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terça-feira, 31 de março de 2015

NOITE NA TAVERNA (CENA 3).


Estou totalmente focado na conclusão do projeto Edgar Allan Poe, principalmente agora que os trabalhos remunerados sumiram. Tenho batido em algumas portas mas elas não abrem; bem algumas deixam uma frestinha, com a corrente engatada, dizendo: sorry, man, conheço e gosto muito do seu trabalho, mas seu estilo não é o que meus clientes procuram. Continuarei batendo. Alias, acho que "A Escrava Isaura" não virá.

Voltando ao Poe, por conta dele não rabisquei mais nenhum desenho pessoal e minha cabeça está fervilhando de ideias. Como falta bem pouco para finalmente comemorar a conclusão, resolvi mudar minha tática de trabalho; eu fazia assim: desenhava uma página e em seguida já dava todos os tons e meio tons e passava para a seguinte, sempre procedi assim em todas as minhas hqs, agora resolvi mudar, vou esboçar as POSSÍVEIS oito páginas que faltam para finaliza-las depois. Assim posso dividir melhor o meu tempo ao longo do dia. No fundo talvez não faça tanta diferença, mas mudo um pouco a tática e quem sabe diminua o meu cansaço mental.

Hoje mais uma cena de um clássico. Bom dia proceis.
PS - Esse texto não me agradou, digitei muito depressa, não sei se fui claro ou se contém erros.


sexta-feira, 27 de março de 2015

POE (IMAGENS E ESBOÇOS).



Fecho os meus olhos. Respiro fundo. Procuro lá no íntimo a calma em meio à tormenta.
Hoje estou oficialmente desempregado. Talvez ainda venha A Escrava Isaura para ilustrar. Talvez. Depois disso, só Deus sabe. Faltavam cinco livros para fechar a coleção de clássicos brasileiros e embora o que me pagavam estava longe de ser o ideal, é o que mantinha a maioria das minhas contas em dia. Disseram que o break é momentâneo. Já conheço o filme. Há recessão em todo lugar.
O mercado encolheu muito nos últimos dois, três anos. Onde bato só encontro portas fechadas. Mas não esmoreçamos. Não existe emprego apenas de desenhista.


Enquanto esperava pelos livros que não virão, eu trabalhei no projeto Edgar Allan Poe da melhor forma que pude. Falta bem pouco agora para a conclusão. Dedicando-me a ele, não criei nada para mim, nem sequer um daqueles rabiscos à caneta  nos meus caderninhos. Espero que os frutos de todo este esforço não sejam ácidos, mas doces e saborosos. Vamos torcer pra eu acabar esta jornada logo, preciso urgente encontrar outro caminho.

Beijos a todos e bom fim de semana.






terça-feira, 24 de março de 2015

GALERIA DE FANARTS DE ZÉ GATÃO.


Será que se eu tivesse publicado um álbum de Zé Gatão por ano, como foi idealizado por mim, eu estabeleceria o personagem como um dos grandes da produção nacional? Eu tinha nos primeiros anos dezenas, centenas, milhares de ideias para vários livros, Me dar conta de que não seria possível colocá-las na praça foram minando minha produção e abortei a maioria. Afinal, pra que tanto esforço? E se fosse um livro a cada dois ou três anos? Acho que teria sido possível destacá-lo. Ou não. Dizem que brasileiro tem memória curta. O Leão Negro da Cynthia e do Ofeliano teve vários álbuns publicados, é bem mais conhecido que meu felino e quando abordo o tema para a rapaziada mais jovem ninguém parece conhecer ou sequer ouvido falar.

Bom, o próximo livro que a Devir vai publicar parece mesmo que será o último deste gato. Tem material inédito guardado, mas quem se interessa? São novos tempos, um novo público e minhas histórias ambientadas num violento universo antropomorfo já estão cheias de pó e teias de aranha. Mas acho que fecharemos com chave de ouro.

No meio da caminhada encontrei gente nova, talentosa, profissionais com muito gás, que me presentearam com sua visão do personagem, o que me dá a certeza que valeu a pena cada minuto na prancheta, além do retorno que recebo de vez em quando. Zé Gatão é um personagem bem querido pelos poucos que o conhecem.
Todas as artes já foram publicadas aqui. Achei que seria legal reuní-las. Meu obrigado a todos. Só espero não ter omitido ninguém, afinal minha cabeça está em constante convulsão.

Lembrando que o felino taciturno fez participações nos dois números de Zoo, do Nestablo Ramos.

Ah, sim, o famoso Thony Silas prometeu a versão dele mas ainda não chegou. Tudo a seu tempo.

