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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

NO FIM DAS CONTAS, O LOUCO SOU EU.


Estou cercado de loucos.
É sério. Não é uma metáfora. Literalmente estou cercado de pessoas com problemas mentais.
À minha direita, na casa ao lado do meu prédio, vive um rapaz, de talvez uns 45 anos, que quando menos se espera explode numa fúria avassaladora, nestes acessos, ele grita coisas que a primeira vista seriam ininteligíveis. As palavras meio que se sobrepõe umas as outras numa velocidade digna de um narrador de corridas de cavalos. Eu e Verônica certa vez paramos para prestar atenção, são brigas que ele trava consigo mesmo, ou com quem discute com ele dentro de sua cabeça. No turbilhão de impropérios interpretamos as palavras "rapariga", "filha da puta" e outras do mesmo quilate. Não tem hora para começar. Pode ser de manhã, tarde ou madrugada, e termina tão abruptamente quanto inicia.
O cara é forte, alto, calvo, fuma compulsivamente e anda como um autômato. Já o vi na rua, a caminho da padaria, só suas pernas se movem, todo o resto do corpo permanece empertigado. Ele sabe que sou seu vizinho, quando me vê, seus olhinhos vazios, lacrimosos e esgazeados não demonstram emoção, ele sorri um sorriso que mais parece um esgar a título de cumprimento, as vezes faz um movimento de mão como um aceno. Ele vive com a mãe, uma senhora magra de aspecto frágil. Certa vez eu e ela fechávamos nossos respectivos portões, ela me saudou, depois disse: Espero que meu filho não esteja lhe perturbando com seus barulhos. Nada, disse eu. De fato a coisa não chega a me incomodar. Ela disse mais, que ele era esquizofrênico. Ficara assim aos dezoito anos de idade. Não havia uma razão aparente. Nos últimos tempos os problemas se intensificaram, a casa precisava de uma reforma e ele não aceitava. Não pode leva-lo para outro lugar enquanto o serviço é feito? Sugeri. Isto até seria possível, mas ele voltaria furioso; realmente não sei o que fazer. Desejei sorte e segui meu rumo. As vezes tem na casa uma festa de aniversário e ele parece uma pessoa normal, mas certa noite, da minha janela eu o vi em seu quarto repetindo inúmeras vezes o ato de pegar uma toalha, ir até a porta, voltar, por a toalha no mesmo lugar, tornar a pega-la, ir até a porta e voltar e assim por diante. Contei este movimento umas 45 vezes, juro. Aí desisti. Parei de bisbilhotar e voltei aos meus afazeres. O coitado deve ter varado a noite neste transtorno.
Moro num prédio, de dois andares, no térreo reside um casal com um vira-latas; quase não os ouço. O cara é problema, parece que a cabeça não acompanhou o desenvolvimento do corpo. É sempre muito polido quando me encontra. Nos seus momentos de insanidade ele arrebenta a casa toda. É impossivel ficar alheio ao caso. As portas batem, vidros da janela são quebrados, coisas são lançadas no assoalho. A mulher grita e acho até que já deu porrada nele, é um tipo franzino, alourado e de hálito desagradável, não deve ter mais que trinta anos. Os pais o sustenta. A coisa não me afeta, mas é chato quando os entreveros são na alta madrugada. Entretanto, as confusões não são frequentes.
Vizinho a eles moram uma senhora e dois filhos, cujo rapaz também é desiquilibrado. É um cara moreno, enorme, peludo, mentalmente eu o chamo de urso. Mas este cara fora uma ou outra discussão que tem com a mãe e a irmã, nem lembro que ele existe.
Na casa atrás do nosso prédio, escuto uns gemidos estranhos, não se trata de alguém em agonia ou coisa do gênero, mas alguém que não consegue se comunicar, Seria uma garota surda-muda? Parecia. Mas é mesmo uma moçinha com problemas mentais.
À minha esquerda... bem, à minha esquerda, no prédio ao lado há um cão, filhote ainda mas que está crescendo a olhos vistos que deve ter algum tipo de transtorno. O filho da puta late o dia inteiro. Na boa, eu sei que a única coisa que um cão pode fazer é latir, mas este deve ter algum tipo de demência. Meu estúdio fica naquela lateral e ouço o maldito latir por todas as horas do dia. Vai acabar tendo um câncer na garganta (espero). Quando digo o prédio ao lado, quero dizer praticamente colado ao meu. Meu som quebrou, então vocês podem imaginar o suplício que é ouvir as fofocas das empregadas, adolescentes babacas ao telefone, sem ter para onde correr, mas o que mais incomoda é o cão. E parece que não é só a mim. A pauta da última reunião de condomínio foi o barulho incessante do animal. Até agora os donos cagaram um quilo para as queixas. Ouvi dizer que o dono do cachorro é delegado de policia. O desgraçado late num tom esganiçado, concatenado, sem pausa para respirar. Sei lá, ouço cães latirem tipo assim: AU, AU, AUAU, AU, AUAUAUAU e por aí vai. Este vizinho late assim: AUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAU
Ou seja, deve ser louco também.
As artes de hoje creio que tem tudo a ver com o texto, a de cima foi criada recentemente, a de baixo foi um rabisco feito a muitos séculos.
Sei não meus amados e amadas que me prestigiam neste espaço, o doido no final das contas deve ser eu. Se não for, vou acabar ficando. Alguém duvida? Então troquem de lugar comigo.
Não, gosto demais de vocês para lhes desejar tal coisa.
Beijos a todos.
 
