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terça-feira, 30 de novembro de 2010

CASA DE BARRO.

Vivemos dias muito estranhos.
Na verdade, vivemos dias estranhos desde que o primeiro homem foi expulso do Paraíso. Não é nenhuma novidade as loucuras que testemunhamos ou protagonizamos  ao longo de nossa existência. Recebo e-mails de todos os tipos, as idéias mais estapafúrdias (inclusive de fãs), visualizamos um sem número de absurdos diariamente pelos meios de comunicação e sinto tremores.
Sei que estas minhas divagações não levam a nada, mas não consigo não refletir sobre a efemeridade de todas as coisas quando em poucos dias estarei completando 48 anos.
Ao executar estes manuais de desenho, eu penso que aprendo muito mais do que ensino. Sim, porque os editores pedem ilustrações que normalmente eu não faria. Então me vejo obrigado a desenhar paisagens, naturezas mortas, crianças, velhos, animais, flores e etc, em técnicas que não adoto normalmente. Tento fazer o melhor que posso com os recursos e o tempo de que disponho. As vezes acerto, as vezes não.
Esta casa foi feita em aquarela. Olho para esta imagem e penso que seria legal sair de circulação um tempo, habitar num lugar deste tipo por uns dias. Mas todo bucolismo se desvanece ao pensar que tanta gente foi vítima do barbeiro, um inseto muito comum em casas desta natureza.
Este é o tema central das histórias do Zé Gatão: Não existe lugar seguro. Nem mesmo no ventre materno.  

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O ESPÍRITO QUE ANDA ( DE NOVO )

As inevitáveis armadilhas da vida. Como evita-las?
Existem aquelas que nos pegam de surpresa, mas na maioria das vezes seguimos em sua direção achando que somos espertos o suficiente para nos safar. Tiro de letra, pensamos. É tudo uma questão de vaidade (no meu caso pelo menos).
As maiores ciladas em que me meti, tinha uma bela mulher no meio. Aos poucos fui dominando a linguagem. Mas era pego na arapuca da mesma forma, e a pancada não foi menos dolorosa por conhecer o processo.
Mas "femmes fatales" é tema para uma outra postagem, hoje quero falar um pouco a respeito de um tipo de cilada da qual dificilmente se evade. É quando se tem uma necessidade premente que lhe empurra em sua direção de forma inescapável.
Em 2002, eu morava numa kitinete na comercial da 202 norte com Verônica e seu irmão caçula. Era aquele período de entressafra. Quando as editoras prometem algo para breve e ficam postergando. Suas contas vão ficando atrasadas, os juros querendo lhe morder o rabo. Os que vivem do ofício de desenhar sabem do que falo.
Eu me meti numa fria por causa de 100 reais. E nem era pra mim este "montão" de dinheiro. 100 reais era o que minha sogra em Recife precisava para saldar um débito. Eu não tinha nada. Foi quando um amigo me indicou um trabalho. Digamos que este amigo se chamava ÉBANO. Ele tinha por sua vez um conhecido que se chamava, digamos, FUNCHAL.
Na real, aquilo não me cheirou bem desde o princípio. Não gosto de pegar trabalhos que não tenho total domínio sobre como executa-lo.
Funchal era um empreendedor, um inventor que já tinha patenteado uma série de criações. Musico, poeta e putanheiro. Talvez seja dor de cotovelo da minha parte por nunca ter sido popular com as garotas, mas aquele estilinho de galã que seduz as fêmeas a la James Bond, sempre me provoca ojeriza. Pude conhecer bem o Funchal durante aquela semana terrível em que passei com ele.
Este cara botou na cabeça que queria fazer um boneco articulável de um desprezivel e decadente artista de TV, recém egresso de um Reality Show. Pagaria pela criação 100 reais, aliás ele também não os tinha. Quem pagaria a quantia era a irmã dele. Eu deveria ter recusado o trampo, mas pensei que seria moleza. Era algo diferente no que trabalhar. Era só criar uns model sheets com a cara do tal ator. Nada disso. Criar o rosto do dito cujo foi um sofrimento. Funchal nunca estava satisfeito. Não sabia exatamente o que queria. Só sabia que queria alguma coisa. Isto durou quase uma semana. Nós nos reuníamos na casa de Ébano, que havia se separado da esposa a algum tempo e já se encontrava sofrendo por outra. Ele ficava trancado em seu quarto se consumindo em auto-piedade, enquanto eu me consumia em tédio e raiva. Certa noite Funchal pegou o violão e desandou a cantar uma música em inglês. Boa música, ótima voz devo admitir, a pronúncia me pareceu impecável e o violão, bem, o cara arrasava. Acho que todas estas qualidades num indivíduo como aquele só aumentaram a minha aversão. Quando por fim eu reuni coragem pra dizer que aquilo não estava dando certo, que não chegaríamos a lugar algum, ele mudou de idéia e propôs que eu fizesse uma página de quadrinho tendo o tal ator como protagonista, para que o próprio avaliasse depois, e quem sabe assim, criar um gibi pra ser lançado no mercado. Fiz. Uma página horrível que Funchal adorou. Na hora de receber pela coisa, a irmã dele, uma magrela de cabelo pintado de forma berrante, quis me conhecer, me olhar na cara, como que para julgar se eu era uma farsa como pareceia ser.
Posso afirmar que foram os 100 reais mais suados que eu já recebera. E nem era pra mim, logo foi depositado. Bom, serviu pra alguém e pra eu aprender uma lição. Não aprendi. A necessidade me fez repetir a dose mais alguma vezes.
Não foi o caso deste FANTASMA com sua esposa Diana. Este eu gostei de fazer. O editor me pediu que nada comentasse sobre os bastidores deste trabalho. Então tá. Sem comentários.
Por hoje é só.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

