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domingo, 19 de novembro de 2017

UM POUCO MAIS DO DESENHISTA NOS EVENTOS.

Boa noite a todos!

Amadas e amados, pra mim não tem nada mais constrangedor do que ver e ouvir a mim mesmo nesses vídeos. Soo patético. Enfim, não tenho como mudar minha aparência nem minha voz, só me resta aceitar.
No entanto muitos parecem interessados, querem ver fotos e vídeos do cara que desenha todas essas coisas. Então vá lá.
Este primeiro vídeo é do canal Orbita Geek, foi feito na Feira Asgardiana que aconteceu no dia 21/10/2017. Apareço lá pelos 15:00 do vídeo, mas ele todo é divertido, tem a Michelle Ramos, Luciano Félix, Thony Silas e vários outros artistas.



Este outro foi feito durante o Terceiro JAB POP. Falo pouco (ainda bem).




Até semana que vem, se Deus quiser, pessoal!!!!

domingo, 12 de novembro de 2017

TERCEIRO JAB POP.


Esta semana participei de mais um evento Geek, foram dois dias de papo agradável com os artistas que publicam na terra quente de Pernambuco. O público não foi lá muito grande mas valeu por eu ter saído mais uma vez do meu estúdio e mostrar minha cara feia num evento. Bacana! Tendo mais eu pretendo ir.

Felizmente não tiraram fotos minhas.

Um beijo a todos, boa semana e vamos ver se no próximo domingo eu volto aqui com meus velhos textos!

domingo, 5 de novembro de 2017

ULTRAMAN (Hayata)


Boa noite a todos.
Sábado e domingo foram dias extremamente exaustivos para mim com obrigações fora de casa; desta feita, sento-me aqui novamente sem energias para escrever e tudo indica que a semana que entra também será cansativa. Fui convidado para um evento geek, vou esperar confirmação para postar aqui os detalhes.

Eu queria falar mais detidamente sobre como o Ultraman é especial para mim mas terá que ficar para uma ocasião mais propícia. No momento deixo esta arte e a promessa, se Deus permitir, de postar textos mais inspiradores proximamente.


Até lá, fiquem com meu abraço!

domingo, 29 de outubro de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 13)

Amadas e amados, boa noite!

Pra variar me sento aqui no fim do dia um tanto cansado física e mentalmente, o que embota um pouco a minha inspiração para escrever algo relevante. Como foi uma semana sem grandes acontecimentos vamos aos comentários do que tenho absorvido em termos de cultura. Não falo da alta cultura, isso eu deixo para os deuses eruditos, eu me limito a minha pequenez.

O QUE TENHO LIDO:

Livros - Na verdade ainda estou lendo As Mil e Uma Noites e também alguns artigos (quase sempre sobre política) que meus irmãos me enviam pela internet.

Histórias em quadrinhos - Esta semana reli meus encadernados do "Hellboy", é diversão garantida. Li também on line as últimas edições de "The Walking Dead".
Terminei o "Ghost In The Shell", mangá um tanto difícil de absorver, mas impossível ficar indiferente.
Devorei a nova edição do "Akira", da JBC. Muito bom! Eu tenho toda a coleção colorida da Editora Globo, mas nunca li completa, está dentro de alguma caixa de gibis aqui, ainda não aberta.
Neste momento, para me inspirar a criar a próxima arte comissionada, releio Flash Gordon da Ebal (tesouro!).

O QUE TENHO ASSISTIDO:

Filmes - Nunca mais fui ao cinema, mas ontem consegui assistir Homem Aranha De Volta ao Lar em HD na tela do meu notebook. A Marvel sabe fazer filmes para a família, é divertido, colorido, com boas cenas de ação e finalmente um Spider adolescente de verdade. Eu teria investido menos nas cenas de comédia para focar nos momentos sombrios que uma história destas contem, mas ok, é um filme esquecível e bem feito.

Séries - Tive que dar um tempo em Mr. Mercedes mas estou acompanhando a oitava temporada de The Walking Dead (mais do mesmo, os quadrinhos são muito melhores).

De resto, quando posso, assisto programas de gastronomia com a Vera, ela gosta e eu relaxo um pouco.

O QUE TENHO OUVIDO:

Não é segredo que só ouço coisa antiga, a bola da vez está com o Pink Floyd, focando mais especificamente na carreira solo do David Gilmour - não canso de escutar.

Meu amigo Anderson ANDF me fez a baita gentileza de me enviar um quadrinho - e um filme baseado neste mesmo quadrinho - chamado "Whiteout". O filme ganhou o subtítulo de Terror Na Antártida.
Não li e nem vi ainda, Anderson, mas o farei na primeira oportunidade que tiver um momento de paz aqui. Obrigado!

A arte de hoje é mais uma imagem de A Escrava Isaura.


Tenham todos um ótimo fim de semana!

domingo, 22 de outubro de 2017

ZÉ GATÃO PADA E A 4º FEIRA ASGARDIANA.



A Feira Asgardiana aconteceu ontem (sábado). Foi o quarto evento promovido pelo Orlando Oliveira, dono da banca Guararapes; neste dia um pequeno trecho da Avenida Guararapes (centro de Recife) é interditado para se tornar Asgard e o próprio Orlando se tornar Odin, num espaço para cultura nerd. Mesas são espalhadas na rua e artistas expõem seus trabalhos, divulgam, fazem caricaturas ao vivo, outros vendem gibis novos e usados (uma mesa em particular vendia gibis raros a 2 reais! O Arnaldo Luiz, integrante da PADA comprou cinco revistas do Tarzan (Ebal) com desenhos do Russ Maning a preço de banana! Aqueles álbuns gigantes do Flash Gordon da Ebal a 25 reais!!!! - e eu sem grana pra completar a coleção!), canecas, mirabilias, posters, enfim, um paraíso, apesar do calor, para os fãs!

O desenhista e a Michelle Ramos, do canal Zine Brasil.

Eu, na verdade só fiquei sabendo deste evento quando se deu a terceira edição. Como não recebi nenhum convite formal e tenho muito trabalho para fazer, nem tinha intenção de ir à quarta - meu misantropismo fica cada dia mais exacerbado a medida que envelheço - mas recebi ligação do Milson Marins esta semana informando que a PADA ( Produtora Artística de Desenhistas Associados) iria reimprimir o especial do Zé Gatão que eles editaram em 2011. Para mim foi uma excelente notícia pois este álbum esgotou rapidamente na época em que foi lançado. O Milson me convidou a comparecer para prestigiar o festival. Fui de bom grado, a turma de quadrinistas daqui são pessoas muito legais e seria bom para mim sair um pouco do meu estúdio.
Conversei um tanto com uns chegados, assinei três livros, tirei algumas fotos a pedidos e fui entrevistado por um canal geek do Youtube. Foi uma tarde legal.

Enfatizo que o Festcomix de São Paulo também começou como um evento de rua bancado pela Comix, hoje se tornou um festival de grandes proporções. O daqui, quem sabe não está destinado à grandeza semelhante? Tudo é possível.


Esta nova edição do Zé Gatão Especial PADA ficou no capricho: papel e acabamento melhor além de páginas extras coloridas com as fanarts que fizeram do personagem ao longo do tempo. Tenho orgulho deste trabalho.




domingo, 15 de outubro de 2017

TCHAU, DOUGLAS!



O Douglas Quinta Reis se despediu de nós nesta última sexta feira. Era um dos fundadores da Devir Livraria e Editora. Foi a segunda baixa pesada sofrida pela Devir, a primeira foi em 2012, com a morte do Mauro (comento neste post: http://eduardoschloesser.blogspot.com.br/2012/02/hoje-infelizmente-nao-tem-ilustracao.html)

Eu conhecia o Douglas a mais de 20 anos, sempre nos encontrando em eventos ou lançamentos de quadrinhos da editora dele e nunca conversamos muito, os momentos eram breves e eu nunca sabia exatamente o que dizer e ele tampouco. Nosso maior tempo juntos foi em 2011, quando tivemos uma reunião na Devir para tratar da publicação de ZÉ GATÃO - MEMENTO MORI, intermediada pelo editor Leandro Luigi Del Manto. Depois foram trocas de e-mails onde planejávamos a capa de um livro de sucesso na Coreia (que acabou não acontecendo).
Nos últimos tempos eu falava por telefone com ele sobre a possível publicação da biografia em quadrinhos do Edgar Allan Poe.

Ele e o Mauro, assim como muitos do mesmo período, que tornaram os quadrinhos algo mais respeitado aqui no Brasil, já são lendas do meio. Fico com uma sensação muito grande de vazio.

Abaixo uma entrevista em duas partes com o Douglas e com o Mauro feita pelo Marcelo Alencar.

Vá em paz, Douglas, até breve!


domingo, 8 de outubro de 2017

TARZAN DOS MACACOS.

