Total de visualizações de página

sexta-feira, 13 de abril de 2012

AS MAIORES HQS DE TODOS OS TEMPOS - OS COMPANHEIROS DO CREPÚSCULO.

Ontem pela manhã encerrei a leva de ilustrações para os contos de Humberto de Campos e já tem mais um Machado de Assis na fila, tiro hoje um dia de folga para desenhar a pin up para o aniversário de "Os Carcereiros" do Nestablo Ramos Neto e também para comentar sobre uma das maiores hqs de todos os tempos.


Desgostoso (como sempre) com o panorama de hqs no Brasil - porque não dizer no mundo? - é quase um alento saber que um dia editaram "Os Companheiros do Crepúsculo", escrita e desenhada pelo francês François Bourgeon . Eu me atreveria dizer que é um material para quem esta cansado de heróis uniformizados, humor politizado e mangás. Hoje em dia tá muito na moda quadrinhos autobiográficos (alguns realmente muito bons) eu mesmo sigo por esta vertente embora recheie com cenas de ação num universo antropomorfo. A obra citada aqui não tem nada a ver com isto, trata-se de uma  aventura ambientada na idade média, um retrato quase fiel do período, eu digo quase por que os dois primeiros volumes da série tem como coadjuvantes alguns seres fantásticos muito populares no velho continente, seria algo como o saci para nós. Bem diferente, o terceiro álbum (mais longo), é recheado de suspense e tramas políticas.


As edições que tenho são da finada Meribérica, uma excelente editora portuguesa que faz muita falta. Quando comprei estes álbuns na década de 90, eles já estavam esgotados em Portugal, eu vi a primeira edição ainda em 1988 numa feira de quadrinhos promovida pela Livraria Presença em Brasília, aquela moçinha pendurada de cabeça para baixo e aquele cavaleiro em armadura rapidamente me chamaram a atenção, entretanto o alto valor do gibi não me permitiram compra-lo, só pude faze-lo alguns anos depois em São Paulo.


Fascinado que sou por sagas medievais (cruzadas, templários, o Nome da Rosa e coisas tais) esta se tornou uma das minhas séries favoritas em quadrinhos.
Eu não diria que Francois Bougeon seja um exímio desenhista de figuras humanas, vejam bem, nada errado com elas, muito ao contrário, são realistas, nada idealizadas, me lembram, inclusive um pouco Brueghel e Bosch, o que confere ao tema uma maior força, mas elas acabam perdendo um pouco a vitalidade quando comparadas aos cenários e adereços, esses sim as grandes virtudes deste artista. Soube pelo Arthur Garcia que ele se valeu da maquete de um castelo para poder desenha-lo sob diversos ângulos em "O Último Canto Das Malaterre", tomo que fecha a obra.


Ressalte-se que este autor gosta de protagonistas femininas a  julgar por suas outras séries de quadrinhos, elas são fortes em sua fragilidade, astuciosas e ingenuas, valendo-se de inúmeras artimanhas para sobreviver num mundo repleto de injustiças, estupros e toda sorte de violência física e moral (acho que fui redundante).
Não posso afirmar que seja uma leitura fácil, o texto original francês é arcaico, como se falava mesmo no século XIV, traduzido para um português medieval te obriga a uma leitura atenta.  


Está na moda hoje discutir se quadrinhos é literatura, como que para tentar dar ao mesmo legitimidade, respeito como forma de comunicação, como se eles precisassem se impor por comparação. Bobagem, "Companheiros Do Crepúsculo" prova que as HQs é uma forma de arte autônoma e poderosa.

2 comentários:

  1. Puxa! Parece bem legal! Na biblioteca municpal aqui do bairro têm alguma coisa antiga, européia, mas esse nunca vi.
    Ótimo final de semana,
    Abração,

    ResponderExcluir
  2. Rapaz, é uma pena que editoras brasileiras não publiquem pérolas como esta, tem muita coisa bacana. A Meribérica supria esta lacuna, mas faliu, temos a Asa (outra portuguesa), mas eu sempre achei os valores da Asa impraticáveis.
    Grato, abraços e bom fim de semana.

    ResponderExcluir