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domingo, 30 de outubro de 2016

A PUTA MALUCA E A VELHA PEIDORREIRA.


Para entender de forma mais completa a postagem de hoje eu recomendaria ler um texto antigo deste blog:

http://eduardoschloesser.blogspot.com.br/2011/01/no-fim-das-contas-o-louco-sou-eu.html

O tal cão demente, comentado ao final daquela redação, morreu esta semana, dando finalmente um alívio aos ouvidos de todos. Não sei qual foi a causa mortis mas causou desespero nos demais loucos da casa, contudo, me admira que o cachorro tenha durado tanto, aquele bicho não era normal!
Parece que agora vivemos num ambiente de silêncio salutar.
O título bizarro de hoje faz referência às donas do animal. Não posso tecer mais comentários para não desagradar a Verônica, ela teme que isto possa ser lido pelas mulheres citadas, um dia. Até parece! É uma pena, daria um divertido comentário. Mas como todo mundo sabe, quando uma mulher ordena, o homem obedece. Dito isto passo para a próxima pauta.

Graças a Deus tenho trabalho até o final de dezembro, executo agora uma HQ encomendada, trata-se de uma adaptação em quadrinhos do livro do Muniz Sodré, O Bicho Que Chegou À Feira. Junto a mim, mais dois artistas muito feras do Rio de Janeiro. Cada um vai trabalhar num capítulo; a mim coube o terceiro. É trabalhoso em extremo dar vida ao roteiro de outra pessoa, mas gosto de desafios e estou gostando da empreitada, só não curto prazos apertados, mas como vocês sabem, nada pra mim vem fácil, ainda bem, no final posso dizer que matei mais um ciclope. Teremos outras informações à medida que o trabalho for sendo desenvolvido.

Agora o tema principal:

Finalmente a coleção de SKETCHBOOKS vai sair, entre eles, é claro, o deste vosso humilde servo.

Nem vou me deter falando a respeito, o realise da Editora Criativo já diz tudo. Quem for de São Paulo, vá ao lançamento, mais de vinte artistas que compõem a coleção estarão presentes assinando seus sketchbooks e batendo um papo legal com o público.

CRESCE SIGNIFICATIVAMENTE O CATÁLOGO DA EDITORA CRIATIVO COM LANÇAMENTO DA COLEÇÃO SKETCHBOOK – CUSTOM, QUE APRESENTA 30 NOVOS TÍTULOS DE ARTISTAS DOS MAIS DIVERSOS ESTILOS
O lançamento da coleção se dará no MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA / Biblioteca Latino-Americana, no dia 12 de Novembro, das 14h às 17h (impreterivelmente), com a presença de mais de 20 autores, se confraternizando e dialogando com o público.
Aproveite para fazer uma confraternização na Feira Gastronômica que estará ocorrendo no MEMORIAL nesta data.  
CONTAMOS COM VC – APOIE ESTA INICIATIVA — MAIS DE 20 AUTORES ESTARÃO ESPERANDO VOCÊ PARA UM BATE-PAPO DESCONTRAÍDO.

domingo, 23 de outubro de 2016

LIRA DOS VINTE ANOS ( FINAL)


Semana passada estive no shopping próximo à minha casa para resolver um assunto, foi umas horas antes de ser acometido por uma diverticulite (se é que aquele sofrimento todo foi mesmo uma diverticulite).

Como de praxe passo sempre em dois lugares, no espaço reservado aos cinemas olhar os cartazes (puxa, faz tanto tempo que não assisto a um filme em tela grande que nem sei!) e na livraria saber das novidades, sempre me detendo na seção de quadrinhos.

Sabem, as HQs terem virado um produto palatável para o dito "público sério" a ponto de ser destaque em uma mega livraria teve seu lado bom e ruim. O lado bom todos sabemos, seria o tal reconhecimento que - penso - os quadrinhos nunca exigiram, que era ser encarado como mídia de respeito - mas que quem produzia pleiteava.
Quadrinho é meio proletário, para povão, algo para ser consumido rápido em um ônibus, por exemplo, tem que divertir e entreter, se puder fazer refletir e se possível mudar alguma coisa para melhor, ótimo. Senão, ter absorvido o leitor durante uns minutos ou algumas horas já terá cumprido sua função. Dar a ele a obrigação de ser uma obra que vá além disso, que transcenda, para mim fica parecendo pedante demais. Claro que caras como Will Eisner, Neal Gaiman e Alan Moore deram um upgrade aos quadrinhos, concederam uma vitalidade nunca antes vista, mas ainda assim era (é) pura diversão. Outros, como Grant Morrison, Jodorowsky e Garth Ennis forçam muito a barra, com seu textos pseudo adultos e pretensiosamente vanguardistas que influenciam um sem número de novos autores que insistem em seguir os seus passos.

