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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

TIMELESS, DE GILBERTO QUEIROZ.


Quadrinhos são muito difíceis de se fazer, textos e desenhos tem que ser coesos, passa-se muito tempo na construção de situações que prendam o leitor. Uma boa hq tem que ter um narrativa competente, clima e "musicalidade" própria, ou seja, aquele "Q" que a diferencie das demais. Repetindo: é muito cansativo e complicado. Não a toa, conversando com o Jô Oliveira em Brasilia certa vez, ele me disse que depois de ter feito tantas pranchas de quadrinhos em sua juventude, não tinha mais paciência para tanto, dava preguiça. No lugar de uma página de quadrinhos ele preferia fazer várias ilustrações para livros, que aliás, eram muito mais rentáveis.
Malgrado tudo isso, qualquer um que tenha habilidade para desenhar e uma boa história para contar pode criar o seu gibi. Se não formos contar o fator tempo (time is money), é fácil, basta ter papel, lápis, borracha e régua. Depois dela completa, você pode grampeá-la e ela está pronta pra ser passada de mão em mão e lida por quem estiver disposto. Se tiver uma graninha pode ainda ser xerocada e distribuída no meio da moçada da sua comunidade. Só isso? Sim. Assim nasceram muitas boas ideias e fanzines. Minhas primeiras histórias em quadrinhos foram criadas como descritas acima, e eu só tinha um único leitor, meu amigo Luca, meus irmãos eram muito novos na época. Claro que uma coisa mais profissional a conversa é outra. Dizem que hoje ficou ainda mais fácil fazer gibis. Eu não acho. Embora tenha sido publicado em editoras de peso ainda encontro muita dificuldade para lançar meu material, talvez pelo conteúdo ou por não haver mercado, o fato é que estou mesmo convencido de que o esforço não vale a pena, se ainda crio alguma coisa é pela grande necessidade de faze-lo, como aquele espirro que não dá para conter, mas atualmente faço apenas para mim mesmo. Ainda resisto ao crowdfunding e detesto ler hqs na tela do computador.


Bem, tudo que disse até agora foi para comentar que o amigo Gilberto Queiroz teve colhões para lançar sua própria revista. E num capricho de fazer inveja a qualquer editora de renome, excelente impressão, papel de boa gramatura e um acabamento perfeito.

Como diz a música, "o carteiro chegou e o meu nome gritou, com uma carta na mão", assim mesmo, e como é bom receber presentes desta natureza; um: por vir da parte de uma pessoa querida, dois: em dias amargos uma encomenda assim é como mel descendo suave pela garganta. Muito obrigado, Gilberto.


A obra contém três histórias, todas muito bem narradas e bem desenhadas, duas dela com roteiro de Rynaldo Papoy. Gostei particularmente do primeiro conto. Sinistro.


Alguém poderia argumentar que o desenho do Gilberto ainda está verde para este tipo de publicação, mas eu responderia que de certas frutas verdes ainda se fazem os melhores doces. Não parece ser a pretensão dele agradar pela arte, o desenho dele é o que ele é, sua marca, seu estilo, e ele, como todos nós, vai se aperfeiçoando a cada trabalho. E esta é a segunda obra que vem a público. Que venham outras. Mais detalhes você encontra aqui:
https://clubedeautores.com.br/book/154212--Timeless?topic=quadrinhos%28hq%29#.UqcckfRDtt1

PARABÉNS PELO ESFORÇO E CORAGEM, GILBERTO.

4 comentários:

  1. Valeu, Eduardo! Eu é que agradeço sua paciência em ler e ainda resenhar minha "Timeless".
    Abração,

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    1. De nada, meu amigo, você merece pela coragem de meter as caras (fiz o mesmo com o primeiro Zé Gatão) para mostrar seu trabalho e isto é digno de louvor. Eu é que devo agradecer sua consideração em me mandar seu produto, que na verdade julgo que nem cheguei a resenhar, com meu tempo tão limitado como anda, não pude elaborar muito bem o texto. Mas acho que valeu a intenção.
      Grande abraço.

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  2. Parabéns e sucesso pro Gilberto! Boa resenha, Schloesser. Abraços!

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    1. Brigadaço, Carla, o Gilberto merece mesmo sucesso pois é um 'pusta' cara bacanudo e talentoso.
      Um abraço procê.

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