Total de visualizações de página

domingo, 22 de dezembro de 2013

VOTOS.

DESEJO A TODOS VOCÊS, AMADAS E AMADOS, QUE TEM A GENTILEZA DE ME VISITAR AQUI, UM FELIZ NATAL E UM 2014 CHEIO DE VITÓRIAS SOBRES AS BATALHAS.

QUE NÓS POSSAMOS NOS ENCONTRAR SEMPRE POR AQUI PARA UMAS ARTES E ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A VIDA.

ATÉ O ANO QUE VEM.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

UMA CASA COM MUITAS ESCADAS.


Se a memória não me trai, foi em 1969 que eu e minha avó fomos morar com meus pais. Pode ter sido também em fins de 1968, nem minha mãe está muito ciente disto, o certo é que foi logo depois da morte do meu avô e pelo que minha mãe conta, foi um período extremamente amargo na vida dela, tanto que ela não gosta de relembrar aqueles tempos, eu não forço a barra.

De início moramos na casa da dona Bárbara, uma alemã, amiga do velho Schloesser. A residência situava-se próximo à base aérea de Cumbica, ficava numa rua de chão, com uma ladeira que seria impossível esquecer pois foi ali que meu pai me ensinou a andar de bicicleta. Era uma época em que os guris não eram tratados a pão de ló e leite com pera, eu sofria minhas quedas, me ralava todo e meu pai me dizia, levante-se e tente de novo.
A casa ficava num ponto elevado da rua, subíamos vários degraus até chegar à porta principal. Me impressionou as dimensões daquele lugar. Ali eu tive contato com as coisas que viriam a fazer parte da minha vida: arte e fantasia. Haviam livros e revistas em quadrinhos. Um grosso volume de papel amarelado e espesso exibia imagens fascinantes de fábulas conhecidas como Chapeuzinho Vermelho (seriam de Doré?). O marido de dona Bárbara era um italiano, talvez por isto tivesse por ali vários volumes de Topolino, como eram conhecidas as revistas do Mickey na Itália. Claro que eu não sabia ler aquilo, mas devorava as figuras, me impressionava muito a violência de algumas histórias, principalmente a forma bruta com que um dos Metralhas tratava seus irmãos.
Não tinha ainda tido contato com televisão, havia uma por lá, de madeira e válvulas, mas sobre ela eu falo mais adiante, mas deixa eu adiantar que foi através dela que conheci o Brejeiro e o Marinheiro, mascotes de
uma importante marca de arroz da época. Os sacos de cinco quilos vinham com bonequinhos de brinde e foi para mim uma maravilha ter nas mãos os personagens que via nas propagandas de tv.





Talvez para recuperar o tempo perdido, meu pai sempre que podia estava comigo, me ensinando alguma coisa. Uma lembrança forte que eu tenho foi numa das primeiras vezes que nos falamos a sós e ele me perguntou se eu sabia quais eram as cores da bandeira brasileira. Abobalhado, eu balancei a cabeça em sinal de afirmativo. "Não, não balance a cabeça, responda." Sim, disse eu numa voz fina e nervosa. "E quais são?" Eu que nem sabia exatamente o que era uma bandeira, fiquei mudo. Ele me ensinou isto e também todo o alfabeto. Recordo que ele e meu tio Etevaldo me fizeram decorar todos os estados e capitais brasileiras. "São Luís é capital de qual estado?" ARANHÃO, respondi. Gargalhadas. "Não, é Maranhão." Aprendi bem aquilo tudo, tanto assim que meu tio me levou certa vez a um bar onde ele costumava beber e disse aos outros bebedores: "Meu sobrinho conhece todos os estados e capitais do Brasil!" Os caras fizeram perguntas e eu não errava. Eles me presentearam com muitos doces naquele dia.
Meu pai usava uma cartilha para me ensinar a ler, eu aprendi na base de muitos bofetões. Desenvolvi, por este motivo, um medo dele que beirava a insanidade, e quanto mais o temia, mais o admirava, queria ser como ele, saber o que ele sabia, rir como ele ria (alguma semelhança com Kafka?). Ele trouxe do ministério uns enormes cadernos de folhas grossas e eu tinha que copiar meu nome cem vezes, depois os nomes de minha mãe, da minha avó e o dele próprio. Se eu não completasse a tarefa até a hora dele chegar - geralmente no princípio da noite - eu levava uma surra. Certa vez ele exagerou e me lembro bem que minha avó e minha mãe, que também morriam de medo dele, tiveram que me lavar numa bacia com salmoura.

