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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A LEI (NUNCA CUMPRIDA) DO SILÊNCIO.

Vim parar no nordeste à minha revelia. Passados quase nove anos que aqui estou, ainda ouço a clássica indagação:
"Tá gostando daqui?" Tenho uma resposta pronta, "Me acostumei". Graças a Deus pelo incrível poder de adaptação que possuímos. Eu gostaria muito de me mudar, na verdade mudar de ares, ir para um lugar mais fresco, mas ainda não é possível. Um dos fatores que atrapalham (além do monetário, óbvio) é que sou um tanto acomodado e desorganizado. A cinco anos passados era uma meta que não abandonava meus pensamentos, aí algumas dificuldades foram tomando um corpo maior, o tempo foi passando e cá estou até hoje.
Moro num bom lugar, já disse isso; os loucos que me circunvizinham não chegam a ser um problema de primeira ordem, só o cachorro maluco continua me perturbando com seus latidos insistentes, o que nos leva ao coração desta postagem:
Duas coisas realmente me aborrecem em Pernambuco, é a música que toca por aqui. Longe de mim criticar o gosto musical de alguém, considero o meu bastante eclético, mas o forró- brega que se faz presente (tipo Calipso - e daí pra pior) ouvido em um volume ensurdecedor em cada residência, carro e boteco, é pra deixar qualquer um doido.
Faz um tempo já os telejornais noticiaram a criação de uma tal Lei do Silêncio. Boa, pensei, agora talvez tenhamos um pouco de paz quando alguém exagerar na dose. A tal lei pelo que fiquei sabendo, não vigoraria apenas naqueles horários que sabemos não ser permitido barulho, tipo, depois de 10 da noite e antes de 8 da manhã. Ela valeria pra qualquer um que excedesse um determinado volume de decibéis não importa a hora, ou que este som fosse extremamente irritante. Nestes casos, existe um número para denuncia. Me dou conta de que, ou ninguém se importa com a zoada como eu, ou a tal lei como tantas outras não é posta em prática.
O prédio vizinho ao meu (o do cachorro) está em reforma, os operários começam com a bateção de martelo e aquele irritante som de máquina cortando cerâmica às 7 da manhã.
Faz pouco tempo, eu e Verônica acordamos cedo para uma caminhada e de longe ouvimos um barulho de bate-estacas, daquele maquinário que coloca as fundações dos edifícios, um prédio estava sendo levantado a uns quarteirões do nosso e eram 7:30 da manhã!!! Ninguém se importa ou ninguém dá ouvidos às queixas?
Bem sei que este tipo de coisa não é exclusividade de Jaboatão dos Guararapes, já vi absurdos em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, mas aqui, creiam, a coisa é aberrativa.
E assim vou tentando sobreviver e trabalhar em meio ao barulho e o calor.

8 comentários:

  1. Eu sei exatamente como se sente . Já chegou a acontecer comigo e com minha família algo semelhante . Sucedeu de minha vizinha ( da qual não guardo nenhum rancor pelo contrario eu e minha mãe gostávamos dela e eramos amigos da família dela e sempre nós relacionamos muito bem ) ficar noiva de um sujeito medíocre chamado " Elias Amansio " . Este sujeito comprou uma mesa de som daquelas profissionais de musica de salão cujo som dava para ouvir a dois quarteirões de distancia da nossa rua . Foi o inferno na Terra para nós . Todo sábado . Pontualmente ao meio-dia ele começava a tocar aquelas musicas de forro brega daquelas bem de " Corno Apaixonado " e ia até altas horas da noite . Teve uma vez que ele só parou as 4 da manhã do dia seguinte ( !!!! ) . E nós não podíamos fazer nada chegamos a reclamar com o " PSIU " mas eles simplesmente nos empurraram com a barriga e disseram que não poderiam fazer nada pois como nossa residencia se encontrava próxima ao Aeroporto de Guarulhos era uma zona em que não valia a Lei do Psiu e mesmo com o " Corno Apaixonado " nos deixando malucos uma medição de decibéis seria invalidada pelo barulho dos aviões e isso invalidaria qualquer multa que eles lhe aplicassem ( ou pelo menos foi essa a desculpa de má vontade de ajudar que nós deram ). Sei que o " corno apaixonado " ficava lá se empapuçando de vermute e dizendo de vez em quando para todos na vizinhança ouvirem " Achou Ruim ? F**se ! " " Achou Ruim ? P*u no seu C* ! " . Chegou um ponto que meu Pai que era uma pessoa civilizada ficou de saco cheio e não vendo outra escolha teve que vender a casa que nós construímos no Taboão e nós mudar para outra no Jardim Adriana . Tudo por culpa do egoismo de um único sujeito que acreditava ter mais direitos que todos no Bairro . Mas a culpa também é em parte de todos nós ... Qualquer outras pessoas de qualquer vizinhança já teriam ido as vias de facto e chamado a policia ou então aberto um processo jurídico por perturbação da paz contra o " corno apaixonado " ( que Satanas o carregue algum dia desgraçado , egoísta ) ... mas nós não ... não fizemos valer nosso direito a termos paz na vizinhança onde vivíamos ... simplesmente " calamos " e " consentimos " com medo dele ... E é esse o problema ... primeiro começam com injustiças pequenas sem que ninguém proteste ... depois injustiças não tão pequenas sem que ninguém proteste ... dai vem injustiças maiores sem que ninguém proteste ... e finalmente injustiças imensas e ninguém quer mais saber de protestar ... nós poderíamos ter fincado nosso pé e dito " Escuta aqui o seu corno viado apaixonado ? Quem é que você tá pensando que você é ? " ... mas não ... nos borravamos de medo dele ... não ousamos sequer dizer nada em nossa defesa ... engolimos nossa dignidade e aceitamos isso ... outros por muito menos teriam ido já faz tempo ao juizado de pequenas causas mas nós preferimos " fugir " do problema ... mas e se um dia aparecer " outro " Elias Amancio aqui no bairro onde moramos que jogue para o inferno o respeito a vizinhança ? Vamos " fugir de novo " para mais longe ? E quando não tivermos mais nenhum lugar para fugir o que faremos . Realmente acho isso lamentável ...

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  2. Como diria um amigo otimista a tendência é piorar... tUDO DE BOM EM TUDO E SEMPRE.

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  3. Fala, Eduardo! Trabalhar com barulho assim é infernal. Final de ano me dei um presente: comprei numa farmácia um par de protetores auriculares. Pouco menos de R$ 10,00. A marca é 3M e é vendido como proteção para a prática da natação. Achei que talvez não fosse funcionar, mas não é que agora viciei dormir com ele? Meu vizinho está com visita (os pais e primos, entre eles um bebê) e conversam alto até tarde. Desconfio que o pedreiro usou papel pra levantar minhas paredes... então o jeito é apelar. durmo o sono dos justos.
    Abração,

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  4. Kaiser Leomon, que história você acabou de narrar, hein!!!! É incrível como todos temos uma narrativa absurda a respeito disso. Realmente hoje, mais que nunca, as leis criadas para nosso "bem estar" são burladas pela meaquinhez e egoismo.
    Grato pela visita e um abraço.

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  5. Oi, Gilberto, rapaz, no passado já fiz uso de protetores auriculares para poder dormir a noite, nesta época eu morava numa quitinete que ficava no segundo andar de um prédio onde no térreo funcionava uma danceteria. De quarta a sábado até as três da manhã era complicado. Como vê a situação não é nova. Mas valeu a dica.
    Abração.

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  6. Como sempre, leis são registradas e dificilmente cumpridas ou respeitadas por qualquer. E será possível (uma idéia ousada que tive), um dia, colocar fiscais "à paisana" em ônibus outros locais (fechados ou não) probidos pra som super-ultra-mega-master altíssimo? Duvido...

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