Mais do mesmo, nenhuma novidade digna de nota para contar aqui, pelo menos nada que eu já não tenha citado um milhão de vezes. Minhas queixas são sempre as mesmas e já deu. Sento-me diante deste monitor e não sei exatamente o que escrever. Para manter o blog atualizado semanalmente basta um desenho, eu sei, mas gosto de falar com vocês e não sentir-me inspirado para digitar uns sentimentos não me soa bem, sei lá.

Esta semana eu fui até o centro velho de Recife - e olha, aquilo é velho mesmo! - existem trechos do local que não sei como os prédios ainda estão em pé. Parece romântico olhar para aqueles edifícios centenários (bem, se aquilo não tiver mais de cem anos, eu me dano!), todos carcomidos pela voragem do tempo e imaginar que resistem bravamente, mas o fato é que o fedor de decadência é tanto que embrulha o estômago. Fui comprar um papel peculiar para desenho e é só  encontrado em um local específico. Algumas ruas tem cheiro de merda, urina e maconha, com detritos por toda a parte. Um número assustador de pessoas deitadas nas calçadas, fedidas como o inferno, chega a dar medo. Me lembrou o centrão de São Paulo.
Outros materiais de pintura são localizados em locais bem distantes, o que me obriga a andar como um camelo. Já não sou um garotinho e cheguei em casa muito cansado, exaurido pra valer!

Bem, de posse de papeis e lápis especiais, já posso dar continuidade à série de encomendas que me fazem.


A arte de hoje me foi requisitada por um fã de Brasília (a minha cidade dos sonhos), ele é dos meus, curte muito os heróis da antigas.

Uma boa semana a todos e até a próxima, se Deus quiser. 

domingo, 1 de outubro de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 12)


Não sei quantos de vocês se lembram que escrevi aqui um texto falando sobre os livros clássicos que a editora estava devendo imprimir e finalmente haviam publicado mais uns vinte títulos. Pois bem, esta semana fiquei sabendo que houve um erro de comunicação, um engano. Na verdade eles não imprimiram vinte títulos, mas apenas três. Ainda não sei quais são, tampouco quando os terei em mãos. A bem da verdade só comunico isto por falta de assunto. Não! Me corrijo, assunto eu tenho até demais, me falta é ânimo para converter meus sentimentos em palavras. Ando bastante fatigado.
Talvez semana que vem eu esteja mais animado, quem sabe?

Fiquem aí com mais uma arte de A Escrava Isaura.


domingo, 24 de setembro de 2017

A INGRATIDÃO É UMA PUNHALADA NAS COSTAS DA ALMA.


Clima estranho; neste mês o calor já deveria estar torturando mas há uma certa umidade no ar, o dia nasce ensolarado e repentinamente uma chuva caudalosa inunda tudo, depois é sol novamente, ou acontece o contrário, a manhã chega molhada e quase sem notar surge o astro rei vingativo por não poder nos saldar com o canto dos pássaros. Não que eu esteja reclamando, sou muito mais esta brisa fresca que causa renite do que o abafamento onipresente neste lugar.
Quando vim para cá em 2003 eu imaginava ficar um ano ou dois, depois voltar a Brasília. Já se passaram 14 anos e eu continuo preso aqui. Por um tempo eu me acostumei, agora já fico desassossegado de novo.
A editora não me mandou livro para ilustrar este mês, graças a Deus tenho umas comissões para fazer e isto me ajudará a pagar algumas contas.

Acho que estou sofrendo do que chamam de "lesão por esforço repetitivo", uma dor bem chata me incomoda na altura do polegar direito e irradia para outras articulações (cotovelo e ombro).

Estou relendo AS MIL E UMA NOITES. Leio também, Tex, só para confirmar que os quadrinhos mainstream italianos são excelentes passatempos. Também dei uma lida numas HQs do mestre Richard Corben, é bom para lembrar que eu ainda tenho muito o que aprender.

Assisti a duas temporadas de AMERICAM HORROR HISTORY, a segunda e quinta, se não me engano. Foram boas, mas achei tudo muito longo, poderiam contar aquelas histórias com metade dos episódios.

Enquanto trabalho ouço uns vídeos nerds do Youtube e algum podcast. Não quero escutar música. Evito associar a beleza das melodias que tanto gosto com o atual momento.

O título da postagem será o único desabafo que faço hoje.


O rabisco da vez é o esboço para uma comissão já realizada.

Grande abraço a todos!

domingo, 17 de setembro de 2017

A DIFÍCIL ARTE DE CRIAR ARTE.

Produzir arte é algo muito complicado. Só escrevo obviedades, eu sei, mas as vezes eu paro pra pensar que ninguém dá o devido valor a um artista - falo do artista, não do homem, a maioria das pessoas idolatram o homem, como faziam com Elvis ou Michael Jackson, não exatamente o criador de arte (não sei se me faço entender bem, as vezes eu não sei colocar em palavras claras o que me vai no íntimo).
Com um clique de botão temos nossas canções preferidas em nossos ouvidos, nunca paramos para refletir sobre o difícil processo de criar uma nota, desde os primeiros acordes, a primeira letra inserida na melodia, o trabalho de burilar a música no estúdio, os arranjos dos instrumentos, a engenharia de som, a gravação final até chegar ao mercado consumidor.

Imagine o trabalho que dá produzir um filme, uma série de tv. Trabalhar com atores, técnicos,  extras e tudo o mais que é necessário para que possamos passar alguns momentos fugindo da realidade depois que fica pronto. E eu nem falo do trabalho de vender o produto e distribuir para que possa ser consumida pelo público.

Muita gente lê uma poesia e imagina que ela tenha vindo pronta na cabeça do autor, direto para o papel, nunca imagina que ele teve que suar muitas camisas para compor aqueles versos tão marcantes.

Fazer uma história em quadrinhos por menor que ela seja é um tour de force (já falei sobre isto). Não basta só saber escrever e desenhar, tem que saber narrar uma história neste veículo, criar personagens e situações que funcionem na narrativa, tem que ter timing, é necessário dar "clima" ao enredo e por aí vai e é triste saber que é tão pouco valorizado.

Claro que é uma pena quando existe todo este esforço - e dinheiro - aplicado e temos porcaria ao invés de arte, mas isto já é outro assunto.

Eu não queria mais fazer quadrinhos - não por encomenda - mas tenho feito pois preciso da grana que pagam para reforçar meu orçamento.
Estou nos estágios finais de uma historieta de crianças zumbis e o processo é um tanto tormentoso mesmo ela tendo só quatro páginas; talvez isto aconteça comigo por eu usar procedimentos um pouco mais complicados e por me cobrar tanto mesmo em algo que deveria ser simples, sei lá.


De qualquer forma, mesmo não tendo o devido valor por parte de quem consome, para mim é aquela sensação agradável depois que o produto fica pronto. A mãe se esquece de toda a dor do parto quando acolhe o rebento em seus braços. Assim é para mim cada vez que termino uma arte, seja um desenho, pintura ou HQ.

Até a próxima semana, se Deus permitir.

domingo, 10 de setembro de 2017

DEUS ME DEU A ARTE COMO UMA PORTA PARA ESCAPAR DA REALIDADE.


Toda a minha vida eu lutei contra mim mesmo. Nunca consegui me aceitar. Meu rosto, minha voz, a maneira como me comporto, me movimento, tudo para mim é insuportável. Tem sido assim desde tenra idade; quando garotinho, odiava tirar fotos, principalmente aquelas de colégio, onde colocavam uma bandeira do Brasil atrás de você e na mesa, sentado, seu nome e o nome da escola (talvez os mais antigos saibam a que me refiro). Atualmente até gosto daquelas fotografias, pena que estão em álbuns na casa materna e eu não tenha acesso a elas para postar aqui. Isto quer dizer que hoje eu mudei? Não! definitivamente, não. Mas não me importa mais. Hoje sei que não tenho como mudar meus olhos, nariz e boca, nem acrescentar mais uns centímetros à minha altura, me acostumei ao que sou. Os doutores com certeza tem uma boa explicação para o meu auto-repúdio, mas também pouco me importa, tenho cá as minhas teorias e essas também nunca tiveram sucesso em reverter o processo, então, deixa pra lá.

Digo isso tudo pra justificar o título desta postagem, é uma frase corrente na minha boca. Sem a arte eu seria menos ainda. Foi o modo que encontrei para uma melhor comunicação com o mundo. Foi a porta que Deus me deu para eu escapar das coisas que me afligem e eu dou graças a Ele por isto.