 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

MAIS INFANTIS.



Damas e cavalheiros, como vão?
Notaram como a semana voou? A rotina faz isto. Trancado no estúdio, saindo apenas para me alimentar, conferir os e-mails,  um pulo ocasional ao mercado  e quando vejo, a semana se foi. Chega a ser assustador!
Falando nisto, preciso voltar ao batente. Deixo com vocês mais algumas imagens do livro infantil de temática ecológica que fiz semanas atrás. Em fevereiro, se Deus quiser, volto a ilustrar os clássicos da literatura brasileira.
Um ótimo fim de semana a todos.







quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ACONTECIMENTO BANAL.


Houve um tempo em eu que gostava de tirar fotos. Hoje não gosto mais. No passado eu tentava fazer parte de grupos. Queria estar inserido. Pra usar uma liguagem moderna (bem, nem tão moderna assim), ser "IN" ao invés de "OUT". Hoje só quero ficar na minha.
Os tempos mudaram. 
Eu mudei.
Na verdade parei de tentar ser o que não era. A única vantagem de envelhecer é que os anos tenden a revelar o que se é na verdade. Assim você se sente a vontade para se aceitar. Se é baixo, é baixo, se é careca, é careca. Quem não se aceita, acaba caindo no ridículo usando peruca e enchendo os sapatos de palmilhas pra ficar mais alto. Havia um personagem no  volume colorido de Luther Arkwright - gibi de Bryan Talbot - um militar de porte, mas na verdade o cara era esquálido, tinha enchimentos no uniforme e outros apetrechos que salientavam o aspecto pomposo.  Eu queria ter tempo para fazer um paralelo entre o que afirmo aqui e algumas palavras do personagem Brás Cubas de Machado de Assis, mas fica para outra ocasião.
É lógico que  existem pessoas que são autênticas desde o berço, e outras que os anos não as convence, mas eu diria que são exceções, não regra.
Digo tudo isto porque agora me sinto a vontade pra narrar um fato que aconteceu o ano passado, e não estava confortável para faze-lo na ocasião. Fiquei temeroso de causar constrangimento às outras personagens da peça e pensando bem não há razão para tal.
Fui ao centro da cidade comprar materiais de trabalho e como de praxe, dei uma chegada na Livraria Cultura; estava folheando uns livros quando um casal jovem e elegante se aproximou de forma um tanto desconcertada e perguntaram se eu era o Eduardo Schloesser, o cara que criou o Zé Gatão (o rapaz que tinha um forte sotaque do Rio Grande do sul, errou a pronúncia do meu nome. Normal, todo mundo erra, até os que me conhecem de longa data). Surpreso, respondi que era eu mesmo. Começaram então os confetes, que eu era um artista fantástico e que Zé Gatão era foda. Comecei a ficar envaidecido. Eram casados, indaguei de onde eles me conheciam. De uma palestra que dei no MAMAN uns anos atrás, disseram. No ensejo eles estavam atrasados para outro compromisso por isto não puderam falar comigo. Um papo rápido e indagaram porque não lancei mais álbuns do felino e se tinha outros projetos de HQ que não envolvessem antropomorfos. Respondi. A moça era mais entusiasmada. Parecia gostar mesmo do meu personagem. Dizia que ele era lindo. Que comprou o álbum preto pelo Submarino por indicação de uma amiga que reverencia gatos, Sandman e cultura egípcia. As vezes essas coisas me assustam.
Estava até gostando do assunto. A vaidade pode ser como o alcool, em excesso pode ser nociva. é bom se policiar.
Num dado momento o rapaz perguntou se poderiam tirar uma foto comigo. Já tirei várias fotos com admiradores e é algo que não me deixa a vontade. Titubeante, respondi que não haveria problema. Mas tinha que ter o livro do Zé Gatão na foto, disseram. Então foram perguntar a um atendente se  tinham o tal gibi. Havia um exemplar na loja de São paulo, se quisessem poderia encomendar que chegaria em três dias. Poxa, que pena. Então indagaram se havia outro livro da minha autoria na loja. Havia o Livro de Anatomia da Ópera Graphica. Pegaram o livro. A esta altura eu já estava bem embaraçado. Queria que eles desistissem daquilo. Então pediram ao tal atendente, um rapaz afetado e arrogante para clicar.  Se posicionaram ao meu lado. Um à direita, o outro à esquerda. Cheiravam bem e eram mais altos que eu. O rapaz pôs a mão no meu ombro e a moça me cingiu a cintura. Sorriam. Agora chegamos ao coração da minha narrativa. Eu não sabia se ficava sério ou mostrava os dentes. Decidi sorrir, mas não muito. Me senti um pateta. Naqueles segundos antes do cara apertar o botão da máquina eu ensaiei a melhor expressão e isto me incomodou. Este não sou eu. Todos querem ficar bem na foto, é natural, mas eu me flagrei querendo estar tão bem quanto aquele casal onde parecia que tudo era festa. Eu não estava confortável, me sentia um farsante. Me achavam um grande criador e eu só tinha a grana da passagem de volta pra casa. O cara bateu a foto. Vamos ver. Ei, você não enquadrou direito. O livro ficou cortado. Pedi pra ver. Minha cara ficou esquisita. Feia como sempre. Riso forçado. Nova foto. Decidi ser eu mesmo desta vez. Sério. A expressão de alguém que logo vai fazer cinquenta anos e ainda luta pra pagar o aluguel. O cara clicou. A foto ficou boa. Minha cara desta vez me agradou mais.
Como Zé Gatão foi o pivô deste episódio nada mais natural que te-lo na postagem. São rabiscos feitos no passado.
O casal gaúcho pediu meu e-mail pra manter contato e enviar as fotos. Tô esperando até hoje.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

BICICLETA.