Anderson "ANDF" Ferreira

Gilberto Queiroz

Allan Alex

Chairim Arrais

André Rodrigues

Braga

Milson marins

Renê Santino

Alex Genaro

Elder Carvalho

Luca Fiuza
Gil Santos

Teo Pinheiro





sexta-feira, 20 de março de 2015

NOITE NA TAVERNA (CENA 2)

Bem cansado hoje, pra variar, mas o motivo foi que não consegui dormir a noite passada. Por volta de duas da manhã a energia elétrica foi pras picas, caía uma dessas chuvas de cachorro beber água em pé, com relâmpagos e trovões que faziam os vidros das janelas tremerem. Um calor sufocante, pegamos no sono com o dia amanhecendo, inclusive, tive o que chamam de paralisação do sono, que é quando você sonha com algo desagradável que parece real e não consegue se mexer. Horrível!

Na tarde anterior, um caminhão numa velocidade injustificada, arrebentou um fio de alta tensão aqui na esquina da minha rua nos deixando sem luz por cerca de três horas. Resultado disso tudo? Trabalho improdutivo. Uma página do Poe que consegui resolver muito bem está ainda nos estágios iniciais de sua finalização. Mas a gente segue em frente.

Conversando rapidamente hoje com um vizinho da rua, um coronel das forças armadas, fico sabendo que uma noite da semana passada bandidos pularam o muro de sua casa, forçaram a grade da janela (provavelmente com um macaco hidráulico) e entraram. Surrupiaram vários pertences, incluindo o Playstation 4 do seu filho e ele só deu conta na manhã seguinte. Na mesma semana dois vagabundos dentro de um carro estacionado num prédio próximo ao meu aliviaram alguns passantes de seus pertences. Ah, mas claro, culpar o governo federal do PT por esta bagunça toda é perseguição da minha parte! Eu só tenho que pagar os altos impostos, se quiser segurança devo me virar como puder.

A cabeça tá cheia mas tem muita ideia rolando, só preciso de tempo pra por tudo no papel. Por hora fiquem com  a segunda imagem de Noite na Taverna.


Se Deus permitir nos falmos de novo semana que vem.

terça-feira, 17 de março de 2015

POE NA RETA FINAL ( MAS AINDA DEMORA UM TIQUINHO )



Sem tempo para divagar, passo aqui para deixar umas artes para vocês. A bio do Poe começa agora a descer a ladeira, estou perto de acabar, mas ainda tem o trecho final, onde requer uma carga dramática maior nas cenas.
Vejo a linha de chegada, mas a vista pode enganar, os últimos passos, sabemos, são os mais difíceis.

Sigo trabalhando sem pensar no antes, nem no que virá, após a conclusão.


quinta-feira, 12 de março de 2015

NOITE NA TAVERNA (CENA 01)


Estou caminhando, mas não cantando a canção. Não está sendo fácil mas prossigo com fé. Abro meus e-mails algumas vezes ao dia sempre na espectativa do PDF de um novo livro. Desde o último ano as ofertas de trabalhos remunerados vem minguando de forma espantosa. A minha parte eu faço que é estar sempre em contato com editoras e, lógico, à caça de novidades.

Continuam aparecendo projetos de hqs, mas como sempre é trabalhar primeiro para ver se aparece grana depois. Não, por hora, não dá.

Hoje começo a apresentar as artes criadas para o clássico do Álvares de Azevedo. Só poderei mostrar algumas ilustrações e infelizmente não pude retratar as cenas que me deram vontade pois a editora já me enviou as sugestões sublinhadas no corpo do livro.


De vez em quando eu falo sobre as coisas que estou lendo, assistindo, etc. Pode servir de sugestão para alguém, quem sabe?

QUADRINHOS : Esta semana resolvi reler "A Saga Do Monstro Do Pântano", escrito pelo Alan Moore e ilustrado pela dupla Stephen Bissete e John Totleben. O que dizer? Continua empolgante e aterrorizante como da primeira vez que li, ainda nos anos 80. Se nunca leu não sabe o que está perdendo.

MÚSICA - Não adianta, só ouço coisa antiga: Eric Clapton, George Harrison, Roy Orbison, Fleetwood Mac, para citar alguns. E muita música clássica também, neste exato momento escuto "In a Chinese Temple Garden" de Albert Ketelbey.

FILMES - Faz tempo que não vou ao cinema, infelizmente, sabem como é, pouco tempo e principalmente pouca grana, mas a internet está aí para dar uma força. Olha o que eu assisti:
1 - "Sniper Americano" - muito bom!
2 - "Birdman" - bastante criticado por alguns jornalistas especializados em cinema mas eu gostei a bessa.
3 - "Grande Hotel Budapeste" - Excelente!

