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domingo, 3 de dezembro de 2017

HISTÓRIAS ESQUECIDAS, LIDAS POR QUASE NINGUÉM.



Se pararmos para pensar bem a minha produção de histórias em quadrinhos é muito pequena, os livros que ilustrei ou capas que criei para revistas foram bem maiores. Teve, claro, os cinco álbuns do ZÉ GATÃO que sempre faço questão de sublinhar, afinal são meus filhos gerados da necessidade da minha alma de transmitir uma visão de mundo, mas fiz várias histórias eróticas no início dos anos 2000 que a maioria dos fãs do meu traço desconhece. Eram HQs que eram encomendadas e me davam total liberdade de criação, até o número de páginas ficava ao meu critério. Aproveitei para dar vazão à minha criatividade, este tipo de história sempre tinha um tema específico, com elementos quase sempre voltados para o humor, como se quem as projetava tentasse se desculpar por fazer, então se escondia atrás do véu da sátira - o cinema com a pornochanchada era basicamente isso, tirando onda com a Branca de Neve e os Sete Anões ou Chapeuzinho Vermelho - os catecismos do Zéfiro, hoje lendários, sequer tinham um enredo.
Um detalhe interessante é que os autores - grandes desenhistas da geração passada - não assinavam seus nomes ou inventavam um pseudônimo.
Eu para sair do lugar comum tentava narrar histórias de cangaceiros, homens da caverna, alguma ficção científica mequetrefe ou enredo policial e em algum momento eu enfiava a cena de sexo na trama, afinal era para isto que eu estava sendo pago.


Isto era publicado em revistas sem periodicidade, com papel vagabundo, e não raro com erros de digitação nos balões. Os títulos eram variados: Pervers, Panteras, Seximan e outros tais.


Com a chegada da internet publicações de sexo em bancas perderam sua força. Dois bons quadrinhos meus permanecem inéditos (um deles o tema era o das mil e uma noites), já falei sobre o assunto aqui no blog, não lembro em qual postagem.


Penso que essas minhas publicações sejam bem difíceis de achar, talvez em sebos, quem sabe?

Planos para reunir todo este material num álbum bem caprichado já existiu por parte de um editor, mas se esbarra na questão de dinheiro para levar a coisa adiante. Eu, pra falar a verdade, não me movimento e existem dois motivos para isto: Primeiro, é coisa do passado e eu gosto de pensar no futuro, em batalhar coisa nova; segundo, não sou muito fã desta fase, meu traço era bem ruinzinho,  pra ser sincero.

É isso aí queridos e queridas, até semana que vem, se o bom Deus permitir.

6 comentários:

  1. COMENTÁRIO DO MEU OLD PAL LUCA EM MEU E-MAIL. REPRODUZO AQUI:

    "Muito bacana mergulhar nos bastidores desta fase de sua vida artística que infelizmente não se transformou em um material devidamente organizado e com produção bem acabada como mereceria, sendo parte do desenvolvimento e histórico de sua obra. Se existisse como se deve com certeza agradaria a nós seus fãs sobremaneira. Seu processo de criação seria esmiuçado e divulgado em um belo livro encadernado em capa dura e papel de qualidade. No entanto tal sonho não se deu e o blog presta este serviço dentro de suas limitações. Ao menos esta e outras fases não ficam na obscuridade total graças à Internet.
    Abraço.

    Lucão."

    AGRADEÇO MUITO AS PALAVRAS, MEU VELHO!

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    1. Acrescento que ao contrário dos grandes astros que omitiam ou trocavam seus nomes, eu fazia questão de enfatizar o meu. Não há vergonha neste tipo de trabalho, na Europa, caras como Manara, Magnus, Crepax e Serpieri sempre foram ídolos fazendo pornô.

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  2. Feliz aniversário, Schloesser! Muita saúde e pique pra criar novos projetos em 2018. Parabéns pelos trabalhos antigos que o transformaram no Senhor Desenhista de hoje. E parabéns antecipados pelas publicações que virão. Felicidades!

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    1. Que legal que você lembrou, Carla! Recebo seus votos com muita satisfação, obrigado pelo carinho!

      Grande abraço!

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  3. As únicas hq's que fiz e pouquíssima gente viu, são ligadas a Kahdis, de quando criei no início do Ensino Médio. Uma época em que tentei trabalhar pra uma editora, mandando uma carta pra Abril Jovem.

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    1. Recebeu resposta da Abril Jovem, Anderson? Fui no prédio da Abril com meu portfólio no início dos anos 90. Só a redação da Playboy se interessou e nunca entraram em contato. C´est la vie!

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