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sexta-feira, 15 de novembro de 2024

ZÉ GATÃO POR THONY SILAS.

 Desenhando todos os dias, mas como um louco, como fiz no passado, não mais. Não que não queira, é que não consigo; hoje, mais que nunca eu deveria preencher papeis e papeis criando quadrinhos e ilustrações, mas sinto um cansaço avassalador, sou tomado por uma prostração que me atemoriza pois sinto que vou matando as horas na espera de um fluxo de energia que me catapulte de forma a eu terminar o que vai envelhecendo nas minhas mãos e essa injeção de adrenalina não acontece. Todos os dias peço a Deus que Ele me permita terminar esses projetos que, parecem que se esticam e ficam cada momento mais distantes dos meus olhos. Eu poderia culpar a idade - e pode ser que ela tenha grande culpa mesmo, afinal, com o avanço dos anos vamos ficando mais lentos em tudo - ou poderia atribuir essa lassidão às pressões cotidianas como fazer dinheiro e viver sempre sob tensão, mas sinto que é muito mais do que isso, essa fadiga chega a ser espiritual, é quando chegamos naquela encruzilhada, olhamos para os quatro cantos e não vemos um horizonte definido.

Fui tomado por essa angústia quando realizava A VIDA E OS AMORES DE EDGAR ALLAN POE, mas mesmo naqueles anos eu trabalhava como um asno e o trabalho fluía. Hoje fica a impressão de que só caminho para trás.

Noite passada eu trabalhava em uma boa página de O NASCIMENTO DOS DEUSES, a prancha não era tão difícil, já fiz coisas bem mais complicadas mas a mão, o braço e o ombro doíam de cansaço, os olhos ardiam e não faltava muito para o fim, mas como eram quase 4h da madrugada, resolvi parar para dar continuidade quando acordasse. Tomei meu banho e me deitei, o sono me abraçou mas não foi reparador, após umas horas tive que me levantar para aliviar a bexiga (essa HBP é um dos tormentos que tenho que enfrentar na vida) e isso se repete umas duas ou três vezes todas as noites, de forma que esse sono picado cobra seu preço no decorrer do dia, principalmente no período vespertino. Consegui terminar a tal página dos Mitos hoje pela manhã mas sem euforia. Não falta muito agora para o final, mais umas 10 páginas e a capa, no entanto, tá difícil demais dar continuidade, eu nem sei direito porque. Tenho também os RASTREADORES DE ALGURES para dar prosseguimento, o projeto que envolve o filme de terror e as encomendas que sempre me ajudam a pagar pequenas contas. Dito isso, posso afirmar que tenho desenhado mais do que em qualquer outra época da minha vida, mas sem o mesmo contentamento de outrora. Reparo hoje que no ontem minha batalha era pela necessidade mas também por auto afirmação - o que envolvia um certo prazer em gerar - e isto, se não se perdeu, acabou se camuflando dentro de mim.

Eu queria muito não fazer nada.....estou cheio. Mas a carestia me levanta pelos cabelos e me empurra com força para a frente.

Findo os Mitos e Rastreadores eu perco minhas fontes de renda. Tenho procurado e não tenho conseguido trabalhos novos, não que eu tenha como dar conta, mas.....

Faz muito calor.  

Bem, depois do desabafo, vamos ao tema da postagem.

Encontrei o Thony Silas algumas vezes numa vida anterior, quando meu mundo ainda tinha cores. Ele é uma big star que trabalhou (não sei se ainda trabalha) para as grandes editoras estadunidenses. Talentoso, humilde (coisa rara), boa praça e diz que gosta muito do que eu faço.

Antes do fim do mundo, que aconteceu em 2020, eu sempre ia aos eventos de HQs que aconteciam em Recife e cruzava com o Thony, numa dessas vezes ele me presenteou com uma fanart do Zé Gatão. Ele disse que não ficara satisfeito e que faria uma muito melhor. Eu argumentei que não tinha necessidade mas ele insistiu. Ok, agradeci e falei que ficaria aguardando. Nos vimos umas duas vezes num hipermercado aqui perto da minha casa (parece que ele está morando aqui no bairro). Nos cumprimentamos brevemente e depois mais nada. Para quem não conhece o trampo do Silas, o Instagram dele é esse aqui: https://www.instagram.com/thonysilas/p/DARiJVjRZkO/?img_index=1

O desenho que ele fez do Felino ficou dentro de um envelope e esses dias, por acaso, encontrei. Ei-lo:


MUITO OBRIGADO, THONY!

Muito obrigado, amadas e amados, até qualquer hora.