MAIS ESBOÇOS


Daqui mais um tempo terei que sair para resolver umas coisinha na rua. Como não sei que horas volto, faço a postagem do dia agora pela manhã.
Pois é, o Rio de Janeiro continua lindo, ainda mais agora com tanques de guerra nas ruas.
A que ponto chegamos meu Deus!
Morei quatro anos no Rio. No período de 79 a 83. Nunca fui feliz lá. As boas recordações que tenho do lugar vem das mulheres que são belíssimas e muito gente boa. As paulistas são igualmente belas, mas muito fechadonas.
Lamento muito que os cariocas, povo do bem, tenha que passar por isto. Lamento sinceramente.
Deixo com vocês alguns esboços que fiz enquanto elaborava o Álbum de Anatomia Feminina.
Se cuidem, tenham todos um ótimo final de semana.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

PUNISHER



Este Justiceiro é o último do meu portfólio de Super-Heróis. Mas certamente não será o derradeiro personagem deste universo de seres fantásticos que retratarei. Pretendo voltar a eles, com outras técnicas, inclusive. Este foi pintado a óleo sobre tela. Como sempre, a figura acima foi fotografada do original, a de baixo é um detalhe que reproduzi no meu scaner.
Vendo toda esta onda de violência, bandidos covardes ganhando espaço, cada vez mais ousados, uma parcela da sociedade que os protege (PNDH-3), políticos que não tem nenhuma intenção de rever o código penal, toda esta covardia em cima dos policiais (os verdadeiros heróis dos nossos tempos),  a figura do Justiceiro me inspirou a escrever um texto longo sobre o assunto. Mas querem saber? Acho que não vale a pena. No fim serão apenas palavras que a maioria usará contra mim mais tarde. Estou cansado disto tudo. Farto de falsa bondade, de cegos que não querem ver. Os profetas (os verdadeiros) continuam pregando no deserto. Quem os ouvirá?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

EU E OS ANIMAIS.

Não é segredo o fascínio que os animais me despertam. E começou cedo.
Eu ficava maravilhado quando ia ao Zôo. Ainda fico.
No interior, tivemos um cão chamado Rintim. Parecia uma raposa (eu sei, raposa não é canídeo. Mas cá pra nós, parece um cachorro). Tivemos depois, já em Brasilia, uma cadela pinscher zero chamada Freedom. Como era um nome meio complicado para pronuncia-lo corretamente, mudamos para Fifi. Era um doce. Dava muita dor de cabeça também. Quando ela morreu, foi como se tivéssemos perdido alguém da familia. Eu particularmente sofri demais. Ficou decidido, não teríamos mais animais em casa.
Aqui em Recife, Verônica meteu na cabeça que queria ter um cão, à minha revelia é claro. Toddy, foi como eu batizei este Lhasa Apso de cor marrom. Ela não imaginava que seu trabalho nesta casa iria triplicar. Ainda mais com a obsessão que ela tem por limpeza. Eu é que tinha que sair com ele para passear, dar banho, escovar o pelo, e pra quem luta contra o tempo para cumprir prazos era inviável ficar com ele. Hoje ele está na casa da minha sogra.
Gosto muito dos bichos, mas não mais para viver sobre o mesmo teto. Há uns tantos gatos que brinco e faço carinhos no caminho para a padaria. Pra mim é o que basta.
Não sei, pode ser o calor, mas há uma indolência geral nesta cidade. Aqui até os gatos parecem mais preguiçosos. Dia destes quase tive um infarto, cruzei com um gabirú ( é como chamam aqui um rato muito grande). Ele passou entre meus pés. E do outro lado da rua uns cinco gatos deitados, gordos em total lassidão, lambendo seus pelos. Deviam ser demitidos.
Já tem dois dias que estou com a pele do lado das costelas toda ralada. Fui até ao portão atender a um chamado e ouvi um miado distante. Procurei de onde vinha o som, e na árvore que fica diante do meu prédio lá estava ele, um gatinho que subiu e (pra variar) não sabia como descer. Dei uma de bombeiro e fui ajuda-lo. A árvore tem dois troncos paralelos, apoiei meu dorso em um e as pernas no outro. Era a unica forma de subir, não haviam galhos menores onde apoiar os pés. O felino assustado subiu ainda um pouco mais. Segurei-o e então me vi como ele, não sabia como descer. Não com ele em minha mão direita. Abraçado em um dos troncos com o braço esquerdo fui me arrastando lenta, dolorosa e vagarosamente para baixo. Como estava sem camisa, ao chegar à calçada estava todo lanhado. Mas fiquei satisfeito, ajudei o bichano magrelinho.
Mas nem tudo é alegria na minha vida quando se trata de animais. Dia destes ia ao mercado com os pensamentos bem longe, quando avistei em frente a um velho portão um poddle toy preto, feio como o pecado. As pulgas deviam ser maiores que ele. Esse bicho vai me dar trabalho, pensei. Não deu tempo pra fazer outro caminho, o filho da puta correu em minha direção com os dentes arreganhado, querendo sangue. Com muito custo colei meu pé no chão pra não chutar suas malditas costelas e manda-lo pro Arizona. Alguém o chamou do portão. Era uma mulher. Ele só quer brincar, disse ela. Claro, só queria brincar. No passado outros cães que tentaram me morder (grandes), também. Eu devo ter cara de brinquedo de cachorro.
Pode ter algo a ver com o local, vai saber se não há ali uma convergência de "energias" que tornam os animais doidos! Cerca de dois anos atrás quase no mesmo lugar, eu ia às compras quando senti uma pancada violenta na cabeça. Achei que alguém tinha me atingido com um tijolo. Olhei para o alto ainda em tempo de ver aquelas asas enormes. Um gavião havia me atacado. Arrancou sangue da minha cabeça.Teria eu passado perto do seu ninho? Pouco provável.
Em Brasília, eu, meus irmãos, já fomos atacados por corujas. E não só por elas, os tais quero-queros são os mais frequêntes.
No inicio do post eu comentei que minha relação com as alimárias começou cedo, não foi? Minha mãe conta que eu ainda engatinhava e eu e outra criança fomos encontrados brincando com uma cobra coral. Contam que ela atacou apenas os adultos que vieram em nosso socorro. Pelo visto Deus tinha mesmo planos pra mim não é?
Este gatinho feito com lápis 6-B foi publicado numa revista de desenhos. É minha homenagem ao felino que tirei do alto da árvore.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