Alô amigos e amigas.
Jogo rápido hoje, só passei aqui pra deixar uma arte para vocês.
Como disse anteriormente, estou revezando artes antigas com material novo. Esta ilustração feita à bico de pena foi encomendada para um curso de desenho ainda inédito.
Comentei com vocês que minha memória para coisas recentes anda péssima? Pois é, não consigo lembrar onde foi parar o texto referente a esta arte, mas eu creio que ali eu explico o efeito de luz e sombra que promove um forte contraste. Pela minha observação o sol de três horas da tarde é o que melhor faculta este efeito. Deve ter sido isto que falei, só pode ter sido, realmente eu não lembro (é incrível este esquecimento!). Bem, se não citei lá, fica citado aqui.
Tenham todos um bom dia.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

MÃE E FILHA.


Relaxar. Ultimamente eu tento e não consigo. Há muito o que fazer. O tempo nunca é suficiente.  Meu corpo está quieto mas minha mente não para. Enquanto escrevo, os pensamentos divagam. Tento me concentrar. A música geralmente me acalma. Estou com fones de ouvido. As melodias me transportam para outros tempos. Nem tão melhores, mas diferentes.
Ouço John Lennon, "Aisumasem (I´m Sorry)" do subestimado álbum Mind Games.
Acima de tudo, penso no trabalho, manter o padrão de vida do qual acabo por me tornar escravo. É assim com todos. Somos dependentes demais do que construimos ao nosso redor e nem nos damos conta. Quando abrimos os olhos constatamos que o bonde da vida está veloz demais, já não é possível saltar sem se arrebentar todo. Tá, eu sei que como filósofo eu sou medíocre, mas o que posso fazer?
Agora John diz a Yoko que sente muito, que não vai machuca-la de novo.
A música avança.
Eu continuo sem conseguir relaxar, nem me concentrar. Penso também em todas as artes que nunca farei. Nas idéias que estarão para sempre trancadas nos porões da minha alma. As vezes ouço seus gritos sufocados me acusando do tempo que perdi correndo atrás do vento enquanto poderia ter estudado mais, produzido mais, insistido mais.
Vaidade. Tudo vaidade.
No solo final, a guitarra de David Spinosa chora em seus dedos. Lennon sabia escolher seus músicos, sabia arranjar suas canções. São os acordes finais. Não pare porra! Ainda não terminei o texto!
As notas chegam ao fim.
Uma outra começa.
"So Many Things" com a Sarah Brightman.
Eu passo para a próxima.
Preciso de algo mais antigo, mais nostálgico.
"Miss You Nights" do Cliff Richards. Não, triste demais.
B. J. Thomas, "Songs".
Essa é das boas, é das velhas.
Me lembra a Ilha de Paquetá.
Estive lá em 1974.
A ilha da Moreninha.
Ilustrei este livro o ano passado. Livro chato.
De uma lembrança a outra.
Encontro conforto na família.
Este pensamento sim me relaxa.
O que nos trás a arte de hoje. Tentei neste óleo retratar minha mãe e minha filha a tanto tempo atrás que nem sei. Pablo Picasso foi a inspiração. Meu afeto a dois amores travestido de homenagem ao grande pintor catalão.
Dona Francis está ok, mas em Samanta eu não acertei. Nariz arrebitado demais.
Minha mãe e minha filha. Saudades.
A melodia finda e também minha postagem de hoje.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

CURSO DE DESENHO ( SUPER - HERÓIS 10)


Bom dia a todos.
Quem me acompanha a tempos com certeza já leu os comentários que fiz em posts anteriores sobre um curso de como desenhar super-heróis - segundo a minha ótica. Sabem que a empreitada não deu em nada, aliás, parte dele saiu em uma revista de banca, bem diferente do que eu tinha idealizado. As artes de hoje pertencem àquele projeto. Foram sugestões do editor que tentava vender o material. Fazer rostos distintos, de diversas etnias e depois mostra-los mascarados.
Uma coisa que gostei de brincar aqui, foi com o fato de todos pegarem nos pés dos supers por muitos usarem a cueca por cima da calça. Nada mais justo as mulheres usarem o soutien por cima da camisa. Mas gracejos à parte, eu nunca achei esta idéia da roupa de baixo ficar por cima da calça assim tão absurda. Olhando os figurinos de muitos guerreiros da antiguidade, eles usavam protetores na região da virilha. Era um reforço a mais para resguardar uma área tão desprovida de amparo. Assim, creio que os uniformes coloridos dos paladinos da justiça dos quadrinhos herdaram esta tradição. Pelo menos esta é a leitura que faço. O problema é que muita gente leva estas coisas a sério demais, tratam estas fantasias, estes arquétipos, como se fossem uma realidade cotidiana. Vêem o absurdo numa indumentária berrante mas parecem achar natural um individuo escalar paredes como se fosse um aracnídeo. Bom, não estou aqui para polemizar.
Só para avisar, soube que a Escala vai reimprimir aquele curso em seis edições (MÉTODO DINÂMICO DE DESENHO E PINTURA) que fiz para eles. Bem que podiam pagar uns royalties, afinal, uma grana extra até que cairia bem. Mas não o farão.
O desenho da heroína acima foi feito com lápis 6-B.
Abaixo (mascarada), com lápis de cor.
That´s all.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MILOCA, UMA GRAÇA DE MINHOCA.


