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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

MINHA PASSAGEM METEÓRICA POR BRASÍLIA.



Não via a amada família a muitos anos. Com a partida de meu pai eu precisava estar com eles um pouco. Minha mãe queria reunir os quatro filhos mais uma vez. Não foi fácil, mas ela conseguiu.
Comemoramos seu aniversário e também do meu irmão Gil, que é dois dias depois do dela.


Não gosto de postar fotos, mas neste caso elas podem falar muito mais que minhas palavras.


Estar em Brasília é como rever um antigo e importante amor perdido, um amor que continua impossível.
Infelizmente a Vera não pode me acompanhar, ficou tomando conta do forte.


Enquanto lá estive não levei papel nem caneta, queria me desconectar da minha rotina de vida, verificava meus e-mails e página do Facebook apenas uma vez ao dia para o caso de haver mensagens importantes. Não haviam. Pareço não fazer falta (isso não é ruim).


Pude rever alguns saudosos e queridos amigos também.

De volta à realidade, à prancheta e aos serviços!

Pro alto e avante!


Bom fim de semana a todos!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

ZÉ GATÃO - GILA MONSTER

Segunda-feira 19/10/2015, 11:25 exatamente.

Eu e Verônica acabamos de chegar em casa um tanto cansadinhos e frustrados. Saímos logo cedo para fazer umas compras e resolver algumas coisas no bairro de Prazeres, o sol já ardia com furor assassino. Estranhei que no caminho íamos vendo supermercados, farmácias, padarias e coisas tais com as portas cerradas. Um baita feriadão em plena segunda! Dá pra acreditar? E nós nem sabíamos! Dia do Comerciário e parece que juntaram a ele algo como o dia da construção civil ou algo assim! É sério mesmo? Tem dia da construção civil agora? Não é por nada não mas este país já tem feriados demais!
Bem, demos uma parada rápida na casa da irmã dela e tomamos um micro-ônibus lotado até a tampa para voltar pra casa. As pessoas aqui vão às praias em turmas de vinte pessoas pra cima, parecem caravanas.

A Vera foi fazer o almoço e eu volto aos trabalhos. Acabei o segundo volume da nova série de anatomia. Bom, não dá pra dizer exatamente se acabei ou não, este segundo volume parece que sofrerá alterações no texto (detesto quando isto acontece!). Enquanto isto não se confirma, faço uma pausa na série para tocar o "CARTAS MARCADAS", minha participação no NCT, já estou no lápis da página 8. Assim que tiver sinal verde eu posto umas imagens para vocês.

Terça-feira 20/10/2015, 14:25.

Chegamos em casa, eu e Verônica, a mais ou menos uma hora atrás, esbaforidos, cansados (foi uma noite mal dormida) mas desta vez com a sensação de dever cumprido. O mercado estava cheio e detonamos o dinheiro do táxi - haviam uns itens que não deveriam ficar no carrinho - então viemos de micro-ônibus, cheios de sacolas. Para mim só tinha lugar ao lado do motorista, um cara já velho (bem, ele podia até ser mais novo que eu, mas não aparentava). Gosto de ficar na minha, com meus pensamentos, mas o coroa não parava de falar.
O cara - "Rapaz, tá muito calor, o dia ideal pra ir na praia!"
Eu -  "É"
O cara - "E tomar umas geladas!"
Eu - "Éééé!
O cara - "E pôr muito chifre na mulher. Nesta vida quem não põe chifre toma chifre!"
Eu - "É?!?"
Como não estava afim de alimentar o assunto, olhei para o outro lado e não dei atenção, ele se calou.

Livre agora para falar sobre o que importa.


Como foi dito na postagem da semana passada, "A LONGA ESTRADA" ou "ESTRADA PARA O INFERNO", ou ainda "O RALI DA MORTE" foi a primeira ideia que tive para uma continuação das aventuras de Zé Gatão. Seria uma HQ quase sem texto, fortemente influenciada por Mad Max 2 - O Guerreiro Da Estrada, Tinha em mente umas 100 páginas de porradaria, muita velocidade e violência em quantidades paquidérmicas. A conclusão deveria desembocar no título "O GUARDIÃO DA MURALHA DOURADA" uma saga que seria um misto de Indiana Jones e O Tesouro de Sierra Madre - fiz uma postagem sobre o assunto que pode ser lida aqui: http://eduardoschloesser.blogspot.com.br/2013/02/da-serie-historias-jamais-contadas-ze_13.html

