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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

PALAVRAS, UMA IMAGEM E NADA MAIS.


O cansaço domina meu corpo hoje como todos os dias, mas há momentos em que isso parece mais grave. Não é nenhuma novidade, sempre repito isso aqui. Durmo tarde, acordo cedo, mas esse não é o problema, acho que é a rotina, embora no fundo ela não me faça mal, desde que eu possa sentar à prancheta e fazer o meu trabalho sem interferências, mas tem sempre uma estática em vários pontos do dia afetando a produção. É como uma diminuta farpa na palma da mão, você não a sente a menos que resvale em alguma coisa, não consegue vê-la ou suprimi-la, mas incomoda desesperadoramente. Se ao menos meus esforços na arte dessem o retorno financeiro esperado....

Ainda não dei início a uma nova página de quadrinho do Poe, ela está aqui do meu lado, branca, aguardando. Na tela do computador à minha frente uma letra após outra vai formando frases recheadas de auto piedade para um público que diminui a cada dia. Antes este espaço era visitado por 500, 600 pessoas, depois foi caindo gradualmente. Durante muito tempo apareciam 200, 150 pessoas, depois 50 e atualmente gira em torno de 17. Devem ter se cansado. Não dá para culpá-los. Somos todos sedentos por novidades, principalmente num mundo tão veloz onde não há mais espaço para um café ou refrigerante com um amigo, aquele momento para falar amenidades, relembrar fatos marcantes; um mundo cada dia menor, mais mesquinho e frio onde decapitar pessoas e estuprar crianças se tornou banal. Acho mesmo que o momento de encerrar este blog está chegando, nada dura para sempre.

A tarde promete ser pesada com bastante esforço físico. Móveis para desarmar, carregar e tornar a armar.

O calor está muito forte. Faltou luz uma noite dessas. Um violento pipoco num poste próximo e o quarteirão ficou às escuras por mais de duas horas. Não corria brisa apesar das janelas abertas. Na semana anterior também não teve energia elétrica, mas nem sei o motivo. Sempre depois do sol se pôr.

Hoje pela manhã tive que dar uma saída rápida, os raios do astro rei agrediam a pele. Uma mulher da prefeitura recolhia o lixo das ruas, tinha um metro e vinte, se tanto, com galochas, luvas, boné e pesadas roupas de cor laranja escrito VARRIÇÃO em letras garrafais nas costas, a cena fez meus problemas parecerem pequenos. Quisera eu poder realizar algum sonho daquela moça.


Pudesse eu encontrar um amigo para conversar, como mostra este desenho, que nem ficou tão bom, para falar um pouco sobre quando éramos mais jovens e tínhamos toda uma vida pela frente...

8 comentários:

  1. Eduardo, juro que, se eu tivesse um minhas mãos a tal Máquina do Juízo Final, que tanto povoou histórias de ficção científica nos anos 1950/60, eu apertaria o botão e daria um fim nisso tudo, sabe? E sem remorso algum... Heheheh! Como vivo dizendo, o mundo está acabando de fato, não com bolas de fogo caindo do Céu, mas acabando num ritmo lento que nós nem percebemos. Isso, por si só, daria uma boa história, mas acho que não faria sucesso... Os valores hoje são outros, meu amigo. Tudo parece estranho, não? E esse sentimento me atormenta quase que diariamente, seja na TV, no trânsito, no meu trabalho, numa fila de mercado... Me sinto aquele sujeito que, um dia acordou e descobriu que estava em outro mundo, com duas Luas no céu e as pessoas todas agindo estranhamente; ou então, o último ser humano de Eu Sou A Lenda, do Richard Matheson. Mas o que fazer? Não abandone o seu Blog, não. Suas postagens são o pouco de razão que sobrou no meio de tantas coisas que vimos na internet. De coisas fúteis e sem-sentido, o mundo está cheio, meu amigo. Precisamos é de coisas verdadeiras e humanas, com sentimento. O resto que se dane!
    Abração!!!

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    1. Ah, Leandro, eu sempre digo que as palavras encorajadoras dos amigos são como um copo de água fresca pra quem caminha num deserto; dão uma tremenda vitalidade para prosseguir na jornada. Seus comentários, como sempre, pudesse eu, colocaria numa moldura. Agradeço demais a força.