A última literatura infantil que ilustrei atendia pelo singelo nome que também denomina esta postagem.
Em rápidas palavras, trata-se de uma pequena minhoca que não se conforma com sua condição de verme da terra. Ela inveja sua amiguinha, uma pequena semente que será um frondoso araçazeiro no futuro, enquanto ela será sempre uma minhoca, não importa quanto tempo leve. Então sua mãe e uma professora tentarão convence-la da sua importância para o ecosistema.
Foi o trabalho mais rápido que fiz, mas nem por isto mais fácil, afinal eu não tinha muitos elementos para trabalhar minha criatividade. Era só um bando de minhocas conversando o tempo todo dentro daquelas galerias subterrâneas. Me esforcei entretanto para que a obra não ficasse cansativa, dando aos bichinhos personalidade através de suas expressões faciais, como vocês podem constatar nas imagens. Não fiz consulta, mas tentei visualizar um desenho da turma do Pernalonga que nunca mais vi, onde dois corvos mexicanos tentam comer um vermezinho numa região desértica.
O atual que estou ilustrando trata de uma menininha com Síndrome de Down. Tema delicado.







quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

MULTIDÃO HETEROGÊNEA

Amadas e amados, bom dia.
Ontem a tarde quebrei minha rotina. Do jeito que a coisa vai, daqui mais um tempo estarei com a saúde arruinada irremediavelmente. A cardiologista disse que meu coração tá beleza, mas numa radiografia que fiz foi detectado uma gordura no fígado. Ou seja, preciso emagrecer (embora não esteja gordo) ou a coisa vai ficar feia. Esta consulta foi feita a mais de dois anos e até hoje não voltei lá para novos exames. Isto porque não fiz - não pude fazer, melhor dizendo - a dieta e os exercícios recomendados.
Eu acordo, tomo meu desejum e vou pro estúdio trabalhar. Paro pro almoço, faço uma pausa de uns trinta minutos e volto ao batente. Seis horas janto e faço uma pausa pra ler alguma coisa. Volto ao trabalho onde fico até umas dez horas. Depois sento em frente a TV (mais pra fazer companhia para Verônica que qualquer outra coisa) pra relaxar antes de dormir, que é lá pela meia-noite ou uma da madrugada. O que passa na televisão dá até vontade de vomitar, só tem lixo! Claro que não digo isto pra minha companheira, não seria legal, ela assiste às novelas, BBB, CQC, Superpop, Faustão e coisas tais. Claro que nem tudo está perdido na telinha, tem House, CSI, 24 Horas, mas não consigo assistir estas séries com frequência. Óbviamente esta rotina diaria é quebrada para ir às compras ou fazer pagamentos, mas cuidar da saúde que é bom, nada.
Ontem decidi caminhar no fim da tarde.
Fui pela praia.
Porque raios fui fazer isto?
O calçadão do inicio da praia de Piedade tava lotada. Parecia a 25 de março no mês de dezembro. Se fossem apenas os velhos e os obesos eu até entenderia, mas tinha neguinho andando de bicicleta (aquilo não é uma ciclovia), aqueles moleques com pinta de assassinos andando de skate, mas o pior eram aqueles que levavam seus cães - aqueles poodles horríveis - para atrapalhar o trânsito. Cheguei a ver uns cinco ou seis cachorros naquela pose asquerosa arqueando as costas pra cagar na calçada. Tinham dois guris, uma garotinha de uns 8 anos, fofinha e um pentelho de talvez uns 6 anos passeando com pit bulls, um cada, até agora não sei se eram eles que levavam os cães ou os cães que os levavam.
Realmente a silhueta do ser humano mudou consideravelmete.
Pra pior.
Vi uma menina com um rosto muito bonito com culotes imensos, ela andava como um robô. Talvez uma nova técnica criada por algum guru imbecil, andar como o Robocop. As mulheres jovens em duplas, fofocando, com suas bermudas de lycra, exibindo bundas caídas e flácidas. Garotões tatuados e suados correndo, sei lá porque penso que estes tipos correm pra treinar fuga da policia. Preconceito da minha parte? Com certeza. Mas tem os tipos nerds ali também, camisas e bemudas folgadas, óculos e barbinhas bem aparadas. Eu era apenas mais um idiota caminhando para morrer com saúde, como disse meu pai certa vez.
O pior é que eu acho que não vai adiantar nada. Aquela gente vai se esforçar e continuar do mesmo jeito.
Exercícios e dietas de ocasião. Aquela diciplina que muitos atletas tem, parece ser um privilégio de poucos.
Parece que as pessoas hoje em dia já nascem gordas. Vi na TV outro dia um recém nascido obeso, olhando pra cara do miúdo é como se tivessem conseguido enfiar pela boca diminuta dele duas bolas de bilhar, uma em cada bochecha. Parecia um hamster gigante acumulando alimentos, coitado.
A Verônica insiste que eu devo me exercitar, ela é mais esperta que eu, então deve ter razão. Vou caminhar por outro lugar, é o único modo de continuar. Pela praia não dá mais.
Este desenho do Zé Gatão foi feito a anos atrás, direto no papelão, sem borracha, com uma canetinha de ponta porosa que já estava falhando. Lembro que foi em tempos difíceis. Olhando para o ontem, vejo como algumas coisas melhoraram, outras nem tanto. Cest la vie.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