A televisão era um escape e tanto, um dos primeiros programas que assistia passava a noite, era o do Topo
Gigio e era apresentado pelo humorista Agildo Ribeiro. Fiquei fascinado pelo ratinho italiano. Não demorou e fui estudar formalmente, não exatamente num colégio, mas com uma professora particular. Bem, também não era tão particular assim, ela tinha outros alunos em sua casa. O local ficava na base aérea e a mestra era esposa de um oficial. A casa dela ela muito aprazível. Não tem como me esquecer dela por três motivos: Um - por eu falar muito no rato italiano ela passou a me chamar de Gigio. Foi o primeiro e único apelido que tive na vida. Ao longo da minha existência tentaram me pôr outros: He-Man, Conan, Supermouse, Bronson, mas nenhum pegou por muito tempo, aliás, nem o Gigio, pra falar a verdade. Acho que desde cedo nunca me importei com este tipo de coisa, apelido pega quando ele te irrita ou quando você gosta tanto que o incorpora.
Dois - certa vez ela soltou um peido, aspirou profundamente e disse: "Ah, que gostoso!"
Três - a filha dela, que devia contar com uns 16 anos, reproduzia uma figura do Pateta, da Disney, em seu caderno, era idêntico ao original. Quero fazer isto. Não foi exatamente um desejo consciente, mas uma vontade de colocar no branco do papel as coisas que me impressionavam. Aquela foi a primeira vez na vida que senti ardentemente alguma coisa: o desejo de desenhar, e desenhar bem.

Agora, nos cadernões do ministério, além de copiar cem vezes as palavras que me eram ordenadas, eu também tentava desenhar meus heróis. Alguns deles eu conheci primeiro na tv, foi o caso do Superman com o George Reeves, eu era fissurado no herói, vê-lo tirar o terno, mostrar o "S" no peito e pular pela janela do edifício, alçar voo e salvar quem precisava de ajuda era sempre uma emoção renovada. De verdade, eu
pensava que ele existia. Certa vez, na entrada da base, para ir à aula, eu teimei com dois soldados do portão que o Super-Homem existia, EU TINHA VISTO NA TELEVISÃO.


Outro que me causava deslumbramento sem igual era o Batman, com o Adam West. Aquela série marcou demais a minha infância. A cada final de episódio eu ficava louco pra saber como ele e o Robin iam escapar das armadilhas criadas pelos vilões. Julie Newmar na pele de Mulher-Gato causava em mim um êxtase inexplicável.



Não perdia também nenhum episódio de National Kid. Já comentei sobre ele em um post mais antigo.
Inesquecível também era o Zorro da Disney, cujo protagonista era o Guy Willians.
Cisco Kid  e seu amigo Pancho também foi largamente desenhado (se é que aquilo podia ser chamado de desenho) nos meus cadernos.
Eram os personagens que me encheram a infância de enlevos.



Entre o aprendizado, bofetões, tentativas de desenhar e programas de televisão, eu passava meus dias em companhia de uma cadela vira-latas que ficava confinada numa área superior do quintal da casa. Tinha que subir vários degraus de escada para chegar até onde ela estava. Era a minha companheira, uma vez que não havia outra criança para brincar. Para minha vergonha evoco que eu fazia uma maldade com ela, pegava-a pelas patas dianteiras e rodava bastante e soltava num certo momento. Mas o pobre animal sempre vinha com o rabo entre as pernas pra perto de mim. Por muito tempo eu achei que todas as desditas porque passava eram mais que merecidas por brincar de forma violenta com um bicho tão meigo. Não consigo me lembrar a quem pertencia aquela cachorra, nem que fim levou.