CERÂMICA

Mais uma arte que foi publicada num passo-a-passo de desenho.
Nela eu tentava explicar a execução de um trabalho com sépia.
A primeira vista parece fácil, mas assim como o carvão, esta técnica tem lá as suas dificuldades. O maior problema é a dar a sensação de volume nos objetos.
Requer tempo e dedicação em cima do desenho até que esteja satisfatório.
E tempo é o que nunca me dão para estas ilustrações encomendadas.

 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

NATUREZA MORTA ( 03 )

Boa tarde a todos. Tudo bem com vocês?
A má noticia é que estou com várias contas atrasadas.
A boa é que finalmente encomendas começaram a chegar, e no seu devido tempo estas dívidas serão sanadas (com os juros computados é claro). É sempre assim, fico um tempo sem trabalho e quando aparecem é todos se uma só vez. Alguns sou obrigado a recusar. E ninguém para me dar um adiantamento. Mas, menos mau, além do novo Manual de Desenho, tenho um livro infantil para ilustrar. Isto me lembra que meu tempo ficou mais curto. Sorte de vocês que hoje não precisarão ler as tolices (as longas, lógico) que escrevo.
Fiquem com mais uma natureza morta. Foi feita em aquarela e (esta sim) foi publicada numa revista.
Dando tudo certo, amanhã tem mais. Até lá.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

LOBO MAU

Lobos são criaturas fascinantes não é mesmo? Faz parte do imaginário popular. Eu os desenho e pinto sempre que posso.
No meu álbum PHOBOS E DEIMOS, há uma história de um lobisomem com conflitos existenciais graves.
Certamente farei outras versões de lobos no futuro, se puder.
Este aqui, eu pintei a muito tempo atrás, a óleo numa chapa de papelão. Tive que fotografa-lo pois mais uma vez não caberia no scaner. O original deve estar em alguma pasta na casa da minha mãe.
Naquela época eu queria pintar todos os mitos brasileiros, mas acabei ilustrando só o Lobisomem e o Curupira. Hoje não tenho mais vontade de continuar. Mas quem sabe uma hora eu não recobre o ânimo?
Ficamos por aqui.
Bom fim de semana a todos.
Se Deus quiser nos encontramos na segunda.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

CAUDA DE CAVALO.



Definitivamente eu não vou com a minha cara. Na boa, não gosto da minha cara. Percebi isto de novo hoje ao fazer a barba. Nestas horas sou obrigado a olhar pro meu rosto no espelho, tento não olhar nos meus olhos, mas tem vezes que não dá pra evitar, então eu me encaro, procuro o que há de errado comigo lá, bem no fundo ,e nunca gosto do que encontro. 
Aqueles que gostam de mim diriam: 
"Ah, para com isso cara. Cresce pô! Saia dessa tua auto-piedade, já cansou esse teu papo, cê não é tão feio assim, nem tão burro!"
Minha resposta, após meu agradecimento pela força é a seguinte:
Acho que tenho o direito de não gostar de minha cara. Me permitam isto. Vivemos todos num imenso palco, atuando (tá, isso não é novo), acordamos de manhã já maquiados para o espetáculo da vida. Mas tem imbecil que não se dá conta disso. Se acha mais do que é na verdade. Ao chegar a uma certa idade (na melhor das possibilidades) ele descobre que na verdade nunca passou de um bosta, nunca percebeu que aquilo que ele via no espelho não passava de uma máscara.
O problema é que sou péssimo ator. Isto me obriga a por a máscara de lado e me encarar, me enfrentar.
Não sei, acho que foi meu pai que me ensinou o significado da dor sem causa. Não foi só com porrada não, isto passa, as palavras feriam mais. Nisso ele era mestre. Certa vez, na adolescência, ele me disse: "VOCÊ É IGUAL A RABO DE CAVALO, CRESCE PRA BAIXO." Esta frase me persegue. Tudo que faço após ouvir coisas deste tipo, é lutar pra provar que ele estava errado. Até hoje não consegui.
Aqui cabe uma pergunta muito pertinente: O que Cristo representa na sua vida então? Eu digo, se não fosse Ele eu teria perecido a muito tempo. Ele pode tudo. Pode curar o meu interior. Como tenho livre arbítrio, opto por permanecer assim. É a matéria prima para meu trabalho. Li uma entrevista com Mario Vargas Llosa, onde ele afirmava não fazer análise para não resolver seu problemas interiores, só assim poderia continuar escrevendo.
Sendo assim, tento fazer o melhor que posso com as ferramentas a minha disposição. Consigo? Não sei. Parafraseando a Bíblia, que os outros me julguem, nunca meus lábios.
Creio que as artes de hoje tem tudo a ver. Nem precisa ser psicólogo. A de cima foi feita num período em que havia muitas esperanças no meu trabalho. Eu e meu irmão morávamos numa pensão na W3 em Brasília. Ele era funcionário do Metrô e trabalhava a noite. Lembro que eu vedava as frestas da porta pra evitar que as baratas que infestavam o quintal da casa, invadissem o nosso quarto. Eu trabalhava criando HQs infantis para uns canalhas durante o dia e a noite nas aventuras do Zé Gatão.
A de baixo é uma das ilustrações que compõe o novo manual de desenho. Espero que o editor não se importe d´eu antecipa-la.
Na real, eu fico impressionado com a forma que me exponho aqui, mas se faço minhas catarses através de rabiscos, tava na hora de faze-las também por palavras.
Uma boa tarde a todos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