 





  

12 comentários:

  1. Essas interpretações pessoais de personagens me atraem muito, pra falar a verdade as prefiro do que as que tentam replicar o original (nada contra, apenas gosto). Alias, essa do Silas provavelmente estaria no meu top 3 da seção fanart da edição PADA. Você ficou com alguma daquelas fanarts ou elas foram todas envios digitais? Essa falta de ânimo para tudo é algo que também me acomete. Outra coisa que me incomoda profundamente é a atual falta de entusiasmo e satisfação que sentia com várias coisas de outrora. Assistir a um filme (por melhor que ele seja) por exemplo, nem de longe da o prazer revigorante que sentia há 20 ou 30 anos.

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    1. Rapaz, é exatamente isso, o prazer nas pequenas boas coisas do dia a dia vão ficando para trás....e renovo minha dúvida: é fator idade ou o stress cotidiano é que provoca essa falta de entusiasmo? Provavelmente ambas as coisas.
      Semana passada assisti uns trechos do primeiro Rambo e isso me fez refletir sobre algumas coisas, mas vou concatenar algumas ideias aqui e fazer uma postagem sobre isso. Espero estar vivo para tanto (não estranhe eu ser tão dramático, mas vivo hoje como se amanhã não houvesse, tenho motivos para isso).
      Aquelas fanarts do Zé Gatão foram enviadas digitalmente, não tenho os originais excetuando uma.
      Mas então, a sua versão do álbum PADA é aquela que tem as homenagens? Se for, você tem duplamente um produto raro nas mãos.
      Obrigado demais por seu comentário!

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    2. Também estou vivendo um dia de cada vez, se paro para pensar no futuro, entro em parafuso. Quanto ao PADA, me refresque a memória. A versão original com edição muito limitada é de lá de 2013 por aí e sem os fanarts, depois a versão colaborativa com as fanarts que não vingou (2017?), e por fim a impressão por conta própria do Milson Marins da PADA STORIES essa com as fanarts (que é a que tenho)? A colaborativa eu lembro vc comentando na época no Face, rapaz, o tempo voa.

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    3. Meu caro, eu é que preciso ter a memória refrescada, não lembro de quase nada sobre esse álbum PADA. O que sei com certeza é que a primeira edição saiu em 2011 (ano em que a Devir publicou MEMENTO MORI). A que eu tenho o Milson me deu uns anos depois durante um evento, essa tem as fanarts, talvez tenha sido mesmo em 2017.
      A publicação de Zé Gatão sempre foi irregular e bagunçada. Por isso seria legal se o tal Omnibus saísse mesmo, reunir tudo num único volume. Mas.....

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    4. Sim, espremendo o cérebro aqui lembrei da versão colaborativa, ela foi planejada pelo Leonardo Santana (roteirista e criador do FDP, que sumiu do mapa), foi um financiamento coletivo tão desastroso quanto o Siroco e a partir daqui decidi não trabalhar mais com meus quadrinhos, mas Siroco se expandiu e eu resolvi dar mais uma chance.....e me desiludi.
      Então já sei, a versão PADA que você tem é a mesma que eu possuo. Se gosta do personagem, você tem sorte pois é a melhor, apesar de uns errinhos na edição.

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    5. Eduardo meu amigo, meu toc por dados sempre me leva a fuçar em baús empoeirados, uma breve pesquisa agora a noite, vi que a campanha para a reimpressão do PADA começou em novembro de 2016, desse mês até o começo de 2017 você postou no Face os fanarts que iam chegando com um breve comentário sobre o artista. A campanha não vingou porque não foi Flex como Siroco, pois mesmo com a baixa adesão, sendo Flex dá para se virar com o que se alcançou. PADA e Siroco tiveram números de adesão bem semelhantes, mas PADA pela data, tinha uma meta um tanto elevada. O apoio mais em conta para o album impresso era de 30 Reais (supondo mais 15 para envio que é a média de hoje), nada mal se considerarmos que hoje na Prismart sai 80 com frete incluso. Bom, agora vem a parte que estou pensando como foi que perdi, pois no fim de 2017 o Milson mesmo sem o apoio coletivo começou a vender o álbum no site, e provavelmente é o que vc tem. A venda dessa edição não deve ter durado muito, e só ano passado que eu meio que por acaso descobri que ela tinha retornado e finalmente consegui a minha (que é a mesma de 2017). Até hoje entretanto, eu não sabia da existência da de 2017. Uma curiosidade, eu não ficaria tão desolado pelos números obtidos com o felino nas campanhas que ele se aventurou, num levantamento que fiz de HQ nacionais que tentaram a sorte no Cartase, menos de 20% obtiveram êxito nos últimos 10 anos (Flex ou não).

