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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

LENDAS DO SUL ( CENA 03 )

Computador é uma benção, ajuda demais, mas quando dá pra dar problema não tem igual. O meu anda lento, demora pra abrir as páginas, telas somem do nada e tudo o mais que dá uma dor de cabeça danada. Vírus, pensei eu. Claro, o que mais poderia mostrar estes malditos spans em cada página que abro? Agora mesmo, enquanto digito, tem uma foto de uma garota bonita com as pernas abertas dizendo que quer me conhecer, há um número de celular piscando e abaixo desta foto uma propaganda de bomba peniana, bem no canto direito da tela. Se não estivesse tão irritado eu até daria risada.
Verifiquei o anti-vírus e me informam que está desatualizado. Cacete, não tenho tempo nem dinheiro para reparar isto agora! Sou totalmente ignorante no que se refere a informática. Não dá pra prescindir do meu pc agora, há muito trabalho. Vou achar uma solução rápida, mas não dá pra ser nem hoje nem amanhã, ou não recebo semana que vem.


Quero manter este blog atualizado, então fiquem com mais esta cena do livro de lendas.

Beijos nas gatinhas e abraços nos gatões.
Se o Todo-Poderoso nos permitir nos veremos semana que vem. Até lá.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

DETESTO ACORDAR CEDO.

A afirmação que dá título a esta postagem não é inteiramente verdadeira, na verdade eu SEMPRE acordo cedo, me desagrada é a obrigação de ter que madrugar, tipo, um compromisso qualquer que me imponha sair da cama as cinco ou seis da manhã, como tem acontecido para as consultas médicas nos últimos tempos. De resto é bom lembrar que não me deito antes da uma da manhã. Sou do tipo que precisa das oito horas de sono para funcionar adequadamente (algo que nos últimos anos não foi mais possível).

A última vez que tive que levantar com as galinhas foi semana passada, eu precisava chegar na editora que me encomenda serviços antes das nove horas, e o local é longe pacas (não há exagero, é longe mesmo!), daí era necessário eu estar em pé entre seis, seis e meia, por aí, para tomar café com calma, banho sem pressa, essas coisas. Aí aconteceu algo que é frequente nestas ocasiões, na expectativa perdi o sono umas quatro da madrugada, não consegui dormir mais. Silencioso para não acordar a Verônica vim ao estúdio, trabalhar um pouco e tentar organizar minha bagunça. Me banhei e comi devagar, quando ela acordou eu já estava pronto para sair. Beijei-a e ganhei o mundo. Um ônibus e dois metrôs até o outro lado do planeta.

Nestes horários os coletivos só andam lotados, entupidos de todo tipo de gente qua a pobreza pode gerar.
Meninas que deviam brincar de boneca com crianças no colo, velhos estropiados, gordas faladeiras, celulares em boa altura sintonizados em funks insuportáveis e por aí vai. Este circo de horrores parece muito comum em áreas onde reina a subcultura, desnutrição e falta de saneamento. Por exemplo, no trem haviam duas mulheres com vestidos de noite portando uns sacos plásticos enormes cheios de bugigangas. Provavelmente possuem algum comércio informal e vão lá vender suas quinquilharias, o interessante realmente é a indumentária inadequada num corpo, digamos, incomplacente. Uma delas trajava um micro vestido verde estampado, ela não tinha bunda nem cintura, sem pescoço, tronco curto, o que evidenciava as pernas muito longas e finas. Sei que pareço arrogante , severo, implacável e elitista dando estes detalhes, e talvez até seja mesmo, mas prefiro pensar que não sou hipócrita, na verdade me sinto até a vontade entre pessoas assim, muito mais que no meio de gente da "alta", o que me incomoda de verdade é não ter lugares para sentar e ser obrigado ouvir essas músicas horríveis nos onipresentes celulares (estas não dá pra aguentar mesmo!).


A editora parece a Bélgica plantada na parte mais precária da Índia. Lá tudo é formoso, organizado, limpo e arejado. Sou sempre muito bem recebido. Parece que meus rabiscos foram de tal forma apreciados que todos os funcionários me conhecem e me reverenciam. Fico sem graça, mas depois de muita relutância, aceito o apreço e os elogios. Batalhei muito para chegar até aqui e embora tenha muito ainda o que aprender, sei que esta é a minha porção nesta vida, a recompensa pelos anos de estudo e esforço. Não nego que trocaria muitas palavras, apertos de mãos, autógrafos e poses para fotos por um substancial aumento de salário, mas aí talvez seja pedir demais.
Embora seja chamado de "mestre" por muita gente, muitos desenhos ainda são rejeitados, é o caso destes que vemos hoje. Não foram aceitos. Para os livros que eles tem em mente preciso simplificar o traço e subtrair os detalhes. O cliente manda.