REFLEXÕES SOBRE A MORTE


Acho que estou plenamente recuperado das minhas últimas aflições, mesmo assim não vou facilitar. O calor está intenso, mas nada de bebida gelada, nada de caminhar sob o sol escaldante e depois sentar em frente ao ventilador. Os antibióticos me preocupam. Existe agora uma super bactéria que está matando as pessoas nas UTIs. De vez em quando aparece uma porra destas pra tirar o sossego da gente, como se não bastasse todos os problemas que enfrentamos diariamente. Culpam os antibióticos. Falam que esta super bactéria (será que ela usa capa? E cueca por cima do colante?) se tornou resistente às medicações porque abusamos dos antibióticos sem necessidade. Bah, falam tanta coisa....Uns dizem que o ovo é o grande vilão do colesterol, outros que você pode comer ovo a vontade. Então, como acreditar no que dizem os noticiários? Os profetas do momento (sim, todo dia surge um) querem nos fazer acreditar que somos responsáveis pelo aquecimento global. Haja paciência!
As imagens que ilustram o post de hoje são extraídas de "PHOBOS E DEIMOS", um álbum que criei a alguns anos e permanece inédito. Achei mais que coerente coloca-las aqui hoje, por estar pensando muito na MORTE nestes últimos tempos. O motivo? Não sei ao certo. Acho que foi por causa de um fato ocorrido a menos de um mês... Deixem-me falar a respeito deste rapaz. Ele trabalhava num hipermercado da rede Walmart que fica aqui perto de casa. Era caixa, mas rapidamente subiu de posto. Acho que se tornou encarregado de setor. Eu e Verônica não estamos fazendo compras de mês com frequência. Temos preferido as ofertas do dia. Desta maneira vou ao mercado quase diariamente. Durante todo o tempo em que que conheci aquele jovem, não troquei com ele mais que meia dúzia de palavras. "O senhor malha aonde?" Respondi que não malho nada faz uma pá de ano.
Ele era fisiculturista. Nada exagerado.Tinha a exata proporção entre deltóides, tríceps, bíceps e músculos do antebraço. Não se podia dizer o mesmo do tronco. Faltava volume peitoral, dorsal amplo e...bem, estes detalhes são pra vocês criarem empatia. Ágil, o cara era "pau pra toda a obra". Mesmo fora do seu setor, atendia o cliente com presteza. Um exemplo a ser seguido, enfim. Chegando ao ponto: Ao sair do local de trabalho as 10 da noite em sua moto, um motorista bêbado colidiu com ele num semáforo próximo daqui.
Teve traumatismo craniano e hemorragia interna vindo a falecer na manhã seguinte. Não tinha ainda 30 anos e deixava esposa e uma filha de colo. O fato me impressionou fortemente. Fiquei pensando, quantos planos aquele rapaz não fez para este Natal? Para suas próximas férias?
Fiquei refletindo sobre a minha própria morte. O Livro de Eclesiastes afirma que melhor é estar na casa do luto que na casa da alegria, pois uma vez lá, pensamos com cuidado em nossa efemeridade. Estamos todos em pé de igualdade, não importa que posição honrada se ocupe hoje, amanhã iremos todos para um mesmo lugar. Isto deveria fazer com que nos amássemos mais, nos respeitássemos mais, mas não é assim que acontece.
Eu deveria ter morrido a mais de 40 anos atrás. Mas Deus preservou minha vida, Ele queria que eu ficasse um pouco mais por aqui. Mas por quanto tempo ainda? Não me compete saber.
Tenho reparado uma coisa nos últimos enterros que fui, que não cavam um buraco e colocam o caixão dentro e deitam terra em cima como reza a tradição. Agora ao invés de terra colocam tijolo e cimento. Querem garantir que o morto fique lá. Senão, é capaz de ter um apocalipse zumbi e os defuntos quebrarem a tampa do ataúde e vencendo os sete palmos de terra sair vagando pela terra.
PHOBOS e DEIMOS tem uma história assim, fiz bem antes desta merda toda virar moda.
Mas sabemos que não é isto,  é que tem tanta gente no mundo e os cemitérios não tem mais lugar, então tem que enterrar as pessoas umas por cima das outras. A solução mesmo é colocar uma parede entre elas. Um condomínio de defuntos. Brrrr......
Bem, enquanto a morte não vem me buscar preciso continuar a trabalhar. Volto agora para a prancheta dar continuidade ao novo manual de desenhos.
Pensando ainda na tal super bactéria, me lembrei de um episódio do Ultra Seven. Uma garota ao cheirar uma flor, inalou um bicho destes que começou a mata-la. Então o Dan Moroboshi se transformou no Ultra Seven, ficou de um tamanho microscópico, adentrou o nariz da mocinha e destruiu o monstro mais rápido que um antibiótico.
Penso que as fantasias também nos ajudam a sobreviver neste mundo tenebroso.
Ah, sim, o nome do rapaz citado era Oséias. Este post é dedicado a ele.