GAROTAS

Rapaz, esta terça que passou foi estressante demais! É calor, cobranças, pressão, o dinheiro que nunca é suficiente, o tempo correndo cada vez mais rápido....Eu deveria estar acostumado pois foi assim a minha vida toda, mas tem vezes que as avalanches são fortes demais. Sinto esta necessidade de desabafar e desta vez não tenho um enredo do Zé Gatão para falar por mim. Não, na verdade histórias eu tenho até demais, o que não tenho mais é aquele tempo, aquela liberdade pra me expressar como gostaria e isto aumenta a sensação de sufoco.
Mas também há boas noticias, minha mãe recebeu alta do hospital e embora o quadro dela ainda inspire cuidados, ela poderá se recuperar em casa, Glórias a Deus.
Volto ao estudio para por em dia meus trampos remunerados pois nos últimos dois dias não pude trabalhar direito. Deixo com vocês meus traços mais recentes, trata-se de um novo manual de desenho que vai sair em breve; na verdade o editor me pediu quatro desenhos de meninas apenas no lápis, sem sombra. Este é o primeiro deles.
Espero que ele não se importe de mostrar a vocês em primeira mão.
Um ótimo dia a todos.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

OBRAS QUE RECOMENDO ( ESTÓRIAS GERAIS )


 Estórias Gerais é uma das melhores histórias em quadrinhos surgidas em todos os tempos em terras brasileiras. Isto posto, vamos ao texto:

WELLINGTON SRBEK - A primeira vez que ouvi falar deste fantástico escritor, foi lendo uns textos muito bons de sua autoria para a extinta (e trapaceira) METAL PESADO. Logo depois, na Livraria Muito Prazer, folheei um álbum onde eu via na capa um personagem de sobretudo alçando vôo. Tratava-se de Solar, personagem criado (e bastante elogiado) por este roteirista mineiro. Não li a referida obra até hoje por pura negligência devo confessar, mas está na minha lista de aquisições futuras.
Quem me conhece bem sabe da dificuldade que tenho de me relacionar com pessoas em grupos, simplismente não suporto estas situações. Esta é a razão por ter morado tantos anos em São Paulo e ter ido uma única vez no HQ MIX.
Foi bom?
Foi.
Divertido?
Sem dúvida.
Ver de perto tantos artistas talentosos recebendo seus prêmios, editores, fãs do gênero e tal, é uma experiência legal, mas eu deveria ter chegado na hora de começar e ido embora no exato momento em que acabou, mas não fiz isto. E como eu disse, não consigo me iserir nas rodinhas de conversas, então fico lá, parado como um paspalho. Tentei cumprimentar o Lourenço Mutarelli (naquela época nos fálavamos bastante) mas como sempre, tinha um babaca em volta dele. Deixei pra lá. O Gualberto Costa  e o Sidney Gusman cumprimentavam muitas pessoas. Papeei um pouco com o simpático Gilberto Maringoni e teria sido apenas isto. O fato é que nesta ocasião tive o prazer de conhecer o Wellington Srbek. Ele estava lá para receber um prêmio pelo livro que comento hoje se não me falha a memória. Não lembro mais se alguém nos apresentou, mas tive a impressão que ele estava tão deslocado quanto eu. Mas deve ter sido imaginação minha. Muito atencioso e culto, ele demonstrou estar, assim como eu, desgostoso com o mercado editorial de HQs nacionais no Brasil (se é que isto existiu alguma vez). Foi uma conversa rápida e agradável. Depois nos falamos por telefone algumas vezes. Trocamos gibis de nossa autoria pelo correio. Eu, constrangido por enviar um álbum amador do Zé Gatão (o tipo de quadrinho que sempre me pareceu não ser do gosto dele) e ele me remetendo deliciosas narrativas com artes de talentos do naipe de Shimamoto, Colin, Klévisson Viana e tantos outros, confirmando o que eu já sabia desde Estórias Gerais, que Srbek é um dos melhores escritores de quadrinhos que este país já produziu mesmo com toda a correnteza contrária. Inclusive desmentindo uma teoria de que o Brasil possuía ótimos desenhistas, mas roteiristas fracos.
Wellington mantém um blog que recomendo com veemência chamado MAIS QUADRINHOS. Lá vocês encontrarão matérias, HQs e entrevistas que ele fez com feras do porte de Brian Bolland, David Lloyd e muitos outros.

FLAVIO COLIN - Penso que Colin está para nós brasileiros como Eisner para os americanos. Acho que no tocante ao estilo de desenho Colin ainda é superior, afinal o estilo do criador do Spirit faz parte de uma escola onde no período afloraram mestres como Jack Davis, Mike Ploog e outros. Já o traço de Colin é único e inimitável. Eu amei aqueles desenhos desde a primeira vez que os vi. Será que o OTA não pretende relançar num álbum todas aquelas divertidas histórias do "Hotel do Terror"?
Tive o prazer de falar com o Flávio pelo telefone. Foi o mestre Shimamoto quem nos aproximou. Ele me ligou certa vez para agradecer por ter lhe enviado meu álbum.
Sempre muito simpático e paternal com sua voz grave.
Tive a pachorra de pedir que ele desenhase um pin-up de Zé Gatão para um projeto que tinha em mente e ele gentilmente recusou dizendo: "O personagem é seu, desenhe-o você mesmo." Confesso que fiquei sem graça, mas hoje eu compreendo. Encontro as vezes jovens admiradores do meu trabalho que  me pedem para desenhar suas criações, e não sei como responder. No meu caso, é pura falta de tempo. Não encontro hoje ocasião para tocar nem meus próprios projetos.
Mestre Colin partiu sem colher os frutos de seu talento inigualável e sem que eu pudesse conhece-lo pessoalmente.