Como queria dar foco em narrativas curtas (parte delas publicadas no livro preto lançado pela Via Lettera Editora) adiei estes projetos maiores...  adiei e adiei e muita coisa acabou se perdendo nas diversas cenas e diálogos que ia imaginando e acumulando na cabeça. Algumas eu aproveitei em Memento Mori. Outras concepções estou pensando em ressuscitar em uma nova aventura. Conseguirei? Torçam por mim, amados e amadas, há ainda muitas histórias que quero contar.

Fora do universo antropomorfo temos "CAIM E ABEL" pela HQM, "A VIDA E OS AMORES DE EDGAR ALLAN POE" só esperando quem publique e o "PHOBOS E DEIMOS", álbum de mais de 260 páginas ainda guardado na minha gaveta.

Mas enquanto uma nova HQ do felino invocado não ganha corpo no papel, fiquem com esta cena que promete um pouco do que estou planejando.

Fiquem bem e a gente se encontra de novo por aqui na próxima semana, se Deus quiser. Combinado?

terça-feira, 13 de outubro de 2015

ZÉ GATÃO E A LONGA ESTRADA ( UM ESBOÇO ).

Os últimos tempos tem sido pacíficos, Graças ao bom Deus.

Estou nos estágios finais do segundo livro de anatomia a sair em breve pela Editora Criativo.

Estar com a mente menos anuviada com tanto estresse me dá a possibilidade de sonhar com novos projetos. Bem, nem considero tais coisas como novos projetos pois os mesmos estão a muito tempo ganhando corpo na minha mente e sei lá quando vou poder pôr alguma coisa no papel. Antes de tudo preciso cumprir minha obrigação com o NCT. Uma coisa de cada vez, né? A poucos meses eu estava fortemente inclinado a por uma pá de cal na minha produção de quadrinhos, hoje já considero a possibilidade de continuar remando contra a maré.

Recebi uma mensagem via Facebook do escritor Rubens Lucchetti sobre a nossa obra conjunta, A VIDA E OS AMORES DE EDGAR ALLAN POE e é para desanimar. Ele me comunicou que uma certa editora está interessada em publicar mas faria uma tiragem de apenas 300 exemplares, depois precisariam vender uns 220 livros para pagar os custos de impressão, só depois nos dariam um reparte para vendermos nós mesmos. Aconselhei ele a esperar mais um pouco. Já tivemos ofertas mais auspiciosas. Não tardará aparecer oportunidades melhores.

Mas a questão é essa, publicar quadrinhos no Brasil continua o mesmo trabalho de parto. O mais sensato da minha parte seria deixar tudo isto para trás, mas ainda há algumas histórias a serem contadas. O que nos leva ao esboço de hoje.


ZÉ GATÃO E A LONGA ESTRADA foi a primeira ideia que tive após a conclusão de A CIDADE DO MEDO (o álbum branco), mas abortei o projeto para me focar em narrativas mais curtas que saíram no álbum editado pela Via Lettera. Mas pretendo ressuscitar alguns conceitos numa futura aventura. Por hora só temos este rabisco e estou trabalhando numa pintura que pretendo exibir aqui na próxima postagem, se Deus permitir, onde darei mais detalhes da coisa toda.

Até lá.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O QUE VAMOS DEIXANDO PARA TRÁS.



Por mais que eu tente não consigo deixar de sentir essa estranheza frente a tudo. Vinha tendo este sentimento desde que entrei na casa dos cinquenta, mas após a partida do meu pai isto se acentuou. Uma sensação que não me deixa confortável, afinal, eu penso que se nenhuma tragédia se abater sobre minha vida, ainda tenho uns bons anos para viver e produzir.
Após o Lançamento de ZÉ GATÃO - DAQUI PARA A ETERNIDADE eu pensei: pronto, já deu, o que tinha a provar para este mundinho de merda que é o meio dos quadrinhos brasileiros eu já provei e quando a bio do Poe vier a público fechamos com chave de ouro, só para demonstrar que consigo fazer algo nas HQs além de desenhar bichos. Mas aí veio aquela vontade irreprimível de continuar a produzir graphic novels, inclusive com o felino, pouco importando quais seriam os resultados, se chegariam ao público ou não e achei isto bom. Pretendo dar sequência assim que me veja livre de alguns compromissos.