Eu não sou desses caras que veem o lado bom de tudo, eu sei que minha vida não deu certo, das coisas que um dia eu sonhei conquistar eu não atingi nem dez por cento (e olha que eu nunca fui muito ambicioso). Talvez se eu tivesse nascido em outro país, ou me mudado para onde as artes tenham mais valor, não sei. Mas não pensem que não sou grato pelas pequenas vitórias. Reconheço os méritos dos meus esforços. Minha tristeza vem da sensação de não haver mais um amanhã, de estar enxugando gelo.

Entretanto, tenho este compromisso com a arte, preciso dar sempre o meu melhor em tudo o que me vem às mãos, não importa o valor pago. Minha real recompensa chega ao olhar o trabalho pronto, me gratificando por conseguir terminar, mesmo com a eterna impressão de que ele poderia ter ficado melhor.

Dá uma satisfação legal ver o retorno de alguns amigos que me encomendam ilustrações. Como este, do meu chapa Elton Borges. Este desenho vai ficar bonito na parede dele, não acham?



domingo, 3 de setembro de 2017

SEM LUZ PARA A ARTE.


Está difícil, é tudo o que consigo dizer. Continua difícil. Mas não é possível recuar, esta não é uma opção. Eu não vivo mal, com certeza, faço até cinco refeições ao dia, durmo em uma cama confortável, tenho uma família maravilhosa, ainda consigo trabalhar com o que gosto (e sei fazer) e com bastante esforço consigo pagar as minhas contas, ainda assim ouso dizer que vocês não iam querer andar em meus sapatos nestes últimos meses. Não convém entrar em detalhes sobre o que me tira o sono mas posso adiantar que é a soma de muitas pequenas coisas. Ok, Jesus disse que no mundo teríamos muitas aflições e que devíamos confiar Nele, então é só isto que me motiva.

Este fim de semana algo em particular me aborreceu bastante, nunca comentei aqui mas a minha luminária deu pau já faz anos, como não tive recursos para consertar ou comprar outra, coloquei um lâmpada bem forte no meu estúdio e isto me serviu muito bem. Ontem a tal lâmpada não acendeu. Troquei por uma outra e também não respondeu. O problema com certeza era no interruptor. Não entendo de eletricidade, então não dei uma de esperto. Meu cunhado saca disso, ele fez a instalação da eletricidade da casa dele. Ficou de vir ma ajudar.
No escuro não é possível trabalhar. Fiz o que pude com uma prancheta de mão onde houvesse luz solar, mas não deu pra adiantar muito.
Hoje o irmão da Vera veio a tarde e tentou me ajudar. Descobrimos que há um problema com a fiação. Cabos velhos. Prédio velho. Tudo velho. Me sinto velho. Cara, que merda é isso tudo!
Bem, assim que eu receber a minha grana terei que contratar um eletricista profissional para resolver o problema. Amanhã terei que remanejar a minha prancheta para um local mais iluminado e continuar os serviços pois o show não pode parar. Mas a noite, quando produzo melhor, não será possível. Me sinto muito cansado! Faz parte. A vida é assim.

O desenho de hoje estava esquecido em meus arquivos, foi o primeiro estudo que fiz direto no pincel para o frontispício de ZÉ GATÃO - DAQUI PARA A ETERNIDADE.


Alguns fãs do meu trabalho tem feito encomendas de artes originais. Coisas bem legais, estou cuidando delas.

Uma abraço nos gatões e um cheiro nas gatinhas. Até!


domingo, 27 de agosto de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 11)

Queridas e queridos, bom dia!

Ainda espero por um novo livro (trabalho pagaluguel) e enquanto ele não vem, executo umas artes encomendadas para reforçar o orçamento.

Tive uma boa notícia na última vez que estive na editora, publicaram mais uma leva de títulos dos clássicos brasileiros que ilustrei, uns vinte, parece. Ainda não tenho meu reparte em mãos, mas assim que chegarem eu informo por aqui com imagens dos mesmos, se DEUS quiser.

O QUE ESTOU LENDO?
Recebi um belo quadrinho de presente de meu amigão Elton Borges (obrigado de novo, Elton!): CARAVAGGIO do Milo Manara! Putz, muito legal! Me deu vontade de reler sobre o polêmico e influente pintor barroco, então devoro uma biografia dele.
Paralelo a isto estou tentando ler Ghost In The Shell, mangá clássico do Masamune Shirow; eu digo tentando porque até agora estou achando chato.

O QUE ESTOU ASSISTINDO?
Acompanho Game of Thrones (último capítulo da temporada, hoje).
Também vejo Mr. Mercedes, baseado no livro do Stephen King (e tá muito bom!). Desisti do The Mist (também do King), uma merda!
Finalmente vi Guardiões da Galáxia Volume 2, me diverti muito!

O QUE OUÇO?
Rock ´n´Roll dos anos 60, 70 e 80, sempre!

De resto, continuo minha luta diária para sobreviver neste mundo.


Mais uma imagem da Escrava Isaura proceis!

Um beijo a todos.

domingo, 20 de agosto de 2017

AS MÃOS EM CARNE VIVA.



Era o ano de 1979, eu tinha 16 anos. Meu pai havia adquirido um pequena firma que oferecia serviços e eu fui trabalhar com ele. Que serviços ele oferecia exatamente eu nunca soube dizer com certeza, mas me lembro bem de descarregar, certa vez, um pequeno caminhão com sacos de cimento junto a outro cara que ele havia empregado. Este trampo em particular não me desgostou, eu queria provar a mim mesmo que era forte e capaz de grandes esforços sem colocar a língua pra fora mesmo que isto me custasse uma hérnia de disco na adolescência. Eu sempre fui um imbecil - e continuo sendo - mas naquela época eu não tinha escolha.
Certa vez, (acho que foi no meu período de férias) surgiu um trabalho realmente complicado, não a tarefa em si, mas a maneira de executá-la pois não tínhamos as ferramentas necessárias. Se eu me lembro bem, havia um imbróglio em relação a um trecho de terra que ficava entre o IBGE e a UNB. Hoje não sei dizer quem venceu a pendenga, mas a minha função era  colocar uma cerca no terreno, que na verdade era um espaço cheio de mato, que formava um extenso corredor até o lago Paranoá e assim agregá-lo ao órgão do governo que venceu a guerra por aquele pedaço de chão, na verdade "puxar" a parte amputada do cercado e emendá-la com o outro lado (o lado vencedor). Difícil de entender? Eu também acho complicado explicar assim, digitando. Queria poder fazer um esboço de como era a coisa para que vocês sacassem bem, mas infelizmente não será possível, hoje na minha vida até isto se tornou difícil, existe a vontade mas não há força no querer, tudo se tornou extremamente enfadonho.
Nesta época apareceu um casal, a mulher grávida, ajudava minha mãe nas tarefas do lar e o marido foi me auxiliar no tal trabalho da cerca. Não lembro o nome dele, mas era um nordestino baixinho muito falador, risonho e simpático para fazer contraponto comigo que era calado e ensimesmado. O cara traia a mulher, era um putanheiro de marca, só falava sacanagens. Munidos de uma serra sem o suporte, uma pá, e uma picareta, demos início à empreitada. Teríamos que terminar em três dias.
A primeira coisa a fazer seria serrar os canos da cerca de tela, como não tínhamos o suporte para a serra, era extremamente difícil, machucava as mãos e eu tinha que revezar com o cara; o cano, embora fosse oco, era de um metal muito duro, eu me senti como um prisioneiro tentando serrar as barras de sua cela. Debaixo do sol, serrar as tramas da tela foi outra tortura. Feito isto, contamos aos passos a metragem de cerca que deveria ser a mesma medida da entrada do terreno para então cortar na extremidade oposta, o que ficou para o dia seguinte.
Eu chegava em casa esgotado, mas ainda tinha tempo para ir a um cinema com o Luca. Era período de abertura política no país, onde os militares permitiram que os comunistas exilados voltassem e filmes antes proibidos fossem exibidos, como O Último Tango em Paris e Emanuelle.
A tormenta do dia seguinte prosseguiu no trabalho, as mãos, as juntas dos dedos, os pulsos, tudo doía horrivelmente mas fizemos o que tinha de ser feito. Cortadas as duas extremidades do cercado o encargo seguinte seria remover a cerca, para isto tínhamos que desafixá-la do chão, cavamos com a pá, e com a picareta arrebentamos o duro cimento que a fixava no chão. Mãos, braços, ombros e quadris sofriam o suplício sob o sol ardente. Na tarde caiu um bela chuva e os calos de minhas mãos sangraram, meus músculos lombares já não suportavam mais.
Chegava em casa moído, mas mesmo assim eu saía para correr uns quilômetros no eixão, eu era viciado em atividade física. Gostava de correr no eixo sul. Os postes tinha uma iluminação amarelada que davam um tom onírico ao ar noturno, sentir o vento era como experimentar uma liberdade fugidia que me fazia sentir vivo.
Dia seguinte a mesma tormenta: sol, chuva, refeição frugal, as conversas idiotas do nordestino, minha tristeza, sensação de que era um prisioneiro condenado a trabalhos forçados, mãos sangrando e costas doendo, mas arrastamos a maldita cerca para seu novo lugar, fechando o terreno. Teríamos que fazer a mesma coisa com a outra extremidade da cerca próximo ao lago, mas por algum motivo que agora não lembro meu pai suspendeu o serviço. O que sei com certeza é que ele nunca recebeu por aquele trabalho e nem eu, é claro!