Eu fazia muitas perguntas e torturava minha mãe com elas. E eram as questões mais idiotas. Naquela época havia um cantor da Jovem Guarda, muito popular, chamado Eduardo Araújo (sim aquele mesmo do carro vermelho e que não precisava de espelho pra se pentear), por ter o mesmo nome que ele eu achava que quando crescesse eu iria me tornar ele, e dizia pra minha mãe que queria ser eu mesmo. Mas você vai ser, dizia ela, mas eu teimava e continuava achando que ao ficar adulto eu iria automaticamente me transmutar num outro cara. Eu não conhecia nenhum outro Eduardo. Minha mãe era cantora, cantou muito em rádio e programas de tv da época, mas meu pai não lhe permitiu seguir carreira como a Ângela Maria. Ela tinha longos cabelos negros que lhe chegavam até a altura dos lombares, certa tarde ela apareceu com as madeixas cortadas nos ombros. Acho que uma nova vida começava pra ela.

Uma vez ao chegar do trabalho meu pai me trouxe a Mônica nº 1, acho que aquele foi o primeiro gibi que tive na vida.


Minhas tentativas de desenhar continuaram e meus pais me deram uma ferramenta que me deu autoconfiança, um Desenhocop. Era um caderno em espiral com folhas de papel vegetal com desenhos de bichos, momentos marcantes da história brasileira e etc, os desenhos eram como carbonos, colocava-se uma folha branca por baixo e dava pra decalcar o desenho, não consigo explicar bem, mas vocês podem fazer uma ideia. Aquilo me deu motivação. Custavam muito caros na época, acho que tive uns dois ou três, se tanto.




Foi por este período que Deus não permitiu que eu morresse afogado, mas sobre este fato eu comento numa outra postagem, se tiver paciência pra tanto.
Eu vivia com medo e muito sozinho boa parte do tempo, não eram só os olhares duros do meu pai, nem as coças de minha avó, havia uma sensação de inadequação a tudo e achava que era pesado às pessoas.

Em algum momento eu soube que minha mãe estava grávida. No mês de outubro de 69 meu pai  subiu com meu irmão enrolado num cobertor amarelo e o deixou em cima da cama pedindo que eu tomasse conta enquanto ele e meu tio carregavam minha mãe sentada numa cadeira por todo aquele lance de escadas.
Fiquei observando a criaturinha que dormia envolto no cobertor. Aquele era o primeiro dos três maiores presentes que Deus me daria na vida.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

MARÍLIA DE DIRCEU ( CENA 01 )



Amadas e amados, bom dia.
As coisas continuam estranhas como sempre estiveram, não há debaixo do sol um momento prolongado de descanso, foi assim com os primeiros homens logo depois da queda do primeiro e de lá pra cá só piorou. Acho que me preocupo demais, penso demais, ou de menos. Já faz um bom tempo intento criar um texto específico para postar aqui e nunca consigo as palavras certas, o momento certo. Não é algo com o que eu deveria me importar, afinal, estas coisas só dizem respeito a mim, transforma-las em palavras e dividir com vocês é a mais pura vaidade. Como não consigo evitar, vou ruminando e uma hora a coisa sai. Meu problema maior é o tempo, como sempre. Atualmente estou de novo assumindo mais compromissos de que posso dar conta, é a maldita luta pela sobrevivência, não consigo terminar o mês com algum dinheiro sobrando, mas o nome que construí me possibilita ter atividade remunerada para pagar todas as contas, graças a Deus.

Os que me acompanham aqui desde o princípio sabem que tenho pronto uma antologia em quadrinhos chamada PHOBOS E DEIMOS, um dos meus livros mais amargos, cada história desenhada com uma técnica distinta. Ontem, depois de quase um ano, finalmente o editor de uma conhecida empresa paulista entrou em contato para informar que um projeto autoral deste porte não dá pra ser publicado por eles, é arriscado demais. Ele me sugeriu o Catarse. Acho que não, ninguém iria apoiar e isto colocaria uma pá de cal em minha auto-estima, ademais não tenho tempo nem saco para gerenciar este tipo de coisa, mas sei lá, sinto que este livro deveria chegar aos que gostam do meu trabalho, pois mostra algo bem diferente de Zé Gatão, quer dizer, nem tão diferente assim, mas este não é com antropomorfos. Bem, depois do banho de água fria preciso pensar direito no que fazer, adio qualquer plano em relação a isto para o ano que chega, se estiver vivo até lá.

Chega agora até vocês, meu cada dia mais reduzido e fiel público, as imagens de Marília de Dirceu de autoria de Tomás Antônio Gonzaga, poeta arcadista luso-brasileiro e um dos protagonistas da Inconfidência Mineira, para mim um dos mais enojantes episódios da história brasileira.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

ALGUMAS IMAGENS DO LIVRO DE ANATOMIA.