No cinema entendo que é possível você trabalhar percepções sensoriais, dar aos quadrinhos esta função acho que fugiria totalmente do que ele é capaz de executar com sucesso, embora seja possível, mas, sei lá, um gibi que você precise ler mais de uma vez para entender seu sentido acho que alguma coisa errada aconteceu ali.

Então temos obras com um papel de qualidade, capa dura, títulos laminados expostos numa livraria de respeito. Bacana! E isto nos trás ao lado ruim da coisa: vende pouco, é caro demais, limita o público, sem contar que nem todo conteúdo faz jus à beleza do acabamento. Depois de um tempo aquelas prateleiras antes tão grandes, tão abarrotadas de títulos vão diminuindo a olhos vistos, até serem jogadas num canto qualquer, escondidas em algum ponto da megastore.

Eu já fiquei orgulhoso de ver minhas histórias publicadas num livro bacanudo exposto na Saraiva e na Cultura, mas imaginei com este propósito mesmo, destinado a um público específico, mas seria legal se também tivéssemos um Zé Gatão mais modesto, para bancas, num boa tiragem. Parece um sonho que vai ficando cada dia mais distante.

Mas o que queria comentar mesmo é que antes, ao ver um quadrinho novo que fosse do meu interesse numa livraria, eu imediatamente o comprava ou me programava para fazê-lo, juntava meus trocados ou constrangia um dos meus irmãos a me presenteá-lo. Hoje isto parece ter passado. O quê? Tal editora lançou um livro do Moebius ausente na minha extensa coleção? Não, isto não pode faltar! Este pensamento, pelo menos nestes tempos atuais não passam mais pela minha cabeça. Não sei se isto bom ou ruim, mas querem saber? Não faz a menor diferença.


Com a imagem de hoje encerro as postagens sobre o poema do Álvares de Azevedo. Claro, há muitas outras, mas deixemo-las para o livro.

Uma boa semana a todos.



domingo, 16 de outubro de 2016

CHUN LI (STREET FIGHTER)

Eu estava ontem a noite desligando o computador e me preparando para dormir quando uma repentina dor surgiu na parte esquerda da minha região abdominal, uma pontada forte como as cólicas tão comuns quando se está com gazes. Foi crescendo ao ponto de eu não conseguir suportar. Passei em silencio pela Vera e o Fellipe (meu cunhado caçula) e fui me deitar. Eu suava frio. Começava a me contorcer na cama quando minha esposa, estranhando o meu comportamento, veio ver o que acontecia. Eu estava gelado e ela perplexa. O pouco dinheiro que temos são para pagar umas contas, tipo luz e internet. Tadinha da Verônica, ele deve ter um medo muito grande que eu morra, ela me disse isso a muitos anos atrás e nunca mais tocamos neste assunto mas toda vez em que eu fico mal, ela tenta mover o mundo para que eu fique bem mesmo com os poucos recursos de que dispõe. Ela rapidamente preparou um chá de boldo. Tomei. Não demorou muito, com a terrível dor onipresente, minha boca se encheu de água, sem condições de ficar ereto, caminhando trôpego como um ébrio fui ao banheiro e o vômito vei em enxurradas. Só um líquido amargo atravessou minha garganta e nada de alívio na dor abaixo da costela esquerda. Eu estava realmente muito mal, não sou exatamente aquele cara que se entrega mas aquilo estava fora do meu alcance. Existem algias que você controla, onde há uma posição do corpo em que a coisa fica menos incômoda, mas não era o caso desta.

Começou então a movimentação em casa atrás de uma farmácia que ficasse aberta 24 horas e que entregasse medicações a domicílio.


Enquanto eu rolava de dor na cama, tentando não gemer de agonia, ficava pedindo a Deus para não ter que ir para a UPA. Nestes lugares os médicos são sempre apressados, fica-se longas horas esperando atendimento num lugar onde você pode pegar infecções e os diagnósticos nunca são precisos.