Algum tempo depois eu partiria, fugido, para o Rio de Janeiro e perderia quatro bons anos de minha vida. Se ficasse em Brasília também não sei o que seria. Parecia não ter saída para mim, como parece não haver agora,

É estranho pensar que de lá pra cá, 38 anos depois, minha vida mudou tão pouco.


Os desenhos de hoje são estudos para uma arte comissionada.


Fiz este texto as pressas, não reparem se tiver muitos erros.
Beijos a todos.


 

















domingo, 13 de agosto de 2017

TÍTULOS A ESPERA.

Boa noite!

Passo rapidinho aqui aqui para dar um oi para vocês.

Eu continuo na batalha, lutando com as mãos nuas como sempre. Enquanto não chega um novo livro infantil "pagaluguel" eu faço uma HQ de quatro páginas cuja a temática é zumbi encomendada por um editor de São Paulo e também cuido de uma commission para um querido amigo. No entanto tenho álbuns de quadrinhos esperando lançamento.

Nem vou falar de Caim e Abel que fiz para a HQ Maniacs (a mesma que publicava o "The Walking Dead"), nunca mais soube notícias da editora, nem sei se ela ainda continua no mercado.

Temos A VIDA E OS AMORES DE EDGAR ALLAN POE, uma biografia do poeta americano em quadrinhos que o escritor e roteirista R. F. Lucchetti levou dois anos para escrever e eu levei seis para ilustrar e já está aguardando na editora faz um montão de tempo.


Depois o CARTAS MARCADAS, história que abre o álbum NCT - Novos Clássicos do Terror, projeto capitaneado pelo genial Allan Alex.


E finalmente O BICHO QUE CHEGOU À FEIRA, um quadrinho que conta com um belo time. Um roteirista e três desenhistas, cada um desenhando um capítulo. Claro que um deles sou eu.


Quando tudo isto virá a público? Só Deus pode responder. Estamos no Brasil. Aqui as incertezas são maiores.

Nos falamos semana que vem? Quem sabe?

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

BRINCANDO COM ZÉ GATÃO!

Bom dia, amadas e amados!

Esta postagem chega atrasada! Pudera, o meu fim de semana foi corrido! Devo preparar até amanhã três artes para levar um novo livro infantil para a editora. Se não entrego na terça meu pagamento fica adiado por um tempo que não poderei esperar.

Mas como este blog não pode ficar desatualizado (não quero que fique!) vamos conversar rapidamente.

Arde em mim um desejo grande de fazer mais algumas HQs com Zé Gatão, mas como podem notar não tenho tido tempo de sequer pensar a respeito. No entanto venho fazendo - quando posso - pequenas artes aproveitando sobras de papel e tinta. Ou seja, sobrou um pedaço de papel de qualidade? Eu rabisco alguma coisa; restou um pouquinho de nanquim de alguma ilustração comissionada? Pego o pincel e finalizo o papelzinho. Assim vou criando uma curta HQ só para me divertir.

Neste caso pensei numa violenta luta entre o felino e um Diabo da Tasmânia, só isso, nada mais.


Claro que ainda não acabei, mas não falta muito, não. Se juntar todos os quadrinhos separados acho que dá mais de 10 páginas de luta. Vai ser publicado um dia? Quem poderá dizer? Nem estou preocupado com isso, o objetivo aqui é não desperdiçar material e ainda me distrair um pouquinho.

Boa semana a todos!

domingo, 30 de julho de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 10)


Dos 45 clássicos da literatura brasileira que ilustrei a editora só publicou a metade, ou menos da metade, creio eu. Fico muito curioso pelos demais, possuir a coleção completa daquilo que me consumiu um bom pedaço dos meus dias seria muito legal; foram uns quatro anos, contando com os intervalos, em que coloquei muito da minha alma nas edições, variando técnica e estilo, procurando emular o espírito dos antigos desenhos da American Golden Age (fundidos com nossa brasilidade). Não sei se voltarei a trabalhar em algo assim com tanta liberdade e espontaneidade.

Muita gente gosta do meu traço de desenho mas não conhece este projeto. A editora é do nordeste e trabalha com didáticos, tem sua própria gráfica e mecanismo de distribuição. Esses livros ficam muito restritos a professores da região. O grande público desconhece totalmente que ilustrei os clássicos do Machado de Assis, Lima Barreto e José de Alencar, entre outros.

A coleção completa seria de 50 tomos, faltam ainda cinco para fechar, mas até hoje a editora não retomou. Acho que não acontecerá. Paciência. A fila anda.

Mais uma arte de A ESCRAVA ISAURA.

Beijos a todos.





domingo, 23 de julho de 2017

O EVENTO ILUSTRA SHOPPING FOI MUITO BOM!!!



Queridos e queridas....bom domingo!


Pra ser sincero não estou com nenhum ânimo para a escrita hoje, nem para o trabalho, para falar a verdade; se fosse possível eu gostaria de estar num local aprazível deitado numa rede e lendo um bom livro ou um bom gibi, depois uma cochilada, depois uma refeição leve, um suco, mais leitura, outra cochilada, um dia de preguiça enfim. Não é nenhum crime, é? Mas no meu caso parece ser crime, sim. Se paro de trabalhar minha condenação é aluguel atrasado e geladeira vazia, ainda dou sorte de ter trampo com ilustração.


Minha barba está crescida e também as unhas do pé, resolver isto é fácil, bastam alguns minutos, mas cadê coragem?


Porém, o objetivo da postagem é falar sobre o evento geek que rolou no Shopping Plaza no fim de semana passado, então vamos lá.

Sou o mais velho da turma,um veterano já, quem diria?

Foi muito bom! Ótima receptividade e carinho do público. Para mim foi como uma terapia, afinal eu quase não saio de casa. Meus amigos de mesa eram artistas (roteiristas, desenhistas, arte finalistas, e coloristas) muito talentosos, humildes e simpáticos.


Infelizmente eu não dispunha de farto material para venda, mas o que levei eu vendi. Meu estoque pessoal de Zé Gatão da Devir e álbuns de anatomia esgotou.


Fiquei muito sensibilizado com o testemunho de duas jovens que me abordaram e pediram minha assinatura em seus cadernos de esboços. Elas disseram que fui um grande influenciador e que meus livros de anatomia ajudam-nas a aperfeiçoar seus traços. Julgo que este é o maior mérito que um artista pode ter, plantar, ver crescer e dar frutos.


Um rapaz de 15 anos, que demonstra grande talento para a arte disse que de todos ele me considerou o artista mais legal cujo trabalho ele mais gostava.
Sei que estou sendo cabotino mas se eu não falar sobre mim, outros não o farão.


Meu brother Leonardo Santana, talentoso roteirista de quadrinhos que criou entre tantas coisas o FDP e As Amazonas foi quem indicou meu nome para o festival e não podia ser um companheiro de mesa melhor. Grato Leo!


Tomaram que sujam mais eventos como  este. Foi bom sair por dois dias da vida tensa que tenho levado.

Até a próxima postagem!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 9)


Amadas e amados, antecipo a postagem desta semana. Sábado e domingo, ou seja, amanhã e depois participo de um evento Geek no Plaza Shopping. Saio cedo, fico o dia inteiro e só volto a noite. Totalmente fora da rotina; bem, mais ou menos, muito provavelmente estarei desenhando por lá também. Mas o ambiente será outro.

Espero voltar semana que vem comentando sobre o festival.

Fiquem com mais uma imagem de A Escrava Isaura.

Tenham todos um bom fim de semana!




domingo, 9 de julho de 2017

ILUSTRA PLAZA!



Eu perdi a oportunidade de participar da CCXP Tour que foi realizado aqui em Recife. Na verdade não estava muito interessado. Sabem, depois de muito tempo se decepcionando com este meio a gente fica um pouco cansado disso, eu sempre falo, estou de saco cheio não dos quadrinhos, mas de tudo o que envolve a coisa: editores, artistas e público. Claro, nem todo editor, nem todo artista e nem todo público, mas a maioria. Falaram: "vá rapaz, é uma boa oportunidade de ressuscitar!" Pensei, bah, pode até ser! E aventei a possibilidade de ir. Mas o meu interesse foi tanto que as inscrições para saber se uma possível mesa seria aprovada foi tanta que quando fui atrás já tinham encerrado. Pra mim foi melhor, não gastei um dinheiro suado sabendo que podia não recupera-lo no evento. Não pensei mais a respeito.

