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domingo, 11 de junho de 2017

A JANELA COM GRADES.


Eu queria desabafar mais um pouco mas eu acho que vocês já se cansaram dos meus queixumes. Eu sempre fui assim, parecido com o personagem antropomorfo que criei, só não respondo na porrada às provocações (mas vontade não me falta).

Eu não faço arte tanto por gosto mas principalmente por necessidade. Ela deveria servir como uma porta para sair do mundo por pouco tempo.

Eu tenho apreço por cada desenho, claro, mas os encomendados são como aquelas crianças que amo mas não são meus filhos legítimos. Minhas crias são aquelas que faço para tirar do peito o que me oprime.

Cada arte, de alguma forma, tem um sentido bem nítido que só eu conheço. Então quando desenho um equino esmagando a cabeça do Zé Gatão num muro nojento, retrato um momento da minha vida onde sofro grande pressão.

Com o passar dos anos eu me dei conta de que a arte não é uma porta que me permite fugir um pouco do mundo, mas apenas uma janela por onde posso espiar o que poderia ser uma via de acesso para um lugar mais tranquilo. No entanto é uma janela com grades, eu só posso vislumbrar e desejar, não mais que isso.

Num mundo em que vivemos, tão caótico, sem tempo para as coisas bem simples, desenhar e pintar com o intuito de expurgar uma angústia é um luxo que não tenho mais. Mas eu tento.

Outro dia fui à padaria e as nuvens no horizonte revelavam uma magnifica pintura de Deus - um ocaso vermelho fogo com inúmeros matizes - e embora eu tivesse pressa, tive que parar para observar por longo tempo.

Me identifico muito com Kafka e o Willian Kurelek (pintor canadense), a sensibilidade sempre à flor da pele provocadas pelo terror ao pai, pelos inúmeros bullyings e fracassos amorosos.


A arte de hoje não foi feita por mim, é uma fanart criada num caderno de esboços por um desenhista amigo do Facebook chamado Erasmo Nunes (VALEU MESMO, ERASMO! ADOREI!!!)

Abraços e beijos a todos.

Até a próxima semana, se Deus quiser!







5 comentários:

  1. Um Zé Gatão pronto pra briga. Boa!

    Além das muitas nuvens de chuva da semana passada, vi quero-queros. Como esses bichos gostam de umidade!

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    1. Sim, Anderson, é legal ver um personagem pela ótica de outros artistas. Eu me sinto privilegiado. Nesta versão vemos um sorriso que eu nunca fiz no rosto do personagem.

      Quanto aos quero-queros...bem, eu já fui vítima da violência desses bichos! Total humilhação para mim.

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  2. Oi, Schloesser! Essa arte do Zé Gatão lembra aqueles episódios em que os super-heróis encontram seu lado maligno. Até que não seria má ideia bolar uma história dessas, com um Zé Vilão. Fisicamente, só mudaria a expressão facial. O rosto ganharia esse sorriso sádico. Parabéns ao Erasmo Nunes por esse "No more Mr. Nice Cat!". Ficou muito bom! Abraços!

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    1. Oi, Carla! Incrível como o nosso amigão Luca teve a mesma impressão que você.
      Seria mesmo interessante criar algo com um Zé Gatão malvado. Vou pensar em alguma coisa para o futuro.

      Obrigado pelo comentário e sugestão.

      Abraços.

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  3. MEU AMIGO LUCA SEMPRE DEIXA UM COMENTÁRIO NO MEU E-MAIL EM RESPOSTA ÀS POSTAGENS DESTE BLOG. ALGUMAS SÃO TÃO PERTINENTES QUE EU PUBLICO AQUI COM A DEVIDA PERMISSÃO DELE. sEGUE:

    "Este post sintetiza angústias, sonhos acalentados e desfeitos, amores perdidos e o que ainda se guarda como melhor da vida mesmo que pouco degustado. O fanart do felino taciturno ficou excelente. Mas me deu a entender, talvez pela expressão facial ser um outro eu do personagem...de personalidade avessa à do Zé Gatão que conhecemos. Foi uma impressão minha assim que pus os olhos na ilustração.
    Interessante ver este gêmeo malvado e não intencional do felino cinza. Quem o conhece sabe que ele jamais teria aquela expressão zombeteira. Mas foi interessante de observar. É isto não desabona a meu ver o trabalho do artista. Pelo contrário. Abre um leque de opções tipo: E se Zé Gatão fosse mau?"

    EU RESPONDO: CONCORDO EM GÊNERO, NÚMERO E GRAU, MEU VELHO AMIGO!
    OBRIGADO!

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