terça-feira, 16 de novembro de 2010

EDGAR ALLAN POE ( 04 )

Boa tarde a todos. Tiveram um bom final de semana prolongado? O meu não foi lá muito legal, tive uma recaída no sábado a tarde. A inflamação na garganta tinha dado um alivio, mas no início da noite voltou furiosa, louca, hipertrofiando as amígdalas ao ponto d'eu não conseguir engolir nem saliva. Já tive estas crises no passado, e só a Benzetacil para espulsar este mal do meu corpo a pontapés. Porém não estava em condições de recorrer a ela. Mais uma vez liguei para meu irmão em SP, ele deu seu aval para eu tomar um antibiótico que havia em casa. Assim fiz. Passei uma noite longa nadando num mar de dor, mas pela manhã a praia do refrigério já estava a vista. Agora estou plenamente recuperado Graças a Deus.
Na verdade o teor da minha postagem era pra ser outro, mas como estou (de novo) sem internet em casa, resolvi narrar a vocês, meu singelo feriadão.
Portanto, sem muitas delongas, a arte de hoje é uma das últimas páginas que fiz para a biografia do Edgar Allan Poe. Preciso arrumar tempo para recomeça-la. Algumas editoras estão interessadas. Mas já está praticamente fechada com uma de grande porte. Pelo menos foi o que meu agente e amigo de São Paulo me falou. Será? Veremos.
Um abraço a todos e grato pelas visitas.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

HÉRCULES ( 04 )

Desde que meu som parou de "ler" CDs, me acostumei ouvir música no PC. E não foi só o som que deu "pau", o DVD player também "morreu". Agora é esperar entrar grana pra comprar outros. É incrível, mas as coisas antigamente eram feitas pra durar. Tinha geladeira que durava 30, 40 anos. TV? Algumas resistiam muitos invernos. Hoje, um aparelho de som não chega a durar 2 verões!
O mesmo posso dizer dos filmes e das músicas (ou de qualquer forma de entretenimento).
Estou com os fones de ouvido enquanto digito, escutando o primeiro disco da inglesa KATE BUSH que data de 1978. Foi seu disco de estréia, onde ela se eternizou com a imortal Wuthering Heights, canção que é uma das pérolas do período. A cantora foi descoberta pelo DAVID GILMOUR, o guitarrista do Pink Floyd. Kick Inside, o primeiro álbum, é perfeito em todos os sentidos. TODAS as canções são ótimas, provando assim que Kate Bush não é só uma grande performer e cantora com aqueles agudos incríveis (sim, muito antes de Tetê Espíndola), mas acima de tudo compositora de mão cheia. Ouvindo este fantástico trabalho, me pergunto porque nos últimos 25 anos (salvo raríssimas e honrosas exceções) não fizeram mais CDs bons como este.
É, não tem jeito mesmo, me perdoem mas minha rabugice parece incurável!

Bem, passando para meu plano, nosso Hércules hoje não pretende fraturar dorsos de leões, mas estrangular centauros, seus grandes inimigos.
Fazer esta arte foi mais fácil que as anteriores. Nem precisei de muitos esboços. O livro de mitologia fica aguardando uma vaga na minha agenda. Antes tenho que acabar aquele Edgar Allan Poe que está parado e terminar uns contos e umas HQs curtas que esboçei. Cara, é muita coisa! Vamos ver se quando eu acabar esta leva de ilustrações para os cursos de desenho passo-a-passo eu retomo estas atividades.
Bom fim de semana e feriado a todos. Se o SENHOR permitir nos encontramos por aqui na terça.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

HÉRCULES ( 03 )


Esta é a semana Hércules.
É melhor esgotar logo o assunto do que ficar ficar postando esporadicamente, concordam?
Uma noite destas, estava no meu estúdio matutando:  Porque não pegar logo caneta e papel e começar os rascunhos para este livro de mitologia que tenho tanta vontade de fazer?  Bem, a resposta é simples. Não posso me deixar levar por um momento de frenesí e começar algo que não sei quando poderei terminar. Um Trabalho destes tem que ter total envolvimento físico e emocional. Para elabora-lo eu precisaria ter tempo integral, não poderia estar preocupado com o pagamento do aluguel no final do mês e coisas do tipo. Pra vocês terem uma idéia, iniciei umas pequenas coisas (contos, hqs curtas, desenhos, e etc) que até hoje não concluí por motivos vários que vão desde a falta de tempo e motivação até privação de material. Aí vou postergando, prometendo a mim mesmo que na primeira oportunidade eu retomo e tal, e estes materiais permanecem inacabados. Mas vou conclui-los ainda, se Deus quiser.
Por isto, a mitologia permanece somente como uma idéia que as vezes vem me fazer cócegas no cérebro.
As artes de hoje ainda são minhas frustradas tentativas de fazer o Hércules partindo a espinha do Leão de Neméia. Não consegui o efeito que queria. Claro, outros esboços que descartei mostravam a cena mais violenta, mas aí eu esbarrava em dois problemas: A figura do herói que deveria estar destacada ficaria parcialmente escondida e também chocaria demais o público alvo (não esqueçam que originariamente estas artes foram criadas para um curso de como desenhar super-heróis).
Não usei modelo do animal para estas artes. Quis que o leão ficasse espontâneo. Irreal. Estilizado. Algo que evocasse aqueles bichos das pinturas do Rubens.
É isso aí minhas caras e caros, se o trem continuar nos trilhos, amanhã teremos a última leva de Hércules, mas sem leões desta vez.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

HÉRCULES ( 02 )