Semana passada recebi um e-mail bastante gentil de uma moça que faz parte do grupo qua organiza o que chamaram de ILUSTRA PLAZA, me convidando a participar. Trata-se de um acontecimento que pretende reunir no Plaza Shopping artistas da área de quadrinhos e arte em geral para se reunir, divulgar e vender seus produtos. Algo como o Artists Alley ou Beco dos Artistas da CCXP.

 Alguns amigos artistas do Rio de Janeiro tem participado do Family Geek que acontece nos shoppings de lá, parece que virou moda, com boa receptividade das pessoas.

Aceitei agradecido o convite, não tenho que passar por seleção nem pagar uma pequena fortuna para ter uma mesa num único dia. Não acredito qua vá vender muita coisa, o público que vai comparecer com certeza não é aquele preparado para gastar com nerdices numa ComicCon, nem tampouco com um trabalho tão alternativo como o meu - até porque não tenho volume de material (álbuns, sketches e prints) para oferecer. Na verdade vou para bater um papo  e estar com alguns queridos da área e ver se me livro um pouco da nuvem de tristeza que paira sobre mim nos últimos meses, sair um pouco da rotina, enfim.


Maiores informações vocês encontram neste link:
http://www.plazacasaforte.com.br/novidades/ilustra-plaza---15-e-1607

Não sei se vai ser épico, mas eu acho que vai ser legal, eu pelo menos, pretendo relaxar.

Então, se alguns de vocês estiverem em Recife nos dias 15 e 16 de Julho, apareçam lá para bater um papo com a gente, alguns dos artistas que comparecerão é gente fina demais!

Se tirarem fotos pretendo postar aqui depois.

Abraços e beijos a todos!


domingo, 2 de julho de 2017

SEMPRE NA LINHA DE TIRO.


- Esta é a minha postagem de número 875. Os visitantes decrescem. Imagino porque. Acho que este blog está com os dias contados. Na verdade, se me fosse possível, eu pararia tudo. Tivesse hoje uma aposentadoria ou um trabalho tranquilo que me permitisse viver com certo conforto eu faria as minhas artes só para mim mesmo e mostraria para o pequeno público que me prestigia nas redes sociais. Eu acho que o post de número 1000 (se não morrer ou não entrar em colapso até lá) pode ser uma boa despedida. Vou pensar a respeito.

- Há uma frase atribuída ao genial cronista Nelson Rodrigues que diz que "toda unanimidade é burra". Faz sentido. Sobre Zé Gatão eu ouço muitos elogios e isto me enche de orgulho, mas nem todo mundo gosta. Ele foi rejeitado algumas vezes. Uma foi na FRONT, uma publicação de antologias onde cada número tinha um tema. Eu possuía uma boa hq para fazer parte do livro mas os coordenadores da edição não concordaram com a minha abordagem para o mote proposto.
A segunda vez foi na RAGÚ, outra série de antologias publicadas no Nordeste que tinha amparo do Governo de Pernambuco. Me disseram que o personagem não combinava com o perfil deles.
Pode ser paranoia minha mas a verdade é que as desculpas não me convenceram. Eles claramente não gostavam do felino e do tipo de história que eu abordava.

- Um amigo do Facebook chamado Jeferson Barioni me enviou por mensagem esta fanart do gato mestiço. Ele diz achar o personagem bem legal; deve gostar mesmo, do contrário não se daria ao trabalho de desenhar. Achei divertida a abordagem dele. Pelo visto, Zé Gatão vai se dar muito mal (pra variar). Valeu, Jeferson!

Pitt:- Olá Zé Gatão! 
Zé Gatão: -Eu não quero brigar!
Pitt: Quem disse que vai haver briga? Vai haver um massacre! He he!

- Eu continuo trabalhando duro, solitário, de domingo a domingo para manter esta família. Tem uma música do grande guitarrista Vinnie Moore chamada "Saved by a Miracle" que gosto muito. Eu necessito de um milagres de Deus. Ele sabe. Eu espero.

domingo, 25 de junho de 2017

DESENHO REJEITADO 01.


Mais que nunca o planeta está infectado com a maldade. Os lugares menos piores da terra são aqueles onde a cultura judaico-cristã se disseminou e mesmo assim o politicamente correto está envenenando tudo. Nós não conseguimos o meio termo em nada, somos sempre pelos extremos e vivemos nos enganando de que estamos evoluindo.
Tenho observado com horror a forma como as crianças hoje se dirigem a seus pais, falam com eles como se estivessem se comunicando com seus colegas de escola, uma total falta de respeito!
Vivo repetindo que o Evangelho de Jesus Cristo é a solução para todos os males, mas quem liga?

Sabem, tenho observado que as visitações neste blog tem diminuído a olhos vistos, já falei sobre isto aqui, blogs caíram de moda  e também acho que minhas constantes reclamações podem estar contribuindo para a evasão do público. Ninguém quer saber de velho reclamão. Bem, estão certos, engulo as minhas dores e me calo. Esta estrada eu devo prosseguir sozinho, eu sempre soube disso.

Diariamente recebo solicitações de amizade no Facebook, tenho mais de 3.400 "amigos" naquela rede social. Eu me pergunto o porque disso. Pessoalmente eu não conheço nem 20 pessoas. Tem aqueles que pela sua constância em comentar e dar uma força por palavras se tornam bem conhecidos e julgo como se fossem pessoas chegadas, mas a grande maioria nunca se manifesta. Eu não sei deles e duvido que saibam de mim. Realmente este é um mundo novo no qual eu não me movimento a vontade.

Muitos lá (e aqui) me chamam de "mestre", pô, eu não sou mestre de coisa alguma - só se for da merda seca - eu sou somente um cara esforçado, que não se acomoda numa situação e quer sempre se superar na única coisa que sabe fazer. Mas entendo que quem me chama assim é por respeito e admiração pelo que faço e eu recebo com gratidão.

Apesar de ser "mestre" nem por isto eu estou livre de rejeição. Muitas vezes meus desenhos são desprezados.

Fui convidado por um autor famoso a ilustrar um dos seus livros por ele achar que eu sou o melhor no que faço. Mas a editora não concordou e eu parei o serviço depois da terceira (ou quarta) ilustração. Recebi pelas que tinha feito e fui posto de lado sem maiores explicações. Beleza, normal.

Esta peça foi uma das enjeitadas.







domingo, 18 de junho de 2017

MAIS UM TEXTO DO LUCA SOBRE ZÉ GATÃO E SEU CRIADOR.


Sobrevivente.


