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sábado, 16 de maio de 2026

AH, QUE VONTADE DE COMER ALGUMA COISA DIFERENTE!

 A frase que dá título ao post de hoje foi proferida por Francis, minha mãe, algumas noites do ano de 1972 ou 73, acho.

A vida sempre foi extremamente difícil para nós (a minha é até hoje), mas na primeira metade dos anos 70, antes de nossa mudança para Brasília, foi cruel! Sempre tinha o básico para a alimentação, mas geralmente aquelas guloseimas que encantam os petizes, eu só via pela tv com água na boca, tipo, chantily ou Leite Moça, como era conhecido o leite condensado. E nós (eu, ela, minha avó e os bebês, Gil e André) deitados na cama olhando para o teto conversando e ela vinha com a frase: Poxa, deu uma vontade de comer alguma coisa diferente!

Algumas vezes contávamos as moedinhas para ver se dava pra comprar uma fatia de um doce de leite numa mercearia que tinha numa galeria que dava acesso à Avenida Ipiranga. Havia uma barra de doce de leite da marca Zebu, muito conhecida na época, que eles dividiam em várias fatias e vendiam na tal mercearia. Quando dava, lá ia o pequeno Dudu comprar o almejado doce, que era dividido em pequenos pedaços para todos nós. Geralmente meu pai não estava em casa, na presença dele tais minúsculos prazeres não seria possível, ele era austero demais. Foram tempos duros, duros mesmo!

Pra falar a verdade isso não mudou muito nos anos posteriores, melhorou um pouco na capital federal mas sempre foi complicado, só no final da vida do meu pai, com alguns benefícios que o cargo dele no ministério da fazenda foram finalmente conquistados - depois de lutas na justiça - é que ele, minha mãe e meu irmão caçula tiveram vida mais confortável. Gil conseguiu um emprego bem razoável na Anvisa e o André, como médico em São Paulo, teve suas conquistas. 

Já eu nunca consegui respirar aliviado.

A tal vontade de comer algo diferente bateu forte uma noite dessas e em casa só tinha o básico. Nada tem faltado, tenho lutado muito para não ficar sem teto, alimento, luz, água e internet, mas aquelas coisas que meu paladar infantil as vezes ainda deseja, ah, isso ainda me transporta para aqueles doridos anos de 72 e 73, com a diferença que ao invés de 9 ou 10 anos, agora tenho 63.  

FIQUEM COM DEUS e até a próxima!   

PS - Não tenho mais feito desenhos particulares, então fiquem com uma imagem dos Rastreadores de Algures, HQ que venho produzindo há alguns anos em parceria com o roteirista e amigo Elton Borges.


 

 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

QUADRINHOS QUE RECOMENDO (A SOLIDÃO DE UM QUADRINHO SEM FIM)

 Boa noite a todos!

Vocês estão bem? Rogo a DEUS que sim.

Eu por cá, estou ok, e ok não quer dizer bem, mas que continuo vivo, respirando, caminhando e trabalhando (não tanto quanto deveria e gostaria, mas vá lá).

Sabem, acho que no atual panorama global é difícil uma pessoa estar bem, feliz, realizada e coisas tais, talvez aqueles ricos poderosos inconsequentes que não creem ou não temem o regresso do Salvador. O mundo já sofre as dores de parto e creio que não dá pra ser otimista quanto ao futuro, principalmente neste país ainda comandado por gente sórdida, pessoas cujas almas já estão nas mãos do inimigo. 

Mas vamos lá, não quero falar sobre isso, não adianta, só comecei citando essas coisas a título de desabafo. Hoje meu barco começou singrando em águas tranquilas e tudo apontava para um dia promissor, de bom trabalho, mas vocês sabem, basta uma gota de leite azedo para talhar todo o resto, assim como bastam algumas palavras com certa dose de veneno para tirar o brilho. Ventos contrários começaram a soprar; não obstante, não passou disso, apenas um vento, não foi suficiente para causar uma tormenta, mas já ouviram aquele ditado que diz que "cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça"? Pois é. O dia ficou improdutivo e aquela velha depressão me agarrou num mata-leão e orei a Jesus para não sufocar. Estou melhor agora. Salmo 46, amados e amadas, quando a angústia chegar, leiam o salmo 46 com os olhos da alma.

 Bueno, vamos ao assunto de hoje que é falar abreviadamente sobre um quadrinho que comprei em 2020 (tempos em que eu ainda comprava gibis), A Solidão De Um Quadrinho Sem Fim, do Adrian Tomine, edição da Nemo.


 

 A primeira vez vez que li algo desse autor foi lá pelo ano de 1998 (quando eu comprava muitos comics) e adquiri uma HQ da Conrad intitulada Comic Book, O novo Quadrinho Norte Americano, uma antologia de histórias, digamos, alternativas, índies, undergrounds ou como queiram chamar. O texto do editor afirmava que esse tipo de narrativa ia muito bem das pernas enquanto os super-herois davam sinais de cansaço - sim, já naquela época - e que avançavam como rolo compressor sobre a indústria. Dava pra ver que era exagero, até porque o conteúdo do livro deixava muito a desejar, pra mim só salvavam algumas poucas histórias, até os irmãos Hernandez (que gosto muito) pisaram no tomate, mas Daniel Clowes e Adrian Tomine valeram por todo o tomo. "Dylan e Donovam" era uma hq do Tomine que muito me chamou a atenção, sensível sem viadagem, traço limpo, muito bem executada. Procurei, na ocasião, por outras coisas deste autor sem sucesso, mas ele não me saiu da cabeça. 

Pelo que sei a produção dele é pequena, ele atua mais como ilustrador para publicações como a New Yorker. 

Adquiri uns anos atrás Intrusos (também pela Nemo) e gostei bastante, aliás, nem lembro do que se trata, preciso reler, só não sei onde ela se encontra, como vocês sabem, meu estúdio é uma espécie de pântano.

A Solidão De Um Quadrinho Sem Fim pretende ser uma autobiografia, um hobby de infância se torna uma carreira de autos e baixos. Situações constrangedoras, mostrando que o autor é sensível, sonhador e como todos os artistas, se veem mais do que realmente são e isto produz muitas vezes vergonha alheia. No vídeo que eu fiz acima para mostrar um pouco do conteúdo, notem o meu polegar destacando um quadro em particular, aquele é o Frank Miller, a cena que envolve esse superestimado autor (minha opinião) é algo muito comum a nós, desenhistas de HQs, que sonham com o sucesso.

Adrian Tomine fala de sua relação com o público, comparações inevitáveis com outros artistas independentes, entrevistas que foram fiascos, medos, inseguranças, relações pessoais, casamento, paternidade e as dificuldades para se estabelecer como profissional. Não foi fácil, mas se ele tivesse nascido no Brasil, seguramente (penso eu) não seria publicado lá fora. Aliás, ouso dizer que se ele tivesse passado 20% do que passei na vida, ele não teria sobrevivido, ou teria optado por outra profissão, mas claro, posso estar enganado.

Conclusão, uma ótima HQ provando que coisas do cotidiano, se bem narradas e ilustradas faz você esquecer de outros gêneros já consagrados.

Que vocês todos fiquem bem e breve pretendo voltar com mais uma HQ da minha biblioteca.

Abraços! 

"INTRUSOS", QUADRINHO QUE (RE)LI RECENTEMENTE 01

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