Acordei, como tem sido nos dois últimos dias, com dificuldades para engolir até saliva. As primeiras luzes da manhã  também despertavam. Olhei pela janela ainda a ponto de ver a madrugada acenando triste, molhada e perplexa com a chuva torrencial. O mundo anda louco mesmo, nem as chuvas sabem mais qual o período certo para cair. Não demora muito, a noite não saberá mais qual o horário de substituir o dia.
Esvaziei a bexiga e  deitei de novo meu corpo alquebrado na cama, torcendo pra não perder o sono de vez.
Em vão.
O tempo nublado e escuro não durou muito. Foi expulso pelo sol furioso, que de forma implacável lambeu toda água das calhas e das calçadas. E continua lá fora rosnando como um mastim raivoso.
Louvado seja Deus, pelo sol e pela chuva.
Esta é a semana "Hércules". Pois bem, sabemos que o Leão de Neméia foi estrangulado pelo herói grego, mas eu queria uma outra abordagem, algo diferente do que já foi representado a exaustão pelos mais diversos artistas através dos tempos. A pele do felino era invulnerável, mas nada se falou sobre seus ossos, então meti na cachola que na minha versão, Hércules primeiro partiria a espinha do bicho, para só depois sufoca-lo.
Eu e minhas idéias, fracassei no intento. Mostrar o valentão dobrando o dorso da fera sem que ficasse chocante demais para o público alvo e ainda valorizar a figura do paladino, se mostrou uma tarefa (com o perdão do trocadilho) hercúlea. Foram diversos rabiscos e até agora não fiquei satisfeito. Hoje temos alguns esboços e uma finalização a bico de pena.
A versão colorida fica para amanhã, se Deus quiser.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

HÉRCULES ( 01 )


Queridos e queridas, boa tarde.
Temos duas boas notícias: Começou hoje a Rio Comic Com. Isto é muito legal. Sensacional mesmo, afinal somos um puta público consumidor, além é claro, de termos grandes escritores e desenhistas que atuam na área,
boas editoras com serviço competente (pode melhorar) e agora finalmente um mega-evento como os que existem na Europa e EUA (pelo menos é o que prometem). Agora só falta termos um mercado atuante. Sim, porque ninguém ainda me provou o contrário. Não vejo artistas bem remunerados para produzir seus álbuns e nem editores deixando de publicar apenas as figurinhas carimbadas (se bem que pelo que me fala meu amigo José Roosevelt, salvo honrosas excessões, nem na Europa isto acontece). Mas a Comic Con do Rio pra mim é sinal de que bons ventos sopram (ainda que pra empurrar as velas dos barcos que já singram nestes e outros mares). E trouxeram o Milo Manara, só isto já vale o evento (apesar que já gostei mais dele).
Ainda acho que se o festival fosse em São Paulo o sucesso seria maior.
A outra boa notícia, é que o grande artista Nestablo Ramos ganhou o Prêmio Bigorna de melhor publicação de aventuras com ZOO. Parabéns rapaz, mais que merecido!
Os desenhos de hoje são alguns estudos que fiz para um dos tópicos de um projeto que não foi pra frente, um livro de como desenhar super-heróis, segundo a minha ótica. Já comentei sobre isto aqui. No referido capítulo abordaríamos o arquétipo do herói. Hércules e Sansão são dois exemplos irrefutáveis.
O juiz bíblico já tive o privilégio de desenhar numa quadrinização do Livro Sagrado faz alguns anos. Agora, o semideus grego permanece como uma grande frustração na minha vida.
Um desejo que alimento desde a infância é pintar os feitos dos heróis greco-romanos. Aos treze anos eu li Os Doze Trabalhos de Hércules do Monteiro Lobato e a idéia não me saiu mais da cabeça. Eu nutria um sonho de escrever e ilustrar um livro sobre a mitologia (ou pelo menos os trechos que acho mais legais), não seria quadrinhos e sim artes pintadas para um texto coloquial. Nunca pude colocar no papel o que tinha na mente. São estes planos que fazemos e esperamos um momento ideal e ele nunca surge. Mas quem sabe?
Não serve de consolo, mas se puder, esta semana vou postar os rabiscos do Hércules que fiz para aquela frustrada publicação.
Até amanhã se Deus quiser.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O AMIGO DA VIZINHANÇA.