LIVROS - Tirei da estante e soprei a poeira do "Miguel Strogoff" de Julio Verne, uma edição de 1965. Eu precisava de uma aventurona para relaxar. Nem preciso dizer que é bom pra cacete, né? Livros e gibis eu tenho que ler sempre no ônibus ou nos intervalinhos que dou para repousar a mão, então demoro mais do que deveria.

SÉRIES - Bem, só posso assistir antes de dormir. Além de Walking Dead, Gothan e Agentes da SHIELD - que acho que estão bem legais - quero destacar Agente Carter, da Marvel. Emularam legal os antigos seriados matinês dos anos 50. A (quase) namorada do Capitão América dá muita porrada nos marmanjos, sem perder a classe nem borrar a maquiagem, no período pós-guerra.
Eu e Verônica estamos acompanhando Better Call Saul, o derivado de Breaking Bad e recomendamos ( pelo menos o que vimos até agora).

Bem, de resto, continuamos caminhando, mas ainda sem cantar a canção.

Desejo um excelente weekend a todos os gatões e gatinhas que me prestigiam aqui.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A CENA FINAL DE ESAÚ E JACÓ.


Enfim chegamos à última imagem do clássico de Machado de Assis. Lógico que muitas artes para este livro ficaram de fora, mas acho de bom tom não usar tudo aqui, que fique alguma coisa inédita para quem for adquirir o livro.


A tragédia com o irmão da minha esposa semana passada congelou nossas vidas. Foram momentos extremamente difíceis e não me sinto com permissão para falar sobre isso. Em respeito à família dela passo por cima desse assunto.
Neste tempo não trabalhei, não dormimos direito e só nos alimentamos por que saco vazio não para em pé. Esta semana retomamos a rotina. Sigo no Poe.

É bom estar com vocês de novo. Viva a vida!

quinta-feira, 5 de março de 2015

NEVERMORE.


Dias de luto para a família da Verônica.
Rotina totalmente alterada.
Não basta a dor da perda, ainda tem a luta para o sepultamento.
Não há clima para palavras.
A ilustração para uma das obras do Machado de Assis tem algo a ver.

 

segunda-feira, 2 de março de 2015

MUNDOS OPOSTOS. Um conto do universo Zé Gatão por Luca Fiuza.



      Em uma das tantas cidadezinhas de veraneio litorâneas que enchiam a chamada Costa Dourada, Zé Gatão estava trabalhando há algumas semanas como Guarda Vida em uma pequena praia privativa, propriedade de um poodle ricaço que gostava de passar a temporada de sol em sua enorme e dispendiosa mansão de número excessivo e ignorado de quartos. A citada praia era a melhor da região com sua areia fina, de um branco perolado. Ali o mar era calmo de poucas ondas, águas mornas, muito azuis. Apaixonado pelo local, o endinheirado canino logo o comprou, tornando-o um parque de diversões para ele, seus amigos e suas garotas. Eventuais intrusos eram pouco delicadamente expulsos por seu sempre vigilante corpo de seguranças, uns cachorrões feios de origem indefinida, mas impecavelmente vestidos com uniformes pretos com o logotipo da empresa do poodle no quepe e no lado esquerdo do grosso casaco, onde em um coldre interno guardavam pistolas de último tipo, discretamente mostradas a quem tentasse entrar, ousando reclamar por não poder frequentar aquela praia. Na maioria das vezes, a cara feia destes seguranças e uns ocasionais sopapos bastavam para esclarecer as coisas aos insistentes e evitar maiores problemas.


        Hora do almoço. Costumeiramente, o felino cinzento almoçava com o poodle e sua turma à beira da praia, mas naquele dia em particular não estava com paciência de ouvir idiotices vazias, suportar o flerte superficial das cachorrinhas perfumadas e principalmente o exibicionismo do poodle rico, só falando de suas posses, de quanto tinha ganhado no Mercado Financeiro e aguentar aquele bando de bajuladores fazendo elogios rasgados à capacidade do sujeito de ganhar dinheiro. O riquíssimo canídeo não gostou de saber que ia perder a companhia do felino, quando este comunicou sua decisão de almoçar na cidade. Apesar de toda a sua empáfia, o poodle gostava de Zé Gatão e admirava secretamente sua independência e nível cultural. O gato era o único dentre todos os outros que não se deixara enfeitiçar pelo fascínio e pela riqueza ostentados pelo empresário. Falava pouco, mas suas colocações eram sempre bem embasadas. O poodle percebia que seu mundo não agradava ao grande gato, mas este nunca fizera nenhuma observação, mesmo se perguntado de maneira direta. Era eficiente em seu trabalho, educado com os convidados e demais empregados. Extremamente discreto. Ótimo profissional. Portanto, a presença do felídeo acinzentado servia de certa forma como um efeito moderador para que o poodle começasse conter um pouco suas bazófias e procurasse melhorar o nível da conversa. Nunca conseguia. Infelizmente, a medida de sua riqueza não era a mesma em se tratando de cultura geral.  No entanto, o cão queria beber dessa fonte, e consequentemente, procurava manter Zé Gatão constantemente próximo. Não naquele dia.