A corrida continua desabalada, não adianta os músculos das pernas reclamarem, nem os pulmões clamarem por descanso, a estrada se descortina à frente convidando a uma maior aceleração, parar significa perder, perdendo, corrompe-se a vida, morre-se, mesmo estando vivo. Um breve descanso talvez? Sim, muito breve, pois você pode ser ágil como um coelho e a morte muito lenta como uma tartaruga, mas sabe que ela vai vence-lo no final. Tome pois, distância enquanto puder, enquanto ainda existe algum fôlego.

Amadas e amados, perdoem-me, sei que como filósofo e poeta eu sou de uma mediocridade invencível, mas as vezes não resisto em usar essas metáforas para exprimir as sensações que a vida me trazem. Desabafo é necessário de quando em quando.


Mas falemos de coisas mais interessantes, esta semana estava dando uma faxina no meu computador e me deparei com estas fotos numa pasta. Eu havia me esquecido completamente delas, e nem tem tanto tempo assim, tirei-as no dia que chegou a caixa contendo meus exemplares da reedição (revisada e ampliada) do meu Desenhando Anatomia - Figura Humana. Ficou um livro bonito pacas. A Editora Criativo prima pela qualidade. Se alguém se interessar é só acessar este link:

http://www.artcamargo.com.br/product_info.php?cPath=40_870&products_id=10398


Sabem, já tentei comunicação com o blogger pra retirar a restrição a este nosso espaço e torna-lo de novo acessível a todas as idades, mas ainda não tive sucesso, que coisinha complicada! Isto deveria ficar ao critério do dono do blog, se ele quer só para maiores vai lá e clica, se decidir mudar de ideia, clica de novo e pronto, mas não é assim, sei lá porque. Quando puder vou tentar de novo.


Bom final de semana pra vocês todos. Abraços pros gatões e beijos pras gatinhas.







terça-feira, 10 de dezembro de 2013

TIMELESS, DE GILBERTO QUEIROZ.


Quadrinhos são muito difíceis de se fazer, textos e desenhos tem que ser coesos, passa-se muito tempo na construção de situações que prendam o leitor. Uma boa hq tem que ter um narrativa competente, clima e "musicalidade" própria, ou seja, aquele "Q" que a diferencie das demais. Repetindo: é muito cansativo e complicado. Não a toa, conversando com o Jô Oliveira em Brasilia certa vez, ele me disse que depois de ter feito tantas pranchas de quadrinhos em sua juventude, não tinha mais paciência para tanto, dava preguiça. No lugar de uma página de quadrinhos ele preferia fazer várias ilustrações para livros, que aliás, eram muito mais rentáveis.
Malgrado tudo isso, qualquer um que tenha habilidade para desenhar e uma boa história para contar pode criar o seu gibi. Se não formos contar o fator tempo (time is money), é fácil, basta ter papel, lápis, borracha e régua. Depois dela completa, você pode grampeá-la e ela está pronta pra ser passada de mão em mão e lida por quem estiver disposto. Se tiver uma graninha pode ainda ser xerocada e distribuída no meio da moçada da sua comunidade. Só isso? Sim. Assim nasceram muitas boas ideias e fanzines. Minhas primeiras histórias em quadrinhos foram criadas como descritas acima, e eu só tinha um único leitor, meu amigo Luca, meus irmãos eram muito novos na época. Claro que uma coisa mais profissional a conversa é outra. Dizem que hoje ficou ainda mais fácil fazer gibis. Eu não acho. Embora tenha sido publicado em editoras de peso ainda encontro muita dificuldade para lançar meu material, talvez pelo conteúdo ou por não haver mercado, o fato é que estou mesmo convencido de que o esforço não vale a pena, se ainda crio alguma coisa é pela grande necessidade de faze-lo, como aquele espirro que não dá para conter, mas atualmente faço apenas para mim mesmo. Ainda resisto ao crowdfunding e detesto ler hqs na tela do computador.


Bem, tudo que disse até agora foi para comentar que o amigo Gilberto Queiroz teve colhões para lançar sua própria revista. E num capricho de fazer inveja a qualquer editora de renome, excelente impressão, papel de boa gramatura e um acabamento perfeito.