          Não será nem a primeira e nem a última vez que escreverei sobre Zé Gatão, sua trajetória e sua intrínseca ligação com seu criador, o Quadrinista Eduardo Schloesser. Este título é mais do que apropriado para definir Criador e Criatura.
         O que me motivou a escrever este texto, já que escrevi ao longo do tempo vários comentários e reflexões pessoais sobre o assunto? Até então, eu acreditava que tinha esgotado este tema, que não havia mais nada a dizer, que tudo o que tinha que ser dito e escrito por mim era o suficiente e que se houvesse mais alguma coisa, viria a ser batido e repetitivo. No entanto, em meio à dura trajetória do felino taciturno e seu alter ego, surgiu uma série de fatos novos! E um destes fatos foi a criação de uma página no Facebook denominada Eduardo Schloesser – Zé Gatão. Nesta página dentre todas que há relativas ao trabalho do Mestre Schloesser, mais do que nunca, esta em particular apresenta um diferencial. Ali está se desenvolvendo dia após dia, hora após hora um verdadeiro espaço para Schloesser e o felino taciturno mostrarem de maneira mais esmiuçada o nascimento, desenvolvimento e mesmo os bastidores de suas aventuras/desventuras na caminhada do Grande Gato. Posto isto, dentro do contexto geral da presença de ambos nas diversas mídias em que apareceram independentemente de resultados esperados ou/e alcançados, decidi fazer uma análise  sobre não o que poderia ou o que gostaríamos que tivesse acontecido com esta obra artisticamente e mercadologicamente falando...mas o que de fato acabou acontecendo para que o felino sorumbático acabasse se movimentando e ascendendo dentro de certas proporções, ainda que não da maneira ideal nos corações e mentes de quem aprecia o personagem mais underground entre os undergrounds conhecidos e os que ainda estão por vir.
         Da mesma forma que conheci Eduardo Schloesser e aprendi a admirá-lo e respeitá-lo, o mesmo se deu com Zé Gatão, mas com o personagem foi mais lento. No princípio da criação do Grande Gato, onde tive o privilégio de conhecer suas origens in loco, gostei dele por tabela, mas não o conhecia ou compreendia. Sabia que acima de tudo era um alter ego do meu amigo e irmão Eduardo. O tempo me mostrou que não era apenas uma cópia! Zé Gatão tinha também sua personalidade própria. Acrescento que esta percepção não foi imediata. Levou certo tempo. Ao receber de presente do autor o Álbum Branco autografado, eu o degustei com indizível prazer, longe ainda de compreender a real essência de Zé Gatão. Posso dizer que tinha um vislumbre, muito pautado na pessoa do próprio Eduardo. Afirmo também que embora tenha gostado do personagem e sua proposta, não imaginava que viria a adorá-lo e nem ter a intimidade e a cumplicidade que acabei desenvolvendo em relação a ele.
         Para não ser repetitivo, deixarei de lado algumas considerações que já fiz em outras oportunidades e irei direto ao ponto que é o cerne deste texto.  Zé Gatão seguiu uma trajetória que considero atípica, embora tenha seguido alguns caminhos normais e conhecidos na busca de inserir-se no Mercado Editorial, tendo conseguido ser publicado. Houve textos, resenhas, entrevistas com o criador do felino e algumas matérias de jornal como já sabemos.
         À parte do Mercado Editorial e do que foi mencionado acima, onde não teve o sucesso esperado, o felino se imiscuiu no Mundo Virtual primeiro através do Blog criado pelo Mestre: A Arte de Eduardo Schloesser. Depois em uma página mantida por Schloesser no Facebook. Ao longo do tempo, as citadas Redes Sociais geraram ardorosos(as) fans que mesmo poucos(as) souberam prestigiar devidamente esta obra Schlosseriana. Gostaria de mencionar em destaque a escritora Carla Ceres e a européia Mira Werner que dentre outros(as) se revelaram pessoas que gostam genuinamente das aventuras/desventuras do felino cinzento.  Em particular, nossa querida amiga Mira Werner é a grande incentivadora do Grande Gato, com a página Eduardo Schloesser – ARTE, vídeos no You Tube, sem esquecer a página do Facebook mais recente, inspiradora deste texto.
Poderia me delongar mais, mas creio que a exposição que fiz dos caminhos do felino e de seu criador, bem como dos nichos que os dois alcançaram nos meios eletrônicos é por ora mais do que suficiente.
Atenciosamente,
Luca.
Fã, leitor e escritor de alguns contos do Grande Gato publicados no Blog do Eduardo e em minha página do Facebook entre 2011 e 2014 por incentivo e apoio do próprio Eduardo Schloesser.
Bsb, 15 de junho de 2017.


domingo, 11 de junho de 2017

A JANELA COM GRADES.


Eu queria desabafar mais um pouco mas eu acho que vocês já se cansaram dos meus queixumes. Eu sempre fui assim, parecido com o personagem antropomorfo que criei, só não respondo na porrada às provocações (mas vontade não me falta).

Eu não faço arte tanto por gosto mas principalmente por necessidade. Ela deveria servir como uma porta para sair do mundo por pouco tempo.

Eu tenho apreço por cada desenho, claro, mas os encomendados são como aquelas crianças que amo mas não são meus filhos legítimos. Minhas crias são aquelas que faço para tirar do peito o que me oprime.

Cada arte, de alguma forma, tem um sentido bem nítido que só eu conheço. Então quando desenho um equino esmagando a cabeça do Zé Gatão num muro nojento, retrato um momento da minha vida onde sofro grande pressão.

Com o passar dos anos eu me dei conta de que a arte não é uma porta que me permite fugir um pouco do mundo, mas apenas uma janela por onde posso espiar o que poderia ser uma via de acesso para um lugar mais tranquilo. No entanto é uma janela com grades, eu só posso vislumbrar e desejar, não mais que isso.

Num mundo em que vivemos, tão caótico, sem tempo para as coisas bem simples, desenhar e pintar com o intuito de expurgar uma angústia é um luxo que não tenho mais. Mas eu tento.

Outro dia fui à padaria e as nuvens no horizonte revelavam uma magnifica pintura de Deus - um ocaso vermelho fogo com inúmeros matizes - e embora eu tivesse pressa, tive que parar para observar por longo tempo.

Me identifico muito com Kafka e o Willian Kurelek (pintor canadense), a sensibilidade sempre à flor da pele provocadas pelo terror ao pai, pelos inúmeros bullyings e fracassos amorosos.


A arte de hoje não foi feita por mim, é uma fanart criada num caderno de esboços por um desenhista amigo do Facebook chamado Erasmo Nunes (VALEU MESMO, ERASMO! ADOREI!!!)

Abraços e beijos a todos.

Até a próxima semana, se Deus quiser!







domingo, 4 de junho de 2017

O LOUCO NO ESPELHO.



Boa noite, amadas e amados!

Foi um domingo tranquilo para mim. O sábado nem tanto; por vezes uma certa tensão se faz presente (é uma situação que sou obrigado a enfrentar, não há como fugir dela no momento). Eu tento não deixar estas emoções nefandas comprometer o andamento do meu trabalho, mas as vezes não sou tão forte, ele fica mais lento quando sinto o coração acelerar, minhas mãos tremerem, me obrigando a respirar fundo para evitar um desmaio. Nestes momentos eu sinto como se alguém fizesse roleta russa na minha cabeça. Mas Deus tem me dado um bom auto-controle e a vida segue.

Eu queria ter um pouco mais de dinheiro, nem precisava ser tanto, o suficiente para eu tirar umas férias de quando em vez. Não por acaso eu comecei o meu primeiro álbum de quadrinhos colocando Zé Gatão no selim de uma velha motocicleta e saindo sem destino, fugindo sabe-se lá do quê. A música que eu imaginei para aquela cena foi Born To Be Wild do Steppenwolf. Ah, como eu queria poder...!

A arte de hoje foi encomendada para a capa do livro O Louco No Espelho (faz uns meses já que realizei este serviço, nem sei quanto, pô, perdi totalmente a noção de tempo!). O autor entrou em contato hoje informando que o tomo saiu. Imagino que ele esteja feliz. Um livro é como um filho que vem ao mundo.

Sempre me perguntei por quanto tempo ainda manterei este blog. Quem se interessa? eu me pergunto. Tem vezes que os acessos são grandes, na maioria das vezes a frequência é muito baixa. Por hora, continuo, ele permanece como meu diário (hum, semanário acho que é mais apropriado) onde lanço meus desabafos.

Eu queria muito neste momento ter uma chave para abrir minha caixa torácica e deixar meu coração sair um pouco, respirar livre, tossir e tirar um tanto da tristeza que sente, expulsar parte da saudade que o oprime. Mas não é possível. Ok, vamos em frente!


domingo, 28 de maio de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA O8).



Criar arte, viver de arte, pensar a arte, para mim, é como o exercício de ser mãe, uma mãe zelosa, e como tal trás prazer e algumas dores. A concepção é cheia de expectativas, o parto na maioria das vezes - falo apenas por mim - é difícil, extremamente aflitivo até, mas quando vem à luz é um deleite indizível. O que segue poderíamos chamar de administrar, educar, preparar para a vida e o resultado de tudo pode ser tanto orgulho e alegria quanto decepção e tristeza (sem exagero!).

Elaborar meus quadrinhos sempre teve um pouco disso tudo, é bem verdade que preparei a minha cria (fazendo o que estava ao meu alcance) para que ela fosse grande, que se destacasse no mundo, mas por motivos que estão além dos meus esforços, ela ficou num patamar mediano, humilde, mas, acho, honrado.

Minhas artes pessoais (pinturas, HQs, desenhos, esboços) sempre me encheram de satisfação, eu dei vazão a tudo que ia no meu íntimo, euforia, dor, contentamento, decepção, para isto elas serviam, para ser minha porta voz, a forma de me comunicar com um possível público. Não encontrei eco na maioria das vezes, quase não me trouxeram retorno financeiro, mas serviram como ponte para clientes. Hoje vivo - não tão bem, devo frisar - do que aflora dos meus traços e cores.

Esses arroubos, atualmente, já não tem sido possível, não há tempo mais para meus exercícios artísticos. Nem meus rabiscos espontâneos em meus caderninhos eu consigo. Parte disso acentua este meu estado de amargura.

Não vou falar de trabalhos que me trouxeram dissabores (não digo apenas de empregadores chatos mas de desenhos que desprezo por não terem ficado do meu agrado) mas comento aqueles que apesar de difícil execução foi prazeroso ver o resultado.

A coleção de clássicos da literatura brasileira foi uma destas empreitadas que foram felizes. Foram 45 livros com 15 ilustrações cada. Na verdade, como já foi comentado aqui, era pra ter fechado em 50 livros mas pararam a coleção antes. Há planos de continuar, ainda há muitos títulos relevantes que ficaram de fora mas até agora não deram notícias.