Não sou um colecionador contumaz, mas tenho cá comigo as minhas manias. Possuo uns bons quadrinhos e muitos livros de arte na estante, além de literatura clássica e de mistério/fantasia e eles, no meio de meus papeis e tintas, compõem o único canto no mundo onde realmente gosto de estar, já que não posso mais dividir um espaço ao lado dos meus três irmãos; meu estúdio de produção só perde para o leito que divido com minha esposa, me sinto seguro ao lado dela.
Parei de comprar quadrinhos e DVDs sistematicamente por dois motivos: um é a falta de dinheiro (e também de espaço) mas principalmente por não ter mais aquele momento gostoso de relaxar e me deixar levar pelo que esses produtos possam trazer e eu acho isso negativo.

Eu e meus irmãos partilhávamos deste gosto pela cultura, principalmente filmes e quadrinhos, mas eu e o André - o médico - é que corríamos atrás. Teve uma época que nossa coleção de VHS tomou proporções pantagruélicas. Comprávamos filmes que saíam com os jornais e em ponta de estoque no centrão de São Paulo. Naquele período a rede Blockbuster fechou um bocado de pequenas locadoras e compramos uma penca de filmes legais a bom preço. Não tínhamos tanta grana, mas virou uma mania e chegamos a ter filmes raros e muitos não conseguimos nem assistir. Lógico, não tínhamos família pra cuidar e podíamos nos dar ao luxo de colecionar coisas assim. Com a chegada do DVD começamos a substituir aos poucos aquilo que nos importava, mas já sentia aí que era melhor ir com calma e selecionar o que realmente valia a pena.

O mesmo se deu com livros, assim que comecei a trabalhar com carteira assinada eu tratei de adquirir os clássicos: Madame Bovary, Divina Comédia, Dostoiévski, Voltaire, Poe, Camões e tantos outros. Nos anos 80 eu entrei para o Círculo do Livro e aí foi só alegria com o Nome da Rosa, Tchekov, a coleção completa de Sherlock Holmes e um vasto repertório de publicações contemporâneas. Em Sampa, eu e o André nos revezávamos em títulos de aventura e mistério que incluíam Júlio Verne, HG Wells, Lovecraft, Phillip K. Dick e o que mais fosse possível, muita coisa eu nem consegui ler, como alguns do Stephen King.

Hoje não é mais assim e não é só uma questão de dinheiro, isso se arranja, é que perdemos algo ao longo da jornada, como se nos motivássemos; longe uns dos outros, não trocamos amiúde as impressões transmitidas pelos filmes, quadrinhos e livros.
Gosto muito do Umberto Eco, tenho todos os livros dele até o "A Misteriosa Chama Da Rainha Loana", os últimos romances que ele publicou eu nem me dei ao trabalho de ler resenhas.

Meu DVD quebrou e ainda não mandei arrumar ou comprar outro para assistir esporadicamente os meus clássicos de cabeceira. Algo realmente ficou pelo caminho.

O que me fez pensar a respeito disso tudo o que escrevo hoje foi quando assisti a um videocast do Pipoca e Nanquim onde o tema era uma coleção de boxes em DVDs de clássicos do Si Fi e Terror. Material raro e imperdível para quem é fã deste segmento. Em outros tempos eu não mediria esforços para ter este material, assim como uma coleção de livros que disseca os bastidores de produções que me fizeram a cabeça como O massacre Da Serra Elétrica, Evil Dead, Sexta Feira 13 e outros. Hoje, embora exista o interesse, não tenho mais a velha disposição, e como já disse, não é só grana, é não ter mais meus irmãos por perto para dividirmos as sensações e opiniões.

Sei que tudo faz parte do processo. Na juventude queremos ganhar o mundo. Na idade madura sentimos que o mundo não está nem aí para nós. Na velhice (ou entrando nela) nos damos conta que já estávamos fadados à derrota pelo mesmo mundo que queríamos conquistar.

Meus irmãos e alguns amigos queridos foram mudados, assim como eu, pelas circunstâncias, pela vida ou pelo que for. Sei que isto é natural. Só não sei dizer se é bom.... acho que não é.