Meu retorno para casa foi tranquilo. Estava malemolente, sonolento, mas não me dou ao luxo de perder tempo, há muito ainda o que fazer, ô se há!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

LENDAS DO SUL ( CENA 02 )


Queria ter mais tempo para compartilhar com vocês umas ideias por aqui, mas por hora não é possível. Não se trata só de tempo curto e trabalhos - como sempre - com prazos apertados, estou meio cansado mentalmente; desenhar, ainda que obras comissionadas, relaxa minha mente (a menos que sejam estas artes encomendadas cuja execução é sejam um pé no saco e teimam em não sair), mas escrever é diferente, tenho que maturar a coisa, traduzir em frases de forma bem clara o que me vai na alma; depois faço mil e uma revisões (mesmo assim ainda passa batido uma porção de erros), aí já viu né, perco tempo demais e não divido direito com vocês as minhas meditações.
Mas deixa estar, uma hora sento aqui e os pensamentos transmutados em palavras escritas rolarão de forma natural.

Mais uma imagem de Lendas do Sul, outra cena do Boitatá.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

MY CRAZY SKETCHBOOK ( 02 )



Sabem o que gosto de fazer quando não estou fazendo nada? Desenhar monstros. Sério, nada me relaxa mais do que pegar meus caderninhos (que tenho a pachorra de chamar de sketchbooks), empunhar a caneta e rabiscar meus monstrinhos. Os lovecraftianos são os mais divertidos. Começo de um ponto qualquer, geralmente no canto superior esquerdo da página e vou riscando sem pensar demais no que vai sair, aí vou agregando uns detalhes aqui outros acolá e no fim sai umas coisas esquisitas, desenhos que normalmente não mostro pra ninguém, afinal, só interessariam a mim mesmo. Tenho montes de caderninhos de rabiscos, cheios de desenhos despirocados. Quase sempre trabalho neles em pé, geralmente em filas de bancos. Parei de desenhar em coletivos em movimento, os solavancos não me permitem um traço preciso, embora precisão não seja uma ambição em artes assim, mas não vamos exagerar. As vezes crio coragem e coloco alguma coisa aqui.

Acho que a ideia de um caderno de esboços surgiu para o artista colocar no papel aquele imagem que lhe surgiu na mente e pode desaparecer se ele não registrar naquele preciso instante. Ou congelar na folha aquela cena pitoresca que ele sorrateiramente observa. Ou ainda, tracejar uma arte em desenvolvimento na sua cachola e ele precisa visualizar naquele momento, esperar para chegar ao estúdio pode ser fatal e a cena diluir-se para não mais se materializar na sua imaginação...qualquer que seja o motivo, não é exatamente o meu caso, estes desenhos eu faço somente para relaxar, nada mais. Me divirto fazendo isso, sai muito naturalmente. Claro, não faço somente monstros, tem bárbaros, heróis, pequenas batalhas, muitas figuras femininas, cenas eróticas, animais, confusão...bem, falando assim deixo transparecer que eles tem uma importância muito grande. Pra mim, tem sim. Não importa se é uma pintura ou um sketch, tenho apreço igual por cada coisa que faço, embora nunca fique inteiramente satisfeito com minhas criações. Parece-me as vezes que nunca atingirei o ponto, nunca encontrarei a nota certa. Se um dia conseguir, a busca terminará? 


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

LENDAS DO SUL ( CENA 01 )


Segunda feira radiante, sol esplendoroso no céu de um límpido anil. Apesar disto tudo existem pessoas que não acreditam em Deus, mesmo observando os milagres que se renovam a cada manhã matematicamente.

Aqui no meu estúdio curiosamente não está calor. Rabiscando no papel para encontrar o tom certo do traço, os contornos vão se formando, ganhando vida, estáticas, ainda assim, vida, com expressão e mensagem, basta saber interpretar.
As águas da existência vão seguindo seu curso.

Lendas Do Sul foi um livro que terminei há uns meses atrás. Esta cena retrata uma das versões do Boitatá.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

ZÉ GATÃO: PESADELO E CATACLISMO.