A Vera vinha a todo instante me ver. As linhas das farmácias estavam todas ocupadas. Ninguém atendia. Já a beira do desespero, me levantei e liguei para o André, meu irmão que é cirurgião torácico que mora em São Paulo. Ele tem, assim como eu, muitos problemas e incomodá-lo seria a minha última opção, mas eu não estava aguentando aquela dor. E se fosse algo no meu baço? Ele atendeu prontamente e expliquei o problema e ele disse: "é quase certo que você esteja com uma diverticulite." "que porra é essa?", perguntei. Ele explicou. "O que devo fazer?" Procurar um médico que prescreva os antibióticos adequados. Que remédios você tem aí para o alívio da dor?" " Só tinha um paracetamol que devo ter vomitado logo após tomá-lo". Disse eu. Ele recomendou duas medicações para comprar na farmácia que ajudariam a debelar o problema. Agradeci e desliguei. Voltei para minha cama de dores, suando e me contorcendo. Eram quase 4 da madrugada. O plano da Vera era sair com o Fellipe e ir até a farmácia 24 horas que ficava uns bons quilômetros de casa. Ela não não saiu antes porque eu não permiti. Vivemos num lugar perigoso a noite. O André havia recomendado umas compressas de água quente no local  para aliviar a dor. Fizemos. Não adiantou nada. Por fim a Verônica insistiu para eu tomar um anti depressivo para ver se me ajudavam a dormir. Naquele momento eu tomaria qualquer coisa (QUALQUER COISA!). Em algum momento, entre meus gemidos e o calor, eu apaguei. Eles saíram as cinco para a farmácia e eu não vi. Voltaram com os remédios que o doutor prescreveu e eu não notei, a Vera me deu o remédio e nem me dei conta disso. Me acordaram sei lá a que horas para comer alguma coisa e verifiquei que a dor tinha ido embora. GRAÇAS A DEUS!
Comi uma sopa leve e um delicioso suco de melancia. Voltei a dormir. A minha guardiã me despertou para tomar nova dose do remédio e depois me fez tomar um mingau de aveia.

E aqui estou, contando para vocês como passei as minhas últimas horas.

Sinto-me bem.



O desenho de hoje é um destes que dá vontade de fazer na hora, sem um motivo especial. 

Abraços afetuosos a todos. 

sábado, 8 de outubro de 2016

LIRA DOS VINTE ANOS ( SEIS ).


Tem mais de uma semana que não faço a barba, provavelmente mais de uma semana, acho que dez dias, ela começa a pinicar. Não tem nada demais fazer a barba, levo de cinco a dez minutos na operação, mas dá uma preguiça danada fazer isto, é como cortar as unhas dos pés, acho um saco! Mas tem que ser feito, não posso parecer um homem das cavernas, a sociedade exige que eu esteja apresentável, embora eu não saiba exatamente porque.

O pior de fazer a barba é ter que olhar meu rosto diretamente no espelho, não gosto da minha cara, se eu encontrasse comigo mesmo na rua eu me daria um murro bem na boca, e diria: "Para de ser cuzão cara! Para com essas lamúrias, as pessoas vão pensar que cê tá muito mal e isto não é verdade! Para com essa auto piedade, não cola mais! E depois, quem liga? Todos tem problemas, uns tem câncer, outros tem loucos, alcoólatras, drogados na família! Outros ainda tem familiares na prisão! A vida é uma merda! Que mais podemos fazer senão aspirar o aroma bem fundo pra ver se o organismo se acostuma com o cheiro? Você deveria ter morrido a muitos anos atrás mas Deus te salvou, seja mais grato a Ele!"

Amados e amadas, eu juro que faria isso. Até porque sei que sou covarde demais para revidar minha própria porrada e acomodado o suficiente pra não ir à delegacia de polícia dar queixa de mim mesmo.

Mas me olhar no espelho continua sendo difícil.

Diante de mim tenho uma folha de papel com cores aquareladas preliminares sobre traços indeléveis a lápis. Devo esperar o papel estar mais seco para colocar outras camadas de cores, enquanto isto divido um pouco dos meus pensamentos com vocês, meus amigos e minhas amigas, afinal, isto não é uma espécie de diário?

No aparelho de som o Mark Knopfler canta sobre as Luzes de Taormina, há algo de divino na guitarra deste homem, algo que me toca ao ponto de chamar lágrimas aos meus olhos, ah, se um dia um desenho meu pudesse tocar alguém assim!

Apalpo a folha, já secou, isto significa que tenho que voltar ao trabalho. Na verdade eu queria me deitar numa rede e ler um bom livro, tenho montes aqui pacientemente me esperando, e também uns gibis legais que tenho que dar uma relida.

E queria comer uma bela fatia de bolo de chocolate com sorvete de creme, embora esteja gordo o suficiente.

Espero que gostem desta arte feita com pincel grosso para o poema do Álvares de Azevedo.

 




sábado, 1 de outubro de 2016

SELVAGEM É O VENTO.


Dia claro, lá fora.
O calor é forte mas em meu peito sopra uma brisa de inverno.
No papel, a tinta diluída em água forma imagens oriundas da minha alma.
A melancolia me abraça.
Vocês a dividem comigo?
Vamos ouvir Bowie juntos?

Obrigado.