O que mais gostei de estruturar nesta obra foi a liberdade de gerar as cenas, é bom produzir assim, sinto como se eu participasse do engendramento do escritor. A editora mandava sugestão de imagens mas eu é quem decidia como seria feito.

Nem todos os livros foram impressos; a metade, eu diria.

A Escrava Isaura foi o canto do cisne.

Uma boa semana a todos.

domingo, 21 de maio de 2017

ABRAÇADO PELA SOLIDÃO.



Era muito cedo e ele já estava acordado, não dormira bem as últimas noites, na verdade ele não se lembrava da última vez que tivera um somo tranquilo e reparador, havia em seu universo um sem número de elementos que provocavam o caos, pequenos asteroides que promoviam o desequilíbrio e sua impotência em ordenar as coisas lhe traziam aflição à alma. Ele sorria, mas era um movimento de músculos faciais forçado, muito mais fácil era verter grossas lágimas, lágrimas de arrependimento, lágrimas por desejar que o impossível se tornasse possível. Ele tinha consciência de que seu lugar no mundo não era dos piores, haviam criaturas, milhões delas, em situações abjetas, mas isso não lhe servia de consolo e este egoísmo também lhe pesava na alma. A arte, esta grande irmã, que tantas vezes o tirou do lodaçal, parecia agora impotente, ausente.
Mas a tristeza, essa amiga que tantas vezes o inspirou no ato de criar, naquela manhã em particular doía-lhe no âmago.

"Podemos conversar um pouco?" Perguntou à esposa.
"Tem que ser agora? Estou ocupada com tais afazeres."
"Não, tudo bem, não é nada importante." Respondeu ele.

Pensou em falar com a mãe e os irmãos, mas o telefone que tinha em casa não permitia chamadas interurbanas e depois, imaginou: eles também estão cheios de problemas, não precisam de mais um.

Não muito tempo depois, encontrou uma amiga querida.
"Que bom te ver!"
"Digo o mesmo, mas eu preciso ir, meu companheiro me espera!"
"Por favor, fique mais um pouco, só cinco minutos, por favor!"
"Não posso, ele já me observa da varanda! Me ligue e conversamos, ok?"
"Ok."

Ele lembrou-se de um tempo em que viveu numa grande cidade cosmopolita. Tantas pessoas nas ruas, nas praças, nos trens, todas alheias, mergulhadas em si mesmas e ele acossado pelo abatimento.

Foi assim no passado, era assim no presente.

O dia seguiu seu curso, com todos os obstáculos físicos e imateriais que o impediam de se dedicar ao seu ofício. Olhou decidido para a estrada que tinha a sua frente, respirou fundo e seguiu por ela de mãos dadas consigo mesmo.

domingo, 14 de maio de 2017

MÍSTICA.


Os dias estranhos continuam sua caminhada firme e inexorável nesta etapa da minha vida sem dar demonstrações de que vai parar para recuperar fôlego. Pudesse eu falar de tudo que me atormenta, muitos entenderiam porque eu afirmo que esses últimos meses têm sido carrascos. Na verdade eu já deveria estar acostumado, passei pelas mesmas situações na juventude e não sei como suportei. Existem pessoas capazes de sobreviver às maiores tragédias e no fim ainda dar uma lição de vida. Definitivamente não sou esse tipo de pessoa.

Hoje, entediado, após terminar uma página A3 toda aquarelada para o novo livro infantil que estou fazendo, pensei: mais uma para ficar esquecida numa pasta, mais uma para se juntar a tantas outras numa pequena literatura que fará parte de uma coleção que ninguém saberá onde encontrar para ler, sequer saberão que existe, a menos que eu a exponha numa rede social e diga: ARTE PARA LITERATURA INFANTIL e meus admiradores, que não são tantos assim, dirão: "Uau! Que ilustração bacana!" e depois esquecerão dela. Sim, você está certo, eu reclamo de barriga cheia, afinal, depois de suar a camisa por anos, consegui dar algumas soluções para o problema do branco do papel, como preenchê-lo com traços e cores e dar uma alma ao que ali vai sendo formado. Esta alma não será do agrado de todos, certamente, mas ainda assim ela estará viva e provocará reações e isto eu sei, não e para qualquer um. Muitos ainda labutam sem conseguir dar vida e personalidade aos seus desenhos mas conseguem enganar bem as pessoas, alguns até ganham bastante dinheiro. Pensando bem, esse negócio de alma na arte é uma questão de ponto de vista. Eu posso achar que os meus traços, por mais toscos que possam me parecer, tenham o poder de tocar o coração de alguém, outros acharão que meus desenhos não tem brilho algum..... Ok, ok, vou parar, eu sei que como filósofo eu sou de uma mediocridade de dar dó!

Eu deveria ter continuado trabalhando, afinal, como sempre, esses projetos tem prazos apertados, mas parei para comer algo e depois fui ver um episódio de uma série e em seguida procurar uma arte que foi comprada por um admirador. Abri muitas caixas e envelopes e fiquei perplexo com a quantidade de desenhos que já fiz nessa vida. Muitos permanecem inéditos do grande público, principalmente uma série para livros didáticos que nunca foram publicados. Como sonhar ainda não paga imposto, pensei: "Cara, se um dia meu nome se tornar alguma coisa além de que é atualmente e eu morrer, minha família pode faturar uma boa grana num desses leilões da vida, pois o que não vai faltar é desenho para vender ou publicar postumamente." Ah, como estou cansado! Mas não dá pra parar e beber um pouco d´água, simplesmente porque não há água, tampouco onde sentar. A vida exige que eu continue ininterruptamente e assim faço.

Não lembro exatamente porque fiz esse desenho da Mística (vilã mutante dos X-MEN que no cinema transformaram em heroína), mas aí está.


Hoje foi Dia das Mães, eu deveria ter vindo aqui mais cedo fazer uma postagem que falasse disso, mas pensando bem, dizer o quê? Agradeço a Deus que minha mãe está viva e bem. Meu beijo a todas as mamães que me visitam aqui.

Ainda não consegui colocar as mãos em meus desenhos pessoais mas hei de fazê-lo. Não sei até quando vou suportar a pressão, mas não vou desistir, essa palavra não existe em meu dicionário.

domingo, 30 de abril de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 07).


Amadas e amados, o cansaço é extremo. Não posso me delongar aqui. Estou nas etapas finais de uma HQ que era pra ter ficado pronta a uns meses atrás. Existem trampos que são muito acidentados, o que atrasou todo o meio de campo nessa fase derradeira foi a minha lesão na lombar, seguida de uma outra enfermidade logo na sequência (lendo a postagem anterior nem parece que já faz pouco mais de uma semana que fui ao pronto socorro!). Estou bem melhor, felizmente, mas ainda sinto dores se passo mais de uma hora na prancheta, quando me levanto os músculos costais da minha parte média do corpo ardem horrivelmente, refletindo nas minhas pernas, depois de uma caminhada pela casa já não sinto mais nada. Minha bexiga ainda me  avisa que tenho que procurar um especialista no assunto, mas para tanto eu preciso de dinheiro e, dinheiro...bem, existem algumas formas de conseguir, a única que conheço é trabalhando. Por isto, tenho que ignorar o desconforto, a ardência na vista, a dor na mão, o cansaço das longas horas na mesa e seguir em frente, fazendo a única coisa que presto para fazer: tentar dar formas e vida através de traços e cores na superfície do papel.

Sabem, eu odeio muitas coisas, uma delas é trabalhar sob pressão, cobrança. Eu preciso de tempo para achar a forma correta, a expressão adequada, o gestual que acompanhe o texto, a luz precisa que trás a atmosfera que imagino provocará uma reação no expectador, pode ser que tudo seja uma ilusão paranoica e megalomaníaca da minha cabeça doente, mas é como eu sinto que devo fazer o meu trabalho. Mas eu entendo que existem prazos a cumprir, outros envolvidos tem suas agendas e suas datas, pois se depender de mim eu risco e apago o desenho mil vezes até encontrar o que imagino ser a nota certa. Sou um profissional e vou entregar o que prometi até amanhã no final da noite, mas dificilmente minha alma estará inserida neste material por mais bem desenhado que fique.

Isto posto, me despeço de vocês agradecido a Deus por ter me concedido mais uma semana de vida e produção.

Fiquem com mais uma imagem do clássico a Escrava Isaura (recordando que nestas ilustrações eu usei apenas pincel na finalização),

Abraços para os gatões e beijos nas gatinhas.

Fui.


domingo, 23 de abril de 2017

O COMEÇO DO FIM.