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    6. Daniel, meu querido, obrigado por seu interesse e garimpagem. Eu não teria paciência, pra ser sincero; um bom motivo é que eu não tenho saco pra quase nada hoje em dia. Tinha me esquecido de muitos desses detalhes e principalmente as datas. O Leonardo Santana ao lançar o PADA no Catarse teve a intenção de tornar o produto mais caprichado, uma edição mais profissa com capa cartonada, orelhas e tudo mais. Pena que não vingou.
      Sabe, essa edição é um ponto fora da curva, os artistas pernambucanos fizeram o seu melhor e a edição foi muito bem aceita na noite do lançamento, fizeram até camisetas, mas também ficou só nisso, não houve uma divulgação mais ampla, findado as 50 unidades não se falou mais nada a respeito. Por isso o Leonardo tentou uma nova leva mais no capricho. Depois ele saiu da PADA e sumiu do mapa. Tempos depois o Milson me pediu autorização para imprimir mais umas unidades para o evento que chamaram de Feira Asgardiana (acho que postei sobre isso no blog), que deve ser a que nós possuímos. Depois disso veio o fim do mundo.
      Pelo que sei o álbum pode ser comprado pelo site da Prismarte (sem as fanarts, claro). Mas dois fãs do Zé Gatão tentaram adquirir o álbum, caneca e camiseta e não conseguiram finalizar a compra, não me pergunte porque.
      Pretendo fazer uma postagem sobre o que esse tomo tem em comum com CRONICA DO TEMPO PERDIDO, além serem histórias urbanas e curtas.

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    7. Corrigindo o último parágrafo: além DE serem histórias urbanas e curtas.

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  2. Identificação total. Vontade de não fazer nada na vida... nem mesmo viver.

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    1. Eu e você precisamos MUITO de tratamento físico, emocional e principalmente espiritual. Não é normal o que estamos vivendo, não tenho dúvidas, isso é opressão dos seres das trevas.

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  3. ZÉ GATÃO POR THONY SILAS.

    Olá, meu velho! Agora diante do micro vou escrever minhas considerações sobre sua última postagem! Na juventude temos uma natural energia física e mental, alavancada por nossos sonhos mais mirabolantes! Com a idade, esta energia poderosa vai também naturalmente declina. Ficamos mais frágeis com o passar dos anos! Tudo dimensionado pelas experiências positivas e negativas que vivenciamos, reforçados pelas perdas que sofremos nas diversas esferas de nossa existência! A adrenalina, às vezes é mais mental do que física, quando precisamos nos reinventar para poder a continuar a seguir vivendo neste Mundo Cão e ao mesmo tempo maravilhoso(ou estou errado?) - Imagino a dificuldade de terminar seus projetos atuais sob o peso das dores físicas, das inúmeras tristezas! Você os entregará a contento, pois sabe e sempre soube honrar seus compromissos! De fato, a idade nos faz mais lentos e o cansaço se instala antes do tempo que gostaríamos, ao lembrar que em nossos verdes anos tirávamos de letra ao realizar nossas tarefas, mesmo que volumosas! Eu entendo muito bem o seu desalento e as várias razões que tornam todas as suas sensações tão presentes em seu viver…! Mas ainda assim, sua resiliência se faz presente! Sua fé, sua confiança na misericórdia do Senhor te fortalecem em espírito, embora como sabemos, a carne seja fraca! Compreendo esta angústia que o acomete e te acompanha há anos! Imagino como é duro sentar diante da prancheta! Trabalhar muito até a alta madrugada, sem feriado, fim de semana ou dia santo (all work and no play makes Jack a dull boy – The Shining.1980)! Não ter por fim, o ganho financeiro que seu talento único mereceria! É decepcionante! Mas ainda assim, você resiste! Apesar das dores físicas e também as dores da alma, o Artista não se dá por vencido! Jamais! Seja no passado para se afirmar como profissional, seja para pôr o pão de cada dia à mesa! O prazer, creio eu, não morreu como um todo! Do contrário você faria qualquer outra coisa que não HQs e ilustrações!
    Interessante a história de seu contato com Thony Silas! Gostei do desenho que ele produziu do Gatão! Ficou peculiar! Uma versão mais pesada, mais agressiva e até mais assustadora do felino gris! Parabéns ao Artista Thony Silas!

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    1. Gosto de ler seus textões, meu velho amigo, gosto muito!
      Além de endossar, não há o que acrescentar pois você já disse tudo. Antes eu não entendia porque astros da música, do cinema, dos gibis e literatura saíam de cena, anunciavam aposentadoria e tals, hoje compreendo. Cansaço, desilusão, doença e até a sensação de haver cumprido a missão e não ficar se reciclando e enganado o público (falo de autores honestos).
      Sim, também gosto da versão do Zé Gatão feita pelo Thony, embora me pareça mais um mustelídio do que um felino.
      Obrigado e abraços, old pal!

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