Foi uma noite longa esta que passou.
Horrível.
Uma forte dor de garganta que não me deixou dormir. Cochilei quando o dia estava entrando tímido pela fresta da cortina. Depois devo ter apagado de vez, pois nem vi quando a Verônica se levantou, se vestiu e saiu pra me comprar medicação. Tenho a melhor mulher do mundo. As vezes ela me trata como se eu tivesse dez anos (minha idade mental). Tem vezes que é bom, tem vezes que não é. Normal.
Liguei para o meu irmão em São Paulo (legal ter médico na familia, faz a gente se sentir mais calmo). Ele prescreveu o que é de praxe e agora me sinto bem melhor, salvo pelo corpo pesado por não haver conseguido dormir. Pô, tanta frescura por causa de uma dor de garganta? Pensariam vocês. É meus caros, não me acostumo ficar doente. Não posso e não consigo estar limitado.
A um tempo atrás criei uma arte de capa pra uma edição de um herói das antigas. Ontem soube que foi recusada. Ok. Só não entendi porque me pediram pra não comentar sobre o assunto. Tudo bem, por isto omitirei que herói era.
E falando nisto, este Homem-Aranha, para mim, ao lado do Batman é um dos meus melhores trabalhos. Óleo sobre tela, mede 70 x 50. Fotografada com câmera digital. A imagem não faz justiça à arte original infelizmente. Gosto dela não pela técnica em si, mas pelo tom surreal que ela evoca. O aracnídeo refletido num prédio espelhado multiplicando os seus membros. Sei lá, foi a idéia que me veio e me pareceu legal a época.
Curtia demais os gibis do Aranha da Ebal. O desenho era do inimitável Steve Ditko. Um herói com problemas bem reais. A fase Romita também é insuperável. Eh, bons tempos!
Esta pintura faz parte do meu portfólio de super-heróis. Acho que já comentei aqui que quase ninguém viu estas artes antes, não foi? Pois é, mas o pessoal da redação da revista Playboy veio em peso admirar estas pinturas. Elogiaram muito, tiraram xerox e guardaram num envelope. E lá ficaram, pelo visto, até que alguém muitos anos depois tenha posto no lixo, pois nunca entraram em contato pra pedir alguma ilustração. O lugar era bacana, haviam originais fantásticos emoldurados nas paredes. Tinha um do Benício que era de matar de inveja. Um outro do Mike Tyson (não identifiquei o autor) também de tirar o fôlego.
O Eduardo Jardim, um artista dos bons, me falou que eu devia insistir com eles, ir lá todas as semanas. Provavelmente ele estava certo. Acho que este é meu problema, se for pela insistência, nunca farei sucesso. Não sei ser impertinente, e estou ciente de que é necessário as vezes. Tenho uma teoria de que pra ter êxito na vida não é necessário ter talento, mas uma baita CARA-DE-PAU. Senão, vejam a maioria das pessoas que brilham no cenário artístico atual. São atores, apresentadores, animadores de auditório, cantores, desenhistas, pintores, todos péssimos, mas que tem fama e grana enganando os outros e a si próprios. Triste mundo este de hoje, tanta tecnologia e informação e a burrice continua invencível. Há mais do que nunca uma total inversão de valores. O que é certo é errado, o que é bom é mal e vice versa. E assim vamos todos caminhando em direção àquele imenso moedor de carne, para o final inevitável. Mas enquanto ele não chega, agradeçamos ao Deus Bendito pelo pão de hoje, nossos familiares, amigos e tudo mais de positivo que possa nos trazer o dia.
É bom estar com vocês de novo.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

MINHAS INFLUÊNCIAS ( TANINO LIBERATORE ).


Gaetano Liberatore (ou Tanino, como é melhor conhecido) foi um dos três pilares que sustentaram a minha forma de fazer quadrinhos em meus primórdios. Os outros dois, como já foi postado aqui, são Richard Corben e Bernie Wrightson.
Posso garantir que Tanino foi uma péssima influência para mim se considerarmos como verdadeiras as afirmações que já fizeram a meu respeito: "INDECENTE E AGRESSIVO"- para citar as mais simpáticas.
Isto mesmo, foi através deste italiano com seus desenhos perturbadoramente realistas e violentos (em todos os sentidos) que eu me permiti retratar, segundo a minha ótica, o mundo ao meu redor. Um ambiente hostil, brutal e caóticamente sensual, onde não existe refugio seguro.
Ao contrário da maioria, meu primeiro contato com seu trabalho não foi através do robô malucão Ranxerox, mas sim por intermédio de uma revista chamada El Víbora no início dos anos 80. Ali, pude perceber que aqueles artistas conseguiam dar vazão às suas ambições artísticas com o mínimo de interferência dos quadrinhos mainstream, e  abriram para mim um leque de muitas possibilidades.
Poder berrar a plenos pulmões toda vez que me martelavam o dedo sem sentir culpa. Assim eram as HQs que queria produzir. E olhar os temas e artes daquela publicação, era como olhar meu reflexo de forma cristalina na superfície de um rio extremamente poluído e tóxico.
Em 1983, numa edição da HEAVY METAL, eu viria conhecer o trabalho a cores de Liberatore na violenta saga de Ranxerox, escrita por Tamburini. Constatei enfim porque ele era considerado um Michelangelo moderno. Basta comparar as figuras da Capela Sistina com as ilustrações de Tanino e notar as proximidades das artes. Coloração de pele como se fosse carne de fato contornados por um preto que as destaca do fundo.
Sem falar na técnica empregada por ele que era das mais inusitadas. Usava canetinhas de ponta porosa e acessórios de maquiagem. Os últimos comics dele são utilizados lápis de cor, como se nota na página que é apresentada logo abaixo.

Todas estas qualidades foram uma espécie de atalho para mim. Através de Corben, Wrightson e Tanino, artístas fantásticos (e bastante subestimados ainda, visto que não gozam do mesmo status que um Jim Lee por exemplo) é que pude criar os meus quadrinhos, ainda que totalmente sem sucesso comercial.
Eu diria que o sistema os venceu. Liberatore, hoje produz umas poucas HQs, investe mais em ilustração. Bernie idem, se dedicando mais a criar design para o cinema, e Corben teve que parar suas produções próprias e trabalhar com super-heróis (sim, coloco Hellboy e Conan no mesmo caldeirão).
Acho um certo exagero afirmar, com fazem alguns, que Ranxerox, influenciou Blade Runner, Terminator, Robocop e etc. A idéia não era nova, e Stefano Tamburini, sempre se apropriou de temas que o atraíam e os juntou como uma criatura de Frankenstein para expor suas idéias subversivas. E nunca citou as fontes das quais bebia. Quer um exemplo? Veja a história "Happy Birthday Lubna". Ali ele escreve uma HQ totalmente inspirada em Crash de J. G. Ballard.
Os roteiros não tem uma preocupação com a narrativa, ou seja, pula-se de uma cena a outra de forma um tanto bruta. Parece que o personagem é usado apenas para chocar e transgredir.
Não estou criticando, apenas expondo o que penso. E é claro, em nada diminui o peso desta obra que é um clássico dos quadrinhos. Inclusive, ao ser relançado recentemente no Brasil, dei uma relida na obra completa, e após estes anos todos ela me parece mais palatável. Mas se Ranxerox goza de todo este status, o maior mérito sem dúvida cabe ao Gaetano Liberatore, um dos maiores artistas gráficos modernos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