A sexta última (feriado) me encontrou bem cedo diante da UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Depois de uns dias mentalmente e fisicamente bem desconfortáveis eu resolvi procurar ajuda médica no serviço público de saúde. Na verdade, a minha lesão no músculo lombar já estava bem melhor, o que me levava ali era outro problema. Entrei e fui conduzido pelo guardinha até um guichê. Lá uma morena perguntou o que eu estava sentindo, respondi e ela pareceu não ouvir. Pegou meu pulso esquerdo e colocou aquele aparelhinho de verificar a pressão. Estava em 15 - assim, redondo! Depois ela enrolou uma  pulseira de papel de coloração verde no mesmo pulso e me indicou outro guichê. Lá uma mocinha me pediu identidade e digitou meus dados, me levou até um local amplo com muitas cadeiras e várias pessoas sentadas esperando. A UPA estava limpa e bem organizada, o problema é que tem gente demais para poucos médicos e seus assistentes,

Me sentei diante de uma tv, mas não havia programação, só as propagandas sobre o SUS. Pelo menos fui poupado de ver os jornalistas e atores da Globo. Acho que decorei cada palavra do programa de conscientização sobre o câncer de mama. Foi bom, já passei tudo para a Verônica.

Depois de um longo tempo chamaram meu nome. Fui atendido por um médico bem jovem, se bobear não tinha nem trinta anos. Expliquei o que me incomodava e ele replicou me informando o que eu já sabia a muito tempo, o que eu precisava, na verdade, era de alguma coisa para alívio, ainda que temporário, do problema, enquanto eu não me consultava com um urologista particular. Ele pediu alguns exames, um de sangue e outro de urina, dependendo do resultado ele indicaria alguma medicação.

Fiz os procedimentos. A outra morena que colheu meu sangue disse que os resultados demorariam umas seis horas para ficarem prontos. Ok, eu disse, então volto mais tarde para saber o resultado. Ela: "Nããão! O senhor tem que ficar aqui, se sair será "abandono de consulta!" Perplexo, não respondi nada. Posso pelo menos procurar um orelhão para ligar para a minha esposa avisando que isto vai demorar? Perguntei. Detalhe, como vocês podem ver ainda sou do tempo em que se usavam orelhões, não ando com celular. A morena me falou que eu poderia ligar da sala da assistente social, mas que eu teria que esperar pois não havia ninguém lá naquele momento.
Depois fui direcionado a uma sala cheia de gente sentada tomando soro. O que eu fazia ali? O médico prescreveu soro para o senhor. Soro?!? Pra mim?!? Não questionei, sentei-me assim que vagou um lugar. Me furaram de novo e o soro descia em gotas rápidas para as minhas veias.

À minha esquerda, uma jovem que tinha as proporções de um rinoceronte gemia dolorosamente, "Aaaaah! Aaaaaah! Eu...não aguento!" Soube depois que ela sofrera uma lesão na lombar, como eu, dias antes.
À minha direita um rapaz de uns dezoito anos me olhava sorridente, usava bermudas e boné, bigode ralo, falou; "Porra, tomei todas ontem, tá ligado? Quase tive coma alcoólico. E hoje a noite tem mais!"
Eu ouvia a voz de uma mulher em algum lugar, voz alta, falando sem parar, dizia que havia trabalhado muitos anos para uma família, ficou doente e a despediram sem pagar direitos, pensou em colocar na justiça mas preferiu não fazê-lo pois o mundo dava voltas e um dia ela estaria por cima e a tal família por baixo e ela riria deles. Quando ela saiu vi que era uma negra com quase dois metros de altura.
Uma senhora jovem, de uns quarenta anos, excelente aspecto físico, se lamentava penosamente de dor, estava em seu quintal quando foi picada por algo, provavelmente escorpião.
Tudo isso eu ia ouvindo e observando quando notei que um líquido escorria do meu braço e ao invés de entrar soro em minha veia, saía sangue dela para a mangueirinha. Hei, disse para a auxiliar de enfermagem, acho que há algo errado aqui! "Não, falou ela retirando a embalagem de soro do suporte e me entregando, está tudo certo. O soro acabou, o senhor pode sair e esperar lá fora." Mas com isto espetado no meu braço?!? "Sim, se houver alguma medicação receitada pelo médico após o resultado dos seus exames não precisaremos furá-lo de novo!"
Se houve um momento onde me senti de fato velho nesta vida foi aquele, eu segurando o invólucro do meu soro com uma mangueira entubada na veia. Ainda bem que não era uma sonda por onde sairia minha urina ou coisa pior.

Procurei a Assistente Social e pedi para usar o telefone rapidamente. Falei pra Vera que provavelmente eu iria demorar bastante ainda. O restante do tempo eu passava sentado, vendo os anúncios do Sistema de Saúde Brasileiro e indo ao banheiro urinar (meu problema requer ida constantes ao mictório) ou andando pelos corredores do lugar. Muitas mulheres jovens com seus filhos nos braços, infantes chorando e vomitando, idosos em cadeiras de rodas, uma delas não tinha um pé. Diabetes? Possivelmente. Um rapazinho de bela aparência facial, paraplégico, agonizava de dor por algum motivo, uma senhora que estava na sala do soro pedia a Deus que o resultado de seu exame não acusasse apendicite.

As horas passavam e com certo pesar vi o jovem médico que me atendeu ir embora. No final da tarde os resultados chegaram e finalmente meu nome foi chamado por uma médica gorda de rosto e olhos muito bonitos. Olhou rapidamente minha ficha e meus exames e disse que os resultados não acusavam infecções nem inflamações, tampouco vírus ou bactérias. O que me atormentava devia ser algo que só uma consulta com o urologista poderia atestar de fato. Eu já desconfiava. Pedi algo para aliviar meu incômodo e ela prescreveu um Buscopam Composto (estou tomando, não fez muito efeito, até agora).

Um dia inteiro perdido naquele lugar.

A noite tinha chegado. Agora eu precisava batalhar grana para uma consulta particular e os exames que certamente vão pedir. Não posso demorar, cada segundo conta.

Ao voltar pra casa, no asfalto, vi sangue, tripas e ossos esmagados. Pela coloração da calda vi que se tratava de um gambá.

O desenho de hoje é mais um esboço no meu Sketchbook para um fã do felino taciturno.  







domingo, 16 de abril de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 6)



Ê, feriadão! Não estão sendo dias auspiciosos, minha lesão nas costas e a obrigação de trabalhar nas páginas finais de O BICHO QUE CHEGOU À FEIRA, tornou tudo mais amargo, repouso é absolutamente necessário neste caso mas eu tive que me virar para não deixar a peteca cair e muito menos comprometer a qualidade do trabalho, lentamente a produção segue; como se não bastasse, uma velho problema no meu organismo, que pensei estar controlado, resolveu despertar. Tudo isso em meio a uma destas crises financeiras que nos socam o nariz de surpresa, impedindo de achar soluções mais eficazes.
C´est la vie! Seguimos o curso do rio, tentando não desanimar. Por isto mantenho este blog e minha página no Facebook, para dar uma satisfação aos que gentilmente apreciam os meus traços e cores nos papéis.

O QUE TENHO LIDO? Para a minha vergonha, confesso que não estou lendo nenhum livro. Não tenho realmente tido tempo. Para não dizer que estou em jejum completo estou lendo uma HQ chamada O PERFURA NEVE, um clássico da BD francesa que acabou virando um filme que nunca assisti chamado O Expresso do Amanhã. O álbum pesadão foi um presente dado pelo amigão Elton Borges Mesquita (gratíssimo brô!) e estou achando interessante, embora a primeira parte do mesmo seja bem superior às duas partes posteriores (pelo menos até agora).

O QUE TENHO OUVIDO?  Eu vou e volto sempre revirando meu velho baú de canções e bandas do passado, nestes últimos dias só estou curtindo Queen. Acho que não preciso dizer mais nada.

O QUE ESTOU ASSISTINDO?  Algo a ver com quadrinhos sempre me chama a atenção, estou na metade da série PUNHO DE FERRO. Na minha opinião, pouco a ver com o herói dos gibis. Tá tudo lá, o acidente aéreo que vitimou os pais do herói, as pessoas que tomaram sua fortuna, o punho que fica iluminado e tal, mas não sei, fora o Demolidor, as séries da Netflix não conseguem fazer justiça aos personagens do papel. Mas não posso dizer que Punho de Ferro seja de todo ruim, Luke Cage foi uma decepção, mas esta até que distrai um pouco. Só acho falta de muitas artes marciais, que deveriam ser o ponto central da série. Até agora é esquecível.

Assisti, baixado da internet a KONG E A ILHA DA CAVEIRA. O que posso dizer? Gosto de filme de monstro, ignorei a história rasa e deixei o menino em mim vibrar com a porradaria entre o gorilão e os lagartões daquela ilha maldita. Os atores? Bah, nem Marlon Brando consegue superar o King Kong!


Bem, a arte de hoje é mais um momento de A Escrava Isaura.

Até a próxima, meus queridos e queridas!