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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

DESENHOS E MAIS DESENHOS, QUAL SERÁ O DESTINO DELES?


 

 A foto que ilustra o post de hoje mostra as dezenas de envelopes contendo centenas e centenas de ilustrações que fiz durante esses quase 40 anos de profissão como profissional, e digo isso porque neles contém bem pouco de coisas que fiz para mim mesmo, as particulares estão em algum lugar dentro de alguma caixa oculta nas pilhas que só fazem crescer.

Como DEUS é maravilhoso comigo, consegui vender uma arte original para um amigo e fã, o que veio bem a calhar pois os malditos boletos insistem em chutar a minha porta como mafiosos desalmados. Ele adiantou o dinheiro e eu fui caçar a tal arte. Procurei onde foi possível e fui empilhando os envelopes e num momento me dei conta: nossa! quanta coisa já produzi! Clássicos da literatura brasileira em sua maioria, mas também muita coisa para o público infantil e livros didáticos, até hqs encomendadas que nunca foram publicadas. E juro, isso é só a ponta do iceberg. Falando sem modéstia, as artes estão ótimas, tem clima, estilo e uma energia furiosa, depois de anos consigo ver a minha produção como autêntica, original, o movimento, as hachuras, as sombras, as expressões das personagens.... claro, nem tudo funciona, eu erro bastante, admito, mas mesmo essas em que falhei na anatomia ou perspectiva, o recado foi dado com sucesso. 

Isso me fez pensar uma coisa, algo que vez ou outra vem martelar minha mente: o que será feito disso tudo quando eu fechar os meus olhos? Isso não me tira o sono, mas depois que o saudoso Barata Cichetto saiu desse plano de existência e o excelente site dele foi encerrado e a obra dele, até onde eu sei, caiu no ostracismo, fica a questão, o que será feito da minha? Seria difícil para minha esposa, minha única herdeira, catalogar tudo e colocar a venda à quem interessar possa. Penso assim pois até para mim é difícil, entendem? 

Bah, vender artes originais, parece até piada, vivemos num país onde quem se interessa por isto mal tem o que comer, quem tem grana gasta com obras do Romero Brito. 

Talvez o destino delas seja a traça, o bolor, a lata de lixo ao invés de reimpressões em tempos futuros, afinal, quem se proporia a tal? E novamente, como a Verônica vai encontrar tal arte para tal publicação caso algum editor maluco queira por ao público novamente? Nem eu saberia dizer qual desenho foi feito para tal obra, nem me lembro mais, são quase 40 anos neste ofício! Eu fui acumulando as folhas sem fazer uma catalogação.

Bem, essas artes existem e eu me orgulho delas, não há o que fazer a não ser deixá-las onde estão e não pensar nisto, quando eu me for, tanto faz, o público que não conhece vai continuar na ignorância e o mundo continuará a girar. Não sei o que foi feito dos originais do Amigo da Onça, do Péricles, ou das artes do Carlos Estevão. Mas sei que muito do que o Carl Barks produziu foi destruído e também de outros grandes artistas num tempo em que os originais não eram devolvidos aos seus criadores, nem todos tem o privilégio de ter um museu como Hergé ou Frank Frazetta.

Ah, e a tal arte pela qual o amigo cliente me pagou, não consegui encontrar. Intrigado, procurei por ela aqui no blog e soube que eu eviei para um site de leilão de originais e não recordo se foi vendida ou se perdeu. Terei que fazer outra tal e qual, ainda bem que eu tinha digitalizado e feito uma postagem neste espaço.  

FIQUEM TODOS COM DEUS! 

 

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