ESTÓRIAS GERAIS - Nunca li Grande Sertâo: Veredas. Numa época em que via pouca TV, ainda pude conhecer um pouco da saga do Riobaldo e Diadorim pela mini-série da Globo (aliás, nunca vão reprisar isto?) mas perdi os primeiros capítulos e não vi os finais. Não li Sagarana, mas tive o prazer de desfrutar de "Hora e Vez de Agusto Matraga". Cito Guimarães Rosa por não poder evitar um paralelo entre o que ele escrevia e a saga desenvolvida por Wellington Srbek e Flávio Colin. Jagunços, homens ferozes, belas (e traiçoeiras) donzelas, justiceiros e injustiçados, beatos, pactos demoníacos, tá tudo lá, numa trama enriquecida por subtramas habilmente amarradas numa história impossível de ler aos pedaços. O texto repleto de coloquialismos de Srbek fez uma simbióse perfeita com os traços econômicos e peculiares de Colin.
Há muito o que falar, mas se vocês ainda não leram, não percam tempo e procurem pela edição caprichada da Conrad. A edição que possuo ainda é aquela primeira (de um inacreditável preço módico de capa) e que segundo soube, está esgotada.
Estórias Gerais é quadrinho que rivaliza com as melhores obras literárias consagradas. Ítem obrigatório na estante de qualquer quadrinhófilo que se preze.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A BÍBLIA ( 02 )


Não houve praticamente pausa entre a primeira Bíblia e a segunda. Fui desenhando o volume 2 enquanto a coisa azedava entre os idealizadores do projeto. Neste eu me vi mais solto, mais a vontade. Pude experimentar sem o medo característico dos palpites que certamente vem quando você se lança num projeto em que se é apenas uma ferramenta de trabalho. Neste caso não houve interferências por parte de Lex que confiava totalmente no meu instinto. Gosto da liberdade que me dão, gosto da confiança. O mesmo acontece com a bio do Poe que estou fazendo.
Neste segundo número do Antigo Testamento, desenhei quase todas as histórias, só não refiz Cain e Abel por uma questão de tempo. Tempo e grana, afinal Luthor não ia me pagar para fazer uma história que já estava pronta. O caso é que Lex queria toda esta edição no meu traço. Não foi possível, paciência.
Outro ponto positivo em relação ao segundo número foram as cores. Para esta empreitada chamaram um chegado nosso chamado Cidclay Laurentino (e sua equipe). Embora se dissessem neófitos na coisa, o resultado pra mim foi bem satisfatório, bem melhor que o cromatismo cheio de "texturas" da primeira edição.
Não gosto muito do que fiz em José do Egito, mas já me agrada muito a saga do profeta Jonas, fiz ainda Daniel na cova dos leões e Salomão. Para cada um tentei uma "pegada" diferente, uma finalização diversa para mudar o clima de cada narrativa.
Este volume passou totalmente invisível ao público. Cheguei a levar alguns exemplares para São Paulo e tentei divulgar em alguns sites especializados, contudo foi totalmente ignorado. Por outro lado entendo que fica difícil trombetear em cima de um produto que não será comercializado.
"- Onde vende?"
"- Não será vendido, será distribuido em escolas."
"- Mesmo? Meu filho estuda em tal colégio, quando ele terá o dele?"
"- Puxa cara, eu não sei."
É, assim fica dificil mesmo.
Foi um material no qual tive muito gosto em fazer. Imaginei aquelas cenas como nos filmes bíblicos antigos tipo Os Dez Mandamentos e Ben-Hur. Pena que não rendeu os frutos que esperávamos.
Nem sei se Lex e Luthor se falam ainda hoje em dia, nunca mais os vi. De qualquer forma ainda trabalhei com Luthor na Bíblia 3, a história de Jesus, agora também como roteirista.
Esta nunca chegou a ser impressa. Recebi pelo trabalho e nunca me procuraram para edita-la. Os originais ainda estão comigo.
E como vocês podem imaginar é tema pra uma outra postagem.









sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

MAIS UM ÍNDIO.

Este é mais um dos índios que pintei para um portfólio que nunca foi usado. Quem leu um post anterior sobre este tema deverá se lembrar que eu não conseguia naqueles dias uma referência decente. Este aqui foi baseado numa revista antiga que havia lá em casa (ou teria sido uma foto qualquer de um jornal?) Bom, o que lembro é que a imagem era preto e branco e o contraste entre os tons era muito forte, então tive que improvisar e criar em cima dela.
Uma pena eu não poder escanear a arte original para assim mostrar as cores reais, mas por hora terei que me contentar com esta foto. Este quadro está na casa da minha filha atualmente, bem como muitas telas que pintei nos anos 80 e 90. Preciso voltar às pinturas a óleo. E cadê tempo?
Tenham todos um bom final de semana.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

MELANCIA


O Rio de Janeiro mais uma vez se vê envolto em tragédias. Lamentável. Nem sei o que dizer.
Aqui está um calor de matar. Por isto nada melhor que uma fruta como esta pra refrescar.
Foi criada para um manual de desenho para explicar a técnica de pintura em acrílica.
Taí, esboço e pintura.
A gente se vê.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ÁFRICA

