Total de visualizações de página

domingo, 20 de novembro de 2016

MAIS UMA SEMANA PASSOU E EU NEM PERCEBI.

Fiquei quatro dias de molho em casa sem sair pra nada, o máximo que fiz foi descer com o lixo, não podia executar esforço absolutamente algum, assim exigia um exame que teria que fazer. Fiquei trabalhando estoicamente (como sempre) no meu quartinho, eu o apelidei de estúdio, mas não passa de um quartinho onde entulho meus velhos companheiros de jornada, ou seja, os gibis, livros e materiais de todo o tipo para criar o que chamam de arte, um ventilador que minha mãe me deu de presente e a pranchetinha velha de guerra. Além da minha esposa, meu mundo atualmente se resume a isto.

Foi bom ficar em casa sem olhar as caras ordinárias das pessoas, se pudesse acho que passaria o resto dos meus dias assim, mas não dá, não posso fechar os olhos e fingir que não existe um mundo lá fora, um universo cheio de babacas sem nenhum estofo a não ser sua natureza arrogante, corrupta e violenta. Mas sei que também tem o lado positivo,  existe o vento, o sol, as árvores e plantas, os cães (ainda que eles caguem nas ruas aos borbotões, os gatos são egoístas, não ensinam os canídeos a fazerem como eles, enterrar suas merdas). Há também pessoas legais, de sorrisos sinceros, ainda que seja algo cada dia mais raro.

Na sexta última fui fazer e tal exame e é estranho o que quatro dias confinado podem fazer, eu achava tudo muito estranho, como se a muito tempo eu não me relacionasse com as coisas prosaicas do dia-a-dia.
A mulher que colheu meu sangue deve ter errado minha veia, deixou uma mancha preta no meu braço, como se eu tivesse levado uma pedrada.
Me espantei com o valor dos exames, não é a toa que as pessoas pobres morrem nas imensas filas do SUS! Como você pode pagar tal valor por um simples exame de urina? Nem vou comentar.
E tem o exame dos excrementos que tive que fazer de forma seriada. Eu queria ter a coragem do Bukowski para falar sobre temas escatológicos, dariam postagens fabulosas sob a minha pena, tenho certeza, mas ainda não desenvolvi este total desapego por mim mesmo, então deixemos pra lá.


Pra tirar um pouco do amargor das minha palavras hoje deixo com vocês algumas imagens do último livro infantil que ilustrei.


Seria eu um desenhista eclético? Não sei, não julgo meus talentos, acho que sou um profissional que tenta fazer o melhor, só isso. Muitos acham que não levo jeito para trabalhar com temas infantis, e eu concordo, meus traços e cores tem algo de muito adulto, mas os petizes de hoje não são nem de longe como aqueles dos meus tempos de infante, então acho que consigo me safar.


O que posso falar sobre esta historinha? O título dela é "O Gordo, o Magro e o Castanho". Ela é adaptada de um conto da República Tcheca. E foi um pesadelo entregar no prazo.


Bem, por hoje já falei demais, volto agora minhas atenções para o novo quadrinho que me encomendaram: O Bicho Que Chegou à Feira, do Muniz Sodré.


Desejo a todos vocês, amados e amadas do meu coração, uma semana bastante frutífera.

Até a próxima.

8 comentários:

  1. Gostei muito dos desenhos, Schloesser. Esse último, do homem com o inseto, é meu favorito. Pra mim, as cores são lindas. Fui chamar o Leroy, que vê cores muito bem, e ele também gostou. Está decidido: você desenha e colore lindamente pra crianças. Quem discordar tá errado. Fique bem! Abraço e parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então, meus muitos obrigados a você e Leroy, Carla!
      Está tudo caminhando, devagar, mas sempre!

      Grande abraço!

      Excluir
  2. Força e fé, meu velho! As coisas são assim mesmo! Ouvi dizer que a vida é um pêndulo que balança entre o desejo de se ter e não conseguir e a frustração de se ter o que não mais se quer (por que já se tem). E que o segredo da felicidade não se está em nenhuma das duas pontas mas no breve e fugidio momento em que ambas se encontram no meio do caminho.
    O que precisamos é aguentar o suficiente para termos o maior número possível destes encontros que pudermos ter.
    Não á fácil, eu sei. Mas sigamos em frente!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bonitas palavras, Leo! Legais mesmo!

      Sigamos em frente, sim. Nós dois temos o que fazer juntos pelas próximas semanas, vamos torcer para ter sucesso.

      Obrigado e grande abraço!

      Excluir
  3. Eduardo! There are very many people around you who are living. Before that you should not close your eyes. Your illustrations are fabulous as always - the story already seemed familiar to me. Yes it is a well-known fairy tale.
    Keep your head high and think of the people who love you and your art.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Thank you for your encouraging words, Mira, they are very important.

      Kisses.

      Excluir
  4. É... é a vida. Não consegui pensar em algo melhor.

    É bom ser eclético e versátil, mesmo pra trabalhos exigidos por editoras. Achei interessante o detalhismo e as pinturas das páginas, ao mesmo tempo com personagens caricatos.
    Fez com aquarelas ou um também com lápis?

    ResponderExcluir
  5. Obrigado pelo seu comentário Anderson.

    Estas artes foram feitas apenas com aquarela.

    Quanto aos elementos caricatos, eu os uso em tudo o que faço, até nos trabalhos ditos sérios.

    Abração.

    ResponderExcluir