RISCOS E RABISCOS ( 01 )



Hoje estou um pouco melhor. O calor vai recrudescendo mas a cabeça já não me dói tanto. Preciso mesmo marcar uma consulta. Deus me livre de ser acometido por um AVC !
A pouco embarquei minha mãe de volta à sua rotina em Brasília, e eu volto pra minha. Retorno depois de uma folga de 10 dias para meu pequeno estúdio cheio de livros e gibis empilhados, para minha prancheta, companheira de muitos anos, para desenvolver algumas novas artes para um novo curso.
Será que estas revistas  de bancas de jornais poderiam mesmo ajudar os aspirantes a desenhista encontrarem um atalho para a tortuosa estrada onde pisam os artistas já consagrados? Será? A dúvida reside no fato de eu mesmo nunca ter encontrado tal atalho e por conseguinte jamais ter pisado em referida estrada. Tenho recebido retornos satisfatórios, mas sempre acho que é pretensão demais da minha parte pensar que o que eu crio possa fazer alguma diferença. Bah, quanta baboseira estou dizendo aqui! É sempre assim, Quando começo sou capaz de divagar interminavelmente embora não goste, ou admita faze-lo.
Lembram daquele curso de Anatomia Feminina da Opera Gráphica que está esgotado? Pois bem, parece mesmo que ele vai ser reeditado. Só que desta vez, por um outro selo e outro formato. Entraram em contato comigo pedindo permissão. Falta acertar os detalhes. Quando a coisa estiver firmada eu comunico aqui a quem possa interessar.
E já que o assunto é este, aqui temos alguns estudos de formas e movimentos. Estes rabiscos que vamos fazendo quase sem pensar, procurando uma idéia, um caminho, uma resposta.... As vezes vem, outras não.
Desenhar em muitos momentos é uma forma de sentir prazer, outras, um ato de masoquismo.
Por hoje, já "filosofei" demais.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

LIMITE

Não ando muito bem estes dias. Aliás não ando muito bem faz um bom tempo. Não tenho como não relacionar o fator idade. Embora por dentro eu me sinta como um menino abobalhado, a verdade é que daqui a mais ou menos um mês estarei completando 48 anos. Boa parte destes anos todos vivendo sob pressão. Acho que isto tudo cobra a fatura no físico quando não se tem mais 20 anos. Ando cansado como se não tivesse dormido nada a noite. Irritadiço e indisposto, é assim que tenho vivido. Mas bola pra frente.
Estes dias que minha mãe está passando comigo tem sido uma benção, minha rotina tem sido totalmente diferente. Esqueci a prancheta e os lápis. Amanhã devo começar um novo curso de desenho que me encomendaram e quero ver se sugiro aos editores algumas coisas diferentes pra variar. Veremos.
Segunda última levei minha genitora ao centro do Recife para ela fazer umas compras, depois lanchamos e dali fomos a uma pequena agência bancaria sacar um dinheiro. Era por volta de 12:40, saímos dali para o terminal de ônibus no Cais de Sta. Rita. Vimos vários policiais fortemente armados correndo pelo terminal. O que era aquilo eu só saberia após chegar em casa quando Verônica me falou que uma agência do Bradesco havia sido assaltada. http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20101101143121&assunto=70&onde=VidaUrbana
Pelos horários dados nos noticiários eu calculo que foi minutos após a nossa saída de lá. Louvado seja Deus por mais este livramento.
Nos anos 90 surgiu nas bancas uma ótima revista de ciências chamada Limite, editada pela Nova Sampa, se não me falha a memória, era editada pelo Franco De Rosa, e algumas matérias eram escritas pelo Pier Luigi Piazzi (na época editor da Aleph) e pelo editor da Devir, Mauro dos Prazeres. Este Adolf Hitler foi uma aquarela que fiz para ilustrar um artigo sobre os efeitos da radiação nuclear. Bem, eu acho que era isto, como faz muito tempo e nem tenho mais uma edição da refererida publicação comigo, pode ser que eu esteja enganado.


Well, por hoje é só, se tudo andar nos conformes, amanhã tem mais.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

CINCO MINUTOS ( 09 )


Bom dia a todos. Muita gente deve estar emendando o feriado. Bem que eu gostaria de poder dar uma viajada, ir pra algum lugar e não pensar em nada. Não ter hora pra dormir ou acordar. Bem... Quem sabe uma hora destas a oportunidade não se apresenta?
Vamos aos fatos, cinco dos sete livros que ilustrei para a Editora Construir já estão impressos. Me mandaram umas cópias no último sábado. Depois tenho que ver com eles como será o esquema de distribuição. Me informaram que eles não estariam a venda, mas estariam agregados aos livros didáticos de literatura e português. Veremos se será assim mesmo.
O curioso é que folheando a edição de Cinco Minutos, reparei que duas das quinze artes que criei ficaram de fora, não entendi por que, se o livro foi tão bem planejado. De qualquer forma, seguem as mesmas para vocês darem uma conferida. Esta é a grande vantagem de um blog ou qualquer outra ferramenta que a net oferece para divulgação de um trabalho.
Bom feriado pra vocês.
Cuidem-se.
Se Deus quiser nos encontramos de novo na quarta.