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quinta-feira, 13 de junho de 2013

FAMOUS MONSTER ( 04 )




Sinceramente? Nunca gostei da série de filmes Sexta Feira 13. Sempre achei um besteirol sem tamanho. Assisti ao primeirão na casa de um amigo do meu irmão, num quarto apinhado de garotões saindo da adolescência. Sabem como é, naqueles tempos o vídeocassete ainda não estava em todos os lares, era caro pra burro, então quem tinha um fazia a festa e convidava os amigos pra se exibir. Eu era um pouco mais velho que a maioria e estava ali de penetra, afinal, o convidado era meu irmão. Era um VHS pirata, e o filme não tinha legendas. A moçada estava curtindo, alguns tiravam sarro de algumas cenas, os punheteiros sorriam maliciosamente nas cenas de casais a beira do lago ou no beliche da casa esperando a morte pelas mãos do assassino misterioso.
Posso estar enganado mas acho que Sexta Feira 13 inaugurou este tipo de situação em filmes de terror, casais bonitos, rapagões se achando os gostosões, velhos azedos toda a vida e até tipos rejeitados pelas tribos para serem estripados por um psicopata imbatível. Tudo acontecia num lugar aprazível onde no passado uma terrível tragédia se dera. As pessoas vão morrendo uma a uma, na cama, no celeiro, na cozinha e por aí vai, o assassino só aparece mesmo nos 20, 30 minutos finais, geralmente pra ser derrotado pela pessoa mais improvável. A fórmula se repetia filme após filme.
Como assisti ao primeiro, apesar de não ter gostado, quis ver as continuações. Um pior que o outro. Mas sou teimoso. Para manter a tradição eu me submeto ao tédio mortal. Era assim com a festa do Oscar, não perdia um, embora soubesse que ia ser tudo a mesma coisa. Até que um dia desisti, dei um basta, nunca mais assisti a um Oscar. Aconteceu assim com a série Sexta Feira 13, no sexto capítulo da série eu sai no meio do filme e parei de me torturar com aquilo.
Porque assisti tanto tempo? Dois motivos: um é que a partir do terceiro filme Jason, o assassino cresceu, pôs no rosto deformado uma máscara de hóquei e barbarizou de verdade. Tornou-se assim como Leatherface um ícone incontestável. Era horrível, mas não dá pra negar o carisma do personagem. Confesso que eu torcia por ele. O segundo motivo é que naqueles dias não haviam muitas opções de lazer em Brasília, sendo cinema uma coisa relativamente barata e muito ao alcance da mão, e nas salas estes filmes duravam muitas semanas.
Pra ser sincero eu gosto do Sexta Feira 13 parte 5. É considerado o pior deles, atores e produção mequetrefe, mas me surpreendeu em muitos pontos, nem tudo ali era o que parecia, gosto quando o filme não escamba para o óbvio. Mas os efeitos especiais beiravam o ridículo.
Depois Jason foi pra New York, para o espaço e sei lá mais o que, e eu não me importava mais.
Certa vez no centrão de São Paulo, sem ter opção fui ver o que prometiam ser o último pois matariam o personagem e este seria conduzido pelo mesmo diretor do primeiro filme. Outra bobagem, nem lembro do enredo. Falam que o crossover do Jason com o Freddie Krueger é interessante, mas nunca me interessou. Vi o reboot que fizeram e achei lamentável.
Gosto da figura trágica e imponente do Jason e os filmes hoje me trazem certa nostalgia dos anos 80, que - pelo menos para mim - foram bem legais.



4 comentários:

  1. Eu nunca tive vontade de assistir algum filme do Jason! na verdade, eu só descobri que era ele no Sesta feira 13, agora! USAUSAU XD

    A ilustração está muito boa!

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  2. Pra você ver, Matheus, meu blog também é cultura, ainda que inútil, he-he-he.
    Legal que gostou. Tanks.

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  3. Acho que seu desenho é a única coisa legal sobre o Jason, Schloesser. Gosto de terror sobrenatural. O horror sádico, à moda do Jason, me desagrada demais. Vi o primeiro filme no vídeo, na mesma época que você. Éramos todos adolescentes: eu, meu irmão, um amigo nosso e um pobre garoto japonês que tinha acabado de chegar ao Brasil, como aluno de intercâmbio. O japonesinho não falava português, nunca tinha visto tanta violência junta e achava o "comportamento sexual brasileiro muito explícito e promíscuo". Pensei que ele estava se referindo ao carnaval, mas não: era dos excitantes dois beijinhos no rosto, quando amigos se encontram que ele estava falando. Imagine o choque cultural que foi ver o filme com o infeliz alternando rubor e pavor. :) Abraço!

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    1. Salve, Carla.
      Compreendo o que quer dizer sobre o terror sádico, no estilo Jogos Mortais, no qual o Sexta Feira 13 se insere. Mas no meu caso posso tolerar se tiver um argumento que me prenda, o que não é o caso dos filmes citados.

      Agora a sua história sobre o japonês me lembrou a forma desastrada que terminou uma amizade minha com um chinês recém chegado no Brasil quando eu era adolescente. Não tenho como relatar aqui, mas uma atitude minha numa foto fez com que ele se afastasse de mim, sem que eu pudesse entender porque. O choque cultural é muito grande, de fato.

      Abração.

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