O poodle pagava razoavelmente bem. Contudo, Zé Gatão resolveu almoçar em um restaurante mais simples, localizado na periferia da cidade. Estava economizando para comprar uma moto e sair dali o mais rápido possível. Já passara tempo demais salvando cadelinhas afetadas que fingiam se afogar, em meio a gritinhos esganiçados, denotando uma falsa encenação de namorico para supostamente dar certa cor à suas existências de criaturinhas entediadas. Trocou a sunga verde apertada e a camiseta vermelha cavada por uma camisa sem mangas branca, calça jeans de um azul desbotado sem cinto, meias brancas, tênis vermelho e branco de uma marca um pouco cara que ganhara do patrão. Tomou um ônibus na orla e desceu não muito longe do lugar de destino, região mais pobre da cidade.
Entrou. Sentou-se junto à grande janela envidraçada do restaurante. Pediu o prato do dia e uma caneca grande de cerveja estupidamente gelada. O local era simples, mas agradável.
Comeu bem. Muito melhor que a comida cheia de elaborações, decorações e outras delicadezas que aqueles ricaços bobalhões degustavam cheios de não-me-toques. Enquanto comia a sobremesa, um delicioso e simples manjar branco, notou uma cena inusitada na pracinha do outro lado da rua. Em um banco estava sentado um casal. Um boi e uma vaca grandes e gordos. Pareciam estar discutindo. Os mugidos recrudesciam. Dava para ouvir do restaurante. Os eventuais passantes mudavam de direção. Mães e babás aterrorizadas se afastavam levando filhotes que choravam por serem tão abruptamente impedidos de continuar seus folguedos. No restaurante, a clientela se agitava. Zé Gatão olhava intrigado de sua mesa, enquanto terminava sua cerveja.
O enorme boi se levantou e começou a mugir mais alto enquanto espancava a vaca que a cada tabefe oscilava o corpanzil, soltando um vagido de cortar o coração. As pessoas se perguntavam se ninguém ia fazer nada. Um burburinho só, gritos penalizados, mas ninguém movia uma palha para socorrer a infeliz vaca que caíra do banco sob a chuva de tabefes e era pisada no chão pelo boi ensandecido. O dono do restaurante, um urubu velho com uma guimba de cigarro apagada no canto do bico se aproximou e perguntou ao musculoso gato se ele não iria fazer nada.
- E vocês? Há muitos de vocês por aqui. – Falou calmamente o felino olhando para os clientes do local que se acotovelavam para tentar assistir a cena deprimente.
- Você é grande e musculoso e poderá enfrentar aquela bola de gordura! – Grasnou o urubu velho. Murmúrios de aprovação foram ouvidos entre os presentes.
Zé Gatão deu os ombros e ergueu-se lentamente. Sob os olhares assustados de todos saiu à rua. O boi continuava estapeando a vaca que parecia estar semiconsciente. Aproximou-se calmamente do agressor que de tão entretido com a violência que praticava nem percebeu a presença do felino. Prosseguindo sua caminhada, Zé Gatão foi até um orelhão, e discou o número da polícia. Rapidamente os policiais chegaram e se precipitaram sobre o boi agressor. Bateram tanto nele que tiveram que carregar seu corpo desacordado para o camburão, onde o jogaram brutalmente sem muita cerimônia. A cara do infeliz parecia um bife batido, toda arrebentada, dentadura arruinada. A vaca também foi levada para prestar depoimento na delegacia. Zé Gatão voltou ao restaurante, onde foi ovacionado por sua atitude. Irritado, refutou aquelas manifestações de reconhecimento.
- Calem a boca, idiotas! Qualquer um de vocês poderia ter feito o que eu fiz. Vão à merda todos vocês com seus elogios e agradecimentos!  – Pagou a conta e saiu dali enojado com o egoísmo e a covardia reinante naquela cidade de extremos.