Caríssimos e caríssimas, estes dias com a falta de tempo tenho que ser breve.
Estou alternando artes antigas com desenhos recentes, ontem exibi a minha primeira pintura em acrílica feita em meados de 90 , hoje é um desenho que fiz ano passado a lápis de cor para um dos manuais de desenho. Não lembro mais qual deles no momento. Não importa.
Por aqui as ondas continuam encapeladas, mas o Eterno Mestre está no leme do barco, então, o que temer?
Tenham todos um bom dia.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A BELA E A FERA

Acho que já deu pra sacar que quando meus textos são assim meio corridos é porque estou sem tempo ou com alguma coisa me perturbando não é? Pois sim. Na verdade minha cabeça está cheia de ocupações. Dependo de um pagamento por parte de uma editora esta semana para quitar mais algumas dívidas atrasadas e o pior, alguém querido por demais vai se submeter a uma cirurgia hoje, e estes procedimentos sempre podem dar errado, mas estou confiante que o Senhor Jesus vai dar à nossa familia mais esta vitória.
Quanto ao tempo, ah, este está sempre um passo a minha frente. Devo agora voltar ao estudio e iniciar mais uma literatura infantil. Também voltei ao Edgar Allan Poe. Toda noite vou trabalhar um pouco neste quadrinho, senão não ficará pronto nunca.
 A arte de hoje foi a minha primeira tentativa de pintar com tinta acrílica. Deu menos trabalho do que supus, mas ainda assim permanece sendo a técnica que menos gosto de labutar, ou antes a que me sinto menos confortável. Eu deveria me iniciar nela pintando uma fruta, um sapato ou um objeto qualquer, mas não, a minha presunção me impele ao mais dificil, que são as formas masculinas e femininas. Nem sei onde está esta pintura, sequer recordo o nome que dei a ela, deve estar na madeira que sustenta o pano na parte detrás como sempre faço. Mas lembro que na ocasião em que trabalhei nela me aborreci com as tramas da tela, eram grossas demais. Material vagabundo e a armação estava levemente empenada. Só usei a título de testar minha capacidade e depois acabei gostando bastante do resultado. A iluminação ficou legal. Pelo menos eu acho.
Bem, até amanhã se Deus quiser.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ZÉ GATÃO ( UMA NOVA HISTÓRIA )




Bom dia, queridas e queridos.
Segundo soube por um amigo, editor e agente, duas editoras paulistanas em que ele apresentou o álbum ZÉ GATÃO - MEMENTO MORI, não se mostraram interessadas. Material arriscado foi a justificativa. Arriscado porquê? Será que pensam que os bichos vão ganhar vida, saltar do papel e agredi-los? Ou será muito grande o número de páginas (414 no total)? O teor não é recomendável? O personagem não vende? Tudo isto? Ou o meu trabalho é uma droga e eles são educados demais para usar de franqueza?
Bem, não pretendo desistir. Mas fica claro que não dá pra esperar muito destas empresas. Se tudo der certo em fevereiro pretendo dar uma chegada em São Paulo, visitar meu irmão e uns amigos e ver se consigo fazer um corpo a corpo com os editores que ainda não procurei. Isto se ainda funcionar como nos velhos tempos, ou seja, se puder falar com a pessoa responsável. Parece que hoje, em tempos de internet, ninguem mais fala com ninguém cara a cara, você marca hora na agenda concorrida, existe um tempo certo para avaliação de originais e etc. 
Dito isto, estou em negociações com editores independentes aqui do nordeste para a publicação das HQs curtas do felino.
São histórias que fui acumulando ao longo dos anos, três delas são sóbras do "Crônica do Tempo Perdido". Todas estas narrativas davam mais um livro, mas pelo andar da carruagem não vai ser como eu idealizei,  agora é esperar pra ver o que acontece.
Este fim de ano deu saudade de trabalhar com o personagem, então "cometi" esta história que aqui posto. Como não sou bom de desenhar letras peço perdão pelas legendas dos balões não terem ficado muito boas.
A HQ, como sempre, é o resultado de algo que vai na minha alma, inclusive a frustração pela dificuldade em publicar num tempo em que todos alardeiam que isto é promissor.








sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

SORROW

Saúde. Ao lado da liberdade, creio que seja o bem mais precioso.
A medida que envelhecemos, esta máquina chamada corpo humano começa a dar sinais de falhas em seu componentes. Dependendo de como a tratamos, estas irregularidades aparecem mais cedo ou mais tarde. É inevitável, mas nem por isto menos pesaroso. Principalmente se esta máquina é alguém muito amado. Não ligamos muito pra nós mesmos, mas nos preocupamos (as vezes além da conta) com aqueles que são caros ao  coração. Graças a Deus nunca tivemos quadros de doenças graves na família, salvo quando minha filha ainda com um ano de idade passou meses em um leito de hospital, mas pela Graça infinita de Deus ela se salvou. Mas a medida que os invernos vão passando, vejo tempestades cada vez mais frequentes se formando no horizonte. Hoje, outro ser muito querido encontra-se num leito. Mais uma vez e pelo mesmo motivo, acredita-se.
Eu, na verdade tinha muito pra falar a respeito destas coisas, sobre velhice e como os noticiários alardeiam que o ser humano deverá viver mais nestes e nos tempos que virão. Mas não estou com a mente focada. Não consigo inspiração para trabalhar com as palavras de forma a concatenar pensamentos claros. Sorry.
Este quadro feito a muitos anos, eu dei o nome de CORAÇÃO DE PEDRA, é um dos que mais gosto, não pela técnica em si, pois naquela época eu ainda tateava na pintura (na verdade hoje ainda tateio), mas pela forma com que consegui - ou penso que consegui - transmitir um sentimento.
Creio que ele é muito apropriado nestes dias.
Bom fim de semana a todos.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