Como diz a música, "o carteiro chegou e o meu nome gritou, com uma carta na mão", assim mesmo, e como é bom receber presentes desta natureza; um: por vir da parte de uma pessoa querida, dois: em dias amargos uma encomenda assim é como mel descendo suave pela garganta. Muito obrigado, Gilberto.


A obra contém três histórias, todas muito bem narradas e bem desenhadas, duas dela com roteiro de Rynaldo Papoy. Gostei particularmente do primeiro conto. Sinistro.


Alguém poderia argumentar que o desenho do Gilberto ainda está verde para este tipo de publicação, mas eu responderia que de certas frutas verdes ainda se fazem os melhores doces. Não parece ser a pretensão dele agradar pela arte, o desenho dele é o que ele é, sua marca, seu estilo, e ele, como todos nós, vai se aperfeiçoando a cada trabalho. E esta é a segunda obra que vem a público. Que venham outras. Mais detalhes você encontra aqui:
https://clubedeautores.com.br/book/154212--Timeless?topic=quadrinhos%28hq%29#.UqcckfRDtt1

PARABÉNS PELO ESFORÇO E CORAGEM, GILBERTO.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

FOTO DO PRIMEIRO DIA COM 51


Essa coisa de mostrar ou não a cara na internet já deu o que falar por aqui. Já postei fotos antes é claro, mas era numa outra situação. A família da minha esposa já pegou no meu pé por eu ser anti-social e tudo mais. Fizeram uma votação e quase por unanimidade querem que eu bote as fotos, todas o mais natural possível, só a Vera ficou do meu lado.
Ok, topei, desde que seja uma única e que fique no ar apenas neste fim de semana.
Então aí está (com minha cara sempre animada).


Até segunda ou terça, se Deus nos permitir.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

COMPLETANDO HOJE 51.


Este texto curto corre o risco de parecer piegas, paciência. Hoje completo aninhos e não teremos imagens, pelo menos até agora; fui fotografado hoje pela manhã pelo meu cunhado em meu ambiente de trabalho, sem camisa, descabelado e barba por fazer e ele insiste em que eu poste as imagens. Não, disse eu, nada de fotos em blogs e redes sociais. Raramente tiro fotos, antigamente tirava mais e nem sei porque o fazia. Não gosto da minha cara e nem leio meus contos e hqs (não sem morrer de constrangimento). Talvez mais tarde eu poste essas fotos de hoje aqui por um curto espaço de tempo. Talvez. Vou pensar a respeito. É, posso me dar ao luxo de fazer cu doce, afinal passei de meio século.
Ontem a noite, como faço todos os dias de minha vida, agradecia a Jesus, pelos meus anos, por este que eu tinha conseguido sobreviver, e como sempre senti uma pontinha de tristeza, a causa pensei eu, é que sou abençoado demais e não me sinto merecedor de tais bençãos. Longe de ser rico, vivo num lugar decente, faço mais de três refeições por dia, pago minhas contas, sustento família com desenho. Quantos podem se dar ao luxo? Livros publicados, um personagem marcante, um bocado de fãs que sempre dão retorno das coisas que faço, e penso, são só desenhos, tem um monte de cara muito melhor por aí. Acima de tudo, tenho pais e irmãos maravilhosos, uma esposa dedicada e paciente e ainda me dou ao luxo de reclamar e achar que podia estar melhor. Meus livros demoram demais pra virem a público, podia ganhar mais pelas minhas artes, ter mais fãs, morar num local melhor e menos quente e por aí vai. Sou é muito ingrato, isso sim.

Almocei hoje muito bem e tivemos uma excelente sobremesa, mas foi só. Não teremos bolo nem festa. Minha família está longe. Aqui sogra e cunhados com muitos problemas para darem conta. Amigos também estão distantes e eu tive muito mais do que merecia. Me basta. Estou satisfeito. Devo tudo isto a Deus e a vocês que me acompanham por aqui, digo isto de coração.
Obrigado a todos.
Este é o primeiro dia caminhando numa estrada já conhecida e convido vocês, amadas e amados, a caminharem comigo.
Até mais tarde, quando talvez eu poste umas fotos neste texto, ou talvez não. Ainda estou pensando.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

CONTOS FLUMINENSES ( CENAS FINAIS )



No words, just drawings.
We talk when I have more time.
Kisses to all.