arte em geral para se reunir, divulgar e vender seus produtos. Algo como o Artists Alley ou Beco dos Artistas da CCXP.

 Alguns amigos artistas do Rio de Janeiro tem participado do Family Geek que acontece nos shoppings de lá, parece que virou moda, com boa receptividade das pessoas.

Aceitei agradecido o convite, não tenho que passar por seleção nem pagar uma pequena fortuna para ter uma mesa num único dia. Não acredito qua vá vender muita coisa, o público que vai comparecer com certeza não é aquele preparado para gastar com nerdices numa ComicCon, nem tampouco com um trabalho tão alternativo como o meu - até porque não tenho volume de material (álbuns, sketches e prints) para oferecer. Na verdade vou para bater um papo  e estar com alguns queridos da área e ver se me livro um pouco da nuvem de tristeza que paira sobre mim nos últimos meses, sair um pouco da rotina, enfim.


Maiores informações vocês encontram neste link:
http://www.plazacasaforte.com.br/novidades/ilustra-plaza---15-e-1607

Não sei se vai ser épico, mas eu acho que vai ser legal, eu pelo menos, pretendo relaxar.

Então, se alguns de vocês estiverem em Recife nos dias 15 e 16 de Julho, apareçam lá para bater um papo com a gente, alguns dos artistas que comparecerão é gente fina demais!

Se tirarem fotos pretendo postar aqui depois.

Abraços e beijos a todos!


domingo, 2 de julho de 2017

SEMPRE NA LINHA DE TIRO.


- Esta é a minha postagem de número 875. Os visitantes decrescem. Imagino porque. Acho que este blog está com os dias contados. Na verdade, se me fosse possível, eu pararia tudo. Tivesse hoje uma aposentadoria ou um trabalho tranquilo que me permitisse viver com certo conforto eu faria as minhas artes só para mim mesmo e mostraria para o pequeno público que me prestigia nas redes sociais. Eu acho que o post de número 1000 (se não morrer ou não entrar em colapso até lá) pode ser uma boa despedida. Vou pensar a respeito.

- Há uma frase atribuída ao genial cronista Nelson Rodrigues que diz que "toda unanimidade é burra". Faz sentido. Sobre Zé Gatão eu ouço muitos elogios e isto me enche de orgulho, mas nem todo mundo gosta. Ele foi rejeitado algumas vezes. Uma foi na FRONT, uma publicação de antologias onde cada número tinha um tema. Eu possuía uma boa hq para fazer parte do livro mas os coordenadores da edição não concordaram com a minha abordagem para o mote proposto.
A segunda vez foi na RAGÚ, outra série de antologias publicadas no Nordeste que tinha amparo do Governo de Pernambuco. Me disseram que o personagem não combinava com o perfil deles.
Pode ser paranoia minha mas a verdade é que as desculpas não me convenceram. Eles claramente não gostavam do felino e do tipo de história que eu abordava.

- Um amigo do Facebook chamado Jeferson Barioni me enviou por mensagem esta fanart do gato mestiço. Ele diz achar o personagem bem legal; deve gostar mesmo, do contrário não se daria ao trabalho de desenhar. Achei divertida a abordagem dele. Pelo visto, Zé Gatão vai se dar muito mal (pra variar). Valeu, Jeferson!

Pitt:- Olá Zé Gatão! 
Zé Gatão: -Eu não quero brigar!
Pitt: Quem disse que vai haver briga? Vai haver um massacre! He he!

- Eu continuo trabalhando duro, solitário, de domingo a domingo para manter esta família. Tem uma música do grande guitarrista Vinnie Moore chamada "Saved by a Miracle" que gosto muito. Eu necessito de um milagres de Deus. Ele sabe. Eu espero.

domingo, 25 de junho de 2017

DESENHO REJEITADO 01.


Mais que nunca o planeta está infectado com a maldade. Os lugares menos piores da terra são aqueles onde a cultura judaico-cristã se disseminou e mesmo assim o politicamente correto está envenenando tudo. Nós não conseguimos o meio termo em nada, somos sempre pelos extremos e vivemos nos enganando de que estamos evoluindo.
Tenho observado com horror a forma como as crianças hoje se dirigem a seus pais, falam com eles como se estivessem se comunicando com seus colegas de escola, uma total falta de respeito!
Vivo repetindo que o Evangelho de Jesus Cristo é a solução para todos os males, mas quem liga?

Sabem, tenho observado que as visitações neste blog tem diminuído a olhos vistos, já falei sobre isto aqui, blogs caíram de moda  e também acho que minhas constantes reclamações podem estar contribuindo para a evasão do público. Ninguém quer saber de velho reclamão. Bem, estão certos, engulo as minhas dores e me calo. Esta estrada eu devo prosseguir sozinho, eu sempre soube disso.

Diariamente recebo solicitações de amizade no Facebook, tenho mais de 3.400 "amigos" naquela rede social. Eu me pergunto o porque disso. Pessoalmente eu não conheço nem 20 pessoas. Tem aqueles que pela sua constância em comentar e dar uma força por palavras se tornam bem conhecidos e julgo como se fossem pessoas chegadas, mas a grande maioria nunca se manifesta. Eu não sei deles e duvido que saibam de mim. Realmente este é um mundo novo no qual eu não me movimento a vontade.

Muitos lá (e aqui) me chamam de "mestre", pô, eu não sou mestre de coisa alguma - só se for da merda seca - eu sou somente um cara esforçado, que não se acomoda numa situação e quer sempre se superar na única coisa que sabe fazer. Mas entendo que quem me chama assim é por respeito e admiração pelo que faço e eu recebo com gratidão.