MARVEL X DC ( 02 )


Há dias em que me sento aqui com o texto todinho dentro da cabeça, e é só me deparar com a tela do PC e dá um branco total. Acontece frequentemente. Certa vez fui rodar em DVD, um curso de desenho em São Paulo, e na hora de me apresentar ao público eu errava as falas como um retardado. Nos ensaios ia tudo bem, bastava saber que a fita tava rodando pra eu gaguejar. Com muita luta a coisa saiu. Foram horas de ilustração e pintura sobre uma prancheta e o tal curso nunca foi comercializado (comigo isto é típico).
O mesmo acontece as vezes quando vou começar a escrever aqui, é o caso hoje, mas bastou a primeira teclada para eu desandar a falar, notaram? Mas o que eu me propunha de fato a comentar fugiu da minha mente. Mas eu imagino o que é, ocupações e preocupações sem fim, pressões sem trégua. Não dá pra escapar. Não eu. Me envolvo demais.
Tenho que voltar à prancheta, há trabalho me esperando. Pelo menos isto.
A arte de hoje é uma variação daquela que postei no inicio da semana. Quando posso gosto de fazer isto, variar os ângulos de uma mesma cena. E depois alguém poderia dizer que só faço o Hulk de costas. Aproveito pra mostrar também os esboços preliminares.
Boa tarde a todos.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A BÍBLIA ( 01 )


 Certo dia de 2007 recebi a ligação de um amigo que chamaremos de Lex (em alguns textos prefiro omitir nomes reais). Ele tinha um projeto para uma revista em quadrinhos toda baseada em histórias da Bíblia Sagrada. Queria saber se poderia contar com meus serviços. Claro, disse eu, pagam quanto? Venha aqui na agência pra uma reunião com os outros envolvidos e falaremos sobre isto, respondeu ele.
No dia marcado ( acho que era num sábado ) estava eu numa agência de publicidade em Boa Viagem, juntamente com um roteirista e mais três desenhistas. Não conhecia nenhum deles. A maioria dos desenhistas de quadrinhos que tive contato eram uns babacas pretenciosos, gente talentosa mas extremamente arrogante. Não era o caso destes rapazes que lá estavam. Eram gente fina. Havia um cara lá que chamaremos de Luthor. Este era o responsável pela captação de recursos para que a obra visse a luz do dia.
Havia sobre a mesa coca-cola e biscoitos maizena. A conversa sobre quadrinhos foi legal.
Então a tal reunião começou. A idéia era quadrinizar várias histórias da Bíblia. Seriam quatro edições. As duas primeiras englobariam relatos do Antigo Testamento, a terceira seria sobre Jesus Cristo e a quarta e última seria sobre Atos dos Apóstolos. Pelo que entendi, as edições seriam bancadas pelo governo e seriam distribuidas em escolas públicas, creches e tal.

 Apesar do valor pago por página finalizada fosse a pobreza de sempre, me empolguei, afinal ilustrar a Bíblia era um sonho antigo. Lex achou que Sansão era a minha cara e coube a mim desenhar a saga do juiz hebreu. Dei o meu melhor nesta HQ. E como sempre o meu melhor não foi o suficiente. Nunca acho que é. A outra história foi Davi e Golias. Achei o roteiro muito diferente da narrativa original, então falei para o Lex que queria refazer o roteiro, aquele eu não desenharia. Se existe algo neste mundo que mereça respeito é a Palavra de Deus. Ok, acertado o preço pelo roteiro mandei bala nesta segunda história. Fracassei totalmente no desenho devo confessar, o gigante ficou bem caracterizado, mas a figura do pequeno pastor de ovelhas ficou contrangedora. Culpa da minha inabilidade ou do prazo curto? Eu diria que um pouco dos dois.
Finalmente a revista foi impressa. Ficou legal, mas as cores mataram o trabalho. O colorista segundo soube, fazia trabalhos para os gringos. Até hoje não sei como os gringos não o mataram.
Mas o pior mesmo foi o que aconteceu nos bastidores. Nunca entendi direito o que houve. Lex se desacertou com um dos desenhistas, e depois houve problemas de dinheiro com Luthor. Alguém não recebeu o que achava que era devido, e o outro dizia que saiu no prejuizo, ou algo assim.
Sei lá, isto só reforça uma teoria minha de que quando tem grana envolvida, ou sexo, ou os dois, algo não vai dar certo. No caso aqui parece que os sifrões falaram mais alto que o sonho de publicar um quadrinho legal.
Houve certa divulgação do produto, o Blog dos Quadrinhos noticiou. Choveu de cometários, uns achavam louvável a distribuiçao da Bíblia em escolas, outros achavam um absurdo, que os miúdos não tinham que ser catequisados (como se fosse esta a nossa intenção), e etc.
Não sei como foi a distribuição. Nunca vi uma sequer em circulação.
Infelizmente os originais não me pertencem e perdi contato com o Lex, por isto não pude escanea-los para a postagem. O traço a nanquim é mais poderoso que as cores via computador. No caso de Davi e Golias as cores foram feitas em aquarela pela esposa, também artista, de um dos desenhistas, mas nem por isto ficou melhor.
De qualquer modo a ingresia entre Lex e Luthor não impediram que eu desenhase a Bíblia 2, e mais tarde roteirizasse e desenhasse a história de Jesus. Mas isto é tema para futuras postagens.