Estou aqui carregando as baterias para iniciar alguns esboços a serem apresentados ao editor dos livros didáticos de literatura do ensino médio. Assim que acertarmos o tom certo do traço começo mais uma maratona de ilustrações a fim de que fiquem prontas o quanto antes; essas produções são sempre assim, os prazos muito curtos. Na verdade esta história de carregar as baterias como me referi acima é mais uma forma simpática de dizer que estou tentando espanar as teias de aranha da cabeça e arejar o espaço para a mente começar a trabalhar e nada mais salutar que trocar umas ideias aqui com vocês para começar.

Este ano teremos mais um FIQ (ocorre a cada dois anos em Belo Horizonte), um mega evento de hqs que trará algumas estrelas internacionais bastante admiradas pelo público fã desta ainda tão subestimada forma de arte e algumas do nosso próprio firmamento. Muito legal tudo isto. Não ouvi mais falar do festival do Rio de Janeiro que deveria ser anual, será que perdeu o pique mais uma vez?
Bem, tudo isto me trás à mente o fato de que o nosso mercado interno de quadrinhos continua inexistente, exceto é claro para o Maurício de Souza, que possui tradição e divulgação em larga escala. Álbuns são anunciados em diversas partes do país, mas são tiragens baixas, que chegam a uns poucos. Mas penso que no fundo deva ser assim assim mesmo, as melhores obras geralmente nascem da sarjeta. Só é pena que muita coisa fique fora do alcance do grande público. Li coisa realmente muito boa que a maioria nem sabe que existe, e tem muito material que me escapa por não estar mais próximo da vista, pois tenho dificuldades de comprar material pela internet, onde geralmente são vendidos.


Foi por conta destas e outras tantas dificuldades que eu desisti de criar meus próprios quadrinhos, mas vez por outra surge a tentação com uma força avassaladora. Faz anos que planejo uma saga final para o universo de Zé Gatão, o apocalipse dos animais, como gosto de pensar. Mas me aventurar no terreno pantanoso de criar um material complexo e longo sem saber se terá ao final de tudo uma editora que o viabilize, amarra minhas mãos. O final ainda inédito de Memento Mori, me serve bem como fechamento de uma obra, por isto eu dei a coisa como encerrada ali mesmo. Mas ainda existem coisas a serem contadas, como o cumprimento das profecias da Pitonisa, um Zé Gatão decadente e o embate trágico entre mamíferos, insetos e os seres dos mares. Acho que é algo que valha a pena o sacrifício. Por isto decidi que vou contar esta história. Só não sei ainda quando, meu tempo se tornou muito escasso e ainda tenho muita coisa na fila, a bio do Edgar Allan Poe é uma delas, e é um trabalho difícil pacas. Mas está na pauta. Só preciso me acertar e colocar no papel as ideias que por enquanto só estão na minha cabeça.
A imagem que vemos nesta postagem não é exatamente uma cena a estar presente na narrativa, é mais um conceito, algo que me direcione ao tom certo do que desejo expressar. Gosto destas ilustrações, viajo nelas, imaginando um sem número de aventuras onde meu felino possa estar presente, lutando por sua sobrevivência, como luto pela minha.

Mas vamos aguardar os acontecimentos, não posso me afobar, vou construindo a coisa com calma, se Deus quiser. Fora que tenho material (hqs curtas) que dariam pra encher mais um álbum.

Desejo a todos um bom final de semana.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

WEEK SUFFERED.



Queridos e queridas, voltei! Seria legal dizer que retornei dos mortos, ou quase; a verdade é que não chegou a tanto, mas foi uma semana bem complicada, uma das piores dos últimos anos, e dramático como eu sou (na maioria das vezes, não sem causa) eu temo que seja o início de tempos ainda mais inglórios.
Tudo isto desencadeado por causa de um único exame e o que insistem em chamar de "erro de comunicação". Esses tais erros de comunicação já levaram pessoas à morte em procedimentos relativamente simples. A vida é muito frágil.

Verônica não quer que eu me exponha, então não vou dar detalhes, só adianto que sofro de um problema que é comum aos homens mas que no meu caso ele se antecipou uns quinze anos, segundo os médicos.

O campeão dos pesos pesados, Evander Holyfield, aposentou-se precocemente dos ringues alegando ter sérios problemas do coração, retornou arrasando tempos depois (vencendo Mike Tyson por duas vezes, inclusive) testemunhando que Deus o havia curado. Estou ciente que Jesus pode me dar um organismo totalmente novo, só não sei porque Ele o faria, afinal a vida tem de seguir seu curso.
Ainda me sinto um pouco debilitado, mas aos poucos as coisas vão se normalizando. Quero agradecer sinceramente àqueles que mesmo em silêncio torceram por mim. Valeu mesmo.

Vamos nos falando.