Apesar de ser "mestre" nem por isto eu estou livre de rejeição. Muitas vezes meus desenhos são desprezados.

Fui convidado por um autor famoso a ilustrar um dos seus livros por ele achar que eu sou o melhor no que faço. Mas a editora não concordou e eu parei o serviço depois da terceira (ou quarta) ilustração. Recebi pelas que tinha feito e fui posto de lado sem maiores explicações. Beleza, normal.

Esta peça foi uma das enjeitadas.







domingo, 18 de junho de 2017

MAIS UM TEXTO DO LUCA SOBRE ZÉ GATÃO E SEU CRIADOR.


Sobrevivente.


          Não será nem a primeira e nem a última vez que escreverei sobre Zé Gatão, sua trajetória e sua intrínseca ligação com seu criador, o Quadrinista Eduardo Schloesser. Este título é mais do que apropriado para definir Criador e Criatura.
         O que me motivou a escrever este texto, já que escrevi ao longo do tempo vários comentários e reflexões pessoais sobre o assunto? Até então, eu acreditava que tinha esgotado este tema, que não havia mais nada a dizer, que tudo o que tinha que ser dito e escrito por mim era o suficiente e que se houvesse mais alguma coisa, viria a ser batido e repetitivo. No entanto, em meio à dura trajetória do felino taciturno e seu alter ego, surgiu uma série de fatos novos! E um destes fatos foi a criação de uma página no Facebook denominada Eduardo Schloesser – Zé Gatão. Nesta página dentre todas que há relativas ao trabalho do Mestre Schloesser, mais do que nunca, esta em particular apresenta um diferencial. Ali está se desenvolvendo dia após dia, hora após hora um verdadeiro espaço para Schloesser e o felino taciturno mostrarem de maneira mais esmiuçada o nascimento, desenvolvimento e mesmo os bastidores de suas aventuras/desventuras na caminhada do Grande Gato. Posto isto, dentro do contexto geral da presença de ambos nas diversas mídias em que apareceram independentemente de resultados esperados ou/e alcançados, decidi fazer uma análise  sobre não o que poderia ou o que gostaríamos que tivesse acontecido com esta obra artisticamente e mercadologicamente falando...mas o que de fato acabou acontecendo para que o felino sorumbático acabasse se movimentando e ascendendo dentro de certas proporções, ainda que não da maneira ideal nos corações e mentes de quem aprecia o personagem mais underground entre os undergrounds conhecidos e os que ainda estão por vir.
         Da mesma forma que conheci Eduardo Schloesser e aprendi a admirá-lo e respeitá-lo, o mesmo se deu com Zé Gatão, mas com o personagem foi mais lento. No princípio da criação do Grande Gato, onde tive o privilégio de conhecer suas origens in loco, gostei dele por tabela, mas não o conhecia ou compreendia. Sabia que acima de tudo era um alter ego do meu amigo e irmão Eduardo. O tempo me mostrou que não era apenas uma cópia! Zé Gatão tinha também sua personalidade própria. Acrescento que esta percepção não foi imediata. Levou certo tempo. Ao receber de presente do autor o Álbum Branco autografado, eu o degustei com indizível prazer, longe ainda de compreender a real essência de Zé Gatão. Posso dizer que tinha um vislumbre, muito pautado na pessoa do próprio Eduardo. Afirmo também que embora tenha gostado do personagem e sua proposta, não imaginava que viria a adorá-lo e nem ter a intimidade e a cumplicidade que acabei desenvolvendo em relação a ele.
         Para não ser repetitivo, deixarei de lado algumas considerações que já fiz em outras oportunidades e irei direto ao ponto que é o cerne deste texto.  Zé Gatão seguiu uma trajetória que considero atípica, embora tenha seguido alguns caminhos normais e conhecidos na busca de inserir-se no Mercado Editorial, tendo conseguido ser publicado. Houve textos, resenhas, entrevistas com o criador do felino e algumas matérias de jornal como já sabemos.
         À parte do Mercado Editorial e do que foi mencionado acima, onde não teve o sucesso esperado, o felino se imiscuiu no Mundo Virtual primeiro através do Blog criado pelo Mestre: A Arte de Eduardo Schloesser. Depois em uma página mantida por Schloesser no Facebook. Ao longo do tempo, as citadas Redes Sociais geraram ardorosos(as) fans que mesmo poucos(as) souberam prestigiar devidamente esta obra Schlosseriana. Gostaria de mencionar em destaque a escritora Carla Ceres e a européia Mira Werner que dentre outros(as) se revelaram pessoas que gostam genuinamente das aventuras/desventuras do felino cinzento.  Em particular, nossa querida amiga Mira Werner é a grande incentivadora do Grande Gato, com a página Eduardo Schloesser – ARTE, vídeos no You Tube, sem esquecer a página do Facebook mais recente, inspiradora deste texto.
Poderia me delongar mais, mas creio que a exposição que fiz dos caminhos do felino e de seu criador, bem como dos nichos que os dois alcançaram nos meios eletrônicos é por ora mais do que suficiente.
Atenciosamente,
Luca.
Fã, leitor e escritor de alguns contos do Grande Gato publicados no Blog do Eduardo e em minha página do Facebook entre 2011 e 2014 por incentivo e apoio do próprio Eduardo Schloesser.
Bsb, 15 de junho de 2017.