      Também me sinto como o personagem de Eu Sou A Lenda, do Matheson, a cada dia mais. Tudo parece tão volátil que nem mesmo sei porque insisto nas minhas criações. Acho que somos sobreviventes de um outro tempo, o mundo mudou rápido mas nós e nossos valores permanecem como sempre foram, por isso esta sensação de inadequação. Não há opção senão seguir sempre em frente. Talvez por esta razão o blog continue, veremos o que o tempo dirá.
      Um grande abraço.

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  2. O desenho não ficou tão bom assim!? Eu desisto, Schloesser. Não sei mesmo avaliar. Pra mim, o desenho ficou ótimo. Desconfio que você exige demais de si mesmo. Abraço e melhoras!

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    1. Falo apenas por mim, Carla, há coisas numa arte, defeitos e virtudes que apenas quem cria pode perceber. Mas fico feliz que você tenha gostado, mostra que meus esforços rendem algum fruto.
      Um forte abraço e obrigado por sua presença e encorajamento.

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  3. Olá Eduardo,

    Algumas vezes me sinto exatamente como você. Não vou mentir: É difícil mesmo!

    Mas para quem nasceu com a arte correndo nas veias não consegue adormecer essa necessidade de se expressar, mesmo que ninguém nos veja. O que posso lhe dizer é que seus desenhos são maravilhosos, você é um artista genial e que não pode se calar. Por isso, continue com seus desenhos pois eles falam suas frustrações, eles gritam sua indignação, eles choram sua melancolia.

    Mantenha a força. Segure a onda. Aguente o baque. O amanhã vai sempre vai trazer perspectivas melhores do que o hoje. O segredo é se abaixar nas tempestades mas continuar seguindo em frente.

    E se precisar de alguém para desabafar em off, saiba que estou à disposição.

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    1. Obrigado pelas palavras de encorajamento, Leo. Conheço sua sinceridade, inclusive bem expressada através do seu trabalho e não tenho dúvidas da sua admiração pela minha arte, é bom confirmar que não estamos sózinhos na jornada.

      Sou bastante cristalino em minhas emoções, antes eu tinha tempo para desabafar minhas inquietações através dos quadrinhos, hoje meus momentos de depressão, elevados ao cubo pelos inúmeros revezes da vida, sendo o financeiro o pior deles, vejo neste blog uma forma de estravasamento e isto pode ser uma coisa danosa para mim, as pessoas podem interpretar minhas palavras como uma forma de chamar atenção, um coitado em busca de massagem no ego. Nada disso, estou velho demais pra este tipo de coisa, mas é bom eu maneirar em minhas colocações no que se refere aos meus sentimentos. Este blog deve seguir mostrando algo da minha produção, mas acho que nada além disso. Veremos.

      Grato mais uma vez e vamos ver se nos encontramos para um papo qualquer hora dessas.

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    2. Olá Eduardo,
      É muito fácil separar a arte do artista quando não é ele quem gerencia seu trabalho. No nosso caso, nossos portfólios e nossos sentimentos são um só e, muitas vezes, acabamos expondo-os e misturando-os de uma forma que não se consegue separar.

      A depressão é uma realidade para milhares de pessoas e o desabafo, seja através da arte, seja através de palavras, é sempre o melhor caminho. A internet uniu todo mundo mas separou as pessoas da presença física, tão importante para uma leitura real da situação de cada um. Existisse esse convívio, o desabafo seria silencioso, quase uma confissão, só que entre amigos.

      Mas não se culpe tanto por isso tudo. É melhor colocar tudo isso para fora, seja do jeito que for, do que guardar tudo dentro de si mesmo.

      E quanto ao papo, pode marcar que será um prazer. Como sempre.

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    3. Muita maturidade e serenidade em sua palavras, Leonardo. Nada a acrescentar, somente concordar. Reitero aqui os meus agradecimentos e apoio.

      Precisamos fazer alguma coisa juntos um dia, nem que seja pelo prazer de ver a coisa pronta, no papel. O tempo não há de ser sempre assim tão apertado.

      Sigamos em frente, tendo o cuidado com as pedras no caminho.
      Forte abraço.

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